segunda-feira, 8 de maio de 2017

VOCÊ É UM ZUMBI?


Não por acaso a lenda relacionada aos zumbis tomou tanta força nos dias de hoje. Zumbis são personagens fictícios que frequentemente aparecem em filmes, desenhos e séries do cinema e da televisão.
A principal característica dos zumbis é sua ausência de alma, de pensamento, de raciocínio. Zumbis são seres autômatos, sem alma, cujo comportamento é instintivo, grosseiro, e que vivem com raiva. São hostis a todos e estão sempre entrando em conflito com aqueles que aparecem diante deles. Quando veem um ser humano normal, eles desejam devora-lo, principalmente seu cérebro. O apetite dos zumbis parece ser insaciável, nunca se satisfaz, estão eternamente com fome e sempre buscam algo mais que possa ser devorado.
Essa lenda contemporânea nada mais é do que uma metáfora de como funciona o ser humano que vive na modernidade. O que é o ser humano senão um autômato que vive no piloto automático apenas satisfazendo seus instintos mais grosseiros? O que é o ser humano senão alguém que perdeu sua alma, que vive irritado, tenso e apenas responde aos estímulos externos? O homem moderno vive num estado de permanente competição. Ele quer sempre ser o destaque, ser o melhor, ser apreciado por todos. Deseja o sucesso a todo custo. Quer que seu ego se sobressaia diante dos outros.
Essa condição competitiva, quando levada ao extremo, pode fazer com que uma pessoa deseje destruir as outras, para ela mesma chegar ao topo. Por isso, se diz que o zumbi deseja comer o cérebro do outro. Devorar o cérebro alheio significa destruir a capacidade de pensar e agir do outro, para que ele mesmo, o zumbi, possa ser o destaque. Alimentar-se do cérebro é tentar demonstrar a todo momento que ele está certo e o outro errado. É a tentativa sistemática de desmerecer o outro, de desprezar a capacidade intelectual do outro. Como o zumbi não pensa, ele também não deseja que ninguém pense, que ninguém use seu cérebro para ser melhor do que ele, para pensar de forma mais eficaz do que ele.
O ódio dos zumbis os leva a tentar de todas as formas devorar o outro no âmbito da competição, puxando seu tapete, armando para ele, fazendo fofocas, ou usando qualquer artifício que possa destruí-lo, humilha-lo ou rebaixa-lo de alguma forma. Dessa forma, o zumbi prevalece. Os zumbis andam sempre em manada, em grupo, sem saber para onde vão. Como eles não tem força sozinhos, por si mesmos, sua força vem do grupo. Um idiota não faz verão, mas muitos idiotas unidos conseguem fazer um certo barulho. Como eles vivem pelo prazer imediato, dificilmente conseguem ver a longo prazo, ou enxergar algo além. Tampouco sabem de onde vieram, pois perderam sua memória para se agarrar a brevidade de cada momento de satisfações quiméricas.
Quantas vezes não assistimos seres humanos inovadores, criativos, revolucionários sendo destruídos pelos ignorantes que não desejavam aceitar certas transformações que uma pessoa especial vinha trazer? Por outro lado, zumbis também são muito fáceis de serem manipulados. Como eles não pensam, qualquer pessoa que lhes apresente soluções prontas e acabadas, fáceis de se realizar para suas vidas, eles logo se agarram a isso com unhas e dentes, criam sistemas de controle, regras rígidas ou a ausência de regras, tornam-se fanatizados e dogmatizados pelas religiões e seitas, e trilham cegamente por um caminho onde alguém terá que lhes mostrar como é a “salvação”. Eles querem a todo custo que um ser superior lhes salve, pois eles mesmos não se empenham em sua própria salvação. Querem ser perdoados por Deus, pois eles mesmos não conseguem se perdoar pelos seus erros; querem que alguém lhes indique um caminho, pois eles mesmos se fizeram cegos por não querer enxergar a realidade.
Pessoas que vivem como zumbis vivem no chamado “piloto automático”. Elas já não vivem mais suas vidas, elas apenas existem. Caminham adormecidas pelos recantos do mundo, hipnotizadas por um sono profundo de medos, incertezas e pressa. Elas não observam a natureza, não sentem a vida, mas respondem aos estímulos, e apenas reagem de forma cega e irrefletida ao meio ambiente imediato. Pessoas zumbis vivem num estado de permanente tensão. De tanto que elas se machucaram com o meio ambiente, agora tentam se proteger dele; criam uma capa ou casca protetora, e passam a não mais sentir a vida e o outro. De tanto que se decepcionaram, trancam seus sentimentos, tomam milhares de medicamentos para não mais sentir a si mesmos e seus anseios mais profundos, assim podem ser “produtivos” para ganhar dinheiro e sobreviver na selva da vida humana.
Zumbis vivem no piloto automático, robotizados, seguindo sempre um programa prévio, que roda incessantemente, sempre da mesma forma. São incapazes de mudar comportamentos, de alterar suas crenças, de fazer coisas muito diferentes. São como gravadores ambulantes tocando sempre a mesma melodia desafinada, sintonizada no chiado do rádio de sua consciência turbulenta e cheia de desejos insatisfeitos criados artificialmente.
Eles não se perguntam quem são, o que estão fazendo aqui na Terra e nem procuram um significado mais profundo para sua existência. Quanto menos souberem, melhor, pois menos o conhecimento profundo poderá modificar suas vidas padronizadas. Preferem shoppings lotados de gente consumindo e gastando do que passeios pela natureza, com os animais, os rios e os mares. De vez em quando eles se encontram num sono tão profundo que caem no chão. Essa queda pode ajudar a acordar alguns deles, que se encontram fatigados de tanto existir sem uma alma, sem contato com sua essência. Outros, no entanto, caem e ficam ainda mais irritados, mais violentos, reforçam seu lado destruidor e carniceiro. A maioria dos zumbis costuma ser bastante apegada, presa, dependente, submetida, bloqueada, fixada e cheia de vínculos negativos. São vampiros que não têm mais sangue e vitalidade correndo em suas veias, e por isso, desejam extrair a vitalidade de outros, se apegam aos outros, passam a depender dos outros, entram numa simbiose onde tentam extrair o néctar vital da alma do seu parceiro, filho, irmão, amigo, etc.
A pergunta que se faz aqui é: você tem agido como um zumbi, ou você está mantendo contato com sua alma, sua essência, seu espírito? Pare um pouco e reflita sobre isso.
Não seja como um zumbi. Acorde para a vida e torne-se uma pessoa de verdade, um homem e uma mulher livre, aberto e feliz. Comece a se ligar a sua essência mais profunda, ao centro do seu coração, aquilo que existe de mais essencial dentro de você. Quem se afasta de sua essência, de sua alma, vira um zumbi; mas aqueles que estão ligados ao seu interior mais profundo, esses se libertam de tudo e começam a trilhar o caminho da eterna felicidade.
(Hugo Lapa)

Nenhum comentário:

Postar um comentário