quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Brasil: rumo à ditadura religiosa


Um dos meus maiores receios não é somente a perpetuação da corrupção na política brasileira. A cada dia, com a demanda popular e iniciativas do governo federal de viabilizar a máxima transparência em sua gestão, permitindo o acesso de qualquer cidadão às contas públicas, percebo que existe sim uma luta contra o problema que é responsável por todos os demais que atinge todas as esferas da nossa sociedade. Minha preocupação é outra.
 Hoje lendo as notícias, fiquei um pouco "grilado". Não existe estado democrático onde se mescla religião e política. Pautar leis e comportamentos por dogmas religiosos é estabelecer uma norma que viola direitos de minorias.
A bancada evangélica no congresso nacional condena veementemente a homossexualidade e consequentemente cerceia direitos civis fundamentais a uma minoria que acaba sendo marginalizada. Eles não irão legislar para todos os cidadãos brasileiros, tratarão de criar e sancionar leis que contribuam para facilitar a impunidade de seus atos corruptos. Querem preservar e ampliar sua carteira de clientes.
Sim, carteira de clientes. Pois não é possível que se realmente fossem honestos e realmente acreditassem no que pregam, teriam feito uma faxina nos charlatões que abusam da fé dos mais ignorantes, há muito tempo. Sim, respeito os religiosos, mas não posso deixar de considerar ignorantes as pessoas que compram "martelinho da justiça" por mil reais. 
Já estive em vários cultos evangélicos, quando ainda morava no Brasil. Muitas vezes tive de sair, indignado e com uma sensação de impotência tremenda. Por que assistia a esses cultos? Porque queria formar minha opinião isenta de preconceitos. Lembro que uma vez, em um templo da Igreja Universal, o pastor disse:
"Agora vamos orar pelos verdadeiros filhos de Deus"_ fez uma pausa e gritou fervorosamente_ "E quem são os verdadeiros filhos de Deus? Os verdadeiros filhos de Deus são aqueles que contribuem com o dízimo. O verdadeiro filho de Deus doa 10 por cento de tudo que ganha para a obra do Senhor. Dez por cento do salário, do vale transporte, etc."_ Sai de lá com a mão na boca, estupefato e com raiva (naquela época eu ainda permitia sentir essa emoção). 
Voltando ao motivo que me fez escrever mais uma vez sobre os evangélicos, católicos e qualquer outro religioso que pretenda instaurar na legislação de um país, suas crenças.
Ontem entrou em vigor o projeto de resolução do deputado Daniel Messac (PSDB) que determina a leitura de um trecho da Bíblia na abertura de cada sessão ordinária na Assembleia Legislativa de Goiás.
Segundo o deputado, esse "ritual" tem como objetivo criar um ambiente mais "harmônico e justo entre os parlamentares". 
Na minha concepção de estado de direito, a religião ou qualquer menção de qualquer cartilha religiosa não cabe em nenhuma instituição política. 
Pela minha postura, muitas vezes, as pessoas podem pensar que sou ateu. Mas não sou. O meu credo é algo próprio, individual e não devo tentar impor a ninguém mais. Por isso acredito que isso não deveria ocorrer em nenhuma instituição pública. 
A imagem de um deputado lendo a Bíblia me produz calafrios, não é muito diferente do absolutista saudita, onde a constituição é o próprio Corão. 
Não sou radical e tampouco anti-evangélico. Respeito os religiosos, mas é inconcebível aceitar que eles misturem suas crenças em uma casa legislativa. 
Não me interessa o que as pessoas pensam sobre a minha homossexualidade, se elas seguem religiões que condenam a "prática homossexual". Realmente não me importa. Não preciso que ninguém me aceite por ser ou não ser gay. O que me preocupa realmente é ver a quantidade de fanáticos ou charlatões assumindo a função de parlamentares. Pois eles perpetuam o preconceito, incitam o ódio contra tudo que seja contrário ao que eles acreditam e impedem que o Brasil possa ser um estado realmente democrático. 

                                                   Rei saudita Abdullah

Nenhum comentário:

Postar um comentário