sábado, 29 de abril de 2017

A Providência Divina não casa ninguém para ser feliz

Rudy Rafael


Cada vez mais os relacionamentos amorosos entre os humanos fracassam. O ser humano ainda não conseguiu e está longe de conseguir compreender o que é um relacionamento amoroso verdadeiramente em consonância com a Espiritualidade e com seu propósito de vida e este é um dos motivos pelos quais os relacionamentos amorosos fracassam tanto entre os seres humanos. Ainda mais, o tacanho nível de evolução espiritual do ser humano também ajuda para que seus relacionamentos amorosos fracassem tanto. É fracasso atrás de fracasso, é tristeza atrás de tristeza e é solidão atrás de solidão que os seres humanos vivem através de seus relacionamentos amorosos. Tudo o que tem importância na vida do ser humano o ser humano coloca sempre e integralmente sob a tutela dele mesmo e unicamente dependente das coisas materiais e por isto também o ser humano fracassa tanto. O almejado sucesso na vida financeira, o almejado sucesso na vida profissional, o almejado sucesso na vida acadêmica, o almejado sucesso na vida familiar, o almejado sucesso na vida social, o almejado sucesso na vida amorosa e todos os almejados sucessos na vida humana são vistos de fato pelo ser humano como coisas integral e absolutamente independentes do Grande Deus Criador, da Espiritualidade e da Providência Divina.
O ser humano desde pequeno é adestrado para buscar a “felicidade”. Enquanto o ser humano berra ao mundo inteiro que nasceu para ser feliz, que tudo deve ser feito para ele ser feliz e que o sentido da Grande Criação é ele buscar e alcançar a felicidade, a Espiritualidade diz para ele renunciar e esquecer a alegada felicidade. Vê-se assim que os caminhos dos seres humanos e os da Espiritualidade são distintos, eis que o ser humano caminha para buscar e alcançar a felicidade e a Espiritualidade apresenta o caminho da renúncia da alegada felicidade em favor da evolução através do Amor. O ser humano nasce, cresce e vive para ser feliz, os que trabalham com a Espiritualidade não. Para quem trabalha com a Espiritualidade não existe isto de buscar a felicidade e este é um dos motivos pelos quais os seres humanos sofrem tanto e pelos quais os que trabalham com a Espiritualidade vivem em eternamente em paz. O ser humano foi adestrado para achar que precisa ser feliz, como se deixar de ser feliz (“ser feliz” aos olhos humanos) fosse a maior vergonha do mundo e para isto ele vai usar o mundo e as pessoas para realizar seu objetivo de ser feliz. Deixar de alcançar a "felicidade" se tornou motivo de tristeza, angústia e depressão em um universo onde o simples respirar já deveria ser motivo de alegria.
Em busca de seu objetivo de ser feliz o ser humano usa tudo e todos ao seu redor para conseguir alcançar tal fim; usa seus pais para lhe sustentar e prover sua subsistência, usa o sistema de educação para alavancar suas possibilidades financeiras, usa as pessoas das mais diversas formas e usa inclusive as pessoas com quem se relaciona amorosamente para “ser feliz”. Começa então o grande erro pelo qual os relacionamentos amorosos entre os seres humanos fracassam tanto: as pessoas acham que a pessoa com quem se relacionam está ali para lhe “fazer feliz”, o que é uma tremenda tolice. A Providência Divina não faz espírito algum encarnar como ser humano no planeta Terra para ser feliz e se a Providência Divina não faz espírito algum encarnar como ser humano no planeta Terra para ser feliz, muito menos fará alguém encarnar como ser humano no planeta Terra para fazer outros felizes. Não existe propósito espiritual em viver para buscar ser feliz e em ser feliz, muito menos naquilo que os humanos compreendem como “ser feliz”. Ser feliz não faz um espírito melhor, mas ser “infeliz” sim e o que importa é a evolução espiritual, não o mero estado efêmero da “felicidade”. A “felicidade” almejada pelos seres humanos é meramente a satisfação de seus sentidos físicos, assim como os animais vivem.
Ninguém “nasce para ser feliz”, “para ter sucesso” ou para “se dar bem na vida”; este tipo de mentalidade é meramente humana e não tem coisa alguma a ver com a Espiritualidade. Pessoa alguma nasce para ser feliz, para ter sucesso ou para se dar bem na vida, mas todos nascem para evoluir espiritualmente. Assim como pessoa alguma nasce para ser feliz, pessoa alguma nasce para fazer outra pessoa feliz. Espiritualmente casal algum se forma para “ser feliz” ou para um fazer o outro feliz. Esse tipo de felicidade que o ser humano busca não tem propósito algum para o plano de evolução espiritual de pessoa alguma. A relação amorosa humana que conta com o aval da Espiritualidade e pela qual a Providência Divina trabalha com os espíritos naquilo que eles têm que trabalhar em seu plano de vida através de um relacionamento amoroso é o casamento. O casamento é a divina manifestação da vontade da Espiritualidade no que diz respeito à união de um homem e de uma mulher. O casamento é a maior relação humana que existe, pois é a única relação que mantém dois espíritos ligados até o momento da transição de um deles para o mundo dos mortos. Espiritualmente não há divórcio e o compromisso do casamento assumido perante a Espiritualidade deve ser honrado. Divórcio é grande dívida para com a Espiritualidade.
O homem e a mulher que decidiram assumir o compromisso do casamento para o mundo humano e para a Espiritualidade devem ter ciência que caso queiram cumprir o que vieram cumprir no planeta Terra em tal vida enquanto encarnados e caso não queiram ter que compensar coisa alguma com a Grande Criação, deverão manter a união até que a morte os separe, independentemente de ser feliz ou não, independentemente de serem traídos ou não e independentemente de qualquer coisa. A partir do momento em que se casa deve-se suportar tudo, seja a infelicidade, a traição ou o que for. A partir do momento em que se casa um compromisso é firmado no mundo espiritual e esse compromisso não pode ser desfeito. Não importa para a Espiritualidade se em um casamento alguém está sendo infeliz (lembrando que a tal “infelicidade” é um conceito humano do qual a Espiritualidade não está refém), se está sendo traído (a “dor da traição” é um sofrimento e a Espiritualidade também vem para libertar o homem dos sofrimentos) ou qualquer outra coisa, para a Espiritualidade a única coisa que importa é se o homem e a mulher conseguiram manter o casamento até que a morte os separou; este é o desafio e onde está o desafio está o aprendizado. Quando se aprende a suportar aprende-se a renunciar a si.
Casais se formam pela Espiritualidade para que haja o aprendizado do perdão, da tolerância, do sacrifício, do companheirismo, da renúncia, da paciência, da supressão do orgulho e do Ego e principalmente do Amor incondicional. O Amor incondicional é o verdadeiro Amor a ser aprendido pelo ser humano. O Amor incondicional é o único e verdadeiro Amor e em um relacionamento amoroso ele ocorre quando um faz algo pelo outro sem esperar coisa alguma em troca e quando se perdoa tudo. O Amor incondicional não tem limites. O casamento faz com que o homem e a mulher tenham um acordo no mundo material e no mundo espiritual onde resta claro que ficarão juntos até que a morte os separe e neste tempo a Providência Divina vai trabalhar com o casal, pois quando um homem e uma mulher casam eles dão a autorização formal para que a Espiritualidade haja neles através do casamento, eis que o casamento é uma instituição espiritual que foi recebida no mundo material. O casamento não ocorre do mundo material para o mundo espiritual, mas do mundo espiritual para o mundo material. A função do casamento não é fazer pessoa alguma feliz; a função do casamento é fazer com que os espíritos que decidiram se casar aprendam a renunciar a si em favor de algo maior: o casamento.
Nos relacionamentos amorosos com o aval da Espiritualidade, os quais realmente trarão a felicidade plena, não existe isto de um só ser fiel se o outro também for fiel, de um só ser leal se o outro também for leal, de um só ser companheiro se o outro também for companheiro, de um só fazer algo se o outro também o fizer e de um só fazer a sua parte se o outro também o fizer. Casamento é lição da Espiritualidade e espiritualmente a única responsabilidade que um espírito possui é sobre si. Uma pessoa não pode impedir que a outra pessoa lhe seja infiel, desleal ou lhe faça qualquer mal, a única coisa que uma pessoa pode fazer é escolher como vai agir com quem lhe for infiel, desleal ou lhe fizer algum mal. Uma pessoa não será julgada pela Espiritualidade porque outra pessoa lhe foi infiel, desleal ou lhe fez algum mal, mas será julgada pelo que escolheu fazer quando alguém lhe foi infiel, desleal ou lhe fez algum mal. Pessoa alguma está encarnada para controlar as condutas das outras pessoas, mas sim para escolher o que fazer em relação às condutas das outras pessoas e a mesma coisa é com o casamento. Dissolver o casamento porque alguém lhe foi infiel, desleal ou lhe fez algum mal não faz de pessoa alguma alguém melhor, mas perdoar e manter o compromisso do casamento sim.
O atraso espiritual do ser humano lhe faz ver o relacionamento amoroso como um eterno “toma lá, dá cá”, sempre fazendo com que um exija do outro a parte que lhe cabe para poder realizar a sua parte, mas espiritualmente não funciona assim, pois os sentimentos verdadeiros sempre são desacompanhados de intenção. Pessoa alguma tem o controle sobre o livre arbítrio de outra pessoa, pelo que não responderá espiritualmente pelo que qualquer pessoa fez ou deixou de fazer. Nisso, em um relacionamento amoroso não se pode em momento algum cobrar qualquer coisa da outra pessoa no que diz respeito ao relacionamento, pois a conduta da outra pessoa não está na sua esfera de responsabilidade. A única responsabilidade de uma pessoa para com Espiritualidade em relação a um relacionamento amoroso diz respeito a ela cumprir a sua parte e ao modo como ela agirá com a outra pessoa em razão de suas condutas. Uma pessoa não responderá espiritualmente pela traição de seu cônjuge, mas responderá espiritualmente por sua traição, pela forma como escolheu agir com seu cônjuge ao saber que foi traída e por ter escolhido se divorciar ao saber que foi traída. Não há motivo algum que justifique o divórcio para a Espiritualidade.
A Espiritualidade só permite que um casal fique junto para meramente ser feliz quando ambos são seres absolutamente atrasados espiritualmente e ambos não têm capacidade alguma para aprender qualquer lição maior do que aprender a viver junto. Tais pessoas, então, sendo incapazes de aprender a tolerar, a perdoar, a calar e a amar não podem viver relacionamentos amorosos que lhes chamem à tolerância, ao perdão, ao calar e ao amar; precisam viver relacionamentos “perfeitos” (“perfeitos” aos olhos humanos) onde tudo sairá bem, pois não conseguiriam lidar com lições maiores. A Providência Divina dá a lição que cada um consegue compreender e aprender. Não adiantaria fazer uma pessoa incapaz, por seu desenvolvimento espiritual retardado, de tolerar, perdoar, calar e amar ter que vivenciar aquilo que ela não conseguiria compreender. Assim, é preciso que os seres humanos compreendam que tudo aquilo que vivem de “negativo” em seu relacionamento amoroso é algo que eles mesmos conseguem transcender. Se uma pessoa é traída, é porque ela é capaz de perdoar e tudo aquilo que uma pessoa passa em seu casamento é porque ela é capaz de transcender. Casamento não é para ser feliz, é para aprender a ser alguém melhor. Quem é incapaz de perdoar tudo de seu cônjuge é incapaz de amar a humanidade.
A verdadeira felicidade é a que vem da Espiritualidade e a felicidade que vem da Espiritualidade tem a ver com o cumprimento da missão, com fazer aquilo que tinha se proposto ou que se estava destinado a fazer. Em um casamento a verdadeira felicidade não decorre de um casamento perfeito aos olhos humanos onde um faz o outro integralmente feliz o tempo todo, onde um é integralmente fiel e leal ao outro, onde um satisfaz todas as vontades do outro e onde um faz tudo aquilo que o outro quer da forma como o outro quer. Casamentos “felizes” não fazem de pessoa alguma alguém melhor para si e para o mundo. Em um casamento a verdadeira felicidade está em saber que se está cumprindo o que se assumiu perante à humanidade e à Espiritualidade. A verdade felicidade em um casamento é saber que não se desistiu e que se está honrando a palavra que foi dada aos homens e à Espiritualidade de que se ficaria com a outra pessoa até que a morte separe. A verdadeira felicidade em um casamento é o próprio casamento e a sua manutenção. Essa é a felicidade plena, que independe de fatores externos e que continuará após o fim da vida. Felicidade é partir deste mundo sabendo que partiu dele sem se divorciar. Todo divórcio é uma dívida a ser paga. Viver com um divórcio é ter a certeza de já nascer devendo.

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