domingo, 22 de novembro de 2015

espiritualidade gay

ESPIRITUALIDADE GAY


As religiões dominantes – e com isso me refiro especificamente a maior parte das formas de cristianismo, judaísmo, islamismo, hinduísmo e budismo – perseguem ou, no melhor dos casos, ignoram os gays.
Essas tradições homofóbicas, através do abuso e da negligência, infligem danos psíquicos horrendos em todos, mas notavelmente sobre os gays.
Elas prejudicam a todos pelo perpetuamento de noções falsas de que os gays são maus ou que eles não existem ou não deveriam existir.
Estas noções falsas são antitéticas à Unidade e ao Amor que são a essência de Deus e bloqueiam a experiência completa de Deus naqueles que mantêm este ponto de vista.
O instinto natural de autopreservação e sanidade mental impele muitos gays a abandonarem as religiões tradicionais, deixando-os frequentemente num vazio espiritual.
Os que permanecem dentro de instituições religiosas tradicionais precisam se resignar à posição precária de minoria marginalizada e desprezada ou da qual se sente pena, relegados a sofrer o dano psíquico e espiritual inerente a tal posição.
O pecado mais horrendo que as religiões cometem contra os gays é nos ensinar de modo explícito ou através do silêncio que o ser de Deus odeia, exclui ou ignora o ser gay, infligindo o maior dano que uma alma pode sofrer que é a alienação ontológica de sua própria fonte.

Negada a sua satisfação nas relações mais mundanas, ordinárias, forçados a se esconder, à invisibilidade, ou, então a uma militância indesejada, os gays se sentem como deixados do lado de fora.
Triste, infelizmente, especialmente para Deus.
Quando falo do Tantra Gay, trato do envolvimento consciente dos gays com o erótico como um caminho espiritual.
Escrever sobre o erotismo gay é problemático, em parte porque não existe definição universalmente aceita do que a palavra “gay”, embora ela seja comumente, e acredito imprecisamente, usada como sinônimo para homossexual.
Parte do problema reside na complexidade da sexualidade humana em si.
Embora a nossa língua e estrutura social nos encorajem, na verdade praticamente nos força, a definir e compreender nós mesmo e os outros em termos simplistas, tais como gay e não gay, homem versus mulher, estes termos nunca abrangem a totalidade do nosso ser.
A princípio, uso a palavra “gay” para me referir à identidade de uma pessoa, como ela se reconhece dentro de si e em relação aos outros.
Uso a palavra “homossexual” meramente para descrever sentimentos sexuais e comportamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Comportamentos e sentimentos homossexuais podem contribuir para o desenvolvimento de uma identidade gay, mas isto nem sempre ocorre.
Acredito que uma pessoa se torna gay através de um processo de autoconsciência e auto-rotulagem.
Portanto, considero uma pessoa gay se ela se considera gay, quer ela reconheça isso para outros ou não.
Ela pode ser homossexual, bissexual, ou o que quer que seja, mas ela tem que tornar-se gay.
Parte da identidade gay, que está sempre nascendo, em evolução contínua, é uma consciência expandida e em expansão do potencial das relações humanas.
Uma pessoa gay sabe o que as outras pessoas sabem, mas ela também sabe o que estas não sabem, ou não podem se permitir saber ou reconhecer, ou seja:
Uma pessoa gay sabe pela experiência que o amor entre pessoas do mesmo sexo é possível. Uma pessoa que não é gay não sabe. Uma pessoa gay sabe que gênero e categorias sexuais são coisas fluidas. Uma pessoa que não é gay não sabe.
A expansão da consciência é a essência do crescimento espiritual e, por esse motivo, a identidade gay é espiritual em essência.
A identidade gay, por ser mais inclusiva, transcende naturalmente muitas das categorias e experiências das identidades não-gays e, por isso mesmo, está mais próxima da Unidade inclusiva, não-dual, que é a essência de Deus.
Esta consciência expandida torna o gay um estranho em relação à sociedade convencional.
Ao ser compelido pela confusão entre realidade interior e realidade social, que questiona suposições fundamentais, tais como a natureza do amor e os relacionamentos, provê-se uma oportunidade preciosa e única para a expansão da consciência.
A Espiritualidade do Tantra treina o despertar para além das suposições limitantes a respeito da natureza do Ser.
Neste quesito, ser um gay desperto confere certas vantagens, mas isto também tem um alto custo.
O gay desperto (que saiu dos modelos e estereótipos) obtém uma consciência além do comum, mas a sociedade considera o seu conhecimento proibido, um conhecimento vergonhoso, e ele aprende rapidamente que precisa esconder o que sabe para proteger os não gays, homofóbicos, de “verdades terríveis” dele mesmo e dos outros, e para proteger-se da ira dos ignorantes.
O desejo instintivo de autopreservação pode induzi-lo a escondê-la tão bem que ele a esconde de si mesmo, e perde então o dom daquela consciência, deixando-lhe apenas sentimentos de inferioridade, vergonha, rejeição e medo.
Ao internalizar a homofobia, ele se torna perigoso para si mesmo e para os seus pares.
Ele reprime, modelando-se a um pensamento socialmente aceitável, não-gay, um falso ser em detrimento do pensamento proibido, gay, seu verdadeiro ser.
Quando acorda para os anseios espirituais que são seu direito natural, é normal que ele tente se aproximar de Deus através das formas e tradições da sociedade.
Mas ele chega ao caminho espiritual com as suas energias psíquicas divididas, frequentemente em conflito, e descobre que o Deus da sociedade não tem lugar para o seu ser gay verdadeiro. A não ser que ele fique se comporte e fique “bem quietinho”.

Adaptado e Traduzido de Willian Schindler






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