quinta-feira, 9 de maio de 2019

Morte cerebral ou morte encefálica: o que é?

Morte cerebral ou morte encefálica: o que é?
O que é morte cerebral?
Morte cerebral, mais corretamente chamada de morte encefálica, corresponde à perda total, definitiva e irreversível das funções do tronco cerebral, que faz parte do encéfalo. O encéfalo, por sua vez, é constituído pelo diencéfalocérebrocerebelo e tronco encefálico, onde estão o mesencéfalo, a ponte e o bulbo. O tronco cerebral é a sede das estruturas nervosas que controlam as funções que mantêm vivo o indivíduo, como pressão arterial, batimentos cardíacos, atividade respiratória e nível de consciência. A morte encefálica é, na verdade, um novo conceito de morte, baseado no conceito de estado de coma irreversível. Mas a morte cerebral não é a mesma coisa que o estado de coma. No estado de coma as funções cerebrais estão ativas; na morte cerebral há a perda definitiva das funções neurológicas do cérebro.
Esse novo conceito de morte tem implicações e causa discussões nos níveis biológico, jurídico, filosófico e religioso.
Quais são as causas da morte cerebral?
Toda agressão ao encéfalo pode afetar finalmente o tronco cerebral e alterar ou paralisar as funções vitais. A lesão do encéfalo pode ser causada por um problema primário dessa estrutura ou ser a via final de uma agressão isquêmica, anóxica ou metabólica consequente de uma enfermidade sistêmica. De uma forma mais concreta, pode-se apontar como causas da morte cerebral as mesmas causas do estado de coma: traumatismos cranianos, falta de oxigênio no cérebro, parada cardiorrespiratória, acidente vascular cerebralinchaço no cérebro, tumores, overdose de drogas, falta de glicose no sangue e edema cerebral.
Como o médico diagnostica a morte cerebral?
Um paciente é dito em morte cerebral quando apresenta ausência total de reflexos, sendo sustentado somente pela ajuda de aparelhos. Assim, há ausência da respiração, ausência de reação a estímulos dolorosos, pupilas não reagentes e eletroencefalograma (EEG) isoelétrico (sem apresentar ondulações). Não deve haver hipotermia e hipotensão. O paciente em morte encefálica pode, eventualmente, realizar movimentos involuntários devidos à atividade reflexa medular.
diagnóstico de morte cerebral fundamenta-se em exame clínico neurológico que confirme a falência do tronco cerebral. Muitos países dispensam exames complementares, mas outros os exigem. Os exames de eletroencefalogramaarteriografia, doppler, cintilografia, etc., utilizados hoje em dia, usados isoladamente sem exame neurológico não bastam para confirmar o diagnóstico.
Durante os testes de morte encefálica o ventilador e os demais medicamentos que mantêm o indivíduo respirando e o coração batendo continuam a ser utilizados, mas não interferem na determinação da morte encefálica. O exame clínico deve ter a causa conhecida do estado de coma e o paciente não deve estar em condição que mascare ou interfira no exame clínico, como uso de drogas sedativas, distúrbios metabólicos ou hipotermia e não deve ter resposta a estímulos verbais, visuais e dolorosos, mesmo se intensos. O exame mostrará as pupilas fixas; não há reflexo oculocefálico ou corneano e os olhos ficam fixos quando a cabeça é girada; também não há reflexo oculovestibular em ambos os ouvidos. Em estado de morte encefálica o paciente não respira espontaneamente.
No Brasil, o protocolo que apura essas condições deve ser repetido por outro médico em um intervalo mínimo de seis horas e é obrigatória a utilização de exames complementares. Uma vez repetido o protocolo e obtendo-se o mesmo resultado, encerra-se a fase clínica e passa-se aos exames complementares.
Como evolui a morte cerebral?
O paciente em morte cerebral pode ser mantido "vivo" pelo tempo que a família desejar, enquanto os aparelhos médicos de sustentação se mantiverem ligados. Em geral, os pacientes em morte cerebral evoluem em cerca de uma semana ou mais para parada cardíaca espontânea, mesmo com a utilização de respiradores mecânicos e administração da terapia convencional.
Uma vez feito o diagnóstico de morte encefálica, o indivíduo é declarado legalmente morto e se ele manifestou em vida o desejo de doar seus órgãos ou se a família o expressou posteriormente, os órgãos sadios então podem ser retirados. Se for o caso, é desejável que ele tenha sido mantido por aparelhos pelo menor tempo possível.

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