quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Nascidos para falar?

 Por que somos os únicos animais a dominar a linguagem?

Embora outros animais se comuniquem de formas diferentes, somos a única espécie a criar uma linguagem inteira.
 
 
 

Fonte da imagem: Reprodução/gtmmobilesreviews Nascidos para falar? Por que somos os únicos animais a dominar a linguagem?
Salvo algumas exceções, o humano é um animal muito falante. Pesquisadores indicam que chegamos a usar até 370 milhões de palavras em um tempo médio de vida. No entanto, ninguém sabe exatamente o motivo de sermos a única espécie a ter um linguajar próprio.
Mas de onde tudo isso surgiu? A história da linguagem é um quebra-cabeças tão complexo que, ainda hoje, poucos arriscam dizer que ele já foi completamente resolvido. Segundo Simon Kirby, membro da maior unidade de pesquisas de evolução da linguagem do mundo, mesmo com muito investimento, ainda sabemos muito pouco sobre nossa própria história.
“Ainda não sabemos quase nada sobre como chegamos a ter a nossa característica mais marcante. É um pouco embaraçoso pensar o quão pouco entendemos sobre a maior marca de nossa espécie”, diz Kirby.
Ao contrário de outros aspectos da evolução humana, nos quais fósseis colaboram de forma gigantesca para a compreensão, é muito difícil ter certeza sobre como o ser humano começou a falar. Quem definiu muito bem a situação foi Christine Kenneally, autor do livro “The First Word” (“A Primeira Palavra”, ainda sem tradução para o português): não existem verbos preservados em âmbar que possam esclarecer esses mistérios.
Os pesquisadores nem ao menos sabem quando começamos a falar. As pesquisas mais consideradas no meio acadêmico levam em conta datas entre 100.000 e 1,8 milhão de anos. Já se sabe, por exemplo, que todas as espécies do gênero Homo, como os Neandertais, contavam com meios de fala evoluídos. No entanto, os cientistas ainda não sabem se isso era utilizado ou exercitado de alguma forma.

A árvore genealógica da linguagem

Um grupo de pesquisas de Biologia Evolutiva da Universidade de Reading, no Reino Unido, está próxima de resultados mais precisos sobre as origens da linguagem humana. Eles traçaram os “rastros” da linguagem, criando uma espécie de árvore genealógica da fala, que mostra como chegamos até onde estamos. No entanto, algumas partes do quebra-cabeça ainda estão faltando.
Fonte da imagem: Reprodução/DARE
Nas pesquisas, eles descobriram fatos importantíssimos; por exemplo, há 20 mil anos os homens das cavernas já eram capazes de entender o significado de palavras simples, utilizando termos como “tu”, “ti” e “quem”.

Idiomas irmãos

Mark Pagel, do grupo de pesquisas da Universidade de Reading, acredita que palavras são transmitidas “de pai para filho”, assim como os genes. “Isso significa que podemos comparar as palavras que as pessoas usam da mesma forma que fazemos com os seus genes, com a finalidade de estabelecer como vários falantes podem estar intimamente relacionados. Da mesma forma, se duas línguas têm muitas palavras em comum, isso sugere que ambas derivam de uma mesma língua ancestral”, diz Pagel.
Um bom exemplo disso é o latim, que é o ancestral em comum para idiomas como o português e o espanhol, que contam com centenas de palavras com significados e sons semelhantes.

A capacidade de falar

Desde a década de 50, uma pesquisa do Instituto de Linguística da Universidade de Massachusetts tem sido a palavra final sobre o assunto. O autor do estudo, Noam Chomsky, defendeu que a fala está dentro dos genes humanos.
“Minha neta adquiriu sua linguagem, enquanto o seu gatinho de estimação, que foi influenciado pelos mesmos dados externos, não poderia nem mesmo começar a falar. Ou isso é um milagre ou a capacidade de fala é parte da herança genética humana”, complementa Chomsky.
Pesquisadores atuais, como Kirby, atentam para outros fatos: “É uma explicação perfeitamente razoável, mas eu diria que ele ignora algo importante: a linguagem não é totalmente formada a partir de qualquer tipo de faculdade biológica que temos. A linguagem é um produto humano, uma criação nossa a partir de habilidades.”
Talvez a soma de algumas habilidades, imitações e a capacidade de aprendizado seja o “elo perdido” da linguagem. No entanto, ao que tudo indica, ainda estamos longe de ter um veredito final sobre o assunto.

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