quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A história controversa do crânio de Piltdown...


A partir do momento em que Darwin (foto abaixo) publicou a sua polêmica obra “A origem das espécies”, em 1859, todo o mundo científico ficou interessado na descoberta do famoso elo que faltava para provar a sua teoria de que temos um parentesco com o macaco. Essa teoria ainda é extremamente controversa, principalmente entre os religiosos, e os cientistas dizem que o “elo perdido” é questão de saber procurar mais e melhor.


Decorreram 50 anos de pesquisas, mas em 1912 os darwinistas parecem ter triunfado, de uma saibreira perto de Piltdown Common, na Inglaterra, foram desenterrados fragmentos de ossos e dentes de um ser, semi-humano, que vagueara a Terra há meio milhão de anos. O descobridor foi Charles Dawson, um advogado respeitável, geólogo amador e profundamente interessado na descoberta de fósseis. Foram enviados os achados para o paleontologista, Arthur Woodward, do Museu Britânico; animado, ele também seguiu para Piltdown para acompanhar as escavações que descobriram mais restos antigos do semi-homem.

Junto aos restos do semi-homem foram encontrados, também, vestígios de macacos. Ao que tudo indica, em 1912, finalmente havia sido descoberto o “elo perdido”: um ser com comportamento quase humano, mas aparência de macaco.


Foi feita a pesquisa à época e descobriram se tratar de uma mulher com comportamentos vegetarianos. A imprensa tradicional debochou, falando que não era nada humana: não falava, não cozinhava, não comia carne, não fazia nada. Será que era uma grande farsa científica? Aparentemente, não.

Com essa descoberta, Charles Dawson estava prestes a levar o Prêmio Nobel. O Museu Britânico decidiu dar à mulher de Piltdown o nome do seu descobridor: Eoanthropus dawsoni, ou “o homem primitivo de Dawson”. Enquanto isso, a sorte ia de vento em popa para este pesquisador: mais dentes e outros restos iam sendo encontrados naquela saibreira até 1915. Tudo muito manchado, como se estivesse enterrado num lamaçal por muitos séculos.

Em 1916, Dawson morreu jovem aos 52 e as descobertas cessaram. A equipe que trabalhara com ele desistiu de mais buscas na área por outros possíveis elos perdidos. Entretanto, aí começou a confusão: o professor David Waterston disse que o maxilar da criatura de Piltdown era extremamente similar ao de um chimpanzé! Para piorar a situação, o paleontólogo americano William Howells sugeriu que um visitante entrou no escritório de Dawson sem bater e o viu pintar os ossos com uma tinta ferrosa envelhecida.




O meio científico ficou extremamente abalado com a suspeita e setores religiosos começaram o discurso de que já sabiam que a teoria de Darwin era falsa e impossível de ser comprovada. Os paleontólogos decidiram, então, fazer uma raspagem e aprofundar o estudo.

Somente em 1949 que o geólogo Kenneth Oakley foi autorizado a retirar amostras dos ossos e datá-los. Quando ossos absorvem flúor do solo e da água, é possível saber por quanto tempo estiveram debaixo da terra. As experiências mostraram que os ossos de Piltdown tinham 50 mil anos, o que deixou a comunidade científica incômoda, pois o correto seria ter mais de 500 mil anos.

Infelizmente, aos poucos, os cientistas foram descobrindo que a fantástica descoberta do elo perdido da mulher de Piltdown era uma elaborada farsa forjada por Dawson. Tratava-se do crânio humano de uma criança com dentes humanos raspados com lima, implantados num maxilar de macaco. Realmente havia tinta ferrosa nas amostras para que parecessem mais velhas. Em 1953 a comunidade científica comprovou que Charles Dawson (foto abaixo) tinha promovido uma fraude muito séria.


Por conta disso explica-se que após a sua morte, em 1916, nenhum membro da equipe encontrou outros fósseis em Piltdown e as pesquisas cessaram. Neste embuste, só quem tinha a ganhar era Dawson: mais reconhecimento e até mais dinheiro. Outros dizem que sua intenção era mostrar que o Museu Britânico não tinha uma metodologia de confirmação de achados muito boa.

Seja como for, a história do crânio de Piltdown fez com que Charles Dawson entrasse para os anais da história natural não como um grande nome, mas sim um nome manchado e destruído.

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