terça-feira, 9 de setembro de 2014

A Física Quântica torna mais fácil acreditar em Deus?




Alguns conceitos da física quântica promovem a crença em Deus ou na espiritualidade? Diretamente, não. A física quântica não é um argumento favorável à qualquer existência divina. Mas indiretamente, de fato, ela oferece argumentos contra o materialismo (ou “fisicalismo”), que é a ferramenta intelectual mais utilizada para provar a inexistência de Deus.
Física Quântica
O materialismo é uma filosofia ateísta que diz que toda a realidade é redutível à matéria e suas interações. Ele ganhou terreno porque as pessoas pensam que a ciência só existe no materialismo. Essas pessoas pensam que a física comprovou que o mundo é, simplesmente, um sistema fechado de causa e efeito, sem qualquer espaço para alguma realidade não-física. Elas acreditam que a nossa mente e os nossos pensamentos são fenômenos meramente físicos. Não há espaço para uma alma espiritual ou para o livre-arbítrio: para os materialistas somos apenas “máquinas feitas de carne”.
Porém, a mecânica quântica traz um contraponto para esta crença. Nada menos que Eugene Wigner, ganhador do Prêmio Nobel de Física, afirmou que o materialismo – pelo menos no que diz respeito à mente humana – não é “logicamente consistente com as descobertas da mecânica quântica”. E com base na física quântica, Sir Rudolf Peierls, outro grande físico do século XX, disse que “a premissa de que você pode descrever em termos físicos todas as funções humanas… incluindo a sua consciência, é insustentável. Ainda há algo faltando.”
Alguém poderia dizer: o que a mecânica quântica tem a ver com a mente humana? Ela não fala sobre partículas subatômicas? Sim… Mas enquanto não podemos medir a nossa mente, em última análise, quem mede é a própria mente. E, como veremos, isso não pode ser ignorado. Se alguém afirma ser possível (em princípio) que pode-se dar uma descrição completamente fiscalista do que se passa em uma medição quântica – incluindo a mente da pessoa que está fazendo a medição – teremos sérias dificuldades. Isso foi apontado pelo grande matemático John von Neumann, em 1930.
Tudo começa pelo fato de que a física quântica é inerentemente probabilística. Claro que mesmo em “física clássica” (ou seja, a física que precedeu a mecânica quântica e que ainda é adequada para muitas finalidades) podemos falar em probabilidades. Mas a mecânica quântica é radicalmente diferente: ela diz que mesmo que tenhamos uma informação do mundo físico, as leis apenas podem prever possibilidades de resultados futuros. Essas probabilidades são codificados em algo que chamamos de “função de onda”.
Um bom exemplo é a ideia de “meia-vida”. Núcleos radioativos são susceptíveis à desintegração em núcleos menores e outras partículas. Se um determinado tipo de núcleo tem uma meia-vida de, digamos, uma hora, isso significa que um núcleo tem a possibilidade de se desintegrar em 50% dentro de uma hora, e 75% em duas horas. As equações da mecânica quântica não podem dizer exatamente qual núcleo irá desintegrar-se. Os princípios da mecânica quântica aplicam-se a todos os sistemas físicas, e esses princípios são inerentemente e inescapavelmente probabilísticos.
Aqui é onde começa o problema. É um fato paradoxal, mas totalmente lógico, que a probabilidade só faz sentido se algo for definitivo. Por exemplo, dizer que Jane tem 70% de chance de ser aprovada em um exame de francês resulta que, em algum momento, com certeza ela irá pegar a sua nota definitiva. Nesse ponto, a probabilidade já não permanece em 70%, mas salta para 100% (caso seja aprovada) ou 0% (caso falhar). Em outras palavras, as probabilidades do evento que se situam entre 0 e 100 por cento devem, em algum ponto, dar um salto – caso contrário, elas não significariam nada.
Isso levanta uma questão espinhosa para a física quântica. A equação principal das funções de onda muda com o tempo (chamada de “equação de Schrödinger”) e não produz probabilidades que saltam de 0-100. Núcleos radioativos são um bom exemplo. A equação de Schrödinger diz que “a probabilidade de sobrevivência” de um núcleo (ou seja, a probabilidade de não ter se desintegrado) começa em 100% e, em seguida, cai continuamente, atingindo 50%, após uma meia-vida de 25%, e assim por diante – mas nunca chegando a zero. Em outras palavras, a equação de Schrödinger só dá probabilidades de decomposição, nunca de um colapso real! (Se isso acontecesse a probabilidade deveria chegar a ZERO neste ponto).
Resumindo: (a) as probabilidades da mecânica quântica devem ser probabilidades de eventos definidos. (b) quando tais eventos acontecem, algumas probabilidades deveriam ter um salto para 0 ou 100%, porém, (c) a matemática que descreve todos os processos físicos da mecânica quântica não descreve estes saltos. Ou seja, chegamos à conclusão de que nem tudo o que ocorre pode ser um processo físico descritível pelas equações da física.
Então, em que momento a mente entra em jogo? Tradicionalmente achamos que os “fatos concretos” e os cálculos da mecânica quântica têm origem em “observação” e “medidas”. Se alguém (chamado aqui de “o observador”) verifica-se, por exemplo, que o núcleo se desintegrou, então ele deve ter uma resposta definitiva: sim ou não. Obviamente, neste ponto, a probabilidade de o núcleo ter desintegrado (ou não) deverá saltar para 0 ou 100%, porque o observador sabe resultado – ou seja, as probabilidades atribuídas a eventos referem-se a um estado de conhecimento; antes de eu saber o resultado do exame de Jane, só poderei dizer que ela tem 70% de chance de aprovação, mas depois, posso falar de 0 ou 100%.
Assim, a visão tradicional é que as probabilidades da mecânica quântica referem-se a estados de conhecimento de um “observador” (nas palavras do famoso físico Sir James Jeans, são “ondas de conhecimento”). O conhecimento de um observador, e, portanto, a função de onda, ocasiona um salto imprevisível quando ele/ela (consciência) sabe do resultado (é o famoso salto quântico, tradicionalmente conhecido como “colapso da função de onda”). Mas as equações da física quântica, que descrevem processos físicos, não dão esses saltos. Alguma coisa além deve estar envolvida.
Não haveria um dispositivo físico que pudesse realizar essa medida? Encontramos outro problema aqui, apontado por von Neumann: se o “observador” era considerado como uma entidade meramente física, como um contador Geiger (usado para verificar níveis de radiação), determinar a probabilidade de um evento não depende apenas do que está sendo medido, mas também do próprio observador. O curioso é que as equações matemáticas não podem descrever o salto quântico.
É por isso que quando Peierls foi questionado se uma máquina poderia ser um “observador”, ele disse que não, explicando que “a descrição da física quântica é em termos de conhecimento, e conhecimento exige que alguém saiba de algo.” Não é uma coisa puramente física, mas sim mental.
Mas se alguém se recusar a aceitar esta conclusão, sustentando a ideia de que a realidade física é absoluta e que o observador é completamente descrito pelas equações da física? Nada se resolve. As probabilidades quânticas continuam no limbo. Elas nunca são resolvidas em resultados únicos e definitivos; de alguma forma, as probabilidades sempre permanecem em cena. Podemos, assim, ser forçados a concluir o que chamamos deInterpretação de muitos mundos (IMM).
Em IMM existem universos paralelos – a realidade é dividida em vários ramos. Nesta teoria, existe um número infinito de versões da realidade; em algum lugar você está lendo este artigo, em outro, está dormindo, e em algum universo você jamais nasceu. Mesmo os defensores da ideia de multiversos admitem que tudo isso é bastante bizarro.
O resultado é o seguinte: se a matemática da mecânica quântica é direta e se o materialismo está correto, então somos forçados a aceitar a interpretação de muitos mundos da mecânica quântica. Mas isso é uma bagagem muito pesada para os materialistas…
Se, por outro lado, aceitarmos essas conclusões da física quântica, onde nem tudo é apenas matéria em movimento e que há algo especial sobre a mente humana, que transcende a matéria e as suas leis, então é possível levar a sério questões que o materialismo sempre ignorou e negou: se a mente humana transcende a matéria, até certo ponto, não poderia haver mentes que transcendem o universo físico completamente? E seria possível haver, até mesmo, uma Mente Suprema?
Traduzido de Big Questions Online.

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