sábado, 21 de julho de 2012

A revolução sexual foi um dos maiores engodos da história recente


“A espiritualidade de esquerda é rasa. Aloca toda a responsabilidade do mal fora de você: o mal está na classe social, no capital, no estado, na elite. Isso infantiliza o ser humano”.
Luiz Felipe Pondé, filósofo brasileiro

“A revolução sexual foi um dos maiores engodos da história recente”, disse Luiz Felipe Pondé em entrevista sobre a intectualidade esquerdista brasileira. Daquelas conversas bombásticas que aparecem nas páginas amarelas, famosas pelo estilo ping pong que garante a autenticidade das palavras do entrevistado, a “conversa” tem uma grande afinidade com o debate que vi há alguns dias no Twitter em prol de um Estado Laico.
O filósofo brasileiro é chamado, já na abertura da entrevista, de “crítico da dominância burra que a esquerda assumiu sobre a cultura brasileira”. Por aí você avalia o tamanho da crítica que ele faz aos “jantares inteligentes da classe média intelectualizada” que se reune para se cumprimentar mutuamente por sua “consciência social”.
“É uma reunião na qual há uma adesão geral a pacotes de idéias e comportamentos. Pode ser visto como a versão contemporânea das festas luteranas na Dinamarca do século XIX, que o filósofo Soren Kierkegaard criticava por sua hipocrisia. Esse vício migrou de um cenário no qual o cristianismo era a base da hipocrisia para uma falsa espiritualidade de esquerda. Como a esquerda não tem a tensão do pecado, ela é pior do que o cristianismo.”
E para quem pensa que ele diz isso defendendo a religião (de cara eu pensei, afinal, a indicação de leitura veio de minha mãe, que se formou em Teologia há poucos anos, quando quase se aposentava do Direito), engana-se. O que ele quer nos mostrar é que “o mundo das ciências humanas é dominado pela esquerda” e neste universo há muito corporativismo com a tendência geral de excluir, por manobras institucionais, aqueles que não se identificam com esta esquerda.
Neste ponto ele me fez pensar – e muito!
Segundo sua defesa, numa nova esquerda não é mais o proletariado que carrega o sentido da história (como defendia Marx), mas sim as as mulheres oprimidas, os índios, os aborígines, os imigrantes ilegais e estes segmentos que formariam a nova classe sobre a qual estaria depositada a graça redentora. Eu, que trabalhei em ONG nos tempos da faculdade, com gente de esquerda que realmente acreditava no Marx do proletariado, tenho medo desta graça redentora porque ela me faz pensar imediatamente em massa de manobra. E, vamos combinar, estamos bem exauridos deste modelo de relacionamento político.
Uma história contada por Pondé me chamou atenção por se aproximar da realidade cotidiana de muitos de nós:
“Tenho um amigo que é dono de uma grande indústria e cuja filha estuda em um colégio de São Paulo que nem é desses chiques de esquerda. É uma escola bastante tradicional. Um dia, uma professora falava da Revolução Cubana corno se esse fosse um grande tema. Ela citou Che Guevara, e a menina perguntou: “Ele não matou muita gente?”. A professora se vira para a menina e responde: “O seu pai também mata muita gente de fome”. O que autoriza um professora a usar esse tipo de argumento é o status quo que se instalou também nas escolas, e não só na universidade. O infantilismo político dá vazão e legitima esse tipo de julgamento moral sumário.”
Preciso comentar?

Então vamos ao título do post: a revolução sexual como engodo social. O filósofo dizia que os problemas sexuais de hoje são os mesmos da antiguidade, mas, no tal ambiente do “jantar inteligente”, todo mundo diz que vive uma relação de troca plena com seu parceiro. Nestes encontros (e no meio deste grupo) não se diz que a emancipação feminina criou problemas para as mulheres porque as sobrecarregou ou que elas sentem solidão,vive-se coletivamente uma realidade “fake” na qual uma mulher nunca vai dar um pé no homem que se mostre sensível demais. Mas, na realidade, ela dá porque ela quer parar de fingir que vive uma relação plena e quer poder buscar formas de conciliar o jeito complicado de ser humano em parceria com o outro. E independentemente de existir o pecado (no sentido religioso) ou a contracepção como “problema” no meio do caminho, não é uma tarefa fácil ser feliz com outra pessoa.
E menos fácil ainda é ser “perfeito”, unir a cultura com a sustentabilidade e ter um comportamento politicamente correto sem ser chato. Mas é o que os tais jantares nos forçam a buscar e se não estamos neles, temos que ser engraçados e incorretos como os astros de stand-up comedy, vomitando toda porcaria que nos passa pela mente para fazer os outros rirem de nossa falta de bom senso. De um jeito ou de outro, com ou sem revolução sexual, se tentamos fazer parte deste jogo social parece-me que estamos sempre nos colocando como marionetes da sociedade, numa atuação na qual em pouco tempo deixamos de saber quem move os fios e nos conduz para onde raramente sabemos se queremos ir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário