segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Você sabia que...



Entre 100 e 140 milhões de mulheres tiveram mutilação de seus clitóris no mundo todo, especialmente na África Subsaariana, mas também em outras regiões onde a prática é tradicional, e inclusive nos países da Europa e América do Norte, onde o total chega a 6,5 milhões?
A prática tem a ver com os ritos de iniciação e de entrada na idade adulta de alguns povos.
As meninas que não se submetem a essa prática são mau vistas pela sociedade e quando conse

Uma carta aberta a FHC que merece ir para os livros de História

Theotonio dos Santos
- Via Blog do Rovai

Segue uma carta aberta de Theotonio dos Santos, economista, cientista político e um dos formuladores da Teoria da Dependência. Hoje é um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo. Mestre em Ciência Política pela UnB e doutor notório saber pela UFMG e pela UFF. Coordenador da cátedra e Rede ONU/Unesco de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (Reggen).

O texto é um primor e contribui tanto para entender o quanto o governo do PSDB foi deletério para o Brasil como ajuda a impedir que a mídia tente “lavar branquinho” a história e produzir uma nova versão do que foram os anos FHC.

Theotonio dos Santos: Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos anos 1960.

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete, contudo, este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender por que você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos de seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. [Se os leitores tiverem interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhes recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000]. Contudo, nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno de seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o Plano Real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, todas as economias do mundo apresentaram uma queda da inflação para menos de 10%. Claro que em cada país apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.

No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. Tivemos em seu governo uma das mais altas inflações do mundo. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição a seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte.

Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos de dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e seu ministro da Economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do País antes de sua desvalorização. O fato é que quando você flexibilizou o câmbio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista”, pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. Ora, uma moeda que se desvaloriza quatro vezes em oito anos pode ser considerada uma moeda forte? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O Plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha de ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

O segundo mito, de acordo com suas declarações, seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade. E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de Economia burlando a boa-fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3% a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste país da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda por que nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo… te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999, o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido todas as suas divisas. Você teve de pedir ajuda a seu amigo Clinton que colocou a sua disposição 20 bilhões de dólares do Tesouro dos EUA e mais uns 25 bilhões de dólares do FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do país para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida.

Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa de seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, um fracasso econômico rotundo que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criaram para este país.

Gostaria de destacar a qualidade de seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado nosso querido Francisco Weffort (este então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional.

Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente. Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter de revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão de pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo.

Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth), mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.

Theotonio dos Santos

Cenas que gostaríamos de ver em 2013..

Capas da Veja que gostaríamos de ver...



Alain Badiou: "O comunismo é a ideia da emancipação de toda humanidade"

O filósofo francês Alain Badiou é um homem que não teme riscos: nunca renunciou a defender um conceito que muitos acreditam ter sido queimado pela história: o comunismo. Em entrevista à Carta Maior, Badiou fala da “ideia comunista” ou da “hipótese comunista”. Segundo ele, tudo o que estava na ideia comunista, sua visão igualitária do ser humano e da sociedade, merece ser resgatado em um mundo onde tudo passou a ter um valor mercantil. Pensador crítico da modernidade, Badiou define o processo político atual como uma “guerra das democracias contra os pobres”.

- por Eduardo Febbro, Direto de Paris

Paris - Alain Badiou não tem fronteiras. Este filósofo original é o pensador francês mais conhecido fora de seu país e autor de uma obra extensa e sem concessões. Filosofia, matemática, política, literatura e até o amor circulam em seu catálogo de produções e reflexões. Sua obra, de caráter multidisciplinar, traz uma crítica férrea ao que Alain Badiou chama de “materialismo democrático”, ou seja, um sistema humano onde tudo tem um valor mercantil.

Este filósofo insubmisso é também um homem de riscos: nunca renunciou a defender um conceito que muitos acreditam ter sido queimado pela história: o comunismo. Em sua pena, Badiou fala mais da “ideia comunista” ou da “hipótese comunista” do que do sistema comunista em si. Segundo o filósofo francês, tudo o que estava na ideia comunista, sua visão igualitária do ser humano e da sociedade, merece ser resgatado.

Defensor incondicional de Marx e da ideia de uma internacionalização positiva da revolta, o horizonte de sua filosofia é polifônico: seus componente não são a exposição de um sistema fechado, mas sim um sistema metafísico exigente que inclui as teorias matemáticas modernas – Gödel – e quatro dimensões da existência: o amor, a arte, a política e a ciência. Pensador crítico da modernidade numérica, Badiou definiu os processos políticos atuais como uma “guerra das democracias contra os pobres”.

O filósofo francês é um teórico dos processos de ruptura e não um mero panfletário. Ele convoca com método a repensar o mundo, a redefinir o papel do Estado, traça os limites da “perfeição democrática”, reinterpreta a ideia de República, reatualiza as formas possíveis e não aceitas de oposição e coloca no centro da evolução social a relegitimação das lutas sociais.

Alain Badiou propõe um princípio de ação sem o qual, sugere, nenhuma vida tem sentido: a ideia. Sem ela toda existência é vazia. Com mais de 70 anos, Badiou introduziu em sua reflexão o tema do amor em um livro brilhante e comovedor, no qual o autor de “O ser e o acontecimento” define o amor como uma categoria da verdade e o sentimento amoroso como o pacto mais elevado que os indivíduos podem firmar para viver. Sua lucidez analítica o conduz inclusive a dizer que o amor, porque grátis e total, está ameaçado pelo mundo contemporâneo.

Revoluções árabes, movimento dos indignados, mobilização crescente dos grupos que estão contra a globalização, a luta ou a oposição contra as modalidades do sistema atual se multiplicaram e sofisticaram. Analisando o que ocorreu, o que você diria hoje a todos esses rebeldes do mundo para que sua ação conduza a uma autêntica construção?

Eu diria a eles que, para mim, mais importante que a consigna da anti-globalização, a qual parece sugerir que, por meio de várias medidas, pode-se re-humanizar a situação, incluindo a re-humanização do capitalismo, é a globalização da vontade popular. Globalização quer dizer vigor internacional. Mas essa globalização internacional necessita de uma ideia positiva para uni-la e não só a ideia crítica ou a combinação de desacordos e protestos. Trata-se de um ponto muito importante. Passar da revolta à ideia é passar da negação á afirmação. Somente no plano afirmativo poderemos nos unir de forma duradoura.

Um dos princípios de sua filosofia consiste em dizer que uma vida que não está regida pelo signo da ideia não é uma vida verdadeira. Agora, como defender hoje essa ideia sob a ameaça do hiper-consumo, das falsidades e injustiças da democracia parlamentar e em um mundo onde nossa relação com o outro passa pela relação com o objeto e não com as ideias ou com os indivíduos? No mundo contemporâneo, a ideia é o produto e não a relação humana.

A verdadeira vida é uma vida que aceita estar sob o signo da ideia. Dito de outro modo, uma vida que aceita ser outra coisa do que uma vida animal. Alguns dirão que há valores transcendentes, religiosos, e que é preciso submeter o animal; outros dirão, ao contrário, que devemos nos libertar desses valores transcendentes, que Deus está morto, que viva os apetites selvagens. Mas, entre ambas, há uma solução intermediária, dialética, que consiste em dizer que, na vida, através de encontros e metamorfoses, pode haver um trajeto que nos liga à universalidade. Isso é o que eu chamo “uma vida verdadeira”, ou seja, uma vida que encontrou ao menos algumas verdades.

Chamo "ideia" esse intermediário entre as verdades universais, digamos eternas para provocar um pouco os contemporâneos, e o indivíduo. Que é então uma vida sob o signo da ideia em um mundo como este? Faz falta uma distância com a circulação geral. Mas essa distância não pode ser criada só com a vontade, faz falta algo que nos ocorra, um acontecimento que nos leve a tomar posição frente ao que se passou. Pode ser um amor, um levante político, uma decepção, enfim, muitas coisas. Aí se põe em jogo a vontade para criar um mundo novo que não estará baseado na ordem do mundo tal como é, com sua lei de circulação mercantil, mas sim em um elemento novo de minha experiência.

O mundo moderno se caracteriza pela soberania das opiniões. E a opinião é algo contrário à ideia. A opinião não pretende ser universal, é minha opinião e vale tanto quanto a opinião de qualquer outra pessoa. A opinião se relaciona com a distribuição de objetos e a satisfação pessoal. Há um mercado das opiniões assim como há um mercado das ações financeiras. Há momentos em que uma opinião vale mais do que outra; mais tarde essa opinião quebra como um país. Estamos no regime geral do comércio da comunicação no qual a ideia não existe. Inclusive se suspeita da ideia e se dirá que ela é opressiva, totalitária, que se trata de uma alienação. E por que isso ocorre? Simplesmente porque a ideia é grátis. Ao contrário da opinião, a ideia não entra em nenhum mercado. Se defendemos nossa convicção, o fazemos com a ideia de que é universal. Essa ideia é, então, uma proposta compartilhada, não se pode colocá-la à venda no mercado. Mas como tudo o que é grátis, a ideia está sob suspeita.

Pergunta-se: qual é o valor do que é grátis? Justamente, o valor do grátis é que não tem valor no sentido das trocas. Seu valor é intrínseco. E como não se pode distinguir a ideia do preço do objeto a única existência da ideia está em um tipo de fidelidade existencial e vital para a ideia. A melhor metáfora para isso é encontrada no amor. Se queremos profundamente a alguém, esse amor não tem preço. É preciso aceitar os sofrimentos, as dificuldades, o fato de que sempre há uma tensão entre o que desejamos imediatamente e a resposta do outro. É preciso atravessar tudo isso.

Quando estamos enamorados, trata-se de uma ideia e isso é o que garante a continuidade desse amor. Para se opor ao mundo contemporâneo pode-se atuar na política, mas estar cativado completamente por uma obra de arte ou estar profundamente enamorado é como uma rebelião secreta e pessoal contra o mundo contemporâneo. Esse é o principal problema da vida contemporânea. Estabeleceu-se um regime de existência no qual tudo deve ser transformado em produto, em mercadoria, inclusive os textos, as ideias, os pensamentos. Marx havia antecipado isso muito bem: tudo pode ser medido segundo seu valor monetário.

Você é um dos poucos filósofos que defende o que você mesmo chama “a ideia comunista”. Como é possível defender a ideia comunista quando seu conteúdo histórico foi desastroso.

Penso que o conteúdo histórico das ideias sempre pode ser declarado desastroso. Os democratas nos falam da democracia, mas se olhamos de perto a história das democracias, ela está cheia de desastres. Para tomar o exemplo mais elementar, se tomamos a Primeira Guerra Mundial, ela foi lançada por democratas, democratas alemães, ingleses e franceses. Foi um massacre inimaginável, o qual já se demonstrou esteve ligado a apetites financeiros nas colônias africanas, apetites que não diziam respeito aqueles que seriam massacrados mais tarde. Houve milhões de mortos e de sacrificados em condições espantosas e, aceite-se ou não, isso é parte da história das democracias. Se interrogamos o conjunto das experiências históricas veremos que todo o mundo tem sangue até as orelhas.

No que se refere à palavra “comunista” em si, da mesma maneira que ocorre com a palavra “democracia”, sempre se pode argumentar que ambas tem sangue até as orelhas. Mas, por acaso, é preciso sempre inventar outra palavra? Tomemos, por exemplo, o cristianismo. O cristianismo é São Francisco de Assis, a santidade verdadeira, o advento da ideia de uma verdadeira generosidade para com os pobres, a caridade, etc.,etc. Mas, do outro lado, também é a inquisição, o terror, a tortura e o suplício. Por acaso vamos dizer que é um crime alguém se chamar de cristão? Ninguém diz isso. Eu defendo uma espécie de absolvição dos vocábulos. Eles têm o sentido dado pela sequência histórica da qual falamos.

De fato, o comunismo conheceu duas sequências histórias. A sequência histórica do século XIX, quando a palavra foi inventada e propagada para designar uma esperança histórica humana fundamental, a esperança da igualdade, da emancipação das classes oprimidas, de uma organização social igualitária e coletiva. Depois há outra sequência muito diferente onde se experimentou o comunismo, ou seja, se construiu uma forma de poder particular que buscou coletivizar a indústria e essas coisas, mas que, no final, se tornou uma forma de Estado despótico.

Eu proponho que não se sacrifique a palavra “comunismo” por causa desta segunda sequência, mas sim que ela seja resgatada com base na primeira sequência, possibilitando assim a abertura de uma terceira sequência.

Nesta terceira sequência, a palavra “comunismo” significaria o que sempre significou: a ideia de uma organização social totalmente distinta da que conhecemos e que já sabemos que está dominada por uma oligarquia financeira e econômica absolutamente feroz e indiferente aos interesses gerais da humanidade. Eu proponho então voltar ao comunismo sob a forma da ideia comunista: a ideia comunista é a ideia da emancipação de toda a humanidade, é a ideia do internacionalismo, de uma organização econômica mobilizando diretamente os produtores e não as potências exteriores; é a ideia da igualdade entre os distintos componentes da humanidade, do fim do racismo e da segregação e também é a ideia do fim das fronteiras.

Não esqueçamos que as fronteiras são uma grande característica do mundo contemporâneo. O comunismo é tudo isso. Se alguém inventar uma palavra formidável para designar tudo isso, que não seja a palavra comunismo, eu aceito. Mas a história da política não é a história das palavras, mas sim a história dos novos significados que podem ter as palavras. Em geral se opõe a palavra “democracia” à palavra “comunismo”. Eu digo que uma palavra não é mais inocente do que a outra. Não lutemos pela inocência das palavras. Discutamos sobre o que significam e o que significa aquilo que eu digo.

Agora chegamos a Marx, ou melhor dizendo, aos dois Marx: o Marx marxista e o Marx de antes do marxismo. Qual dos dois você reivindica?

Marx e marxismo têm significados muito distintos. Marx pode significar a tentativa de uma análise científica da história humana com base nos conceitos fundamentais de classe e de luta de classe, e também a ideia de que a base das diferentes formas que a organização da humanidade adquiriu no curso da história é a organização da economia. Nesta parte da obra de Marx há coisas muito interessantes como, por exemplo, a crítica da economia política. Mas também há outro Marx que é um Marx filósofo, que vem depois de Engels e que tenta mostrar que a lei das coisas deve ser buscada nas contradições principais que podem ser percebidas dentro das coisas. É o pensamento dialético, o materialismo dialético. No concreto, há uma base material de todo pensamento e este se desenvolve através de sistemas de contradição, de negação. Este é o segundo Marx. Mas também há um terceiro Marx que é o militante político. É um Marx que, em nome da ideia comunista, indica o que fazer: é o Marx fundador da Primeira Internacional, é o Marx que escreve textos admiráveis sobre a Comuna de Paris ou sobre a luta de classes na França.

Há pelo menos três Marx e o que mais me interessa, reconhecendo o mérito imenso de todos eles, é o Marx que tenta ligar a ideia comunista em sua pureza ideológica e filosófica às circunstâncias concretas. É o Marx que se pergunta pelo caminho para organizar as pessoas politicamente na direção da ideia comunista. Há ideias fundamentais que foram experimentadas e que ainda permanecem e, em cujo centro, encontramos a convicção segundo a qual nada ocorrerá enquanto uma fração significativa dos intelectuais não aceite estar organicamente ligada às grandes massas populares. Esse ponto está totalmente ausente hoje em várias regiões do mundo. Em maio de 68 e nos anos 70, este ponto foi abandonado. Hoje pagamos o preço desse abandono que significou a vitória completa e provisória do capitalismo mais brutal.

A vida concreta de Marx e Engels consistiu em participar nas manifestações na Alemanha e em tentar criar uma Internacional. E o que era a Internacional? A aliança dos intelectuais com os operários. É sempre por aí que se começa. Eu chamo então a que comecemos de novo: por um lado com a ideia comunista e, por outro, com um processo de organização sob esta ideia que, evidentemente, levará em conta o conjunto do balanço histórico, mas que, em certo sentido, terá que começar de novo.

Caído, derrotado no abismo ou simplesmente ferido? Na sua avaliação, em que fase se encontra o capitalismo: em seu ocaso, como acreditam alguns, ou somente vivendo um recesso devido a suas enormes contradições internas?

O capitalismo é um sistema de roubo planetário exacerbado. Pode-se dizer que o capitalismo é uma ordem democrática e pacífica, mas é um regime de depredadores, é um regime de banditismo universal. E digo banditismo de maneira objetiva: chamo bandido a qualquer um que considere que a única lei de sua atividade é seu próprio proveito. Mas um sistema como este que, por um lado, tem a capacidade de se estender e, por outro, de deslocar seu centro de gravidade é um sistema que está longe de estar moribundo.

Não é o caso de acreditar que, pelo fato de estarmos em uma crise sistêmica, nos encontramos à beira do colapso do capitalismo mundializado. Acreditar nisso seria ver as coisas através da pequena janela da Europa. Creio que há dois fenômenos que estão entrelaçados. O primeiro é a derrocada da segunda etapa da experiência comunista, a falência dos Estados socialistas. Essa falência abriu uma enorme brecha para o outro termo da contradição planetária que é o capitalismo mundializado. Mas também abriu novos espaços de tensões materiais. O desenvolvimento capitalista de países do porte da China e da Índia, assim como a recapitalização da ex-União Soviética tem o mesmo papel que o colonialismo no século XIX. Abriu espaços gigantes de manobra, de clientela de novos mercados.

Estamos vivendo agora esse fenômeno: a mundialização do capitalismo que se fez potente e se multiplicou pelo enfraquecimento de seu adversário histórico do período precedente. Esse fenômeno faz com que, pela primeira vez na história da humanidade, se possa falar realmente de um mercado mundial. Esse é um primeiro fenômeno. O segundo é o deslocamento do centro de gravidade. Estou convencido de que as antigas figuras imperiais, a velha Europa, por exemplo, a qual apesar de sua arrogância tem uma quantidade considerável de crimes que ainda aguardam perdão, e os Estados Unidos, apesar do fato de ainda ocupar um lugar muito importante, são na verdade entidades capitalistas progressivamente decadentes e até um pouco crepusculares. Na Ásia, na América Latina, com a dinâmica brasileira, e inclusive em algumas regiões do Oriente Médio, vemos aparecer novas potências. O sistema da expansão capitalista chegou a uma escala mundial, mas o sistema das contradições internas do capitalismo modifica sua geopolítica. As crises sistêmicas do capitalismo – hoje estamos em uma grave crise sistêmica – não têm o mesmo impacto segundo a região. Temos assim um sistema expansivo com dificuldades internas.

Mas esses novos polos se desenvolvem segundo o mesmo modelo.

Sim, e não creio que esses novos polos introduzam uma diferenciação qualitativa. É um deslocamento interno ao sistema que dá a ele margem de manobra.

Há duas versões de um de seus livros mais importantes: trata-se do Manifesto para a Filosofia. O primeiro Manifesto foi publicado há vinte anos, o segundo há dois. Se levamos em conta as revoluções árabes e as crises do sistema financeiro internacional, o que mudou fundamentalmente no mundo e no ser humano entre os dois manifestos?

O que mudou mais profundamente é a divisão subjetiva. As escolhas fundamentais às quais estiveram confrontados os indivíduos durante o primeiro período estavam ainda dominadas pela ideia da alternativa entre orientação revolucionária e democracia e economia de mercado. Dito de outro modo, estávamos na constituição do debate entre totalitarismo e democracia. Isso exige dizer quer todo o mundo estava sob o influxo do balanço da experiência histórica do século XX. O primeiro Manifesto foi publicado em 1989, quase ao final do século XX. Em escala mundial, esta discussão, que adquiriu formas distintas segundo os lugares, se focalizou em qual poderia ser o balanço deste século XX. Por acaso, temos que condenar definitivamente as experiências revolucionárias? É preciso abandoná-las porque foram despóticas, violentas? Neste sentido, a pergunta era: devemos ou não nos unir à corrente democrática e entrar na aceitação do capitalismo como um mal menor?

A eficácia do sistema não consistiu em dizer que o capitalismo era magnífico, mas sim que era o mal menor. Na verdade, tirando um punhado de pessoas ninguém pensa que o capitalismo é magnífico. Mas o que se disse nesse período foi que a alternativa era desastrosa. Há 20 anos estávamos neste contexto, ou seja, a reativação da filosofia inspirada pela moral de Kant. Ou seja, não é o caso de ter grandes ideias de transformação política voluntaristas porque isso conduz ao terror e ao crime, mas sim velar por uma democracia pacificada dentro da qual os direitos humanos estarão protegidos. Hoje esta discussão está terminada e está terminada porque todo mundo vê que o preço pago por essa democracia pacificada é muito elevado. Todo mundo toma consciência que se trata de um mundo violento, com outras violências, que a guerra segue rondando todo o tempo, que as catástrofes ecológicas e econômicas estão na ordem do dia e que, além disso, ninguém sabe para onde vamos.

Podemos imaginar que esta ferocidade da concorrência e esta constante submissão à economia de mercado durem ainda vários séculos? Todo mundo sente que não, que se trata de um sistema patrológico. Foi revelado que este sistema, que nos foi apresentado como um sistema moderado, sem dúvida em nada formidável, mas melhor que todos os demais, é um sistema patológico e extremamente perigoso. Essa é a novidade. Não podemos mais ter confiança no futuro desta visão das coisas. Estamos em uma fase de transição e incerteza. Introduziu-se a hipótese de uma espécie de humanismo renovado que poderíamos chamar de humanismo de mercado, o mercado, mas humano. Creio que essa figura, que segue vigente graças aos políticos e aos meios de comunicação, está morta. É como a União Soviética: estava morta antes de morrer. Creio que, em condições diferentes e em um universo de guerra, de catástrofes, de competição e de crise, esta ideia do capitalismo com rosto humano e da democracia moderada está morta. Agora será preciso não mais escolher entre duas visões constituídas, mas sim inventar uma.

Dessa ambivalência provém talvez a sensação de que as jovens gerações estão perdidas, sem confiança em nada?

Isso é o que sinto na juventude de hoje. Sinto que a juventude está completamente imersa no mundo tal como é, não tem ideia de outra alternativa, mas, ao mesmo tempo, está perdendo confiança neste mundo, está vendo que, na verdade, este mundo não tem futuro, carece de toda significação para o futuro. Creio que estamos em um período onde as propostas de ideias novas estão na ordem do dia, mesmo que uma boa parte da opinião não saiba disso. E não sabe porque ainda não chegamos ao final deste esgotamento interno da promessa democrática. É o que eu chamo de período intervalo: sabemos que as velhas escolhas estão acabadas, mas não sabemos ainda muito bem quais são as novas escolhas.

Vários filósofos apontam o fato de que os valores capitalistas destruíram a dimensão humana. Você acredita, ao contrário, que ainda persiste uma potência altruísta no ser humano.

Devemos olhar o que ocorreu nas manifestações dos países árabes. Nunca acreditei que essas manifestações iam inventar um novo mundo de um dia para o outro, nem pensei que essas revoltas apresentavam soluções novas para os problemas planetários. Mas o que me assombrou foi a reaparição da generosidade do movimento de passa, quer dizer, a possibilidade de agir, de sair, de protestar, de pronunciar-se independentemente do limite dos interesses imediatos e fazê-lo junto a pessoas que, sabemos, não compartilham nossos interesses. Aí encontramos a generosidade da ação, a generosidade do movimento de massa, temos a prova de que esse movimento ainda é capaz de reaparecer e reconstituir-se. Com todos os seus limites, também temos um exemplo semelhante com o movimento dos indignados.

O que fica evidente em tudo isso é que estão aí em nome de uma série de princípios, de ideias, de representações. Esse processo, obviamente, será longo. O movimento da primavera árabe me parece mais interessante que o dos indignados porque tem objetivos precisos, ou seja, a desaparição de um regime autocrático e o tema fundamental que é o horror diante da corrupção. A luta contra a corrupção é um problema capital do mundo contemporâneo. Nos indignados vimos a nostalgia do velho Estado providência. Mas volto a reiterar que o interessante em tudo isso é a capacidade de fazer algo em nome de uma ideia, mesmo que essa ideia tenha acentos nostálgicos. O que me interessa saber é se ainda temos a capacidade histórica de agir no regime da ideia e não simplesmente segundo o regime da concorrência ou da conservação. Isso para mim é fundamental. A reaparição de uma subjetividade dissidente, seja quais forem suas formas e suas referências, isso me parece muito importante.

Você publicou um livro sobre o amor, que é de uma sabedoria comovedora. Para um filósofo comprometido com a ação política e cujo pensamento integra as matemáticas, a aparição do tema do amor é pouco comum.

O amor é um tema essencial, uma experiência total. O amor está ameaçado pela sociedade contemporânea. O amor é um gesto muito forte porque significa que é preciso aceitar que a existência de outra pessoa se converta em nossa preocupação. No amor, o fundamental está em que nos aproximamos do outro com a condição de aceita-lo em minha existência de forma completa, inteira. Isso é o que diferencia o amor do interesse sexual. Este se fixa sobre o que os psicanalistas chamaram de “objetos parciais”, ou seja, eu extraio do outro alguns emblemas fetiches que me interessam e que suscitam minha excitação desejante. Não nego a sexualidade, pelo contrário. Ela é um componente do amor. Mas o amor não é isso. O amor é quando estou em estado de amar, de estar satisfeito e de sofrer e de esperar tudo o que vem do outro: a maneira como viaja, sua ausência, sua chegada, sua presença, o calor de seu corpo, minhas conversas com ele, os gostos compartilhados. Pouco a pouco, a totalidade do que o outro é torna-se um componente de minha própria existência. Isso é muito mais radical que a vaga ideia de preocupar-me com o outro. É o outro com a totalidade infinita que representa e com o qual me relaciono em um movimento subjetivo extraordinariamente profundo.

Em que sentido o amor está ameaçado pelos valores contemporâneos?

Está ameaçado porque o amor é gratuito e, desde o ponto de vista do materialismo democrático, injustificado. Por que deveria me expor ao sofrimento da aceitação da totalidade do outro? O melhor seria extrair dele o que melhor corresponde aos meus interesses imediatos e aos meus gostos e descartar o resto. O amor está ameaçado hoje porque é distribuído em fatias. Observemos como se organizam as relações nestes portais de internet onde as pessoas entram em contato: o outro já vem fatiado em fatias, um pouco como a vaca nos açougues. Seus gostos, seus interesses, a cor dos olhos, o corte dos cabelos, se é grande ou pequeno, loiro ou moreno. Vamos ter uns 40 critérios e, ao final, vamos nos dizer: vou comprar este. É exatamente o contrário do amor. O amor é justamente quando, em certo sentido, não tenho a menor ideia do que estou comprando.

E frente a essa modalidade competitiva das relações, você proclama que o amor deve ser reinventado para nos defendermos, que o amor deve reafirmar seu valor de ruptura e de loucura.

O amor deve reafirmar o fato de que está em ruptura com o conjunto das leis ordinárias do mundo contemporâneo. O amor deve ser reinventado como valor universal, como relação em direção da alteridade, daquilo que não sou eu e onde a generosidade é obrigatória. Se não aceito a generosidade, tampouco aceito o amor. Há uma generosidade amorosa que é inevitável. Sou obrigado a ir na direção do outro para que a aceitação do outro em sua totalidade possa funcionar. Essa é uma excelente escola para romper com o mundo tal como é. Minha ideia sobre a reinvenção do amor quer dizer o seguinte: uma vez que o amor se refere a essa parte da humanidade que não está entregue à competição, à selvageria; uma vez que, em sua intimidade mais poderosa, o amor exige uma espécie de confiança absoluta no outro; uma vez que vamos aceitar que este outro esteja totalmente presente em nossa própria vida, que nossa vida esteja ligada de maneira interna a esse outro, pois bem, já que tudo descrito acima é possível isso prova que não é verdade que a competitividade, o ódio, a violência, a rivalidade e a separação sejam a lei do mundo.

A política não está muito afastada de tudo isso. Para você, há uma dimensão do amor na ação política?

Sim, inclusive pode resultar perigoso. Se buscamos uma analogia política do amor eu diria que, assim como no amor onde a relação com uma pessoa tem que constituir sua totalidade existencial como um componente de minha própria existência, na política autêntica é preciso que haja uma representação inteira da humanidade. Na política verdadeira, que também é um componente da vida verdadeira, há necessariamente essa preocupação, essa convicção segundo a qual estou ali enquanto representante e agente de toda a humanidade. Do mesmo modo que ocorre no amor, onde minha preocupação, minha proposta e minha atividade estão ligadas à existência do outro em sua totalidade.

O que pode fazer um casal jovem e enamorado neste mundo violento, competitivo, onde o projeto do casal já está ameaçado pela própria dinâmica do consumo e da competição?

Creio que o projeto de um casal pode ser uma rama se não se dissolve, se não se metamorfoseia em um projeto que acabe se transformando, no fundo, na acumulação de interesses particulares. Na situação de crise e de desorientação atual o mais importante é segurar as mãos no timão da experiência pela qual estamos passando, seja no amor, na arte, na organização coletiva, no combate político. Hoje, o mais importante é a fidelidade: em um ponto, ainda que seja em apenas um, é preciso não ceder. E para não ceder devemos ser fieis ao que ocorreu, ao acontecimento. No amor, é preciso ser fiel ao encontro com o outro porque vamos criar um mundo a partir desse encontro. Claro, o mundo exerce uma pressão contrária e nos diz: “cuidado, defenda-se, não deixe que o outro abuse de ti”. Com isso está dizendo: “voltem ao comércio ordinário”.

Então, como essa pressão é muito forte, o fato de manter o timão no rumo certo, de manter vivo um elemento de exceção, já é extraordinário. É preciso lutar para conservar o excepcional que ocorre em nossas vidas. Depois veremos. Dessa forma salvaremos a ideia e saberemos o que é exatamente a felicidade. Não sou um asceta, não sou a favor do sacrifício. Estou convencido de que se conseguimos organizar uma reunião com trabalhadores e colocamos em marcha uma dinâmica, se conseguimos superar uma dificuldade no amor e nos reencontramos com a pessoa que amamos, se fazemos uma descoberta científica, então começamos a compreender o que é a felicidade. A felicidade é uma ideia fundamental. A construção amorosa é a aceitação conjunta de um sistema de riscos e de invenções.

Você também introduz uma ideia peculiar e maravilhosa: devemos fazer tudo para preservar o que nos ocorre de excepcional.

Aí está o sentido completo da vida verdadeira. Uma vida verdadeira se configura quando aceitamos os presentes perigosos que a vida nos oferece. A existência nos traz riscos, mas, na maioria das vezes, estamos mais espantados que felizes por esses presentes. Creio que aceitar isso que nos ocorre e que parece raro, estranho, imprevisível, excepcional, que seja o encontro com uma mulher ou o maio de 68, aceitar isso e suas consequências, isso é a vida, a verdadeira vida.


Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Mulher escolarizada demais prejudica a nação, afirma rabino


Zvi Tau disse que Deus decidiu 
que mulher tem de ficar em casa

O rabino Zvi Tau, de Israel, escreveu que a mulher não deve ser escolarizada demais, receber educação formal, para não "prejudicar a qualidade de vida da nação”. 


Para ele, Deus determinou que o “habitat natural” da mulher é dentro de casa, onde ela pode expressar “as suas qualidades especiais e viver sua vida plenamente”. 


Não se trata de um rabino qualquer. 


Ele é um dos principais mentores do nacionalismo religioso, cujas interpretações do Torah estão próximas das dos judeus ultraortodoxos.  


As afirmações constam em um documento de circulação interna que vazou para o jornal Haaretz. 


Ele argumentou que as mulheres não são discriminadas e o que ocorre é que o espaço dela é outro em relação ao dos homens, de acordo com a vontade divina. 


Afirmou que as mulheres, por serem mais emocionais, devem ficar longe das “profundezas da ciência e da moralidade”, dedicando-se a dar à luz e criar os filhos. “É a vocação dela.” 


Com informação do Jornal de Notícias.

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2012/07/deus-quer-que-mulher-fique-em-casa-diz-rabino.html#ixzz22FJEcQqK
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O PT está islamizando o Brasil


by rudyrafael
Quando o Partido dos Trabalhadores (PT) através da Presidência da República com Dilma Rousseff disse na abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) em 25/09/2012: “Registro neste plenário nosso mais veemente repúdio à escalada de preconceito islamofóbico em países ocidentais.”, o PT estava apenas cumprindo a sua parte na agenda do Islã para o domínio do mundo para Allah. Toda vez que o PT fala em “preconceito” deve-se imediata, única e exclusivamente entender que se trata de um instrumento para cercear a liberdade de expressão. O islamismo e o comunismo não funcionam e não se misturam com a liberdade de expressão e isto deve ser compreendido. O discurso de Dilma no que tange ao “repúdio” ao “preconceito islamofóbico” é o mesmo utilizado pela esquerda e pelos muçulmanos em toda a Europa para islamizá-la. Hoje o europeu está amordaçado, impedido de dizer plenamente que não quer a sua terra vivendo pela Sharia – a legislação islâmica -, pois qualquer comentário contra o islamismo e os muçulmanos é considerado “islamofóbico”. É isto que o PT está trazendo ao Brasil, pois a sua agenda para o país está em consonância à agenda islâmica para o mundo.
Existe uma guerra declarada do Islã – a “religião da Paz” – contra o Ocidente. Uma guerra contra os costumes, valores, moral, ética, democracia, liberdade, cristianismo, judaísmo e tudo aquilo que representa a civilização. Ninguém que vive pelo Alcorão é civilizado, por isso os muçulmanos odeiam a civilização, que é ocidental e não-muçulmana. Os muçulmanos desprezam tudo que não seja deles mesmos e a civilização não é deles. Enquanto os “demoníacos” americanos tentam conhecer o universo, os “horríveis” judeus constroem a ciência, os “hipócritas” cristãos defendem a vida a todo custo e a “decadente” civilização ocidental almeja uma nova era, os muçulmanos querem fazer o mundo voltar à barbárie do século VII através da aplicação da Sharia. A Sharia é um crime contra a humanidade, é um atentado contra a evolução da humanidade e no futuro a humanidade olhará para trás e terá vergonha de que um dia isto tenha existido em sua história. As explicações para a tentativa de islamizar o mundo e aplicar a Sharia no planeta podem ser muitas, mas na essência tudo não passa de uma tentativa do mal em subjugar o bem. Um povo que quer aplicar a Sharia no mundo é totalmente movido pelo mal e o mal não pode vencer o bem.
O ódio do Islã contra o Ocidente e que faz os muçulmanos declarar a jihad é movido por uma força espiritual. Eles lutam por Allah, por Maomé e pelo Islã. Os ocidentais tentam entender, compreender e até mesmo tolerar as atrocidades cometidas pelos muçulmanos, mas não compreenderão apenas pela razão. O Ocidente só conseguiu deter a fúria islâmica quando entendeu nas Cruzadas que aquilo tudo era uma guerra espiritual e hoje com sua cultura destruída pelo multiculturalismo, o relativismo e o politicamente correto está sem saber o que fazer. Enquanto os muçulmanos sustentam a sua cultura intocada desde o surgimento de Maomé, os ocidentais estão cada vez menos ocidentais, quando o que impediu que o Islã avançasse ao Ocidente foi justamente isto. Hoje se o ocidental tem a dádiva de ser livre e não viver com a insanidade da Sharia é pelas Cruzadas, pelos cristãos que já na Idade Média entendiam que a sanguinolência muçulmana não poderia sobrepor-se à civilização. O islamismo prega abertamente a morte e isto não podia e não pode prevalecer. A humanidade tem que entender que não há mais lugar no mundo para a Sharia. O mundo quer evoluir e o islamismo quer impedir isto.
Na aliança mundial entre a esquerda e os muçulmanos cabe à esquerda o papel de destruir interiormente o ocidental para abrir espaço para a invasão islâmica. A estratégia é, de fato, perfeita em todos os aspectos. A principal arma para acabar com o ocidental é o politicamente correto, eis que acaba com os conceitos de bem e mal, relativizando tudo e tornando as pessoas mornas, apáticas, omissas e covardes; principalmente quando atacam a liberdade de expressão, que é a base do espírito criativo do homem. Sem liberdade de expressão coisa alguma se cria. A esquerda está acabando com tudo através do politicamente correto, das gritarias histéricas das massas e da infiltração política. Não adianta uma pessoa ser excessivamente contra algo, por mais nefasto que seja, se ela não pode expressar isto. Os muçulmanos não sabem o que é liberdade de expressão e quando confrontados ideologicamente berram, gritam, esperneiam e se fazem de vítimas perseguidas, tentando vencer na base do grito e do vitimismo, assim como as ditas “minorias perseguidas” no Ocidente. A Europa engoliu esta sujeira toda e agora está colhendo o que plantou: a Sharia já está sendo aplicada no continente europeu. A Europa perdeu totalmente o juízo ao deixar que isto ocorresse.
O que vai acontecer no Brasil através do governo do PT é o que já acontece na Europa: cada vez que a cultura islâmica, obviamente inferior à da civilização, se choca com a da civilização, o politicamente correto evoca a identidade da religião e ninguém pode “se meter” na religião alheia. Quem se manifesta contra é tachado de “preconceituoso”, “racista” e “fóbico”. Este tipo de supressão da liberdade de expressão é fomentado pela esquerda, que tem o mesmo propósito do islamismo: destruir a civilização. O que faz uma pessoa ser naturalmente contra o apedrejamento até a morte de uma pessoa é a sua moral, a sua ética e o seu estado de ser civilizado, mas tais valores só podem existir com a liberdade de expressão. A esquerda trabalha com a gritaria e a histeria e faz pressão com o barulho e o caos, o qual é inclusive financiado pelo dinheiro público. Isto acontece no mundo todo. Se uma pessoa é contra o apedrejamento até a morte de uma pessoa e é confrontada por 1.000 pessoas descerebradas pelo politicamente correto, pagas ou que trabalham a favor da causa, ela obviamente se sentirá inibida em sua causa e assim à abandonará. Para a esquerda não existe certo ou errado, existe apenas o que é bom e o que é ruim para o partido.
Uma pessoa pode falar o que pensa, mas se cada vez que falar o que pensa for confrontada por uma maioria que lhe tacha arbitrariamente de “preconceituosa”, “racista” e “fóbica”, ela deixará de expressar o que tem dentro de si por medo disto. Quando uma pessoa deixa de expressar o que tem dentro de si ela deixa de pensar aquilo, depois deixa de sentir e quando deixa de sentir, aquilo deixa de existir para ela. Uma pessoa não vai falar que é contra o apedrejamento até a morte de uma pessoa se depois vier uma multidão para apedrejá-la emocionalmente tachando-a de preconceituosa, racista e fóbica. Como as pessoas que compartilham da mesma idéia que ela ficam caladas, só assistindo, ela passará a pensar que está sozinha em sua causa e que está errada. Se uma pessoa é contra algo e aparecem 1.000 pessoas histericamente gritando contra ela e ninguém à sustenta, ela pensará que ninguém à sustenta porque ninguém pensa como ela e assim ela mudará de opinião, principalmente quando a esquerda move as pessoas a agirem como se uma lei inexistente já estivesse em vigência. Quando um partido de esquerda assume o poder as leis começam a ser criadas para beneficiar o partido.
Assim as pessoas vão perdendo a sua capacidade de se indignar e a sua humanidade, pois toda forma de rejeição é caracterizada como “preconceito”, “racismo” e “fobia”; mesmo que tenham sido justamente as rejeições que fundaram a civilização e enterraram a barbárie. A rejeição ao mal, ao grotesco, ao insano, ao hediondo e à barbárie. O objetivo do politicamente correto é castrar a alma das pessoas, retirar tudo que elas têm dentro de si e que as faz humanas. Com este escopo se fomentam tantas revoluções que pretendem destruir os valores ocidentais. Quando uma mulher muçulmana está em vias de ser apedrejada até a morte pela Sharia da religião de Allah, “O Misericordioso”, e resolve com seus familiares pedir ajuda para se manter viva, não é o mundo muçulmano, da “religião da Paz”, que move montanhas para interceder por ela, mas o mundo ocidental "decadente" com os seus “decadentes" direitos humanos. O comunismo deseja um novo mundo e para isso precisa destruir o já existente. Isto se efetiva principalmente através do politicamente correto. O Estado vai dizendo às pessoas o que elas devem pensar e quando estão programadas para pensar, o sentir e o expressar vêm no pacote.
É assim que se justifica também a criminalidade. A destruição dos valores também vem por sua inversão. Até pouco tempo atrás quando uma pessoa cometia um crime havia o entendimento unânime de que ela deveria ser responsabilizada pelo que fez. Hoje há a justificativa social para a ação: “Ah, ela fez isso porque é pobre.”, “Fez porque não tem instrução.”, “Fez porque não lhe deram oportunidades na vida.” e “Fez porque é pobre e se você é rico, você faz parte do sistema e a culpa também é sua.”. Esta pregação serve para a própria degradação do ser humano, pois lhe tira algo que também lhe faz humano: a escolha; além de fomentar o caos social com o aumento da criminalidade. Este é o mundo da esquerda: onde as pessoas são animais sem escolha e onde os culpados são vítimas e as vítimas são os culpados. Para o PT nada mais lógico, já que transformou guerrilheiros terroristas em heróis revolucionários e defensores da ordem social em ditadores sanguinários. Todo mundo acha bonito os marginais que se matriculam em universidades para viver protestando até contra o tamanho da folha de papel higiênico. A esquerda aliena as pessoas para que criem o caos e não aceitem ordem alguma.
Comprovado no julgamento do mensalão (Ação Penal 470) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que houve a compra de votos de parlamentares a favor do PT comprova-se que a opinião do povo não importa para o PT, pois existe a possibilidade, por existir corruptores e corruptos, de comprar os votos. Se a maioria dos brasileiros é contra a aprovação de uma lei, pouco importa. Se há parlamentares que vendem seus votos e existe dinheiro, inclusive do próprio povo, para comprá-los, somente o agir conforme a lei impediria a compra de votos e na pior das hipóteses basta apenas fazer alguma gritaria através das massas e algum barulho através da mídia para criar determinadas ilusões que façam o povo concordar um pouco e pronto. Não há lei que não possa ser aprovada no Brasil e o islamismo adora isto, pois odeia a democracia. O PT já fala em “islamofobia” e toda “fobia”, sem exceção, instrumentalizada pela esquerda tem o escopo de cercear a liberdade de expressão. Isto foi feito na Europa e deu certo para os muçulmanos. Se criarem uma lei proibindo que alguém se manifeste contra o islamismo ou contra os muçulmanos sob o pretexto de “repúdio à islamofobia” será apenas uma forma de impedir as críticas ao islamismo e consequentemente à Sharia.
No Ocidente as feministas se preocuparam tanto em mostrar as tetas pintadas nas ruas para protestar contra o machismo demoníaco do homem que pede à esposa que cozinhe, os gayzistas em reclamar das meras opiniões dos sacerdotes religiosos sobre o casamento entre homossexuais e os ateus em tirar o cristianismo da vida das pessoas que não perceberam que o islamismo e a Sharia estavam chegando e o que isto representará em suas vidas. Não viram o que estava acontecendo na Europa e o que o mundo islâmico vai trazer para eles através da Sharia. A América foi alienada pela luta de classes propagada pela esquerda e enquanto os muçulmanos se unem cada vez mais em seu propósito de dominar o mundo para Allah a América perde tempo se dividindo e não se atenta ao plano de dominação islâmica. A Europa já está dominada e o próximo passo é a América. Os muçulmanos não fazem a mínima questão de esconder que pretendem dominar o mundo para Allah, a religião os exorta a isto. Será uma volta ao século VII. Ao invés do homem ir a Marte, viverá escondido de arruaceiros armados aplicando a Sharia pelas ruas. Em pleno século XXI os muçulmanos trazem consigo a sombra da barbárie do apedrejamento, da Sharia.
As pessoas lutam tanto para construir um patrimônio para dar aos seus filhos, mas não se dão conta de que receberam de seus pais um mundo livre e que estão entregando um mundo sem liberdade para os seus descendentes. Quem não lutou pela liberdade não é titular dela para que possa entregá-la de mãos beijadas ao Islã. Quem nasceu livre e não precisou lutar pela liberdade tem o dever de guardá-la para as próximas gerações. O plano do islamismo para a Europa é claro: instituir a Sharia por todo o continente. Os europeus herdaram um continente livre mas estão prestes a entregá-lo aos seus filhos com a Sharia; um mundo de barbárie e sanguinolência. A mesma sem-vergonhice que os europeus começaram a ouvir da esquerda e que não perceberam o que era está sendo utilizada no Brasil pelo governo do PT e cabe a todo brasileiro decidir se quer que o Brasil se torne um país muçulmano com a Sharia e suas atrocidades e sem liberdade alguma. Se não quiser, não poderá ser estúpido a ponto de continuar votando no partido que está em conluio com o Islã. Liberdade é algo que não se espera perder para se defender e o PT não se preocupa com a liberdade de quem quer que seja, o PT se preocupa com votos e poder.
A palavra “islamofobia” foi criada para coibir críticas ao Islã e aos muçulmanos. A Europa sabe bem disto. O europeu foi amordaçado e está impedido de falar plenamente sobre o mal do islamismo. Os muçulmanos, frustrados há séculos por suas derrotas para os cristãos nas Cruzadas, sabiam que não poderiam invadir a Europa pela força, então invadiram culturalmente. Foram entrando, conquistando direitos de imigrantes, se reproduzindo sem dó e gerando descendência nascida na própria Europa. Eles não foram lá para se inserir na cultura européia, mas para impor a sua. Vivem em guetos, não se misturam e inclusive têm a sua própria lei. Existem locais na Europa em que eles aplicam a Sharia, cuspindo na legislação do país que os acolheu, sem a mínima noção de civilidade. Em Londres já foram colocados cartazes indicando a zona controlada pela Sharia declarando o que era proibido naquele local, como a bebida alcoólica, prostituição, drogas e cigarros e se algum europeu se insurge contra isto começa a histérica gritaria dos descerebrados apontando a “islamofobia”. Islamismo e Sharia andam juntos e é isto o que o PT está trazendo para o Brasil. Se o Brasil não acabar com o PT, o PT acabará com o Brasil.