sábado, 11 de abril de 2015

A PERDA DE ENTES QUERIDOS


A dor causada pela perda dos entes amados atinge a todos nós com a mesma intensidade. É a lei da vida a que estamos sujeitos. Quando nascemos, nossa única certeza absoluta no transcorrer da vida será a de que um dia morremos.
Não costumamos pensar muito na morte, não fazendo ela parte das nossas preocupações mais imediatas. Vamos levando a vida sem pensar que um dia morremos. Mas daí vem o inesperado, e quando nos deparamos ela bate nossa porta arrebatando-nos um ente amado.
Então sentimo-nos impotentes diante dela e o pensamento de que nunca mais “o veremos” aumenta mais a dor. Dor alguma é comparável a essa. Ceifando a alegria de viver de quem fica no corpo, assinala profundamente os sentimentos de amor, deixando vigorosas marcas no campo emocional. Mesmo na vida física há separações traumáticas, longa e às vezes definitiva. Na morte, então a saudade e a vontade de ter outra vez aquele que se foi é perfeitamente natural e compreensível.
A morte, no entanto, é uma fatalidade inevitável, e todos aqueles que se encontram vivos no corpo, em momento próprio dele serão arrebatados.
Algumas pessoas sentem com maior intensidade a perda do ente amado, demorando a se recuperar da dor pela partida deste. O chamado período de luto. O período de luto é influenciado por vários fatores, dentre estes a idade, saúde, cultura, crenças religiosas, segurança financeira, vida social, antecedentes de outras perdas ou eventos traumáticos e principalmente quando a morte ocorreu repentinamente, de uma forma brusca, como acontece em desastres, acidentes ou por ato de violência. Cada um desses fatores pode aumentar ou diminuir a dor do luto.
Mas porque é tão dolorosa a perda, ou melhor, a separação de um ente amado? Justamente, porque os amamos, e porque os amamos queremos tê-los continuamente junto a nós, e isso é natural, portanto, não necessita de explicações! Vivemos em função uns dos outros, se aquele que amamos se vai... Como não sentir? A impossibilidade de se conversar, ouvir a voz, tocar no ente amado que partiu, é desvastor para aquele que ficou. Uma foto, um aroma, uma música bastam para lembrar o ente querido e a dor da sua ausência reaparece cada vez mais forte acompanhada da saudade causticante!
Diante de tão terrível e amarga dor. Aonde procurar consolo? Aonde procura respostas? O que fazer e qual a nossa atitude mais correta para sobrevivermos a ela?
Para entender a atitude dos espíritas diante da dor da perda de entes queridos, é preciso entender a visão espírita da morte!
Toda a religião espiritualista tem em comum a crença na imortalidade da alma. No entanto, o Espiritismo acrescenta e difere das demais, porque nos mostra que além de imortal, a alma após a morte mantém sua individualidade, se aperfeiçoa e evolui pela pluralidade das existências (reencarnação) e existe a comunicação entre os que se encontram no Mundo Espiritual e aqueles que se encontram no mundo material.
Diante da imortalidade da alma a morte é, pois: a destruição do corpo físico, comum a todos os seres biológicos, seja pelas transformações orgânicas, pelo desgaste à medida que nele se movimenta, ou por uma agressão violenta!
Considerando que o Espírito esta em constante crescimento e renovação, a morte é um meio de transição e não um ponto final, possibilitando assim através da reencarnação mudança de ambientes e projetos de vida! Vejamos o que diz o Livro dos Espíritos.
Questão 153:
P: Em que sentido se deve entender a vida eterna?
R: “A vida do espírito é que é eterna; a do corpo é transitória e passageira. quando o corpo morre, a alma retorna a vida eterna”

Segundo consolo que encontramos na Doutrina Espírita: possibilidade de comunicação entre os encarnados e os desencarnados!
A possibilidade da comunicação com o ser querido leva muitas pessoas a desejarem, a todo custo, uma mensagem, uma palavra que possa proprocionar-lhes a aceitação do ocorrido e que lhes minore a dor da enorme saudade que sentem
No entanto, é necessário se precaver contra a urgência desenfreada de se obter essa comunicação, principalmente quando é recente a desencarnação. Nesse caso, sabemos que ela não é impossível, mas não é recomendada porque, e isto é natural e previsível para todos os recém desencarnados, há um período de adaptação do Espírito a sua nova realidade.
Não podemos olvidar também que as condições em que se encontram os Espíritos no mundo espiritual, se dão pelo próprio espírito, ou seja, pelas escolhas, a forma como viveu enquanto encarnado, seus méritos e suas necessidades! Diante disso, a comunicação pode ser impedida ou não possível por um determinado tempo.
Em segundo, as comunicações são acompanhadas de uma necessidade e de uma utilidade! Temos que entender que o mundo espiritual não esta para nos servir a qualquer hora ou custo, para saciar desejos desenfreados, isso pode abrir portas para mistificações e ate obsessões. Por isso toda e qualquer comunicação deve ser vista com cautela e seriedade!
Então as pessoas que buscam o centro espírita com profundo desejo de receberem uma mensagem de um ente querido desencarnado, estejam avisadas de que este contato nem sempre é possível. Às vezes passam-se meses e até anos antes de obterem uma palavra ou mensagem. Nem os médiuns, nem os Espíritos estão obrigados a nos dar as respostas que queremos, mas se a Misericórdia Divina permitir, com certeza será recebida, como podemos comprovar por tantas psicografias, posteriormente publicadas em livros, recebidas por Francisco Candido Xavier, mensagens consoladoras e esperançosas para pais, filhos, amigos...
Outro consolo que a Doutrina Espírita trás, diz respeito às desencarnações de entes amados em tenra idade, jovens, filhos ceifados de um momento para outro, por meio de acidentes, violência desenfreada, doenças rápidas! Esse tipo de desencarnação geralmente causa espanto, e muita revolta para os que ficam. Mas no Evangelho Segundo Espiritismo, no capitulo V, Instruções dos Espíritos no item perda de pessoas amadas e mortes prematuras (Sansão, antigo membros da Sociedade Espírita de Paris, 1863):

Ele diz assim: “a morte prematura é quase sempre um grande beneficio que Deus concede ao que se vai. Sendo assim preservado das misérias da vida, ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição. aquele que morre na flor da idade não é vitima da fatalidade, pois, deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na terra.”

Ressalta-se que nos casos de morte em que não houve imprudência ou que não houve nenhuma participação do desencarnado.

E Sansão ainda nos diz:

“regozijai-vos em vez de chorar quando apraz Deus retirar
 um dos seus filhos deste vale de misérias. Não é egoísmo 
desejar que ele fique para sofrer convosco? Ah! essa dor se
 concebe entre os que não têm fé, e que vêem na morte a 
separação eterna. Mas vós espíritas, sabeis que a alma 
vive melhor quando livre de seu invólucro corporal. Mães
 sabeis que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; 
sim, eles estão bem perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, 
seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os inebria 
de contentamento, mas também as vossas dores sem razão 
os afligem, porque revelam uma falta de fé e constituem uma
 revolta contra a vontade de Deus!”

Diante dessas palavras instrutivas do Espírito Sansão, podemos
 ver que os pensamentos, dirigidos aos entes 
amados desencarnados, chegam como vibrações e são percebidas
 e assimiladas por eles. Porque a morte nada mais é do 
que a destruição do corpo orgânico, mas a alma imortal 
segue eterna, assim como os laços de amor e afeições que
 os uniu aos pais, aos filhos, aos maridos, as esposas, aos 
amigos!
A Doutrina Espírita orienta-nos a pensar e emitir vibrações 
de amor, e não de dor e desespero. Vejamos o que nos
 revela a questão 936 do Livro dos Espíritos.

P: - Como é que as dores inconsoláveis dos que sobrevivem 
se refletem nos espíritos que as causam?

R: O espírito é sensível às lembranças e às saudades dos que 
lhes eram caros na terra; mas uma dor incessante e desarrazoada,
 o toca penosamente, porque nessa dor excessiva ele vê falta de
 fé no futuro e confiança em deus e, por conseguinte, um
 obstáculo ao adiantamento dos que o choram e talvez à sua 
reunião com ele.”

Da mesma forma os entes amados que partiram nos
 emitem pensamentos e vibrações de amor e de 
esperança. Acontece que muitas vezes, nos prendemos 
na dor, e não nos apercebemos da presença deles. Muitas 
vezes, eles têm que recorrerem às sessões mediúnicas, 
com a devida permissão dos seus orientadores espirituais,
 para pedir, que não soframos mais. Que nosso 
sofrimento excessivo, os fazem sofrer, que nosso apego
 as lembranças com dor os atingem e os afligem. Muitos 
ainda impossibilitados de virem se comunicar, porque ainda estão 
de adaptando e se recuperando, (um dos motivos que a
 evocação não é recomendada) solicitam aos seus mentores

 que mandem noticias em seus nomes, para acalmar o coração 
dos familiares em sofrimento. A morte não é o mergulho no nada, 
é apenas a mudança de estado, e que eles continuam do lado de 
lá, recebendo de nós, os sentimentos de amor, ou de revolta 
que possamos emitir.
Joanna de Angelis nos alerta quanto nossa atitude perante 
nossos desencarnados entes queridos, na obra Rumos Libertadores.
Ela diz assim: “não digas, ou interrogues, antes os 
que desencarnaram: “deixaram-me, e agora? O que será de mim?
Estes conceitos, profundamente egoístas, atestam desamor, 
antes do que devotamento.
Nem te entregues ao desejo de partir, também sob a falsa 
alegação de que não pode continuar sem eles.
Esta atitude fá-los-ás sofrer.
Poe-te no lugar deles.
Como te sentirias do lado de cá, acompanhando o ser amado que
 se resolvesse complicar a própria situação, justificando seres
 tu o responsável?
Imagina-te impossibilitado por leis soberanas de socorrer ao 
amor da retaguarda que, em desalinho caprichoso, chamasse
 e imprecasse por ti, e verificarás quanto te seria doloroso.
“Assim também eles sofrem em razão de atitude 
contundente, quanto se alegra em face da resignação, da 
saudade dulcida e das preces gentis que os afetos lhes devotam”.

Podemos tirar três lições do texto de Joanna de Angelis:
Primeira lição: nossos pensamentos emitidos os fazem sofrer 
ou os alegram!
Segunda lição: é não buscar evocá-los; quando ela diz: 
“imagina-te impossibilitado por leis soberanas de socorrer ao
 amor da retaguarda que, em desalinho caprichoso, chamasse
 e imprecasse por ti...”
Terceira lição: envolve-los em preces. O Evangelho 
Segundo Espiritismo traz uma coletânea de preces e fala
 da importância da oração pelos que acabam de deixar a terra 
como forma de ajudar no desligamento do Espírito, tornando
 seu despertar no além tumulo mais tranqüilo.
Para enfrentarmos a dor da perda de entes queridos,
 devemos partir primeiro da fé e confiança na imortalidade da 
alma; que a morte é apenas a transição de um estado para o
 outro, qual seja, a saída do mundo físico para a vida espiritual. 
Que a alma liberta do corpo segue seu curso mantendo
 sua individualidade, levando consigo, as experiências, os amores
 e os laços de família, que são ainda mais reforçados, posto 
que libertos do corpo os Espíritos compreendem melhor 
certas situações, as quais, enquanto estavam no corpo, 
passavam despercebidas.
A crença na vida após a morte e que a separação é passageira,
 traz um grande consolo no momento da partida daqueles
 que amamos. Lembrar os bons momentos vividos com esse 
ente amado, sabendo que nada acontece ao acaso e 
que a separação é apenas momentânea demonstrando assim
 fé e confiança nos desígnios de Deus e na possibilidade
 do reencontro.

Sabendo que a desencarnação é para, nós inevitável devemos 
nos preparar para ela, vivendo cada instante, uns com os 
outros como se fosse o ultimo; aprendendo e 
compartilhando conhecimentos! Amando, perdoando e servindo
 ao bem comum!
Cultuar a memória dos entes queridos desencarnados 
mediante ações de que eles se alegram, de que possam
 participar inspirando-nos e protegendo-nos, ou 
aprendendo conosco aquilo que não souberam ou não 
quiseram aproveitar!

Nara Cristina Goulart
narinha_goulart@hotmail.com 
Bibliografia:
Livro dos Espíritos
Evangelho Segundo Espiritismo
Rumos Libertadores

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