segunda-feira, 8 de maio de 2017

ATITUDE DE UMA SÁBIO - a espiritualidade é amor



UM HOMEM OFENDE UM SÁBIO
Um sábio hindu muito famoso estava ensinando a um grupo de discípulos. Sem qualquer aviso, um homem aparece diante de todos com um semblante de muita raiva. Ele aponta o dedo para o sábio e diz em voz alta:
– Eu não gosto de você! Todos aqui te amam, mas eu te odeio. Você é desprezível! Você é mentiroso! Além de ser feio… você é burro! Pessoas como você apenas enganam as outras. Quer parecer muito sábio, mas não passa de um ignorante! Você é um sonhador insignificante!
O homem lançou estes insultos contra o sábio e depois se retirou.
Os discípulos ficaram chocados com o atrevimento do homem. O sábio viu o homem sair, olhou para os discípulos e simplesmente disse:
– Então, como eu ia dizendo a respeito do Bhagavad Gitá…
Um dos discípulos interrompeu o sábio e perguntou:
– Mestre… Você não ouviu o que este homem falou? Ele te ofendeu de várias formas. Você não ficou chateado quando ele disse, por exemplo, que você era desprezível?
O sábio calmamente olhou para o discípulo e disse:
– Se eu quisesse ser grande, sim… eu teria me chateado com o que ele falou. Mas como eu não tenho qualquer desejo de ser grande, eu não me importo quando alguém diz que sou pequeno ou desprezível.
O discípulo entendeu a resposta, mas ainda não estava satisfeito e perguntou:
– Mas mestre… ele também disse que você é burro!
– Sim… e dai? – respondeu o sábio – Se eu desejasse ser inteligente ou parecer inteligente, sim… eu ficaria bravo com o que ele disse. Mas como não tenho nenhum desejo de ser inteligente e tampouco quero parecer inteligente diante de outras pessoas… eu simplesmente não ligo para isso.
O discípulo compreendeu a ideia transmitida pelo mestre. O sábio continuou:
– Busquem compreender essa verdade… Esse homem veio aqui e me chamou de feio, mas eu só ficaria ofendido, bravo ou magoado se eu quisesse ser bonito. Mas como não tenho nenhuma vontade, desejo ou expectativa de ser bonito, eu não dou a mínima para aqueles que me chamam de feio ou acham que sou feio. O mesmo ocorre com tudo na vida. Uma pessoa só fica triste quando dizem que ela não é boa quando ela deseja ser boa; só fica ofendida quando lhe chamam de ignorante quando ela quer muito ser ou parecer inteligente; só fica irritada quando lhe chamam de chato, quando ela quer muito ser ou parecer legal aos olhos dos outros. Quanto mais alguém deseja ser ou parecer algo, mais sofre por não ser esse algo ou por dizerem que ele não é.
No entanto, aquele que não se importa em ser bonito ou feio, grande ou pequeno, bom ou mau, sábio ou ignorante, ou qualquer outra coisa… esse não se ofende, não se entristece, não se deixa abater por nada. Entendam, ó discípulos, que essa é uma das raízes do sofrimento humano: o desejo de ser ou de parecer algo a alguém. Aquele que se liberta disso… está pronto para viver em paz consigo mesmo para sempre.
(Hugo Lapa)

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