quinta-feira, 16 de abril de 2015

O perdão - Como entender e aplicar essa máxima de Jesus


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Por Mauro Kwitko

Muitas pessoas afirmam que já perdoaram um desafeto. Na
verdade, decidiram entregar o caso a Deus, afastar-se da
pessoa, como se diz na gíria “deixar pra lá...” e tocar a sua
vida, deixando o Tempo decidir o que é certo, o que é
errado.
As pessoas boas de coração possuem a capacidade de
aceitar as atitudes daqueles que lhes fizeram ou ainda
fazem mal. Muitas vezes, elas são até incompreendidas por
essa capacidade de amar e perdoar. São Espíritos mais
antigos e elevados em seu grau de consciência e
discernimento, e sabem que perdoar faz bem
principalmente para si mesmos, que entendem que não vale
a pena permanecer aferrados a uma mágoa, a uma raiva, a
uma aversão, pois é como um veneno que se ingere
diariamente e que vai destruindo os pensamentos, os
sentimentos e o corpo físico de quem costuma permanecer
remoendo fatos passados.
Outras pessoas dizem que querem perdoar alguém, mas
acham isso impossível, e que apenas um Ser Superior
como Jesus poderia perdoar. São Espíritos em um grau um
pouquinho menos elevado de consciência, mas que já têm a
suficiente elevação para querer perdoar, já entenderam que
o beneficiado maior é quem perdoa, conhecem as Leis
Divinas da atração pelos cordões energéticos e até
levantam a possibilidade de, em encarnações anteriores,
terem agido mal, prejudicado, o atual “vilão”.
Outros dizem que não querem perdoar um inimigo porque
têm razão na sua mágoa ou no seu ódio por essa pessoa.
Não esquecem o que foi feito contra eles, ou o que deixou
de ser feito, enfim, acreditam-se com absoluta razão para
decretar que aquela pessoa é um vilão, que é mau, não
merece seu perdão e terá de se entender com Deus.
Enfim, nessa questão de “Perdão”, encontram-se as mais
variadas opiniões, os mais diversos raciocínios,
dependendo do grau de elevação espiritual da pessoa que
sofreu ou sofre um mal. Se somos um ser espiritual com no
mínimo 500.000 anos de existência mais as poucas
décadas da nossa persona atual, como é arriscado ter uma
opinião firmada a esse respeito... Quando alguém sente
mágoa ou raiva do seu pai ou de sua mãe, pelo que lhe fez
ou deixou de fazer, na sua infância, como pode afirmar estar
certo, ter razão nesse sentimento, se não lembra de duas
questões importantíssimas, a seguir:
1. Por que seu Espírito “pediu”, em outras palavras, por que
necessitou desse pai ou dessa mãe?
2. O que pode ter feito para ele(a) em encarnações
passadas de igual ou pior teor?
Se a mágoa ou a raiva é em relação a seu marido ou ex-
marido, sua esposa ou ex-esposa, outro familiar, um amigo
que lhe traiu, lhe enganou, enfim, um acontecimento durante
a vida, se pensar nessas mesmas duas questões, poderá
afirmar com convicção que tem razão?
Somos um ser, que chamamos de Espírito, muito antigo,
vivemos centenas ou milhares de encarnações; todo esse
tempo, tudo o que aconteceu, o que fizemos, o que nos
fizeram, guardado dentro do nosso Inconsciente, apenas
lembramos dessa vida atual, poucas décadas de vida...
vocês não acham extremamente arriscado decidir coisas
como “Não vou perdoar!”, “Ele(a) me fez(faz) mal, sou(fui)
sua vítima!”, “Ele(a) não merece perdão!”...
No Mundo Espiritual, existe algo que na Terra ainda não
existe: o Telão. Quando voltamos para Casa, durante a
nossa permanência no período intervidas, em um certo
momento, somos chamados a assistir um filmezinho de
nossas vidas passadas, o que fizemos, o que não fizemos,
como éramos, e, ao contrário da Regressão Terapêutica
realizada por nós aqui na Terra durante um tratamento de
Psicoterapia Reencarnacionista, no qual é vedado incentivar
o reconhecimento de pessoas no passado, lá, nessa
sessão de Telão, os Mentores oportunizam esse
reconhecimento, tanto da “vítima” como do(a) “vilão(ã)”, e o
resultado dessa viagem no tempo é uma cena chocante de
arrependimento, de vergonha e de frustração, por não
termos, na vida encarnada anterior, alcançado o que
havíamos proposto a nós mesmos: o resgate e a
harmonização com aquele Espírito que sabíamos iríamos
encontrar aqui na Terra, para fazermos as pazes, e, pelo
contrário, mantivemos a nossa tendência anterior, arcaica,
de nos magoarmos, de odiarmos, de sentirmos aversão a
ele. E nesse momento, quando a verdade está ali,
escancarada à nossa frente, percebemos que perdemos
uma grande oportunidade de nos reconciliarmos com aquele
antigo desafeto e, com isso, elevarmos o nosso grau
espiritual e, com bastante freqüência, nos redimirmos do
que havíamos feito a ele, até pior, em encarnações
passadas.
Muitas vezes, por trás do hábito de fumar, beber, usar
drogas, encontra-se mágoa, rejeição, raiva e, então, é muito
importante trazer essa mensagem, de que é extremamente
perigoso julgar alguém, condenar-se uma pessoa, decretar
quem é o vilão e quem é a vítima, considerando que 20, 30,
40, 50 anos de vida é muito pouco tempo, comparado com
milhares e milhares de anos, que é a idade do nosso
Espírito.
Em um tratamento com Psicoterapia Reencarnacionista, do
qual faz parte as “sessões de Telão”, realizadas pelo
terapeuta, mas totalmente comandadas pelos Mentores
Espirituais das pessoas, é relativamente freqüente
encontrar-se depois da visita às encarnações mais recentes,
vidas mais anteriores em que se trocam os papéis, e a atual
“vítima”, descobre-se um “vilão” e o atual “vilão” como sua
vítima... E a pessoa que fumava, bebia, usava drogas, para
amenizar a sua mágoa, acalmar a sua raiva, para vingar-se
ou para agredir o “vilão” (muitas vezes o seu pai ou sua
mãe), o que faz agora com essa descoberta?
Pode-se fazer duas coisas:
1. Aguardarmos a morte do nosso corpo físico e o nosso
desencarne e assistirmos as sessões de Telão no Mundo
Espiritual e nos encaixarmos na estatística oficial de 99% de
frustrações, arrependimentos e vergonha.
2. Assistir essas sessões aqui, durante a encarnação,
quando ainda estamos “vivos” e podemos, pela mudança
radical do nosso raciocínio, perceber o nosso erro de
interpretação, e resolvermos reavaliar completamente a
nossa infância e a nossa vida, substituindo a “versão
persona” da nossa história pela “versão Espírito”, e, com
isso, amenizarmos os nossos sentimentos inferiores,
elevarmos o nosso grau espiritual e nos reconciliarmos com
antigos desafetos que “pedimos” para reencontrar.
E quando deixamos de nos sentir “vítimas” nem precisamos
mais perdoar, precisamos é pedir perdão pelo que fizemos
em nosso passado para o(a) atual “vilão(ã), e que Deus, em
Sua Absoluta Justiça, nos presenteou com esse reencontro.
Essa mudança de raciocínio, esse novo tipo de enfoque,
essa abertura para a verdadeira história de conflito entre
Espíritos há séculos digladiantes, opera verdadeiros
milagres, pois ao invés de sabermos disso apenas lá em
cima, para deixarmos para a próxima encarnação (quando
provavelmente erraremos novamente...), podemos fazer
isso agora, já, aqui na Terra, nessa encarnação mesmo,
acertando o nosso rumo, retificando o nosso pensamento e
sentimento, e aproveitando a atual encarnação para
alcançarmos o crescimento espiritual há tanto tempo
almejado e também adiado. E, então, pedir perdão a Deus e
ao(a) vilão(ã) e seguir nosso caminho, como aconselhou
Jesus: “Vá e não peques mais!”






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