quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Moisés e os mistérios da alquimia


Moisés foi discípulo de um grande Mestre dos paraísos Jinas. Moisés soube achar seu Guru na confluência dos dois oceanos. Esse Guru, depois de instruir Moisés, submergiu-se dentro do plano astral. Entretanto, esse Guru tinha corpo de carne e osso. Era um imortal das terras do Jinas.
Desde os tempos muito antigos, vemos na Bíblia o esoterismo, a alquimia, a magia, a astrologia, a filosofia, a matemática, etc. Se estudarmos cuidadosamente o Êxodo de Moisés, descobriremos no antigo testamento maravilhas esotéricas: exorcismos, ressurreição de mortos, sortilégios, embruxamentos, desembruxamentos, transfigurações, levitação, curas etc., seja com a concentração do campo magnético da raiz do nariz, seja com passes magnéticos, com azeite consagrado, com águas, seja com pequenas porções de saliva mágica colocadas sobre a parte inferior…
Estudando-se cuidadosamente o Êxodo de Moisés, descobrem-se nele os tempos antigos da magia prática dos egípcios. O próprio Moisés era um grande mago. Obviamente, Moisés nasceu para cumprir uma gigantesca missão. Ninguém ignora que ele era primo do faraó e que descendia de um grande mago antigo, de um grande mago caldeu; refiro-me a Abrahão. Também descendia de Isaac, da região dos Iniciados do velho Egito dos faraós, do país ensolarado de Khem.
Moisés começou com um acontecimento insólito. Alguns egípcios tentaram fazer mal a um hebreu e o maltrataram. Moisés defendeu o homem, mas, como dissemos, passou dos limites, pois ninguém ignora que matou um egípcio. Disso as sagradas escrituras são testemunhas. Quando um Iniciado cometia um crime, submetia a vida de um semelhante, não era julgado pelos juízes da terra ou era levado a qualquer corte desta justiça humana subjetiva.
Ele era julgado diretamente pelos grandes sacerdotes do país ensolarado de Khem. O hierofante o julgava e isso era o mais grave porque eles representavam a justiça celestial, a justiça objetiva que por certo é bem diferente, bem distinta, da justiça subjetiva terrena. Esta justiça subjetiva se compra e se vende, mas a justiça objetiva é justiça cósmica que não se pode vender ou comprar.
Moisés fugiu antes de ser julgado e se foi para Midian, à terra do sacerdote de Midian, o qual veio a se tornar mais tarde seu sogro. Foi-lhe dada hospitalidade em um grande templo. Moisés ali esteve em uma cripta subterrânea. Estando lá, saiu conscientemente de seu corpo físico. No mundo astral, encontrou-se com o defunto.
Durou bastante tempo o seu sofrimento no astral enquanto seus fundamentos positivos permaneciam dentro de um sepulcro de pedra numa cripta subterrânea. No astral, tratava de convencer o defunto para que o perdoasse, o que com esforço conseguiu. Depois, é claro, conseguiu que também nos tribunais da justiça cármica o perdoassem. Assim perdoado, Moisés regressou ao seu corpo físico.
Antes, tinha outro nome, porém após ter regressado ao seu corpo, tomou o nome de Moisés, o qual significa: Salvo das Águas.
Muitos Iniciados não conseguiam sair do seu corpo físico e havia os que não conseguiam voltar ao seu corpo. Os sacerdotes residiam em casas próximas das criptas e nelas achavam seus corpos já mortos. Mas com Moisés não foi assim. Depois, ele casou-se com uma grande sacerdotisa de Midian e dedicou-se à Grande Obra. A chave da Grande Obra vocês já conhecem, é o Sahaja Maithuna, o Arcano AZF. Portanto, ele tornou-se alquimista e cabalista.
Que Moisés se autorrealizou é certo, que conseguiu a ressurreição também é verdade e a conseguiu precisamente na caverna de Horeb. Ele viu uma chama que floresceu por entre as sarças da caverna e aquela chama lhe disse: Descansa, Moisés, Eu Sou o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. E Moisés, meus queridos irmãos, naqueles precisos instantes, conseguiu a Ressurreição Iniciática.
Ele já havia voltado a si quando um raio de Aelohim penetrou nele, isto é, seu Pai que está em segredo. Ressuscitou para cumprir uma gigantesca missão; está escrito no Êxodo.
Aelohim é o Eterno Pai Cósmico Comum. Todo o Exército da Voz, todos os Elohim, não são senão raios de Aelohim, a Divindade Imanifestada, o Onimisericordioso, o Uniexistente, o Eterno Pai Cósmico Comum. Nosso Pai que está em segredo não é mais do que um raio de Aelohim. Diante do Eterno Pai Cósmico Comum, diante do Uniexistente, diante do sentido relevante, todos os Grandes Mestres da Fraternidade Universal Branca, todos os deuses, se ajoelham. Todos se ajoelham diante de Aelohim, o Uniexistente, o Onimisericordioso, a Infinitude que a todos sustenta, a Divindade ou o Divinal Imanifestado. Assim, pois, meus caros irmãos, Moisés cumpriu uma valiosa missão.
A Arca da Aliança é indubitavelmente um instrumento da alta magia e está carregada de força elétrica. Todo o profano que se atrever a se aproximar da Arca morrerá instantaneamente. Na Arca da Aliança estão a Vara de Aarão, as tábuas da lei e a taça; não há dúvida de que a vara é fálica. Assim, pois, a Arca era poderosa. Moisés mesmo em sua peregrinação levava sempre a vara do poder real. Diz-se que ele transformou essa vara em uma serpente. Usava também o báculo, a maça de Hércules etc.
Quando alguém lê o Êxodo, não pode menos do que se admirar de seus formidáveis poderes. Moisés quando quis libertar o povo hebreu teve a oposição do faraó. Dizem as sagradas escrituras que manifestou seu poder diante do faraó, que só em levantar a sua vara, as águas se converteram em sangue. As águas não serviram mais e os peixes morreram.
Outro movimento suave e as águas se acabaram. Porém, o faraó insistia em não deixar aquele povo sair do Egito. Levantou novamente seu cetro e todas as casas ficaram cheias de enormes e gigantescas rãs, porém ainda assim o faraó não se deixou convencer; Moisés fez uma rã desaparecer.
Continua o amargo Êxodo dizendo que após desatou uma chuva de granizo sobre a terra do Egito. Ao chegar a este ponto, lembro-me que além de desa-tar tempestades de granizo, fez aparecer sobre a terra do Egito milhares de mosquitos e pestes. E o faraó não queria deixar aquele povo sair, claro que necessitava dele. Afirma-se que Moisés fez com que todos os primogênitos de todas as famílias morressem. Assim está no livro Êxodo do antigo testamento. Não sou eu que o está afirmando, é o Êxodo. Claro, o faraó se convenceu quando os primogênitos das famí-lias começaram a morrer e deixou aquele povo sair.
Quando Moisés estendendo sua vara separou as águas das águas para que o povo passasse, seus perseguidores tentaram fazer o mesmo. O faraó se arrependera e fora em seu encalço com um exército de homens. Porém, a uma ordem de Moisés aquelas águas juntaram-se de novo. Assim, pois, todas essas passagens de Moisés com seus poderes – com sua vara toca a penha para que dela brote água – têm muito de simbolismo místico e cabalístico.
Moisés terrivelmente divino desce do Monte Sinai, sua face resplandecia e as multidões se espantaram. Em sua ausência, haviam estabelecido o culto ao Bezerro de Ouro. Quando Moisés se deu conta disso, tomou aos seus e passou o fio da espada em todos os demais. Como lhes disse, não se pode tomar tudo em sua forma literal. Tudo isso é completamente simbólico.
Quando desceu do Sinai com as Tábuas da Lei, em sua cabeça luziam dois cornos, quais gigantescos raios de luz. Por este motivo é que foi esculpido com esses dois cornos. Que quer dizer esses cornos de bode em Moisés? Por que Michelangelo o cinzelou dessa forma? Pois tem um sentido simbólico, certo! Por que tinha esses cornos de bode? Vou lhes dizer porque. O bode representa o diabo. Por isso, Moisés tinha os cornos. Por acaso, Moisés era o diabo? Temos que analisar esta questão.
Bem vale a pena refletir. Se pensarmos no bode, poderemos descobrir a potência sexual. Nas cavernas dos Iluminados da Idade Média, ele represen-tava precisamente a esse Lúcifer, a estrela da manhã, o reflexo do Logos dentro de nós mesmos aqui e agora! Assim como o sol físico tem em seu fundo a sombra de si mesmo, assim o Mestre Interior de cada um de nós projeta em nosso universo interior particular sua sombra; isto é o inusitado. No princípio, Lúcifer resplandecia no fundo de nossa consciência e era um arcanjo. Quando foi precipitado para o fundo do abismo, desde então converteu-se em bode.
Lúcifer representa a potência sexual. Quem pode negar que o bode não possui uma grande potência sexual? A qualquer impotente sexual, já que há várias classes de impotência: impotência por algum dano no sistema nervoso, impotência devido a debilidade, etc., se pode curar com os hormônios sexuais dessa animal, depositados em seus testículos. Os hormônios do bode têm poder para acabar com a impotência.
Assim, pois, o bode representa por si mesmo o poder criador. Por isso, ele é o representativo de Lúcifer. Isto deve saber entender. Como quer que Moisés soube aproveitar sua potência sexual, como quer que ele soube transmutar o esperma sagrado em energia criadora, apareceram em sua cabeça os cornos simbolizando a Lúcifer. De onde tirou Moisés seus poderes? Com que força conseguiu desatar as dez pragas do Egito, segundo declara o Êxodo? Pois, foi aquele agente maravilhoso que lhe permitiu demonstrar sua sabedoria diante do faraó – a potência sexual. Aí está o poder dos poderes!
Agora ficará explicado para vocês por que a Arca da Aliança tinha quatro cornos de bode. Esses quatro cornos serviam para representar os quatro homens que puderam levá-la de um lugar para outro. Essa arca em si mesma está representando o Lingam-Yoni da Lei. Aqui, pois, é onde está o poder e a força. Sem ela, para nada serviria o TAO dos profetas, de nada serviria o bastão dos Grandes Iniciados… o mercúrio já fecundado pelo enxofre, isto é, pelo fogo.
Assim, pois, devemos compreender a necessidade de se elaborar o Mercúrio. Os alquimistas da Idade Média guardaram silêncio sobre o segredo do Bode de Mendes. Quando na Idade Média, os iniciados neófitos eram levados à meia-noite às cavernas da Iniciação, nos santuários secretos, se lhes vendavam os olhos. Tirada a venda, encontrava-se o neófito diante do Bode de Mendes, o diabo, porém na testa dele resplandecia o pentagrama, a estrela flamígera, não à inversa, como a usam os tântricos negros, mas com o ângulo superior para cima e os dois ângulos inferiores para baixo. Então, se ordenava ao neófito que beijasse o traseiro do diabo. Se se negasse, punham-lhe novamente a venda nos olhos e o tiravam por uma porta escondida por onde jamais poderia entrar.
Lá, os irmãos o advertiam sobre os perigos da Santa Inquisição e sobre aquela pedra cúbica, onde estava sentado o diabo. De uma porta, saía uma Ísis do templo… Precisa-se ser suficientemente inteligente para dar-se conta do profundo significado da cerimônia. De fato, entregava-se ao trabalho na Grande Obra. O fundamental, meus queridos irmãos, é fazer a Grande Obra. Para que serviria se nos tornássemos eruditos, se não fizéssemos a Grande Obra?
É óbvio que no começo devemos fabricar o mercúrio. O segredo da elaboração do mercúrio nunca foi revelado por ninguém e vocês sabem disso. No Arcano AZF está a chave. Com que objetivo pre-paramos o mercúrio? Para que? Para fazer a Grande Obra, é claro. Devemos transmutar na Sahaja Maithuna.
Porém, essa energia em si mesma já é um mercúrio, a alma metálica do azougue em bruto do esperma. Depois essa energia sobe pelos canais Ida e Pingala. Da união de átomos solares e lunares nasce o fogo. É verdade, esse fogo torna fecunda todas suas manifestações. Esse fogo é o enxofre, o mercúrio fecundado pelo enxofre.
Devemos fazer todo o trabalho, porém qual é o trabalho? Necessitamos compreender qual é o tra-balho que vamos fazer, temos de acabar com muitos conceitos equivocados. Dizem as diferentes organi-zações de tipo pseudoesoterista e pseudo-ocultista que o homem tem sete corpos:
Físico – Etérico – Astral – Mental – Causal – Búdico – Átmico
Citam estes corpos também com outros nomes:
1. O físico.
2. O vital chamam-no de lingam sarira.
3. O astral dizem que é kamas ou princípio de desejo.
4. O mental dizem que é manas inferior.
5. O causal chamam de manas superior.
6. O intuicional dizem que é o corpo búdico.
7. Átmico.
O curioso de tudo isso é que os pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas crêem que todos os humanos, melhor diríamos, os humanos que cobrem a superfície da terra, já possuem os sete corpos… Naturalmente, isto é completamente falso. O animal intelectual equivocadamente chamado homem somente temo corpo físico e seu assento vital orgânico. Não tem nada mais. Não tem astral nem mental e causal muito menos, O que tem depois do corpo físico e do vital é o Ego, o eu, o mim mesmo, o si mesmo, que faz as vezes de astral, que faz as vezes de mental, mas que não é corpo astral nem corpo mental. Pude viven-ciar isto facilmente nos mundos internos.
Em nome da verdade e com grande ênfase digo-lhes que quando me movo no mundo astral com inteira claridade meridiana vejo quem tem astral e quem não tem tal corpo. As multidões encarnam, vão e vêm e não sabem porque; não têm corpo astral. São míseras sombras, fantasmas inconscientes, parecem verdadeiros sonâmbulos na região do Averno. Se ti-vessem corpo astral seriam diferentes, seriam vistas como homens, seriam distintas. Qualquer um pode fazer ali a diferenciação entre alguém que tem astral e alguém que não tem.
Um exemplo bem duro que podemos pôr aqui é o de uma pessoa vestida e outra sem roupas. A simples vista se vê quem usa roupa e quem está despido. Assim, aqueles que não têm corpo astral são vistos ali como pobres fantasmas. Assim, pois, vamos fabricar o mercúrio como propósito de criar os corpos existenciais superiores do Ser e depois vamos aperfeiçoá-los etc.
Irmãos, quero que entendam o que vão fazer, qual é o trabalho que vamos realizar com o Mercúrio. Em primeiro lugar, o mercúrio fecundado pelo enxofre toma forma no corpo astral. Quando alguém já possui o corpo astral, sabe que o tem porque pode usá-lo. Assim, pois, irmãos, no mundo da mente, quem possui um corpo astral sabe seu nome. Depois de morto, continua ali com sua personalidade astral viva e já não é uma criatura mortal.
Mas, se alguém fabricasse o corpo astral e após parasse, não continuasse trabalhando com o mercúrio, em novas existências degenerará. Depois ainda teria de se submeter a reincorporação em organismos.
Em primeiro lugar, o mercúrio fecundado pelo enxofre toma forma no corpo astral. Quando alguém já possui o corpo astral, sabe que o tem porque pode usá-lo. Sabemos que temos pés porque podemos caminhar com eles. Sabemos que temos mãos porque podemos usá-las. Sabemos que temos olhos porque podemos ver. Assim também sabemos que temos um corpo astral porque o usamos, movemo-nos consciente e positivamente com ele através dos mundos suprassensíveis.
De que está feito o corpo astral? De mercúrio. Por que o mercúrio toma a forma do corpo astral? Graças a que foi fe-cundado pelo enxofre. O mercúrio fecundado pelo enxofre toma a forma de um corpo astral e se converte em corpo astral.
Uma vez que tenhamos criado o corpo astral mediante o mercúrio, já não seremos míseros fantasmas no mundo dos mortos ou sombras abismais. Chega a minha memória nestes instantes a lembrança de Homero que disse: Mais vale ser um mendigo sobre a terra do que um rei no império das sombras. Quem tem corpo astral já não é um fantasma. Destaca-se como deus da terra e como deus da mente e aqui figura com nome sagrado. Cada um de nós tem o seu nome.
O nome que eu uso é Samael Aun Weor. Não é um nome caprichoso que eu tenha escolhido ao acaso, não. Eu não pus este nome em mim. Eu tenho me chamado assim através de toda a eternidade.
De idade em idade, de mahavântara em mahavântara, sempre fui Samael Aun Weor. Este é o nome d’Ele, de minha Mônada Divina. É o nome que identifica o Rei do Fogo e dos vulcões indubitavelmente.
Como disse Maomé: Alá é Alá e Maomé é seu homem. Ele é perfeito e eu não sou. Não entendo que seu filho seja perfeito porque perfeito só há um, o Pai que está em segredo. Nenhum de nós é perfeito.
Assim, pois, irmãos, no mundo da mente, quem possui um corpo astral sabe seu Nome. Depois e morto, continua ali com sua personalidade astral viva e já não é uma criatura mortal.
Mas, se alguém fabricasse o corpo astral e após parasse, não continuasse trabalhando com o mercúrio, em novas existências degenerará. Depois ainda teria de se submeter a reincorporação em organismos inferiores de animais até eliminar o que tiver de Hanasmussen.
Meus queridos irmãos, há diversos reinos e, assim como aqui, tais remos são governados por devas ou hierarquias. Uma vez que se conseguiu a fabricação do corpo astral mediante o fogo e o mercúrio da filosofia secreta, devemos nos dedicar a trabalhar na fabricação do corpo mental.
Todo mundo pensa que tem um corpo mental próprio e isso é falso. As pessoas não têm mente própria, as pessoas têm muitas mentes. Pensem no seguinte: o eu é múltiplo. O eu é um conjunto de pessoas que cada um leva dentro. O corpo é uma máquina e através dessa máquina de repente expressa-se um eu, isto é, uma pessoa, porém essa pessoa sai e se mete outra. Depois, essa outra sai e se mete uma outra e assim sucessivamente. Total: o animal intelectual não tem individualidade definida. É uma máquina controlada por muitas pessoas, porém cada uma dessas pessoas chamadas eus têm uma mente diferente.
Como quer que são tantos os eus, as mentes são muitas. Cada eu tem a sua mente, suas idéias, seus critérios próprios etc. Então, meus queridos irmãos, onde está a mente individual do pobre animal intelectual equivocadamente chamado homem? Onde está a mente desse pobre mamífero racional? Qual deles se é?
Infelizmente, devemos nos dar conta do que somos, se é que queremos uma transformação radical.
Depois que se conseguiu a fabricação do astral, temos de fabricar um corpo mental. E o faremos com o que? Com o mercúrio! Esse mercúrio se cristalizará no corpo da mente. Quando saberemos que temos uma mente individual? Quando pudermos usá-la. Quando formos capazes de viajar com o corpo mental através de todo o universo, de planeta em planeta. Só então saberemos que temos um corpo mental de carne e osso.
Quando já possuirmos verdadeiramente um corpo mental, partiremos para um trabalho mais avan-çado, começaremos a criar o corpo da vontade consciente, o corpo causal, usando sempre o mercúrio fecundado pelo enxofre. Portanto, o trabalho é ordenado. Primeiro se fabrica o corpo astral, em seguida o corpo da razão objetiva ou corpo mental e depois o corpo da vontade consciente ou corpo causal. Cada um destes corpos tem suas leis. O corpo físico está governado por 48 leis, o astral por 24, o mental por 12 e o causal por 6.
Vejam vocês as maravilhas dos corpos já fabricados. Esses corpos astral, mental e causal têm de fato seu princípio, sua alma humana. Assim nos convertemos em um homem real, verdadeiro, graças ao mercúrio da filosofia secreta fecundado pelo enxofre; um homem real no sentido mais completo da palavra.
Julgarmo-nos homens nestes momentos atuais é uma falsidade. Se colocarmos um homem e um animal intelectual juntos, veremos que os dois se parecem, há uma semelhança, porém, se observarmos seus cos-tumes, veremos que são diferentes. Os costumes de um homem verdadeiro são tão diferentes dos do animal intelectual como os de um cidadão culto são comple-tamente diferentes dos de um canibal da selva.
Observem em detalhe um homem um animal intelectual, observem seus comportamentos e formas e verão que são radicalmente distintos, diferentes, intimamente não se parecem em nada, ainda que a apa-rência física de ambos seja igual. Que nos animais intelectuais estão as possibilidades de se converter em homem isso é coisa bem diferente! Neles estão os germes dos corpos existenciais superiores do Ser! Tais germes são emanações do Sagrado Sol Absoluto que podem ser vivificados através do trabalho com a alquimia sexual e isto é importantíssimo!
Muito bem, uma vez recebido o princípio anímico, o qual chamaríamos na gnose de pneuma ou espírito, vem a segunda parte do trabalho que é bem mais profunda: trata-se de refinar mais o mercúrio e de se intensificar a eliminação do mercúrio seco e do sal vermelho.
Que é o mercúrio seco? Já dissemos que está formado ou representado pelos eus que carregamos dentro. Que é o sal vermelho ou enxofre arsenicado? e o fogo infra-sexual, o fogo que emana do abominável órgão kundartiguador. Para a criação dos corpos exis-tenciais do Ser é necessária também a eliminação e a eliminação se intensifica na segunda parte do tra-balho: a eliminação dos elementos indesejáveis, do mercúrio seco e do sal vermelho ou enxofre arsenicado.
No terceiro trabalho, meus estimados irmãos, na terceira cocção, porque são três cocções ou três purificações pelo ferro e pelo fogo, temos de converter os corpos existenciais superiores do Ser em veículos de ouro puro. De onde vai sair o ouro puro? Transporta-o o mercúrio… Assim como São Cristóvão leva o menino, assim também o mercúrio leva em si o ouro. Porém, necessita-se de um artífice que seja capaz de unir os átomos do ouro com o mercúrio.
Este artífice o temos todos dentro de nós mesmos, é uma das partes de nosso Ser: o alquimista particular de cada um de nós e que é conhecido como Antimônio. Que poderíamos fazer nós sem essa parte, sem esse alquimista? Felizmente, ele conhece a arte e é um grande artista. Ele sabe como irá conseguir a união dos átomos do ouro com o mercúrio.
Assim, pois, na terceira parte do trabalho é necessário que o corpo astral converta-se em ouro puro, em um veículo de ouro. Somente assim poderá ser recoberto pelas partes superiores do Ser ou pelas diferentes partes do Ser. O corpo mental deve ser convertido em um veículo de ouro. Somente assim ele poderá ser recoberto pelas distintas partes do Ser. O corpo causal também terá de se converter em ouro puro para que possa ser recoberto pelas diferentes partes do Ser.
Em seguida, a alma-espírito deverá se transformar em alma de ouro e por último, o mais valioso que temos, o Atman do qual falam os hindus, terá de se converter em ouro puro. Quando se conseguiu isto, quando todos os veículos foram recobertos pelas diferentes partes do Ser, quando todo o mercúrio seco e todo o sal vermelho foi eliminado, chega o nosso Pai. Ele levanta-se de seu sepulcro, entra em seu envoltório e ressuscita em nós e nós n’Ele.
Chegou-se ao mestrado. Quem chega a estas alturas ganha o Elixir da Longa Vida e assim poderá conservar seu corpo físico durante milhões de anos. Quem chega a estas alturas recebe a medicina universal e de seu organismo ficam erradicadas as enfermidades. Quem chega a estas alturas poderá transmutar o chumbo físico em ouro puro como o fizeram o Conde de Saint Germain, Cagliostro, Raimundo Lullo, Nicolas Flamel e outros.
Porém, tacitamente Lúcifer entrou. Que tem que ver Lúcifer com o Bode de Mendes nesta questão? Por que Moisés tinha cornos de bode em sua testa com raios de luz? Meus irmãos, esse Lúcifer, diríamos, é a mina de onde vamos extrair o mercúrio. Muitas vezes dissemos que o cavaleiro tem de enfrentar o dragão. Muitas vezes dissemos aqui que Miguel luta contra o dragão, São Jorge também luta contra o dragão. Muitas vezes dissemos que o cavaleiro toma algo do dragão e o dragão algo do cavaleiro para fazer disso uma estranha criatura. Muitas vezes afirmamos que essa estranha criatura por sua vez, por desdobramento, que resulta como síntese, é o mercúrio, o qual é simbolizado pelo peixe que o pescador tira do lago com suas redes.
Assim, pois, desse Lúcifer extraímos todo o mercúrio e à medida que o tempo for passando, Lúcifer vai se convertendo todo em mercúrio até que no fim a única coisa que resta em nós é o Mercúrio.
Que é um Mestre Ressurrecto? Mercúrio já purificado e convertido em ouro. Por isso se o representa com a Taça de Alabastro, com o alabastro vivo, com a rosa elétrica que se espera. Há alguns Cavaleiros da Ordem Superior dos Ressurrectos, mas eles não têm organização física visível em nenhuma parte.

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