quarta-feira, 25 de julho de 2012

Uma História de papas


Vamos uma vez falar de papas sem papas na língua.



Comecemos com a  Alta Idade Média, quando havia em média uma igreja católica para cada grupo de 200 pessoas. O poder romanista nessa época era tal, que o papa podia até legislar sobre assuntos tributários. Em seu reinado de 1294 a 1303, o papa Bonifácio VIII, por exemplo, sentiu-se totalmente à vontade para emitir uma bula liberando os clérigos de impostos, e uma outra onde declarava que o poder espiritual e temporal dos papas era superior ao dos reis… O poeta Dante visitou a Roma dos 

papas durante o seu reinado e absolutamente não comungou
 desta opinião, pois logo depois descreveu o Vaticano como 
“esgoto da corrupção”.
No século XIII, o pontífice romano dispunha de mais vassalos
 feudais do que qualquer outro suserano, e a lei canônica era
 aplicada indistintamente a todos os países cristãos do continente
 europeu. Qualquer súdito suspeito de heresia era taxado por Roma 
não apenas de inimigo da fé, mas de “inimigo da sociedade”.

O poder do papa era tão imenso nesse período, que acabou dando 

origem ao chamado “Grande Cisma”, o qual manteve a Igreja dividida 
entre os anos de 1378 a 1417. O que aconteceu foi que o papa eleito
 em 1378, Urbano VI, se opôs aos cardeais não italianos, que devido 
a isso resolveram eleger por conta própria um outro papa, o
 suíço Clemente VII. Urbano VI era apoiado pela Inglaterra, 
Polônia, Dinamarca e Suécia, enquanto que Clemente VII
 contava com o apoio da França, Escócia e países ibéricos.
 A sede de Urbano VI era Roma, a de Clemente VII a cidade 
de Avignon, na França. Nessa época, todo europeu encontrava-se automaticamente excomungado pelo papa a cujo pálio não se
 submetia, e cada lado acusava o outro de ter o Anticristo como 
chefe. Com o propósito de resolver o impasse, visto ter fracassada
 uma singela tentativa de solução pelas armas, o Concílio de Pisa,
 com apoio da Universidade de Paris, elegeu um novo papa em 1409, Alexandre V, que não pôde resolver a situação porque morreu inoportunamente logo em seguida, tendo sido substituído por 
João XXIII . Embora declarados ilegítimos pelo Concílio, os 
dois papas anteriores, de Roma e de Avignon, mantiveram-se
 firmes em seus postos, de modo que a Igreja passou a contar
 com três Vigários de Cristo a zelar pela doutrina, cada qual se
 esmerando em anátemas e excomunhões. Durante alguns anos,
 as salvas dos tríplices anátemas papais cruzaram a Europa de
 ponta a ponta, qual mísseis medievais, municiados com ogivas
 de ignorância e estupidez, escurecendo ainda mais os céus 
já cinzentos da tenebrosa Idade Média. O rebuliço só serenou 
quando o Concílio de Constança (1415 – 1418) se reuniu e depôs 
os três papas briguentos, elegendo um quarto, Martinho V,
 daí novamente o único pontífice universal reconhecido por 
todos, e com isso a pax romana retornou ao seio da Igreja.

O termo pontífice provém do vocábulo pontifex – 

“construtor de pontes”, título sacerdotal usado nos ritos
 pagãos da Roma antiga, designando aquele que, por seu
 ofício de sacerdote, formava o elo ou ponte entre a vida na
 Terra e no Além. A forma pontifex maximus (sumo pontífice) 
era uma das expressões do culto divino dirigido ao imperador 
romano, e apenas a este. Só o imperador era o pontifex maximus, 
tal como aparece, por exemplo, nos denários do tempo de Jesus,
 aludindo ao imperador Tibério. Essa denominação foi surrupiada 
pelo papado pouco depois do seu início, na gestão de Leão I, chefe
da Igreja entre os anos 440 e 461, no tempo da queda final do Império Romano. Foi ele quem deu início à concorrida linhagem de césares
 papais ao tomar para si o título de “sumo pontífice”, encantado
 com o rótulo. Com essa pontifical travessura ele desejava mostrar
 que, como bispo de Roma, tinha natural jurisdição sobre as demais comunidades cristãs. Na sua opinião, “uma vez que Pedro fora o
 primeiro dentre os apóstolos, a Igreja de São Pedro deveria 
receber primazia entre as igrejas.” Leão I queria, leoninamente,
ser considerado o primus inter pares – “primeiro entre iguais”.
 Assim, podemos afirmar que o Império Romano nunca se
 extinguiu de fato, mas continuou existindo, inclusive sob
 esse mesmo nome, até a idade moderna. A única diferença 
é que seus súditos e vassalos não eram mais constrangidos
 pela lança e os louros do imperador, mas pelo báculo e a mitra
 do bispo de Roma. De fato, quase nada mudou. O costume de 
manter arquivos papais deriva da antiga prática imperial romana; 
transporte do papa no alto, na chamada sedia gestatoria, 
é igualmente um meio de transporte oriundo da Roma antiga, 
e mesmo o Código de Direito Canônico foi inspirado no Direito 
Romano. Até recentemente, qualquer terráqueo que não
 comungasse da fé católica tornava-se efetivamente um novo “bárbaro” aos olhos da Igreja, tal como no Império Romano. Tal como seu antecessor, o atual Império Romano da Igreja, fundado em concepções errôneas das palavras de Cristo, foi igualmente conservado pelo medo e expandido pela força.

O termo “papa” é formado pela junção das primeiras sílabas 

de duas palavra latinas: pater patrum – “pai dos pais”. A própria 
História comprova como muitos papas – os “pais dos pais” da Igreja – mandaram utilizar paternalmente o punhal e o veneno contra
 seus próprios pares, na consecução de objetivos puramente terrenais. 
Quem inaugurou, ou melhor, foi inaugurado no estilo de morte papal
 por envenenamento foi João VIII, assassinado no remoto ano de 882. 
Cerca de dez anos depois foi a vez de o papa Formoso ser 
misteriosamente envenenado na Santa Sé. Seu sucessor,
 Estevão VII, aparentemente incomodado com esse falecimento
 enigmático, fez questão de exumar o corpo do papa morto,
 excomungá-lo solenemente com as vestes pontificais, mutilá-lo, 
arrastá-lo pelas ruas de Roma e por fim lançá-lo no rio Tibre, 
mostrando ao mundo do que uma paranóia papal é capaz.
 O misericordioso Estevão VII acabou morrendo pouco depois,
 trucidado pelo povo.

Em 904 o papa Leão V foi assassinado pelo seu sucessor, Sérgio 

III, que já havia tentado antes se apoderar do trono pontifício,
 sem sucesso. Poucos anos mais tarde, o papa João X foi 
envenenado pela filha de sua amante, essa última mãe de
 seu sucessor, João XI. O papa João XI foi despachado em 
936. Em 974, o papa
 Bonifácio VII assumiu o trono depois de estrangular seu
 antecessor, Bento VI. Dez anos mais tarde, o mesmo Bonifácio VII
 prendeu e liquidou seu rival, o papa João XIV, e um ano depois
 ele próprio foi deposto e assassinado. O papa Silvestre II morreu
envenenado no ano 1003. O papa Clemente II morreu envenenado
 em 1047, dois anos depois de assumir o trono com uma plataforma 
de combate à corrupção interna. Em fins do século XIII,
 o papa Celestino V foi envenenado pelo seu sucessor,
 Bonifácio VIII. Em 1304, o papa Benedito XI morreu logo 
após ingerir, sem saber, figos misturados com vidro moído
. Em 1471, o papa Paulo II fechou os olhos para sempre 
depois de comer dois triviais melões, não se sabe com que 
tempero adicional. Especial destaque homicida merece ser
 dado ao papa Alexandre VI, um sátrapa que ascendeu ao
 trono pontifício no ano de 1492 e logo cuidou de transformar
 palácio papal um bordel. Seu tristemente célebre reinado de
 terror ficou marcado tanto pelo punhal como pelo veneno,
 freqüentemente utilizados por seus correligionários, com
 grande habilidade, para abrir caminho nas fileiras dos opositores. 
Alexandre VI morreu em 1503, envenenado por arsênico. 
Traições sucessivas, luta de facínoras pelo poder, sangue 
derramado aos borbotões – tal é o enredo secular da
 história dos papas.

Em relação a outros temas o currículo deles não é melhor. 

Os catálogos feitos para provar a ligação ininterrupta dos 
papas desde o início do Cristianismo são falsificações,
 reconhecidas hoje, inclusive, por membros mais honestos do clero. 
Baseiam-se na chamada “Doação de Constantino” e nas
 “Pseudo-decretais”, documentos fabricados no século IX
 e impingidos ao povo como “provas” da transferência da
 autoridade papal aos ocupantes da cadeira de Pedro pelo
imperador romano Constantino, no século III. A Doação de 
Constantino é uma carta forjada desse imperador, que teria 
sido dirigida ao papa Silvestre I em 30 de março de 315, na
 qual lhe concede autoridade sobre todos os episcopados
 existentes, doando-lhe ainda o palácio de Latrão, as insígnias
 e os poderes imperiais romanos, não apenas sobre a Itália 
mas incluindo todas as demais províncias do Império. Não se 
sabe bem o que Silvestre I pensou ao ganhar de presente um 
certo patriarcado de Constantinopla, citado textualmente
 na “Doação”, mas que ainda não existia no ano 315…
 A Igreja de Roma afirmava que o imperador Constantino 
seu documento de “Doação” sobre o cadáver de S. Pedro,
como uma oferta pessoal ao primeiro dos papas... 
Um outro documento falsificado, atribuído a Clemente I,
 papa de 88 a 97, informa que o próprio apóstolo Pedro lhe 
teria dito que o bispo de Roma detinha o poder de abrir e fechar
 os portões do Paraíso.

Já a comprovação “espiritual” da ligação dos papas com Cristo, 

cabeça da Igreja, foi pespegada aos católicos com o dogma da
 infalibilidade papal, decretado durante o Concílio Vaticano I,
 no século XIX. Os bispos reunidos nesse Concílio chegaram a
 dispor de uma oportunidade de rejeitar essa loucura, mas
 preferiram recuar. Numa das reuniões para debater o assunto 
da infalibilidade, uma tempestade desabou sobre a Basílica de
 S. Pedro e uma trovoada, amplificada pelo interior acústico da
 Basílica, acabou quebrando uma das janelas mais altas. Esse 
incidente assustou algumas das eminências ali reunidas, que
 concluíram tratar-se de um sinal claro de que era errado o que 
estavam fazendo. No entanto, essa opinião não prevaleceu, o 
episódio foi rapidamente abafado, as confabulações encerradas 
e os papas tornaram-se dali em diante infalíveis em questões
de fé e moral, preservados pelo Senhor de quaisquer erros.

Também a prepotência espiritual da casta papal ainda está

 para ser avaliada, em sua real magnitude, por historiadores 
independentes. No início eles se denominavam Vigários de Pedro,
 mas não demorou a serem promovidos por si próprios a Vigários de Cristo.

O papa Gelásio I, redator do primeiro catálogo de livros 

proibidos pela Igreja, foi quem deu início, no século V, à
 longa série de desvarios pontifícios com sua “teoria das duas
 espadas”. De acordo com essa tese, dos dois poderes legítimos 
que o Criador teria outorgado para o governo do mundo, o poder
 espiritual – representado pelo papa – sempre teria supremacia
 sobre o poder dos reis. No século XI, o papa Gregório VII 
reforçou esse poder ao proclamar a absoluta perfeição da
 Igreja de Roma: “A Igreja nunca errou, nem jamais errará, 
segundo as Escrituras”, esclareceu. Como testemunho dessa
 perfeição doutrinária, e para justificar o solene culto em latim
 da época, que sempre foi completamente ininteligível para
 qualquer fiel, esse papa emitiu uma bula declarando “ser 
agradável ao Onipotente que Seu culto fosse celebrado em língua desconhecida, e que muitos males e heresias haviam surgido por 
não se observar essa regra.” Esse Gregório VII também deliberou,
 num espasmo de humildade, que todos os príncipes deveriam
 beijar os pés do papa, e que um apelo à corte papal sempre
 teria total preponderância sobre os julgamentos de qualquer
 outro tribunal terreno. Na sua opinião, o papa era automaticamente 
feito santo pelos méritos de São Pedro, e daí a relevância da reverência exigida. Seu colega de profissão, Bonifácio VIII, também não corou ao discorrer sobre seu glamouroso papel na salvação das almas humanas: “Declaramos, afirmamos, definimos e pronunciamos que é totalmente necessária à salvação de toda criatura humana sua sujeição ao pontífice romano. ” O catecismo do Concílio de Trento respaldou indiretamente essa opinião de Bonifácio VIII, ao definir a Igreja como “corpo de 
todos os fiéis que até agora vivem na Terra, com uma cabeça
 invisível, Cristo, e uma cabeça visível, o sucessor de Pedro, 
que ocupa a Sede Romana.” Pouco depois dessa declaração, 
Inocêncio III, pontífice entre os anos de 1198 e 1216, conseguiu
 sobrepujar por larguíssima margem a arrogância de seus
 predecessores quando, num arroubo de modéstia pontifícia,
 serenamente anunciou ao mundo que “o pontífice romano é 
o representante sobre a Terra não de um mero homem, senão
 do próprio Deus.” Essa opinião se manteve nos séculos seguintes.
 Segundo a escritora Ellen White, até o ano de 1612 ainda era
 possível encontrar documentos eclesiásticos onde se lia o intróito:
 Dominum Deum Nostrum Papam – Nosso Senhor Deus o
 Papa. Não me é possível tecer comentários sobre uma
 blasfêmia tão asquerosa como essa, mas gostaria de 
saber qual a diferença entre esse ensandecido 
Inocêncio III e o desvairado Domiciano, imperador romano
 de 51 a 96 d.C, que exigia de seus súditos o tratamento
 de “Senhor e deus”. Ou então de sacripantas do diâmetro 
de Calígula e Nero, que também declararam em vida sua 
origem divina.

Foi também Inocêncio III quem, durante o Concílio

 Latrão IV, em 1215, ratificou a desairosa máxima de
 São Cipriano: “fora da Igreja não há salvação”, pouco 
depois de declarar Maomé como o Anticristo. Com um 
caráter assim tão pouco ecumênico, logo sentiu-se encorajado
 a perseguir os albigenses ou cátaros, um grupo cristão 
dissidente que surgiu na França no século XII, que rejeitava 
o culto aos santos, os dogmas da ressurreição da carne, do
 nascimento virginal de Jesus e de sua presença real na eucaristia.
 Durante a perseguição, o escassamente inocente 
Inocêncio III foi tocado por um lampejo de caridade 
cristã ao ordenar aos seus: “Se necessário, suprimi-os 
com a espada!” Por ocasião da sangrenta tomada da 
cidade de Beziers por parte das tropas papais, surgiu 
então a questão de como distinguir os habitantes
 heréticos dos bons católicos. Um legado desse papa 
Inocêncio III encontrou rapidamente a solução: “Matem
 todos, pois o Senhor saberá reconhecer os que lhe pertencem!”
 E assim foram mortos algumas dezenas de milhares
de homens, mulheres e crianças.

Esse Inocêncio valentão também já havia sepultado 

numa desaforada bula as tímidas iniciativas de tradução
 da Bíblia, ameaçando de morte “qualquer simplório e
 ignorante que tivesse a audácia de tocar na sublimidade
 da santa Escritura ou de pregá-la a outrem”.

Inocêncio III não foi o único papa belicoso a desautorizar

 a leitura da Bíblia em língua vernácula. No século XVI,
 o papa Paulo IV emitiu uma bula em que excomungava
 quem fizesse uso de qualquer tradução da Bíblia.
 Seu sucessor, Pio IV, foi um pouco mais compreensivo 
e declarou que “qualquer pessoa que leia ou tenha uma
 tradução em seu poder sem esta permissão [dos bispos
 e dos inquisidores] não poderá ser absolvido de seus
 pecados até que devolva a Bíblia ao superior”. Algumas 
décadas depois, Paulo V colocou a seguinte observação 
ao lado da lista de Bíblias vernáculas no Index Librorum
 Prohibitorum – o Índice de Livros Proibidos da Igreja: “Não se pode ler, imprimir-se ou possuir-se, sem licença do Santo Ofício,
 as edições da Bíblia em língua vulgar.” Em 1816, Pio VII
 emitiu um documento em que chamava as traduções
 vernáculas da Bíblia de “a mais astuta das invenções
, pela qual se abalam os fundamentos da religião e se
 levam os fiéis a beberem nessas fontes o letal veneno.”
 Alguns anos depois dessa declaração peçonhenta de Pio VII, 
um outro papa mefistofélico, Gregório XVI, tachou a hipótese
 de uma eventual liberdade de consciência humana como
 “idéia monstruosa e absurda”.

Esses papas não podiam admitir que seus enfileirados

 fiéis tivessem a capacidade de pensar por si mesmos e
 tirar suas próprias conclusões. Onde já se viu tamanha
 insolência? De fato, havia o risco de os católicos, observando 
a profusão de canonizações ao longo dos séculos, terem
chegado à conclusão de que nenhum de seus papas lia a
 Bíblia, ou então que não davam à mínima para ela, já 
que no livro de Isaías está dito expressamente: “Só ao
 Senhor dos Exércitos chameis de Santo” (Is8:13). A Bíblia 
só pôde começar a ser interpretada sob rigorosa supervisão 
da cúria pretoriana, para evitar “desvios”. Exemplo de
 interpretação correta foi esse primor produzido por um
 certo bispo de Florença, segundo o qual um trecho do 
Salmo 8 provava o domínio do papa sobre o mundo:
 “Deste-lhe domínio sobre as obras da Tua mão e sob
 seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e
 também os animais do campo; as aves do céu e os
 peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos
 mares” (Sl8:7,8). O bispo esclareceu como tudo fora
 colocado sob os pés do papa pelo Senhor: as ovelhas 
eram os cristãos, os bois eram os judeus e heréticos, 
os animais do campo eram os pagãos, e os peixes do
 mar eram as almas do purgatório. Desconfio que o tal
 bispo não tinha muito apreço pela inteligência das suas
 ovelhas... E todo esse poder fora doado ao papa para ser 
exercido em terras... da Igreja! Em Portugal, a Igreja detinha 
a propriedade de dois terços das terras no início do século XVIII.

Como foi possível que o mundo tivesse de suportar essa instituição do papado, a maior incubadora de tiranos em seqüência da história da humanidade, verdadeiros serial killers do espírito?

Em Sua obra O Livro do Juízo Final, Roselis von Sass diz o

 seguinte sobre o modo de geração de tiranos no lar:
 “Quando pessoas moram muito juntas numa casa na 
Terra e se deixam tiranizar caladas por um dos habitantes,
 tolerando a sua impertinência e mania de dominar, 
e portanto temerosas se rebaixam em vez de enfrentá-lo,
 elas perdem energias. Tornam-se mais fracas, ao passo
 que o tirano fica cada vez mais poderoso e mais impertinente.
” Com o papado aconteceu algo semelhante. No grande lar da 
Terra, os povos se deixaram atemorizar pela impertinência dos 
primeiros papas, fornecendo a eles o combustível para que
 se tornassem cada vez mais poderosos e tirânicos.
 O processo foi o mesmo.

Só para arrematar essa diminuta amostragem de 

prepotência papal, quero citar uma, apenas uma das
 pérolas que compõem o rosário de petulâncias da
 chamada “Súmula de Erros”, elegia emitida pelo papa 
Pio IX no ano não tão distante assim de 1864:
 “Os princípios de filosofia, ciência moral e as leis
 civis podem e devem ser feitos para se curvarem às 
autoridades divinas e eclesiásticas.” Esse Pio IX, parodiando
 Luís XIV e sua famosa frase “O Estado sou eu!”, 
não deixou por menos no Concílio Vaticano I em 1870: “Eu sou a tradição!”, avisou ao mundo.

Poucos anos depois, seu sucessor, Leão XIII, jogou 

um balde de água gelada em qualquer mortal que
 ainda ousasse querer buscar a própria salvação:
 “Enganam-se todos aqueles que desejam alcançar
 a salvação fora da Igreja e engajam-se num esforço
 inútil. Por ordem de Deus, apenas na Igreja pode ser
 encontrada a salvação; o único instrumento efetivo e
 forte para a salvação é o Pontificado Romano.” Não diga!...

Pronto, já basta. Voltemos a respirar. Mesmo porque agora temos permissão para isso, conforme estabelece o cânone nº 1.536 do Concílio Vaticano II, promulgado em 1965, portanto um século depois da Súmula de Erros de Pio IX: “Este Sínodo Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa.” Que bom, não?

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