quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A provável história (verdadeira) do lendário Robin Hood...


Um grande herói que se confunde com a própria história do Reino Unido da Grã-Bretanha. Justo e justiceiro, era um anti-herói, roubando dos ricos para distribuir entre os pobres. Para os nobres, um terrível criminoso; para os miseráveis, um verdadeiro santo. Robin Hood chegou até os dias de hoje como uma lenda quase viva graças ao cinema, aos livros, aos gibis e à televisão. Mas será que este homem realmente existiu?

Segundo nos reza a lenda, Robin Hood viveu nos tempos do Rei Ricardo Coração de Leão (foto abaixo), também conhecido como Ricardo I, que governou a Inglaterra durante a Idade Média, entre 1189 e 1199. Robin era extremamente ágil no arco e flecha, vivendo escondido na floresta dos arredores de Sherwood (fotos abaixo) (local que, desde o século 17, atrai turistas justamente pela fama por trás da lenda).




De acordo com o que chegou até nós pelo folclore inglês, ele e seu grupo vagueavam na floresta como um acampamento cigano, ou seja, sem residência fixa e sempre fugindo das autoridades. Por supostamente roubar caravanas de comerciantes ricos e distribuir a rés furtiva entre os miseráveis, ganhou o status de um dos maiores heróis ingleses e a alcunha de “príncipe dos ladrões”.

Vale lembrar que naquele período a pobreza era extrema entre os feudos de toda Europa. A população trabalhava para pagar impostos aos senhores feudais, à realeza e à Igreja, além de dividir parte da produção agrícola de subsistência. A miséria, a fome e a doença eram companheiras constantes dessa população; é por isso que esta figura teria se tornado popular por defender uma camada social até então “invisível” nas prioridades dos governantes.


Como nos conta a lenda, Robin Locksley, filho do Barão Locksley, é um cruzado que vê sua família ser destruída pelos ministros do Rei Ricardo I. Não tendo onde morar, ele encontra um grupo de homens que vivem na floresta e os lidera em uma batalha contra aquele regime. Ele quer reaver sua posição nobre e também ajudar aos que se tornaram pobres graças a ganância da nobreza.

É importante pontuar, que naquele tempo, era bastante comum algumas pessoas viverem nos bosques – mesmo sob o risco de morte iminente em invernos extremamente rigorosos. Essas pessoas eram consideradas errantes porque não estavam inseridas no que se entendia por civilização, uma vez que não pagavam os impostos e nem iam à igreja.

Na história, Robin Locksley ganha o apelido “hood” por usar um tipo de chapéu com pena, cujo nome é em inglês. Ele vence os nobres de John e casa-se com a sobrinha de Ricardo Coração de Leão. O “príncipe dos ladrões” volta à nobreza sendo aclamado cavaleiro.


Uma das primeiras referências a Robin Hood é um poema épico conhecido como “Piers plowman”, escrito por William Langand em 1377, portanto já em tempo bastante distante dos fatos, em uma época que a narrativa oral era muito recorrente – quem conta um conto, sempre aumenta um ponto. Em 1400 já era uma lenda bem comum em toda Inglaterra

Para quem vive atualmente em Nottingham (foto abaixo), cidade no centro do Reino Unido, e que serviu de cenário para a maior parte dos encontros e desencontros do grupo, Robin continua vivo. Além de várias estátuas, há ruas batizadas com nomes de personagens do folclore, além de um festival anual dedicado a ele. Há até uma possível sepultura, onde está escrito em inglês arcaico: “Aqui jaz Robard Húdhe”.



De acordo com os historiadores, a existência de um Robin Hood não pode se embasar em folclores, mas sim em documentos. Muito do que se tem de material, como a tal sepultura, foi forjado no século 15. Segundo os registros de comparecimento aos tribunais, podem ter existido vários “príncipes dos ladrões” na mesma época; há pelo menos seis homens diferentes que, nestes registros, afirmam ser Robin Hood. Talvez eles tenham se apropriado da fama de anti-herói.

Existem muitos candidatos a ter em conta, e se quiser acreditar que Robin existiu. De acordo com a investigação de Joseph Hunter, em 1852, Robin era Robert Hood e tornou-se fugitivo por ter ajudado o Conde de Lancaster, que se rebelara contra a cobrança abusiva de impostos do Príncipe João, que por sua vez, usurpara o trono de seu irmão, o Rei Ricardo. Em 1998, Tony Molyneux-Smith publicou um livro onde sustenta que a origem da lenda é Robert Foliot, lorde de uma família que escolheu usar o nome de Robin Hood para esconder a sua verdadeira identidade como proteção numa sociedade violenta.


Em todos os casos, o herói escolheu a vida clandestina da floresta depois de ter sido injustiçado e a sua opção faz escola, acabando por formar um exército com o qual se opõe à maldade que o rodeava. Os pobres veem-no como livre e generoso, os ricos e poderosos temem-no. Na história de Pyle, tal como em muitas outras, Robin veste de verde, maneja o arco como ninguém, não teme nada e vive livre e feliz, rodeado de amigos que se ajudam a cada nova ameaça.

A lenda espalhou-se primeiro nas baladas medievais, passou aos poemas e chegou ao teatro. A história foi escrita, ilustrada, encenada e filmada vezes sem conta até se tornar eterna. Mas como notou o escritor Roger Lancelyn Green, foi só no final do século 18, depois de as baladas, romances e peças antigas serem coligidas e reimpressas por Joseph Ritson, um amigo de Walter Scott, que Robin Hood entrou realmente na literatura.

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