sábado, 15 de outubro de 2016

Os animais têm alma e são também seres em evolução































Por Irvênia Prada
Todos nós que convivemos com animais sempre nos sensibilizamos 
com suas demonstrações de companheirismo e afetividade. É comovedor 
o testemunho do Padre Germano ("Memórias do Padre Germano",
 de Amália Domingos Soler, FEB) a respeito de Sultão: "Pobre animal! 
Pesa-me dizê-lo, mas é a verdade: encontrei num cão o que nunca pude 
encontrar num homem. Quanta lealdade, cuidado, solicitude!". 
Também nos surpreendemos com suas atitudes inteligentes. Em 
"A Gênese", cap. III, itens 11 a 13, de Kardec, lê-se: "... isso 
(a inteligência) é um atributo exclusivo da alma... O animal carniceiro
 é impelido pelo instinto a nutrir-se de carne; porém, as precauções... sua 
previsão... são atos de inteligência".
Hoje, a Etologia, ciência do comportamento, criada por Konrad Lorenz,
 confirma plenamente esse enfoque kardequiano, demonstrando que os
 animais são seres inteligentes. Aliás, com capacidade muito além da que 
supúnhamos. Leia-se, a respeito, entre outros, "O Parente mais Próximo",
 de Roger Fouts, biólogo americano que durante mais de 30 anos
trabalha com chimpanzés, ensinando-lhes a linguagem gestual dos surdos-mudos.
Voltemos a Kardec, "O Livro dos Espíritos", item 597: - "Pois se os 
animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação,
 há neles um princípio independente da matéria? Resposta: Sim, e que
 sobrevive ao corpo".
Muitos são os relatos a esse respeito que consegui inserir em meu livro 
A Questão Espiritual dos Animais, publicado pela FE - Folha Espírita.
 Este me foi transmitido pessoalmente pelo querido confrade Divaldo Pereira
 Franco: Divaldo chegou certa vez a Campo Grande, tendo sido recebido por
D. Maria Edwiges, então presidente da Federação Espírita do Mato Grosso.
 Ao entrar em sua residência, pulou-lhe ao peito enorme cachorro. As pessoas
 que o acompanhavam, sem se aperceberem do que realmente estava 
acontecendo, indagam-no sobre sua inesperada reação. Divaldo responde: 
"Eu me assustei com o cachorro, mas está tudo bem!" Ouve deles
 em seguida: "Que cachorro, Divaldo, aqui não tem cachorro nenhum!", 
ao que ele retruca: "Tem, sim, esse pastor aí!" Percebe então que D. Maria
 Edwiges se emociona ao comentar: "Divaldo, eu tive um pastor, mas 
ele morreu há meses!"
Outro caso que relato, encontra-se originalmente no livro "Testemunhos
 de Chico Xavier", de Suely Caldas Schubert, FEB, onde se lê o seguinte 
depoimento de Chico: "Em 1939, o meu irmão José deixou-me um desses
 amigos fiéis (um cão). Chamava-se Lorde e fez-se meu companheiro...
 Em 1945, depois de longa enfermidade, veio a falecer. Mas, no último 
instante, vi o Espírito de meu irmão aproximar-se e arrebatá-lo ao corpo 
inerte e, durante alguns meses, quando o José, em Espírito, vinha ter 
comigo, era sempre acompanhado por ele... A vida é uma luz que se 
alarga para todos..."
Motivada por tantas evidências, passei a buscar na literatura espírita, 
particularmente nas obras de Kardec, como na ciência acadêmica, 
informações que elucidassem tantas questões sobre a espiritualidade dos 
animais, e as "coincidências" que encontrei são surpreendentes! Por exemplo,
 hoje a ciência admite ser o sistema nervoso, em especial o cérebro, o
 "órgão" (do gregoorganon = meio, recurso, instrumento) de expressão da mente.
 Pois bem, André Luiz, em "No Mundo Maior", cap. 4, informa que: "
O cérebro é o órgão sagrado de manifestação da mente, em trânsito da 
animalidade primitiva para a espiritualidade humana". Também é 
impressionante a correlação que se pode fazer entre o "cérebro trino"
 de Mac Lean, autor clássico na ciência, com a configuração de nossa casa
 mental e sua relação com diferentes partes do cérebro, expressa por
 André Luiz no livro "No Mundo Maior", cap. 3 e 4.
Era a deixa que eu queria, pois como veterinária e espírita acabei encontrando
 um leito para dar fluxo às muitas idéias que pululam na mente de todos nós,
 sobre os animais. Muitos dos temas são ainda tratados como questão, 
isto é, como matéria em discussão, uma vez que existem muitas perguntas
 sem resposta definitiva. São eles: a filogenia do cérebro e da mente, o
 significado do sofrimento nos animais, a presença de figuras animais
 no plano espiritual (a questão da erraticidade, do desencarne e da 
reencarnação), a existência dos "espíritos da natureza", a abordagem ética
 e doutrinária do comer ou não comer carne e a validade do uso de animais
 na chamada zooterapia.
Defendo a tese de que os animais são seres em evolução, tanto orgânica 
quanto espiritual. São nossos companheiros de jornada, merecendo ser
 respeitados e, sobretudo, amados. Como diz o mentor Alexandre, em
 "Missionários da Luz", cap. 4, de André Luiz: "Abandonando as 
faixas de nosso primitivismo, devemos acordar a própria consciência
 para a responsabilidade coletiva. A missão do superior é a de amparar
 o inferior e educá-lo".
Que Jesus abençoe nossos esforços para entender a beleza de toda a criação,
 na qual não devemos nos colocar como destacados senhores, mas, sim, na
condição de Espíritos ainda no aprendizado de primárias lições!
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