terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A esquizofrenia tem cura ou não?

Às vezes, o que uma pessoa precisa não é de uma mente brilhante que lhe fale, e sim de um coração paciente que lhe escute.
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O jornalista investigativo Robert Whitaker conta que, durante muito tempo, a Lapônia Ocidental (Finlândia) tinha as taxas mais altas de esquizofrenia entre a sua população.Para termos uma ideia, ali moram umas 70.000 pessoas, e na década de 1970 e princípios de 1980, todo ano se davam vinte e cinco ou mais novos casos de esquizofrenia, o dobro ou triplo que no resto da Finlândia e da Europa.
No entanto, Yrjö Alanen chegou ao hospital psiquiátrico de Turku (Finlândia) em 1969. Naquela época, eram poucos os psiquiatras que acreditavam na possibilidade da psicoterapia como tratamento para as psicoses.
Alanen pensava que as alucinações e os delírios paranoides dos pacientes esquizofrênicos, quando eram analisavam cuidadosamente, mostravam histórias com sentido.
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Assim, começaram a escutar os pacientes e as suas famílias. Criaram uma nova modalidade de tratamento que se denominou “Terapia Adaptada às necessidades dos pacientes”. No entanto, não se esqueceram de que cada pessoa é um mundo e fomentaram, por sua vez, a criação e adaptação de tratamentos específicos para cada caso.
Alguns pacientes teriam que ser hospitalizados, mas outros não. Além disso, alguns pacientes poderiam se beneficiar de doses baixas de psicofármacos (ansiolíticos ou antipsicóticos) e outros não.
uma mente brilhante
Assim, como vemos, personalizavam e trabalhavam de maneira minuciosa cada caso, tornando-se conscientes das necessidades de cada pessoa e de cada família. Claro, as decisões sobre o tratamento eram conjuntas, valorizando cada opinião na medida adequada.
As sessões de terapia não giravam em torno da diminuição dos sintomas psicóticos, mas focavam nos êxitos e conquistas anteriores do paciente, procurando assim fortalecer o controle sobre a sua vida.
Desta maneira, o paciente não perde a esperança de ser como os outros, de manter uma normalidade e de conseguir ver mais além em vez de isolar-se.
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Durante os últimos anos, a terapia Diálogo Aberto transformou o “ quadro da população psicótica” na Lapônia Ocidental. O gasto nos serviços psiquiátricos da região se reduziu enormemente e, na atualidade, é o setor com menor gasto em saúde mental  de toda a Finlândia.
Os 25 novos casos de esquizofrenia ao ano se transformaram em somente 2 ou 3 casos anuais.
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O que está claro é que as coisas podem ser feitas de outra maneira. Há outros tipos de tratamentos para as pessoas com esquizofrenia ou outras psicoses que garantam una vida diferente da que estamos acostumados a lhes proporcionar.
Submetemos os pacientes a terapias farmacológicas agressivas, eletrochoques e compaixão, muita compaixão. Não nos esqueçamos da pena, do medo e do desprezo que enchem os olhares que atribuímos a eles. Se somarmos isso, podemos colocar a mão no fogo pelo fracasso. E não nos queimamos.
Por isso, lembrem-se, sempre há melhores maneiras de agir. Entretanto, se como sociedade nos sentimos doentes, não conseguiremos ver que há uma luz maravilhosa no fim do túnel para todos.

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