domingo, 29 de dezembro de 2013

sannyas


 
Amado Osho,
Quais são as qualidades de um sannyasin?
  

Disciplehood  
(Osho Transformation Tarot) 
      "É muito difícil definir um sannyasin, 
e mais difícil ainda se você for definir os 
meus sannyasins.
      O sannyas é basicamente uma rebelião 

contra todas as estruturas, daí a dificuldade
 de se definir. Sannyas é viver a vida de uma 
maneira não estruturada. Sannyas é ter por 
caráter, ser sem caráter. Por "sem caráter" 
eu quero dizer que você não depende mais
 do passado. Caráter significa passado, a
 maneira que você viveu no passado, a maneira
 com a qual você ficou habituado a viver, todos
 os seus hábitos, condicionamentos, crenças e experiências. Isso é o seu caráter. Um sannyasin
 é alguém que não vive mais no passado ou
 através do passado, é alguém que vive no
 momento, por isso ele é imprevisível.
      Um homem de caráter é previsível, 

mas um sannyasin é imprevisível, porque
 ele é liberdade. Um sannyasin não é 

apenas livre, ele é liberdade. É uma rebelião viva. Mas ainda 
assim eu vou tentar dar algumas pistas, não exatamente 
definições,
 mas umas poucas indicações, dedos apontando para a Lua. 
Não se 
 prenda aos dedos. Os dedos não definem a Lua, eles apenas
 indicam. 
Os dedos nada têm a ver com a Lua...... Esqueça os dedos e
 olhe para a Lua.
          O que eu vou lhe dar não é uma definição. Neste caso,

 não é possível definição. Na verdade, definição nunca é possível 
a respeito 
de qualquer coisa viva. Definição só é possível a respeito de 
alguma 
coisa morta, que não vai mais crescer, que não vai mais 
desabrochar, 
que 
não tem mais possibilidades, potencialidades,  que está
 exaurida 

 gasta. Nesse caso a definição é possível. Você consegue
 definir 
um homem morto, você não consegue definir um homem
 vivo.
          Vida basicamente significa que o novo é ainda

 possível.
          Assim, essas não são definições. O sannyas antigo 

tem 
uma definição, muito clara, por isso ele está morto. 
Eu chamo o 
 meu sannyas de "neo-sannyas" por essa particular razão:
 o meu
 sannyas é uma abertura, uma jornada, uma dança, um 
 caso 
amoroso 
com o desconhecido, um romance com a própria existência,
 uma 
busca de relacionamento orgástico com o todo. Tudo
 mais
 fracassou no mundo.
 Tudo que estava definido, que estava claro, que era lógico,
 tudo 
fracassou.
 As religiões fracassaram, as políticas fracassaram, as
 ideologias fracassaram. 

E elas eram muito claras e continham planos para o futuro 
do
 homem. 
Todas elas fracassaram. Todos os programas fracassaram.
          O sannyas não é mais um programa. Ele é uma 

exploração, 
não um programa. Quando você se torna um sannyasin, 
eu inicio
 você na 
 liberdade e em nada mais. Ser livre é uma grande 
 responsabilidade
porque
 então você não tem mais aonde se apoiar. A não ser o seu 
próprio ser interior, 
a sua própria consciência, você nada mais tem como
 apoio ou
 como escora.
 Eu tiro de você todos os apoios e escoras. Eu deixo
 você só, 
eu o deixo completamente só. E nessa solidão... a flor 
do sannyas. 
 Essa solidão desabrocha espontaneamente na flor do 
sannyas.
          No sannyas não há caráter. Ele não tem qualquer 

moralidade.
 Ele não é imoral, ele é amoral. Ou, pode-se dizer que 
ele tem uma
 moralidade maior a qual vem do interior e nunca de fora.
 Ele 
 não permite qualquer imposição vinda de fora, porque
 todas as
 imposições vindas de fora convertem vocês em
 servos, 
em escravos.
 E o meu esforço é para dar a vocês dignidade e 
glória. 
O meu esforço aqui é para dar esplendor 
a vocês.
          Todos os outros esforços fracassaram. Era 

inevitável 
porque o fracasso estava embutido. Todos eles
 estavam 
orientados para 
estruturar e todo tipo de estrutura, mais cedo ou mais 
tarde se torna pesado sobre o coração do homem. Toda estrutura 
se torna uma
 prisão, e um dia você terá que se rebelar contra ela. 
Você não tem observado ao longo da história? Cada revolução 
em seu próprio desdobramento se torna repressora. Na Rússia isso aconteceu, na
 China aconteceu. Depois de toda revolução, o revolucionário 
se torna anti-revolucionário. Uma vez que ele chega
 ao poder, ele traz a sua própria estrutura para impor à
 sociedade. 
E uma vez que ele começa a impor a sua estrutura, a 
 escravidão
se transforma num novo tipo de escravidão, e nunca 
em uma 
liberdade.
 Todas as revoluções 
fracassaram.
          Isso aqui não é uma revolução, isso é uma rebelião.

 A revolução é social, coletiva, enquanto a rebelião é individual. 
Chega de estruturas! Deixe que todas as estruturas se vão.
 Nós queremos 
 indivíduos no 
mundo, movendo-se livremente, movendo-se conscientemente, 
é claro. E a responsabilidade deles surge através de sua própria consciência. 

Eles se comportam corretamente não porque eles estão 
tentando seguir 
certos mandamentos; eles se comportam corretamente, 
eles se 
comportam de maneira precisa, porque eles são cuidadosos. ....
          Um sannyasin é alguém cuidadoso consigo mesmo e,

 naturalmente, cuidadoso com todo mundo, porque ele não 
consegue ser feliz 
 sozinho. 
Você só consegue ser feliz num mundo feliz, num ambiente 
feliz.
 Se todo 
mundo estiver chorando em prantos na miséria, será muito 
difícil
 para você 
estar feliz. Assim, se alguém é cuidadoso a respeito da
 felicidade, a respeito de sua própria felicidade, tornar-se-á 
cuidadoso a respeito 
da felicidade de todos, porque a felicidade somente acontece
 num 
 ambiente feliz. Mas esse cuidado não é por causa de algum 
dogma. Ele existe
 porque você ama e o primeiro amor, naturalmente, é o amor 
para
 consigo mesmo. Em seguida vem o amor aos outros.
          Outros esforços fracassaram porque eles eram orientados 

pela mente. Eles foram baseados no processo do pensar, eles 
eram
 conclusões da mente. Sannyas não é uma conclusão da mente. 
Sannyas não é orientado por pensamentos. Ele não tem qualquer
 raiz no pensar.
 Sannyas é insight, é meditação, não mente. Suas raízes 
estão
 na alegria, não no pensamento. Suas raízes estão na 
celebração,
 não no pensar. Suas raízes estão naquela consciência onde os pensamentos não são encontrados. 
Ele não é uma escolha entre dois pensamentos, ele é o 
 abandono de 
todos os pensamentos. Ele é viver a partir do nada........
          Cada sannyasin será uma pessoa totalmente única.

 Eu
 não estou interessado na sociedade. Eu não estou interessado 
na coletividade. 
Meu interesse está absolutamente nos indivíduos - em
 você!.
          E a meditação pode ser bem sucedida onde a mente 

fracassou, porque a meditação é uma revolução radical
 no seu 
ser. 
Não é a 
 revolução que muda o governo, não é a revolução que 
muda a 
 economia, 
mas a revolução que muda a sua consciência, que transforma
 você da 
noosfera à cristosfera, que transforma você de uma pessoa 
dormindo 
numa alma acordada. E quando você está acordado, tudo 
o que
 você fizer será bom.
          Essa é a minha definição de 'bom' e de 'virtude': a ação

 de uma pessoa acordada é virtude, e a ação de uma pessoa não
 acordada é 
pecado. Não existe outra definição de pecado e virtude. 
Depende da pessoa, de sua consciência, da qualidade que
 ela traz 
ao ato. Assim, algumas vezes pode acontecer de que o mesmo
 ato possa ser virtuoso 
e ser pecaminoso. Os atos podem aparentemente ser os 
mesmos, 
mas as pessoas que estão por trás dos atos podem ser diferentes. .........
          O ato pode ser o mesmo, mas se a pessoa está 

acordada,
 a qualidade do ato muda.
          Um sannyasin é uma pessoa que vive mais e mais

 em 
estado de alerta. E quanto mais pessoas houver vivendo
 através da
 consciência, melhor o mundo que será criado. 
A civilização não 
aconteceu 
ainda.  .....
          Sannyas é apenas um começo, a semente de 

uma
 qualidade totalmente diferente de mundo, onde as pessoas
 são 
livres
 para 
serem elas mesmas, onde as pessoas não são restringidas,
 aleijadas,
 paralisadas, onde as pessoas não são reprimidas, não são
 feitas 
para se sentir culpadas, onde o prazer é aceito, onde a alegria
 é a regra, 
onde 
a seriedade desaparece, onde entra a sinceridade não séria 
e a 
brincadeira. 
Essas podem ser as indicações, os dedos apontando para
 a Lua.
          A primeira qualidade de um sannyasin é uma
 abertura à
 experiência.  Normalmente as pessoas são fechadas,
 elas não 
são abertas à 
experiência. Antes que elas experienciem alguma coisa elas 
já têm prejulgamentos a respeito. Elas não querem experimentar,
 elas 
não querem explorar. 
Isso é pura estupidez. ........
          Assim, a primeira qualidade de um sannyasin é uma

 abertura à experiência. Ele não decidirá antes de ter experienciado.
 Ele nunca 
decidirá antes de ter experienciado. Ele não terá qualquer sistema 
de crenças. 
Ele não dirá, 'isso tem que ser desse jeito porque Buda disse assim'.
 Ele não dirá, 'isso tem que ser assim porque está escrito nos Vedas'.

 Ele dirá, 
'eu estou pronto para entrar nisso e ver se é assim ou não'. .....
          Um sannyasin não carregará muitas crenças, na verdade,

 não carregará nenhuma. Ele carregará apenas as suas próprias experiências.
 E a beleza da experiência é que a experiência está sempre aberta,
 porque sempre é possível mais exploração. E a crença é sempre
 fechada, ela 
está completa. A crença está sempre acabada. A experiência
 nunca
 está acabada, ela permanece inacabada. Enquanto você estiver 
vivendo, 
como pode a sua experiência ter acabado? Sua experiência está
 crescendo,
 está mudando, está se movendo. Ela está continuamente se 
movendo 
do conhecido para o desconhecido e do desconhecido para o 
incognoscível.
 E lembre-se de que a experiência tem uma beleza porque ela é 
inacabada. Algumas das maiores canções são aquelas que 
estão inacabadas.
 Alguns dos maiores livros são aqueles que estão inacabados. 
Algumas das 
maiores músicas são aquelas que estão inacabadas. O inacabado 
tem uma 
beleza. ....
          Nenhuma história pode ser bela se ela estiver 

completamente acabada. Ela estará completamente morta. A
 experiência
 sempre 
permanece aberta, o que significa inacabada. A crença está 
sempre completa e acabada. Assim, a primeira qualidade é uma 
abertura à experiência.
          A mente é a reunião de todas as suas crenças juntas.

 Abertura significa não-mente. Abertura significa você colocar a 
sua
 mente 
de 
lado e estar pronto para olhar para a vida mais e mais vezes de
 uma maneira nova, não com os velhos olhos. A mente dá a você os
 velhos olhos, 
ela lhe dá novamente idéias: 'olhe através disso'. Mas então a 
coisa se torna colorida, mas você não olha para ela, você projeta 
uma 
idéia em 
cima da coisa. Então a verdade se torna uma tela na qual 
você 
continua
 projetando.
          Olhe através da não-mente, através do nada - shunyata.

 Quando você olha através da não-mente, a sua percepção é 
eficiente, porque
 então você vê aquilo que é. E a verdade liberta. Tudo mais 
cria
 escravidão, somente a verdade liberta.
          Naqueles momentos de não-mente, a verdade 

começa a 
filtrar
 em você como luz. Quanto mais você desfrutar dessa luz,
 dessa 
verdade, 
 mais você se tornará capaz e corajoso para abandonar a sua 
 mente.
 Mais 
cedo ou mais tarde, um dia chegará em que você olhará mas 
não terá qualquer mente. Você não estará olhando para alguma
 coisa,
 você
 estará simplesmente olhando. O seu olhar será puro. Em tal 
momento 
você terá se tornado avalokita, aquele que olha com olhos 
puros.
 Esse é um dos nomes de Buda: Avalokita. Ele olha sem
 quaisquer 
idéias, ele simplesmente 
olha. ........
          A segunda qualidade é viver existencial. O sannyasin

 não 
vive a partir das idéias de que deve ser desse jeito, de que
 deve ser
 daquele jeito, de que deve comportar-se dessa maneira, de 
que não
 deve comportar-se daquela maneira. Ele não vive a partir das 
 idéias. 
Ele é responsivo à existência. Ele responde com seu coração
 total, 
qualquer
 que seja o caso. Seu ser está aqui e agora. Espontaneidade, 
simplicidade
 e naturalidade. Essas são as suas qualidades.
          Ele não vive uma vida pré-fabricada. Ele não carrega 

mapas -
 como viver, como não viver. Ele permite a vida levá-lo para 
onde quer 
que seja. Um sannyasin não é um nadador, ele não tenta
 nadar 
contra a correnteza. Ele vai com o todo, ele flui com a 
 correnteza. 
Ele flui
 tão totalmente com a correnteza que pouco a pouco 
ele não 
está 
mais
 separado da correnteza. Ele se torna a correnteza. É a
 isso que 
Buda chama srotapanna
aquele que entrou na correnteza. Esse é também o início
 do 
sannyas de Buda:
 aquele que entrou na correnteza, aquele que relaxa na
 existência. 
Ele não carrega avaliações, ele não faz julgamentos.
          Viver existencial significa que cada momento tem

 que 
decidir 
por si. A vida é atômica. Você não decide de antemão, você 
não ensaia, 
você não prepara como viver. Cada momento chega e traz a 
situação. E você 
está ali para responder àquilo. Você responde. Geralmente as 
pessoas 
vivem uma maneira muito estranha de vida. Se você for dar 
uma
 entrevista, você se prepara, você pensa naquilo que lhe 
será
 perguntado e como 

você irá responder, como você irá se sentar e como você 
ficará 
de pé.
 Tudo se torna falso porque tudo foi ensaiado. E então o
 que 
acontece? Quando 
você vai assim ensaiado, você nunca está totalmente
 presente. 
Alguma 
coisa está sendo perguntada e você está pesquisando 
em sua
 memória, 
porque
 você está carregando uma resposta preparada, quer ela 
se ajuste
 ou não, 
quer ela funcione ou não. Você segue perdendo o ponto.
 Você não 
está totalmente ali, você está envolvido na memória. ....
          A terceira qualidade de um sannyasin é uma 

confiança
 em seu próprio organismo. As pessoas confiam nos

 outros.
 O sannyasin
 confia 
em seu próprio organismo. Corpo, mente, alma, tudo está
 incluído.
 Se ele sente que está amando, ele flui no amor. Se ele
 não
 sentir 
que está amando,
 ele diz: 'sinto muito', mas ele nunca finge.
          Um não-sannyasin segue fingindo. Sua vida é vivida 

através de máscaras. Ele chega em casa, abraça sua esposa,
 mas
 ele não

 quer 
abraçar a mulher. E ele diz 'eu te amo', e tais palavras soam
 tão 
falsas porque 

elas não estão vindo do coração. Elas estão vindo do Dale 
Carnegie. 
Ele 
esteve lendo o seu livro 'Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas' 
e esses 
tipos de tolices. Ele está cheio dessas tolices. Ele as carrega e as
 pratica. 
Toda a sua vida se torna uma vida falsa, uma paródia. E, naturalmente, 
ele 
nunca está satisfeito. Ele não pode estar porque a satisfação vem
 apenas
 com uma vida autêntica. Se você não está sentindo amor, você
 tem que 
dizer isso, não há necessidade de fingir. Se você está sentindo 
raiva, 
você tem que dizer isso. Você tem que ser verdadeiro para com 
seu 
 organismo, você tem que confiar em seu organismo. E você
 ficará 
surpreso: quanto mais você confiar, mais a sabedoria
 de seu 
organismo se tornará muito 
clara para você.
          O seu corpo tem sua própria sabedoria. Ele carrega a 

sabedoria de séculos em suas células. O seu corpo está faminto e 
você está 
jejuando, porque a sua religião lhe diz que neste dia você tem 
que jejuar.
 Mas
 seu corpo está faminto. Você não confia no seu organismo e
 sim numa 
escritura morta, porque em algum livro alguém escreveu 
que neste
dia você 
tem que jejuar. Aí você faz jejum. Escute o seu corpo! Sim, 
existe dia em que
 seu corpo diz: 'faça jejum!'. Então faça. Mas não há qualquer 
necessidade
 de ouvir às escrituras. O homem que escreveu aquelas 
escrituras 
não as escreveu pensando em você..... Isso é como se você
 ficasse 
doente
e fosse à casa de um médico falecido e lá encontrasse uma 
receita e
 começasse a segui-la. Aquela receita havia sido prescrita 
para
 uma outra pessoa,
 para uma outra doença, em uma outra situação.
          Lembre-se de confiar em seu próprio organismo. 

Quando 
você sentir que o corpo está lhe dizendo 'não coma', pare 
imediatamente.
 Quando o corpo estiver dizendo 'coma', então não se 
preocupe se as escrituras 
estão dizendo para jejuar ou não. Se o seu corpo disser 
coma 
três vezes
 ao dia, está perfeitamente bom. Se ele disser para comer 
uma 
vez ao dia, 
também está perfeitamente bom. Comece a aprender a ouvir
 seu corpo, 
porque ele é o seu corpo. Você está nele; você tem que 
respeitá-lo
 e você tem
 que confiar nele. Ele é o seu templo. É um sacrilégio impor
 coisas ao
 seu corpo. .... E você não vai apenas aprender a confiar 
em seu
 corpo, você
 vai aprender, pouco a pouco, a confiar na existência também, 
porque
 o seu corpo é parte da existência. Então a sua confiança irá 
crescer e 
você irá confiar nas árvores e nas estrelas, na lua,  no sol e 
nos oceanos.
 Você confiará nas pessoas. Mas o começo da confiança tem
 que ser 
a confiança em seu organismo; a confiança em seu 
coração. ...........
          Um sannyasin é aquele que confia no seu próprio

 organismo, 
e essa confiança ajuda-o a relaxar em seu ser, ajuda-o a 
relaxar na
 totalidade da existência. Isso traz uma aceitação geral de si
 mesmo e dos outros. 
Isso dá uma qualidade de enraizamento e centramento. Surge 
então 
uma grande força e um grande poder, porque você está
 centrado 
em seu próprio
 corpo, em seu próprio ser. Você tem raízes no solo. 
Por outro lado 
você 
 vê pessoas sem raízes, como árvores arrancadas do solo.
 Elas
 estão simplesmente morrendo. Elas não estão vivendo. 
É por isso 
que
 não existe muita
 alegria na vida. Você não vê a qualidade da gargalhada; 
está
 faltando 
celebração. E mesmo quando as pessoas celebram, isso 
também 

é falso.  .........
          A quarta é um senso de liberdade.
          O sannyasin não é apenas livre. Ele é liberdade.

 Ele
 sempre vive de uma maneira livre. Liberdade não quer
 dizer
 licenciosidade.
 Licenciosidade não é liberdade, é apenas uma reação 
contra a 
escravidão; daí
 você se move para o outro extremo. Liberdade não 
é o outro 
extremo, não
 é uma reação. Liberdade é um insight: 'Eu tenho que 
ser livre, 
se é que
 eu quero ser algo. Não há outra maneira de ser. Se eu
 for muito
 possuído 
pela igreja, pelo hinduismo, pelo cristianismo, pelo
 islamismo, 
então eu não 
conseguirei ser. Então eles irão criar limites ao
 redor de mim.
 Eles seguirão 
 forçando a mim mesmo como um ser aleijado. Eu tenho 
que ser 
 livre. Eu tenho
 que assumir esse risco de ser livre. Eu tenho que 
encarar esse 
perigo.'
          A liberdade não é muito conveniente, 

ela não é
 muito
 confortável. Ela é arriscada. Um sannyasin assume
 tal risco.
 Isso não que dizer 
que ele vai sair brigando com todo mundo. Isso não
 significa
 que 
quando 
a lei disser mantenha-se à direita, ou à esquerda, 
ele fará o 
contrário. 
Não. Ele não se preocupa com questões triviais. 
Se a lei
 disser mantenha-se 
 à esquerda, ele se manterá à esquerda, porque não é 
isso que é 
escravidão. Mas a respeito de coisas importantes e 
 essenciais... ........
          A respeito de coisas essenciais, o sannyasin 

sempre
 manterá 
a sua liberdade intacta. E porque ele respeita a
 liberdade,
 ele
 respeitará a liberdade dos outros também. 
Ele nunca irá 
 interferir na liberdade dos outros, seja lá quem for. 
Se a sua
 esposa se 
apaixonar por um outro, 
você se sentirá ferido, você irá chorar de tristeza, 
mas esse
 é um
 problema 
seu. Você não irá interferir nela. Você não dirá: 'pare 
com isso, 
porque eu 
estou sofrendo!'  Você dirá: 'Essa é a sua liberdade. 
Se eu
 estou 
sofrendo, 
isso é problema meu. Eu terei que lidar com isso, 
eu terei que 
encarar isso. 
Se eu sinto ciúme, eu terei que me livrar desse ciúme,
 mas 
você 
segue o seu caminho. Embora isso me tenha 
machucado, 
embora 
eu tenha querido 
que você não se fosse com um outro alguém, isso é um 


problema 
meu. 
Eu não posso me intrometer em sua liberdade.'
          O amor respeita tanto que ele dá liberdade.

 E se o
 amor 
não estiver dando liberdade, ele não é amor, ele é 
alguma outra 
 coisa.
          Um sannyasin é tremendamente respeitoso 

quanto à
 sua
 própria liberdade, muito cuidadoso para com a sua
 própria
 liberdade, 
e da 
mesma maneira ele também é em relação à liberdade 
dos outros. 
Esse senso de liberdade lhe dá uma individualidade. 
Ele não é uma
 simples parte 


da massa. Ele tem um certo jeito único: a sua maneira de viver,
 o seu 
estilo, a sua atmosfera, a sua individualidade. 
Ele existe do 
seu próprio jeito, 
ele ama a sua própria música. Ele tem um senso de 
identidade: 
ele sabe
 quem ele é; ele segue aprofundando esse sentimento
 de quem 
ele é; e ele
 nunca faz concessões quanto a isso....
          (.....) A quinta é criatividade. (........) Meu 

conceito de 
sannyasin
 é que a sua energia será criativa, é que ele trará um pouco
 mais de
 beleza a este mundo, ele trará um pouco mais de 
alegria a este 
mundo, ele encontrará novas maneiras de dançar e cantar; 
ele trará belos 
poemas e músicas. Ele criará alguma coisa, ele será 
criativo. .....
          Ele deve contribuir com alguma coisa. 

Permanecer não

 criativo
 é quase um pecado, porque você está existindo
 e não está
 contribuindo. 
Você come, você ocupa um espaço, e você não está 
contribuindo com 
coisa alguma. Os meus sannyasins têm que ser criadores.
 E quando
 você
 está em profunda criatividade, você está próximo de 
Deus. Isso é 
o que a prece realmente é. Isso é meditação. Deus 
é o criador e
 se você 
não é
 criador, você está longe de Deus. Deus conhece
apenas uma 
 linguagem, a linguagem da criatividade. É por isso 
que quando 
você compõe 
música, quando você está completamente perdido 
 nela, alguma
 coisa de
 divino começa a se filtrar a partir de seu ser. 
Essa é a alegria
 da criatividade, 
esse é o êxtase - svaha!
          A sexta é um senso de humor, gargalhada, 

brincadeira,
sinceridade não séria. Os antigos sannyasins não riam,
 eram mortos e chatos. 
O novo sannyasin tem que trazer cada vez mais risos 



para o seu ser. 
Ele 
tem que ser um sannyasin risonho, e o seu riso pode 
criar situações 
para que
 os outros também relaxem. O templo deve ser
 cheio de alegria, 
risos e 
dança. Ele não deve ser como uma igreja cristã.
 As igrejas parecem cemitérios.
 E com a cruz ali parece ser quase uma adoração à morte...
 um pouco 
mórbido. Você não pode dar gargalhadas numa
 igreja. Uma 
 gargalhada 
daquelas que sacudem a barriga não seria permitida. 
 As pessoas pensariam 
que você está louco ou algo parecido. Quando 
as pessoas entram
 numa igreja, elas se tornam sérias, duras... fecham 
a cara...
          Para mim o riso é uma qualidade religiosa 

muito essencial. Um senso de humor tem que fazer parte
 do mundo interior de um
 sannyasin.
          A sétima é a qualidade meditativa, o estar só,  

o pico 
da experiência mística que acontece quando você está só, 
quando 
você está absolutamente só dentro de si 
mesmo.
          O sannyas torna você só, não isolado,

 mas só. Não
 solitário, 
mas ele dá a você uma solitude. Você pode ser feliz 
estando só,
 você 
não é mais dependente dos outros. Você pode 
sentar-se só
 em seu 
quarto e
 sentir-se completamente feliz. Não há qualquer 
necessidade 
de ir a um clube,
 não há qualquer necessidade de estar rodeado de amigos,
 não há 
qualquer necessidade de ir a um cinema. Você pode 
fechar os 
olhos e entrar
 na mais interna felicidade. Qualidade meditativa 
é isso.
          E a oitava é o amor, a qualidade do 

relacionar-se, o 
relacionamento. Lembre-se de que você só pode
 se relacionar
 quando você tiver 
aprendido como estar só, nunca antes disso. 
 Somente dois
 indivíduos podem se relacionar.Somente duas
 liberdades 
podem se 
aproximar e se abraçar. Somente dois nada 
podem penetrar
 um no outro e se 
desmanchar um
 no outro. Se você não é capaz de estar só, o seu
 relacionamento
 é falso. 
Ele é apenas um artifício para evitar que você esteja
 só, nada mais.
         E isso é o que milhões de pessoas estão fazendo.

 O amor
 delas nada mais é do que a incapacidade de estar só.
 Assim, 
elas andam com 
alguém. ficam de mãos dadas, elas fingem que amam, 
mas no fundo o único problema é que elas não conseguem estar sós. Por isso, elas precisam 

de alguém com quem andar, elas precisam de alguém 

para se agarrar, 
elas precisam de alguém para se apoiar. E o outro
 também está
 usando-as 
da mesma maneira, porque o outro também não consegue 
estar só, é 
incapaz. ...
          Assim, duas pessoas que você diz que estão

 amando, 
estão de certa forma odiando a si mesmas. E por causa 
desse ódio,
 elas estão tentando escapar. O outro ajuda-a a escapar, 
assim 
elas se tornam dependentes
 do outro, elas se tornam viciadas no outro. Você não 
consegue viver 
sem a sua esposa, você não consegue viver sem o
 seu marido, 
porque vocês
 estão viciados. Mas um sannyasin é aquele .......... 
É por isso que eu 
digo que a sétima qualidade é estar só e a oitava é 
amor-relacionamento.
          E existem duas possibilidades: você pode ser feliz 

estando 
só e você também pode ser feliz estando junto. Esses são 
dois tipos
 de êxtase possíveis para a humanidade. Você pode
 entrar em 
 samadhi
 quando
 está só e você pode entrar em samadhi quando está 
junto com 
alguém em 
profundo amor. E há dois tipos de pessoas: os
 extrovertidos que
 acharão mais fácil atingir seu pico através dos outros;
e os 
introvertidos acharão mais 
 fácil alcançar seu pico maior enquanto estão sós. ,,,,,,,,,,,,
 O caminho de 
Buda é o caminho do introvertido; ele fala apenas a
 respeito da 
meditação. O caminho de Cristo é extrovertido; ele fala
 a respeito
 do amor.

          O meu sanyasin tem que ser uma síntese 

de ambos.
 Uma ênfase haverá: alguém estará mais enfaticamente 
afinado 
consigo mesmo 
do que com os outros; e alguém será exatamente
 o oposto, mais
 afinado 
 com um outro alguém. Mas não há qualquer necessidade 
de se 
estar
 enganchado a um só tipo de de experiência. Ambas as
 experiências 
podem 
permanecer disponíveis.
          E a nona é a transcendência, o Tao, não ego, não 

mente, 
ninguém, nada, afinado com o todo.  (........)
          Transcendência é a última e a mais elevada qualidade 

de um sannyasin.
          Mas essas são apenas indicações, não são definições.

 Considere-as de uma maneira muito fluida. Não comece a 
considerar
 que eu 
 disse isso de uma maneira muito rígida. .... muito fluida, 
uma vaga maneira 
de ver, uma visão no crepúsculo, não como quando
 há um sol 
aberto no céu. 
Aí as coisas são muito definidas. No crepúsculo, quando
o Sol
 está se 
pondo e a noite ainda não desceu, exatamente no meio, 
no 
intervalo.
 Considere o que eu disse dessa maneira. Permaneça 
líquido,
 fluindo. 
Nunca crie qualquer rigidez ao seu redor. Nunca se torne
 definível. 
                                                                    OSHO - 
The Heart Sutra - discourse nº 10
                                                                                           tradução: Sw.Bodhi Champak
Copyright © 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos os direitos reservados.

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