sexta-feira, 26 de agosto de 2016

CRISTIANISMO E RELIGIÕES PAGÃS



O Cristianismo e as Religiões de Mistérios Pagãs



Por Zwinglio Rodrigues
Esse artigo trata da discussão histórica e atual sobre a relação entre o cristianismo e as religiões de mistério pagãs. Na metade do século XX vários teólogos liberais e diversos estudiosos concluíram que o Novo Testamento não passa de um mero apropriador e re-interpretador de elementos relacionados às crenças, cultos e histórias das religiões de mistérios.[1]
Disso surge a chamada teoria dos empréstimos. Gilbert Duran conhecido por seus trabalhos sobre mitologia disse que “o cristianismo não destruiu o paganismo; ele o adotou […]” [2] Argumentam que se os cristãos acreditam na historicidade das narrativas dos evangelhos sobre Jesus, seus milagres, sua morte, ressurreição e ascensão ao céu, devem também acreditar nas histórias pagãs sobre seus deuses-salvadores e que o cristianismo tomou por empréstimo elementos dessas religiões misteriosas. Seguindo o raciocínio, Timothy Freke e Peter Gandy escreveram:
Por que nós consideramos as histórias de salvadores como Osíris, Dionísio, Adônis, Attis, Mitra e outros deuses pagãos fábulas, porém ao encontrarmos essencialmente a mesma história contada em um contexto judeu, acreditamos ser a biografia de um carpinteiro de Belém?[3]
Falando de uma perspectiva oposta, o teólogo e filósofo William Lane Craig [4] informa que devido a mitologia pagã ser o contexto errado para se entender Jesus (e o cristianismo) e os paralelos feitos serem falsos, os estudiosos contemporâneos tem abandonado essa abordagem. No entanto, embora essa teoria tenha entrado em colapso vez por outra aparece quem a evoque na tentativa de descaracterizar o cristianismo, continua Craig. Alguns neoateístas advogam que Jesus é um plágio de mitologias pertencentes aos povos médio-orientais. Em 2007, foi lançado o vídeoZeitgeist[5] propondo uma mudança de paradigmas no que tange às estruturas sociais influenciadoras de nossas decisões e compreensões. A proposta advoga a substituição da religião, política e dinheiro pela ciência, natureza e tecnologia. Tal mudança favoreceria o crescimento pessoal. O vídeo fez enorme sucesso e foi premiado num importante festival nos EUA. [6]
Para a exposição do assunto e realce do debate que o envolve, apresento de modo brevíssimo os seguintes tópicos: o pano de fundo religioso onde o Novo Testamento fora gestado; uma explicação sobre a teoria dos empréstimos e, por fim, traço um paralelo entre algumas religiões misteriosas e o cristianismo. Vejamos.
Breve Pano de Fundo Religioso
A religião oficial do Império Romano adotou grande parte do panteão e da mitologia gregos. Dos contatos com a civilização grega, divindades foram fundidas com uma influência marcante daquele panteão. Júpiter, deus do céu, foi identificado com o grego Zeus; Plutão, a divindade dos infernos, com Hades, e assim por diante. Com Augusto no reinado, novos templos e novos sacerdócios foram fundados. Esse Imperador seguido por seus sucessores estimularam a adoração ao Imperador. Tal culto foi desenvolvendo-se à medida que honras sobre-humanas eram atribuídas aos imperadores. Cabia ao Senado Romano por meio do voto conferir as honrarias. No primeiro século, os imperadores Calígula, Nero e Domiciano intitularam-se deuses, porém, depois da morte deles não foram honrados com esta distinção. O culto ao imperador era de grande valor para o Estado e logo ganhou um status de ato patriótico. Abstendo-se desse patriotismo, os cristãos, reconhecendo apenas a Jesus Cristo comoKyrios, foram perseguidos.
Talvez o traço peculiar mais marcante da religião do I século, além da propagação do cristianismo, foi a difusão e popularização das religiões de mistério. Religiões de mistério “é o nome que se dá àqueles grupos ou comunidades religiosas bem consolidadas nas quais os novos adeptos tinham de ser iniciados em cerimônias secretas (mistérios [7]) não comunicáveis aos de fora”. [8]
A popularidade dessas religiões no mundo greco-romano ocorreu porque elas respondiam aos anseios das classes sociais quanto a temas como a redenção (elas apresentavam a salvação baseada numa revelação divina e na convicção da ação divina para redimir as pessoas a partir de um novo nascimento com vistas à eternidade), a libertação dos problemas do mal, das condições terrenais com suas limitações.
As divindades gregas e romanas tinham sucumbido quanto à transmissão da inspiração do passado e as antigas religiões clássicas não davam conta de satisfazer à crescente percepção religiosa de um tempo onde o individualismo estava amplamente difundido e, por conta disso, as religiões de mistérios, começaram a ganhar preferência a partir do I século antes de Cristo. Nesse contexto, o sincretismo se tornou um elemento de presença marcante, pois quando os devotos dos cultos orientais, imersos no mundo grego, tinham contato com as práticas gregas de iniciação nos mistérios, adotavam-nas. [9]
Os mistérios de Ísis-Osíris, de Cíbeli-Átis, de Afrodite-Adônis, dos eleusianos, celebrados em honra de Demétrio e Perséfone, que não se confinava à uma localidade e de Mitras, eram bastante populares em nosso período. Porém, Ísis e Cíbele ganhavam das demais em popularidade, atraindo multidões e tendo templos erigidos em sua honra com dinheiro público. Mitras era o mistério preferido entre os soldados romanos. Entre as religiões de mistérios havia diferenças evidentes e características comuns. Acerca destas últimas, elas tinham em comum refeições sagradas e adorações ocultas envolvendo magias e secretos objetos de culto que davam ao iniciado revelações mais profundas sobre a divindade e a certeza de uma união mística com ela.
Embora as religiões de mistérios tenham tornado-se populares elas não eram as únicas manifestações de devoção religiosa. As pessoas podiam se envolver com cultos que não primavam por ritos de iniciação nem práticas misteriosas, secretas. Havia muito espaço no mundo greco-romano para a prática da religião pessoal. Pessoas aderiam a religião oficial, a forma das práticas da magia, a astrologia, a práticas supersticiosas, etc. É nesse contexto ávido por religião que o cristianismo progrediu e prevaleceu.
Teoria dos Empréstimos
Esta teoria advoga que o Novo Testamento tomou emprestado das religiões de mistério pagãs práticas ritualísticas, convicções doutrinais, códigos de ética, etc. Essa afirmação faz do Cristianismo uma religião derivada das religiões misteriosas. Fundamentos doutrinários como o nascimento miraculoso de Jesus Cristo, sua morte sacrificial e sua ressurreição, não passam de construtos teológicos que a igreja cristã primitiva sobrepôs ao Jesus histórico por lenda, mito e metafísica cristãos.
Embora tenha citado acima o vídeo Zeitgeist produzido na década passada, a discussão em torno da teoria dos empréstimos não é nova. Ela se arrasta desde o Iluminismo deísta, no século XVIII, passando pelos historiadores da religião do século XIX. Em meados do século XX ela foi destroçada, porém, sempre há quem tente dar algum destaque. Uma das razões do ressurgimento pontual da teoria dos empréstimos é a espiritualidade pós-moderna. Vejamos um pouco da resistência que advoga ser o cristianismo uma religião natural.
A teoria tem encontrado uma competente resistência acadêmica. Não são poucos os pesquisadores que veem muito mais uma dependência das religiões de mistérios pagãs em relação ao cristianismo do que o contrário. Harold H. Rowdon diz:
As semelhanças entre as religiões de mistério e o cristianismo são óbvias; as diferenças são mais significativas […] Não há provas de nenhuma influência exercida pelas ideias das religiões de mistério sobre o cristianismo. [10]
Estudiosos como Rowdon argumentam ser possível traçar uma linha de dependência oposta. Eles dizem ser mais correto enxergar uma dependência do cristianismo em relação ao judaísmo. Constitui-se numa falácia, quando semelhanças são notadas, determinar como fonte de uma prática cristã as religiões ocultas. Um exemplo disso é a Ceia Cristã (1ª Co 11:23-34) que tem como pano de fundo histórico a Páscoa Judaica (Ex 12) e não as refeições das religiões de mistérios.
O mais significativo argumento contra a teoria dos empréstimos é o fato de não existir evidências da influência das religiões de mistérios na Palestina durante as primeiras décadas do I século (a exceção do mito de Osíris). McDowell & Bill escreveram: “a maioria dos supostos paralelos entre o cristianismo e as religiões de mistério, mediante escrutínio detalhado mostrará que os elementos cristãos são anteriores aos elementos mitológicos.” [11]
Um farto material para a reconstrução das religiões de mistérios só é possível de ser encontrado com a data do III século. De posse dos mesmos escritores tentam formular construções de outras religiões. Ora, tal empreendimento é antiacadêmico e se mostra desonesto do ponto de vista intelectual. Outro argumento contrário à teoria dos empréstimos dá conta de que o gnosticismo começou a exercer sua influência mística na Palestina, em meados e final do século I, e os cristãos rejeitaram qualquer amálgama demonstrando assim não serem aderentes a tipos de sincretismo. Sabe-se que os primeiros cristãos eram exclusivistas (coisa que as religiões de mistérios não eram) e, por isso, chamados de “ateus”.
Sendo assim, passemos a algumas considerações sobre esse assunto. Dividirei a exposição em três partes: 1ª) Os cultos misteriosos; 2ª) Base histórica da ressurreição de Jesus Cristo em contraste com o mito da “ressurreição” dos deuses salvadores pagãos e, 3ª) Rituais pagãos e ordenanças cristãs.
Os Cultos Misteriosos
1. Culto de Ísis-Osíris
Ísis é a grande deusa-mãe (do céu, da terra, do mar e do mundo invisível). Quesnel a descreve: “irmã e esposa de Osíris, a deusa Ísis foi objeto de uma admiração fervorosa pelas multidões […] Para todos, mostra-se mãe compassiva, sensível às tristezas humanas e capaz de compartilhá-las […]”[12] Sua religião de mistérios, de acordo com F. C. Grant, citado por Rowdon, era “bastante difundia, polida, mística e muito feminina.”[13] Seu culto girava em torno da morte e desmembramento de seu esposo Osíris que fora morto por Sete, seu irmão gêmeo, que desejava ser o governante do país e vivia em confronto com a família real. Depois de matar Osíris coloca-o num caixão e afunda-o no rio Nilo. Ísis descobre o corpo de seu cônjuge e o devolve ao Egito. Mas, Sete, ao se apossar do corpo novamente, desmembra-o em catorze pedaços e os espalha. Ísis, a fiel esposa, revida ao reunir as partes do corpo e com seus poderes mágicos devolve-lhe a vida. Esse é o mistério sagrado de seu culto. Rowdon comenta:
as nobres procissões; os cultos nos seus templos com purificações e ofertas de incenso em vez de sacrifícios de sangue; o santuário aberto; os hinos e a liturgia sagrada; tudo isso inspirava emoção e devoção. [14]
Retornando ao mito da restauração de Osíris, a esse respeito, devo transcrever o que disse o Dr. Ronald Nash:
É neste ponto que a linguagem usada para descrever o que se segue é crucial. Algumas vezes, os contadores da história ficam satisfeitos em dizer que Osíris voltou à vida […] Mas alguns escritores ultrapassam os limites e falam da “ressurreição” de Osíris. [15]
Nash questiona tanto o retorno à vida como a ressurreição de Osíris apresentadas pelos “contadores da história”. Não é difícil compreender a objeção de Nash quando ficamos sabendo que Osíris tornara-se “senhor do mundo subterrâneo” depois da sua restauração por parte de Ísis e que em algumas versões desse mito não encontramos a narrativa de um retorno a vida. Citando Bruce Metzger, Nash escreve ser incoerente classificar esse mito como uma ressurreição, pois de acordo com o filósofo e historiador grego Plutarco o corpo de Osíris ainda jazia em seu lugar de sepultamento. Sendo senhor do mundo subterrâneo (Inferno) e tendo seu corpo na sepultura, Osíris não pode ter ressuscitado. Faz-se necessário dizer que para o cristianismo a ressurreição de Jesus Cristo foi corporal (Mt 28:1-10; Mc 16:1-8; Lc 24:1-10; Jo 20:1-8; 1ª Co 15:1-8, 12-50). Sendo assim, mesmo que se fale sobre uma ressurreição de Osíris, ela, segundo o mito, não foi corporal e isso é uma diferença significativa entre esse mito e a ressurreição de Jesus Cristo.
Outra reivindicação dos críticos está relacionada ao batismo (mais a frente discutirei essa relação). Eles veem no batismo de Cristo uma alusão ao mito de Osíris quando seu caixão é destinado ao fundo do rio Nilo. Para responder a isso, argumentaram, alhures, que o destino do caixão de Osíris no Nilo é tão relevante para o batismo de Jesus Cristo como é a submersão de Atlântida.
2. Culto mitráico
Esta religião de mistério é de origem persa. Ela difundiu-se não antes dos séculos II e III. O especialista em mitraísmo Marteen J. Vermaseren escreveu: “Nenhum monumento mitráico pode ser datado de antes do fim do século 1º a.D., e nem mesmo investigações extensas na cidade de Pompéia, sepultada sob as cinzas do Vesúvio em 79 a.D., produziram até agora uma imagem sequer do deus.”[16] O culto mitráico girava em torno do sacrifício de um touro ao deus Mitra. Para os romanos, Mitra era o Sol Invictus e sua adoração associou-se ao sol. O mitraísmo, posteriormente ao século I, tornou-se o principal rival do cristianismo. Para se tornar membro dessa religião de mistério era necessário observar um processo de iniciação bastante elaborado. O candidato deveria passar por sete graus e assim ascender na hierarquia. Em cada um desses graus ele praticava abluções, participava de refeições sagradas e de muitos ritos sacramentais. Os iniciados recebiam a promessa de uma vida abençoada post mortem. Esse tipo de culto era marcadamente rígido do ponto de vista disciplinar e, por isso, conforme dito anteriormente, era o preferido dos soldados romanos. Na luta contra as forças demoníacas, os homens podiam contar com a ajuda de Mitra que era considerado o mediador mais poderoso.
O autor muçulmano contemporâneo Yousuf Saleem Chishti diz:
Quem estudar os ensinamentos do mitraísmo juntamente com os do cristianismo, certamente se surpreenderá com a afinidade que é visível entre eles, tanto que muitos críticos são obrigados a concluir que o cristianismo é o fac-símile ou a segunda edição do mitraísmo. [17]
Ao falar de afinidade Chisthi está se referindo às seguintes questões: Mitra foi considerado o filho de Deus, foi um salvador e nasceu de uma virgem, teve doze discípulos, foi crucificado, ressuscitou dos mortos no terceiro dia, expiou os pecados da humanidade e voltou para o seu pai no céu.[18] Existem evidências mostrando que a informação de que o deus Mitra teria sido crucificado, morrido, ressuscitado e ascendido ao céu, surgiu apenas por volta de 400 d.C. Isso aponta para um tempo pós-cristão. Quanto a alegação de Chisthi que Mitra nasceu de uma virgem, no mito existe essa crença. Roger Beck escreveu:
Ele (Mitra) aparece emergindo de uma pedra, não como um bebê, mas no auge da juventude com tocha e espada em punho […] seria equivocado dizer que ele não tem mãe, a rocha é a sua mãe, sendo identificada como Petra Genetrix (a rocha que gera vida).[19]
Note: a “virgem” mãe de Mitra é uma rocha e ele já nasce adulto. Outro detalhe: o elemento feminino é totalmente alijado do mito. Quanta diferença em relação ao nascimento virginal de Cristo. Há uma questão levantada por McDowell & Wilson em relação aos críticos que deve ser apresentada agora: “os críticos tendem também a usar exageros e excesso de simplificação, a fim de comparar o cristianismo com os cultos secretos.”[20]
Por onde anda a dependência do cristianismo primitivo junto ao mitraísmo? Ela inexiste devido toda singularidade dos eventos relacionados à vida de Jesus e devido à base histórica que sustenta esses eventos e devido ao principal dos argumentos que é o surgimento dessa religião de mistério no Império Romano a partir do fim do 1º século A.D. Anteriormente citei Marteen J. Vermaseren, um especialista em mitraísmo, datando para o fim do 1º século A.D. a presença do culto a Mitra no Império. Para dizer a mesma coisa, a título de reforço acadêmico, cito a Dra. Alisson Griffith: “a adoração romana a Mitras começou no início do período imperial, possivelmente no final do I século da Era Cristã, e atingiu seu auge entre o segundo séculos e quarto século da era cristã […].” [21] Como o Evangelho de Marcos, o primeiro a ser escrito, é datado de entre 60 e 70 d.C. é impossível uma dependência do cristianismo primitivo da religião oculta mitráica. Temos aí, pelo menos, vinte anos de distância.
3. Culto Cibele-Átis
O culto à Magna Mater, a deusa Cibele, considerada a deusa da fertilidade, célebre na Frígia, foi introduzindo em Roma durante a Segunda Guerra Púnica. O nome “Cibele” é devido, possivelmente, a uma experiência hierofânica [22] uma vez que o anatolense[23] atribuía ao Monte Ida, uma grande montanha situada no oeste do país, às mesmas qualidades que a Grande Mãe: opulência e fertilidade. Átis era amante de Cibele e deus da vegetação. A deusa enamorou-se de Átis e fez dele seu amante e responsável por seu culto com a promessa de manter um voto de castidade. Átis esqueceu-se do juramento e traiu Cibele relacionando-se com a ninfa Sangarida. Para se vingar, Cibele matou a rival e Átis, revoltado, mutilou o pênis e ao tentar se matar, foi transformado por Cibele num pinheiro. Os cultos dessa deusa eram marcados por orgias cerimoniais, danças loucas e hipnóticas e seus devotos se mutilavam em honra a Cibele e de seu amante divino. Aymard & Auboyer relatam:
Este clero celebrava grandes festas nas ruas das cidades, na primavera, durante treze dias. Acompanhadas de jejuns e purificações, rememoravam os episódios da lenda de Átis, com lacerações em massa e as selvagens autolacerações praticadas pelos exaltados, por ocasião do funeral do deus, com explosões de delirante alegria quando vinha a ressurreição.[24]
Depois da automutilação os seguidores de Cibele se tornavam Galloi ou sacerdotes-eunucos dessa religião de mistérios personificando Átis.[25]
É dito que Cibele trouxe Átis à vida novamente. Nos chamados festivais de primavera, celebrações romanas posteriores ao 1º século d.C., encontra-se celebrações que indicam uma ressurreição. Os adeptos do culto pagão cortavam um pinheiro, enterravam-no e, depois, entravam em êxtase cultual onde se mutilavam. Depois, eles desenterravam a árvore e celebravam a ressurreição de Átis. Alguns estudiosos veem o retorno desse deus à vida como uma “ressurreição”. Para os críticos a história de Cibele e Átis é algumas vezes citada como um paralelo e como uma fonte inspiradora da narrativa sobre a morte e a ressurreição de Jesus. A esse respeito três pontos são levantados para refutar esse raciocínio: 1) No mito de Cibele-Átis não existe nenhum destaque que assemelhe a ressurreição; 2) Tampouco existe qualquer menção que o corpo de Átis tenha sido preservado por Cibele como ele era na esfera humana; 3) Apenas em literatura do 4º século é que se encontra essa “ressurreição” de Átis.
Nessa religião de mistérios havia um ritual muito importante que era o taurobolium. Consoante Kelly,
nos ritos de Cibele e Átis, por exemplo, ele (o iniciado) se submetia a um tipo de batismo no sangue de um touro (taurobolium) ou de um carneiro (criobolium), que era abatido sobre; como conseqüência, a pessoa sentia-se “renascida para sempre.[26]
Os iniciados ficavam deitados ou em pé em uma cova e acima dela o touro enfeitado de flores era abatido e seu sangue gotejava da plataforma sobre eles que tomavam um banho quente enquanto o animal agonizava. Críticos dizem que a passagem bíblica “são estes os que… lavaram suas vestiduras, e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7:14) teve como fonte inspiradora o ritual do taurobolium. O pano de fundo aqui são os sacrifícios templários judaicos e não o mito Cibele-Átis. O erudito alemão Gunter Wagner que estudou e escreveu sobre a relação entre o cristianismo e as religiões de mistérios, escreveu:
O “tauróbolo” no culto a Atis é primeiro atestado nos dias de Antonino, o Pio, em 160 A.D. Até o ponto em que podemos afirmar presentemente, ele só se tornou uma consagração pessoal no início do século 3º A.D.[27]
Base histórica da ressurreição de Jesus Cristo em contraste com o mito da “ressurreição” de deuses salvadores pagãos
Os críticos céticos, proponentes da teoria dos empréstimos, defendem que a morte e ressurreição de Jesus Cristo derivam de religiões de mistérios como a de Osíris e Átis, por exemplo. Dizem que dos mitos de Osíris e Átis pode-se destacar analogias a respeito da ressurreição de Jesus Cristo. É dito que nesses mistérios um deus salvador morre e ressuscita dentre os mortos. Já foi apontado que as datas para esses mitos são posteriores à escrita dos Evangelhos (apenas o relato do deus Osíris sobrevivendo é anterior ao cristianismo. Mas, como indiquei não se pode falar de uma ressurreição de Osíris na acepção da palavra, pois ele não retornou a vida corporalmente mantendo-se como senhor do mundo subterrâneo). Nesse caso específico das ressurreições Geisler e Turek dizem: “o primeiro paralelo real de um deus morrendo e ressurgindo não aparece até 150 d.C., mais de cem anos após a origem do cristianismo”.[28] Isso, de per si, é capaz de desconstruir a teorização dos céticos. No entanto, com vistas a robustecer a improcedência destas opiniões, passo a discutir de modo breve a base histórica para a ressurreição de Jesus Cristo contrastando com a ausência da mesma no que tange aos mitos, “figuras nebulosas de um passado imaginário.”[29]
Pelo menos cinco aspectos envolvendo a ressurreição de Jesus descansam em bases históricas, a saber: Jesus era um personagem real da história; Jesus, Deus, morre; ressuscita dentre os mortos; aparece em corpo várias vezes; a narrativa foi feita por testemunhas oculares. Comentarei de forma concisa esses pontos.
Será que existe algum historiador sério que postule a não existência de Jesus Cristo? Para o teólogo escocês F. F. Bruce não. Ele escreveu:
Certos estudiosos podem entregar-se à fantasia de um “Cristo mítico”, mas o fazem não em decorrência de fundamental evidência histórica. A historicidade de Cristo para o historiador isento de preconceitos é tão axiomática quanto à historicidade de Júlio César. Não são, portanto, historiadores os que se prestam a veicular teorias relativas ao “Cristo mítico”.[30]
As evidências extrabíblicas sobre Jesus são diversas. Elas compreendem escritores seculares antigos como Thallus e Phlegon, Flávio Josefo, Plínio, o Jovem, Cornélio Tácito, Adriano, Suetônio, Luciano de Samosata e Mara Bar-Sarapion. Temos a rabínica[31] com as referências dos rabinos sobre Jesus e os pais da igreja como Clemente de Roma (Pastor na igreja de Roma entre 90 e 100 A.D.), Inácio de Antioquia (morreu em 117 A.D.), Papias (70 a 140 A.D.), Justino Mártir (100 a 166 A.D.), Irineu de Lião (130 a 200 A.D.), Tertuliano (179 a 220 A.D.), Orígenes (185 a 254 A.D.), Eusébio (264 a 340 A.D.).
Recentemente o historiador, teólogo e agnóstico Bart Erhman publicou o livro Did Jesus Exist? (Jesus Existiu ou Não)[32] criticando “especialistas” sem formação em História Antiga, Religião, Estudos Bíblicos e sem o conhecimento das línguas antigas que se põem a escrever contra a existência de Jesus. Até o biólogo neo-ateísta e inimigo da religião Richard Dawkins aceita as evidências em favor da existência de Jesus. Para ele Jesus foi um grande mestre moral. Qual escritor antigo, qual agnóstico e ateu escreveu ou opinou sobre Osíris, Átis ou Adônis como sendo seres que existiram no tempo e espaço?
As reivindicações radicais de Jesus quanto a sua divindade soam como coisa de lunático. Elas não coadunam, por exemplo, com o conceito de Dawkins sobre ter sido Jesus um destacável mestre moral e nada mais. Os Evangelhos apresentam um Jesus falando de si mesmo como sendo Deus. Uma referência clássica é Jo 8:58: “respondeu-lhes Jesus: em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, eu sou.” Ao usar a expressão ego eimi Jesus estava apontando para sua preexistência; ele estava referindo-se a si mesmo como o absoluto e atemporal. Foi dessa maneira que os judeus compreenderam as palavras de Jesus: “Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo” (8:59). Essa escritura reporta-nos a Êxodo 3:14 onde Deus diz: “EU SOU o que SOU […]”
Os críticos dirão que o Jesus histórico nada falou sobre sua divindade, mas as comunidades criativas colocaram tais palavras na boca dele criando assim o Cristo da fé (sabe-se que a antropologia e a sociologia descobriram que as coletividades são receptivas e não criativas – nossa discussão aqui não comporta o debate em torno disso). Insistindo que Jesus fez reivindicações radicais quanto a sua natureza divina, cito Lucas 20:9-18. Esta referência é admitida pelos críticos radicais do Jesus Seminar[33] como oriunda do Jesus histórico. Esse Jesus, personagem real da história, que disse a seu respeito ser Deus, morreu. De quê modo os mitos se assemelham a história de Jesus Cristo?
As narrativas sobre a ressurreição de Jesus Cristo e a respeito de aparições em corpo são diversas. A tumba vazia[34] é apresentada por diversas fontes independentes. Temos a fonte de Marcos, Mateus, João, Atos (2:29; 13:36) e um credo antiquíssimo apresentado por Paulo (1ª Coríntios 15:3-8). Paulo escreveu esta epístola em 56 A.D., cerca de vinte e três anos depois da crucificação de Jesus. Mais curto ainda são os anos que separam a crucificação de Jesus e a confecção desse antigo credo descrito por Paulo. Estudiosos do Novo Testamento tem apontado que esse credo deve reportar a dois ou três anos depois dos acontecimentos narrados. Então, temos um testemunho antiquíssimo da tumba vazia. Devemos observar nas narrativas da ressurreição de Jesus a inexistência de colorações lendárias. Elas são simples e destituídas de vieses teológicos e apologéticos.
Sobre as aparições em corpo o testemunho é farto também. (ver Mt 28:9; Mc 16:1-9; Lc 24:36-43; Jo 20:19-31) . Voltemos ao antigo credo já citado. Paulo escreveu:
[…] apareceu a Cefas, e, depois, aos doze. Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora, porém alguns já dormem. Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim […] (1ª Co 15:5-8).
Chamo a atenção para “os mais de quinhentos irmãos” que viram o Senhor ressuscitado. O apóstolo diz que a maioria ainda estava viva. Os interlocutores de Paulo poderiam consultar essas pessoas sobre a informação passada. Aqui o apóstolo Paulo põe em risco toda sua a credibilidade. Até onde sei ninguém ousou contraditá-lo. O testemunho ocular é reivindicado pelos primeiros cristãos no que tange aspectos vinculados a vida de Jesus Cristo. A 2ª Epístola de Pedro declara: “porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2:16). Ser testemunha ocular é um fato que deve ser levado em conta. Os apóstolos foram testemunhas oculares e não autores posteriores que uniram com pontos de agulha tais relatos com lendas supersticiosas. A ressurreição de Jesus tem uma base histórica ao passo que as ressurreições das religiões de mistérios não implicam em corpos ressuscitados e são de total caráter mitológico. Em síntese, os estudiosos só podem falar sobre uma “ressurreição” de Osíris, Átis ou Adônis no sentido mais amplo e subjetivo.
Rituais pagãos, o batismo e a ceia cristãos
1. Batismo
No mundo gentílico, nos dias de Jesus, o batismo não era uma novidade. Purificações religiosas eram praticadas pelos hindus, persas e egípcios. Porém, elas tinham mais destaque nas religiões romanas e gregas. “Às vezes elas [as purificações religiosas] tomavam a forma de banhos no mar, e às vezes eram efetuadas por aspersão”.[35]Diante disso, alguns estudiosos afirmam que o rito batismal cristão fora instituído a partir da influência das religiões de mistérios pagãs. O taurobolium é o rito mais notavelmente análogo. Ele deixava as pessoas com o sentimento de ter renascido para sempre.
O batismo cristão, fundamentalmente na teologia paulina, está associado à identificação do crente com Jesus Cristo em sua morte, sepultamento e ressurreição. Alguns acadêmicos negam que exista algum elemento indicativo de que esse simbolismo esteja presente tanto no taurobolium bem como nos banhos ritualísticos das religiões de mistérios.
Abaixo apresento alguns distanciamentos entre o batismo cristão e os banhos ritualísticos pagãos que devem ser levados em consideração.
Batismo Cristão 
Direciona o olhar para uma pessoas histórica
Está relacionado à mudança moral e/ou espiritual do adepto
Ideia de morte e ressurreição
Dependência do Antigo Testamento:a prática judaica de batizar prosélitos
Banhos Ritualísticos Pagãos
Direciona o olhar para personalidades lendárias
Ofertava ao adepto de maneira mecânica ou mágica a imortalidade sem a necessidade de uma mudança moral
Ausência do simbolismo da morte
Os banhos ritualísticos que antedatam o Novo Testamento possuem um sentido diferente do Novo Testamento, enquanto os banhos pagãos são muito tardios (100 d.C.) para influenciarem o Cristianismo
2. Ceia
No culto mitráico é que se encontra o único ritual que se pode comparar com a Ceia do Senhor (Jesus Cristo) no Novo Testamento. O sacerdote desse culto colocava diante do adepto um pedaço de pão e um copo com água e dizia algumas palavras cerimoniais. Esse momento relembrava o ato de Mitra que celebrou uma ceia antes de ascender ao céu. Essa refeição cúltica é mais um sinal disso. No entanto devemos notar que a Ceia do Senhor deve ficar perto da base judaica do que tomar uma direção rumo às práticas cúlticas das religiões de mistérios. É durante a festa da Páscoa Judaica que Jesus Cristo institui a Ceia. Desse modo, todo paralelismo com o ritual mitráico é débil e fruto de um reducionismo acadêmico exagerado.
Considerações Finais
Não é possível negar a existência das religiões de mistérios antes do cristianismo. Porém, pouco ou quase nada se sabe de suas crenças pré-cristãs. As informações trabalhadas nesse texto vieram de fontes que surgiram a partir do II século, portanto, posteriores aos textos neotestamentários escritos no I século. Neste século, devem ter existido alguns mitos pagãos que poderiam ter influenciado o cristianismo. No entanto, não há evidências de que as religiões de mistérios moldaram o cristianismo e suas crenças. As diferenças superam de longe qualquer semelhança.
Será que os apóstolos de Jesus ousariam apelar para uma mitologia pagã? Esta é uma pergunta necessária nesse debate. Os críticos fogem dela, pois ficam acuados quando dispensam atenção à mesma. Os apóstolos e primeiros discípulos eram judeus aderentes à fé monoteísta fundada na revelação de Deus por meio da lei e dos Profetas. Eles professavam Shemá Yisrael Ado-nai Elohêinu Ado-nai Echad (Ouve ó Israel, o Senhor nosso Deus é Um – Dt 6-4). Shemá tornou-se a célebre confissão básica do judaísmo. A compreensão da singularidade de Deus impedia-os de sequer louvar ou admitir a existência de outro deus. Não existe uma evidência que aponte o contrário.
Os primeiros discípulos começam seguindo a Jesus crendo ser ele o Messias, depois eles vão entendendo ser Jesus Cristo o Deus veterotestamentário. Nesse sentido, os discípulos eram exclusivistas e as religiões de mistérios e seus aderentes eram sincréticos. Adotar elementos de cultos a outros deuses não seria problema para esses últimos, mas para os judeus do I século isso era inconcebível. Basta voltar os olhares para o apóstolo Paulo que notamos com clareza a originalidade do cristianismo. Como judeu devoto, agora firmado na fé cristã (exclusivista), o apóstolo não abandonaria seus escrúpulos religiosos. O que há de evidência das religiões de mistérios em seus escritos? Disso, podemos concluir que as raízes do cristianismo estavam profundamente imersas em solo judeu. Questões como sacrifícios, derramamento de sangue, refeições religiosas, etc., estão presentes no contexto religioso judaico.
A única matriz religiosa da qual dependeu substancialmente o cristianismo é a judaica e não a pagã. Qualquer paralelo que se possa fazer entre o cristianismo e as religiões de mistérios se enquadra nessa conclusão do especialista em Novo Testamento Robert H. Gundry: “os paralelos geralmente são mais aparentes do que reais, e mesmo quando são reais, isso não implica necessariamente que houve empréstimos de uma coisa para o outra.”[36] Demonstrei isso quando comentei, por exemplo, a relação entre a ressurreição de Jesus Cristo e os mitos de ressurreições de deuses pagãos.
Outro argumento contra a teoria dos empréstimos é levantada por Gundry ao ponderar:
Se houvessem os cristãos tomado os seus conceitos por empréstimos das religiões misteriosas, bem poderíamos indagar por qual motivo os pagãos consideravam, de modo geral, o evangelho cristão, como algo tolo, incrível e somente digno de perseguição.[37]
Já no I século o cristianismo se opõe aos costumes vinculados às religiões de mistérios e, vice-versa, como apontou Gundry. Esse conflito cessou com a vitória do cristianismo (talvez, a principal razão desta vitória é a base histórica recente para as crenças apresentadas como, por exemplo, a ressurreição de Jesus Cristo) que prosseguiu sua carreira ao passo que as religiões de mistérios desapareceram. Uma evidência que mostra esse conflito é encontrada em Atos 14:13-15:
A Barnabé chamavam Júpiter e a Paulo, Mercúrio, porque era ele o que dirigia a palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trouxe para as portas touros e grinaldas e, juntamente com as multidões, queria oferecer-lhes sacrifícios. Quando, porém, os apóstolos Barnabé e Paulo ouviram isto, rasgaram as suas vestes e saltaram para o meio da multidão, clamando e dizendo: Senhores, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens, de natureza semelhante à vossa, e vos anunciamos o evangelho para que destas práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e tudo quanto há neles.
Existia uma lenda sobre Júpiter e Mercúrio ter visitado uma cidade circunvizinha. Eles não foram reconhecidos e obtiveram uma atenção aquém da dignidade dos deuses. Por isso, irados, eles destruíram a cidade. Por conta dessa lenda, a população de Listra reagiu frente ao milagre realizado (8-9) celebrando os discípulos como se fossem Júpiter e Mercúrio. Ato contínuo, Paulo e Barnabé se opõem à crendice e apresenta a mensagem cristã (15-17) aos habitantes de Listra. Aqui há o conflito de crenças. Mas, digno de nota também é o fato de Paulo e Barnabé não permitir que a mensagem pregada por eles constituísse numa mensagem politeísta. Caso eles desejassem isso e tivessem como prática lançar mão de aspectos das religiões pagãs teria aproveitado a excelente oportunidade, mas isso não ocorreu.
Finalizando essa breve exposição, reproduzo as palavras de Adolf Von Harnack[38]:
Devemos rejeitar a mitologia comparativa que encontra uma ligação causal entre tudo e tudo o mais, a qual derruba barreiras sólidas, constrói pontes sobre os abismos como se fosse uma brincadeira de criança, e tece combinações de semelhanças superficiais […] Mediante tais métodos, podemos transformar Cristo num deus-sol num piscar de olhos, ou podemos inventar lendas para o nascimento de qualquer deus concebível, ou podemos apanhar toda a sorte de pombas mitológicas para fazer companhia à pomba batismal; e descobrir qualquer número de asnos celebrados para seguir o asno montado por Jesus até Jerusalém; e assim, com a varinha mágica da “religião comparativa”, eliminar triunfalmente todo traço espontâneo de qualquer religião.[39]
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Notas:
[1] Foi a Escola da História das Religiões quem “aplicou os princípios da religião comparada e considerou o cristianismo como um fenômeno religioso entre os muitos no Império Romano. Paralelos como as lavagens rituais, refeições sagradas, a adoração de um deus morto e ressuscitado e a certeza de vida eterna mediante a união com o deus sugeriam um processo gradual de sincretismo e interpenetração mútua do cristianismo e das religiões de mistérios populares do Oriente”. WHITERUP, Ronald D.; KSELMAN, John S. Crítica Moderna do Novo Testamento. In: BROWN, Raymond E.; FITZMYER, Joseph A.; MURPHY, Roland E (edit.). Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos sistemáticos. Santo André (SP): Academia Cristã; São Paulo: Paulus, 2011, p. 1105.
[2] DURAND, Gilbert. A Fé do Sapateiro. Brasília: Editora Universidade de Brasileira, DF, 1995, p. 595.
[3] FREKE, Timothy; GANDY, Peter. The Jesus Mysteries. Three Rivers Press, 2001, p. 9.
[4] CRAIG, William Lane. Em Guarda: defendendo a fé cristã com razão e precisão. São Paulo: Vida Nova, 2011.
[5] Zeitgeist significa, em alemão, espírito da época.
[6] Fesitval Artivist na Califórnia em 2007 e 2008.
[7] A palavra mistério, do grego musterion – “rito secreto” e/ou “doutrina secreta” – caracteriza as religiões que incorporam doutrinas esotéricas, ritos e cerimônias de iniciação.
[8] KELLY, J. N. D. Patrística: Origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã. São Paulo: Vida Nova, 1994, p. 9.
[9] FERGUNSON, E. Religiões Greco-Romanas. In: REID, Daniel G. (edit.) Dicionário Teológico do Novo Testamento: compêndio dos mais avançados estudos bíblicos da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2012.
[10] ROWDON, Harold, H. O Pano de Fundo Religioso do Novo Testamento. In:Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamentos. Tradução: Valdemar Kroker – 2. ed. – São Paulo: Editora Vida, 2012, p. 1006.  
[11] MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Ele Andou Entre Nós: Evidências do Jesus Histórico. São Paulo: Candeia, 1995, p. 212.
[12] QUESNEL, A (et alO Egito: Mitos e Lendas. Editora: Ática, 1993, p. 11.
[13] ROWDON, Harold, H. Op. cit., p. 1006.
[14] Ibid.
[15] Citado em MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Op. cit., p. 205.
[16] MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Op. cit., p. 213.
[17] GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Vida, 2001, p. 87.
[18] Ibid.
[19] BECK, Roger. Mithraism. Encyclopaedia Iranica. Disponível em: <http://www.iranicaonline.org/articles/mithraism> Acesso em 24 jan. 2013.
[20] MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Op. cit., p. 211.
[21] Ibid.
[22] Relativo à hierofania (manifestação de tudo o que é sagrado).
[23] Relativo à Anatólia uma região do extremo oeste da Ásia que corresponde hoje à porção asiática da Turquia.
[24] AYMARD, André; AUBOYER, Jeannine. Roma e seu império: as civilizações da unidade romana. 3 ed. São Paulo: DIFEL, 1963, p. 183.
[25] BURKERT Walter. Antigos Cultos de Mistério. São Paulo: EDUSP, 1991.
[26] KELLY, J. N. D. Op. cit., p.10.
[27] MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Op. cit., p. 204.
[28] GEISLER, Norman; TUREK, Frank. Eu Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu. São Paulo: Vida, 2004, p. 312.
[29] NORMAN ANDERSON citado em MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Op. cit., p. 200.
[30] BRUCE, F. F. Merece Confiança o Novo Testamento? Tradução: Waldyr Carvalho Luz. – 3ª Ed. Ver. – São Paulo: Vida Nova, 2010, p. 155.
[31] “Rabínica é o estudo dos comentários dos rabinos judeus sobre as escrituras do Antigo Testamento. Ela inclui comentários sobre o comentário das Escrituras. Desde que inúmeros rabinos comentaram sobre a Escritura ou sobre o comentário de algum outro rabino, eles ocasionalmente se referiam a pessoas e eventos de sua própria época.” (MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Op. cit., p. 63).
[32] Veja uma resenha do próprio Erhman a respeito de seu livro emhttp://www.huffingtonpost.com/bart-d-ehrman/did-jesus-exist_b_1349544.html. Acesso 24 jan. 2013.
[33] O Jesus Seminar é uma coalisão internacional, centrada nos Estados Unidos, que reúne cerca de cem  eruditos e estudiosos da Bíblia. Em debates intensos, o Seminárioprocura atestar a veracidade do que foi escrito nos evangelhos neotestamentários a respeito da vida e das palavras de Jesus. O seu fundador foi o teólogo da Universidade de Montana Robert W. Funk em 1985. Hoje, o nome de destaque do Seminário de Jesus é o seu co-fundador e co-presidente John Dominic Crossan.
[34] Diversas teorias foram propostas para explicar o túmulo vazio. As teorias dodesmaio, do roubo, da alucinação e do túmulo errado já foram devidamente respondidas por acadêmicos competentes (cf. MCDOWELL, Josh. Evidência que Exige um Veredito: Evidências históricas da fé cristã. São Paulo: Candeia, 1996, PP. 291-323 & GEISLER, Norman; TUREK, Frank. Op. cit., pp. 223-231). A teoria da ressurreição tem sido foco de debates acadêmicos hoje. William Lane Craig, apologeta cristão, tem discutido o assunto com céticos como Bart Ehrman e John Dominic Crossan. Ele tem proposto que a melhor explicação (não significa prova) para o túmulo vazio é a ressurreição.
[35] BEKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã. 2007, p. 575.
[36] GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 31.
[37] Ibid., p. 32.
[38] Suas datas foram 1851-1930. Ele foi um teólogo liberal alemão, autor e historiador luterano. Ensinou em várias universidades alemãs, incluindo a de Berlim.
[39] MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Op. cit., p. 218.

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