quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Metamorfose Humana


Certos animais como os insetos e os batráquios, em algum 
momento de suas vidas sofrem mudanças de forma ou estrutura 
muitas vezes transformando em seres completamente diferentes.
Com seres humanos acontece algo similar ao longo da vida no que se refere a comportamento, satisfação com a vida e o que cada um considera felicidade.
Aos vinte e poucos anos achamos que somos capazes de tudo e
 temos “pique” para fazer o que quisermos e grande confiança

 no futuro. Depois vem a responsabilidade, a escolha da carreira, a construção de uma nova família, os filhos, os ideais, os sonhos 
e etc. Tudo conforme idealizado.

Por volta dos quarenta e poucos anos, para algumas pessoas, 

vem as decepções, a transformação hormonal, a insatisfação 
com a carreira mal escolhida, casamento desfeito, filhos sem 
rumo certo e o questionamento com quase tudo. Afinal, estou 
trabalhando para chegar aonde? A família deu certo? Quando 
vou me aposentar? O que vou fazer? Aí vem o medo do futuro
 mais próximo que o jovem não tem embora o futuro seja muito 
mais incerto que o do quarentão. A depressão é muito mais presente 
nas pessoas de meia idade independente de sexo e raça e muito 
mais comum do que se pensava por conta de todos esses 
questionamentos.


A tristeza é um sentimento natural do ser humano como qualquer 

outro. É problema quando passa do limite e não conseguimos reagir
 transformando em depressão. É problema quando por qualquer 
motivo procuramos o médico para receitar antidepressivo ficando 
escravo e viciado nos “Prozac´s da vida” enriquecendo os 
laboratórios que fazem a festa com as vendas. Quem quer ficar 
triste fica por qualquer motivo: porque está chovendo, porque 
está sol, porque o filho não liga, porque liga demais. A tristeza 
nem sempre é patológica.Quem sobrevive a essa fase passa por
 uma espécie de metamorfose e, tendo adquirido hábitos de vida 
saudável, ao entrar na terceira idade, ou próximo dela, costuma 
voltar a ser feliz com a sensação do dever cumprido e bem 
resolvido fazendo somente as coisas que realmente dão prazer. 
Muita coisa não valeu à pena fazer como, por exemplo, trabalhar
 em excesso achando que ganharia mais dinheiro ou um cargo
 muito importante que renderia status e poder em detrimento 
da saúde. Outros descasam e casam de novo reconstruindo suas
 vidas não cometendo os mesmos erros do primeiro matrimônio. 
São mais tolerantes e sabem o que vale à pena se aborrecer ou 
não. Não dá para abraçar o mundo com as pernas e a felicidade
 é muito mais simples.
  Os velhos que conseguem dar a volta por cima são aqueles que 
de alguma forma investiram na família, pois os valores nela
 enraizado      certamente ajudarão nos momentos de crise que 
todos nós em algum momento da vida passaremos. A ajuda familiar
 e/ou médica consciente  serve apenas como um empurrão

 induzindo
 o sujeito a caminhar sozinho.

É de fundamental importância que as pessoas tenham adquirido

 hábitos de vida saudável tais como fazer atividade física, um 
importante alicerce para uma terceira idade feliz porque
 dispensa a preocupação da família sendo muito bom se sentir
 capaz. Isso garante a independência de se poder fazer tudo
 sozinho, tomar banho, vestir-se, sair, atravessar as ruas com 
seus perigos, andar nas calçadas cheias de buracos e
 improvisos a cada esquina, conversar com as pessoas, contar 
as suas histórias e dividir as suas experiências. Para muitos 
idosos a cidade é uma verdadeira trilha de aventura. Além disso,
 o exercício físico libera substâncias conhecidas como peptídeos 
capazes de produzir uma sensação de prazer que se prolonga 
por algumas horas, muito similares aos efeitos das drogas. 
Como é o corpo que produz, felizmente ficamos viciados em 
exercício e não nas drogas contidas nos medicamentos.

A ajuda médica, como já dito, é importante, mas precisa ser 

conduzida de forma que o sujeito saia progressivamente da
 crise até caminhar sozinho com suas próprias pernas.
Fala-se muito em depressão e ela realmente existe, porém
 precisamos ter o cuidado, assim como outras doenças, se ela 
não é fruto de uma opinião pública orquestrada por alguma 
classe dominante para atender algum interesse que não seja
 o da saúde física e mental. O jovem tem o mundo a seus pés, 
o maduro a incerteza, o velho a felicidade que lhe resta. É viver
 cada dia como se fosse o último livre de muitas obrigações 
que lhe atormentaram por muito tempo.



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