quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Considerações sobre Nero, o imperador considerado louco...

orlando castor

Nero Cláudio César Augusto Germânico. Um nome controverso na história que envolve um pouco de tudo: poder, exageros, loucura, crueldade, sexualidade, excentricidade. Vários têm sido os livros e documentários que tentam entender um pouco desde homem, nascido em 37 d.C. e que morreu no ano 68. Um imperador que governou o maior império do mundo, o Romano, de 54 até a sua morte. Por ser tão controverso e comum nos livros de história, decidimos fazer uma lista de considerações revelando o que é fato e o que é farsa na vida deste homem.


1º Apesar da tirania e da extravagância, durante seu poder, teve foco na diplomacia e no comércio, mas também tentou melhorar o nível cultural da sociedade, construindo teatros e estádios para competições desportivas;

2º Realmente mandou matar a sua mãe, Agripina, e seu irmão, Britânico. Perseguiu muitos cristãos que, mais tarde, foram reconhecidos como mártires pela Igreja. No entanto, conseguia enorme popularidade entre as classes mais baixas da população, talvez por conta da política do pão e circo;

3º Era sobrinho de Calígula, outro imperador com má fama histórica durante os tempos romanos;

4º Teoricamente, ele não teria direito ao trono romano. Mas uma série de complôs com assassinatos e casamentos fez com que seu tio se casasse com sua mãe, que voltava do exílio. Por ser mais velho que seu meio-irmão Britânico, tornou-se herdeiro direto;

5º Ganhou emancipação aos 14 anos de idade, ou seja, tornando-se maior de idade;


6º Os primeiros anos do seu reinado são conhecidos como exemplo de boa administração;

7º Nero teve vários casos extraconjugais, enquanto sua mãe tramava em favor do seu filho nos bastidores, a contragosto do Senado. Entretanto, o jogo virou quando ela descobriu a série de traições com escravas e estrangeiras, o que fez azedar o trato entre mãe e filho. Não procede a informação de que eles vivessem um romance incestuoso;

8º Quando Britânico ia ser declarado adulto, apareceu morto. Há a suspeita que Nero o envenenara com vinho, uma vez que Agripina já tramava para que o Senado proclamasse o enteado o verdadeiro herdeiro do trono romano. Diante disso, Nero colocou a mãe no exílio. Para continuar suas aventuras sexuais, em 59 decidiu cometer matricídio;

9º Com poder cada vez maior em suas mãos, tratou de matar quem aparecesse em seu caminho. Assim, tramou as mortes de antigos amigos, parentes e até mesmo da esposa Otávia. Com atitudes como estas, sua popularidade começou a cair. Diante disso, abriu tabernas de bebidas, liberou prostíbulos e expandiu o território na Armênia, o que fez tornar-se benquisto entre o povo;

10º Ficou ainda mais popular quando fez um decreto diminuindo alguns impostos e libertando alguns escravos presos por dívidas que, supostamente, jamais conseguiriam pagar. Além disso, praticamente cortou os impostos de gêneros alimentícios, o que diminuiu o custo de vida;


11º Recebeu graves críticas por usar dinheiro público em espetáculos artísticos e construção de obras de artes, como enormes estátuas. Amante de jogos, patrocinou muitas lutas entre gladiadores em várias partes do império;

12º Uma das lendas mais divulgadas sobre Roma e seu louco imperador Nero diz que ele mesmo colocou fogo na cidade quando viu seus projetos ruírem. No entanto, não existe nenhum documento que culpe o imperador; mais louca ainda é a historinha de que ele tocava violino alegremente enquanto a cidade ardia em chamas. O violino só foi inventado no século 16. De acordo com o historiador romano Tácito, Nero estava a uns 80 quilômetros de distância de Roma quando teve início o fogaréu; ainda segundo ele, o imperador mandou tropas para controlar o incêndio;

13º Durante catástrofes públicas em Roma, como o referido incêndio, Nero costumava abrir as portas dos prédios públicos para abrigar as famílias que ficaram sem lar;

14º Nero atribuiu o incêndio aos cristãos. Era notório e é um fato que ele tinha uma grande antipatia pela nova religião. Sua crueldade com judeus e cristãos entrou para a história. Muitos foram jogados em estádios durante espetáculos que eram devorados por feras como leões e cães. Entretanto, é um mito de que cristãos tenham sido mortos no famoso Coliseu Romano. Lá era palco de lutas entre animais e entre gladiadores;

15º Nero gostava de cantar, tocar harpa e escrever poesias e canções. Muito se perdeu ao longo da história, mas consta que ele gostava de cantar durante alguns saraus, enquanto inimigos políticos eram envenenados nesses sádicos jantares;


16º Quando foi morto, os políticos e as classes mais altas celebraram publicamente o fato, uma vez que os gastos públicos eram gigantescos com assuntos supérfluos e as tramas de morte, cada vez maiores. No entanto, as classes mais baixas sentiram-se desprovidas de futuro seguro. Extremamente populista e demagogo, Nero tinha o desejo de ser o mais popular possível;

17º Após sua morte, a nova aristocracia fez questão de retirar seu nome de monumentos. Surgiu em todo Império o mito de que ele estaria vivo em um exílio tramando sua volta triunfal, para deleite de seus correligionários e população mais pobre. Isso virou uma lenda tão popular que até mesmo Santo Agostinho o nomeia em sua obra como uma importante crença romana.


A história de Nero é muito controversa, principalmente por conta de fontes duvidosas. Há uma polaridade muito grande: ou são críticas, ou ufanistas. Outro problema é a distância: muito do escrito que nos chegou não é contemporâneo à sua governança, havendo um hiato de pelo menos 50 anos.

Há muitas farsas nessa história tão interessante, bem como fatos interessantíssimos. Apesar das fontes controversas, Nero realmente foi um homem psicopata que não via limites para seu maior objetivo: ser popular. Por isso tramou tanto, matou tanto e surpreendeu tanto. A maior história atribuída a ele – o incêndio – é um embuste que o folclore tratou de perpetuar.

Um nome tão importante da história não pode ficar resumido a poucas linhas de um blog e vários livros não seriam possíveis para tentar mostrar um perfil exato de alguém tão controverso.

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