segunda-feira, 25 de março de 2013

Os Evangelhos Apócrifos: Os Livros Proibidos da Bíblia.


Os Evangelhos Apócrifos mostram uma versão diferente das enunciadas pela Igreja Católica na questão sobre Jesus Cristo em sua vida e nos seus ensinamentos.
 Esses Livros foram frutos das primeiras comunidades Cristãs e possuem influências gregas, egípcias, judaicas.
 Os Evangelhos Apócrifos originalmente eram aceitos por diversas comunidades católicas de todo o Império Romano e a definição dos evangelhos que seriam verdadeiros e os tidos apócrifos começaram com o Imperador Constantino(272-337) e terminaram com o Decreto Gelasiano (492-496).
 O Fundamentalismo religioso da Igreja Católica varreu e queimou grande parte destes evangelhos tidos então como apócrifos e perseguiu implacavelmente no decorrer dos séculos os ensinamentos que eram contra a Cúria Romana.
 Acredito que as palavras do Nazareno foram sufocadas pelo imediatismo ou pela política dos poderosos de todas épocas, aonde a bíblia e seus escritos tinham que se amoldar a Teologia dominante da Igreja Católica.

 A palavra Apócrifo vem do grego Apokryphos e significa oculto ou sem valor, ou  não autêntico. Mas este termo é usado, principalmente para designar os documentos do início da era Cristã, que abordam também a vida e os ensinamentos de Jesus, mas não foram inclusos na Bíblia Sagrada por serem considerados ilegítimos.
 A origem dos Livros Apócrifos (também chamados de Evanagelhos Gnósticos; do grego Gnosis, que significa Conhecimento) nos remete ao ano 367 d.C. Por ordem do Bispo Atanásio de Alexandria, que seguia a resolução do Concílio de Nicéia ocorrido em 325 d.C, foram destruídos inúmeros manuscritos dos primórdios do Cristianismo. 
 Esses documentos eram supostamente fantasiosos e deturpavam as bases da doutrina Católica que se estabelecia naquele momento. Porém, cientes da importância histórica destes papiros originais, os Monges estabelecidos à margem do rio Nilo, optaram por não destruí-los. Ao contrário, guardaram os códices de papiros dentro de urnas de argila e as enterraram na base de um penhasco chamado Djebel El-Tarif. Ali ficaram esquecidos e protegidos por mais de 1500 anos. Em 1945, Mohammed Ali Es-Samman e seus irmãos, residentes na aldeia de El-Kasr, estavam brincando próximos ao penhasco, quando encontraram as urnas escondidas durante séculos. Pensando que se tratava de ouro, acabaram quebrando uma das urnas, mas só encontraram 13 códices com mais de 1000 páginas de papiro. Decepcionados, levaram para casa, e sua mãe chegou a usar alguns papiros para acender o fogo. 
 Em 1952, o museu Copta do Cairo recebeu os manuscritos para sua guarda. Faltavam algumas páginas e um códice fora vendido pela família de Mohammed para o Instituto Jung, de Zurique. Esses códices passaram a ser chamados de Bíblia de Nag Hammadi, localidade onde fora encontrado os manuscritos. Antes desta descoberta, só se conheciam os textos Gnósticos pelas citações de outros autores. Dos 53 textos encontrados, 40 eram totalmente desconhecidos da comunidade científica. Estes Manuscritos foram redigidos em Copta,  uma antiga língua egípcia, que utilizava caracteres gregos.
 Em 1947, dois pastores descobriram em uma gruta próxima ao Mar Morto, fragmentos e rolos escritos em hebraico. Logo se percebeu a grandiosidade desta descoberta. Havia textos condizentes com a Bíblia e outros textos apócrifos. A partir de então, outras grutas foram sendo encontradas, contendo muito material em grande parte identificado como sendo do Antigo Testamento. Até este momento, todas as grutas encontradas continham material escrito em hebraico e aramaico. Porém, em 1955 foi descoberta uma gruta que continha papiros e jarros com escrita em grego. Comprovou-se que se tratavam dos mais antigos manuscritos já descobertos pelo homem, datados de tempos anteriores aos dias de Cristo.Um dos rolos, o mais conservado, apresenta uma cópia do Livro de Isaías que, ao ser comparado com as cópias modernas, trouxe a certeza de que não houve nesses dois milênios, nenhuma alteração de sua mensagem profética. Encontra-se também O Manuscrito de Lameque, conhecido como O Apócrifo de Gênesis, que apresenta um relato ampliado do Gênesis. Há ainda A Regra da Guerra, que narra a grande batalha final entre os filhos da luz e os filhos das trevas; sendo os descendentes das tribos de Levi, Judá e Benjamim, retratados como os filhos da luz, e os Edomitas, Moabitas, Amonitas, Filisteus e Gregos, representados como os filhos das trevas.Dois anos após a primeira descoberta, foram encontradas as ruínas do Mosteiro de Khirbet Qumran, uma propriedade dos Essênios. Onde provavelmente teriam sido confeccionadas as cópias das Sagradas Escrituras. Com certeza, pelo mesmo motivo que os monges de Nag Hammadi enterraram os códices dos Evangelhos Apócrifos, os essênios esconderam nas grutas de Qumran, no Mar Morto. Como vimos, foi através dessas descobertas que atualmente temos acesso a esses livros Apócrifos que deveriam, de acordo com a Igreja Católica, ter sido destruídos há muitos séculos. Não sabemos exatamente qual o critério usado pela Igreja para designar os livros que eram apócrifos ou canônicos (do grego Kanón - catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica). Mas provavelmente, era apenas uma conveniência daquela época.   O mais interessante, é que a própria Igreja Católica reconhece que muitos desses textos foram escritos por autores sagrados. E por que então não reconhecê-los como canônicos? E por que tais textos foram perseguidos e condenados durante séculos? Atualmente, a Igreja Católica reconhece como parte da tradição os Evangelhos Apócrifos de Tiago, Matheus, O Livro sobre a Natividade de Maria, o Evangelho de Pedro e o Armênio e Árabe da Infância de Jesus. Mas a maioria dos livros não é reconhecida. Ao todo são 112 livros, 52 referentes ao Antigo Testamento e 60 em relação ao Novo Testamento. Dentre eles estão Evangelhos (como o de Maria Madalena, Tomé e Filipe), Atos (como o de Pedro e Pilatos), Epístolas (como a de Pedro à Filipe e a Terceira Epístola aos Coríntios) e Apocalipses (como de Tiago, João e Pedro) Testamentos (como de Abraão, Isaac e Jacó). Além de A Filha de Pedro, Descida de Cristo aos Infernos, etc. Diante de tudo isso, é difícil compreender como é possível um livro considerado sagrado, ser além de escrito, formulado pelos homens conforme suas idéias retrógradas e conveniências políticas e sociais. É apenas mais um motivo para se contestar a Antiga Igreja Católica, já tão bem conhecida pela sua "Autoridade Divina".
 Leia em seguida uma lista completa dos livros "perdidos" da Bíblia:

(No Velho Testamento)
1. Livro do Convênio (Êxodos 24:4, 7)
2. Livro das Guerras (Números 21:14)
3. Livro de Jasar (Josué 10:13) (2 Samuel 1:18)
4. Livro dos Estatutos (1 Samuel 10:25)
5. Livro dos Atos de Salomão (1 Reis 11:41)
6. Livro de Natã (1 Crônicas 29:29) (2 Crônicas 9:29)
7. Livro de Gade (Mesmo do número 6)
8. Profecias de Aías (2 Crônicas 9:29; 2:15; 13:22)
9. Visões de Ido (Mesmo do número 8)
10. Livro de Semaías (2 Crônicas 12:15)
11. Livro de Jeú (2 Crônicas 20:34)
12. Atos de Uzias, Escrito por Isaías (2 Crônicas 26:22)
13. Livros dos Videntes (2 Crônicas 33:19)
14. Profecias de Enoque Jude 14
15. Comentários de Mateus de Nazaré (Mateus 2:23)

Escritos perdidos do Novo Testamento (ou seja, somente mencionados, mas infelizmente totalmente perdidos)
16. Epístola Perdida de Paulo (1 Coríntios 5:9)
17. Segunda epístola perdida de Paulo (Efésios 3:3-4)
18. Terceira epistola perdida de Paulo (Colossenses 4:16)
19. Epístola perdida de Judas
Os livros da Bíblia em Apócrifos (Escritos do Velho Testamento)
20. Tobit
21. Judite
22. Adição do livro de Ester
23. Sabedoria de Salomão
24. Eclesiásticos, ou a Sabedoria de Jesus
25. Baruque
26. A carta de Jeremias
27. Oração de Azarias
28. Canção dos três Judeus *(Estes são os livros perdidos de Daniel.)
29. Susana
30. Sino e o Dragão
31. 1 Macabeus
32. 2 Macabeus
33. 3 Macabeus
34. 4 Macabeus
35. 1 Esdras
36. 2 Esdras
37. Oração de Manassés
38. Salmo 151
Escrito do Novo Testamento que tem sido eliminado, mas mencionado
39. Livro de Maria

(Os seguintes textos perdidos são mencionados em História Eclesiástica, de 337 d.C., pelo bispo Eusébio de Cesaréia, o qual os suprimiu por considerá-los "heresias".)
40. Atos de Paulo
41. Atos de André
42. Atos de João
43. O Protevangelho
44. Infância I
45. Infância II
46. Cristo e Abgarus
47. Nicodemos
48. O Credo dos Apóstolos
49. Laodiceans
50. Paulo e Sêneca
51. Paulo and Theca
52. Revelação de Pedro
53. Epístola de Barnabas
54. O Evangelho Perdido de Acordo com Pedro
55. Evangelho de Thomas
56. Evangelho de Matias
57. Clemente I
58. Clemente II
59. Efésios (II)
60. Magnésios
61. Tralians
62. Romanos (II)
63. Filadelfians
64. Smaraneas
65. Policarp
66. Filipenses (II)
66. Evangelho referido somente pela letra Q
(Algumas destas podem ser referência nos escritos por Marcion, 150 d.C., e Muratoria, 170 d.C.)
67. Sheppard de Hermas
68. Hermas I (Visões)
69. Hermas II (Mandamentos)
70. Hermas III
71. Cartas de Herodes e Pilatos (Ref. Para o julgamento de Cristo)

(Os seguintes são uma lista de Escritos Apócrifos que não mais existem; no entanto, eles são mencionados e referidos em outros, mais recentes, no século 4 d.C.)
72. O Evangelho de André
73. Outos livros abaixo de André
74. Evangelho de Afiles
75. O Evangelho de Acordo com os Doze Apóstolos
76. O Evangelho de Barnabé
77. Os Escritos de Bartolomeu, o Apóstolo
78. O Evangelho de Bartolomeu
79. O Evangelho de Basilides
80. O Evangelho de Cernithus
81. A Revelação de Cernithus
82. Uma Epístola de Jesus Cristo para Pedro e Paulo
83. Vários outros livros abaixo do nome de Cristo
84. Uma Epístola de Cristo (produzido por Manichees)
85. Um Hino, ensinado por Cristo para seus Discípulos
86. O Evangelho de Acordo com os Egípcios
87. Os Atos dos Apóstolos
88. O Evangelho de Ebonites
89. O Evangelho de Encratites
90. O Evangelho de Eva
91. O Evangelho de Acordo com Hebreus (ou Hebreus II)
92. O Livro de Helkesaites
93. O Falso Evangelho de Hesychius
94. O Livro de Tiago
95. Os Atos de João
96. Evangelho de Jude
97. Evangelho de Acordo com Judas Iscariot
98. Atos do Apóstolo Leucius
99. Atos do Apóstolo Lentitus
100. Atos do Apóstolo Leontius
101. Atos dos Apóstolos Leuthon
102. Os falsos Evangelhos, publicado por Lucianus
103. Atos dos Apóstolos (usado por Manichees)
104. O Evangelho de acordo com ou de Marcion
105. Livros abaixo de Mateus:
- O Evangelho de Matias
- As Tradições de Matias
- O Livro de Matias
- O Evangelho de Merinthus
106. Evangelho de Acordo com os Nazarenos
107. Os Atos de Pedro e Thecla
108. As Pregações de Pedro e Paulo
109. As Revelações de Paulo
110. O Evangelho da Perfeição
111. Atos Adicionais de Pedro
112. A Doutrina de Pedro
113. O Evangelho de Pedro (não confunda com o Evangelho de acordo com Pedro)
114. O Julgamento de Pedro
115. As Pregações de Pedro
116. As Revelações de Pedro
117. Os Atos de Philip
118. O Evangelho de Philip
119. O Evangelho de Scythianus
120. Os Atos dos Apóstolos, por Seleucus
121. A Revelação de Stephen
122. O Evangelho de Titan
123. O Evangelho de Tadeu
124. Os Atos e o Evangelho de Thomas
125. O Evangelho da Verdade
126. Contra a Heresia

Modernas descobertas de textos considerados totalmente perdidos
Escrituras Bíblicas:
127. Livro de Moisés
128. Livro de Abraão (127 e 128, foram encontrados nas tumbas egípcias em 1830.
129. Profecia de José do Egito 2 Néfi 3
130. Profecia de Zenoque 1 Néfi 19
131. Profecia de Neum
132. Profecia de Zenos

 Os números 66 e 72 a 126 somente existem nas referências, eles nunca foram encontrados, mas sabe-se que foram conhecidos porque muitos cristãos antigos referiam-se a eles em suas cartas (não oficiais, como as Epístolas) e outros tantos escritos religiosos.  Entretanto alguns eruditos debatem a legalidade destes escritos.

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