sexta-feira, 2 de agosto de 2019

AUGUSTO PINOCHET-O MAIOR E MELHOR PRESIDENTE DO SECULO XX





1 Terrorista em Washington

Al Qaeda? A KGB? A inteligência cubana? O regime comunista da Coreia do Norte? Não, o primeiro atentado terrorista internacional com bomba e saldo de mortos na História da capital dos EUA não foi da autoria desses grupos ou serviços secretos. O autor foi o ditador chileno Augusto Pinochet, que derrubou o presidente Salvador Allende em 1973. Em 1976 Pinochet ordenou o assassinato do ex-chanceler de Allende, Orlando Letelier – que estava no exílio – com uma bomba sob seu carro a menos de 20 quarteirões da Casa Branca, no Sheridan Circle, em Washington. Na explosão também morreu a secretária de Letelier, Ronni Moffit.

2 Miliates e mulheres
A ditadura pinochetista foi especialmente cruel com as prisioneiras: a Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura, indicou que, de um total de 3.621 mulheres detidas, 3.399 foram estupradas de forma individual ou coletiva pelos militares. Destas, pelo menos treze mulheres ficaram grávidas. E delas, seis deram à luz os filhos indesejados de seus torturadores. Os militares chilenos também colocaram ratos vivos dentro das vaginas das prisioneiras. Além disso, utilizaram cachorros (pastores alemães e mastins) para violar as prisioneiras.

3 A rede de pedofilia nazista autorizada por Pinochet
Em 1961 o alemão Paul Schaefer, um pregador evangélico pedófilo que havia integrado o partido nazista em Sieburg nos anos 30 e 40, fugiu da Justiça alemã e migrou para o Chile, onde, acompanhado por dezenas de seguidores, criou a "Sociedade Beneficente Dignidade" na região de Maule. Schaefer fez da "Colônia Dignidade" seu feudo pessoal, uma espécie de pequeno país-igreja que continha em seus 17 mil hectares uma escola, padaria, um hospital, moradias, áreas de plantação, cinco empresas (que funcionaram fora da legislação trabalhista e tributária do Chile durante décadas), além de uma rede secreta de túneis e bunkers. A colônia, protegida por cercas de arame farpado, havia ficado de fora de todos os censos realizados no Chile. Os habitantes tinham um contato mínimo com o exterior e eram doutrinados constantemente. As relações sentimentais estavam controladas por Schaefer e só podiam acontecer após sua autorização. Crianças dos camponeses da área de fora da Colônia eram entregues a Schaefer, que prometia a seus pais que seus filhos teriam "educação gratuita". Mas, em vez de educação, eram sodomizados pelo ex-cabo nazista. A partir do golpe de 1973, protagonizado pelo general Augusto Pinochet, amigo de Schaefer, o lugar transformou-se em um centro clandestino da DINA (o serviço secreto do regime). Ali foram detidas e torturadas centenas de prisioneiros. O estabelecimento também foi usado para a fabricação clandestina de gás sarin, que a ditadura utilizava em pequenas doses para realizar atentados contra exilados políticos no exterior. Em 1990 o governo Pinochet acabou e também a proteção de Schaefer, que anos depois foi julgado e condenado à cadeia.


4 Violações dos direitos humanos
Em 2010 – durante o primeiro governo de Sebastián Piñera – a Comissão Valech determinou que entre 1973 e 1980 o regime de Pinochet deteve e torturou pelo menos 40.018 civis. Desse total, segundo o relatório, 3.065 civis foram assassinados.

5 Genocida cultural
Pinochet ordenou a queima de dezenas de bibliotecas, ação que nos últimos anos os historiadores começaram a classificar de "genocídio cultural". O próprio regime, em 1988, admitiu a queima de 15 mil livros, mas especialistas sustentam que foi muito mais. Um dos casos mais emblemáticos foi a queima de livros sobre o estilo da pintura "cubismo", pois os militares achavam que tinha a ver com a "Cuba comunista".

6 Cor de rosa e sem mão esquerda
Durante o governo militar os editores do jornal chileno La Nación iam constantemente à gráfica para verificar se Pinochet sempre aparecia "rosadito" (cor-de-rosinha) nas fotos. Todas as fotos deviam exibir o ditador com boa aparência. Além disso, a paranoia com qualquer sinal de suposta "esquerdice" era tão grande que uma vez retiraram de todas as bancas, às pressas, uma edição que tinha uma foto na qual o ditador aparecia saudando um grupo de simpatizantes com a mão esquerda.  Levantar essa mão, eles consideravam, não ficava bem para um emblema do anti-comunismo.

7 Privatizações para todos (menos para os militares)
Em 1980, Pinochet privatizou as aposentadorias dos chilenos, incluindo a dos funcionários públicos. Pinochet, que além disso havia feito várias privatizações de empresas estatais, despontava como um emblema do neoliberalismo na região. O regime prometia que os aposentados receberiam o equivalente a 70% dos salários que tinham quando ainda estavam em atividade. Mas a realidade é que os aposentados recebem em média 37% dos salários que recebiam antes de aposentarem-se (e por esse motivo, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, as pensões chilenas são uma das mais baixas da região). Pinochet foi neoliberal... "pero no mucho", já que manteve estatizadas as pensões dos militares e dos policiais, que recebem 100% dos seus último salários. Os privatizados civis chilenos se aposentam entre os 35 e 40 anos de contribuição. Os estatizados militares, aos 28 anos de serviço.
Em 1971, Salvador Allende havia estatizado as empresas de cobre, o principal commodity do Chile. Pinochet derrubou Allende argumentando, entre outos motivos, a estatização feita. No entanto, Pinochet manteve a estatização do cobre. E, além disso, unificou todas as estatais desse metal em uma única empresa, a mega-estatal Codelco. E é essa estatal que produz, até hoje, os maiores lucros das exportações chilenas.

8 Doente fake
Depois de deixar o cargo de ditador, Pinochet continuou tutelando a democracia chilena como chefe do exército até 1998. Nesse ano, transformou-se em senador vitalício, fato que lhe concedia foro privilegiado. Mas, seis meses depois, em uma visita a Londres, foi detido pela Interpol a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que o acusou de crimes contra a Humanidade e terrorismo internacional, propondo o conceito de extraterritorialidade. Pinochet permaneceu 503 dias na Grã-Bretanha, ao longo dos quais parecia que estava ficando em crescente estado senil, sentado em uma cadeira de rodas. Quando os médicos o examinavam para ver se estava realmente senil, o general respondia de forma desconexa, como se estivesse com Alzheimer. Analistas políticos em todo o planeta suspeitavam sobre a acelerada decrepitude que Pinochet exibia e que foi o argumento definitivo de seus advogados para conseguir sua liberação para retornar ao Chile. O ex-ditador finalmente partiu de Londres com a expressão no rosto de que era um vegetal humano. Pinochet desceu do avião em uma grua, sentado em uma cadeira de rodas e com uma bengala na mão. Quando a cadeira chegou ao chão, Pinochet se levantou, abraçou amigos e caminhou rapidamente, pela pista do aeroporto. Os chilenos (e o resto do planeta) observavam a cena boquiabertos. O ex-ditador, longe de estar senil, exibia grande agilidade, enquanto conversava animadamente com os amigos que o recebiam no aeroporto. Os críticos de Pinochet destacaram que ele havia trapaceado a Justiça e a comunidade internacional fingindo que estava senil.

9 Ditadura e futebol
Logo após o golpe de Pinochet, o estádio Nacional transformou-se em uma megaprisão, onde foram detidos 40 mil civis contrários ao novo regime militar. Muitos ali foram torturados e vários foram assassinados. Mas, na repescagem da Eliminatória de 1973, para a Copa da Alemanha, o Chile tinha que jogar contra a União Soviética. O primeiro jogo teria que ser em Moscou dias depois do golpe no Chile. Pinochet havia proibido que qualquer chileno saísse do país, mas abriu uma exceção para a seleção. O jogo terminou 0 a 0. O segundo tinha que ser em Santiago. O problema para o regime era que o estádio Nacional estava entupido de prisioneiros. Então, começou a eliminação acelerada de civis. Os presos que não foram assassinados foram levados para outros lugares. Mas com o crescimento das denúncias sobre violações a direitos humanos, e mais especificamente a morte de líderes comunistas chilenos, a URSS negava-se a jogar em Santiago e pedia que o jogo fosse em outro país. A Fifa não aceitou o pedido. No dia 22 de novembro, com o estádio vazio, milhares de torcedores foram ver o jogo. Mas os soviéticos nunca desembarcaram em Santiago. No entanto, o jogo aconteceu da mesma forma, com 18 mil torcedores sentados nas arquibancadas onde dias antes haviam sido mortos e torturadas outras pessoas. No campo, os militares tocaram o hino do Chile. A seleção entrou no gramado. Mas era um gramado sem o time rival. O árbitro apitou, dando início ao jogo. Desta forma, a seleção chilena avançou pelo campo até chegar ao gol onde teria que ter estado o goleiro soviético. O jogador Francisco Valdéz Muñoz esperou que os fotógrafos o enquadrassem bem e chutou com a destra, fazendo o gol que deu ao Chile a classificação da Copa de 1974. Paradoxos cromáticos: a seleção chilena tinha como uniforme a camiseta vermelha. Mas a ditadura, para não frustrar os torcedores, que haviam pago o ingresso, havia preparado outro jogo. Nem bem concluiu o jogo "fantasma" contra a Rússia, entrou no gramado o brasileiro Santos. A seleção chilena perdeu para o Santos por 5 a 0.

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