terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Páscoa Cristã



A Páscoa Cristã celebra um fato novo: a Ressureição de Jesus, aós os dramáticos episõdios que ficaram sendo conhecidos como a sua Paixão e Morte. Tais acontecimentos coincidiram com a festa em que os judeus celebravam a libertação do cativeiro egípcio.
Com efeito, numa quinta-feira, véspera do 14º dia após a primeira lua nova do ano, Cristo reuniu seus amigos para a Ceia Pascal, durante a qual distribuiu aos presentes pão e vinho, afirmando serem seu corpo e sangue. Com isto estabeleceu um novo memorial: a Eucaristia (Santa Ceia ou Comunhão). Na sexta-feira seguinte sofreu o sacrifício da cruz e no domingo ressucitou dentre os mortos (Cf. Lucas, capítulos 22, 23 e 24).
Durante muitos anos, a Páscoa cristã foi festejada no mesmo dia da Páscoa judia, até que o Concílio de Nicéia, no ano de 325 da era cristã, fixou o 1º domingo após o inverno no hemisfério norte como a sua data definitiva.
Esta medida atesta o amadurecimento da experi~encia cristã e, consequentemente, seu progressivo distanciamento e abandono das tradições judaicas, opondo-se à guarda do sábado, dia santificado dos judeus, a observação do domingo, dia que Cristo ressucitou.
Pode-se, também, ver nisso uma estratégia da Igreja para conquistar a adesão dos povos nórdicos, mediante a cristianização dos seus costumes, uma vez que o 1º domingo após o 14º dia da primeira lua nova do ano coincidia com o início da primavera na Europa - entre 22 de março e 25 de abril -, quando estes povos festejavam o término do inverno e a chegada da primavera. Daí "Easter", páscoa em inglês, derivar de "Eostre", deusa da primavera na mitologia anglo-saxônica.
Assim como a antiga Páscoa tornou-se para os hebreus fato determinante para o inicio de sua história como nação, a nova Páscoa representou para os cristãos o início de nova era para a humanidade, superando limites nacionais e etnográficos.
A sua comemoração exigia um período especial de preparação para todos os cristãos, particularmente para os catecúmenos (candidatos ao batismo), recorrendo-se a prolongados exercícios espirituais, jejuns, orações, leituras e doutrinação - a quaresma.
A Quaresma
Quaresma consiste numa preparação iniciática ao mistério pascal. Atualmente ela se prolonga da Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Páscoa, período de 40 dias, caracterizando-se pela prática de jejuns, orações, mortificações e abstinência de carne e diversões.
No início do cristianismo, entretanto conforme Santo irineu (segundo século da nossa era), esse período iniciático durava 40 horas, desde a tarde da Quinta- feira Santa até o domingo Pascal, durante o qual nada devia ser comido. A partir do século III, a preparação começava no Domingo de Ramos e o jejum era observado durante toda a Semana Santa. Mas foi com o Concílio de Nicéia (325), que ficou estabelecido o período quaresmal atualmente em uso, ou seja, 40 dias a contar da Quarta-feira de Cinzas.
Quarta-feira de Cinzas
Marca o início do período quaresmal e, na sua forma atual resultou da reelaboração de antigas práticas penintenciais pré-cristãs, comuns a diversos povos do passado. Consistia em alguém vestir-se de saco e cobrir-se de cinzas, a fim de expressar sofrimento e arrependimento.
Na igreja primitiva, durante as penitências públicas para reparação das ofensas e readmissão na comunidade de fé, costumavam os penitentes apresentarem-se vestidos de sacos à porta dos templos, onde os sacerdotes, após reiterados conselhos, entre cânticos e orações, aspegiar-lhes cinzas sobre as cabeças.
Após o Concílio de Nicéia, este uso estendeu-se para toda a comunidade. Atualmente, as cinzas são obtidas pela queima de folhagens bentas no Domingo de Ramos do ano anterior, e no momento da sua deposição sobre a cabeça do penitente, o sacerdote o exorta à mudança de vida, recitando a fórmula: !Converter-te e crede no Evangelho". Anteriormente dizia-se: " Lembra-te que és pó e ao pó deves voltar" (Cf. Gênesis 3,19).

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