quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Você já ouviu falar na Operação Ratlines dos oficiais nazistas?


Nos últimos anos, muitos antigos generais nazistas têm sido descobertos ao redor do mundo enquanto curtiam seus últimos anos de vida em total anonimato, como velhinhos simpáticos em cidades pequenas no Brasil, na Argentina, na Austrália e na África do Sul. Com identidades falsas, o passado destas pessoas parecia impossível de suposição. Assim foi com Joseph Mengele (foto abaixo), o famoso médico nazista que morreu no Brasil em 1979, em quase total anonimato. Isso tudo ocorreu graças a uma operação muito bem elaborada pelos nazistas com o final da guerra, as chamadas Ratlines.


As Ratlines – “linhas de ratos” – eram sistemas de fuga para os nazistas que deixavam a Europa com a derrocada de Hitler a partir de 1944, com a iminente derrota alemã. Os destinos variavam pouco e os antigos membros do partido tinham em mente locais seguros onde pudessem viver sob nova identidade. Em geral, os destinos mais procurados foram Argentina, Brasil, Paraguai, Chile e Austrália; em menor escala: Canadá, Estados Unidos, África do Sul e territórios do Oriente Médio.

Tudo isso foi feito com meticuloso trabalho da Odessa, sigla de Organização de Ex-membros da SS, num plano arquitetado por Otto Skorzeny. Ao que tudo indica, governos nacionais, alguns clérigos católicos e luteranos e instituições internacionais tiveram papel importante nas Ratlines. O objetivo era fugir da Alemanha e das condenações por crimes de guerra e demais atrocidades.


De acordo com documentos, o bispo católico Alois Hudal, membro honorário do Partido Nazista, era reitor de um seminário próximo a Roma e, lá dentro, passou a proteger alguns homens da SS. De dentro deste seminário, Hudal começou a emitir documentos falsos destes homens para que ganhassem vida nova como supostas vítimas da guerra, enquanto havia uma verdadeira marcha de emigrantes saindo do continente europeu.

Há comprovações de que as Ratlines foram bem mais distante do que podemos supor sem que a comunicação fosse interceptada pelos aliados da Grã-Bretanha e União Soviética. Pastores luteranos no continente americano recebiam instruções de como prosseguir e até alguns membros da Cruz Vermelha Internacional auxiliaram com essas fugas em troca de quantidades imensas de dinheiro.

A grande massa de nazistas acabou aportando nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina, uma vez que esses países vinham recebendo grande quantidade de imigrantes europeus desde meados de 1830. Foi assim que nazistas como Adolf Eichmann (foto abaixo) ganhou uma longa vida em Buenos Aires até ser descoberto no início da década de 1960.


No polêmico livro “A verdadeira Odessa”, o argentino Uki Goñi aponta que o governo do seu país sabia da Operação Ratline e, inclusive, o então presidente Perón incentivou a ida de nazistas para a Argentina. É fato que os governos de Perón e Getúlio Vargas eram simpatizantes do fascismo antes de 1942, quando declararam guerra ao Eixo por pressão dos Estados Unidos.

Em fevereiro de 1946, na Argentina, o governo chegou a criar uma comissão de imigração para controle de entrada de europeus vindos da guerra. Tudo era um embuste para, secretamente, resgatar e salvar algumas figuras do alto escalão do Partido Nazista. No Brasil não houve incentivo enorme como o caso argentino. Entretanto, os incentivos foram muito grandes.

Nos últimos anos, as Ratlines têm sido estudadas por pessoas conhecidas como “caçadores de nazis”. Eles tentam interceptar a comunicação realizada na época a fim de prender esses homens e requererem as recompensas prometidas, que chegam às dezenas de milhares de dólares. O que impressiona é como uma verdadeira rede de fuga e falsificações ocorreu na Europa debaixo dos olhos dos aliados que guerreavam naquele território.


Alguns dos famosos nazistas que escaparam usando a Operação Ratlines: Adolf Eichmann, Franz Stangl, Gustav Wagner, Erich Priebke, Klaus Barbie, Edward Roschmann, Aribert Heim, Andrija Artukovic, Ante Pavelic, Walter Rauff, Alois Brunner e Joseph Mengele.

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