Sempre que se fala em ocultismo, bruxaria e misticismo ele estará lá: o
famoso olho de Hórus, que para muitos céticos estudiosos é um símbolo
presente na escrita hieroglífica do Egito Antigo. Também conhecido por
alguns como Udyat, ele simboliza muito mais que um significado egípcio,
mas também proteção e poder. Na época dos faraós era considerado um
amuleto sagrado capaz de tirar o mau olhado e desviar a inveja.

Segundo a lenda do Egito Antigo, o olho esquerdo de Hórus simbolizava a
Lua e o direito, o Sol. Durante uma luta, o deus Seth arrancou o olho
esquerdo de Hórus, o qual foi substituído por este amuleto, que não lhe
dava visão total, colocando então também uma serpente sobre sua cabeça.
Depois da sua recuperação, Hórus pôde organizar novos combates que o
levaram à vitória decisiva sobre Seth. Era a união do olho humano com a
vista do falcão, animal associado ao deus Hórus. Era usado, em vida,
para afugentar o mau-olhado e, após a morte, contra o infortúnio do
além.
O olho direito de Hórus representa a informação concreta, factual,
controlada pelo hemisfério cerebral esquerdo. Ele lida com as palavras,
letras, e os números, e com coisas que são descritíveis em termos de
frases ou pensamentos completos. Ele aborda o universo de um modo
masculino. Já o olho esquerdo representa a informação estética abstrata,
controlada pelo hemisfério direito do cérebro. Lida com pensamentos e
sentimentos e é responsável pela intuição. Ele aborda o universo de um
modo feminino.

Por representar um deus muito forte, potente e importante, ganhou outros
significados, como a matemática. O olho de Hórus, em fragmentos,
entrava no sistema numérico simbolizando frações; assim, meio olho era
½, por exemplo.
Hoje em dia ele é muito usado na superstição para espantar o mal e a
inveja para cima de quem utiliza-se do amuleto, atraindo poder, vigor,
proteção e saúde. No entanto, é muito confundido com o olho da
Providência Divina, o olho que tudo vê e tudo sabe. Por ser um símbolo
comum do ocultismo e do desconhecido, acabou também sendo misturado a
teorias conspiratórias, associando-o a ordens secretas.

O uso do “udyat” na medicina...
Um dado interessante é que o olho de Hórus está, também, presente na
medicina e sua origem é bem especulada. Uma das explicações é a que
aponta uso do amuleto como proteção e busca de boa saúde; assim, os
faraós usavam o símbolo para a boa recuperação em um período de doença.
Por ser ainda considerado o olho poderoso de um deus, tornou-se o
símbolo da radiologia; é muito comum encontrarmos olhos de Hórus em
algumas clínicas de raio-x em algumas partes do mundo simbolizando essa
prática médica. O símbolo une um olho humano com as marcas de um falcão,
ou cicatrizes da restauração, pois Hórus tinha a cabeça de falcão. Tem
sido usado por séculos, representando saúde e proteção.
Excalibur é a espada mágica do Rei Artur, atribuída à soberania de toda a
Grã-Bretanha. Faz parte do folclore daquele povo, assim como o Saci faz
parte das nossas histórias folclóricas. O problema surge quando alguns
estudiosos apontam que a lenda seria verdadeira. Em cada região da
Bretanha há uma versão diferente desse mito, mas em geral há uma
linhagem comum: o rapaz que retira da pedra uma espada poderosa que lá
estava fincada.

O nome Excalibur, aparentemente, tem origem na palavra galesa “Caledfwlchs”, que é a combinação das palavras “batalha/dura” e “violação”. O autor Monmouth, ao traduzir o mito para o latim traduziu para “Caliburnus”, influenciado pela palavra latina “chalybs”, que significava “aço”. Essa tradução foi feita no início do século 13 e, então, ganhou o mundo.
Caledfwlchs aparece primeiramente em várias obras mitológicas galesas,
como sagas, poemas, prosas e coros. Parece ser um artefato muito
importante para esse grupo étnico. Historiadores e professores de
literatura inglesa medieval apontam que o termo “Caledfwlchs” aparece centenas de vezes em contos diversos escritos entre 950 e 1350, não somente no enredo do Rei Artur.
Mas já sabemos como Caledfwlchs virou Caluburnus. Mas e Excalibur?
Simples. Isso aconteceu com as traduções francesas das sagas britânicas.
Os primeiros registros de traduções aparecem como “Escalibor”, depois “Excaleibor” e, finalmente, “Excalibur”.

A partir da França, a lenda do Rei Artur ganhou a Europa. Dizia-se que
nas ilhas britânicas havia um rei cuja espada cortava ferro como um
machado afiado corta madeira. Assim nasceu a antropomorfização do mito:
espalhou-se rapidamente a história desse reinado, da espada e de tudo
mais. É por isso que muitos pseudo-historiadores creem na existência
deste tempo lendário. E não é de se assustar que os europeus do
continente acreditassem nessa história que ouviam: o período medieval
foi repleto de boatos envolvendo o sobrenatural, religiões e muito
misticismo.
A história de Excalibur e o Rei Artur...
No romance arturiano, há uma série de explicações sobre a posse de Artur
em relação à espada poderosa. Como havia dito, no entanto, por ser
grande parte de relato oral registrado mais tarde, a cada canto da
Bretanha há um detalhe ou outro diferente. (1) Na versão mais conhecida,
Artur obteve o trono puxando a espada de uma pedra, coisa que ninguém
nunca havia conseguido, isso só porque o “verdadeiro rei puro de
coração” poderia fazê-lo. (2) Numa outra versão, Excalibur é dada a
Artur pela Dama do Lago, logo após seu reino começar. (3) Em outra
versão, a espada é dada a Artur quando ele joga um dragão em um lago, e
como oferenda as ninfas deram-lhe esse presente. (4) Por fim, há uma
versão explicando que havia duas espadas, e Artur com sua sabedoria
escolheu a verdadeira, Excalibur, a da justiça universal.
Curiosamente, nos séculos 15 e 16, várias pessoas se comprometeram a
encontrar Excalibur. Alguns reis da Inglaterra tiveram essa mania cega,
crendo que, assim, poderiam dominar toda a Europa e algumas colônias
americanas. Esse foi mais um motivo para suscitar a busca recente, após a
década de 1950, entre historiadores a favor da corrente chamada
história alternativa.
Junto à história de Excalibur, o Rei Artur também carrega outro mito
bastante forte envolvendo um objeto sagrado: o Santo Graal. Recentemente
escrevi um post abordando as origens desse mito, que se intercala com
os Cavaleiros Templários e a miscelânea teórica promovida por Dan Brown.
Você pode ler clicando aqui.

No balanço geral desses apontamentos, podemos afirmar que Excalibur é um
mito contíguo ao do Santo Graal e outros tantos. Folclore de um canto
da Europa que ganhou tons de realidade por conta do fanatismo medieval e
apego material aos objetos tidos como milagrosos, e isso retoca e
retoma os dias de hoje, quando as teorias da conspiração nunca estiveram
tão em voga.
Na história da humanidade sempre houve um lote de teorias da
conspiração, algumas bem famosas: o homem não teria ido à Lua, a Área 51
é um local que o governo americano esconde o que sabe sobre
alienígenas, os homens de preto realmente existem, os atentados às
Torres Gêmeas foi uma orquestração internacional etc. Entretanto, há
outras bem particulares mas não tão conhecidas, como é o caso da
conspiração jesuíta, que refere-se a uma história envolvendo os padres
da Companhia de Jesus, da Igreja Católica.

Um breve panorama...
A Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas, é uma
congregação religiosa fundada em 1534 por um grupo de estudantes de
teologia da Universidade de Paris, liderados por Inácio de Loyola (foto abaixo).
Foi criada no auge do desencadeamento da Reforma Protestante no norte
da Europa. A companhia estava inserida no que a história chamou de
Contrarreforma Católica.
Com a expansão do protestantismo, a Igreja e o papado decidiram expandir
a fé com um “exército”. Assim, em 1540, uma bula religiosa reconheceu a
ordem que tinha como missão levar o catolicismo aos confins do planeta
com trabalho missionário e educacional. Desta forma que o catolicismo
pôs os pés nas colônias americanas e chegou até o Japão.

A conspiração e a trama...
Os primeiros registros de conspirações são encontrados na “Monita
secreta”, produzidos no início do século 17. São documentos fictícios
alegando que os padres estariam ganhando riqueza por meios ilícitos. Na
mesma época, a Ordem da Santa Inquisição, na Espanha, já havia alertado a
coroa de que os jesuítas eram um pouco “secretistas”.
A Reforma Protestante, e, sobretudo, a Reforma Anglicana, trouxe novas
suspeitas contra os jesuítas que eram acusados de infiltração políticas
nos reinos e igrejas evangélicas. Na Inglaterra, foi proibido de
pertencer aos jesuítas, sob graves sanções, incluindo a pena de morte.
O desenvolvimento do jansenismo na França do século 18 levou a
rivalidades internas na Igreja entre jesuítas e os jansenistas e, embora
os jesuítas pró-papais, em última instância, prevaleceram, custou-lhes
caro no que diz respeito à sua reputação na galicana largamente
influenciada pela Igreja francesa.

Nas colônias ibéricas na América não foi diferente: os padres jesuítas
começaram a ganhar forte influência entre os nativos e fundavam colônias
de trabalho praticamente independentes aos regimentos das coroas. Além
de catequizar os indígenas, também passaram a aprender os idiomas
locais, mas esse processo não era pacífico e muitos índios morreram nas
torturas acusados de adoradores de Tupã. Entretanto, esses índios
“civilizados” eram bem vistos como escravos já domesticados e, vez por
outra, colônias jesuítas eram invadidas por bandeirantes.
No século 18, a situação estava insustentável em todo o planeta
colonizado. Os jesuítas tinham mais poder do que os líderes locais nas
colônias e até mais dinheiro que a metrópole. Dizia-se haver ali uma
conspiração jesuítica contra a burguesia e a maçonaria, quando esses
setores pressionaram governos e a própria Igreja.
A solução passageira do caso...
Sob enorme pressão política e social, as coroas de Portugal, Espanha e
França começaram a expulsar os jesuítas de seus territórios além-mar a
partir de meados de 1770. Esperta foi a coroa russa, que atraiu para seu
território os padres exilados, uma vez que eram conhecidos literatos e,
então, poderiam melhorar o nível educacional da população burguesa
daquele reinado. O mesmo ocorreu em alguns pequenos reinos independentes
da Prússia.

Muitas conspirações antijesuíticas emergiram ao longo do século 18, com o
Iluminismo, como parte de uma suposta rivalidade secular entre a
maçonaria e a Companhia de Jesus. Os ataques dos intelectuais aos
jesuítas foram vistos como uma contraprova eficiente para o movimento
antimaçonaria promovido por conservadores, e este padrão ideológico de
conspiração persistiu até o século 19 com a publicação de “O judeu errante”, clássico do melodrama de Eugène Sue.
Teorias de conspiração de épocas anteriores frequentemente incidiram
sobre a personalidade de Adam Weishaupt, um professor de direito que foi
educado em uma escola jesuíta e criou a Ordem Illuminati. Weishaupt era
acusado de ser o líder secreto da Nova Ordem Mundial, e mesmo de ser o
próprio demônio. Augustin Barruel, um ex-jesuíta, escreveu longamente
sobre Weishaupt, alegando que estes illuminati tinham sido os promotores
secretos da Revolução Francesa.
Recentemente, escrevi sobre a Ordem Illuminati. Você pode conferir clicando aqui!

Na China e no Japão, os jesuítas foram acusados por vários imperadores
de jogar política imperial, e o seu envolvimento no caso dos ritos
chineses, em última análise, a ordem foi obrigada a reduzir as suas
atividades no Extremo Oriente.
Na década de 1980, reivindica-se que líderes radicais jesuítas conduziam
movimentos revolucionários na América Latina que levou a suspeita
generalizada contra a Companhia pela ala direita dos governos
latino-americanos, e também uma repressão gerada pela Teologia da
Libertação do Santo Ofício.
O fato é que a conspiração envolvendo o nome dos jesuítas ganha a
internet aos poucos, e eu não vou ficar assustado se alguém começar a
associá-los a tramas à la Dan Brown: Illuminati, Rosacruz, Templários
etc. Inclusive já há um site que declara a Ordem Jesuíta herdeira direta
dos Cavaleiros Templários. É dose?!
Desde sempre há uma história envolta em mito e cultura anticlerical: a
Papisa Joana, que teria sido a única mulher a liderar o catolicismo por
três anos. Essa lenda começou na Europa durante o final da Idade Média e
se perpetua até hoje. Livros foram lançados, documentários abordam o
tema e há uma certeza: de que ainda não há consenso algum acerca deste
complexo tema.

Como surgiram a lenda e algumas versões...
A história da papisa pode ter aparecido pela primeira vez em alguns
documentos do ano 1100. Outro cronista, desta vez do século 13, data o
papado de Joana de até três séculos e meio antes, depois da morte do
Papa Leão IV, coincidindo com uma época de crise e confusão na diocese
de Roma. Joana ocupou o cargo durante três anos, entre o Papa Leão IV e o
Papa Bento III (anos de 850 e 858).
A história possui várias versões. Segundo alguns relatos, Joana teria
sido uma jovem oriental, nascida com o possível nome de Giliberta,
talvez vinda de Constantinopla, que se fez passar por homem para escapar
à proibição de estudar, imposta às mulheres na época. Extremamente
culta, possuía formação em filosofia e teologia. Ao chegar a Roma,
apresentou-se como monge e surpreendeu os doutores da Igreja com sua
sabedoria. A mesma lenda conta que Joana se tornou amante de um oficial
da Guarda Suíça e ficou grávida.
Outra versão, atribuída a Martinho de Opava, afirma que Joana teria
nascido na cidade de Mainz, na Alemanha, filha de um casal inglês. Na
idade adulta, conheceu um monge por quem se apaixonou. Foram ambos para a
Grécia, onde passaram três anos, após o que se mudaram para Roma. Para
evitar o escândalo que a relação poderia causar, Joana decidiu vestir
roupas masculinas, passando assim por monge, com o nome de Johannes
Angelicus, e teria então ingressado no mosteiro de São Martinho.
Conseguiu ser nomeada cardeal, ficando conhecida como João, o Inglês.
Segundo as fontes, João, em virtude de sua notável inteligência, foi
eleito Papa por unanimidade após a morte de Leão IV, ocorrida em 17 de
julho de 855.

Apesar de ter sido fácil ocultar sua gravidez, devido às vestes folgadas
dos papas, acabou por ser acometida pelas dores do parto em meio a uma
procissão numa rua estreita, entre o Coliseu de Roma e a Igreja de São
Clemente, e deu à luz perante a multidão. As versões divergem também
sobre este ponto, mas todas coincidem em que a multidão reagiu com
indignação, por considerar que o trono de São Pedro havia sido
profanado. João/Joana teria sido amarrada num cavalo e apedrejada até a
morte. Noutro relato, Joana teria morrido devido a complicações no
parto, enquanto os cardeais se ajoelhavam clamando: “Milagre!”.
A história foi publicada pela primeira vez no século 13 pelo escritor
Esteban de Borbón e espalhada pelos séculos, porém sem provas. O teólogo
David Blondel e o filósofo alemão Wilhelm Leibnitz, além dos
enciclopedistas franceses, rotularam a história como falsa. Em 1886,
voltou a ser difundida pelo escritor grego Emmanuel Royidios no romance “A Papisa Joana”.

Investigação mais profunda...
A história do possível papado de Joana rendeu um cisma na historiografia
religiosa; alguns pesquisadores a aceitam justamente pela época
corresponder a uma confusão dentro do catolicismo. Outros contestam
alegando ser invenção. Quem defende a teoria conspiratória aponta que a
maior prova é o exame aplicado até 1800 aos papas eleitos, que deveriam
postar-se nus diante de um pequeno colegiado para, então, provar a sua
masculinidade.
Alguns céticos afirmam que o mito pode ter surgido em Constantinopla,
devido ao ódio da Igreja Ortodoxa contra a Igreja Católica. O objetivo
seria desmoralizar a igreja rival. Outra vertente é de que este papa
seria, na verdade, um eunuco que, por ser castrado, não foi eleito.
Outra hipótese é que, no século 13, o papado tinha um grande número de
inimigos, especialmente entre a Ordem dos Franciscanos ou a dos
Dominicanos, descontentes com as diversas restrições a que eram
submetidas. Para se vingar, teriam espalhado verbalmente a história da
papisa.
Outro fato interessante é que a história da Papisa Joana nasce no
período anterior ao Cisma do Oriente, quando as igrejas cristãs rompem e
ganha força e popularidade logo após 1520, época que Lutero rompe com o
catolicismo e inicia o movimento de Reforma Protestante. Ou seja, os
historiadores dizem que os fatos comprovam que Joana poderia ser um
embuste para desmoralizar a Igreja em duas épocas em que a informação
demorava meses, ou anos, para circular dentro da Europa.

Já quem defende a história envolvendo Papisa Joana aponta que o acervo
histórico do Vaticano permanece fechado à pesquisa e que a Igreja é, e
continua sendo, muito misógina; portanto, é natural a negação do papado
de uma mulher. Um dos sinais mais interessantes da existência de Joana é
um decreto publicado pela corte de Roma, proibindo que se colocasse
Joana no catálogo dos papas.
Genebrardo, arcebispo de Aix, afirma que, durante perto de dois séculos,
a Santa Sé foi ocupada por papas de um desregramento tão espantoso que
eram dignos de serem chamados apostáticos e não apostólicos, e
acrescenta que as mulheres governavam a Itália.Assim, alguns
historiadores explicam que, muito provavelmente, a Papisa Joana não
tenha existido, mas Joana sim. Com tanto desregramento papal e
escândalos em Roma, era natural que os clérigos tivessem amantes e
famílias. Portanto, Joana poderia ter sido uma amante mandona de algum
papa.
A lenda da Papisa Joana foi imortalizada no jogo de tarô através da carta “A papisa”,
que representa sabedoria, conhecimento, intuição, sexto sentido e
descoberta de grandes mistérios. Recentemente, escrevi um post sobre a
cultura do tarô, que originalmente não tem nada de adivinhação. Para
saber, clique aqui e aqui!

No geral, podemos afirmar que não há fundamento histórico algum para
comprovar a existência da Papisa Joana, mesmo com os adeptos da teoria
da conspiração dizendo que a Igreja, com todo o seu poder, tenta
acobertar os fatos. Ou seja, tudo indica que essa seja uma tremenda
farsa para desmoralizar a instituição em períodos conturbados da
política através de exemplos bastante reais: o excesso de sexualidade
entre os clérigos.
orlando castor
Nero Cláudio César Augusto Germânico. Um nome controverso na história
que envolve um pouco de tudo: poder, exageros, loucura, crueldade,
sexualidade, excentricidade. Vários têm sido os livros e documentários
que tentam entender um pouco desde homem, nascido em 37 d.C. e que
morreu no ano 68. Um imperador que governou o maior império do mundo, o
Romano, de 54 até a sua morte. Por ser tão controverso e comum nos
livros de história, decidimos fazer uma lista de considerações revelando
o que é fato e o que é farsa na vida deste homem.

1º Apesar da tirania e da extravagância, durante seu poder, teve foco na
diplomacia e no comércio, mas também tentou melhorar o nível cultural
da sociedade, construindo teatros e estádios para competições
desportivas;
2º Realmente mandou matar a sua mãe, Agripina, e seu irmão, Britânico.
Perseguiu muitos cristãos que, mais tarde, foram reconhecidos como
mártires pela Igreja. No entanto, conseguia enorme popularidade entre as
classes mais baixas da população, talvez por conta da política do pão e
circo;
3º Era sobrinho de Calígula, outro imperador com má fama histórica durante os tempos romanos;
4º Teoricamente, ele não teria direito ao trono romano. Mas uma série de
complôs com assassinatos e casamentos fez com que seu tio se casasse
com sua mãe, que voltava do exílio. Por ser mais velho que seu
meio-irmão Britânico, tornou-se herdeiro direto;
5º Ganhou emancipação aos 14 anos de idade, ou seja, tornando-se maior de idade;

6º Os primeiros anos do seu reinado são conhecidos como exemplo de boa administração;
7º Nero teve vários casos extraconjugais, enquanto sua mãe tramava em
favor do seu filho nos bastidores, a contragosto do Senado. Entretanto, o
jogo virou quando ela descobriu a série de traições com escravas e
estrangeiras, o que fez azedar o trato entre mãe e filho. Não procede a
informação de que eles vivessem um romance incestuoso;
8º Quando Britânico ia ser declarado adulto, apareceu morto. Há a
suspeita que Nero o envenenara com vinho, uma vez que Agripina já
tramava para que o Senado proclamasse o enteado o verdadeiro herdeiro do
trono romano. Diante disso, Nero colocou a mãe no exílio. Para
continuar suas aventuras sexuais, em 59 decidiu cometer matricídio;
9º Com poder cada vez maior em suas mãos, tratou de matar quem
aparecesse em seu caminho. Assim, tramou as mortes de antigos amigos,
parentes e até mesmo da esposa Otávia. Com atitudes como estas, sua
popularidade começou a cair. Diante disso, abriu tabernas de bebidas,
liberou prostíbulos e expandiu o território na Armênia, o que fez
tornar-se benquisto entre o povo;
10º Ficou ainda mais popular quando fez um decreto diminuindo alguns
impostos e libertando alguns escravos presos por dívidas que,
supostamente, jamais conseguiriam pagar. Além disso, praticamente cortou
os impostos de gêneros alimentícios, o que diminuiu o custo de vida;

11º Recebeu graves críticas por usar dinheiro público em espetáculos
artísticos e construção de obras de artes, como enormes estátuas. Amante
de jogos, patrocinou muitas lutas entre gladiadores em várias partes do
império;
12º Uma das lendas mais divulgadas sobre Roma e seu louco imperador Nero
diz que ele mesmo colocou fogo na cidade quando viu seus projetos
ruírem. No entanto, não existe nenhum documento que culpe o imperador;
mais louca ainda é a historinha de que ele tocava violino alegremente
enquanto a cidade ardia em chamas. O violino só foi inventado no século
16. De acordo com o historiador romano Tácito, Nero estava a uns 80
quilômetros de distância de Roma quando teve início o fogaréu; ainda
segundo ele, o imperador mandou tropas para controlar o incêndio;
13º Durante catástrofes públicas em Roma, como o referido incêndio, Nero
costumava abrir as portas dos prédios públicos para abrigar as famílias
que ficaram sem lar;
14º Nero atribuiu o incêndio aos cristãos. Era notório e é um fato que
ele tinha uma grande antipatia pela nova religião. Sua crueldade com
judeus e cristãos entrou para a história. Muitos foram jogados em
estádios durante espetáculos que eram devorados por feras como leões e
cães. Entretanto, é um mito de que cristãos tenham sido mortos no famoso
Coliseu Romano. Lá era palco de lutas entre animais e entre
gladiadores;
15º Nero gostava de cantar, tocar harpa e escrever poesias e canções.
Muito se perdeu ao longo da história, mas consta que ele gostava de
cantar durante alguns saraus, enquanto inimigos políticos eram
envenenados nesses sádicos jantares;

16º Quando foi morto, os políticos e as classes mais altas celebraram
publicamente o fato, uma vez que os gastos públicos eram gigantescos com
assuntos supérfluos e as tramas de morte, cada vez maiores. No entanto,
as classes mais baixas sentiram-se desprovidas de futuro seguro.
Extremamente populista e demagogo, Nero tinha o desejo de ser o mais
popular possível;
17º Após sua morte, a nova aristocracia fez questão de retirar seu nome
de monumentos. Surgiu em todo Império o mito de que ele estaria vivo em
um exílio tramando sua volta triunfal, para deleite de seus
correligionários e população mais pobre. Isso virou uma lenda tão
popular que até mesmo Santo Agostinho o nomeia em sua obra como uma
importante crença romana.

A história de Nero é muito controversa, principalmente por conta de
fontes duvidosas. Há uma polaridade muito grande: ou são críticas, ou
ufanistas. Outro problema é a distância: muito do escrito que nos chegou
não é contemporâneo à sua governança, havendo um hiato de pelo menos 50
anos.
Há muitas farsas nessa história tão interessante, bem como fatos
interessantíssimos. Apesar das fontes controversas, Nero realmente foi
um homem psicopata que não via limites para seu maior objetivo: ser
popular. Por isso tramou tanto, matou tanto e surpreendeu tanto. A maior
história atribuída a ele – o incêndio – é um embuste que o folclore
tratou de perpetuar.
Um nome tão importante da história não pode ficar resumido a poucas
linhas de um blog e vários livros não seriam possíveis para tentar
mostrar um perfil exato de alguém tão controverso.
Nos últimos anos, muitos antigos generais nazistas têm sido descobertos
ao redor do mundo enquanto curtiam seus últimos anos de vida em total
anonimato, como velhinhos simpáticos em cidades pequenas no Brasil, na
Argentina, na Austrália e na África do Sul. Com identidades falsas, o
passado destas pessoas parecia impossível de suposição. Assim foi com
Joseph Mengele (foto abaixo), o famoso médico nazista que morreu
no Brasil em 1979, em quase total anonimato. Isso tudo ocorreu graças a
uma operação muito bem elaborada pelos nazistas com o final da guerra,
as chamadas Ratlines.

As Ratlines – “linhas de ratos” – eram sistemas de fuga para os
nazistas que deixavam a Europa com a derrocada de Hitler a partir de
1944, com a iminente derrota alemã. Os destinos variavam pouco e os
antigos membros do partido tinham em mente locais seguros onde pudessem
viver sob nova identidade. Em geral, os destinos mais procurados foram
Argentina, Brasil, Paraguai, Chile e Austrália; em menor escala: Canadá,
Estados Unidos, África do Sul e territórios do Oriente Médio.
Tudo isso foi feito com meticuloso trabalho da Odessa, sigla de
Organização de Ex-membros da SS, num plano arquitetado por Otto
Skorzeny. Ao que tudo indica, governos nacionais, alguns clérigos
católicos e luteranos e instituições internacionais tiveram papel
importante nas Ratlines. O objetivo era fugir da Alemanha e das
condenações por crimes de guerra e demais atrocidades.

De acordo com documentos, o bispo católico Alois Hudal, membro honorário
do Partido Nazista, era reitor de um seminário próximo a Roma e, lá
dentro, passou a proteger alguns homens da SS. De dentro deste
seminário, Hudal começou a emitir documentos falsos destes homens para
que ganhassem vida nova como supostas vítimas da guerra, enquanto havia
uma verdadeira marcha de emigrantes saindo do continente europeu.
Há comprovações de que as Ratlines foram bem mais distante do que
podemos supor sem que a comunicação fosse interceptada pelos aliados da
Grã-Bretanha e União Soviética. Pastores luteranos no continente
americano recebiam instruções de como prosseguir e até alguns membros da
Cruz Vermelha Internacional auxiliaram com essas fugas em troca de
quantidades imensas de dinheiro.
A grande massa de nazistas acabou aportando nos Estados Unidos, no
Brasil e na Argentina, uma vez que esses países vinham recebendo grande
quantidade de imigrantes europeus desde meados de 1830. Foi assim que
nazistas como Adolf Eichmann (foto abaixo) ganhou uma longa vida em Buenos Aires até ser descoberto no início da década de 1960.

No polêmico livro “A verdadeira Odessa”, o argentino Uki Goñi
aponta que o governo do seu país sabia da Operação Ratline e, inclusive,
o então presidente Perón incentivou a ida de nazistas para a Argentina.
É fato que os governos de Perón e Getúlio Vargas eram simpatizantes do
fascismo antes de 1942, quando declararam guerra ao Eixo por pressão dos
Estados Unidos.
Em fevereiro de 1946, na Argentina, o governo chegou a criar uma
comissão de imigração para controle de entrada de europeus vindos da
guerra. Tudo era um embuste para, secretamente, resgatar e salvar
algumas figuras do alto escalão do Partido Nazista. No Brasil não houve
incentivo enorme como o caso argentino. Entretanto, os incentivos foram
muito grandes.
Nos últimos anos, as Ratlines têm sido estudadas por pessoas conhecidas como “caçadores de nazis”.
Eles tentam interceptar a comunicação realizada na época a fim de
prender esses homens e requererem as recompensas prometidas, que chegam
às dezenas de milhares de dólares. O que impressiona é como uma
verdadeira rede de fuga e falsificações ocorreu na Europa debaixo dos
olhos dos aliados que guerreavam naquele território.

Alguns dos famosos nazistas que escaparam usando a Operação Ratlines:
Adolf Eichmann, Franz Stangl, Gustav Wagner, Erich Priebke, Klaus
Barbie, Edward Roschmann, Aribert Heim, Andrija Artukovic, Ante Pavelic,
Walter Rauff, Alois Brunner e Joseph Mengele.
Teorias conspiratórias existem desde sempre, uma vez que o ser humano
sempre procurou enxergar nas entrelinhas fatos que poderiam estar
ocultos; haja vista o assassinato de Abraham Lincoln, a morte do mágico
Harri Houdini, o caso Roswell, a Área 51, o assassinato do presidente
Kennedy etc. Não tem sido diferente desde setembro de 2001, logo após os
ataques terroristas mais destrutivos da história, envolvendo os Estados
Unidos.

Desde 11 de setembro daquele ano, surgiu uma variedade de teorias
conspiratórias que disputam com o discurso oficial a narrativa dos
eventos que ocorreram naquele dia que assustaram todo o planeta. O
discurso oficial fala de uma conspiração, mas terrorista envolvendo os
membros do Al-Qaeda. Entretanto, quando falamos de teorias
conspiratórias deste evento, nos referimos ao que poderia ser uma
espécie de operação interna.
De acordo com os defensores da conspiração, os indivíduos responsáveis
tinham um bode expiatório – o grupo extremista afegão sob liderança de
Osama Bin Laden – mas estavam associados ao governo norte-americano, que
há pelo menos dois anos sabiam dos ataques iminentes e se recusaram a
agir, durante a governança de George Bush, republicano. Neste ponto há
divergências:
1ª divergência – Os terroristas muçulmanos, sim,
orquestraram os atentados e o governo tinha essa ideia, mas achou que
seria audácia demais e teria atribuído os relatórios a ficcionais e
fantasiosos demais;
2ª divergência – É a considerada mais louca. Aponta que os
atentados foram forjados pelo próprio governo americano, com o objetivo
de incitar os ânimos mundiais contra o controle do petróleo no Oriente
Médio e angariar apoio para uma guerra, uma vez que a indústria
belicista estaria em baixa. Os defensores deste ponto mostram que a
família Bush tinha ações em companhias de armas e de petróleo.

Algumas teorias conspiratórias afirmam que o desabamento das torres do
World Trade Center foi o resultado de uma demolição controlada. Outras
teorias também argumentam que um avião comercial não impactou contra o
Pentágono, mas sim um míssil (uma vez que o rombo feito no edifício era
“pequeno demais”), e que o voo 93, da United Airlines, foi abatido em
pleno ar. Relatórios publicados pelo National Institute of Standards and
Technology não confirmam a hipótese da demolição controlada. A grande
maioria das autoridades estadunidenses, jornalistas e pesquisadores
independentes concluíram que a Al-Qaeda é a única responsável pelos
ataques de 11 de setembro de 2001 e a destruição resultante.

Desde os ataques, vários sites, livros e filmes têm desafiado o relato
oficial dos acontecimentos. Embora a mídia tradicional afirme que a
Al-Qaeda conspirou para efetuar os ataques ao World Trade Center e ao
Pentágono, as teorias conspiratórias asseguram que os relatos oficiais
são imprecisos ou incompletos.
Inicialmente, as teorias conspiratórias sobre 11 de setembro despertaram
pouca atenção na mídia. Em um discurso nas Nações Unidas em 10 de
novembro de 2001, o então presidente dos Estados Unidos, George Bush,
denunciou o surgimento de “ultrajantes teorias conspiratórias que tentam
tirar a culpa dos terroristas, afastá-los dos culpados”.
Posteriormente, à medida que aumentou a exposição na mídia das teorias
conspiratórias sobre os eventos de 11 de setembro, as agências
governamentais estadunidenses e a administração Bush emitiram respostas
para as teorias, incluindo uma análise formal pelo National Institute of
Standards and Technology das questões sobre o desabamento do World
Trade Center.

Explicando o caso...
O grande problema das teorias de
conspiração em relação a esta série de atentados é sustentar-se sobre
bases pouco sólidas e muita boataria, bem como erros de identificação.
São sempre testemunhas que preferem não aparecer, nenhum nome
cientificamente reconhecido no meio, muitas situações na condicional:
teria feito, teria sido, teria falado etc. Uns chegam a apontar que
haveria um cofre cheio de ouro do subsolo do WTC e que, uma semana antes
dos atentados, ele foi completamente esvaziado. Ou então que nos
destroços do Pentágono não há restos de aeronave, como turbinas, cabine
ou poltronas.
Há no You Tube uma série gigantesca de vídeos que as pessoas tentam
analisar esses fatos com as explicações mais inventivas que possam
existir!
Essa situação de teoria conspiratória sobre 11 de
setembro nasce, se desenvolve e se perpetua por um número grande de
dividendos:
1) A vítima da vez foi o país mais poderoso do mundo;
2) Os atentados foram tão bem orquestrados que nem mesmo o cinema foi capaz de produzir um roteiro tão catastrófico;
3) Graças às tecnologias emergentes, vimos tudo ao vivo em nossas casas e em ângulos diversos;
4)
Os Estados Unidos têm um histórico de providenciar medidas urgentes e
catastróficas para atingir os seus objetivos, como patrocinar os golpes
de estado nos países latinos nos anos 60;
5) Há uma cultura entre
os governos norte-americanos de escamotear a verdade dos fatos e emitir
relatórios que encobrem o que realmente houve. Assim, desde o ocorrido
em 1947, em Roswell, vários teóricos da conspiração desconfiam de
boletins emitidos pelo governo norte-americano.


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Recentemente, publiquei um texto sobre o famoso caso de Roswell. Leia clicando aqui!
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Recentemente, publicamos um texto falando sobre a Área 51. Leia clicando aqui!
Desde então, várias pesquisas de opinião sobre os atentados foram
efetuadas para tentar estabelecer, grosso modo, quantas pessoas
duvidavam do relato oficial, e quão prevalentes são as teorias
conspiratórias. Pouco antes do quinto aniversário dos ataques, a grande
imprensa produziu uma série de artigos sobre o crescimento das teorias
conspiratórias. A “Time Magazine” declarou que este não é um
fenômeno periférico, mas uma realidade política de primeiro nível. A
cobertura da grande imprensa geralmente apresenta tais teorias como um
fenômeno cultural e é frequentemente crítica quanto ao seu conteúdo.
No geral, por algumas vezes, acredito que algumas teorias conspiratórias
são divertidas porque percebemos o nível crítico exagerado de algumas
pessoas. Entretanto, elas se tornam extremamente tóxicas quando se
transformam em um discurso cego.