quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Estrela de Belém: um mistério astronômico no seio da religião...


Todo mundo, mesmo não sendo cristão, já ouviu falar na Estrela de Belém, um ocorrido astronômico que, de acordo com o Evangelho de Mateus, anunciou não só o nascimento de Jesus, como também guiou os Reis Magos até o local onde ele estava. Atualmente há uma grande controvérsia entre os estudiosos: teria sido um fenômeno paranormal milagroso, ou um Ovni, ou simplesmente um evento previsto pela astronomia e totalmente explicável atualmente?


Desde o início da humanidade como uma sociedade organizada, as estrelas serviam como um mapa. Astrologia e astronomia se confundiam. A disposição das constelações no céu mostrava as estações do ano, eclipses, caminhos para navegação e, também, presságios de mortes, guerras, pestes e grandes nascimentos. Na época que Jesus teria nascido não era diferente: registros demonstram que era uma prática entre astrólogos interpretar fenômenos astronômicos como anúncio do nascimento de reis. Existem várias teorias entre os teólogos sobre a natureza desta estrela. Contudo, é consenso que sua aparição alude à estrela de Jacó (Nm 14,17) que foi profetizada por Balaão.

O contexto bíblico da narrativa...
Após o nascimento de Jesus, Herodes ainda governava a Judeia, que à época era uma das províncias mais pobres do gigantesco Império Romano, junto com toda a área da Palestina. De acordo com a Bíblia, chegaram do Oriente a Jerusalém três magos que perguntaram sobre o nascimento de um rei dos judeus. Vale ressaltar que, no original grego, “mago” está “mägoi”, que ficaria mais bem traduzido como “sacerdote astrólogo”. Disseram eles que viram sua estrela, que não seria comum, visto que seguia um percurso estranho do Oriente para o Ocidente, sempre adiante deles.

Seria um ponto luminoso que ao observador comum se pareceria uma estrela, e permitiria ao Rei Herodes achar o futuro rei dos judeus. É importante salientar que, segundo a Bíblia, Herodes tinha forte intenção de assassinar o menino Jesus. Portanto, a julgar pelo fato de que a estrela não conduziu os Reis Magos diretamente ao menino Jesus e sim para o seu assassino, dificilmente ela teria origem divina.


É importante pontuar que a Estrela de Belém, na realidade: (1) guiou os magos a alguém que quis matar Jesus, e só depois os levou até onde realmente estava o bebê; (2) a Bíblia aponta que um anjo anunciou o nascimento de Jesus, não uma estrela – que só os referidos Reis Magos conseguiam ver, e como eles eram astrólogos, então somente eles entendiam que aquilo era um fenômeno incomum; (3) existe a teoria de que eles praticavam a astrologia, que é severamente condenada pelo Deus judaico-cristão, no entanto isto ainda é uma teoria meramente especulativa.

Um cometa, uma supernova, um alinhamento de planetas?!
A primeira explicação astronômica que se procurou dar para a Estrela de Belém foi que teria sido um cometa. Astrônomos do século 16 propuseram o famoso cometa Halley como a estrela. Essa imagem ainda é muito forte no imaginário popular, onde frequentemente a estrela é representada como uma estrela com cauda, como realmente é um cometa. Hoje sabemos que o cometa Halley apareceu no ano 12 a.C., muito cedo para estar associado ao nascimento de Jesus. E nenhum dos cometas conhecidos, segundo os dados hoje catalogados, passou na Judeia capaz de ser visto a olho nu, entre 7 a.C. e 1 d.C.

Astrônomos chineses, entretanto, registraram uma “nova estrela” na constelação de Capricórnio no ano 5 a.C. Essa “nova estrela” poderia ser um cometa ou uma estrela explodindo, uma vez que os registros não nos dizem se ela se movimentava em relação às estrelas de fundo. Ao fenômeno de “explosão de uma estrela” os astrônomos chamaram de supernovas.


Recentemente, publiquei um outro post sobre a história envolvendo a Estrela de Belém. Para ler, clique aqui!


No ano 7 a.C., houve uma conjunção planetária entre Júpiter e Saturno. Esses planetas se aproximaram no céu (mas não o bastante para serem confundidos como um único objeto), na constelação de Peixes, nos meses de maio, setembro e dezembro. Aqueles que acreditam ser essa conjunção a Estrela de Belém argumentam que os magos viram a primeira conjunção em maio, e iniciaram a jornada. Durante a segunda conjunção, em setembro, chegaram a Jerusalém e durante a terceira conjunção, em dezembro, chegaram a Belém. Em fevereiro de 6 a.C., houve uma grande aproximação (quase uma conjunção planetária) entre Júpiter, Saturno e Marte também na constelação de Peixes.

Em setembro de 3 a.C., Júpiter se aproximou de Régulo, a estrela mais brilhante da constelação de Leão. Essa constelação era considerada a constelação dos reis naquela época. Além disso, o “novo leão jubado” estava associado à tribo de Judá. Em outubro, houve uma nova conjunção entre Júpiter e Vênus, na constelação de Leão. No ano 2 a.C., em fevereiro e maio, aconteceram outras duas conjunções entre Júpiter e Régulo. Em junho, houve uma conjunção planetária entre Júpiter e Vênus. Nesse mesmo ano, Júpiter realizou um loop no céu fazendo um movimento retrógrado, onde inverteu a direção de seu movimento em relação às estrelas de fundo – ficando então estacionário – no dia 25 de dezembro.

Entretanto, já é fato notório entre historiadores e teólogos de que Jesus não nasceu no mês de dezembro, mas muito no meio do ano – talvez entre maio e julho –, quando ocorria o censo romano e com temperatura amena na região para que ele pudesse sobreviver a um nascimento em um estábulo com pouca proteção do clima.


Outras teorias...
Outros teólogos encaram esta estrela como uma estrela teológica. Segundo eles, Mateus estaria fazendo uma interpretação de tradições e, por isso, não se refere a uma estrela literal, apenas no significado do nascimento de um personagem importante. De acordo com tradições antigas, pode se tratar de um anjo, ou ainda de um conglomerado de anjos que teriam recebido a missão de anunciar o nascimento de Jesus. As evidências bíblicas que relacionam estrelas a anjos são frequentes (Is 14:12-14, Ap 1:20, 12:4), o que explicaria a razão pela qual a estrela movia-se, detinha-se, aparecia e desaparecia de forma inusitada (Mt 2:9-11).

Uma das explicações mais estranhas vem dos adeptos da teoria dos deuses astronautas. Segundo eles, a Estrela de Belém poderia ser um Ovni que teria guiado os Reis Magos. Para eles, é muito suspeito o movimento errático e “inteligente” da estrela.

Uma das suposições mais bem explicadas e embasadas sobre a Estrela de Belém foi escrita pelo físico e astrônomo brasileiro Rogério Mourão, no volume “O livro de ouro do universo”. Com linguagem simples e atraente, o debate fica extremamente interessante. Fica a dica e vale a pena a leitura!

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