sábado, 28 de julho de 2012

BOTAFOGO- A ESTRELA SOLITÁRIA




Nilton dos Santos 

16/05/1925
Rio de Janeiro
Lateral Esquerdo

Campeão Carioca em 1948,1957,1961 e 1962; Rio-São Paulo (1962/64); Copas do Mundo de 1958 e 1962; Copa América de 1949; Pan-americano de 1952.

Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, é o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Botafogo. Entre 1948 e 64, atuou em 723 partidas, fazendo 11 gols. Considerado o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos, Nilton vestiu apenas três camisas em toda sua carreira: a do Botafogo, da seleção brasileira e da seleção carioca.
Bicampeão mundial com a Seleção Brasileira, tetracampeão carioca com o Botafogo, além de vários outros títulos internacionais, sempre com as mesmas camisas, foi o responsável por mudanças táticas em várias seleções e clubes do mundo e também por um novo papel do lateral em campo.
"Eu sempre gostei de atacar, mas fazia com cuidado, pois se o time tomasse um gol naquela hora eu ia parar na forca", lembra. Nílton Santos reconhece que foi favorecido na época. "Tinha a vantagem de ter Garrincha no meu time. Ele atraía o jogo para a direita e eu aproveitava para dar minhas arrancadas. Consegui fazer 11 gols pelo Botafogo e três pela Seleção Brasileira, o que era um absurdo na época. Creio que fui um dos primeiros laterais a atacar e não só a marcar", reconhece.
Nilton Santos era um jogador clássico, elegante, raramente fazia falta e nunca jogou com violência. Começou a carreira como centroavante, mas foi colocado como quarto-zagueiro em um treino e logo em seguida firmou-se na lateral. A obsessão pelo ataque, no entanto, permaneceu e o fez inovar o futebol de sua época, com suas "estranhas arrancadas" pela esquerda.
Dono de um futebol refinado, hábil, chutava e driblava com ambas as pernas - coisa rara na época. Em campo, exercia uma liderança discreta, mas firme. Jogadores como o Amarildo, que substituiu Pelé na Copa de 1962, o próprio Pelé e Garrincha, de quem era considerado o melhor amigo e compadre, o respeitavam muito.
Na Copa do Mundo de 1962, no Chile, Nilton Santos conseguiu conter os ânimos do estourado Amarildo, que não de graça tinha o apelido entre seus companheiros do Botafogo de Possesso. "Eu e o Didi chamamos o Amarildo e falamos que os espanhóis iriam tentar irritá-lo e que ele teria de se controlar para não ser expulso. Ele entendeu o recado e se comportou maravilhosamente bem. Parecia um anjo dentro de campo", lembra.
Ainda na Copa de 1962, ocorreu um lance que marcou a vida de Nílton Santos e a história do futebol brasileiro. O jogo era contra a Espanha, válido pela última rodada da fase de classificação, e decisivo. Quem perdesse, voltava para casa. Nílton Santos, então já com 37 anos, conta o que aconteceu: "Começamos mal e tomamos um gol no primeiro tempo. O técnico espanhol colocara um cara novo e veloz em cima de mim, mas ele era canhoto. Ele ganhava todas as corridas, mas na hora de cruzar, tinha que ajeitar a bola para a perna boa. Nessa hora, eu chegava e roubava a bola. No segundo tempo, a mesma jogada se repetiu, mas, na hora de cortar a bola, acabei derrubando o espanhol dentro da área. Instintivamente, dei dois passos e saí da área. O árbitro estava longe, não viu e marcou falta e não pênalti. Foi pura malandragem, daquelas que a gente aprende nas peladas." Depois desse lance, os espanhóis desmontaram, ao mesmo tempo em que Mané Garricha começava a dar seu show particular, driblando os adversários de todas as maneiras. Numa dessas jogadas, Amarildo empatou o jogo. Os espanhóis entraram em desespero. Todo mundo recuou na tentativa de parar o Mané das 'Pernas Tortas'. Mas não teve jeito e em outra jogada do ponta-direita brasileiro Amarildo fez seu segundo gol na partida, o da vitória brasileira. Hoje, Nílton afirma que, embora não tenha feito gol naquela partida e nem mesmo jogado tão bem, aquele lance do pênalti acabou sendo decisivo.
Romântico, não ligava para dinheiro. "Eu acho que sempre fui amador. Cheguei a assinar três contratos em branco, no auge de minha carreira", diz. Mas ele não se arrepende. "Faria tudo de novo, outra vez. Tudo o que tenho, tudo o que eu sou, eu devo ao Botafogo." Seu outro amor, talvez o principal: a bola. "É a minha vida. Foi quem me deu tudo. Nunca me traiu, nunca me bateu na canela. Sempre me obedeceu. Minha bola é minha vida", confessa.
Nílton Santos começou no time carioca em 1948. Em 1950 já participava de sua primeira Copa, na reserva. "Foi muito triste ver o Maracanã silencioso. Deu vontade de fugir". Depois de um Mundial regular na Suíça, em 1954 ("foi uma bagunça geral") teve sua grande chance na Suécia, em 58.
Na véspera da final contra os suecos, confiante, chegou a declarar a alguns repórteres que queriam saber se ele dormiria tranqüilo: "Pelé, Garrincha e Didi jogam no nosso time. Os suecos que passem a noite em claro pensando em como marcar o Brasil. Eu vou dormir sossegado". O resultado todos sabem: 5 a 2 para o Brasil.
Outra passagem marcante na carreira de Nílton Santos foi a de um gol na Copa de 58. O Brasil vencia a Áustria por 1 a 0, no começo do segundo tempo. Nílton pegou a bola na defesa e começou a avançar: "Volta, Nílton", gritou do banco Vicente Feola, técnico do Brasil. O lateral continuou correndo e ultrapassando os adversários. Já quase na intermediária, ouviu novamente: "Volta, Nílton". Mas fingiu não ouvir e chegou à entrada da área austríaca: "Volta, Nílton", berrava Feola, quase se esgoelando. Nílton chutou com maestria da entrada da área, marcou o segundo gol brasileiro, que levou o público ao delírio. "Boa, Nílton", murmurou Feola, já se sentando no banco novamente. 1962 foi o ano de ouro para o lateral. Conquistou o bi mundial no Chile com a Seleção e bi carioca com o Botafogo, numa final histórica contra o Flamengo, com show de Mané Garrincha. E em 1964, ele abandonou o futebol e o Botafogo, aos 39 anos. "Boa, Nílton", murmurou Feola, já se sentando no banco novamente. 1962 foi o ano de ouro para o lateral. Conquistou o bi mundial no Chile com a Seleção e bi carioca com o Botafogo, numa final histórica contra o Flamengo, com show de Mané Garrincha. E em 1964, ele abandonou o futebol e o Botafogo, aos 39 anos.


Manoel Francisco dos Santos
28/10/1933
Pau Grande-Magé( Rio de Janeiro )
Ponta Direita

Seleção Brasileira : Copas do Mundo de 1958 e 1962; Botafogo : Campeonato Carioca 1957,1961 e 1962; Rio x São Paulo : 1962 e 1964

Eis que surge na década de 50 no Botafogo, um jovem de pernas tortas que gostava de caçar passarinhos. Apelidado de Garrincha acabou se transformando no maior ídolo da história do Clube. Já no primeiro treino deixou Nilton Santos completamente louco quando jogou uma bola por entre as suas pernas e deu outros dribles incríveis. Ao término do treino o próprio Nilton Santos recomendou aos dirigentes a contratação do jovem de pernas tortas. Seu primeiro jogo foi contra o Bonsucesso onde marcou três gols e o Botafogo venceu a partida por 6 x 3 . A partir daí todos foram percebendo que Garrincha não era apenas um jogador habilidoso, era também um grande goleador
Mais do que um atacante espetacular, era um verdadeiro espetáculo vê-lo deslizar pela ponta direita, demolindo todos aqueles que tentavam pará-lo. Era símbolo maior do futebol moleque, irreverente, de cruzamentos precisos e muita ingenuidade. O seu primeiro treino no Botafogo foi coberto de desconfiança por causa de suas pernas tortas. O apelido Garrincha veio de uma ave que ele costumava caçar na infância.
Durante a sua permanência no Botafogo marcou 242 gols em 614 jogos, tornando-se o terceiro maior artilheiro do clube em todos os tempos. Foi campeão mundial pelo Brasil em 58 e 62. Garrincha pelas suas magníficas apresentações passou a ser chamado de Alegria do Povo. Os dribles de Garrincha levaram o Botafogo ao Título Carioca em 57 na vitória de 6 x 2 sobre o Fluminense. Na copa de 58 depois do empate contra a Inglaterra, Nílton Santos, Bellini e Didi exigiram a escalação de Garrincha contra a União Soviética. Em poucos minutos, Garrincha mudou toda a história do jogo. O Brasil venceu por 2x0, gols de Vavá, mas o grande herói foi Garrincha. O Brasil foi campeão do mundo em 58 e bi quatro anos depois, em Santiago do Chile. Nesta Copa, Pelé saiu no segundo jogo contra a Tchecoslováquia e não voltou mais a jogar no campeonato. Então Garrincha foi ponta, artilheiro, marcando gol de cabeça, de pe esquerdo e de falta. Mesmo com febre, desmantelou a mesma Tchecoslováquia, agora na final, por 3x1. Em sua volta ao Rio, arrasou o Flamengo na final em que o Botafogo chegou ao bicampeonato carioca de 1961 e 1962.
Garrincha foi considerado o mais habilidoso jogador que já existiu em todos os tempos sua capacidade de driblar e envolver seus adversários era impressionante. Pelo Brasil perdeu apenas uma das 61 partidas que fez com a camisa da Seleção. Em 1998, foi escolhido para a seleção de todos os tempos da Fifa, em eleição que contou com votos de jornalistas do mundo inteiro.



Heleno de Freitas
12/12/1920
São João Nepomuceno
Centroavante

Heleno, o craque, o artista da bola, o mito do futebol, o artista das multidões, o craque galã, o diamante branco, a elegância do futebol, são adjetivos, que perfeitamente se enquadram a figura ímpar de um gênio Chamado Heleno e alguns desses fazem parte do somatório de homenagens, que ao decorrer dos anos serviram também como meio de imortalizar o grande ídolo. Foi com a bola nos pés, levando a torcida ao delírio que Heleno deixou a marca de sua genialidade, se tornando uma das mais ricas histórias do futebol brasileiro.Seu futebol encantou o mundo e lhe rendeu fantásticas expressões e frases de grande efeito, como a que se encontra na estátua em sua homenagem em Barranquilla na Colômbia "EL JOGADOR".
Heleno de Freitas era quase perfeito em tudo. Nos gols de classe. Nas jogadas de alta categoria. E nas cabeçadas maravilhosas. Entretanto, Heleno estava doente e não sabia. A sífilis corroia sua cabeça e isso lhe criava muitos problemas. Às vezes, não entendia os erros dos companheiros que lhe passava uma bola errada. Por isso, brigava com os colegas, xingava os adversários, discutia com os árbitros e pior, a torcida inimiga descobriu como irritá-lo apelidando-o de Gilda - personagem sensual e neurótica de Rita Hayworth no cinema.Se Heleno de Freitas não fosse um craque maravilhoso, ninguém o suportaria. Foi campeão brasileiro e sul-americano defendendo por muitos anos as seleções cariocas e brasileiras.


Paulo Valentim
1932
Barra do Piraí - Rio de Janeiro
Atacante

Campeonato Carioca1957

Foi para o Botafogo levado pelo técnico Jõao Saldanha para tentar o título que o time não conquistava desde 1948. "Paulinho é um tanque, mas com inteligência..." dizia Jõao Saldanha. Não é apenas de passar por cima dos zagueiros. Sabe se colocar, jogar com malícia, nunca fugir da área, porque sempre sobra um rebote", justificava Saldanha.
Na decisão contra o Fluminense, em 1957, o Botafogo goleava por 6x2, com cinco gols marcados por Paulinho Valentin, que se sagrava também artilheiro do campeonato. Paulinho Valentin veio para o Botafogo em 1952, depois de uma curta passagem pelo Atlético Mineiro. Jogou no Botafogo até 1960, quando foi vendido para o Boca Juniors.
Seu futebol brilhante continua na lembrança dos torcedores brasileiros e argentinos, que tiveram a sorte de ter visto esse craque em seus times.
Paulo Valentim era um atacante trombador, muito voluntarioso, com boa colocação e ótimo chute com as duas pernas.



Mário Jorge Lobo Zagallo
09/08/1931
Maceió - Alagoas
Ponta esquerda

A história da Seleção Brasileira praticamente se confunde com a história de Zagallo. Ninguém jamais esteve mais ligado a camisa verde e amarelo que o velho lobo. Atuou como jogador, técnico e coordenador- técnico. Zagallo teve mais de 230 participações na Seleção. É o maior vencedor na Seleção. Dos cinco títulos mundiais, esteve presente em quatro : 1958 e 1962 como jogador; 1970 como técnico e 1994 como coordenador-técnico. O velho lobo também esteve presente em 1998 quando o Brasil foi vice-campeão.
Campeão mundial como titular na Suécia, Zagallo mudou de equipe cerca de dois meses depois da Copa. Foi para o Botafogo. Em General Severiano, formou a melhor linha de ataque da história do clube, ao lado de estrelas como Quarentinha, Garrincha e Amarildo.
Zagallo conquistou o bicampeonato estadual em 1961/62. Nesse último ano, aliás, ainda pode comemorar o bicampeonato mundial pela Seleção Brasileira.
Pouco depois de encerrar a carreira de jogador, Zagallo começou a atuar como treinador, nas divisões de base do próprio Botafogo, em 1965. E não tardou para chegar ao comando da equipe profissional. Já em 1967, levou o Glorioso à conquista do título estadual. No ano seguinte, o bicampeonato.
No início de 1970, a maior glória como treinador. Com a demissão de João Saldanha a poucos meses da Copa do México, Zagallo assumiu a Seleção. Ele aproveitou a base do antecessor e ajudou a moldar o Brasil tricampeão.


Nilo Murtinho Braga
Atacante

Pequeno no tamanho, gigante na atuação”.
Apesar da baixa estatura Nilo tinha disposição para enfrentar os zagueiros. Veloz e habilidoso, usava essas virtudes para penetrar com facilidade nas áreas adversários para as finalizações, que, na maioria das vezes, resultavam em gol.
Essa foi a análise que “O Jornal” fez da estréia do atacante Nilo Murtinho Braga na equipe principal do Botafogo, em 4 de abril de 1920, no Torneio Início do Campeonato Carioca, disputado no estádio do Fluminense. O alvinegro não foi bem, sendo eliminado na segunda partida. Mas ganhou um de seus principais craques nas décadas seguintes.Alvinegro de coração, Nilo aprendeu a gostar do clube acompanhando o tio Oldemar Murtinho ao acanhado campo da Rua São Clemente, onde o time mandou seus jogos no campeonato de 1912.Nilo continuou nas equipes secundárias até 1921. A partir de então, seu relacionamento com o clube que amava foi de brigas, algumas, e vitórias, muitas. O Botafogo vivia agitada vida política, que culminou com o afastamento de Oldemar Murtinho, com o que não concordou o sobrinho.
Nilo voltou para General Severiano em 1927, ano em que o clube começou a formar o timaço que venceu cinco títulos no início da década de 30. Artilheiro implacável, Nilo marcou 30 dos 67 gols botafoguenses no torneio do mesmo ano, quatro deles num dia inesquecível: o da goleada de 9 a 2 sobre 0 Flamengo, em casa, a maior da história do clássico.
Peça fundamental nas partidas decisivas, Nilo marcou 69 gols na campanha do tetra em 1932, 1933, 1934 e 1935.



Paulo César Lima
16/06/1949
Rio de Janeiro - RJ
Ponta-esquerda e meia

Campeão da Taça Brasil, em 1968, pelo Botafogo; bicampeão carioca, em 1967 e 1968, pelo Botafogo;e campeão da Copa do Mundo, em 1970, com a seleção brasileira.

Pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que Paulo César Lima, o Caju, foi um dos jogadores mais polêmicos de todos os tempos.Nascido em 1949, na favela da Cocheira, no Rio de Janeiro, Paulo César tinha o mesmo sonho de qualquer menino pobre: fazer sucesso no futebol, e sair da miséria. Como a favela ficava no bairro de Botafogo, nada mais natural que ele fosse tentar a sorte no alvinegro de General Severiano.
Como não lhe faltava talento, logo foi aprovado para treinar no clube.Em 1967, aos 18 anos, Caju concretizou de vez seu sonho, ao se tornar jogador do time principal do Botafogo e participar de sua primeira temporada no Glorioso. Seu futebol habilidoso e provocador foi logo chamando a atenção, e em pouco tempo se tornou conhecido no Rio de Janeiro.
Na final da Taça Guanabara do mesmo ano, consagrou-se ao marcar os três gols da vitória do Botafogo por 3 a 2 sobre o América, de virada. Era apenas o começo da vitoriosa carreira.
Ainda em 1967, Paulo César foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira, e se tornou conhecido de vez, em todo o país.
Envolvido em confusões fora do campo, mas brilhando no Botafogo e na seleção, o ponta-esquerda participou da Copa de 70, no México, e ajudou o Brasil a conquistar a Jules Rimet, porém apenas como reserva. Naquele tempo, o Brasil era um verdadeiro celeiro de gênios, e estar no grupo já era motivo de alegria para qualquer jogador. "Sou o único tricampeão com fama de ruim", costumava dizer sobre si mesmo, devido à já espalhada fama de problemático.
Destro, sempre brigava quando era escalado na ponta-esquerda. Mas desfilava pela lateral do campo com a bola grudada aos pés. Era tão técnico que substituiu Gérson nas partidas contra a Romênia e Inglaterra, na Copa de 1970, sem afetar o ritmo do time.



Waldir Cardoso Lebrego
15/09/1933
Belém-PA
Centroavante

O temido Quarentinha, artilheiro do Botafogo no final dos anos 50 e início do 60, não sabia a quantidade de gols que marcou ao longo de sua carreira. Calcula que tenha passado dos quinhentos.
O temido Quarentinha, artilheiro do Botafogo no final dos anos 50 e início do 60, não sabia a quantidade de gols que marcou ao longo de sua carreira. Calcula que tenha passado dos quinhentos.
Quarentinha, é o maior artilheiro da história do Botafogo com 308 gols em 446 jogos. Jogando ao lado de Didi e Garrincha, fez história no Botafogo. Tem a melhor média de gols da história da Seleção Brasileira: 1 gol por jogo (17 jogos e 17 gols).



Aílton Correia Arruda
26/4/1937
Recife - Pernambuco
Goleiro

Apelido de Manga, o pernambucano revelado pelo Sport, consagrou-se no Botafogo. Foi um dos maiores fenômenos da posição na história do futebol brasileiro. Arrojado, elástico, autor de defesas impossíveis, tinha quase todos os dedos da mão quebrados. Aliás, mal fechava a mão.
O folclórico goleiro, de tantas histórias , adorava provocar a torcida do Flamengo. Ás vésperas de clássicos diante do rubro-negro, avisava que já gastara o bicho antecipado.



Francisco das Chagas Marinho
08/02/1952
Natal - Rio Grande do Norte
Lateral Esquerdo

Quem ia imaginar que aquele garoto comprido e franzino de apenas 18 anos, conhecido como Marinho, lançado pelo treinador interino do Riachuelo, Antônio Castro, um dia chegasse a jogar no futebol carioca. Muito mais integrar a Seleção Brasileira em dezenas de jogos, inclusive na Copa de 74, quando foi apontado como um dos dois maiores laterais do Mundo ao lado do alemão Breitner.
Em 1972 recebeu a grande oportunidade da carreira. Foi contratado pelo Botafogo-RJ e por lá jogou cinco anos.
Um dos mais completos laterais-esquerdo de todos os tempos do futebol mundial. Para a maioria o segundo melhor depois de Nilton Santos. Veloz, subia ao ataque e voltava para marcar com a mesma eficiência. Habilidoso, driblava com extrema facilidade. Técnico, dificilmente errava passe ou cometia a falta. Como se não bastasse tinha potente chute de pé direito, o que lhe valeu o apelido de Bomba do Nordeste. Também chutava muito bem de perna esquerda.
Marinho, foi a grande vítima da queda do time do Botafogo nos anos 70. Com a saída de Jairzinho, passou a ser o único craque da equipe.


Gerson de Oliveira Nunes
11/01/1941
Niterói - Rio de Janeiro
Meia

Era chamado de o Canhotinha de Ouro pelo futebol inteligente e habilidoso que praticava. Tinha grande sentido de organização e estratégia, era um técnico dentro de campo; lançamentos perfeitos de perto ou de longe, capaz de colocar a bola no peito do atacante a 40 metros de distância; chutes fortes e precisos; ótimo cobrador de faltas; liderança, não tinha papas na língua quando fosse preciso orientar o time ou até mesmo xingar um companheiro, daí o apelido de "Papagaio".
De personalidade forte Gerson, logo depois chegou à perfeição como jogador de meio-de-campo”, elogiou-o ninguém menos do que Didi, cuja posição herdou no time do Botafogo. Praticamente expulso do Flamengo, em 63, Gérson de Oliveira Nunes encontrou-se no Botafogo. Foi o grande comandante do time até 69. Sua perna esquerda fazia maravilhas.
Em 1969 deixou o Botafogo e foi para o São Paulo. Gerson foi um dos maiores estilistas do futebol brasileiro. A técnica e a liderança eram completadas com uma inteligência rara para enxergar o futebol. Sua consciência tática era impressionante. Todo esse talento compensava o fato de fumar como poucos, até mesmo no intervalo das partidas. Foi um dos grandes líderes da seleção de 1970 ao lado de Carlos Alberto Santos e Pelé.
Pela Seleção Brasileira jogou 98 vezes (83 oficiais) e marcou 28 gols . Participou das Copas do Mundo de 1966 e 1970.
Foi com sua melhor característica, o lançamento, que fez de Roberto e Jair artilheiros no Botafogo. Mas além disso, sua grande inteligência lhe deu a posição de comandante não só do meio-campo, mas do time inteiro tanto sabia dar esses lançamentos citados, como um chutão para o lado, quando a coisa estava feia, ou até mesmo atrasar uma bola para seu goleiro após várias fintas na área.
Por quase todos os clubes que passou, Gérson fez o nome dos atacantes. Foi com sua melhor característica, o lançamento, que fez de Roberto e Jair artilheiros no Botafogo, e mais tarde os limitados Toninho e Terto, no São Paulo, que o meia tornou-se peça principal na engrenagem de todos os times em que atuou.

DIDI "Príncipe Etíope"


Waldyr Pereira
08/10/1929
Campos-Rio de Janeiro
Meia Armador

Didi começou a jogar futebol muito cedo, no infantil do Aliança, time de Campos, do Rio de Janeiro, sua cidade natal. Na juventude, quase teve de amputar uma perna.
Em 16 de junho de 1950, Didi inscreveu seu nome na história como o autor do primeiro gol no maracanã, sua equipe entretanto foi derrotada por 3 a 1 para a Seleção Paulista da mesma categoria.
Didi, foi um meia armador clássico, inteligente e assustadoramente frio. Voltou da Copa do Mundo de 1958 consagrado como o melhor jogador pela crítica internacional. .
Foi um vitorioso colecionador de títulos ao longo de quinze anos de atividade:campeão pelo Fluminense; bicampeão pelo Botafogo; bicampeão mundial. Aplaudido ou vaiado, Didi foi um jogador de grande personalidade. O escritor Nelson Rodrigues o chamava de Príncipe Etíope.
Em junho de 1950, Didi marcou o seu nome na história como o autor do primeiro gol no maracanã.
A sua maestria na arte de jogar futebol lhe rendeu vários títulos e homenagens, exaltando sua classe e sua elegância. Didi é uma das poucas unanimidades no que se refere a jogadores de habilidade e liderança no futebol brasileiro. Ficou famoso como o inventor da "folha seca", um estilo de cobrar falta que dava à bola um efeito inesperado, semelhante ao de uma folha caindo. Em uma cobrança de falta nesse estilo, classificou o Brasil para a Copa de 58, com a vitória por 1 a 0 sobre o Peru, nas eliminatórias de 1957. Na Suécia, foi eleito o melhor jogador do Mundial.


CARVALHO LEITE


Carlos Dobbert de Carvalho Leite
Centroavante
25/06/1912
Petrópolis - Rio de Janeiro

Campeonato Carioca de 1930, 1932, 1933, 1934 e 1935

Jogou no Botafogo entre 1928 e 1941. Conquistou o inédito tetracampeonato carioca de 1932 a 1935, além do título de 1930. É o segundo principal artilheiro da história do clube. Marcou 275 gols em 325 jogos, só foi superado vários anos depois de abandonar os campos por Quarentinha, que marcou 308 gols pelo clube.
Dentro da grande área era perfeito, e, com seu chute forte e estilo trombador, consagrou-se com a artilharia do Campeonato Carioca de 1936, 1938 e 1939. No Campeonato Carioca de 1930, aos 18 anos, foi o jogador que mais atuou na campanha do título carioca (vinte vezes), transformando-se no artilheiro da equipe, com catorze gols. Não se intimidava, nem na juventude, com a responsabiliade de vestir a camisa 9 do Botafogo.
Quem o viu em ação, no entanto, garante que poderia ter feito ainda mais gols, não fosse uma contusão que sofreu em maio de 1941 contra o Bonsucesso e que tirou para sempre dos gramados, aos 29 anos, um dos maiores artilheiros que o Alvinegro teve em toda sua história.
Mesmo depois de abandonar o futebol, Carvalho Leite continuou ligado ao Botafogo. Foi médico do clube durante muitos anos.
Carvalho Leite dizia que: "O Botafogo representa tudo para mim. Afinal eu só joguei no Botafogo e me orgulho muito disso. Ainda mais por ter ajudado a acabar com um jejum de 20 anos sem títulos, que se arrastava desde 1910".


Amarildo Tavares da Silva
29/07/1940
Campos - Rio de Janeiro

No Botafogo substituiu Paulo Valentin e foi bicampeão carioca em 61/62, integrando um quinteto ofensivo com Garrincha, Didi, Quarentinha e Zagallo.
Rápido, oportunista, bom finalizador, foi apelidado de Possesso pela raça como disputava todas as jogadas. De técnica apurada, caiu como uma luva no ataque do Botafogo.
Jogou pouco tempo pelo Botafogo, porém mais do que o suficiente. Foi artilheiro do Campeonato Carioca e marcou mais de 120 gols com a camisa Alvinegra, na Copa de 1962 ( Quando jogou com Didi, Nilton Santos e Garrincha, o esquadrão alvinegro) substituiu muito bem o rei Pelé.
Amarildo pode ser considerado um jogador de azar. Craque de bola, raçudo, ídolo no Botafogo, teve um "defeito" que o atrapalhou em suas convocações para a seleção brasileira: jogava na mesma posição de Pelé, o melhor do mundo.
Por outro lado, pode ser considerado um jogador de sorte. Na Copa de 1962, Pelé se machucou no segundo jogo, e sobrou para Amarildo a responsabilidade de entrar em seu lugar. E este foi seu triunfo: não decepcionou. Jogou bem até a grande decisão e foi um dos destaques do Mundial.
Amarildo entrou no time envelhecido do Brasil (Pelé se machucara no segundo jogo e não mais voltou a campo nessa Copa do Mundo) na terceira partida da Copa do Chile, contra a Espanha e fez dois gols na vitória por 2 a 1, naquela que foi considerada a partida mais difícil do Brasil no mundial. Na finalíssima, novamente contra os tchecos, quando o Brasil ficou em desvantagem no placar, Amarildo tirou aquele frio da barriga do torcedor, com o gol de empate.

JAIRZINHO


Jair Ventura Filho

Ponta Direita e Atacante
25/12/1944
Rio de Janeiro - RJ

Bicampeão carioca, em 67 e 68, Torneio Rio São Paulo, em 66 e Taça Brasil, em 68, pelo Botafogo além da Copa do Mundo em 1970.

Em 1965, acabando de sair do juvenil, Jairzinho recebeu uma missão praticamente impossível: ser o substituto de Garrincha no Botafogo. No entanto, ao invés de tremer ou decepcionar, o garoto de 19 anos encheu os olhos dos torcedores. Com a mesma camisa 7 às costas, Jairzinho não mostrou o talento de Mané para os dribles desconcertantes, mas seus gols e suas arrancadas também deixaram seu nome na história do clube.
Se substituir Garrincha no Botafogo já não era tarefa para qualquer um, imagine então ser o substituto do craque na seleção brasileira. Pois foi exatamente o que aconteceu com Jairzinho, no mesmo ano em que estreara nos profissionais do Alvinegro. Mais uma vez, o faro para o gol não falhou e, em 1966, na Inglaterra, disputou sua primeira Copa do Mundo, aos 20 anos.
Mesmo após o fracasso brasileiro em 66, Jairzinho permaneceu com seu status inabalado. Na volta para o Botafogo, já usando a camisa 10, o craque levou o Glorioso ao bicampeonato estadual em 67 e 68. Em 1970, veio a consagração. O ponta direita foi um dos principais jogadores da melhor seleção brasileira na história das copas, e deixou o México com o apelido de Furacão, devido às suas arrancadas e chutes fulminantes. Além de Jairzinho, nunca, em todos os Mundiais, outro jogador conseguiu marcar gols em todas as partidas da competição. Logo na estréia, contra a Tchecoslováquia, Jairzinho mostrou seu poder de fogo e balançou as redes duas vezes. Nos outros cinco jogos, Inglaterra, Romênia, Peru, Uruguai e Itália também foram alvos do Furacão, que marcou sete vezes na competição. A Taça do Mundo era nossa e o planeta inteiro reconhecia o futebol do craque.
Quatro anos após o Mundial do México, Jairzinho fez parte da seleção brasileira que ficou em quarto lugar na Copa da Alemanha e, logo em seguida, deixou o Botafogo. Depois de mais de dez anos defendendo as cores alvinegras, e sendo um dos maiores salários do futebol brasileiro na época, o Furacão trocou General Severiano pela Europa, e foi jogar no Olympique de Marselha, da França, ao lado do também brasileiro Paulo César Caju, ex-companheiro de seleção e Botafogo.

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