
Os
relacionamentos amorosos firmados no mundo espiritual foram
ignorantemente romantizados pelos seres humanos a ponto de serem
vendidos como uma mera satisfação da busca pessoal pela felicidade
efêmera e egoísta. Em relação aos relacionamentos amorosos firmados no
mundo espiritual as pessoas coisa alguma conseguem enxergar em tais
relações além de um servir da espiritualidade para satisfazer seus
anseios pessoais por felicidade. As pessoas que chegam a acreditar que
possa haver um relacionamento amoroso firmado no mundo espiritual
acreditam que tais relacionamentos existem apenas para lhes fazer
felizes e desta forma percebe-se de imediato quando uma pessoa não
possui um relacionamento amoroso firmado no mundo espiritual. O
relacionamento amoroso firmado no mundo espiritual é para quem tem
relação com a espiritualidade - é a espiritualidade que trabalha no
sentido de firmar tal relacionamento – e uma pessoa que vive apenas para
ser feliz não tem relação com a espiritualidade, pois o caminho da
espiritualidade não é um caminho de busca pela felicidade, tampouco pela
satisfação dos sentidos - conduta na qual as pessoas percebem-se como
felizes ao darem-se por fisicamente satisfeitas -.
Como
vive uma pessoa no mundo material expressa como ela vive no mundo
espiritual. A felicidade para as pessoas é a mera busca pela satisfação
dos sentidos, por isso acreditam que encontraram um Amor de vidas
passadas ou que possuem um relacionamento amoroso firmado no mundo
espiritual meramente quando encontram alguém por quem possuem atração
física e com quem conseguem ter uma relação sexual satisfatória. O
princípio que empregam é tão insignificante quanto o próprio nível de
evolução espiritual da humanidade: a relação sexual é satisfatória,
logo, há um Amor de vidas passadas ou um relacionamento amoroso firmado
no mundo espiritual. A satisfação física através da relação sexual é
imensuravelmente efêmera em comparação à eternidade do espírito e cada
árvore dá o seu fruto. Apesar disso, as pessoas realmente acreditam que
um relacionamento amoroso firmado no mundo espiritual, forjado na
eternidade, se evidencia meramente pela efemeridade da satisfação física
através da relação sexual. Ressalta-se a ignorância ao não perceber que
algo forjado no espírito não poderia limitar-se à efemeridade da
matéria. Fica evidente que a mera relação sexual satisfatória não tem a
ver com os relacionamentos maiores.
O
Amor de vidas passadas e os relacionamentos amorosos firmados no mundo
espiritual foram associados à mera busca pela felicidade efêmera e
egoísta porque as pessoas são efêmeras e egoístas, a felicidade que
buscam é efêmera e egoísta e os relacionamentos amorosos que vivem são
fundados na efemeridade e no egoísmo. O decreto de que um relacionamento
amoroso é um relacionamento maior meramente porque as pessoas
satisfazem-se sexualmente é a prova da efemeridade e do egoísmo que
consomem as pessoas, pois vivem a efemeridade e o egoísmo até mesmo em
seus relacionamentos. A satisfação física através da relação sexual é
efêmera, pois além de o prazer alcançado ser de tempo insignificante –
ainda mais porque o corpo logo envelhece e logo irá se decompor - em
comparação às eras pelas quais passam as almas, ela diz respeito somente
à pessoa envolvida e isso não tem relação alguma com a espiritualidade.
As pessoas podem achar que relacionamentos amorosos existam apenas para
que um sirva para o outro alcançar a satisfação física, mas para a
espiritualidade a função do relacionamento amoroso é outra. A
espiritualidade não vai trabalhar na união de duas almas apenas para que
estas vivam para transar.
No
que diz respeito aos relacionamentos amorosos ilustra-se o egoísmo
quando uma pessoa acredita que seu relacionamento sirva apenas para que
ela mesma seja feliz, quando ela vê na pessoa com quem ela se relaciona a
chave para a sua felicidade para que ela viva plenamente feliz no mundo
material – através da satisfação dos sentidos físicos – e no mundo
emocional – em todo o conforto que possa haver no campo emocional -. É
através desse egoísmo que os relacionamentos amorosos perderam o sentido
e as pessoas transmutaram a entidade familiar em mera ocasião de
coabitação sexual. Todos os relacionamentos amorosos dos humanos são
fundados no egoísmo. As pessoas querem alguém para transar, alguém para
lhes confortar emocionalmente, alguém para lhes afastar da solidão,
alguém para lhes servir de companhia naquilo que gostam de fazer por
entretenimento, alguém para lhes suprir financeiramente, alguém para
escravizar emocional ou intelectualmente, alguém para exibir aos outros e
alguém para tudo aquilo que possa servir ao seu Eu Exterior e quando
encontram alguém assim acreditam que estão felizes e por acreditarem que
estão felizes acreditam que estão vivendo um relacionamento maior.
O
simples fato de um casal não querer ter filhos já mostra seu egoísmo,
pois vive uma relação meramente para satisfazer o seu Eu Exterior sem
qualquer vontade de doar-se para alguém ao criar algo novo – a vida de
um novo ser humano -. Pessoas acreditam que podem construir através de
seus relacionamentos algo que acreditam ser importante, como patrimônio,
fama, sucesso, status, prestígio, poder e tudo aquilo que não tem
importância. Duas almas não fazem um pacto no mundo espiritual para
viver um relacionamento amoroso no mundo material para construir
patrimônio, ter fama, sucesso, status, prestígio, poder e coisas que não
têm importância, mas pactos são feitos apenas para a geração de uma
nova vida na Terra. Existem seres encarnados como humanos que não podem
se reproduzir com reles humanos – assim como não se reproduzem humanos
com répteis – e assim fazem um pacto no mundo espiritual para viver um
relacionamento amoroso no mundo material para que possam se reproduzir.
Existem também seres mais evoluídos espiritualmente que para encarnar na
Terra precisam vir através de seres também mais evoluídos
espiritualmente e que reúnam as condições necessárias para gerá-los.
A
espiritualidade é caminho de sentido. Viver um relacionamento amoroso
firmado no mundo espiritual é viver a espiritualidade e viver a
espiritualidade é viver com verdadeiro e real sentido em tudo, inclusive
nos próprios relacionamentos amorosos. Uma pessoa envolvida com a
espiritualidade não irá viver um relacionamento sem propósito e não há
propósito quando não há futuro. Aquele homem e aquela mulher que no
primeiro momento se apresentam como boas pessoas para o ficar podem não
ser um bom namorado e uma boa namorada. Aquele bom namorado e aquela boa
namorada podem não ser um bom noivo e uma boa noiva. Aquele bom noivo e
aquela boa noiva podem não ser um bom marido e uma boa mulher. Aquele
bom marido e aquela boa mulher podem não ser um bom pai e uma boa mãe.
Aquele bom pai e aquela boa mãe podem não ser um bom avô e uma boa avó
e, ao fim de tudo, aquele bom relacionamento pode ser essencial e
integralmente infértil. Todo relacionamento amoroso firmado no mundo
espiritual passa pelo caminho do casamento e da reprodução; portanto,
não há motivação para um homem e uma mulher continuarem um
relacionamento quando já sabem que não irão casar e não irão querer ter
filhos.
Difere
do relacionamento amoroso estabelecido na espiritualidade com o escopo
kármico o pacto entre duas almas para viver um relacionamento amoroso no
mundo material. Tratando-se de karma o relacionamento pode ser
estabelecido pelas entidades superiores de forma que acaba sendo
efetivamente imposto ao casal; o que por si já expressa o nível de
involução espiritual das almas em tela, pois se tivessem alcançando bom
nível de evolução não teriam lições impostas. O pacto é por livre
iniciativa das almas e já indica um nível de evolução espiritual maior,
pois as almas tiveram o livre arbítrio de escolher o próprio
relacionamento que viveriam na matéria. Existem almas que escolhem e
almas que não escolhem como viver no mundo material e, obviamente,
aquelas são mais evoluídas espiritualmente que estas. Como os pactos
dizem respeito a almas mais evoluídas estas naturalmente expressarão
este maior nível de evolução espiritual e maior relação com a
espiritualidade em suas vidas na Terra. Sendo assim, não há que se falar
neste tipo de pacto quando as pessoas em questão não têm qualquer
relação com o trabalho da espiritualidade e a espiritualidade na Terra.
Relacionamentos espirituais são para pessoas espiritualizadas.
Além
da efemeridade e do egoísmo que consomem as pessoas e que
consequentemente reflete em seus relacionamentos há também o fator do
vazio existencial que também lhes consome. Assim como cachorros vivem
apenas para satisfazer suas necessidades fisiológicas básicas os humanos
vivem apenas para satisfazer seus sentidos físicos. Em razão disto que
as pessoas pensam que encontraram o amor de suas vidas ao encontrarem um
companheiro para lhes acompanhar em viagens, em eventos culturais,
festas e demais banalidades, como se a espiritualidade fosse mover suas
forças para satisfazer a necessidade de uma pessoa de ter alguém para
viajar, ir em eventos culturais, festas e lhe acompanhar nas demais
banalidades pelas quais orienta a sua vida. Se o pacto entre duas almas
para viver um relacionamento amoroso no mundo material foi feito no
mundo espiritual ele diz respeito a seres mais evoluídos
espiritualmente, é regido pela espiritualidade e é óbvio que tal
relacionamento servirá à própria espiritualidade. O homem e a mulher não
se unirão amorosamente apenas para viver viajando, indo em eventos
culturais e festas e para viver as demais banalidades da vida, eles
necessariamente trabalharão com a espiritualidade e se unirão para isto.
O
casamento e a geração de filhos estão no caminho de todas as pessoas
verdadeiramente ligadas à espiritualidade. Se uma pessoa não consegue
compreender a importância do casamento e da geração de uma vida ela não
está inserida no plano da espiritualidade. A espiritualidade não une um
homem e uma mulher apenas para viverem transando, se divertindo e
construindo patrimônio. Espiritualmente o casamento é absolutamente
indissolúvel e a geração de uma vida une um casal até o fim de sua
encarnação. As duas condições que comprometem amorosamente a encarnação
de uma pessoa são o casamento e a geração de uma vida. Quem já casou
e/ou já teve um filho com alguém estará ligado à essa pessoa até a
morte. Fica claro então que não existe um pacto firmado na
espiritualidade para viver um relacionamento amoroso no mundo material
com uma pessoa que já casou e/ou já teve filho com outra, pois estas
duas condições – casamento e geração de uma vida - comprovam que essa
pessoa não estava destinada a viver algo com uma terceira pessoa, pois
se estivesse não teria casado e/ou tido filho com outra. Tais situações
apenas não fazem diferença para as pessoas que não estão ligadas ao
trabalho da espiritualidade na Terra.
O
pacto entre duas almas para viver um relacionamento amoroso no mundo
material durará até o fim da vida de uma delas e também em razão disto –
pois o casal também saberá da importância do casamento no mundo
espiritual - que há a questão do casamento, pois o casamento deixa claro
que o casal deverá permanecer junto até que a morte os separe. Quando
há tal pacto entre duas almas não há a possibilidade de que uma delas
possa seguir um caminho distinto (com outra pessoa), pois por mais que
ela tente apenas colherá sofrimento e o sofrimento virá por ela não
estar cumprindo aquilo que se propôs a cumprir (sua própria consciência
irá lhe cobrar). Quando uma pessoa possui um pacto de alma com outra
pessoa ela sabe que aquela pessoa não conseguirá viver com outra e que
sem ela ela viverá e morrerá sozinha, assim como ela sabe que ela é a
única pessoa com quem ela poderá viver. O Amor entre as duas almas, que
também motivou o pacto, e a consciência de que o pacto vincula a vida
amorosa no mundo material por toda a encarnação desencadearão o
sentimento vivido no mundo material em razão do pacto: o de querer casar
com a pessoa para estar com ela até a morte para que ela não se sinta
sozinha.

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