sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os 10 maiores mistérios da evolução humana

Publicado em 31.03.2012
Teóricos antigos, Charles Darwin, a genética e a ciência moderna ainda não foram capazes de solucionar completamente os mistérios relacionados à nossa evolução. Existe sólido conhecimento produzido sobre os conceitos de evolução, mas o senso comum ainda desconhece a maior parte deles. Confira uma lista com dez destes pontos obscuros.
10 – Por que não somos mais parecidos com os macacos?

Coloque lado a lado o DNA do homem e o do chimpanzé e você descobrirá que existe uma diferença de pouco mais de 1% entre nós e eles. Até as cadeias de cromossomos de ratos e camundongos, por exemplo, têm menos em comum entre si do que nós e os outros primatas. Apesar disso, somos muito diferentes.

A principal razão para isso é a própria genética. Quando se trata de cadeias de DNA, uma ínfima mudança de ordem pode incorrer em uma grande alteração no fenótipo. Apenas 1% difere entre chimpanzés e humanos, mas estas alterações se espalham por 80% dos nossos cerca de 30 mil genes. Dessa maneira, fica fácil haver duas espécies completamente distintas.
9 – Por que nos tornamos bípedes?

Os ancestrais do homem são bípedes há muito mais tempo do que se imagina. Darwin sugeriu que o ser humano passou a caminhar sobre duas pernas com o intuito biológico de deixar as mãos livres para a confecção de ferramentas. Cientistas posteriores, no entanto, derrubaram essa tese ao afirmar que o bipedalismo é 4 milhões de anos mais antigo que as primeiras ferramentas, logo, uma coisa está desvinculada da outra.
Um exame evolutivo mais apurado, feito por vários pesquisadores, mostra que há várias razões para que nós tenhamos deixado de ser quadrúpedes. Em parte, pode haver vínculo com a velha seleção natural, em que os bípedes levavam vantagem entre brigar melhor, economia de energia ao se movimentar, etc. O bipedalismo teria começado em árvores ou outros ambientes em que os quadrúpedes precisam de maior habilidade de locomoção.
8 – Por que o desenvolvimento tecnológico foi tão lento?

Uma descoberta relativamente recente (há cerca de duas décadas), em Afar, na Etiópia, mudou o modo como os cientistas enxergam a evolução dos instrumentos manuais. Lascas de pedra neste local foram datadas de 2,6 milhões de anos, muito mais antigamente do que se imaginava. A nova questão a intrigar os pesquisadores passou a ser o motivo de a revolução tecnológica seguinte levar tanto tempo para acontecer.
Uma das razões foi o lento amadurecimento do sistema nervoso central. Nos dois milhões de anos posteriores ao aparecimento das primeiras ferramentas, o cérebro humano dobrou de volume, atingindo 900 centímetros cúbicos. Entre os ganhos neste aumento, incluem-se as capacidades motoras, o que propiciou a evolução.
7 – Quando desenvolvemos a linguagem?

Anatomicamente falando, o Homo sapiens não foi a única espécie do mundo a ter habilidade para a fala. Os Neandertais tinham língua e estrutruras vocais e respiratórias próprias para a função de se comunicar, e indícios apontam para a existência de fala na espécie há cerca de 500 mil anos. O pontapé inicial da comunicação pode estar por volta desta época.
Apesar de não propriamente falarem, no entanto, hominídeos que teriam vivido na Terra algumas centenas de milhares de anos antes já gesticulavam. Ainda antes da fala em si, seu corpo já apresentava um órgão primitivo que se assemelhava a uma “caixa de voz”, e permitia a emissão de sons altos.
6 – Por que nosso cérebro é tão grande?

Alguns primatas, durante sua linha evolutiva, desenvolveram fortes músculos na mandíbula. Isso amplia a pressão sobre o crânio, inibindo o desenvolvimento físico do cérebro. O ancestral do ser humano, há cerca de dois milhões de anos, tomou o sentido contrário: uma mutação genética favoreceu o crescimento do cérebro.
Pouca gente imagina, mas um cérebro bem desenvolvido é literalmente faminto, ou seja, foi preciso que os hominídeos desenvolvessem uma dieta mais rica em vários nutrientes (derivados da carne, inclusive) para ampliar o próprio potencial.
5 – Por que somos pelados?

Uma ideia já levantada para o fato de os hominídeos terem perdido os pelos foi o fato de entrarem mais na água (em rios e lagos). Com a mudança de adaptação à temperatura externa, teríamos perdido a necessidade de tanta “cobertura”. A teoria mais aceita, no entanto, defende que nos livramos dos pelos porque estávamos superaquecendo, e não nos resfriando.
Enquanto nos restringimos a florestas tropicais, onde a temperatura é amena devido à cobertura vegetal, ser peludo não era problema. Mas a partir do momento em que nossos ancestrais passaram a habitar áreas abertas e com a mesma alta temperatura, o único artifício para resfriamento corporal era o suor. Nesta etapa, os pelos se tornaram um entrave evolutivo, e foram pouco a pouco descartados.
4 – Como aconteceu nossa diáspora?

Já é famosa a postulação de que os hominídeos partiram da África em direção a outras regiões do planeta. Há cerca de 1,8 milhões de anos houve ancestrais na Ásia e há uns 800 mil na Europa, mas estas espécies primitivas foram extintas. O ser humano se expandiu a partir do continente africano há cerca de 65 mil anos, um feito inédito para qualquer espécie animal.
Uma das explicações para a diáspora foi a instabilidade climática que a África vivenciava naquela época. O que estimulou o crescimento populacional foram as conquistas materiais dos hominídeos, tais como o domínio do fogo e tecnologias rudimentares de defesa, transporte e obtenção de alimento. O fato de andar, conforme explicam os cientistas, não era suficiente. Era preciso saber transformar os novos ambientes conquistados.
3 – Alguns humanos podem ser “híbridos”

A ideia de que todos os humanos de hoje possuem uma genética descendente de um ancestral único parece ser um erro. Estudos recentes mostram que os melanésios (etnia que habita ilhas no Pacífico Sul) têm 7% dos genes derivados do Hominídeo de Denisova, espécie primitiva descoberta recentemente, que teria sido extinta na região onde hoje está a Sibéria, na Rússia.
Isso significa que diferentes espécies ancestrais do homem teriam acasalado entre si, e algumas diferenças de DNA permanecem até hoje. Dessa maneira, a grosso modo, nem todos seríamos completamente Homo sapiens. Mas estas teorias nunca foram completamente confirmadas e ainda enfrentam grande contestação da comunidade científica.
2 – Ainda há outros hominídeos vivos hoje?

Provavelmente não. Embora haja lendas tais como o “Pé Grande” ou o Iéti (abominável homem das neves), de criaturas que lembram humanos, nada passou perto de ser comprovado. As supostas pegadas do Pé Grande (que habitaria a América do Norte), por exemplo, parecem ter sido simplesmente impressas por ursos, de acordo com pesquisas recentes.
Apesar disso, alguns sinais apontam para a ideia de que certas espécies coexistiram com o Homo sapiens mesmo depois que ele já havia superado os estágios evolutivos e as espécies primitivas “clássicas”, como o Homo erectus, já estavam extintas há muito tempo. Uma delas, o Homo florensis, foi descoberta da Ilha de Flores, na Indonésia, e teria vivido há até 18 mil anos atrás.
1 – Nós matamos os Neandertais?

Aparentemente, a culpa para a extinçao dos Neandertais recai justamente sobre os ancestrais do Homo sapiens moderno. Os Neandertais teriam se instalado há mais de cem mil anos em cavernas da Rocha de Gibraltar, na Espanha, e de lá se espalharam pela Europa e Ásia. Quando chegou a nossa vez de se expandir a partir da África, no entando, teríamos levado doenças que dizimaram pouco a pouco os Neandertais, até sua extinção há cerca de 24 mil anos.
O cérebro deles, conforme apontam os estudos, era de tamanho semelhante ao nosso. O que determinou nossa “vitória” sobre eles na face da Terra, no entanto, teria sido diferentes atribuições da massa cerebral: enquanto eles dedicavam boa parte a habilidades como a visão noturna, nosso cérebro foi programado para tarefas mais versáteis em termos de adaptação. Dessa maneira, eles sucumbiram. [NewScientist]

O que é real nas primeiras evidências acerca do homem primitivo?


O presente artigo busca traçar um panorama histórico-crítico acerca de diversas descobertas científicas que afirmam ter encontrado achados arqueológicos que comprovem a existência passada do homem primitivo. Tal busca ficou comumente conhecida através da nomenclatura “a busca do elo perdido”, sendo ela a maior argumentação possível a ser provida pela arqueologia, visando a corroboração da teoria evolucionista, como defendida originalmente por Charles Darwin. O artigo se propõe verificar se as primeiras evidências apresentadas podem ser consideradas conclusivas ou se haveria a necessidade de se continuar as buscas por tais evidências.
A série de desenhos em progressão, que apresenta a evolução de um pequeno símio quadrúpede, o qual, à medida que cresce, modifica sua estrutura anatômica até se tornar bípede e de corpo ereto como um ser humano moderno, tem estado presente em livros e revistas de toda gama de manifestações literárias, como expressão verdadeira sobre a origem humana. Pela forma como se faz a divulgação dessa série de desenhos, os leitores, na sua maioria, aceitam essa iconografia moderna e até acreditam que as formas esqueléticas desses modelos encontram-se completas, enriquecendo os acervos dos museus do mundo.
Esses desenhos, na realidade, não são a reprodução de restos fossilizados, cujos vestígios estariam expostos em algum lugar de pesquisa ou de visita famoso do mundo. Esses desenhos não são outra coisa senão fruto da imaginação de artistas que receberam sugestões de diversos cientistas, sobre como teria sido a evolução de um símio, através dos séculos, até se transformar no ser humano moderno. Devemos ainda asseverar que esses desenhos são uma tentativa de rejeitar a origem da humanidade, mediante um processo de criação, como é relatado no Gênesis, primeiro livro da Bíblia; e mais ainda, de procurar explicar esse fato através de um imaginário mecanismo de transformação gradual e contínuo, que aconteceu supostamente ao longo de milhões e milhões de anos.
Desde que a ideia de transformação ficou patente na mente de alguns cientistas, o desejo de justificar essa possível realidade levou muitas personalidades do mundo científico a procurar provas objetivas para demonstrar essa teoria. Muitos vestígios foram encontrados em diferentes partes do mundo e, após serem analisados, receberam o qualificativo de evidências fidedignas da evolução humana.Esses pareceres, emitidos em forma positiva, levaram muitos acadêmicos e professores que atuam em todos os níveis de formação educacional, a refletir, para seus discípulos, com a fidelidade da luz que incide na superfície de um objeto espelhado, a ideia de que esses vestígios já demonstram a evolução humana. No entanto, a análise dessas presumíveis evidências não justificam tais asseverações e, contrariamente, a realidade é outra e a verdade é oposta, conforme veremos a seguir.
O homem das cavernas
Pelos anais da história da ciência, se considera que George Buffon, célebre naturalista francês e principal autor da coleção de 44 volumes da Histoire naturelle, foi quem reconheceu, em 1749, com a autoridade de um cientista, a semelhança estrutural do ser humano com o macaco (CLARK, 1977, p. 144).Meio século mais tarde, outro cientista francês, o marquês Jean de Lamark, afirmou, na sua obra Filosofia zoológica, publicada em 1809 3, que o homem descendeu do macaco através de um processo de transformação que ele mesmo denominou de continuum filogenético. Através dessas afirmações, consideradas valiosas por serem emitidas por autoridades universalmente reconhecidas no campo das ciências, parecia estar estabelecida a teoria da evolução humana. A partir dessas assertivas, muitos cientistas, principalmente antropólogos, dedicaram parte da sua existência à procura de provas objetivas para demonstrar que o ser humano é, evolutivamente, descendente dos macacos. Essa procura, considerada uma atividade positiva, em muitos meios acadêmicos, recebe o utópico nome de a “busca do elo perdido”.
Foram muitas as tentativas de descobrir o “elo perdido”, ou seja, vestígios da suposta transformação do organismo de um símio no ser humano primitivo. Em 1833, por exemplo, foi descoberta na França a primeira caverna com indícios de ter sido habitada. Alguns instrumentos de pedra, não muito bem definidos, achados no lugar, revelariam a presença do homem primitivo; ou seja, do homem não completamente evoluído e que teria muitas características de símio. Essa teoria, no entanto, foi desconsiderada nos meios acadêmicos por falta de definição dos indícios.
Alguns anos mais tarde, em 1848, no estreito de Gibraltar, foi achado um crânio fraturado, sobre o qual se emitiram opiniões otimistas no sentido de pertencer ao homem das cavernas. O entusiasmo não teve muita duração, pois o interesse despertado, não foi maior do que a definição de que esse vestígio, não passava de ser simplesmente um crânio deformado.
Em 1856, ocorreu o primeiro achado considerado nos meios científicos como importante para provar a transformação evolutiva do ser humano. Foi na Alemanha, nas proximidades do rio Dussel, no vale de Neander, onde foram encontrados ossos deformados que alguns observadores insinuaram serem vestígios pertencentes ao homem de Neanderthal.
A doença do Homem de Neanderthal
Os restos de ossos encontrados na caverna junto ao rio Dussel eram na sua maioria parecidos aos de um ser humano moderno, embora apresentando formatos e tamanhos diferentes. As primeiras informações pareciam ser positivas, pois afirmavam que os vestígios encontrados pertenciam ao homem primitivo. Logo após esse achado, duas autoridades em antropologia, os franceses Marcellin Boule, diretor do Instituto Francês de Patologia Humana, e Henri Vallois, editor da conceituada Revue d’Antropologie descreveram o corpo do homem de Neanderthal como sendo de pequena estatura, estrutura robusta, cabeça grande e face bem desenvolvida (CLARK, 1977, p. 145). Por mais de quarenta anos essas descrições foram consideradas conclusivas e, pela posição e o nível de autoridade dos que a emitiram, foram também consideradas a última instância na definição dos restos do homem de Neanderthal.
A imprensa sensacionalista da época, contando com a imaginação de hábeis desenhistas, divulgou esses pareceres através de uma série de desenhos demonstrando a transformação evolutiva de um pequeno símio até alcançar a forma humana. No entanto, essas opiniões precipitadas causaram muita confusão nos meios científicos e até mesmo em ambientes tipicamente evolucionistas. Thomas Henry Huxley, o mais fiel e ardoroso defensor das ideias evolucionistas de Darwin, não concordava com as conclusões sobre os vestígios de ossos encontrados nas margens do rio Dussel. Ele negou categoricamente que esses vestígios pertencessem ao homem primitivo, afirmando que “os ossos de Neanderthal representam só uma pequena luz exagerada de uma forma de australianos vivos” (DAVIDHEISER, 1982, p. 331).
Jacob W. Gruber, do Departamento de Antropologia da Universidade Temple, declarou-se cético em relação às conclusões sobre os restos do vale do rio Dussel, e afirmou em 1948: “Quanto mais informação tem vindo sobre o homem do Pleistoceno, os vestígios de Neanderthal tornam–se mais confusos” (DAVIDHEISER, 1982, p. 330). Por outro lado, o paleontólogo W. E. Le Gros Clark manifestou uma posição mais definida sobre os restos de ossos do ser humano primitivo afirmando que o homem de Neanderthal “não deveria ser considerado como nenhum outro espécime, senão Homo sapiens” (CLARK, 1977, p. 147).
Essas conclusões, no entanto, não foram manifestações isoladas e únicas. A literatura científica relata que outros dois antropólogos, C. Arambourg e E. Pattie, publicaram independentemente seus estudos no mesmo tempo que faziam Straus e Cave, havendo chegado à mesma conclusão (DAVIDHEISER, 1982, p. 332). Esses estudos definiam, em forma conclusiva, que os ossos encontrados no vale de Neander não correspondem ao homem primitivo, mas a um ser humano moderno, cujos ossos sofreram deformação devido a uma doença degenerativa.
As opiniões de outros especialistas reafirmam que os ossos do homem de Neanderthal não são de um humano pré-histórico, mas de alguém moderno, vitimado por uma doença degenerativa nos ossos. Existem também outras opiniões que, mesmo não reconhecendo que a deformação seja causada por doença degenerativa, não admitem, no entanto, que os ossos sejam pertencentes ao homem primitivo. Earnest Albert Hooton (1946, p. 338) acredita que esses ossos poderiam pertencer a um ser humano com características físicas muito semelhantes aos aborígines australianos. Theodore McCown (1950, p. 92), por sua vez, sugere que esses vestígios poderiam pertencer a um indivíduo humano, especificado como uma subespécie (raça ou variedade) de Homo sapiens. A terminologia usada por McCown revela claramente a possibilidade de existir um mecanismo contrário à transformação progressiva dos seres vivos. Esse mecanismo teria a função, em certas circunstâncias, de provocar a degeneração das estruturas anatômicas dos indivíduos.
A controvérsia sobre o Homem de Java
Em 1890, o jovem e eminente professor Eugène Dubois, renunciou à sua privilegiada posição como conferencista de anatomia da prestigiada Universidade de Amsterdã, viajando imediatamente à ilha de Java, para se dedicar à pesquisa e procura dos restos daquilo que ele considerava o homem primitivo. Um ano após sua chegada, perto da região de Trinil, Java, desenterrou vários ossos de animais e, entre esses, um dente de aspecto estranho que, como inicialmente pensou, seria de um macaco. Mais tarde, à distância de um metro, encontrou um crânio pequeno. Explorações posteriores permitiram encontrar outro dente molar e, a quinze metros de distância, um osso fêmur (DUBOIS, 1935, p. 578–580). Dubois reuniu os ossos encontrados e considerou que todos esses vestígios pertenciam a um mesmo indivíduo. Ao analisar aquele pequeno número de ossos, concluiu que suas características não eram as de um ser humano comum, mas sim de um símio em evolução. Entusiasmado com seus achados e suas primeiras conclusões, fez uma cuidadosa descrição das características desses ossos, e até classificou o espécime dando-lhe o nome científico de Pithecanthropus erectus, ou “homem macaco ereto”.
Com uma bagagem plena de realizações, obtida nas suas pesquisas, não sem despender muito esforço, Dubois voltou para Europa a fim de fazer conhecer seus resultados. Cheio de entusiasmo e certo das suas conclusões, apresentou o relatório do seu achado no 3° Congresso Internacional de Zoologia, realizado em 1895, na cidade de Leiden, diante de uma platéia de cientistas que previamente duvidavam da autenticidade e do que representavam esses vestígios (DAVIDHEISER, 1982, p. 334). Apesar do empenho manifestado por Dubois na apresentação da sua descoberta, a maioria dos cientistas considerou que os ossos pertenciam a uma classe de macacos, talvez um gibão (DAVIDHEISER, 1982, p. 335). Diante dessas opiniões antagônicas e da rejeição generalizada às suas conclusões, Dubois manifestou-se contrariado, não conseguindo esconder a profunda frustração que sentia. Essa sensação de derrota foi de tal magnitude na consciência de Dubois, que decidiu isolar-se do mundo científico, escondendo os presumíveis ossos do homem primitivo durante 28 anos.
No decorrer do tempo, no entanto, alguns cientistas, analisando o relatório que fora apresentado por Dubois, mudaram de opinião e começaram a sustentar a ideia de que os vestígios encontrados em Java eram de fato do homem primitivo. Bateram às portas da residência do pesquisador, desejando observar esses ossos mais de perto, para reafirmar o seu parecer. Mas, de forma insólita, Dubois respondeu que ele próprio já não podia sustentar a opinião original e, finalmente, admitiu que o Pithecanthropus erectus podia ser um gibão gigante e não um ancestral do ser humano (KLOTZ, 1970, p. 343).
Anos mais tarde, o paleontólogo alemão Gustav von Koenigswald, em 1937, definiu que os restos do Pithecanthropus erectus pertenciam originalmente a uma raça de seres humanos que, por causas fisiológicas ou genéticas, sofreram degeneração, o que explicaria a deformação óssea presente nesses vestígios (MARSH, 1967, p. 207). Mais recentemente, o Dr. Kraus, ao definir sua posição sobre o homem de Java, baseado nos vestígios encontrados, emitiu uma comparação ao respeito, asseverando que, se o filho de um Pithecanthropus nascesse e crescesse no mundo moderno, “ele não agiria melhor ou pior do que uma criança Homo sapiens” (KLOTZ, 1970, p. 344).
Piltdown e as evidências de uma fraude
Em 1911, durante trabalhos realizados num poço localizado junto à estrada de Barkham Manor, no condado de Sussex, Inglaterra, o advogado Charles Dawson e Sir Arthur Smith Woodward, do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Britânico, encontraram vários fragmentos de ossos petrificados de formatos curiosos. Pelas primeiras observações, os autores dessa descoberta acreditaram que os ossos pertenceriam a um tipo de homem pré-histórico. Durante os meses seguintes, graças ao estudo mais dedicado e avaliação cuidadosa, chegaram a resultados que os conduziu à confirmação das opiniões anteriores. Com essas conclusões, prepararam um relatório das suas descobertas, o qual foi apresentado diante de um auditório de notáveis cientistas, em dezembro de 1912, na sala da Sociedade de Geologia da Inglaterra (DAVIDHEISER, 1982, p. 340).
Os autores expuseram os vestígios afirmando pertencer ao “Homem de Piltdown”. Os fragmentos incluíam o lado esquerdo do osso frontal, quase todo o lado esquerdo do osso parietal, 2/3 de partes do parietal direito, a parte inferior do occipital, a metade direita do maxilar inferior com alguns dentes, sobressaindo um proeminente canino (KLOTZ, 1970, p. 351).
Inicialmente, muitos cientistas duvidaram de que o maxilar fizesse parte do crânio. Dentre eles, doutores Waterston, Boule, Miller e Ramstron desconfiaram da autenticidade do material apresentado e levantaram a suspeita de tratar-se de uma fraude (STRAUS,1954, p. 265–269; WYSONG, 1981, p. 296). Mas a argumentação favorável foi convincente e o relatório aprovado. A partir desse momento, a descrição dos vestígios do “Homem de Piltdown” foi considerada suficiente e prova clássica da evolução humana. Assim, esse conceito foi exposto sem reservas nas revistas populares e nos textos de ensino de todos os níveis, fazendo parte dos conteúdos curriculares durante os 40 anos seguintes.
O dia 21 de novembro de 1953 registrou no campo da ciência, principalmente no círculo do evolucionismo, um evento com os efeitos de um cataclismo. Nesse dia foi anunciada ao mundo a grande fraude cometida em relação à veracidade sobre o Homem de Piltdown. Muitas análises permitiram chegar a essa conclusão. As provas eram numerosas e não deixavam lugar para dúvidas. O dente canino havia sido colocado artificialmente por meio do uso de substâncias abrasivas, de maneira tal que aparentasse ser um dente humano. Além disso, foi notório o descuido cometido na colocação dos outros dentes; as pontas eram aplanadas, mas dispostas em ângulos diferentes (DAVIDHEISER, 1982, p. 342). Utilizando a técnica do Fluorine chegou-se à conclusão de que o crânio era um osso fossilizado, enquanto que o maxilar e o dente claramente mostravam que não haviam sofrido tal processo. Verificou-se também que essas duas estruturas haviam sido artificialmente coloridas, supostamente com a finalidade de assemelhá-las ao crânio (STRAUS, 1954, p. 268) e, dessa maneira, torná-las compatíveis.
As observações que levaram os estudiosos a concluir que os vestígios do suposto “homem de Piltdown” eram na realidade objetos de uma fraude não pararam por aí. Os cientistas Weiner, Oakley e Clark chegaram à conclusão de que o maxilar e o dente eram de um símio moderno, alterados deliberadamente com a finalidade de parecerem fósseis (STRAUS, 1954, p. 266). Um exame dessas estruturas com raios X mostrou que não havia depósitos da dentina secundária, como se esperava que isso acontecesse se o dente fosse gasto naturalmente antes da morte do indivíduo (STRAUS, 1954, p. 269). Clark constatou que fibras colágenas, como as que se observam na superfície de um osso atual, foram achadas em vários segmentos do maxilar do crânio do falso homem de Piltdown, e que o osso que divide a cavidade nasal não é compatível com essa estrutura, pertencendo a algum animal moderno (KLOTZ, 1970, p. 353).
Cabe nestas circunstâncias fazer menção do espírito de franqueza e honestidade que estimulou aqueles especialistas, no momento oportuno, para não hesitar ao proferir suas avaliações, chamando a atenção do mundo científico e do público em geral para o reconhecimento dessa fraude.
O desaparecimento do Homem de Pequim
Na década de 1920, um enorme grupo de cientistas realizou escavações nas cavernas de Chou Kou Tien, perto da cidade de Pequim. Nas paredes internas dessas cavernas haviam sido descobertos desenhos rupestres, o que sem dúvida estimulou vários especialistas a procurar indícios dos autores. A primeira suposição foi que os autores desses desenhos pertenceriam a uma espécie de homem primitivo. Ao longo dessa década, muitos especialistas, algumas vezes em número de cem, dedicaram grande parte de seu tempo em escavações no interior dessas cavernas, procurando vestígios do homem primitivo. Em 1929, foi achado um crânio de tamanho pequeno, e nos dias seguintes, outros objetos, tais como ossos avulsos de formato característico de difícil identificação, alguns implementos de pedra e, sobre uma camada geológica acima das cavernas, foram encontrados esqueletos de animais, como ursos, hienas, tigres, chitas etc. Foram também achados vários esqueletos tipicamente humanos, embora arbitrariamente e por alguma razão não apontada, só tenham sido relatados três indivíduos (CLARK, 1977, p. 149).
O estudo dos restos de ossos encontrados nessas cavernas levou os especialistas a emitir suas primeiras conclusões. A capacidade volumétrica da caixa craniana variava entre 850 cc. a 1.300 cc., relativamente pequena para os padrões do ser humano atual. O tipo dos implementos de pedra encontrados ali foi considerado muito rudimentar. Com essas informações, os pesquisadores não demoraram em confirmar que esses vestígios pertenciam ao um ser humano pré-histórico, o qual foi identificado com o nome de Sinanthropus erectus ou o “Homem de Pequim”.
Alguns antropólogos que participaram das pesquisas de Chou Kou Tien divulgaram informações sobre peculiaridades de comportamento do “Homem de Pequim”. Afirmaram, por exemplo, que esse espécime pré–histórico, gozava de conhecimentos suficientes para produzir fogo e alguma técnica necessária para elaborar artefatos de pedra. Um relatório dado a conhecer em 1938 declarava que a coleção de Sinanthropus chegava a 38 indivíduos fossilizados, incompletos. Estes, na sua maioria, consistiam de fragmentos de maxilares, peças avulsas de crânio e dentes. Analisando os crânios definiu-se que 40% dos mesmos pareciam representar crianças de até 14 anos de idade, três crânios podiam pertencer a adultos menores de 30 anos; três outros a pessoas entre 30 e 40 anos, e um pareceria realmente ser de uma mulher idosa (KLOTZ, 1960, p. 1511).
O paradeiro dos ossos dos supostos homens de Pequim, até o momento, representa um mistério, impossível de ser resolvido. Sabe-se que esses vestígios, por causas não explicadas, foram removidos do lugar onde haviam sido encontrados, evitando dessa maneira sua preservação e também impossibilitando a sua análise e avaliação final. Anos mais tarde, os poucos especialistas que realmente tiveram contato com esses vestígios alegaram que eles desapareceram durante a invasão japonesa à China. Outra versão por eles sustentada é a de que esses ossos se misturaram com os de combatentes da guerra sino-japonesa, o que teria tornado impossível a sua identificação. Até o presente, ninguém mais achou um vestígio sequer semelhante aos do “Homem de Pequim”. Toda informação é dada pelo relatório preparado por alguns dos que participaram nas escavações das cavernas de Chou Kuo Tien não havendo em lugar nenhum, algum objeto, por insignificante que seja, para justificar a existência do Sinanthropus erectus.
Outras buscas pelo homem primitivo
Em 1930, um casal de pesquisadores britânicos, Louis B. Leakey e Mary, iniciou escavações na garganta de Olduvai, na Tanzania, com o objetivo de encontrar vestígios do homem primitivo. Depois de quase 30 anos de sacrificados esforços, em busca do “elo perdido”, no mês de Julho de 1959, enquanto Louis se encontrava convalescente no seu leito, vitimado por uma doença tropical, sua esposa Mary, que prosseguia nas escavações, encontrou um dente humano de aspecto estranho. Entusiasmada, a pesquisadora continuou sua tarefa e achou nas proximidades mais um maxilar de formato singular, com alguns dentes. Cheia de emoção, Mary correu para junto do seu esposo para lhe comunicar que finalmente seus longos e quase infindos esforços haviam sido recompensados: fora encontrado o primeiro indício do homem primitivo.
Aquela notícia certamente representou muito mais do que a comunicação de um fato. O sentimento de realização provocou alívio físico no arqueólogo, e o estimulou a prosseguir em suas pesquisas. Mesmo convalescente, Leakey retomou às escavações. Durante os dezenove dias seguintes o casal acumulou mais de 400 fragmentos de ossos, com os quais, após uma cuidadosa seleção, conseguiu montar, como peças de um quebra-cabeça, um crânio de aspecto peculiar (CLARK, 1977, p. 155).
O crânio formado era pequeno, de apenas 530 cc. de capacidade, e Leakey considerou pertencente a um espécime do homem primitivo, que ele mesmo identificou com o nome de Zinjanthropus boisei. Para conhecer a idade da existência desses vestígios, uma amostra da camada geológica onde se encontravam os mesmos, foi enviada à Universidade da Califórnia para análise radiométrica. Usando a técnica de datação Potásio-Argônio estimou-se que a idade do Zinjanthropus provavelmente seria de 1.750 milhões de anos (KLOTZ, 1970, p. 340). Uma idade incompatível com o período do aparecimento do homem na Terra.
Leakey continuou suas escavações e numa camada mais antiga encontrou peças de um crânio humano de aspecto completamente moderno. No entanto, a idade desse novo crânio foi estimada em 1.800 milhões de anos. Esse fato causou muita confusão na mente de antropólogos e evolucionistas, porque precisavam elucidar o problema de como os restos de um homem de aspecto moderno estavam soterrados em camadas geológicas de formação anterior do que a camada do homem primitivo. Aceitar como real o suposto crânio do Zinjanthropus boisei seria reconhecer que o homem moderno seria mais antigo do que o homem primitivo (MARSH, 1967, p. 209), situação difícil de ser esclarecida.
Outra tentativa de encontrar o “elo perdido” foi efetuada em 1922, quando Harold Cook noticiou a descoberta de vestígios do homem primitivo, cujas características seriam as de um símio com aspectos humanos. O entusiasmo provocado por esse achado foi sem limites, ao ponto de identificar esse espécime com o nome de Hesperopithecus haroldcookii. O inaudito do fato é que a reconstrução imaginária desse modelo pré–histórico foi efetuada na base de um único e simples molar fossilizado. A imprensa da época divulgou a novidade com desenhos imaginários, que exibiam o hominídeo num ambiente primitivo. Mais tarde, especialistas conscientes da sua responsabilidade analisaram essa suposta evidência e chegaram a uma conclusão que terminou com o entusiasmo inicial. A
ideia primeira de que esse único objeto possibilitava demonstrar a existência do homem pré-histórico foi abandonada, não sem constrangimentos, uma vez que descobriram que o dente isolado pertencia a uma espécie de porco já extinta (WINBOLT apud WYSONG, 1981, p. 296).
Considerações finais
No presente, alguns evolucionistas convictos continuam realizando pesquisas e escavações a fim de encontrar os vestígios do símio transformado em homem. A maioria dos evolucionistas, no entanto, apesar das opiniões controversas sobre os diferentes vestígios do homem macaco, com visão um tanto anuviada, ainda mantém suas convicções na descrição teórica e na exposição imaginativa que fez dos restos encontrados o elo que preenche a coluna evolutiva. Outros cientistas evolucionistas preferem ser mais cuidadosos, atuando conscientes de uma realidade que não é favorável ao estabelecimento de uma forma de transição entre um símio e o ser humano, admitindo em forma acanhada, que a “busca do elo perdido” ainda continua.
Referências
1 As supostas evidências do homem primitivo encontram-se amplamente divulgadas em uma gama ampla de textos. Citamos dois, em língua portuguesa: David (1973, p. 1–17) e McAlester (1988, p. 149–163).
2 Pelas suas afirmações, Buffon foi obrigado a se retratar, ameaçado pela igreja dominante (WHITE, 1899, p. 46–47).
3 Segundo Ritland (1970, p. 21) a primeira referência da teoria de Lamark apareceu em 1801.
BIBLIOGRAFIA
CLARK, H. W. The battle over Genesis. Washington: Review and Herald, 1977.
DAVID, P. A evolução do homem. Lisboa: Editora Verbo, 1973.
DAVIDHEISER, B. Evolution and christian faith. Phillipsburg: The Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1982.
DUBOIS, E. On the Gibbonlike appearance of Pithecanthropus erectus. Koninklijke Akademie Amsterdam, v. 38, 1935.
HOOTON, E. A. Up from the Ape. Michigan: The Macmillan Company, 1946.
KLOTZ, J. W. Age of Pekin man. Science, v. 131, 1960.
_______. Genes, genesis and evolution. Saint Louis: Concordia Publishing House, 1970.
MACALESTER, A. L. História geológica da vida. São Paulo: Editora Edgard Blucher, 1988.
MARSH, F. L. Life, man and time. Escondido: Outdoor Pictures, 1967.
MCCOWN, T. D. The genus Palaeoanthropus and the problem of superspecific differentiation among the Hominidae. In: COLD Spring Harbor Bio. Lab. Origen
and evolution of man, 1950.
RITLAND, R. A search for meaning in nature. Mountain View: Pacific Press, 1970.
STRAUS, W. L. The great Piltdown Hoax. Science, v. 119, 1954.
WHITE, A. D. Histoire de la lutte entre la science et la theoligie. Paris: Editorial Guillaumin & Cie, 1899.
WYSONG, R. L. The creation, evolution controversy. Michigan: Inquiry Press, 1981.
Artigo de autoria de Ruben Aguilar, Doutor em Arqueologia pela USP. Professor de Teologia no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). E-mail: ruben.aguilar@unasp.edu.br

Animais Irracionais: Homem ou Animal?


Animais Irracionais: Homem ou Animal?

O homem muitas vezes se acha superior aos animais, não é mesmo? Achamos que por estarmos estudando ou trabalhando somos muito mais inteligentes que todos os outros seres com os quais dividimos o planeta. Nós, humanos, logicamente somos dotados de características que os outros seres não possuem. Nós, humanos somos membros da espécie chamada homo sapiens, que quer dizer homem sábio. Nós temos um cérebro muito mais desenvolvido que os outros seres da natureza, temos capacidades como raciocínio abstrato, linguagem e resolução de problemas. Nós conseguimos usar nossos membros como braços e mãos para utilizar recursos da natureza de maneira diferente.
Animais
Animais
A única coisa que pode nos diferenciar dos outros animais como aves, macacos, formigas, elefantes etc. é que nós somos misteriosamente influenciados por uma série de interações sociais específicas. Lógico que os outros animais também não conseguem viver sozinhos, mas o homem tem uma necessidade crescente de mostrar quem é. Ele vive em grandes aglomerados humanos, com casas e prédios por todos os lados. Estruturas que vendem coisas que na maior parte das vezes ele não precisa comprar. Ele é cheio de leis, de regras sociais, de rituais, de éticas e valores. O homem tem uma cultura muito diferenciada.
Animais Irracionais
Animais Irracionais
Ele gosta de estética, de música, de beleza nas coisas, ele gosta de inovação, filosofia, artes, gosta de compreender tudo o que tem ao seu redor. Uma das coisas mais interessantes é que o homem quer entender os por quês da vida, porque ele existe, por que faz algumas coisas, entender suas atitudes etc.
O homem, mesmo tendo como uma de suas características entender os por quês de sua vida é um animal, como qualquer outro. Ele é mamífero, demora 9 meses para se desenvolver no ventre de sua mãe. Mas nós temos as semelhanças de um mamífero qualquer e nos comportamos como senão tivéssemos as características citadas nos dois parágrafos que já passaram. Por isso o homem é tão complicado. Nós, humanos, vivemos pelo prazer. Aí está nosso principal problema.
Os animais são movidos por coisas como proteção, reprodução da espécie, comida e abrigo. Os humanos, além dessas necessidades básicas, gostam de luxo. O abrigo não pode ser qualquer um. Precisa ter muito mais conforto. Eles procuram ficar ricos, se portam como se não houvesse amanhã, os fazendo parecer completamente irracionais. Já que os animais, não tendo nem mesmo a metade de nossa inteligência, sabem noções básicas de como preservar a natureza.
Irracionais
Irracionais
Sempre ficaremos com a questão se o homem é mesmo racional ou irracional, pois em alguns casos sempre age por instinto. Mas mesmo assim devemos em primeiro lugar racionalizar sobre nossas atitudes em relação à natureza, principalmente. Pois nós estamos destruindo nosso próprio planeta, nosso próprio habitat e muitas vezes nem percebemos isso. Estamos somente em busca do prazer, do que é fútil.

mundo é normal


Se o mundo é normal para quê ser anormal? Todas as coisas rolam como se o mundo se tratasse de uma montanha. Somos apenas pedras, á espera da derrocada. O mundo é normal, porquê ser anormal? Se todos são algo, alguns orgulham-se de não o ser. Se todos são alguém, alguns orgulham-se de nunca o terem sido. Se o mundo é redondo, e descendemos de macacos, alguns orgulham-se de o contradizer. E tudo progride, tudo segue, e nós continuamos uma pedra á espera dessa longa derrocada.
Tudo tem uma lógica. Qualquer pessoa procura justificar-se das suas atitudes. Procura dizer, de uma maneira lógica ou ilógica, a razão das suas atitudes. E a verdade é que nem tudo tem razão de ser. O mundo é de facto normal, nós é que teimamos em torná-lo anormal. Porque gostamos da diferença, da dificuldade, da lição de moral depois de cometermos o erro. Criamos e evoluímos. E o mundo torna-se menos normal.
Ninguém gosta de ser normal. Talvez gostem os velhos do Restelo, teimando que o bom seria manter o passado. Pois aí, talvez fossemos todos normais. Talvez se todos conservássemos o passado. Se a evolução estagnasse talvez deixássemos de tentar ser diferentes. A diferença provém do comum. E hoje, hoje o mundo é uma aldeia global. Ou pelo menos luta para o ser. E se o mundo se irá tornar num globo todo igual, então aí explodiremos as nossas diferenças, ai seremos todos menos como somos hoje. Aí, iremos seguir aqueles que consideramos diferentes.
Hoje, está em voga ser diferente. Esquecer a normalidade e tomar uma posição: ser diferente. Mas diferente do quê? Daquilo que querem que sejamos, ou igual àqueles que consideras diferentes? E são eles diferentes do quê? De ti? Procuramos sobressair. Procuramos fazer-nos notar. Fazer-nos ouvir. E damos connosco a ser quem nunca gostaríamos de ter sido. E apenas o somos, para sermos diferentes. O mundo é normal, lutamos pela sua diferença. E enquanto uns lutam para se imortalizar, outros lutam por quem nada tem. Enquanto uns criam para tornar a nossa vida diferente outros trabalham para manter tudo em pé. Enquanto uns vendem o corpo outros curam quem está doente. O mundo está cheio de diferenças. E contudo é normal. Porquê lutarmos pelas nossas diferenças? Somos todos dignos da vida. Mas apenas alguns têm direito a vive-la.