quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Uma profecia furada do fim do mundo: a história de William Miller


No dia 03 de abril de 1843, milhares de pessoas reuniram-se nas colinas da Nova Inglaterra à espera do apocalipse total, o fim do mundo. Apesar de não ter ocorrido e da decepção generalizada, não perderam a fé no homem que havia profetizado o cataclismo global: William Miller (foto abaixo), um fazendeiro e antigo ateu, que se dedicou anos a prever o dia do Juízo Final.



Tendo meditado sobre os livros bíblicos de Daniel e do Apocalipse, Miller fez as suas primeiras advertências em 1831. Acabou tornando-se um pregador e viajou muito falando a sua mensagem e desenvolvendo novos cálculos. As suas previsões sobre a aproximação do fim do mundo foram reforçadas por fenômenos de estrelas cadentes em 1833, halos em torno do sol e o aparecimento de um cometa espetacular em 1843.

Desde os tempos mais antigos, na Suméria e no Egito, na Índia e na China medieval, fenômenos astronômicos eram associados a eventos ruins. Um eclipse poderia ser sinal de agricultura não muito proveitosa. O aparecimento de um cometa poderia ser um aviso dos deuses que tempos difíceis viriam: doenças, guerras etc.



Depois destes acontecimentos, o jornal “New York Herald” publicou as profecias de Miller, segundo o mundo seria destruído pelo fogo no dia 03 de abril daquele ano. De acordo com relatos, houve fanáticos desesperados que mataram seus familiares e cometeram suicídio. O desespero foi total em algumas comunidades.

Na pequena cidade de Westford, um homem fez soar uma enorme trompa, quando os adeptos de Miller começaram a gritar: “Aleluia, é chegada a hora!”. O homem o fez de deboche e replicou: “Idiotas, vão plantar batatas, pois os anjos não vão fazer o trabalho por vocês!”.

Abaixo, imagem original da época que fala sobre o comentário da grande ascensão que os seguidores de Miller poderiam presenciar muito em breve.



Sem se deixar desencorajar e ainda com muitos adeptos, Miller reviu a data, marcando para o dia 07 de julho. Muitas pessoas vestiram túnicas brancas e se reuniram em cemitérios, onde esperaram pelo fim do mundo. Outras tantas subiram nos telhados de suas residências esperando pelo fogo sagrado. Inexplicavelmente, outros tantos seguidores venderam tudo o que tinham a preço de banana, embora se ignore o que pensavam fazer com o dinheiro.

Como se pode imaginar, o dia 08 de julho de 1843 amanheceu sem qualquer incidente. Miller sugeriu uma nova data: 21 de março de 1844 – e mais uma vez foi acreditado pelos seus seguidores mais fiéis. Novamente disse que havia errado a data e reconsiderou: dia 22 de outubro seria, aí sim, o apocalipse total. Há relatos de que neste dia um fazendeiro vestiu túnicas brancas em suas vacas e afirmou que as crianças poderiam precisar de leite no caminho até o paraíso.

Finalmente, no amanhecer do dia 23 de outubro de 1844, os adeptos de William Miller começaram a duvidar, especialmente aqueles que tinham vendido tudo o que tinham. O mundo continuava a girar, as pessoas continuavam a trabalhar e Miller continuava com os seus bens – e até mais rico. Este dia ficou conhecido como Dia do Grande Desapontamento.

Na imagem abaixo, os cálculos feitos por William Miller para explicar como chegou até a data do Juízo Final. Para ter mais detalhes e poder ler as informações, clique sobre a imagem.



Para quem não sabe, Miller foi o precursor da Igreja Adventista. O movimento que em seu auge chegou a ter oficialmente mais de cem mil adeptos, logo se dissipou com tremenda frustração entre os crentes. Alguns remanescentes elaboraram melhor esta teoria vindoura de Jesus Cristo e hoje temos, aí, em todo planeta, a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Recentemente, publicamos um texto falando sobre a Estrela de Belém e os Treis Reis Magos, que estariam seguindo um cometa. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos sobre a controversa história sobre alguns cientistas que, supo
stamente, teriam gravado o som do inferno. Leia aqui!

Recentemente, lançamos um post falando sobre o livro "E a Bíblia tinha razão" e sua contraparte, o livro "E a Bíblia não tinha razão". Leia aqui!

Recentemente, publicamos um post falando sobre a famosa profecia maia do fim dos tempos em 2012. Fato ou farsa? Leia aqui!

A história de William Miller é um exemplo interessante de como o ser humano tem particular interesse em eventos cataclísmicos que colocam a raça humana sob risco. Várias profecias existiram ao longo da história e outras tantas continuarão a existir; no momento, vivemos sob o signo da profecia maia de 2012. Enquanto isso, os dias continuam a se suceder e quem não crê nessas teorias segue a sua vida sem maiores impedimentos.

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