quinta-feira, 9 de maio de 2019

Trepanação: o que é e para que serve?

O que é trepanação?

Trepanação (do grego: trupanon = broca) é a intervenção cirúrgica que consiste em fazer uma perfuração regular em qualquer osso, com um trépano, que é uma espécie de broca neurocirúrgica. Na medicina atual, o termo trepanação é usado principalmente para se referir a um ou mais orifícios no crânio com finalidades terapêuticas. Mas não foi sempre assim.
No passado, a trepanação foi praticada com objetivos filosóficos, religiosos e místicos. Há evidências de que a trepanação tenha estado presente desde o período mesolítico e em quase todas as culturas antigas encontram-se cadáveres com sinais de trepanação. No museu geológico de Lisboa, encontram-se expostos crânios desse período, assim marcados, com um pequeno sol desenhado em redor do orifício, sugerindo uma prática ritual. Na França foi encontrado um crânio trepanado datado de cerca de 5000 a.C. Ainda hoje, a trepanação é realizada cerimonialmente em certas tribos africanas. Assim como as sangrias, a trepanação era um procedimento muitas vezes realizado com o objetivo de eliminar os maus espíritos e demônios do corpo do paciente, mas sem nenhum significado terapêutico prático.

Por que fazer uma trepanação craniana?

A trepanação craniana faz-se, principalmente, para descomprimir o cérebro. Vários procedimentos neurocirúrgicos podem ser realizados através de um orifício de trepanação, como ventriculostomia endoscópica, drenagem de hematomas subdurais, propedêutica neurocirúrgica, descompressão microvascular, cirurgias estereotáxicas, etc.
Uma trepanação única serve para se criar uma abertura por onde se pode drenar um hematoma intracraniano ou se inserir um cateter. Numa craniotomia, várias trepanações são feitas para se criar os vértices do polígono ósseo que deve ser retirado do crânio, seccionado por uma serra especial, a partir desses furos.

Como é feita a trepanação?

O furo da trepanação craniana é feito com uma boca cirúrgica, instrumento inventado pelo neurocirurgião francês Paul Broca. Ele consta de um pino giratório cortante, movido à eletricidade, que produz furos de 2 a 5 centímetros de diâmetro. Durante a trepanação, utiliza-se soro fisiológico para resfriar a ponta da broca e para umidificar o pó de osso, de modo a torná-lo fácil de ser recolhido do local, uma vez que ele pode vir a ser usado para fechar novamente o orifício. Se a irrigação não for adequada, haverá liberação de calor, alterando a vitalidade e a viabilidade ósseas e mesmo necrose do material.
Várias técnicas e materiais são utilizados para ocluir os orifícios produzidos pela trepanação, depois de realizado o procedimento médico em causa. Os materiais usados podem ser autólogos (pó do próprio osso perfurado, músculo, aponeurose, periósteo e gordura, por exemplo) ou heterólogos (placas e parafusos de titânio, cera para osso, gelfoam, botão de silicone, cerâmica de hidroxiapatita, etc.).
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Quais são as complicações possíveis da trepanação?

O material ósseo desvitalizado pelo aquecimento, usado para tentar ocluir os orifícios, pode predispor à infecção e/ou reabsorção no pós-operatório. A seguir, deve-se administrar profilaticamente um antibiótico e deixar o resíduo ósseo em local separado, até ser reutilizado.
Nas trepanações isoladas há uma dificuldade técnica para suturar e fechar a dura-máter que se encontra no fundo de um orifício pequeno, o que favorece a formação de uma fístula liquórica e o escape de líquido cefalorraquidiano.
Alguns dos materiais heterólogos de fechamento podem apresentar reação de corpo estranho que exija a utilização de corticoides ou a retirada deles.

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