segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Não há religião superior à verdade! Ou: Os objetivos da Sociedade Teosófica.

Mandala com símbolos de todas as religiões.

As religiões estão presentes na vida das pessoas desde as mais remotas
 civilizações
 da humanidade, sob as mais diferentes formas. O poder dos sacerdotes nunca
 fora vencido por nenhuma outra forma de poder, seja político ou militar (a maior 
castas
 dos hindus, os brahmanes, são formados por sacerdotes). Formas de religiões
 podem até serem substituídas por outras (vide a vitória dos sacerdotes 
egípcios sobre
 o monoteísmo de Akhenathon, da mitologia grega sobre a mitologia etrusca ou, 
posteriormente, do cristianismo sobre o paganismo romano), mas nunca derrotadas
 completamente (a única tentativa de criação de um estado ateísta no mundo, 
a URSS, falhou e, acredito, justamente por ter desafiado o poder das religiões, mas
 esta análise merece uma outra postagem...).

Não é só isso. Sempre que houve uma forma de dominação de um povo sobre 

o outro,
 a dominação religiosa precedia a militar. O cristianismo dominou o paganismo 
romano e,
 mais tarde, o paganismo germânico antes de Roma dominar os bárbaros. 
O cristianismo
 (católico) moldou a sociedade medieval. Da mesma forma, o massacre dos povos 
pré-colombianos pelos espanhóis também pode ser explicados pelo fato de que a 
chegada deles, bem como  o fim da sua própria civilização, fora profetizado pelos 
próprios sacerdotes astecas. Como diz Carl Sagan, a melhor forma de dominar um
 povo é dizer que isso já estava "escrito nas estrelas".
Mas por que tanto poder? Como instituições desprovidas de armas conseguem 
tanto
 poder político? Simples. As religiões são as únicas instituições que dão respostas 
(verdadeiras ou não) às perguntas mais profundas que qualquer pessoa, por mais 
alienada que seja, um dia irá fazer. Qual é o sentido da vida? Por que há tanto 
sofrimento? Qual é o início e o fim da nossa história? As religiões retiraram o medo
 do, até então, inexplicado, como chuvas, trovões, furacões, terremotos e, 
principalmente, 
da morte (ou da não existência). As religiões dão motivações para as pessoas
 trabalharem,
 lutarem e, principalmente, para viverem. Os países nórdicos desenvolvidos
 são os mais 
ateístas e não-religiosos do mundo mas, também são onde se têm os 
maiores índices de suicídio.

Como se não bastasse dar motivação para viver, as religiões ainda dizem

 como a 
população deve viver. Irradiam valores, castram a sexualidade das pessoas, 
dizem o 
que é melhor que o quê e quem é melhor que quem e criam uma sociedade 
hierarquicamente organizada. Diante de tudo isso, será que não haverá um fim 
para o 
poder ideológico das religiões? Será que sempre estaremos sujeitos a que nos 
digam o 
que é melhor pra gente? Claro que não! Nos últimos tempos, estamos vivendo
 uma 
mudança de paradigmas. Se no passado éramos obrigado a comungar da religião
 oficial,
 hoje podemos professar qualquer uma e nem sequer temos uma religião oficial. 
Se 
no passado o estado financiava (diretamente) as igrejas, hoje quem os financia
 (diretamente) 
são os seus fiéis. Se no passado as religiões moldavam nossos valores, hoje os 
nossos valores mudam as religiões. As pessoas estão deixando de ter religiões 
e passando 
a terem religiosidade. Elas vão a batizados e casamentos católicos, ouvem músicas 
evangélicas, leêm livros espíritas e praticam meditações budistas.
Mas o que tudo isso tem a ver com a frase que dá título à postagem? Essa frase é 
atribuída a Helena Blavastky que, ao perceber todo esse poder que as religiões 
têm no
 mundo, ao invés de bater de frente, perseguir os sacerdotes, fundar uma nova
 religião, 
ou professar o ateísmo, decidiu por pesquisar a verdade dentro do que há em
 comum 
entre todas as religiões. Para tanto, ela fundou a Sociedade Teosófica, sociedade
 esta,
 com sede na Índia (provavelmente por ser o berço da mais antiga religião do
 mundo,
 o Hinduísmo), mas com atividades de pesquisa em todo o mundo. Segundo o 
site 
da Sociedade Teosófica no Brasil (link aqui), os objetivos da mesma são:
 1) Formar
 um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, 
credo, 
sexo, casta, ou cor; 2) Encorajar o estudo da Religião Comparada, Filosofia e
 Ciência; e 
3) Investigar as leis inexplicadas da natureza e os poderes latentes no homem.

Será que essa sociedade irá conseguir alcançar esses três objetivos? Ou

 será que 
ela acabará se tornando mais uma religião como todas as outras, a fim, apenas
 de
 garantir poder político à sua classe sacerdotal? Será que a Teosofia conseguirá 
acender
 o espírito religioso das pessoas sem apelar para o fanatismo? Ou será que seu
 objetivo é
 unificar todas as religiões em uma única instituição para servir de base para o
 mundo
 globalizado? Alguns acusam a Sociedade Teosófica de promover um 
neo-hinduísmo, 
outros, mais radicais, de baboseiras como  "religião do demônio", bruxaria e etc. 
O resultado 
disso tudo, não tem como saber mas, o fato é que: se os objetivos são nobres, a 
caminhada poderá ser longa mas o destino certamente será grandioso.

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