sábado, 27 de fevereiro de 2016

AS PRIMITIVAS RELIGIÕES O homem primitivo fazia desenhos nas cavernas para se comunicar com os deuses


     

Quando os primeiros homens começaram a dominar as primeiras técnicas, as invenções e descobertas eram inseridas num contexto mágico-religioso. A descoberta da levedura, por exemplo, tornou possível assar o pão e fermentar a cerveja, dois alimentos com uma longa história de ligações simbólicas com os deuses e outro mundo.
     O surgimento da metalúrgica, com o conseqüente desenvolvimento do trabalho em cobre, bronze e ferro, acabou por dar ao artesão da metalúrgica estranhos poderes a um verdadeiro mágico.
     A escrita foi uma invenção dos deuses e como era de domínio restrito de mosteiros e conventos, serviu como mais um dos elementos que preservaram o privilégio dos religiosos.

ORDEM E DESORDEM PARA OS HOMENS
     A cada avanço no controle do meio ambiente, os novos instrumentos apareciam como por acidente, ao que as pessoas menos sofisticadas atribuiriam interferência sobrenatural. Na verdade, porém, vistas não só as descobertas e invenções do passado, como as que se processam continuamente no mundo contemporâneo, elas vêm, sempre, como respostas a problemas e indagações surgidas das próprias necessidades dos homem, seja qual for seu grau de sofisticação cultural. Em síntese, a humanidade se coloca problemas na medida em que poderá resolvê-los, a curto prazo, a curto, médio ou longos prazos.
     O que os homens pré-históricos pensavam, talvez não se possa saber com toda certeza pelo fato de não utilizarem a linguagem escrita. Os instrumentos e peças que deixaram atrás  de si - ossos, utensílios de toda a ordem, trabalhos de arte - podem ser interpretados de  várias maneiras e são reconstituições fragmentárias de diferentes agrupamentos humanos, em diversos períodos, ao longo de um extenso lapso histórico.
     Algumas deduções poderiam talvez ser feitas a partir de práticas e utensílios relacionados com a morte. Os homens de Neanterdal enterravam seus mortos com cuidado e providos de alimentos e objetos; isso sugeriria sua crença em outro mundo e implicaria na existência de um elemento, o conhecimento de sua própria e inevitável morte, o qual por seu lado, implica em uma noção de tempo.
     A confecção deliberada de instrumentos igualmente sugere um sentido de tempo, porque significa planejamento para o futuro. A noção de tempo, por seu turno, implica numa de ordem, de que os acontecimentos se sucedem uns aos outros, regularmente. Nascemos, vivemos durante algum tempo e morremos. O mesmo acontece com os outros animais. Constatar que  existe uma ordem e observar que  "toda a carne vira pó", poderiam ter levado à conclusão de que o responsável pelo ordenamento da natureza era algo ou alguém sobrenatural, mesmo que com algumas características humanas ou animais.

O PODER DOS ANCESTRAIS
     As pessoas cujo o controle da natureza é limitado, naturalmente se inclinam a tentar estabelecer boas relações com seus ancestrais, dos quais herdaram as técnicas que possuem e com qualquer que seja a força que responda pela ordem das coisas, que providencie alimentos e filhos, ou que, às vezes, falhe desastrosamente em tudo.
     No Era Paleolítica Superior (30 a 10 000 a. C.), depois do surgimento do homo sapiens, os enterros se tornaram mais elaborados e cerimoniosos e há evidências  de ligação entre a noção de fertilidade e as "Vênus", pequenas estatuetas de mulheres, algumas estilizadas, outras bastantes realistas, com notório destaque para os seios, nádegas e coxas. Essas figuras não retratariam as mulheres, mas a mulher em geral, a mulher em seu papel de mãe e seriam usados como amuletos para favorecer a fertilidade, representado a Grande Mãe, a fonte de toda a vida.
     O Paleolítico Superior é também o período da magnífica arte nas cavernas, cujo objetivo seria estimular a fertilidade dos homens e animais e favorecer a caça. A arte seria indicativo de uma crença em alguma ordem sobrenatural da realidade, sobre a qual o homem procurava ter influência para que ele e os seus estivessem o que comer, como viver e procriar. Implica também numa atitude mágica de simbolismo mímica, pela qual o real poderia ser influenciado através da simulação. 


PROGRESSO E ACOMODAÇÃO
     A "Revolução Neolítica", como foi chamada, significou o desenvolvimento gradual da agricultura e  da criação de animais, ao invés da colheita e da caça. Começou na Ásia, no nono milênio a.C., ou antes, e, na Europa, disseminou-se por volta de 350 a.C.
     Parece evidente que, à medida que a agricultura e a criação se estabelecem, as plantas das quais dependem homens e animais para se alimentar tornam-se crucialmente importantes. O ciclo anual da natureza passa a ser fator dominante na vida do homem e foco de atenção mágica e religiosa. O plantio e a colheita são os grandes acontecimentos do ano e são celebrados com festivais e ritos que pretendem assegurar um bom resultado.
     Paradoxalmente, porém, o progresso neolítico no domínio na natureza pode ter criado maior sentimento de dependência com relação às forças sobrenaturais do que antes, pelo fato da atitude do agricultor tende mais à passividade do que a do caçador. O primeiro depende mais do lento trabalho de forças que estão  muito além de seu controle, e menos de sua coragem pessoal, força e agilidade, fundamentais para a caça.
     O sentimento da existência  de uma ordem pro trás da natureza, da dependência dessa ordem e dos perigos da desordem sob a forma de seca, fome, tempestades, pestes devem ter-se fortalecido ao longo da existência das  comunidades agrícolas.
     A maioria das sociedades neolíticas enterrava seus mortos com grande pompa, especialmente aqueles que tinham sido poderosos, o que significa respeito aos poderes do morto e, provavelmente, à crença de que influenciariam o crescimento das colheitas nas terras onde fossem enterrados. Com o neolítico e a subseqüente complexidade da vida social,as formas religiosas também foram se tornando mais complexas, refletindo, historicamente, interesses e necessidades que passaram, de comunais, a de grupos privilegiados

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