quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Conspiração jesuíta: você já ouviu falar nela?


Na história da humanidade sempre houve um lote de teorias da conspiração, algumas bem famosas: o homem não teria ido à Lua, a Área 51 é um local que o governo americano esconde o que sabe sobre alienígenas, os homens de preto realmente existem, os atentados às Torres Gêmeas foi uma orquestração internacional etc. Entretanto, há outras bem particulares mas não tão conhecidas, como é o caso da conspiração jesuíta, que refere-se a uma história envolvendo os padres da Companhia de Jesus, da Igreja Católica.


Um breve panorama...
A Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas, é uma congregação religiosa fundada em 1534 por um grupo de estudantes de teologia da Universidade de Paris, liderados por Inácio de Loyola (foto abaixo). Foi criada no auge do desencadeamento da Reforma Protestante no norte da Europa. A companhia estava inserida no que a história chamou de Contrarreforma Católica.

Com a expansão do protestantismo, a Igreja e o papado decidiram expandir a fé com um “exército”. Assim, em 1540, uma bula religiosa reconheceu a ordem que tinha como missão levar o catolicismo aos confins do planeta com trabalho missionário e educacional. Desta forma que o catolicismo pôs os pés nas colônias americanas e chegou até o Japão.


A conspiração e a trama...
Os primeiros registros de conspirações são encontrados na “Monita secreta”, produzidos no início do século 17. São documentos fictícios alegando que os padres estariam ganhando riqueza por meios ilícitos. Na mesma época, a Ordem da Santa Inquisição, na Espanha, já havia alertado a coroa de que os jesuítas eram um pouco “secretistas”.

A Reforma Protestante, e, sobretudo, a Reforma Anglicana, trouxe novas suspeitas contra os jesuítas que eram acusados de infiltração políticas nos reinos e igrejas evangélicas. Na Inglaterra, foi proibido de pertencer aos jesuítas, sob graves sanções, incluindo a pena de morte.

O desenvolvimento do jansenismo na França do século 18 levou a rivalidades internas na Igreja entre jesuítas e os jansenistas e, embora os jesuítas pró-papais, em última instância, prevaleceram, custou-lhes caro no que diz respeito à sua reputação na galicana largamente influenciada pela Igreja francesa.


Nas colônias ibéricas na América não foi diferente: os padres jesuítas começaram a ganhar forte influência entre os nativos e fundavam colônias de trabalho praticamente independentes aos regimentos das coroas. Além de catequizar os indígenas, também passaram a aprender os idiomas locais, mas esse processo não era pacífico e muitos índios morreram nas torturas acusados de adoradores de Tupã. Entretanto, esses índios “civilizados” eram bem vistos como escravos já domesticados e, vez por outra, colônias jesuítas eram invadidas por bandeirantes.

No século 18, a situação estava insustentável em todo o planeta colonizado. Os jesuítas tinham mais poder do que os líderes locais nas colônias e até mais dinheiro que a metrópole. Dizia-se haver ali uma conspiração jesuítica contra a burguesia e a maçonaria, quando esses setores pressionaram governos e a própria Igreja.

A solução passageira do caso...
Sob enorme pressão política e social, as coroas de Portugal, Espanha e França começaram a expulsar os jesuítas de seus territórios além-mar a partir de meados de 1770. Esperta foi a coroa russa, que atraiu para seu território os padres exilados, uma vez que eram conhecidos literatos e, então, poderiam melhorar o nível educacional da população burguesa daquele reinado. O mesmo ocorreu em alguns pequenos reinos independentes da Prússia.


Muitas conspirações antijesuíticas emergiram ao longo do século 18, com o Iluminismo, como parte de uma suposta rivalidade secular entre a maçonaria e a Companhia de Jesus. Os ataques dos intelectuais aos jesuítas foram vistos como uma contraprova eficiente para o movimento antimaçonaria promovido por conservadores, e este padrão ideológico de conspiração persistiu até o século 19 com a publicação de “O judeu errante”, clássico do melodrama de Eugène Sue.

Teorias de conspiração de épocas anteriores frequentemente incidiram sobre a personalidade de Adam Weishaupt, um professor de direito que foi educado em uma escola jesuíta e criou a Ordem Illuminati. Weishaupt era acusado de ser o líder secreto da Nova Ordem Mundial, e mesmo de ser o próprio demônio. Augustin Barruel, um ex-jesuíta, escreveu longamente sobre Weishaupt, alegando que estes illuminati tinham sido os promotores secretos da Revolução Francesa.

Recentemente, escrevi sobre a Ordem Illuminati. Você pode conferir clicando aqui!


Na China e no Japão, os jesuítas foram acusados por vários imperadores de jogar política imperial, e o seu envolvimento no caso dos ritos chineses, em última análise, a ordem foi obrigada a reduzir as suas atividades no Extremo Oriente.

Na década de 1980, reivindica-se que líderes radicais jesuítas conduziam movimentos revolucionários na América Latina que levou a suspeita generalizada contra a Companhia pela ala direita dos governos latino-americanos, e também uma repressão gerada pela Teologia da Libertação do Santo Ofício.

O fato é que a conspiração envolvendo o nome dos jesuítas ganha a internet aos poucos, e eu não vou ficar assustado se alguém começar a associá-los a tramas à la Dan Brown: Illuminati, Rosacruz, Templários etc. Inclusive já há um site que declara a Ordem Jesuíta herdeira direta dos Cavaleiros Templários. É dose?!

Nenhum comentário:

Postar um comentário