segunda-feira, 25 de março de 2013

A maldição de Bolívar



Para muitos, o câncer agressivo que matou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, foi o resultado de sua decisão em 2010 de profanar os restos do libertador de cinco nações , Simón Bolívar.

 
O processo de exumação dos restos do líder latinoamericano foi cercado por incontáveis ​​mistérios e irregularidades.

 
Um ano após o controversa exumação morreram sete testemunhas do processo, todas pertencentes ao grupo mais próximo e de confiança do ex-presidente venezuelano.

 
O general Alberto Muller Rojas morreu nos dias que se seguiram a exumação; Guillermo Garcia Ponce, editor do diario chavista Veja morreu em setembro de 2010, William Lara, governador e ex-ministro chavista morreu em um acidente de carro, também em setembro daquele ano; Luis Tascon, deputado chavista, morreu de um  agressivo câncer de cólon em agosto de 2010.

 
Em 2011, a dirigente Lina Ron morreu de um enfarto e José Ignacio Meléndez Anderson, irmão do procurador assassinado Danilo Anderson. Enquanto a Controlador Geral da Venezuela,  Clodobaldo Russian morreu em Havana, ao receber atendimento médico em 2011.

 
Se disse que a exumação do corpo de Bolívar seria uma investigação científica para determinar as razões da morte do general 182 anos atrás, no entanto, as características do processo seguem chamando a atenção de muitos que inclusive afirmam que era um rito de santeria em que o presidente venezuelano participou diretamente.

 
A questionada exumação deixou muitas perguntas sem resposta. Nenhum aviso nacional foi dado sobre o evento, foi feito na madrugada, so se pode ver apenas uma parte da investigação, não houve serviço de Internet durante 19 horas, todos os participantes usavam roupa branca com máscaras que cobriam seus rostos e todas as luzes pareciam uma desnecessária.

 
O presidente venezuelano havia declarado, durante o processo de exumação do cadáver: ".. Vimos os restos do grande Bolívar e confesso que chorei, nós juramos. Eu digo, tem que ser Bolívar esse esqueleto glorioso, pois você pode sentir sua chama."

 
Mais de 2 anos depois da exumação do corpo de Bolívar são desconhecidos os resultados da investigação científica, o destino da bandeira original, que seria patrimônio venezuelano (que foi mudada por uma de 8 estrelas) e se foi retirada ou não alguma parte dos restos mortais de Bolívar.

 
A relação entre a profanação de túmulos de figuras históricas e maldições mortais data de 1932, quando o aristocrata Lord Carnarvon morreu após a abertura da câmara funerária do faraó egípcio Tutankhamon. Diz-se que na entrada da sala que continha os restos mortais do faraó se podia lêr: "A Morte chegará rapidamente a qualquer um que ouse perturbar o descanso eterno do Faraó".

 
Arthur Conan Doyle, autor dos romances policiais de Sherlock Holmes, promoveu a idéia de que os túmulos ancestrais continham um fungo mortal que poderia ter crescido nos sarcófagos fechados e liberados em contato com o ar.




Tradução: Carlos de Castro

Canibais? Nós? Imagine!



Canibais viveram na América do Sul ou na Nova Guiné - mas com certeza não na Europa! Que engano! Ainda no século 19, a antropofagia era praticada em Berlim ou Paris; embora não de forma tão grotesca como na gravura acima. Na Europa, partes do corpo humano eram consumidas por razões médicas...

Por Andreas Weiser

No dia em que fui preso ainda navegávamos a cerca de sete milhas de distância de Bertioga, quando os selvagens tomaram o rumo de uma ilha.
Eles puxaram as canoas para a terra e depois me arrastaram para fora. Eu não conseguia ver nada de tão machucado que estava meu rosto.
Também não conseguia andar por causa da lesão na minha perna; portanto, fiquei caído na areia. Os selvagens me cercaram e indicaram com gestos ameaçadores que pretendiam me devorar.”
Hans Staden é o nome do infeliz tão gravemente ferido, caído em uma praia no litoral brasileiro naquela ensolarada tarde de dezembro de 1553.
Ele é um “lansquenê” (do alemão Landsknecht, soldado mercenário alemão). Staden era procedente da região do atual estado de Hesse, na Alemanha, mas estava a serviço dos colonialistas portugueses comandando uma pequena fortificação não muito distante da atual cidade de São Paulo.
Levianamente, ele havia se afastado demais da área protegida pelo forte, caindo nas mãos dos índios tupinambá, que estavam em pé de guerra com os portugueses.
Prisioneiros inimigos costumavam ser escravizados pelos índios litorâneos – ou eram devorados.
“Quando nos aproximamos da aldeia chamada Ubatuba, vi sete cabanas. Perto da praia na qual eles tinham largado suas canoas havia mulheres trabalhando na roça... Fui forçado a lhes gritar de longe em sua língua Aju ne xe remiurama, que quer dizer: ‘Eu, vossa comida, estou chegando’.”
O lansquenê não estava destinado ao consumo imediato. Os tupinambá o reservariam para ser devorado durante uma festividade. Staden permaneceu em cativeiro durante nove meses.
Durante esse tempo ele foi obrigado a assistir como os índios matavam e comiam outros prisioneiros.
Em seus diários, o alemão descreve o ritual nos mínimos detalhes – e de uma forma tão distante que é como se o medo de logo chegar a sua vez o tivesse feito sair de si mesmo e se transformado em um observador imparcial.

Uma crônica do século 16 ilustra como o lansquenê (do alemão Landsknecht, soldado mercenário alemão que, nos séculos 15 e 16 servia sob o comando de oficiais de sua nacionalidade) Hans Staden cai nas mãos dos “nus comedores de gente”

“Eles fazem borlas de plumas para a clava com o qual matam o prisioneiro”, escreveu o lansquenê. “Quando tudo está preparado, eles determinam o dia em que o infeliz morrerá e convidam índios de outras aldeias para essa celebração.”
Depois disso, o drama na mata Atlântica se aproxima de seu clímax: “Por fim, um dos homens pega a clava, se posiciona diante do prisioneiro e lhe mostra a arma de tal modo que a vítima é obrigada a olhar para ela.
Enquanto isso, o índio que matará o prisioneiro sai em companhia de outros 13 ou 14. Eles pintam os corpos com cinzas antes de retornarem à praça onde está o cativo.”
Segue-se uma troca de palavras entre o prisioneiro e o índio que irá matá-lo. Depois disso, o guerreiro “o atinge com a clava por trás na cabeça”.
Imediatamente, as mulheres esfolam o cadáver sobre uma fogueira. Em seguida, Hans Staden descreve como o morto é esquartejado.
Um homem “corta suas pernas acima do joelho e separa os braços do torso; então quatro mulheres pegam essas quatro partes e, com grande gritaria de alegria, correm com elas ao redor da cabana. Depois disso, eles separam as costas com o traseiro da parte dianteira do corpo.
Eles comem as tripas e também a carne da cabeça. O cérebro, a língua e todo o resto comestível da cabeça são reservados para as crianças. Depois que tudo isso aconteceu, cada um volta para sua oca levando a sua parte”.
ISSO REALMENTE PODE ser verdade? Os relatos de Staden não lembram demais aquelas histórias em quadrinhos de canibais em que o homem branco cozinha no caldeirão de um cacique da selva todo enfeitado com plumas e ossos?
Atualmente, muitos cientistas acreditam que está provado que os tupinambá, bem como outras tribos indígenas, de fato eram canibais.
Ao que tudo indica, aquela fração de antropólogos que queria categoricamente absolver “o bom selvagem” da acusação de antropofagia foi refutada: um patologista e bioquímico comprovou a existência de traços de proteínas humanas em restos de excrementos e em panelas centenárias dos índios anasazi norte-americanos – provas irrefutáveis de canibalismo.
Na Amazônia, pesquisadores documentaram casos de antropofagia ritualística até o século 20. Os índios wari, por exemplo, não consumiam apenas seus inimigos mortos mas também parentes falecidos. A ideia de enterrar um ente querido na terra úmida e mofada da floresta lhes era repugnante.
Nos anos 90, o indianista Werner Hammer ainda presenciou como os índios yanomami misturavam as cinzas de seus mortos em uma papa de banana e depois a consumiam. Desse modo a comunidade internalizava seus falecidos.
Pergunta-se também o quanto Hans Staden foi verossímil como cronista. Sua obra Viagens e aventuras no Brasil (o título original é: História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América, Desconhecida antes e depois de Jesus Cristo nas Terras de Hessen até os Dois Últimos Anos, Visto que Hans Staden, de Homberg, em Hessen, a Conheceu por Experiência Própria e agora a Traz a Público com Essa Impressão”) foi publicada pela primeira vez em 1557, em Marburgo, Alemanha.
Ela é um dos primeiros documentos detalhados de um mundo que já não existe mais. Muitos consideram o relato de Staden autêntico – e pesquisadores brasileiros também o utilizam como uma fonte valiosa de informação.

A antropofagia: (não) era um tabu na Europa

O canibalismo como expressão extrema de miséria também existiu na Europa: soldados espanhóis comem condenados à morte

Hans Staden descreve sem refletir sobre o que ocorre à sua volta. Ele não compreende que os tupinambá não matam e comem seus prisioneiros pelo puro prazer de matar.
Ele é intelectualmente incapaz de conceber que o canibalismo praticado por eles brota de sua crença mágica de se apropriarem da força física e espiritual do inimigo por meio do ritual antropofágico.
De certa forma, a cerimônia era até uma homenagem à força do oponente: na Amazônia daquela época, ter um fim desses era considerado sofrer uma morte honrosa, explica Richard Sugg, da Universidade de Durham, na Inglaterra.
Uma de suas áreas de pesquisa é o chamado “canibalismo medicinal”. Mas, para Staden, os indígenas não passavam de selvagens que comiam suas vítimas movidos apenas por um “grande ódio e inveja”.
ESTA ERA UMA OPINIÃO que certamente estava de acordo com o espírito de época vigente na Europa. Na Espanha do século 16, os habitantes nativos do Novo Mundo eram coletivamente demonizados – inclusive como justificativa para sua submissão e escravização.
Para os europeus, o canibalismo era um fenômeno fora de seus próprios limites morais e geográficos. Um tabu, um ato de anomalia proibido por uma questão moral.
Eram selvagens os que comiam a carne de sua própria espécie – algo impensável em uma sociedade civilizada. Ou pelo menos era nisso que os europeus queriam acreditar. Porém, eles estavam completamente equivocados.
Antropólogos distinguem três tipos básicos de comportamento antropofágico: o canibalismo por fome, o ritualístico e o medicinal.
O primeiro é uma estratégia de sobrevivência na luta pela existência nua e crua, que ocorre em todas as sociedades a qualquer momento.

Cenas da vida cotidiana dos índios tupinambá, do ponto de vista de Hans Staden. O guerreiro à esquerda carrega a clava com a qual os presos eram abatidos antes de serem esquartejados

Na época em que Hans Staden aguardava seu próprio sacrifício na América do Sul, a Europa sofria com epidemias, atrocidades da guerra e fome.
As cidades foram vitimadas pela peste; mais tarde a guerra dos Trinta Anos (1618-1648) devastou grandes áreas do continente e uma catastrófica mudança climática destruiu uma colheita atrás da outra. A Europa mergulhou em uma terrível fome.
Testemunhas da Alsácia de 1636 relataram, por exemplo, que as pessoas iam aos cemitérios e desenterravam cadáveres para comê-los, ou cortavam os enforcados do cadafalso para consumi-los.
No mesmo ano, uma pastora de gado de Ruppertshofen, no sul da Alemanha, teria “arrancado a carne dos ossos de seu marido morto; cortando-a em pedaços, cozinhando e consumindo-a com seus filhos”.
NOS TEMPOS MODERNOS, a mais absoluta necessidade também pode transformar pessoas perfeitamente normais em canibais.
Foi o que ocorreu com os membros de uma equipe de rúgbi do Uruguai, cujo avião caiu nos Andes, em 1972. Isolados durante 72 dias na gélida cordilheira, os sobreviventes se alimentaram da carne de seus colegas mortos.
Sob o título Sobreviventes dos Andes, o trágico e sinistro episódio foi recriado em um filme de Hollywood.
O mesmo aconteceu no cerco a Leningrado, na União Soviética, entre 1941 e 1944, quando o exército alemão cortou todo e qualquer fornecimento de víveres à cidade.
Desesperadas, as pessoas viram-se diante de duas alternativas: morrer de fome (o que aconteceu com centenas de milhares) ou fazer o impensável – o que centenas de fato fizeram.
Já o canibalismo ritualístico, como o praticado pelos índios tupinambá, não é um ato de necessidade ou desespero. Nem o canibalismo medicinal – a variante europeia de práticas antropofágicas.

Carne fresca da forca: particularmente cobiçada

Saque de cadáveres na guerra dos Trinta Anos: os famintos desenterravam até caixões. O canibalismo medicinal era a variante socialmente aceitável dessas ações repugnantes


Essas duas formas de antropofagia tinham suas raízes na idéia de que o corpo humano, mesmo depois de morto, ainda continha forças que podiam ser transferidas aos vivos – um conceito que sobreviveu até os primórdios da modernidade na cultura dos tupinambá, wari ou yanomami; bem como entre os povos das florestas tropicais da Nova Guiné, que ainda viviam na Idade da Pedra, e entre muitos cidadãos de Londres, Paris ou Berlim.
Os canibais europeus também consumiam partes do corpo humano para se beneficiar das forças obscuras do morto; contudo, eles não capturavam pessoas para consumi-las. Na Europa, aproveitavam-se os corpos de vítimas de execuções.
NO SÉCULO 16, quando Hans Staden ainda aguardava a sua morte na América do Sul –, médicos e farmacêuticos europeus acreditavam plenamente na energia mágica que, segundo eles, emanava dos corpos de recém-executados.
A ingestão de carne humana não era, de forma alguma, um ritual secreto, realizado à luz bruxuleante de velas.
Na Europa, os membros dos mortos ou as substâncias derivadas deles farão parte durante séculos do repertório do tratamento médico. O comércio de múmias e partes de cadáveres se transformou em um ramo altamente lucrativo da economia.
O famoso médico, alquimista, físico e astrólogo suíço Paracelso é considerado o representante mais conhecido do canibalismo medicinal – e ele deixou instruções precisas.
No século 17, seu seguidor Johann Schroeder escreveu: “O ideal é você pegar o corpo de um homem ruivo, de cerca de 24 anos, que morreu de morte violenta”.
Cabelos ruivos eram sinal de “sangue mais leve” e de “uma carne melhor”. Era considerado particularmente importante que o cadáver não tivesse “dessangrado” – sangrado até a morte; pois, de acordo com a escola de pensamento dominante, um corpo sem sangue era um corpo sem alma.


Os tupinambá trazem o prisioneiro (a partir da esquerda); duas mulheres dançam ao redor da fogueira. A vítima é desmembrada. Sua cabeça é fervida; Staden está presente e reza

Todavia, o poder inerente ao cadáver era um produto altamente perecível. Era preciso captá-lo sem demora, para que não se esvaísse. De acordo com a imaginação da época, quando alguém morria, o vínculo entre a alma e o corpo se dissolvia em um prazo de 3 ou 4 dias. Portanto, somente quem se alimentasse de um cadáver fresco (ou de produtos derivados dele) podia ingerir também a sua alma e beneficiar- se de seus poderes.
Acreditava-se que era principalmente o sangue que continha aqueles “espíritos vitais” (Lebensgeister, em alemão) que uniriam a alma e o corpo.
Dizem que quando o papa Inocêncio VIII estava à beira da morte, em 1492, os médicos teriam sangrado três meninos para ministrar ao seu proeminente paciente o sangue deles.
Depois do procedimento, os meninos teriam morrido – e a intervenção aparentemente também não teria ajudado o Santo Padre.
NAQUELA ÉPOCA, os médicos papais também desconheciam o princípio que Paracelso postularia pouco mais tarde: “especialmente eficazes”, escreveu ele em sua Arte Necromantia, “são a carne e o sangue de criminosos executados”.
“Por que justamente os cadáveres de criminosos executados são considerados a melhor substância possível?”, pergunta a pesquisadora sociocultural Anna Bergman em seu livro Der entseelte Patient (“O paciente desalmado” – até onde pude verificar, sem tradução para o português), que descreve em detalhes as práticas do canibalismo medicinal.
Uma parte da resposta parece ser puro pragmatismo: “Como, de que forma obter cadáveres jovens e frescos sem se tornar um assassino?”
Para Bergman, a recomendação de Paracelso tem motivos mais profundos, que se enraízam nos mundos imaginários mágicos e nos rituais de execução cristãos – que hoje nos parecem tão bizarros quanto a crença tupinambá em espíritos.
De acordo com a convicção reinante na época, a alma do “pobre pecador” era purgada de todos os seus males (pecados) nos porões das câmaras de tortura da Justiça (significando que o pecador confessava sua culpa) – uma analogia à crucificação de Jesus Cristo.
Estes corpos que, arrependidos e purificados pela Graça Divina, despedem-se deste mundo no cadafalso, são particularmente cobiçados pelos canibais da Europa.

Sangue dos decapitados: remédio para as massas


QUANDO O SANGUE esguicha e jorra das artérias e veias do delinquente decapitado, os espectadores se amontoam na cerca ao redor do cadafalso com recipientes coletores em punho.
Os assistentes do carrasco coletam o sangue e devolvem os recipientes aos seus respectivos donos – que bebem avidamente o líquido. São epilépticos convencidos de que seu sofrimento pode ser curado com o sangue fresco de um executado.
Eles querem incorporar sua alma – afinal, Hildegard von Bingen já havia explicado a epilepsia como uma “evasão da alma que sai do corpo”.
Essa cena no cadafalso não se passa na Idade Média, mas em Göttingen, na Alemanha, em 1858. Naquele ano, o primeiro cabo submarino entre Europa e América entrou em operação; Karl Marx escreveu sua Contribuição à crítica da Economia Política e Rudolf Virchow apresentou sua teoria, segundo a qual as doenças surgem em consequência de perturbações nas células do corpo – que substituiu o antigo conceito sobre o funcionamento dos fluidos corporais.
Para os adeptos do canibalismo medicinal, a coleta do sangue no cadafalso é apenas o começo do aproveitamento dos mortos. Médicos e anatomistas assediam os carrascos para obterem partes do corpo particularmente cobiçadas.
O povo mais simples, por sua vez, tenta se apossar por conta própria das preciosas partes (sem passar pelo caminho da medicina, cara demais para eles) e começa a praticar saques tanto ao cadafalso como nos cemitérios.
Frequentemente, os restos mortais dos executados são completamente dilacerados após poucos dias.

O QUE OCORREU NA EUROPA foi uma diversificação daquela prática que teve seu apogeu no século 17. Muitas receitas circulavam entre a população; transmitidas oralmente na medicina popular ou artisticamente impressas em tratados eruditos.

O médico Johann Schröder, por exemplo, autor do manual de medicina mais importante do século 17, recomenda “cortar a carne humana em fatias, ou pedaços pequenos”, temperá-la, curti-la em aguardente de vinho e, por fim, secá-la.
A gordura corporal também é um produto muito desejado. Em 1675, o professor de medicina Tobias Andreae desmembra uma infanticida morta por afogamento, derrete sua carne e obtém 20 quilos da chamada “gordura do pecador pobre” (expressão que definia os criminosos condenados à morte).
E, na Grande Enciclopédia Universal de Zedler, de 1739, pode-se ler como transformar essa gordura em um medicamento antropofágico para uso doméstico. Não seriam, portanto, os europeus que deveriam ser chamados de “selvagens ferozes comedores de gente”?
Foi precisamente isso o que aconteceu entre os habitantes da África ao sul do Saara até o século 20: mesmo sem conhecimentos detalhados sobre o canibalismo praticado no hemisfério norte, os negros acreditavam que os brancos eram antropofágicos.


Hans Staden escapou com vida; os tupinambá o deixaram viver – talvez por que ele lhes parecesse covarde demais? Seus relatos tornaram-se uma fonte etnográfica

OS EUROPEUS JÁ HAVIAM levantado demasiado suspeitas perpetrando crimes colonialistas. Por volta de 1800, o explorador escocês Mungo Park, especializado no continente africano, relata que os escravos acorrentados tinham certeza de que os homens brancos os estavam levando ao abatedouro e não para realizar trabalhos forçados.
No Peru, a primeira insurgência contra os espanhóis foi desencadeada pelo boato de que os senhores coloniais estavam matando os povos indígenas para obter gordura corporal.
O comércio de matérias-primas canibalescas na Europa assumiu proporções transcontinentais, envolvendo múmias.
Entre 1500 e 1900, os médicos, os farmacêuticos e até os charlatães prescrevem a seus pacientes partes de cadáveres embalsamados, em pó ou forma esférica (comprimido), como remédio contra quase todos os males.
O negócio com a chamada mumia vera aegyptica (a “verdadeira múmia egípcia”) assume tais dimensões que em pouco tempo a demanda por exemplares autênticos do reino dos faraós não pode mais ser atendida.
Comerciantes e farmacêuticos apelam para falsificações e corpos embalsamados de mendigos, leprosos e vítimas da peste. Fetos abortados também são secados e vendidos como múmias infantis.
As verdadeiras múmias egípcias são um artigo de luxo. O rei francês Francisco I (1494-1547) sempre carregava consigo uma pequena quantidade da preciosa substância para, no caso de uma queda do cavalo ou outro ferimento se medicar imediatamente.
O filósofo inglês Francis Bacon (1561- 1626) apostava tanto no poder de cura das múmias quanto o poeta Léon Tolstoi, no final do século 19.
Ainda em 1912, a empresa farmacêutica alemã Merck oferecia em seu catálogo a mumia vera aegyptica – “enquanto os estoques durassem”. O preço era citado por quilo: na época, o equivalente a 17,50 marcos alemães.
As vozes céticas eram escassas. Um dos críticos mais proeminentes foi o humanista francês Michel de Montaigne que em pleno século 16 rotulou a mania das múmias como comportamento canibal e chamaou a atenção para a “crítica hipócrita” dos europeus em relação à antropofagia indígena.
Com toda razão, julga o historiador de medicina britânico Richard Sugg. Segundo ele, o canibalismo do Velho Mundo possuiu uma dimensão muito mais abrangente do que o dos índios.
O consumo de múmias não era uma cerimônia mágica, mas uma parte da cultura cotidiana e da vida econômica.
Na Europa, médicos e farmacêuticos faziam bons negócios com o canibalismo. No topo dessa rentável cadeia comercial estavam os carrascos e os ladrões de túmulos.
“A antropofagia europeia influiu nas mais diversas esferas e países”, resume Sugg. “Não se pode compará-la ao canibalismo limitado praticado, por exemplo, por uma tribo no Brasil.” Segundo o historiador, os verdadeiros canibais viviam na Europa.
DURANTE O SEU CATIVEIRO, Hans Staden observou, incrédulo, como os índios tupinambá tratavam bem aqueles que eles haviam reservado para suas festividades: “Eles lhe dão uma mulher que cuida dele, lhe dá de comer e também se deita com ele.
Se ela engravidar, eles criam a criança... Alimentam muito bem o prisioneiro e o mantêm vivo por algum tempo, enquanto fazem todos os preparativos para a celebração.
Eles fabricam muitos recipientes para as bebidas e outros mais especiais para as substâncias com as quais o pintam e decoram”.
Antes de ser abatida, a vítima desfruta do maior respeito; os tupinambá até permitem que ela gere descendentes – embora o venerado inimigo seja obrigado a provar que é digno de seu papel. Como?

Os sobreviventes da queda de um avião nos Andes, em 1972, alimentaram-se durante semanas da carne de seus companheiros de viagem mortos. Seu drama de sobrevivência se transformou em um filme de Hollywood

OS ASTECAS, por exemplo, torturavam seus prisioneiros para pôr à prova a sua coragem e assim determinar se eles eram ou não adequados para uma cerimônia antropofágica, explica Richard Sugg.
Segundo ele, as vítimas cooperavam com seus torturadores – na certeza de estarem sendo criticamente observadas pelo deus sol.
Hans Staden relatou que os tupinambá também davam grande valor à força física e mental do inimigo.
Afinal de contas, estas eram as características mais importantes que pretendiam incorporar ao devorá-lo. O lansquenê de Hesse, no entanto, foi um completo fracasso nesse sentido.
As regras desse jogo sinistro permaneceram incompreensíveis para ele. Em sua terra natal, a Europa do século 16, as pessoas que comerão e a que será comida não estabelecem nenhum tipo de relacionamento antes da morte da vítima. Staden havia perdido toda a sua coragem.
Ele implorou, suplicou, chorou e rezou aos brados ao seu deus. E depois descreveu a reação dos tupinambá com as seguintes palavras: “Então eles disseram: ‘Ele é um verdadeiro português. Agora ele grita desse jeito porque está com horror da morte’... Eles zombaram cruelmente de mim; tanto os jovens como os velhos”.
A cientista cultural brasileira Vanete Santana Dezmann presume que o pânico de Hans Staden o tenha tornado indigno aos olhos dos índios.
O que fazer com um pedaço de carne impregnado de covardia? Talvez tenha sido por essa razão que os tupinambá o libertaram novamente após nove meses de cativeiro.
O medo devora a alma: Staden teve a sorte do medroso. Ele voltou para Hesse e, juntamente com um médico, escreveu o seu livro sobre os comedores de gente.
Em Marburgo, o lansquenê abandonou o mercenarismo e foi trabalhar em uma jazida de salitre. Ele morreu em 1576.
A história não nos transmitiu o que aconteceu com o seu corpo.

Fonte: Revista Geo

Mistérios do Universo: Os Cagots, a raça maldita desaparecida!



No século XV apareceu de repente, em França, uma comunidade de seres muito estranhos que foram chamados de Cagots (pessoa banida da sociedade).
Até hoje, a sua origem permanece bastante misteriosa… tal como o seu desaparecimento súbito no início do século XX.
Este mistério ainda é mais surpreendente, dado que os acontecimentos que vou contar-lhe não aconteceram num local longínquo, mas no centro de um país europeu, entre os mais civilizados do mundo. Os vários enigmas que envolvem estes seres, dotados de uma aparência física e de hábitos estranhos, ainda não deixaram de despertar a curiosidade e de provocar as interrogações.


Quando do seu aparecimento há mais de 500 anos, foram chamados de Cagots, Chrestians, Lyzelars, Gésitains ou Gahets. Na França existe o termo “CABOTIN” que se acredita ser originários de CAGOT, e originando o termo CABOTINO (aquele que nada vale…), em português.
A sua origem étnica permanece ainda hoje um grande mistério. Alguns pensavam que eram descendentes dos Godos, enquanto outros lhes atribuíam uma origem árabe! Um médico alemão que os estudou, o Dr. Kant, declarou que tinham o cabelo preto, olhos cinzentos, as maçãs do rosto proeminentes e a tez escura.
Párias na sociedade

Os Cagots realizavam, na época, um certo número de atividades manuais. Eram carpinteiros, enfeixadores de lenha ou marceneiros. Todas as suas atividades estavam ligadas à madeira.
Esta particularidade viria do fato de que estas atividades lhe teriam sido impostas pelo clero, como recordação de José, pai adotivo de Jesus, que era carpinteiro.
Aliás, desta particularidade viria a denominação oficial de carpinteiros que lhe foi atribuída no século XVII por pressão do Parlamento de Bordéus, para substituir a denominação de  «cagot», que foi considerada infamante e discriminatória.
Na verdade, de acordo com alguns historiadores, a denominação de «Cagot» teria origem na expressão grega «cacos», cujo significado é: «maligno», «doentio», ou até «diabólico»!
Na sociedade da Idade Média, formavam um classe de párias, de enjeitados, cujas verdadeiras razões ainda não compreendemos. Eles eram sistematicamente proibidos em todas as assembleias e várias profissões e não tinham uma palavra a dizer na sociedade. Não tinham o direito de se misturarem com a população, nem nos locais públicos, nem nas igrejas, e muito menos de casarem-se com alguém que não pertencesse à sua comunidade!
Marcados com o selo da infâmia
Aliás, os membros do clero, que guardavam registos paroquiais (forma antiga do registo civil atual), eram obrigados a escrever obrigatoriamente «Cagot» ou «Gésitain» a seguir ao apelido.
Depois de terem sido perseguidos numa primeira fase, acabaram por ser tolerados até se aceitar que vivessem não no meio da sociedade, mas à margem.
Jurançon, um dos centros dos "cagots"
Em certas regiões e cidades, como a de Jurançon (França), deviam colocar na porta principal da sua casa uma escultura de homem à sua imagem. Curiosamente, quando os Cagots desapareceram misteriosamente da superfície da Terra, todas estas estátuas se evaporaram com eles.
A imagem dos "cagots" tinha que ser colocada à frente das suas casas
Uma curiosa semelhança com répteis
Esta perseguição tem origem na sua aparência física estranha, muito diferente daquela da população da Idade Média.
Eram muitas vezes comparados a lagartos ou a serpentes. Eram pequenos, carecas, sem orelhas aparentes. Em vez das orelhas, tinham dois buracos auditivos, como os pássaros ou os répteis. Tinham um rosto de cor verde-escuro que parecia dotado de escamas muito finas! Os seus pés e as suas mãos tinham uma membrana interdigital e do seu corpo emanava uma temperatura extremamente elevada!

Eram considerados como pessoas extremamente feias, sendo obrigados a vestirem-se dos pés à cabeça, que muitas vezes estava coberta por um capuz. Os seus pés deviam imperativamente estar calçados. Formavam uma comunidade deliberadamente posta de lado, com a qual não deveria haver contato, como a casta dos intocáveis, na Índia antiga. Deviam colocar no peito um pé de pato seco, pintado de vermelho, ou uma «pédauque» (imagem de uma mulher representada com pés de pato).

Mais do que as imposições informais, estas medidas discriminatórias tomaram a forma de obrigações solenes impostas pelos tribunais, chamados na época «parlamentos».
Provas incontestáveis da sua existência
A sua existência é atestada em particular, graças a um estudo médico e clínico efetuado pelo famoso médico Ambroise Paré (1509 – 1590), considerado como o pai da cirurgia moderna e científica de renome.
O médico francês Ambroise Paré
Ele tinha constatado particularmente as consequências surpreendentes da sua temperatura corporal elevada. Declarou que uma maçã mantida na mão de um destes seres tomava nalguns minutos a aparência enrugada e seca de uma maçã muito madura, com mais de oito dias!
Ambroise Paré escreveu também que uma sangria (tratamento corrente que consistia em tirar sangue, utilizado na Idade Média como remédio universal para as doenças) tinha provado que estes seres tinham, em vez do sangue, um líquido gasoso e fervilhante de uma cor azul esverdeada!
Apesar do seu estatuto de pária na sociedade da época, parece que os Cagots conseguiram atingir um nível de vida elevado, graças a um talento notável para os negócios, tal como atestam antigos arquivos notariais que registaram os bens deixados pelos Cagots falecidos.
Eram hermafroditas?
Outro mistério diz respeito à sua reprodução, pois tiveram descendentes durante gerações, apesar do fato de não terem o direito de casar-se ou de ter relações sexuais com os outros habitantes. Dizia-se que eram bissexuados e capazes de mudar de sexo tal como os caracóis, que são hermafroditas… e que também têm o sangue azul esverdeado! Pensa-se até que a denominação de «Cagot» viria desta semelhança.
Eles desaparecem como apareceram
O seu desaparecimento é um mistério muito perturbador, até porque viveram em França até ao início do século XX! Desde essa época, perdemos todos os vestígios deles, como se tivessem sido apagados  da memória coletiva! Muitos investigadores pensam até que os denominados «Cagots» eram extraterrestres que vieram estudar a raça humana!
Fonte: Artigo “Os últimos intocáveis da Europa” (por Sean Thomas – USA)/ Jorge Poggi
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METODOS DE TORTURA E EXECUÇÃO NA IDADE MÉDIA



Durante a atuação da Santa Inquisição em toda a Idade Média, a tortura era um recurso utilizado para extrair confissões dos acusados de pequenos delitos, até crimes mais graves. Diversos métodos de tortura foram desenvolvidos ao longo dos anos. Os métodos de tortura mais agressivos eram reservados àqueles que provavelmente seriam condenados à morte.
Além de aparelhos mais sofisticados e de alto custo, utilizava-se também instrumentos simples como tesouras, alicates, garras metálicas que destroçavam seios e mutilavam órgãos genitais, chicotes, instrumentos de carpintaria adaptados, ou apenas barras de ferro aque- cidas. Há ainda, instrumentos usados para simples imobilização da vítima. No caso específico da Santa Inquisição, os acusados eram, geralmente, torturados até que admitissem ligações com Satã e práticas obscenas. Se um acusado denunciasse outras pessoas, poderia ter uma execução menos cruel.
Os inquisidores utilizavam-se de diver- sos recursos para extrair confissões ou "comprovar" que o acusado era feiticeiro. Segundo registros, as vítimas mulheres eram totalmente depiladas pelos tortura- dores que procuravam um suposto sinal de Satã, que podia ser uma verruga, uma mancha na pele, mamilos excessivamente enrugados (neste caso, os mamilos re- presentariam a prova de que a bruxa "amamentava" os demônios) etc. Mas este sinal poderia ser invisível aos olhos dos torturadores. Neste caso, o "sinal" seria uma parte insensível do corpo, ou uma parte que se ferida, não verteria sangue. Assim, os torturadores espetavam todo o corpo da vítima usando pregos e lâminas, à procura do suposto sinal.
No Liber Sententiarum Inquisitionis (Livro das Sentenças da Inquisição) o padre dominicano Bernardo Guy (Bernardus Guidonis, 1261-1331) descreveu vários métodos para obter confissões dos acusados, inclusive o enfraquecimento das forças físicas do prisioneiro. Dentre os descritos na obra e utilizados comumente, encontra-se tortura física através de aparelhos, como a Virgem de Ferro e a Roda do Despedaçamento; através de humilhação pública, como as Máscaras do Escárnio, além de torturas psicológicas como obrigar a vítima a ingerir urina e excrementos.
De uma forma geral, as execuções eram realizadas em praças públicas e tornava-se um evento onde nobres e plebeus deliciavam-se com a súplica das torturas e, conseqüentemente, a execução das vítimas. Atualmente, há dispostos em diversos museus do mundo, ferramentas e aparelhos utilizados para a tortura.


Métodos de torturas

Roda de despedaçamento   | Visualizar imagem |
Uma roda onde o acusado é amarrado na parte externa. Abaixo da roda há uma bandeja metálica na qual ficavam depositadas a brasas. À medida que a roda se movimentava em torno do próprio eixo, o acusado era queimado pelo calor produzido pelas brasas. Por vezes, as brasas eram substituídas por agulhas metálicas.
Este método foi utilizado entre 1100 e 1700 em países como Inglaterra, Holanda e Alemanha.


Dama de Ferro   | Visualizar imagem |
A dama de Ferro é uma espécie de sarcófago com espinhos metálicos na face interna das portas. Estes espinhos não atingiam os órgãos vitais da vítima, mas feriam gravemente. Mesmo sendo um método de tortura, era comum que as vítimas fossem deixadas lá por vários dias, até que morressem.
A primeira referência confiável de uma execução com a Dama de Ferro, data de 14 de Agosto de 1515. A vítima era um falsificador de moedas.


Berço de Judas   | Visualizar imagem |
Peça metálica em forma de pirâmide sustentada por hastes. A vítima, sustentada por correntes, é colocada "sentada" sobre a ponta da pirâmide. O afrouxamento gradual ou brusco da corrente manejada pelo executor fazia com que o peso do corpo pressionasse e ferisse o ânus, a vagina, cóccix ou o saco escrotal.
O Berço de Judas também é conhecido como Culla di Giuda (italiano), Judaswiege (alemão), Judas Cradle ou simplesmente Cradle (inglês) e La Veille (A Vigília, em francês).


Garfo   | Visualizar imagem |
Haste metálica com duas pontas em cada extremidade semelhantes a um garfo. Presa por uma tira de couro ao pescoço da vítima, o garfo pressiona e perfura a região abaixo do maxilar e acima do tórax, limitando os movimentos. Este instrumento era usado como penitência para o herege.


Garras de gato   | Visualizar imagem |
Uma espécie de rastelo usado para açoitar a carne dos prisioneiros.


Pêra   | Visualizar imagem |
Instrumento metálico em formato semelhante à fruta. O instrumento era introduzido na boca, ânus ou vagina da vítima e expandia-se gradativamente. Era usada para punir, principalmente, os condenados por adultério, homossexualismo, incesto ou "relação sexual com Satã".


Máscaras   | Visualizar imagem |
A máscara de metal era usada para punir delitos menores. As vítimas eram obrigadas a se exporem publicamente usando as máscaras. Neste caso, o incômodo físico era menor do que a humilhação pública.


Cadeira   | Visualizar imagem |
Uma cadeira coberta por pregos na qual a vítima era obrigada a sentar-se despida. Além do próprio peso do corpo, cintos de couro pressionavam a vítima contra os pregos intensificando o sofrimento. Em outras versões, a cadeira possuía uma bandeja na parte inferior, onde se depositava brasas. Assim, além da perfuração pelos pregos, a vítima também sofria com queimaduras provocadas pelo calor das brasas.


Cadeira das bruxas   | Visualizar imagem |
Uma espécie de cadeira na qual a pessoa era presa de costas no acento e as pernas voltadas para cima, no encosto. Este recurso era usado para imobilizar a vítima e intimidá-la com outros métodos de tortura.


Cavalete   | Visualizar imagem |
A vítima era posicionada de modo que suas costas ficassem apoiadas sobre o fio cortante do bloco. Os braços eram presos aos furos da parte superior e os pés presos às correntes da outra extremidade. O peso do corpo pressionava as costas do condenado sobre o fio cortante.
Dessa forma, o executor, através de um funil ou chifre oco introduzido na boca da vítima, obrigava-a ingerir água. O executor tapava o nariz da vítima impedindo o fluxo de ar e provocando o sufocamento. Ainda, há registros de que o executor golpeava o abdômen da vítima danificando os órgãos internos da vítima.


Esmaga cabeça   | Visualizar imagem |
Como um capacete, a parte superior deste mecanismo pressiona, através de uma rosca girada pelo executor, a cabeça da vítima, de encontro a uma base na qual encaixa-se o maxilar. Apesar de ser um instrumento de tortura, há registros de vítimas fatais que tiveram os crânios, literalmente, esmagados por este processo. Neste caso, o maxilar, por ser menos resistente, é destruído primeiro; logo após, o crânio rompe-se deixando fluir a massa cerebral.


Quebrador de joelhos   | Visualizar imagem |
Aparelho simples composto por placas paralelas de madeira unidas por duas roscas. À medida que as roscas eram apertadas pelo executor, as placas, que podiam conter pequenos cones metálicos pontiagudos, pressionavam os joelhos progressivamente, até esmagar a carne, músculos e ossos.
Esse tipo de tortura era usualmente feito por sessões. Após algumas horas, a vítima, já com os joelhos bastante debilitados, era submetida a novas sessões.


Mesa de evisceração   | Visualizar imagem |
O condenado era preso sobre a mesa de modo que mãos e pés ficassem imobilizados. O carrasco, manualmente, produzia um corte sobre o abdômen da vítima. Através desta incisão, era inserido um pequeno gancho, preso a uma corrente no eixo. O gancho (como um anzol) extraía, aos poucos, os órgãos internos da vítima à medida que o carrasco girava o eixo.


Pêndulo   | Visualizar imagem |
Um dos mecanismos mais simples e comuns na Idade Média. A vítima, com os braços para traz, tinha seus pulsos amarrados (como algemas) por uma corda que se estendia até uma roldana e um eixo. A corda puxada violentamente pelo torturador, através deste eixo, deslocava os ombros e provocava diversos ferimentos nas costas e braços do condenado.
Também era comum que o carrasco elevasse a vítima a certa altura e soltasse repentina- mente, interrompendo a queda logo em seguida. Deste modo, o impacto produzido provocava ruptura das articulações e fraturas de ossos. Ainda, para que o suplício fosse intensificado, algumas vezes, amarrava-se pesos às pernas do condenado, provocando ferimentos também nos membros inferiores. O pêndulo era usado como uma "pré-tortura", antes do julgamento.


Potro   | Visualizar imagem |
Uma espécie de mesa com orifícios laterais. A vítima era deitada sobre a mesa e seus membros, (partes mais resistentes das pernas e braços, como panturrilha e antebraço), presos por cordas através dos orifícios. As cordas eram giradas como uma manivela, produzindo um efeito como um torniquete, pressionando progressivamente os membros do condenado.
Na legislação espanhola, por exemplo, havia uma lei que regulamentava um número máximo de cinco voltas na manivela; para que caso a vítima fosse considerada inocente, não sofresse seqüelas irreversíveis. Mesmo assim, era comum que os carrascos, incitados pelos interro- gadores, excedessem muito esse limite e a vítima tivesse a carne e os ossos esmagados.


Métodos de Execução

Guilhotina   | Visualizar imagem |
Inventada por Ignace Guillotine, a guilhotina é um dos mecanismos mais conhecidos e usados para execuções. A lâmina, presa por uma corda e apoiada entre dois troncos verticais, descia violentamente decapitando o condenado.


O Serrote   | Visualizar imagem |
Usada principalmente para punir homossexuais, o serrote era uma das formas mais cruéis de execução. Dois executores, cada um e uma extremidade do serrote, literalmente, partiam ao meio o condenado, que preso pelos pés com as pernas entreabertas e de cabeça para baixo, não tinha a menor possibilidade de reação. Devido à posição invertida que garantia a oxigenação do cérebro e continha o sangramento, era comum que a vítima perdesse a consciência apenas quando a lâmina atingia a altura do umbigo.


Espada, machado e cepo   | Visualizar imagem |
As decapitações eram a forma mais comum de execução medieval. A decapitação pela espada, por exigir uma técnica apurada do executor e ser mais suave que outros métodos, era, geralmente, reservada aos nobres. O executor, que apurava sua técnica em animais e espantalhos, ceifava a cabeça da vítima num único golpe horizontal atingindo o pescoço do condenado.
O machado era usado apenas em conjunto com o cepo. A vítima era posta ajoelhada com a coluna curvada para frente e a cabeça apoiada no cepo. O executor, num único golpe de machado, atingia o pescoço da vítima decepando-a.


Garrote   | Visualizar imagem |
Um tronco de madeira com uma tira de couro e um acento. A vítima era posicionada sentada na tábua horizontal de modo que sua coluna fique ereta em contato com o tronco. A tira de couro ficava na altura do pescoço e, à medida que era torcida pelo carrasco, asfixiava a vítima. Há ainda uma variação na qual, preso ao tronco na altura da nuca da vítima, encontrava-se uma punção de ferro. Esta punção perfurava as vértebras da vítima à medida que a faixa de couro era apertada. O condenado podia falecer tanto pela perfuração produzida pela punção quanto pela asfixia.


Gaiolas suspensas   | Visualizar imagem |
Eram gaiolas pouco maiores que a própria vítima. Nela, o condenado, nu ou seminu, era confinado e a gaiola suspensa em postes de vias públicas. O condenado passava dias naquela condição e morria de inanição, ou frio em tempos de inverno. O cadáver ficava exposto até que se desintegrasse.


Submersão
A submersão podia ser usada como uma técnica de interrogatório, tortura ou execução. Neste método, a vítima é amarrada pelos braços e suspensa por uma roldana sobre um caldeirão que continha água ou óleo fervente. O executor soltava a corda gradativamente e a vítima ia submergindo no líquido fervente.


Empalação   | Visualizar imagem |
Este método foi amplamente utilizado pelo célebre Vlad Tepes. A empalação consistia em inserir uma estaca no ânus, umbigo ou vagina da vítima, a golpes de marreta. Neste método, a vítima podia ser posta "sentada" sobre a estaca ou com a cabeça para baixo, de modo que a estaca penetrasse nas entranhas da vítima e, com o peso do próprio corpo, fosse lentamente perfurando os órgãos internos. Neste caso, dependendo da resistência física do condenado e do comprimento da estaca, a agonia se estendia por horas.


Cremação   | Visualizar imagem |
Este é um dos métodos de execução mais conhecidos e utilizados durante a inquisição. Os condenados por bruxaria ou afronta à igreja católica eram amarrados em um tronco e queimados vivos. Para garantir que morresse queimada e não asfixiada pela fumaça, a vítima era vestida com uma camisola embebida em enxofre.


Estiramento   | Visualizar imagem |
A vítima era posicionada na mesa horizontal e seus membros presos às correntes que se fixavam num eixo. À medida que o eixo era girado, a corrente esticava os membros e os ossos e músculos do condenado desprendiam-se. Muitas vezes, a vítima agonizava por várias horas antes de morrer.

Extraído de:
Occult Portal Medieval and Mythological Area