sábado, 13 de janeiro de 2018

Boas garotas não abrem as pernas – Womanspreading

Pat Cuocolo
Escrito por Pat Cuocolo
Outro dia vi um vídeo do PlayGroundBr no Facebook que me causou furor!
Dizia:
“Entre as pernas da mulher se esconde algo poderoso… A vagina. Tão poderoso que até o século XIX não tinha permissão para tocar violoncelo!”
Fiquei sabendo também que não era permitido tocar flauta e nenhum instrumento de sopro, pois era indigno e inapropriado para uma dama. O único instrumento apropriado era o piano, que possibilitava a postura do recato. Hum, imagina quantas fantasias poderíamos suscitar se puséssemos um instrumento na boca ou abríssemos as pernas para tocar violoncelo? A era vitoriana não permitia. Podiam perder o controle e o domínio sobre nós! Então, boca fechada e pernas fechadas! Era necessário manter a ordem. Para isso, precisavam nos manter caladas, com o menor grau possível de movimentos corporais. Porque se colocássemos os nossos pensamentos a andar, o que aconteceria? Amputadas de nosso maior poder, o movimento, fomos amordaçadas de alma e corpo, e a nossa palavra e ação, subjugadas. Você já percebeu como é fácil desistir dos seus sonhos? Como somos capturadas por valores que nos fragmentam, nos dividem? Como somos cruéis com o nosso corpo? Quantas vezes o excluímos e rejeitamos?
Mulheres como Isadora Duncan são ícones da revolução mais importante feminina: a libertação do corpo. Precursora da dança moderna, ela propôs uma dança livre de espartilhos, meias e sapatilhas de ponta, apresentando-se com trajes esvoaçantes, cabelos soltos e pés descalços.
Na minha visão, a maior cura feminina está em tornar carne os nossos pensamentos impalpáveis. Trazer para o corpo, para a nossa expressão tudo aquilo que é repressão. Na minha visão, a raiva feminina que muitas vezes nos deixa cegas até o ponto de destruirmos relações, tem essa origem: a repressão da expressão que não pode se tornar carne.
Mulheres, sejam testemunhas de outras mulheres! Que possamos encorajar umas às outras a materializarmos as nossas palavras, sonhos, fantasias, a tocarmos os nossos corpos sem medo, a descobrirmos as nossas zonas de prazer e os nossos movimentos criativos no mundo.
O sexo feminino sempre foi visto como uma fonte escondida e misteriosa pelo patriarcado e isso ficou profundamente arraigado no inconsciente coletivo de todos nós, mulheres e homens. Permita-se lambuzar de prazer seja ele de qual natureza for.
O prazer está batendo à sua porta. Deixe-o entrar.

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