terça-feira, 15 de abril de 2014

As Escolas de Alexandria e Antioquia



Após a morte dos apóstolos, através dos chamados Pais da Igreja, surgem intensos debates teológicos e filosóficos sobre questões doutrinárias de suma importância para a sobrevivência da igreja. Surgem neste período duas escolas de pensamento doutrinário bem distintas e diferentes em seus pensamentos. A primeira, chamada Escola de Alexandria, que apresentava uma visão mais alegórica na interpretação das escrituras, a segunda chamada Escola de Antioquia, que era mais voltada para o sentido literal do texto bíblico.

ESCOLA DE ALEXANDRIA:

O sistema interpretativo da Escola de Alexandria, tem influência direta da filosofia grega, principalmente de dois filósofos muito importantes. O primeiro é Heráclito. Ele criou o conceito de “huponóia”, que significa, um sentido mais profundo. Para ele, o verdadeiro sentido estava além das palavras. O segundo era Platão, ele formou um conceito de que o mundo em que vivemos é apenas uma representação do que existe no mundo perfeito das realidades imateriais, o “mundo das idéias”. Fílon de Alexandria, também foi influenciado pelos filósofos Gregos na questão de que a verdade se encontra alegoricamente oculta além da letra e da realidade visível.

A Escola de Alexandria usava uma teologia com base na interpretação alegórica da Bíblia, formada pela combinação entre a erudição filosófica grega e as verdades fundamentadas no evangelho. Para essa escola, a bíblia tinha a função de narrar os acontecimentos, sugerir ensinos, conceitos morais e exigir a busca de um sentido mais profundo. Seus principais representantes foram: Panteno ( fundador ), Clemente de Alexandria ( 150-215 DC ) e Orígenes ( 185-253 DC ).

Clemente de Alexandria: Foi o primeiro a lidar seriamente com questões de interpretação bíblica. Usava a interpretação alegórica para descobrir o sentido oculto das passagens bíblicas e harmonizar os dois testamentos. Para ele, o objetivo de Deus em revelar-se alegoricamente era para ocultar a verdade dos incrédulos e descortiná-la apenas para os realmente espirituais.

Orígenes: Era um estudioso muito respeitado, para ele, a melhor maneira de se compreender a bílbia, é através da perspectiva platônica. Para ele, a bílbia contém segredos que somente a mente espiritual pode compreender. O sentido literal é valioso, mas algumas vezes obscurece o sentido primordial, que é o sentido espiritual. O sentido literal é apenas para os neófitos, mas o espiritual é para os maduros na fé. Orígenes influenciou muitos Pais da Igreja como: Dionísio o Grande, Eusébio de Cesaréia e Cirilo de Alexandria.

ESCOLA DE ANTIOQUIA:

A Escola de Antioquia foi fundada por Luciano de Samosata ( 240-312 DC ), um teólogo cristão que deu origem a uma linha de interpetação de estudos bíblicos conhecida pela sua erudição e conhecimento das línguas originais. Essa escola se tornou famosa por sua abordagem literal e histórica dos contextos das sagradas escrituras. Buscavam principalmente descobrir a intenção do autor, como meio parqa determinar o sentido de uma passagem bíblica.

Os principais princípios de interpretação desenvolvidos pela Escola de Antioquia são:

1º) Atenção e sensibilidade ao sentido literal do texto, visando buscar o sentido através da intenção do seu autor, considerendo também o seu contexto histórico em que foi narrado e escrito.

2º) Desenvolvimento do conceito de “Theoria”, que era o princípio usado pelos antioquenos para se descobrir um sentido mais que literal nas palavras dos profetas do Antigo Testamento, permanecendo-se fiel ao seu sentido literal.

3º) Não negavam o caráter metafórico de algumas passagens: aceitavam que havia um sentido mais profundo nas profecias do Antigo Testamento.

4º) Investigavam a intenção do autor, através de uma análise minusciosa do sentido histórico das palavras dentro de seu contexto original.

Os maiores representantes da Escola de Antioquia foram: Teófilo de Antioquia, Deodoro de Tarso ( 329 DC ), Teodoro de Mopsuéstia ( 428 DC ) e João Crisóstomo ( 407 DC ).

Teófilo de Antioquia: Um dos precursores desta escola, enfatizava que o Antigo Testamento é um livro histórico que contém a história autêntica dos Atos de Deus para com seu povo escolhido.

Deodoro de Tarso: Deixou-nos um comentário dos Salmos, onde a interpretação cristológica moderada de antioquia, reflete-se nitidamente.

Teodoro de Mopsuéstia: O intérprete que seguiu mais radicalmente os princípios de interpretação da Escola de Antioquia quanto à abordagem cristológica do Antigo Testamento. Para ele, uma passagem do Antigo Testamento só pode ser considerada messiânica se for usada como tal no Novo Testamento.


ANÁLISE ATUAL:

Podemos perceber nos dias de hoje, que o tipo de interpretação que prevalece nas nossas igrejas evangélicas, é o mesmo modelo da Escola de Alexandria ( Alegórica ), onde pastores e mestres utilizam-se de interpretações “altamente espiritualizantes” das Sagradas Escrituras ( na maioria das vezes de forma totalmente distorcida e abusiva ) para convencerem seus rebanhos de que estão ensinando a verdade da Palavra de Deus, deixando de lado muitas vezes o sentido simples e evidente literal do evangelho genuíno.
Bibliografia:

- HAMMAN, Adalbert G., Para ler os Padres da Igreja, São Paulo, Paulus, 1995
- FRÖHLICH, Roland, Curso Básico de História da Igreja, São Paulo, Paulus, 1987

Kadu Santoro

Um comentário:

  1. Negativo. A igreja presbiteriana não adota a interpretação alegórica como em Alexandria, mas a interpretação histórica e gramatical como na escola de Antioquia, pois nem todas as passagens bíblica são alegóricas.

    ResponderExcluir