quinta-feira, 16 de abril de 2015

Livre Arbítrio


Livre Arbítrio

O que é o Livre Arbítrio?
Por Mauro Kwitko
É dito que Deus nos deu o livre-arbítrio. Penso que, na
verdade, nós é que nos damos o livre-arbítrio, nós é que
decidimos seguir seus ensinamentos ou não, suas
orientações ou as nossas, os nossos instintos ou a nossa
razão.
Estamos aqui na Terra esquecidos de que somos um
Espírito encarnado de passagem, em busca de mais
evolução espiritual. Para alcançar esse objetivo existem dois
caminhos: pelo amor ou pela dor. O segundo é o habitual...
Para evoluir pelo amor é necessário que, pelo livre-arbítrio,
uma pessoa decida fazer as coisas certas, seguindo a
orientação do seu Eu Superior e dos seus Mentores
Espirituais. Quando nos deparamos com uma decisão, seja
de caráter existencial ou uma postura emocional, um
pensamento, uma atitude, uma fala, muitas vezes somos
movidos pelos nossos instintos primitivos; outras vezes,
mesmo recebendo esse impulso, vindo do nosso Eu
Inferior, conseguimos refreá-lo e acessamos uma
informação mais elevada que diz como devemos fazer,
sentir, pensar, falar... O livre-arbítrio é, então, cada um de
nós decidindo a cada momento, aonde quer ir, qual caminho
seguir, o que quer fazer.

Existem aqui na Terra duas estações transmissoras: uma
que nos dá maus conselhos, outra que quer nos purificar.
Pelo livre-arbítrio optamos qual delas queremos ouvir.
Algumas vezes dizemos: “Por que Deus não nos mostra o
que fazer para que possamos evitar o erro e o sofrimento?”
Ele nos mostra, sim, nós é que freqüentemente não
entendemos... Ele nos fala através da nossa Consciência;
somos nós que muitas vezes não a escutamos. A voz da
Consciência é Deus dentro de nós.
E assim, errando e acertando, caindo e levantando, vamos,
com o passar das encarnações, aprendendo o que nos faz
sofrer e o que nos faz felizes, o que nos traz angústia, o que
nos traz paz, o que nos traz estagnação, o que nos traz
evolução. Deus é a voz da rádio do amor que só transmite
em sua programação músicas sublimes, conselhos
superiores, palestras edificantes. Nós todos estamos
sintonizados nessa rádio, mas existe uma interferência, um
chiado de uma outra rádio, a da raiva, da agressividade, da
tristeza, que entra na programação trazendo consigo
energias de baixa freqüência, num incentivo às más
condutas, aos maus pensamentos, aos baixos sentimentos,
com suas palavras de dor.
Se dependesse só de Deus essa outra rádio não existiria;
ela foi criada por nós mesmos, pois fomos nós que criamos
o baixo Astral, com nossos erros, nosso egoísmo, nossas
ações, nossa miopia espiritual. Todos nós somos
responsáveis pela existência do Umbral, ele foi feito por
nós, para nós mesmos. E quando algum de nós vai para lá,
após desencarnar, devido à sua baixíssima freqüência, está
indo para um lugar criado por ele mesmo; vai experimentar
seu próprio veneno. Deus não criou o Umbral, o homem o
fez e, hoje, muitos dentre nós lutam para que ele
desapareça.
Mas isso só vai acontecer quando, pelo livre-arbítrio,
escutarmos a voz da razão, da Consciência e fizermos
apenas o que é certo; quando acabarmos com a miséria, a
fome, a violência, a tristeza, a dor. O livre-arbítrio faz com
que alguns de nós façam guerras, outros façam amor;
alguns trabalhem em atividades que beneficiam o ser
humano, outros em atividades que visam enriquecer, poluir,
sujar o planeta e o interior do nosso corpo. Uns promovem a
saúde, outros, a doença; algumas pessoas, pelo seu livre-
arbítrio, fabricam bebidas alcoólicas, cigarro, produzem e
vendem drogas; outras pessoas trabalham em hospitais, em
consultórios; alguns políticos querem o bem do povo,
outros, procuram apenas o benefício próprio e dos seus;
enfim, se enxergarmos bem, veremos o livre-arbítrio em
todo lugar, a todo momento, em todas as situações, de toda
a população mundial, dia e noite.
Deus criou o livre-arbítrio? Não, Deus criou o ser humano à
sua imagem e semelhança, puro e perfeito, para aprender a
manter-se assim. O que fizemos com essa criação divina?
Sujamos, rebaixamos, estragamos, degradamos, dentro de
nós e fora. Temos a capacidade de ouvirmos mais e melhor
a voz da nossa Consciência, pois não a precisamos buscar
em lugar nenhum, ela está dentro de nós. Mas para isso
precisamos um trabalho de faxina interior, dos nossos
pensamentos, dos nossos sentimentos, das nossas
atitudes, da nossa palavra. É como uma lâmpada acesa
coberta por fuligem; não precisamos acender a lâmpada, ela
está sempre acesa; precisamos é limpar a fuligem. O que é
essa fuligem? É o que viemos acumulando desde que
viemos para essa Terra: o que fizemos, o que fazemos, o
que pensamos, o que sentimos, o que falamos. Cada
pensamento de raiva aumenta a fuligem, um pensamento de
amor a limpa um pouquinho. Cada vez que brigamos no
trânsito, sujamos nossa lâmpada; cada vez que sorrimos
para quem buzina atrás de nós, que cedemos espaço para
deixar passar quem está com pressa, limpamos mais um
pouquinho. Cada vez que criticamos alguém, que nos
irritamos, que nos impacientamos, que enganamos,
mentimos, a sujamos; cada vez que aceitamos, que
compreendemos, que cumprimos nosso dever com justiça,
que falamos a verdade com carinho, passamos um paninho
nela; cada vez que bebemos, que fumamos, que usamos
drogas, aumentamos a poluição de nossa lâmpada; cada
vez que bebemos água pura, que ingerimos alimentos
saudáveis, limpamos nossa lampadazinha...
E assim vamos indo, sujando, limpando, estragando,
consertando; e o que nos possibilita fazer as coisas erradas
ou as coisas certas? O livre-arbítrio.
Um dia o Umbral vai terminar: quando nós curarmos nosso
Umbral interno, pois nós o fizemos e nós o alimentamos, no
nosso dia-a-dia. Cada palavra de raiva, cada instante de
impaciência, cada vez que batemos com força a porta do
nosso quarto, cada vez que buzinamos com irritação, cada
vez que brigamos, alimentamos nosso Umbral. Cada gole
de bebida alcoólica, cada cigarro, aumenta o Umbral. Essa
nossa criação é poderosa, ela fala dentro de nós, ela nos
manda mentir, enganar, roubar, matar, suicidar-se... Ela quer
mais gente lá em baixo, ela quer dominar a Terra, ela
gostaria de expulsar a Luz daqui, para reinar soberana,
impunemente. Mas a Luz não pode sair daqui, pois nosso
planeta é feito dela, nós somos feitos dela, nossa
lampadazinha é ela... Até o Umbral é feito dela, às avessas.
Deus está em todo lugar, é onipresente, está no Umbral, é
também o Umbral.
Precisamos sofrer para aprender? Deus ensina no Umbral.
Precisamos amar para sermos felizes? Deus ensina em
nosso coração. Onde se processa a evolução humana? Na
Consciência.
Então, o que é o livre-arbítrio? É uma opção, uma decisão, a
quem queremos servir: a Deus que está na Luz ou a Deus
que está no Umbral.

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