sexta-feira, 12 de abril de 2013

Atos e consequências

Atos e consequências - Parte 1

 

 

por Celso A. Cavalheiro

Tudo que você faz tem conseqüências em sua vida. E o que você faz também pode criar conseqüências na vida dos outros. E a ação dos outros também pode trazer conseqüências para a sua própria vida. É por isso que dizemos que ninguém é uma ilha.
Uma compreensão ampla sobre causa e efeito, no seu mais alto nível, estabelece um processo criativo – a habilidade de se poder criar o resultado desejado.
Mas mesmo a excelência no entendimento do processo criativo, por exemplo, em áreas como na pintura, na música, na arquitetura ou na ciência, pode não se traduzir em outras áreas da vida humana. Muitos grandes artistas conseguem alcançar o ápice da expressão humana em sua arte, mas, ao mesmo tempo, não conseguem transportar essa imensa habilidade criativa para suas vidas e carreira. A excelência no entendimento do processo de causa e efeito numa determinada área não, necessariamente, garante a desempenho igual em outras áreas.
Muitas pessoas não têm consciência de até que ponto suas ações levam a conseqüências que elas absolutamente não compreendem. É comum ver pessoas que usam drogas não terem a menor idéia das conseqüências que sua atitude têm em suas vida. É difícil para aquela pessoa que não tem uma dieta saudável, admitir que sua pressão alta, colesterol, diabete e obesidade tem tudo a ver com o que ela ingere diariamente.
Nossas atitudes trazem conseqüências, independentemente de serem intencionais ou não. Nós tomamos inúmeras decisões em nossas vidas. Algumas tão pouco significativas que quase nem as percebemos. O resultado total dessas ações se transforma em padrões que freqüentemente vão determinar o rumo que nossa vida irá tomar.

Algumas interpretações sobre carma.

Muitas religiões e filosofias consideram a questão do carma de forma surpreendentemente parecida. O período de tempo é diferente, no entanto.
A idéia de carma, que vem do hinduísmo, nos diz que o período é uma série de vidas passadas no qual a ação que praticamos determina a nossa encarnação para que nós resgatemos as más ações que engendramos.
A maior parte das religiões ocidentais tem a idéia do bem e do mal, onde o bem tem como conseqüência a vida eterna em um paraíso celestial, e as más ações levariam a uma existência infinita no inferno.
As variações sobre este tema são percebidas pelo pensamento espiritual e filosófico tanto no ocidente como no oriente. Não importa a diferença religiosa, a mensagem comum é: viva corretamente e resultados favoráveis se seguirão.

Até que ponto isso é verdade?

Parece que ações passadas realmente se materializam em nossas vidas com conseqüências presentes ou futuras. Parece ser verdade que quando mudamos nossas ações frequentemente vemos mudanças nos tipos de conseqüências que se seguem.
Algumas atitudes nossas habituais são melhores que outras. Comer bem, fazer exercícios, meditar e nos estimularmos intelectualmente, criativamente e emocionalmente parece levar a conseqüências favoráveis. Comer mal, estresse, preguiça, deixar-se cair em armadilhas, parece levar a muitas conseqüências desfavoráveis.
Realmente parece que, de muitas formas, nossa vida atual é realmente conseqüência de nosso passado. A verdadeira questão é, até que ponto nós temos que responder ao passado?
A maioria dos sistemas, do psicoterapêutico ao espiritual, diz que o passado está inexplicavelmente atrelado ao presente de tal forma que a menos que façamos alguma coisa com relação a ele não conseguiremos nos mover para a frente. Resolva seu trauma. Deite-se no divã de seu analista, resolva o passado, libere experiências reprimidas, equilibre suas más ações com suas boas ações, aprenda a coisa certa e evite agir errado.

Será que o passado nos força a corrigir erros antigos? Qual o objetivo dessas correções?

O mito da perfeição.

Muitas teorias, particularmente a espiritual, contêm o ideal da perfeição. Perfeição significa infalibilidade. Perfeição é o estado absoluto.
Qualquer coisa menor que a perfeição é em si, imperfeição. Ou somos perfeitos ou somos imperfeitos. É como a gravidez. Ou se está grávida ou não. Não há meio termo.
Será que nossa função na vida é nos tornarmos perfeitos? Muitos espiritualistas acreditam que sim. Um tema comum em vários mitos da criação, no mundo inteiro, fala do erro humano que levou Adão e Eva a serem expulsos do paraíso. O mundo seria uma punição a nossa transgressão e uma oportunidade de aprender uma lição que nos possa levar ao perdão e a redenção. A perfeição é vista como um estado melhor que a imperfeição. Se a perfeição é o objetivo, nosso foco na vida se estende em direção a esse ideal e o quanto a gente anda nessa direção traduz-se como progresso.





por Celso A. Cavalheiro

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