quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Visões da morte? A história do vidente que profetizou vários destinos numa festa!


Os convidados presentes em um jantar em Paris, em 1788, ouviram totalmente incrédulos as previsões do escritor Jacques Cazotte (foto abaixo) sobre a sorte (ou azar) que os esperava durante uma revolução que, segundo ele, em breve assolaria e mudaria toda a França. “Não é preciso ser profeta para sentir no ar esse fervor de insatisfação e de que haverá, mesmo, uma revolução”, brincou um convidado. Todos os presentes concordaram com essa piada, afinal a economia ia muito mal, e a burguesia e os pobres estavam insatisfeitos com os monarcas.


A incredulidade continuou com um pouco de protesto quando Cazotte continuou: o rei seria executado, bem como algumas das senhoras que ali estavam naquele jantar. Para não ficar no terreno das especulações, passou a ser mais específico: falou ao dramaturgo Nicholas Chamfort, “vós cortareis as veias com uma navalha 22 vezes, mas não morrereis senão alguns meses depois”. Ao marquês de Condorcet (foto abaixo), filósofo e matemático, casado com uma das mulheres mais bonitas daquela festa, anunciou com precisão assustadora: “Vós morrereis no chão de uma cela, depois de vos envenenardes para evitar o carrasco que espera lá fora”. A previsão mais surpreendente foi porventura a que reservou ao crítico de dramaturgia e jornalista Jean Harpe, um ateu bem conhecido, o qual, segundo Cazotte, afirmou com segurança, a tal revolução o tornaria um cristão bem devoto à Virgem Maria.


Os convidados saíram deste lauto jantar extremamente intrigados. Alguns um pouco céticos, afirmando que Cazotte estaria fazendo piada com todos e que, de tudo o que disse, a única certeza era a tal revolução vindoura. No entanto, anos depois, as tais profecias começaram a se concretizar – para terror dos convidados daquele jantar anos antes.

Chamfort, que colaborou com a Revolução Francesa nos primeiros tempos, criticou depois os seus excessos. Em 1793, sob a ameaça de prisão, tentou, sem conseguir, suicidar-se cortando os pulsos e braços com uma navalha não muito afiada. Morreu dois meses depois.

Condorcet foi eleito para a Assembleia Revolucionária, da qual foi secretário durante algum tempo. Quando, porém, se opôs ao chamado “reinado do terror” – quando mais de 200 pessoas eram executadas diariamente em Paris –, foi exonerado do cargo. Dois dias depois de ser preso, em 1794, foi encontrado morto no chão da sua cela. Evitara o carrasco da guilhotina, tal como Cazotte havia previsto.

Também Harpe fora encarcerado; na prisão, reconsiderou a sua vida espiritual, convertendo-se, de acordo com as previsões, em um fervoroso católico, devoto da Virgem Maria.


Naquilo que se diz respeito ao próprio Cazotte, dizem que esses “poderes” nunca lhe trouxeram felicidade, pois permitiram-lhe predizer a forma exata da sua própria morte – prisão, liberdade, de novo a prisão e, finalmente, a guilhotina, como milhares de pessoas nos anos negros que tomaram a França logo após a tomada do Terceiro Estado ao poder.

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