domingo, 19 de outubro de 2014

Os Inimigos Desencarnados



Ainda outros motivos tem o espírita para ser tolerante com os seus inimigos. Sabe ele, primeiramente, que a maldade não é um estado permanente dos homens; que ela decorre de uma imperfeição temporária e que, assim como a criança se corrige do seus defeitos, o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom.

O Espírita também sabe que a morte apenas o livra da presença material do seu inimigo, uma vez que tal inimigo pode persegui-lo com o seu ódio, mesmo depois de haver deixado a Terra e, portanto, a vingança contra quem lhe fez mal, acaba por falhar. Ele só consegue aumentar o ódio do outro por si. Cabia ao Espiritismo demonstrar, por meio da experiência e da lei que rege as relações entre o mundo visível e o mundo invisível, que a expressão: extinguir o ódio com o sangue, ou seja matando o seu inimigo, é radicalmente falsa, pois o sangue, na verdade alimenta o ódio, mesmo depois da morte. Cabia portanto ao Espiritismo apresentar uma razão positiva e uma utilidade prática ao perdão e ao preceito do Cristo: Amai os vossos inimigos. Não há coração tão perverso que, mesmo sentido, não se mostre sensível ao bom proceder. O bom procedimento, tira pelo menos todo pretexto ás represálias, podendo até fazer de um inimigo um amigo, antes e depois de sua morte. Procedendo mal, o homem irrita o seu inimigo, assim também errando por não ter perdoado.

Podemos ter então inimigos entre os encarnados, como entre os desencarnados. Os inimigos do mundo espiritual, manifestam sua maldade pelas obsessões e subjugações que vemos acontecer com tantas pessoas e que representam um gênero de provações, as quais, como as outras, servem para a evolução do ser humano. Por isso, deve receber tai provações com resignação e como consequência da natureza inferior da Terra. Se não houvesse homens maus na Terra, não haveria Espíritos maus ao seu redor. Consequentemente, devemos usar de benevolência com os inimigos encarnados, do mesmo modo como se deve proceder com relação aos que se acham desencarnados.

Em outros tempos se sacrificavam vítimas, para acalmar os deuses infernais que não eram senão, os maus Espíritos. Aos deuses infernais sucederam os demônios, que são a mesma coisa. O Espiritismo demonstra que esses demônios são na verdade, as almas dos homens perversos, que ainda não estão livres dos instintos materiais, coisa da qual ninguém consegue se livrar se não sacrificar o ódio existente em seu coração abrindo espaço pela caridade, pois ela não existe só para impedir o homem de praticar o mal, mas também para levá-lo ao caminho do bem e contribuir para sua salvação. Entendemos então que o mandamento: Amai os vossos inimigos , não pode ser entendido de forma material e terrena. Ele faz parte da grande lei da solidariedade e da fraternidade universais.
O Evangelho Segundo Espiritismo
Adptação de Eduardo Imbuzeiro e Ana Maria

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