sexta-feira, 24 de maio de 2013

A HISTÓRIA DA HUMANIDADE (5)

(Sargon) Sargão, O Grande – A Acádia de Inanna
Sargão foi o amor da vida de Inanna na Terra. Juntos fizeram amor apaixonadamente, tiveram formosos bebês e fundaram reinos grandiosos.

Ela o viu pela primeira vez em seu templo. Ele era o copeiro de Ur-Zababa, rei da cidade de Kish.

Chamou-lhe a atenção porque era muito parecido com seu pai Nannar. Tinha os mesmos olhos. Embora ninguém sabia com exatidão quem era o pai de Sargão, Inanna tinha suas suspeitas.
A mãe de Sargão era uma sacerdotisa em um dos Templos do Amor. Quando nasceu, ela o envolveu em mantas em uma cesta de juncos e o colocou no rio. Enquanto ela orava, cuidadosamente observava como flutuava até chegar a um homem chamado Akki que estava encarregado de irrigar os campos com água do rio. Akki tirou Sargão das águas, adotou-o como seu filho e lhe ensinou a cuidar do jardim. À medida que crescia, suas qualidades inatas de liderança o levaram até a corte de Kish. Mas foi sua beleza e seu humor o que induziu a Deusa a amá-lo. Era alto e forte, de maçãs do rosto altas e finas maneiras. Era extremamente inteligente e seu próprio ser impunha lealdade.
Inanna sentiu-se atraída desde o primeiro momento em que o viu e ele sentiu o mesmo. Foi como uma super voltagem em seus corpos, conta a Deusa. Ele não tinha medo dela nem era tímido.

Ele sabia o que ela queria e tomou-a como a um deus; a cópula foi divina. Ao princípio permaneceram em um estado de êxtase durante mais de duas semanas. As portas douradas dos aposentos de Inanna estavam trancadas com a poderosa espada de Sargão e unicamente deixavam que de vez em quando os serventes trouxessem vinho e comida. Não necessitavam de comida, viviam do néctar do amor e paixão.
Seu único desejo era jazer entrelaçados nos braços um do outro e passar horas simplesmente tocando e explorando com seus lábios e pontas dos dedos o recém-achado território de seus corpos. Seus olhos desejosos procuravam profundamente o do outro como se já tivessem estado juntos antes e de algum modo tivessem sido separados. À medida que se perdiam na união, fortaleciam-se e se convertiam em um.
Às vezes, nas agradáveis tardes, banhavam-se nas piscinas do jardim sob árvores frutíferas à luz salpicada do sol. Inanna trajava apenas suas jóias; colares de ouro, lápis lázuli e pérolas caíam sobre os seios nus.

Uma cadeia de diamantes lhe dava a volta à cintura e braceletes de esmeralda adornavam suas pernas e tornozelos. Sentado sobre as águas com flores fragrantes que os rodeavam, Sargão beijava seu corpo com ternura, acariciava seus peitos firmes e tomava o tempo certo para excitar a poderosa força da paixão da Deusa.

Sua virilidade a satisfazia à medida que ondas de prazer murmuravam por todo o seu ser. Os dois corpos pareciam dissolver-se, palpitavam como uma luz branca à medida que se convertiam em um oceano de criação eterna.

A consciência de dois como eles ficava no vasto silêncio da eternidade e seu prazer se convertia em música nos reinos mais elevados.
Sargão adorava Inanna e ela o converteu em seu rei. Como tudo o que tocavam prosperava e florescia, construíram um reino novo ao que chamaram Acádia. Ali desenharam e fundaram uma bela cidade nova, Agade. No Agade construíram um maravilhoso templo dedicado a Inanna chamado Ulmesh que queria dizer suntuoso e rutilante, como certamente o era.

Aos músicos eram dadas instruções para que tocassem dia e noite em seu templo. 

O povo era feliz e próspero; suas casas eram construídas com lápis e prata. 

Em suas adegas abundavam os grãos e as frutas, os velhos e as mulheres respeitavam-se e a juventude do casal real-divino radiava com a beleza da confiança. 

Os pequenos jogavam alegremente nesta cidade de amor. Sargão o Grande e sua querida Inanna governavam o reino mágico da Acádia. Este foi um período extraordinário.
Quando Acádia estava firmemente estabelecida, Inanna começou incitar a Sargão que tomasse mais terras.

Os Lulus estavam brigando entre eles mesmos e Inanna convenceu a seu irmão Utu de que uma união com Sargão traria um tempo de paz e abundância do qual poderiam todos serem beneficiados.

Utu se reuniu com seu pai Nannar e com seu avô Enlil.

Sargão caiu extremamente bem a Enlil; possivelmente recordava a seu próprio filho Nannar. Enlil concedeu a Sargão a monarquia na Suméria e Acádia.


Inventaram uma nova caligrafia chamada acadiana para anotar os lucros.
Eles nunca poderiam ter feito todas estas conquistas de tanto alcance sem a aprovação de Enlil. Em anos posteriores, Inanna esqueceria este fato duro e frio.
A época de Sargão, segundo a contagem do tempo terrestre foi 2.334 – 2.279 a.C. Seu reinado foi um tempo de muita glória para Inanna.

Nesses dias ela era a Rainha do Céu e da Terra no trono. Enlil permitiu a Sargão que conquistasse o mundo conhecido do Egito até a Índia e fizeram alianças e acordos comerciais com Ninurta, Nergal e Ningishzidda.


Por suas rotas passavam livremente os grãos e o vinho, o cobre e o ouro e toda classe de mercadorias. O povo enriqueceu e inclusive os deuses pareciam estar satisfeitos.

Mas de conformidade com o defeito humano da arrogância, Sargão cometeu um grave engano. O poder lhe tinha subido à cabeça. Começou a pensar que era igual aos deuses e tristemente começou a beber em excesso.
Enheduanna
Sargão e Inanna haviam trazido para o mundo uma formosa menina cujo nome era Enheduanna.

Ela era como Inanna, formosa e teimosa. Tinha o dom da poesia e passava horas compondo hinos à grandeza de seu pai, a suas conquistas e a sua beleza física.

Estava apaixonada por seu pai e decidida a separar o casal real-divino.
Inanna não podia culpá-la por seus sentimentos; não havia ninguém em seu mundo que se igualasse a seu pai. Mas seus constantes cuidados tiveram um efeito insidioso em Sargão.

Ela se fez sacerdotisa para não ter que casar-se e esperou Sargão no templo. Recitou-lhe seus poemas, encheu seu ego de sonhos de juventude e virilidade e lhe serviu vinho. Sargão queria desesperadamente realizar um ato heróico para agradar à sua filha.

Havia um templo na Babilônia que tinha sido consagrado por Marduk. Era algo sagrado para ele e era sua maneira de manter suas garras sobre a Babilônia durante seu período de exílio.

Ele sempre tinha sido muito suscetível e possessivo quanto a Babilônia. Sargão concebeu uma cerimônia na qual transladou o chão sagrado a um novo lugar onde serviria como a base simbólica para uma nova Babilônia que ele construiria. Não se imaginou que este ato traria graves conseqüências.
Quando Marduk se inteirou do sacrilégio, levou a arma Pasupata Plasmon à sua espaçonave e voou sobre os campos da Acádia e Suméria.

Ondas de radiação de alta intensidade destruíram as colheitas em questão de minutos, o que produziu um período de escassez que obrigou o povo a rebelar-se contra Sargão.

Ele se viu obrigado a reprimir centenas de rebeliões. Homens que uma vez o amaram e o adoraram levantaram suas espadas contra ele e os louvores se converteram em maldições à medida que os Lulus, mortos de fome, viam que suas crianças morriam em seus braços. O império começou a desintegrar-se
Inanna não estava envelhecendo mas Sargão sim. E começou a cair ante seus olhos. Com horror via como suas bebedeiras se convertiam em um pesadelo. Inclusive começou a amaldiçoar a sua amada Inanna. Sargão se mudou para o templo para estar perto de Enheduanna.
Na noite Inanna jazia sozinha na enorme cama de cedro que tinham construído para os dois. Enquanto brisas suaves moviam as cortinas brancas de seda através da cama, atormentavam a Inanna as lembranças agora dolorosas de sua magnífica paixão e uma fria solidão se apoderou de seu coração. Ela não podia permitir que tudo o que tinham edificado se esfumasse…

Os tempos pacíficos, as belas cidades. Tinha que mudar o destino, tinha que lutar. Não estava disposta a perder o que tinha construído e não importava a ela o que custasse.
Enheduanna
A imagem de Sargão em sua cama agonizando e tremendo, com Enheduanna a seu lado, ainda está cravada em sua memória

Poderia ser este o mesmo homem cuja força a tinha levado ao êxtase, o mesmo homem a que ela tinha coroado como rei?

Para Inanna, o final de Sargão foi uma tragédia que mudou sua vida para sempre.

Já não era a mesma; uma parte dela morreu nesse dia.

A menina exuberante que corria rindo por pisos de lápis já tinha desaparecido.
Não havia príncipe que a resgatasse ou ao seu povo.

Ela sabia que dependia de si mesma retomar o que era seu, e estava bem consciente de que os outros deuses se apressariam a reclamar suas terras se ela não lutasse.



Colocou os objetos de guerra e desfilou entre as legiões de seus soldados, montada sobre seu leão.
Reanimando as suas tropas, tirou de dentro de seu ser ferozes gritos de guerra. Seus soldados estavam impressionados; a deusa Inanna os guiaria pessoalmente à batalha. Ombro a ombro lutou com eles como um homem enquanto se convertia na deusa da morte e da destruição.

Durante dois anos conduziu a seus dedicados exércitos à batalha e matou a milhares de homens.
Um após o outro foi colocando os filhos de Sargão no trono durante sua ausência. 



Enheduanna escrevia poemas que ilustravam seus massacres 
dizendo que sua mãe, 
Inanna, fazia correr rios de sangue.
Ferozmente lutando pelo que acreditava que era seu, Inanna perturbou o equilíbrio dos deuses. Aconteceu uma reunião na casa de Enlil.

Enlil e Ninurta tomaram uma decisão: “teremos que deter Inanna”. Os deuses decidiram permitir que Marduk retornasse a Babilônia. Enlil e Ninurta sabiam que Marduk com gosto cercearia as atividades de Inanna que uma vez quis enterrá-lo vivo. Como diz o ditado, o inimigo de meu inimigo é meu amigo.
Marduk não tinha esquecido que quando estava preso na grande pirâmide de Gizé, Utu lhe tinha tirado todo o fornecimento de água e, ao chegar a Babilônia, imediatamente tomou medidas para proteger o bebedouro da cidade, o rio Eufrates. As forças de engenharia de Marduk reduziram os fornecimentos de água às cidades circundantes, o que exasperou aos outros deuses.
Chamaram Nergal da África para que dialogasse com seu irmão Marduk.

Nergal se despediu de sua querida Ereshkigal e empreendeu a viagem para Babilônia.

Entrou na casa de Marduk e começou a adular a seu irmão. Que façanha de engenharia tinha obtido Marduk!

Entretanto, o desvio do rio Eufrates tinha roubado a água aos outros deuses!!!

Anu e Enlil estavam contrariados.
Marduk replicou que dos tempos do Grande Dilúvio o equilíbrio de poder na Terra se trocou de uma maneira inaceitável, que tinha sido redistribuído artificialmente e que não preenchia às suas aspirações.

Adicionou que certas armas e fontes de poder tinham sido injustamente furtadas de Enki e exigiu que as devolvessem a ele, não a Nergal. Logo ameaçou que envenenaria todo o rio Eufrates se não se cumprissem suas demandas.
Inanna sempre gostou muito bem de Nergal, que era tão inteligente e de aparência agradável. Pensava que era uma lástima desperdiçá-lo com sua irmã Ereshkigal. Enki já tinha perdido o controle sobre seus filhos fazia anos. Nergal e Marduk estavam agora a bordo de uma verdadeira disputa fraternal.
Se a Deusa pudesse se aliar com Nergal, ele poderia ajudá-la a obter suas ambições. Assim preparou um jantar tranqüilo para seu cunhado Nergal. Ele aceitou com prazer o convite.

Estiveram totalmente de acordo, fizeram planos, fizeram amor. A família de Anu era ególatra e narcisista. Era muito fácil os motivar à guerra ou a paz porque só os moviam seus próprios interesses e o que os convinha nesse preciso momento. Uma vez inundados nos esforços penosos da ambição, perdiam de vista o caráter e esqueciam da verdade singela de que o caráter é o destino.
Nergal
No dia seguinte Nergal retornou à casa de Marduk na Babilônia e  negociou um acordo. Nergal devolveria as armas e as pedras cantantes a Marduk, mas este deveria sair da Babilônia e voar à terra das minas na África e as recuperar para si. Marduk aceitou com relutância.
Antes de partir, Marduk advertiu a Nergal que não tocasse nos controles que regulavam o rio Eufrates. Como irmãos são irmãos, no momento em que Marduk saiu, Nergal entrou à força na sala de controle mas para sua surpresa descobriu que toda a sala estava cheia de armadilhas. Quando Nergal desmontou os controles, soltaram-se venenos no rio. Marduk também inventou um mecanismo que alterava os satélites que regulavam o clima no caso de alguém destruir sua sala de controle.
Sobre a Babilônia os céus se tornaram negros, aumentaram as tormentas, os rios se poluíram e toda a área da Acádia e Suméria ficou devastada. Enki apreciava muito o sistema de águas da Suméria e não podia suportar que o Eufrates estivesse envenenado. Furioso culpou a seu filho Nergal desta ofensa destruidora. A esta ira Nergal reagiu cancelando a elevação de uma estátua de Enki que já estava planejada. Só para provar sua ira, e por sugestão de Inanna, Nergal queimou a casa de Marduk.
Naram-sin
Como Marduk estava na África, pelo menos temporariamente, Inanna colocou no trono da Acádia a  Naram-sin, neto de Sargão. Seu pai Nannar adorava esse moço e Nergal também o apreciava. Sua aliança com Nergal, apoiada em sua inimizade com seu irmão Marduk, deu-lhe tanto poder que  Naram-sin  e ela puderam continuar guerreando e conquistando territórios por um tempo.
Suponho que já estava tornando-se um pouco agressiva e a brutalidade da guerra a estava mudando. Algumas das histórias sobre Inanna eram verdadeiras, outras não.

Ela entregava os escravos capturados aos campos de trabalho. Impulsionada pela ira, a ambição e sua solidão, tornou-se desumana.
Sentia-se e comportava-se como uma loba encurralada. As ações de sua vida estavam começando a aparecer em seu rosto. Sua beleza estava se convertendo em algo duro e cruel. Colocava mais pintura mas isso não servia. Era colérica e irritável, exceto quando queria algo. Voltou-se manipuladora para obter o que queria; era uma hárpia, uma beleza convertida em besta.
Naram-sin
Naram-sin teve muito êxito e se escreveu sobre suas campanhas nas tabuletas de argila. Mas um dia foram muito longe.

Chegaram até as Montanhas de Cedro do Líbano, muito perto do porto espacial.


Enlil reuniu aos deuses e todos ficaram de acordo:


“Inanna tinha começado a guerra e teria que detê-la”.

Ninguém a defendeu. Emitiu-se uma ordem para a sua detenção.
Ela não iria permitir que Enlil a pusesse na cadeia, de modo que escapou em sua nave.

As tropas de Enlil chegaram até seu templo de Agade e, ao ver que ela não estava, levaram todas as armas e fontes de poder.


Palácio de Nergal
Inanna escondeu-se no palácio de Nergal na Etiópia, 
onde ele todos os dias lhe dava informações sobre o que acontecia.


Ruínas do Palácio de Nergal
Entre os deuses começou a circular o rumor de que a Deusa tinha desafiado a Anu. Isto era falso, mas proporcionou a Enlil a desculpa que necessitava. Como castigo por desafiar a Anu, destruíram a cidade de Agade. A bela cidade de prata e lápis que Sargão e ela tinham construído devia ser vaporizada. Atiraram os raios antimatéria e Agade se esfumou. Até este dia ninguém descobriu o lugar onde uma vez existiu sua querida Agade.


Ruínas do Palácio de Agade
Enlil, com seu estilo firme, trouxe seus homens da montanha, as hordas gutianas para que tomassem Acádia. Aqueles que eram leais a Inanna foram degolados. Como ela não estava lá para as guiar, suas legiões se desmoralizaram e fugiram para os estepes.
No palácio de Nergal lhe sobreveio uma depressão que nunca antes havia sentido. A derrota e a perda plasmaram seus feios rostos sobre seu corpo enquanto ela sentava abatida sobre seu trono durante dias. Ninguém a podia convencer para que comesse ou falasse.
Sonhou que estava engatinhando por um deserto. Sua querida Ninhursag a chamou com o apelido que lhe pôs quando era uma garotinha: “Nini! Nini!” 

Viu o rosto triste de Dumuzi, o marido que não tinha amado. Sentiu o eco da risada assassina de sua irmã Ereshkigal. Por um momento sentiu a carícia tenra de Sargão, unicamente para se encontrar em um ninho de serpentes.

Corria assustada em uma gelada noite e se viu apanhada em uma teia com uma enorme aranha cujos olhos vermelhos e garras cortantes estavam prontas para a devorar. Despertou gritando… gritando.
Era ela, Inanna, vulnerável? Era tão diferente de quantos escravos tinha capturado ou às mulheres que haviam lhe trazido taças douradas de vinho? Estava de algum modo limitada em seu poder? Por que estava aqui, vivendo neste corpo azul?
Ningal
Sua mãe Ningal lhe enviou uma mensagem suplicando que retornasse a casa.

Prometeu que ali estaria a salvo em seus braços.

Deu-lhe sua palavra de que seu pai Nannar tinha garantido amparo contra as acusações.

Segundo ele, ela já tinha sido castigada o bastante.

Ningal orava para que sua filha retornasse para casa, mas ela devia renunciar a seus caminhos aventureiros e inovadores.
Com prazer, Inanna viajou a Ur, o lar de sua querida mãe Ningal.


Inanna, outrora Rainha do Céu, foi à casa de sua mãe...

 Continua Parte 6
...


Material livre para divulgação.
Por gentileza, respeite os créditos citando as fontes:

Fonte do texto: http://www.projetovega.com.br
Edição, elaboração e fotos: http://despertardegaia.blogspot.com/

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