segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Psicologia da Espiritualidade

Espiritualidade, religiosidade e psicoterapia

 Introdução
O interesse sobre a espiritualidade e a religiosidade sempre existiu no curso da história humana, a despeito de diferentes épocas ou culturas. Contudo, apenas recentemente a ciência tem demonstrado interesse em investigar o tema. No começo dos anos de 1960, os estudos eram dispersos e, nesse período, surgiram os primeiros periódicos especializados, entre os quais oJournal of Religion and Health. A partir dessa época, estudos realizados sobre espiritualidade e religiosidade em amostras específicas (por exemplo, enfermidades graves, depressão e transtornos ansiosos) mostraram pertinência quanto à investigação do impacto dessas práticas na saúde mental e na qualidade de vida (Propst, 1992; Azhar et al., 1995; Pargament, 1997; Koenig, 2001; Berry, 2002).
A crença religiosa constitui uma parte importante da cultura, dos princípios e dos valores utilizados pelos clientes para dar forma a julgamentos e ao processamento de informações. A confirmação de suas crenças e inclinações perceptivas pode fornecer ordem e compreensão de eventos dolorosos, caóticos e imprevisíveis (Carone e Barone, 2001). Vários estudos demonstram que o conhecimento e a valorização dos sistemas de crenças dos clientes colaboram com a aderência do indivíduo à psicoterapia, assim como com melhores resultados das intervenções (Giglio, 1993; Razali et al., 1998; Sperry e Sharfranske, 2004). Porém, poucos estudos envolvendo religiosidade, espiritualidade e psicoterapia foram conduzidos no Brasil. Realizamos a revisão da literatura a partir de um levantamento de artigos publicados até janeiro de 2007 no Medline/PubMed e no PsycINFO com os descritores religiousness – spirituality – psychotherapy. Escolhemos os artigos, livros e teses que consideramos pertinentes para atender ao objetivo do presente artigo: fundamentar a análise e a discussão dos achados de pesquisas nesse âmbito, suas implicações clínicas, assim como apontar a relevância do tema para investigações no Brasil.

Conceitos espiritualidade e religião
Atualmente, observa-se na literatura psicológica ênfase crescente do tema espiritualidade (Crossley e Salter, 2005). Um estudo recente mostrou que os principais domínios discutidos em psicoterapia de indivíduos americanos incluíram o trabalho, a família, os amigos e a sexualidade. A religião e a espiritualidade foram consideradas temas de igual importância e os clientes observaram os terapeutas abertos para discussão desses domínios (Miovic et al., 2006). Contudo, nem todas as abordagens encontraram um ajuste do tema em suas intervenções terapêuticas. O método qualitativo com entrevistas semi-estruturadas foi utilizado para investigar como psicólogos clínicos compreendem e abordam a espiritualidade durante a psicoterapia. Os psicólogos estudados consideraram a espiritualidade um tema potencialmente provedor do encontro de equilíbrio e harmonia dos clientes. Contudo, a diversidade de conceitos acerca da espiritualidade foi observada como um aspecto crucial da dificuldade para abordar o tema na psicoterapia. O estudo pontuou a importância de tornar os conceitos religião e espiritualidade mais coerentes e acessíveis, facilitando o diálogo profissional no contexto terapêutico (Miovic et al., 2006; Crossley e Salter, 2005). Portanto, adotamos aqui as definições de Koenig (2001), que conceitua religião como um sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos projetados para auxiliar a proximidade do indivíduo com o sagrado e/ou transcendente, e espiritualidade como uma busca pessoal de respostas sobre o significado da vida e o relacionamento com o sagrado e/ou transcendente.

Psicoterapia, suas bases e validação
As contínuas reflexões da humanidade sobre si mesma e a vida, sobre as emoções, o porquê da existência, do nascimento e da morte deram origem à filosofia, reconhecido berço da psicologia. As raízes da psicologia remontam à Grécia Antiga, quando o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) produziu o escrito Acerca da alma, citado muitas vezes como o primeiro manual de psicologia (Aristotle, 1956). O termo psicologia, no qual reside a raiz etimológica psiché (alma) mais o sufixologos (razão, estudo), surgiu no final do século XVI com Rodolfo Goclenio e a publicaçãoPsychologhía, hoc est de hominis perfectione, animo et in primis ortu eius, commentationes ad disputationes. A proposta original da psicologia foi estudar e compreender o espírito – do latinspiritus –, que significa literalmente respiração. Os limitados métodos científicos dos séculos passados favoreceram o distanciamento da psicologia em relação ao estudo do "não-palpável", enquanto a medicina desenvolvia métodos para investigações do corpo (do latim corpus: parte essencial) (Finger, 1994).
Com o objetivo de tratar, remover ou modificar sintomas de natureza emocional e promover o crescimento e o desenvolvimento da personalidade, surgiram, em meados do século XIX, as psicoterapias no Ocidente. Estas variam em relação às escolas filosóficas, às perspectivas epistemológicas e às teorias e aos métodos que utilizam como orientação de suas intervenções práticas. A publicação do artigo "Some implicit common factors in diverse methods of psychotherapy", de Rosenzweig (1936), foi um marco original da discussão sobre diferenças, similaridades e eficácia das psicoterapias. O achado geral de pouca ou nenhuma diferença entre as principais escolas da psicoterapia em termos de efetividade global foi previsto nesse artigo publicado há 70 anos (Samstag, 2002, p. 58) e a discussão deste por Goldfried (1999) trouxe novamente o tema à tona. Atualmente, as áreas de concordância entre as abordagens psicoterápicas continuam mais expressivas que as diferenças, sobressaindo em especial quatro aspectos: a similaridade dos objetivos; a relação terapeuta-cliente tem papel central nos processos; o cliente responsabiliza-se pelas escolhas; e a promoção da compreensão do "eu" pelo cliente (Duncan, 2002). De fato, Luborsky et al. (2002), a partir do exame de 17 metanálises de estudos comparativos de diversas modalidades de psicoterapias, encontraram diferenças não significativas de resultados. Os autores reconhecem que "resultados não significativos não indicam que os tratamentos comparados têm os mesmos efeitos para todos os pacientes". Por outro lado, Bohart (2000) postulou que o cliente deve ser visto como o fator comum mais importante na psicoterapia, trazendo o conceito de "resiliência" – capacidade de atravessar dificuldades e voltar à qualidade satisfatória de vida – para argumentar que os clientes, e não os terapeutas, são os curadores. Estudos anteriores sobre resiliência concluíram que o desenvolvimento psicológico humano é altamente polido e autocorretivo (Prochaska et al., 1992; Masten et al., 1998). Os tipos de assistência que os terapeutas provêem consistem de processos humanos de autocura que ocorrem naturalmente, talvez de uma forma mais refinada e sistemática (Neno, 2005). Portanto, a psicoterapia deve voltar-se para os clientes e respectivos sistemas de crenças, no sentido de potencializar suas capacidades, uma vez que a terapia funciona até onde estes aceitam participar e as condições de aprendizagem. Além disso, é fundamental que a psicoterapia trabalhe para desenvolver modelos colaborativos, baseados na relação, que enfatizem a mobilização da esperança e do otimismo, o envolvimento ativo do cliente e a ajuda para que este mobilize suas inteligências intrínsecas para encontrar soluções (Bohart, 2000, p. 145). Nesse sentido, é razoável postular que a religiosidade e a espiritualidade devem ser consideradas pelos terapeutas em suas abordagens, e mesmo estratégias psicoterápicas que valorizem tais sistemas de crenças devem ser formuladas e investigadas quanto à eficácia do tratamento.
A mais recente geração dos estudos sobre eficácia da psicoterapia foi influenciada por políticas de financiamento dirigidas pelo National Institute of Mental Health, quando o modelo médico, consolidado nos estudos farmacológicos, passa a ser prescrito na avaliação das psicoterapias (Goldfried e Wolfe, 1998, p. 144). As novidades metodológicas incluíram: a) uso do DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994) na definição dos problemas e das medidas de resultados; b) seleção de pacientes que se adaptem estritamente a um diagnóstico; c) distribuição randômica dos participantes entre os grupos; d) refinamento das diretrizes para intervenção (manuais detalhados); e) treinamento dos terapeutas para seguimento dos manuais; e f) criação de mecanismos de verificação da correspondência entre desempenho de terapeutas e manuais prescritos. Seligman (1995) também chama a atenção à importância de avaliar aspectos intitulados como não-específicos, tais como: traços de personalidade do terapeuta que podem sensibilizar o estabelecimento do rapport – aliança terapêutica –, a aderência e a confiança do cliente em relação ao profissional e ao respectivo tratamento. Assim, as psicoterapias baseadas em evidência requerem padronização em manual e eficácia encontrada em pelo menos dois estudos clínicos randomizados com amostras significativas de pacientes bem caracterizados conforme DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994) e grupos controles criteriosamente escolhidos – lista de espera, placebo, medicamento, outras intervenções já estabelecidas (Weissman et al., 2006). Os conceitos de validades interna (confiança com que se pode atribuir as mudanças observadas às manipulações do tratamento) e externa (a evidência do quanto um tratamento funciona na prática clínica real) foram também propostos para o estudo da eficácia das psicoterapias (Chambless e Ollendick, 2001). Contudo, apesar de algumas abordagens direcionadas a transtornos específicos terem validação empírica (Chambless et al., 1998), Weissman et al. (2006) observaram que poucas psicoterapias baseadas em evidências são ensinadas em programas de psicologia e psiquiatria creditados pelo governo americano. Ainda que a considerável distância entre os estudos controlados e as práticas clínicas atuais prevaleça, enfatizamos que as propostas psicoterápicas na área da religiosidade e da espiritualidade, assim como em outras áreas, sejam padronizadas e testadas em ensaios clínicos. O investimento nesse sentido está alinhado ao atendimento ético dos indivíduos que buscam psicoterapia.

Ética, psicoterapia e religiosidade
Deve o médico/psicólogo discutir temas espirituais com seus clientes? Quais são os limites entre o médico/psicólogo e o cliente que consideram temas religiosos e espirituais? Quais são os limites profissionais entre o médico/psicólogo e o capelão/orientador espiritual? Essas são algumas das perguntas que norteiam discussões éticas recentes sobre o tema (Post et al., 2000). A inclusão da categoria "problemas religiosos ou espirituais" como uma categoria diagnóstica inserida no DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994) reconhece que os temas religiosos e espirituais podem ser o foco da consulta e do tratamento psiquiátrico/psicológico (Lukoff et al., 1995). Alguns educadores recomendam que os médicos perguntem rotineiramente sobre a espiritualidade e a religião ao conduzirem a história médica de seus pacientes (Ehman et al., 1999). Entretanto, integrar dimensões espirituais e religiosas de vidas dos clientes durante a psicoterapia requer profissionalismo ético, alta qualidade de conhecimento e habilidades para alinhar as informações coletadas sobre as crenças e valores ao benefício do processo terapêutico. Alguns achados empíricos mostram que os clientes adotam (são convertidos) os valores dos psicoterapeutas (especialmente valores morais, religiosos e políticos), revelando sérios problemas éticos, tais como: redução da liberdade do cliente, violação do contrato terapêutico, falta de competência do terapeuta e perda da neutralidade do terapeuta (Tjeltveit, 1986). A Associação Psiquiátrica Americana produziu um guia que incita os terapeutas a compreender e manter respeito empático para abordar as crenças religiosas dos pacientes (Giglio, 1993), reforçando que o treinamento adequado do terapeuta, a compatibilidade terapeuta-cliente, a atenção à pessoa, e não apenas à doença, e a busca da compreensão empática podem reduzir a ocorrência da conversão de valores e minimizar os problemas éticos associados (Tjeltveit, 1986; Giglio, 1993; Post et al., 2000). Lomax et al. (2002) avaliaram psicólogos que buscam integrar psicoterapia e religião ou psicoterapia e espiritualidade, e consideram que a primeira seja dificultosa, enquanto a integração da psicoterapia não-religiosa com a espiritualidade é possível e confere bons resultados. Os autores apontam que algumas observações éticas merecem atenção, tais como: habilidade de inquirir sobre a vida religiosa e espiritual dos pacientes é um elemento importante da competência psicoterapêutica; a informação sobre as vidas religiosas e espirituais dos pacientes revela freqüentemente dados extremamente importantes para superação de suas dificuldades; o processo do inquérito sobre esse domínio deve ser respeitoso; e há um potencial significativo para faltas éticas quando o terapeuta exagera suas convicções pessoais abandonando o princípio da neutralidade.
A confiança depositada no terapeuta desempenha um papel central na efetividade do tratamento, ou seja, clientes que estabelecem uma relação de empatia e confiança com seus psicólogos/médicos se beneficiam mais que outros que não a estabelecem. Tal confiança não pode ser negada pelos profissionais, mas sim cuidada eticamente (Peres et al., 2007a). A Associação Psiquiátrica Americana (The American Psychiatric Association, 2006) recomenda alguns procedimentos para psicoterapeutas ao abordarem os temas espiritualidade e religiosidade: identificar se variáveis religiosas e espirituais são características clínicas relevantes às queixas e aos sintomas apresentados; pesquisar o papel da religião e da espiritualidade no sistema de crenças; identificar se idealizações religiosas e representações de Deus são relevantes e abordar clinicamente essa idealização; demonstrar o uso de recursos religiosos e espirituais no tratamento psicológico; utilizar procedimento de entrevista para acessar o histórico e envolvimento com religião e espiritualidade; treinar intervenções apropriadas a assuntos religiosos e espirituais e atualizar a respeito da ética sobre temas religiosos e espirituais na prática clínica.
Os psicoterapeutas devem estar confortáveis com clientes que levantam questões existenciais e espirituais (Shaw et al., 2005; Peres et al., 2007a). Explorar crenças religiosas e espirituais pode ser útil no processo psicoterápico (Sparr e Fergueson, 2000), é uma necessidade terapêutica e um dever ético respeitar essas opiniões, devendo haver empatia, assim como continência em relação à realidade que o cliente traz, ainda que os terapeutas não compartilhem das mesmas crenças religiosas (Shafranske, 1996).

Crenças, subjetividade e percepção
A maioria das abordagens psicoterápicas articula percepção, memória e sistemas de crenças dos indivíduos durante o processo terapêutico (Peres et al., 2005b). A neurociência tem revelado que o mundo percebido por cada indivíduo não é uma reflexão exata do mundo fí­sico e aspectos e características essenciais do mundo percebido não estão, de fato, presentes no mundo físico (Ramachandram e Gregory, 1991). Estudos realizados sobre percepção visual revelam como é realmente pequeno o nível de informações que o cérebro assimila enquanto observamos o mundo, em relação à abundância de informações por ele fornecidas. As discussões desses achados apontam que a riqueza da experiência individual é imensamente subjetiva. Os comportamentos cotidianos dependem pouco do que se enxerga e muito do trabalho de projeção treinada (Ramachandran e Gregory, 1991; Yarrow et al., 2001). Qualidades da percepção, valências emocionais e interpretações relativas aos eventos experimentados não têm uma contraparte única correspondente aos eventos físicos. Isto é, a percepção de mundo está sujeita às crenças do indivíduo e a seu histórico de vida, afetando a sensibilidade para estímulos específicos, os critérios de escolha e o limiar de observação (Metzger, 1974). Além disso, experiências subjetivas alteram o arranjo sináptico na rede neural (Kandel et al., 2000, p. 34) e os perceptos constituídos por experiências objetivas e subjetivas podem determinar o estímulo ao qual o indivíduo vai reagir (Metzger, 1974). Um exemplo do importante impacto da subjetividade no sofrimento psicológico é demonstrado no estudo de Creamer et al. (2005). Conforme os critérios do DSM-IV, a definição de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) inclui componentes objetivos (A1) e subjetivos (A2) (American Psychiatric Association, 1994). Os autores estudaram a prevalência do critério A2 e sua associação com memórias traumáticas e a psicopatologia seguida a eventos traumáticos em 6.104 adultos. A maioria dos indivíduos (76%) preencheu o critério A2, com maior prevalência em mulheres (81%) que em homens (69%). Apenas 3% dos indivíduos que não preencheram o critério A2 apresentaram memórias traumáticas persistentes. Os autores sugerem que o processamento subjetivo que envolve as memórias traumáticas pode ser o mediador decisivo da psicopatologia seguida ao trauma. O estudo reforça a importância de o tratamento psicoterápico abranger os diálogos internos subjetivos e respectivos sistemas de crenças (Peres et al., 2005a).
Outros achados da neurociência sugerem que o imaginário tenha um valor neurofisiológico parecido com o que desempenhamos em comportamentos objetivos (Williamson et al., 2001). Entre outros estudos, Kraemer et al. (2005) revelaram que a condição imaginária de audição e visualização obedeceu a reciprocidades neurais similares à condição real de ouvir e visualizar os mesmos eventos. Técnicas de visualização ativa têm sido empregadas em psicoterapias com resultados satisfatórios, ainda que o tratamento não seja eficiente para todos os pacientes (Menzies e Taylor, 2004). Em proveito da natureza subjetiva da percepção humana, a habilidade de reconstrução emocional e reinterpretação a eventos dolorosos pode ser também utilizada com eficácia na psicoterapia (Peres et al., 2005b). Desenhos experimentais poderão testar se a religiosidade e a espiritualidade podem compor um enquadre cognitivo – imaginário – provedor de amparo para superação de dificuldades psicológicas.

Religião, saúde e bem-estar espiritual
Alguns pesquisadores propuseram que a religião originou-se como uma maneira de tratar a morte (Malinowski, 1954). As primeiras discussões sobre religião no âmbito da psicologia foram trazidas por Freud, que a considerou como remédio ilusório contra o desamparo. A crença na vida após a morte estaria embasada no medo da morte, análogo ao medo da castração, e a situação à qual o ego estaria reagindo é a de ser abandonado (Freud, 1980, p. 153). Atualmente, a experiência religiosa deixou de ser considerada fonte de patologia e, em certas circunstâncias, passou a ser reconhecida como provedora do re-equilíbrio e saúde da personalidade (Levin, 1996; Koenig, 2001). As teorias sociológicas atuais vêem a crença na vida após a morte como um componente central de muitos sistemas religiosos, fornecendo significado à vida atual com a continuidade na seguinte (Stark e Bainbridge, 1996). De fato, a existência da vida depois da morte é uma crença presente na maioria das religiões mais abrangentes (Obayashi, 1992). Considerando os dados demográficos sobre religião, mais de três quartos dos americanos acreditam na vida após a morte (Greeley e Hout, 1999; Klenow e Bolin, 1989-1990) e aproximadamente 92% dos brasileiros apresentam a mesma crença, uma vez que apenas 7,3% da população não tem religião (IBGE, 2000). Apesar de tal crença ser difundida, pouca pesquisa sobre esse tópico tem aparecido na literatura psicológica e psiquiátrica (Exline, 2002), e a maioria das pesquisas existentes examinou os efeitos da crença na vida após a morte em relação ao medo da morte (Alvarado et al., 1995; Templer, 1972; Templer e Dotson, 1970). Alguns estudos não conclusivos sugerem indícios da continuidade da vida após a morte (Stevenson, 1983; Stevenson e Samararatne, 1988; van Lommel et al., 2001), e ainda que a pergunta permaneça não respondida pela ciência, a crença na vida após a morte de uma amostra nacional de 1.403 americanos esteve relacionada com menor severidade de seis conjuntos de sintomas (ansiedade, depressão, compulsão, paranóia, fobia e somatização). O estudo mostrou que tal crença também influencia positivamente a qualidade de vida (Flannelly et al., 2006).
O bem-estar espiritual é uma dimensão do estado de saúde, junto às dimensões corporais, psíquicas e sociais (World Health Organization, 1998). Por considerar as experiências místicas e meditativas como processos mensuráveis e quantificáveis, com base nas evidências acumuladas na literatura e na prática médica, a Organização Mundial da Saúde, por meio do grupo de Qualidade de Vida, incluiu em seu instrumento genérico de avaliação de qualidade de vida o domínio Religiosidade, Espiritualidade e Crenças Pessoais com 100 itens. Esse instrumento colaborou com outros estudos que identificaram correlações importantes ao conhecimento dos profissionais da saúde. Myers (2000) investigou a relação entre o estado de felicidade e a prática religiosa em 34 mil participantes e evidenciou uma correlação positiva entre essas variáveis. Mueller et al. (2001) revisou estudos publicados e metanálises que examinavam a associação entre envolvimento religioso/espiritualidade e saúde física, mental e qualidade de vida. A maioria dos estudos mostrou que envolvimento religioso e espiritualidade estão associados com melhores índices de saúde, incluindo maior longevidade, habilidades de manejo e qualidade de vida, assim como menor ansiedade, depressão e suicídio. Uma metanálise recente de 49 estudos que envolveu o total de 13.512 sujeitos investigou a associação entre o manejo religioso e o ajuste psicológico (Ano e Vasconcelles, 2005). O manejo religioso positivo teve uma relação positiva moderada (r = 0,33) com ajuste psicológico positivo e uma correlação inversa modesta (r = – 0,12) com ajuste psicológico negativo, enquanto o manejo religioso negativo mostrou correlação positiva (r = 0,22) com ajuste psicológico negativo. A maioria dos estudos que investigou a relação entre a religiosidade/espiritualidade e a saúde mental revelou que níveis mais elevados da participação religiosa estão associados com maior bem-estar e saúde mental (Moreira-Almeida et al., 2006).

Trauma, desamparo e esperança
Desamparo é uma palavra usada freqüentemente pelos indivíduos traumatizados com TEPT quando procuram expressar seus estados emocionais (Scher e Resick, 2005). Estudos sugerem que o aumento da esperança e a diminuição do desespero e do desamparo podem ser fatores importantes para uma melhor saúde e longevidade (Kubzansky et al., 2001, pp. 913-914). Quando as pessoas se traumatizam, freqüentemente procuram novos sentidos e significados em suas vidas (Peres et al., 2007a). Um fator decisivo ao desenvolvimento de uma resposta resiliente relaciona-se com a maneira que os indivíduos percebem e processam a experiência (Peres e Nasello, 2005). As pessoas que desenvolvem interpretações de como lidar e tentar modificar positivamente o presente podem superar traumas mais facilmente (Bonanno, 2004). As crenças e as práticas espirituais e religiosas baseiam-se fortemente em buscas pessoais para compreender o significado da vida, o relacionamento com o sagrado e o transcendente (Moreira-Almeida e Koenig, 2006). As práticas religiosas podem ter influência importante em como as pessoas interpretam eventos traumáticos e lidam com eles, promovendo percepções resilientes e comportamentos como a aprendizagem positiva da experiência, o amparo para superação da dor psicológica e a auto-confiança em lidar com as adversidades. Um estudo que avaliou as possíveis correlações entre religião e trauma psicológico envolveu 1.385 veteranos de guerra com TEPT em tratamento. As experiências de testemunhar e não conseguir impedir as mortes de soldados companheiros enfraqueceram a fé religiosa, observada como um preditor significativo de uso mais extensivo dos serviços de saúde mental. Curiosamente, a severidade de sintomas do TEPT e as dificuldades no relacionamento interpessoal não foram preditores do uso continuado dos mesmos serviços, tais como a fé enfraquecida. Os autores levantaram a possibilidade de que a motivação preliminar dos veteranos para procurar tratamento continuamente pode ser a busca de significados e finalidades de suas experiências traumáticas. Isto sugere que abordar a espiritualidade pode ser mais central ao tratamento do TEPT do que se tem pensado (Fontana e Rosenheck, 2004). Em outra revisão de 11 estudos empíricos sobre as associações entre religião, espiritualidade e traumas psicológicos, Shaw et al. (2005) mostraram três achados principais: a religião e a espiritualidade são geralmente, embora não sempre, benéficas ao tratamento pós-trauma; as experiências traumáticas podem conduzir ao aprofundamento da religiosidade ou da espiritualidade; e o manejo religioso positivo, a abertura religiosa, a prontidão para enfrentar perguntas existenciais e a religiosidade intrínseca estiveram associados com a superação psicológica pós-trauma. Pargament et al. (2004) propõem que o manejo religioso pode ter algo especial a oferecer: "Pode equipar excepcionalmente indivíduos para responderem às situações em que se vêem face a face com os limites do poder e do controle humanos quando confrontados com suas vulnerabilidades". Os autores ainda referem que as crenças e as práticas religiosas podem reduzir a perda de controle e o desamparo, fornecendo uma estrutura cognitiva que possa diminuir o sofrer e desenvolver a finalidade e significado em face ao trauma.
São múltiplos e, às vezes, inesperados os caminhos à resiliência (Bonanno, 2004). Uma vez que o desamparo é um fator de risco ao TEPT, assim como a vulnerabilidade e a desesperança elevadas (Scher e Resick, 2005), é possível que o sentido de amparo, suporte e esperança possam, além de ajudar a recuperação, proteger os indivíduos expostos aos eventos traumáticos (Peres et al., 2007a). Suportando essa hipótese, alguns estudos revelaram que a religiosidade pode ter efeito preventivo dos transtornos mentais e funcionar como um fator positivo para o manejo de situações estressoras (Grzymala-Mosczynka e Beit-Hallahmi, 1996; Mallony e Spilka, 1991; Martins, 2000).

Neuroimagem da religiosidade e estados alterados de consciência
James (1890) foi um dos primeiros psicólogos que chamou a atenção sobre os outros estados de consciência diferentes do estado de vigília. Metzner (1995) define estado alterado de consciência (EAC) como uma mudança temporária no pensamento, no sentimento e na percepção, em relação ao estado de consciência ordinário, e que tem início, duração e fim. Para Weil (1995), a percepção da realidade se dá em função do estado de consciência do indivíduo. Estados alterados de consciência induzidos pela prece e meditação têm sido estudados com métodos de neuroimagem funcional. Especialistas em meditação submetidos a estímulos dolorosos durante a prática meditativa revelaram que não vivenciaram a dor tal como em estado de vigília. Durante o EAC, observou-se predominância de freqüência alfa com picos máximos de 10 Hz nos lobos occipital, parietal e nas regiões temporais, sugerindo estado de relaxamento profundo sem caracterização do sono. Convergindo com achados anteriores sobre a representação da percepção sensorial/emocional da dor (Rainville et al., 2002), o estado meditativo revelou significativa diminuição da atividade no tálamo, no córtex somatossensorial secundário, na ínsula e no córtex cingulado quando comparado com o estado não meditativo. Uma vez que a dor é uma experiência sensorial e emocional complexa, esse, entre outros estudos com métodos eletrofisiológicos e de neuroimagem, esclareceu que estados alterados de consciência podem gerar mudanças na atividade dos circuitos relacionados à percepção da dor (Kakigi et al., 2005; Rainville et al., 2002). Mudanças no fluxo sangüíneo cerebral foram também observadas durante as preces (verbais repetitivas) de freiras franciscanas. Em comparação à linha de base, o EAC decorrente das preces mostrou atividade aumentada no córtex pré-frontal, nos lobos parietais inferiores e frontais (Newberg et al., 2003). Achados similares foram observados por Azari et al. (2001), que estudaram as reciprocidades neurais da experiência religiosa investigada como um fenômeno de atribuição cognitiva. Durante a recitação religiosa, observou-se aumento da atividade do circuito frontoparietal, composto dos córtex parietal frontal e medial pré-frontal e dorsolateral. Estudos prévios indicam que essas áreas são subjacentes à sustentação reflexiva do pensamento e os autores discutem que a experiência religiosa pode ser um processo cognitivo e não apenas uma vivência emocional imediata. Lans (1996) confirmou que a religiosidade pode ser uma fonte rica para encontrar propósitos de vida, assim como para formular orientações cognitivas para avaliações e geração de comportamentos diante de situações vitais ou traumáticas. A evocação espontânea ou voluntária de memórias traumáticas ocorre em EAC com expressiva manifestação sensorial e emocional (Peres et al., 2005b). Indivíduos traumatizados submetidos a terapia de exposição e reestruturação cognitiva construíram narrativas resilientes, com novos significados e atribuições ao evento traumático, e atenuaram as respostas emocionais mediadas pela maior atividade do córtex pré-frontal, do hipocampo esquerdo e parietais nos exames de neuroimagem pós-psicoterapia (Peres et al., 2007b).
Tart (1990) e Metzner (1995) estudaram os EACs e seu uso em psicoterapia, revelando que as experiências durante tais estados podem influenciar mudanças de comportamento. Diversos autores demonstram que a utilização do EAC para a percepção de imagens mentais pode ser uma ferramenta efetiva na formação de novos padrões de pensamento, sentimento e comportamento (Kasprow e Scotton, 1999). Diferentes estados de consciência podem promover novas percepções a respeito de um mesmo fenômeno e, conseqüentemente, novos estados emocionais favoráveis a superação de dificuldades e sofrimentos no âmbito psicológico (Dietrich, 2003). Teoricamente, práticas religiosas/espirituais subjetivas, como preces, contemplações e meditações, podem alterar o estado de consciência, influenciando a mudança da percepção de um evento que desencadeie sofrimento. Mesmo que a hipnose seja conhecida por promover EAC com objetivos terapêuticos (Eslinger, 2000), o estudo e a aplicação dos EACs talvez possam ser um dos caminhos para a integração da espiritualidade e da religiosidade à psicoterapia, visando ao atendimento das pessoas que valorizam, em seus sistemas de crença, essa instância subjetiva. Como exemplo, a psicoterapia transpessoal aborda tópicos como a importância da espiritualidade para reconquista da saúde e do bem-estar do cliente, assim como a utilização dos EACs para promoção de relaxamentos e visualizações com impacto terapêutico (Walach et al., 2005).

Psicoterapia, religiosidade e espiritualidade
O interesse no estudo do papel da religiosidade, espiritualidade e práticas psicoterapêuticas em saúde se dá por diferentes razões socioeconômicas e clínicas. Por exemplo, em culturas industrializadas como a americana, 96% da população acredita em Deus ou em um espírito universal, 75% reza regularmente, 42% freqüenta serviços religiosos regularmente, 67% é membro de algum corpo religioso local, 67% afirma que a religião é muito importante em suas vidas e 63% acredita que seus médicos deveriam falar com seus pacientes sobre sua fé espiritual (Gallup, 1995). Além disso, observam-se grande consumo de literatura "espiritual" e crescente expansão na busca do sagrado e temas afins. Assim, iniciativas que convergem a religiosidade e a espiritualidade à psicoterapia têm avançado nos últimos 25 anos. Como exemplo, a psicoterapia religiosa procura reconhecer e utilizar as crenças religiosas dos clientes em seus tratamentos para reduzir sintomas e dificuldades do âmbito da saúde mental (Berry, 2002). Emmons e Paloutzian (2003) revisaram o desenvolvimento empírico e conceitual dessa abordagem com ênfase nos fundamentos cognitivos e afetivos da experiência religiosa dentro da psicologia social e da personalidade e observaram que as bases desse desenvolvimento devem-se ao fato de a religião e a espiritualidade serem processos importantes da experiência humana. Porém, ainda que a espiritualidade e a religiosidade sejam importantes e, às vezes, fundamentais à vida humana, Schultz-Ross e Gutheil (1997) discutem que a dificuldade de integrar esse tema à psicoterapia reside em alguns fatores, tais como: a orientação tradicional de escolas psicoterápicas de que a espiritualidade está fora da esfera da investigação e de conhecimento, a ausência de programas de supervisão e treinamento e o desconforto com os temas espirituais e religiosos por parte dos educadores e profissionais. Contudo, a despeito da abordagem psicoterápica empregada, as pessoas que professam uma fé beneficiam-se dos resultados na psicoterapia (Muller, 2004).
A prática do aconselhamento pastoral, embora não incorporada às atividades dos profissionais de saúde, vem atraindo um crescente interesse por parte dos psicólogos (Young e Griffth, 1989). Estudos confirmam que o aconselhamento pastoral ou religioso pode resultar altos escores de bem-estar, reabilitação e redução do impacto de eventos estressores (LeFavi e Wessels, 2003; Josephson, 2004). Um estudo avaliou o papel do apoio social e psicológico que líderes religiosos oferecem a seus fiéis e mostrou que tal apoio a pessoas motivadas em recebê-lo foi efetivo para o bem-estar pessoal, a resolução de conflitos e a redução de sintomas (Poon et al., 2003).
Propst et al. (1992) investigaram a abordagem cognitivo-comportamental padrão e a cognitivo-comportamental religiosa aplicadas a pacientes com depressão por terapeutas religiosos e não-religiosos e compararam as respectivas intervenções com grupo controle em lista de espera. A melhora dos indivíduos submetidos à psicoterapia foi observada igualmente nas condições terapêuticas utilizadas e os terapeutas não-religiosos obtiveram resultados superiores aos terapeutas religiosos enquanto aplicavam abordagem cognitivo- comportamental religiosa. Uma metanálise de cinco estudos que comparou a eficácia de abordagens de aconselhamento-padrão e abordagens de aconselhamento adaptadas à religião também não encontrou prova de superioridade de uma abordagem em relação à outra. Os achados sugerem que a possibilidade de usar uma abordagem religiosa com clientes religiosos é provavelmente mais uma questão da preferência do cliente que uma questão de eficácia diferencial (McCullough, 1999). A despeito de a psicoterapia religiosa ser tão eficaz quanto o tratamento-padrão (Berry, 2002), a psicoterapia com orientação religiosa em grupos étnicos com fortes características culturais religiosas mostrou melhora mais rápida inicial em três meses comparada à psicoterapia sem orientação religiosa (Azhar e Varma, 1995). Convergindo com esses achados, em estudo com pacientes ansiosos e depressivos, Razali et al. (1998) observaram que aqueles submetidos à psicoterapia sociocultural e religiosa melhoraram dos sintomas mais rapidamente nas primeiras semanas que o grupo controle com tratamento-padrão. Porém, os resultados não se diferenciaram aos seis meses. Os autores destacam a importância de a psicoterapia religiosa precipitar a redução dos sintomas nos primeiros meses de tratamento. A terapia cognitivo-comportamental adaptada para abordar a espiritualidade (spiritually augmented cognitive behavioural therapy) mostrou que o uso da meditação promoveu benefícios significativos no tratamento da desesperança e do desespero (D’Souza e Rodrigo, 2004). Uma revisão dos artigos sobre a eficácia da terapia cognitivo-espiritual modificada (spiritually modified cognitive therapy) aponta, segundo critérios da Associação Psiquiátrica Americana, que essa modalidade tem validade empírica apenas no tratamento da depressão (Hodge, 2006). Propostas de terapias de grupo e terapia familiar que inserem temas espirituais e religiosos também têm sido pesquisadas (Jacques, 1998; Patterson et al., 2000), assim como programas de intervenções psicoeducacionais semi-estruturados em que o paciente discute sobre recursos religiosos, espiritualidade, perdão e esperança (Phillips et al., 2002). A maioria dos grupos considerou que uma vida espiritual é relevante para a compreensão dos problemas pessoais e preferiu um terapeuta que se sentisse confortável em discutir esses tópicos.

Perspectiva de novas diretrizes e investigações
As religiões advogam, em geral, o perdão e a absolvição, freqüentemente úteis na resolução de conflitos. Os efeitos negativos da religião estão no exercício para manter a conformidade e a promoção de um controle externo. Por outro lado, os profissionais de saúde mental trabalham com o autodesenvolvimento livre e sensibilizam seus clientes quanto à competência necessária para mudar e dirigir as próprias vidas (Carone e Barone, 2001).
Neste artigo, observamos que vários estudos internacionais contemplaram o tema espiritualidade/religiosidade e psicoterapia, demonstrando pertinência dessa interface com bons resultados terapêuticos. O Brasil possui um potencial religioso sincrético expressivo e alta prevalência de praticantes de religiosidade/espiritualidade – apenas 7,3% não têm religião (IBGE, 2000). Dada a escassez de abordagens e psicoterapeutas brasileiros que contemplem esses indivíduos e seus respectivos sistemas de crenças, consideramos que abordagens coerentes e ensaios clínicos randomizados devem ser elaborados e conduzidos endereçando as necessidades de grande parte da população.
Faz-se necessário o reconhecimento da espiritualidade como componente essencial da personalidade e da saúde por parte dos profissionais; esclarecer os conceitos de religiosidade e espiritualidade com os profissionais; incluir a espiritualidade como recurso de saúde na formação dos novos profissionais; adaptar e validar escalas de espiritualidade/religiosidade à realidade brasileira e treinamento específico para a área clínica. Esforços para acrescentar ao currículo das escolas médicas e psicológicas a discussão da religião e espiritualidade estão em andamento (Graves et al., 2002). A discussão com os alunos sobre as diferenças de conceitos, as pesquisas sobre o tema, a compreensão dos processos saudáveis e nocivos do uso de práticas religiosas e espirituais contribuem para melhor qualidade de atendimento às necessidades dos clientes, diminuindo preconceito, informando e formando melhores profissionais. De maneira similar à exploração de toda a dimensão pessoal da experiência humana, a integração das dimensões espirituais e religiosas dos clientes em seus tratamentos requer profissionalismo ético, alta qualidade de conhecimento e habilidades para alinhar as informações coletadas sobre as crenças e valores à eficácia terapêutica.

Julio Fernando Prieto Peres

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-60832007000700017&script=sci_arttext

domingo, 14 de setembro de 2014

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS IRMÃOS?



Diante do conhecimento
 atual,
 é ridículo acreditar que 

mundo, os animais e o
 homem
 foram criados 
diretamente por
 Deus em apenas uma
 semana.
 E que somos 
descendentes de
 Adão e Eva. Sabemos
 hoje
que a vida
 apareceu
 há mais
 ou menos 3,5 bilhões de anos,
 um bilhão de anos após a 
formação da Terra. Afirma-se
 que ela tenha surgido na água
 sob forma de seres 
minúsculos extremamente simples.
 Depois foram originando as 
células, depois as plantas e 
aos animais invertebrados que habitam o mar.
 Do mar
 a vida fixou sobre a terra firme e depois no ar
 (os pássaros). Os primeiros seres humanos
 surgiram 
sobre a Terra há aproximadamente 3 milhões 
de anos.
 Ao longo dos anos, os seres sofreram
 transformações 
sucessivas, dando origem a várias espécies.
 Portanto,
 a espécie humana descende, por evolução, 
daqueles 
primeiros seres vivos microscópios. Nós somos
 espíritos em crescimento, por enquanto; somente
 alcançamos a maioridade ao atingir o estado de 

Espíritos puros. Nascemos em mundos
 inferioríssimos
 e, através de milênios, adquirimos o instinto.
 Por 
milênios e milênios de evolução experimentamos 
graus 
inferiores até conquistar a inteligência. 
Um cachorro,
 por exemplo, quando der sinal de inteligência, 
não 
continuará mais aqui na Terra., que não lhe
 oferecerá 
condições; mas irá para mundos em começo de 
evolução,
 para onde o Espírito dele será transferido. 
Após cachorro, reencarnará no corpo de um
 primata
 aprendendo a andar de pé, a usar as mãos e
 morando
 em cavernas. Portanto, nós espíritas nos 
fundamentamos
 na Ciência, seguimos a tradição do conceito 
darwiniano 
da evolução, a teoria da origem das espécies,
 da seleção 
natural e do próprio progresso. Só que Darwin 
se deteve em determinados ângulos, como o do
 “elo perdido”, um dos maiores desafios
 científicos, 
ou seja, eles não conseguem explicar e provar
 o ponto
 onde o animal torna-se homem, quando ele 
"desceu da árvore" (deixou de ser macaco): 
é que
 a transição ocorre no plano espiritual É nesse
 ponto
 que o Espiritismo, ilumina de forma incomparável 
tão escuros labirintos, nos quais as Ciências se 
debatem há muito tempo. Os animais que se 
destacam realizam estágios intermediários de
 vida
 material em planetas inferiores à Terra, além 
do que,
 principalmente, quando ali desencarnam, os
 prepostos 
do Cristo, modificam seus revestimentos espirituais
 (perispírito), para adequá-los à fala e à vida racional; 
considerando que o perispírito é o molde do corpo 
físico, aí reside a semelhança física do homem com 
alguns animais.
PODEMOS REENCARNAR NUM CORPO ANIMAL?

 O Espiritismo não aceita a teoria da Metempsicose,
 ou seja, o espírito de um Homem não reencarna 
em reino inferior. A cada reencarnação o Espírito
 está em melhores condições do que na anterior - 
tal é a Lei Divina do Progresso (evolução).
E A REENCARNAÇÃO DOS ANIMAIS? A reencarnação 

para os animais é quase seqüencial à morte. Eles 
não escolhem em que espécie reencarnar, pela 
inexistência de livre-arbítrio.
A ALMA DOS ANIMAIS É DIFERENTE DA ALMA 

HUMANA? Sim, é diferente. Não possuindo 
inteligência,
 os animais não possuem igualmente consciência, 
livre-
arbítrio, senso moral, nem responsabilidade. Ao 
desencarnarem, são orientados e mantidos por
 Espíritos da Natureza, em grupos específicos a
 cada raça.
OS ANIMAIS POSSUEM INTELIGÊNCIA OU 

INSTINTO?
 A inteligência é uma faculdade própria do ser
 humano que, impulsionada pelo nosso 
pensamento, 
faz-nos agir segundo a nossa vontade, quer na
 parte
 moral, quer na parte intelectual, quer na parte
 espiritual. Por exemplo: não devo roubar, não
 devo
 viciar-me, porque são ações imorais; quero 
ler este
 livro, é ação intelectual; vou orar, é uma ação 
espiritual.
 Isso tudo é comandado pela inteligência, porque a
 inteligência é humana. A inteligência é o livre-
arbítrio,
 que é um poder, a faculdade de decidir, de 
determinar, 
dependente apenas da vontade. E o instinto é o 
movimento que domina os homens e os animais em 
seu
 procedimento. Pelo instinto, o homem pertence ao 
reino animal e, pela inteligência, pertence à 
Humanidade.
 Todas as necessidades de nosso corpo carnal são 
provindas pelo instinto, desde as mais rudimentares
 às 
mais altas: são exigências do nosso corpo, que devem
 ser atendidas, pois são a parte animal da nossa vida. 
Exemplo: um bebê que acaba de nascer, tão logo é 
envolto em suas roupinhas, começa a agitar os
 lábios pedindo alimento; e com sofreguidão suga 
com
 sua boca o bico do seio de sua mãe; ninguém lhe
 ensinou i
sso, pois ele mal acaba de nascer, no entanto, o instinto 
já agiu para conservar-lhe a vida.
E A EUTANÁSIA NOS ANIMAIS? Morte piedosa do 

animal, talvez, só quando o veterinário atestar 
que traumas ou doenças sejam irreversíveis, além de 
acompanhadas de dores insuportáveis. Apesar do 
animal possuir uma alma, esta é diferente da humana,
 por não possuir livre-arbítrio, não tem carma à 
resgatar. Dever cristão é que impõe ao dono ampará-lo 
até o último sopro de vida, para morrer em paz e para 
com gratidão do ser humano ao chegar à regiões 
espirituais que Deus lhe concede.
POR QUE OS ANIMAIS SOFREM TANTO SE ELES

 NÃO 
TEM DÉBITOS A RESGATAR? No caso deles, a dor 
age como impulso evolutivo. Exemplo: quando 
feridos,
 os próprios animais, eventualmente seus
 companheiros,
 lambem os machucados numa rudimentar ação de 
assepsia, na busca da cura ou alívio; isso representa 
os primórdios da fraternidade.
O QUE DEVEMOS FAZER AO VER UM ANIMAL SENDO 

AGREDIDO? Se uma pessoa estiver maltratando um 
animal devemos interferir, jamais nos omitir. Mas 
que a intervenção seja por altruísmo, com
 educação e amor à Natureza. Como? Com 
brandura 
e educação, não piorando o ânimo do agressor,
 o qual, 
já exaltado, poderá se tornar mais rude ainda 
com o animal.
 Os 
animais não falam, não raciocinam, sentem dor, 
sede e fome. O sentimento de piedade demonstra 
elevação espiritual, principalmente quando seguido 
da respectiva ajuda para a cessação da causa do
 sofrimento. A piedade é a ante-sala do Amor, assim 
como a crueldade o é da violência.
QUE DIZER DAQUELES QUE ABANDONAM SEUS

 ANIMAIS?
 O abandono de animais é condenação certa. O 
autor desses dolorosos quadros que o cotidiano nos 
mostra, agindo irresponsavelmente, cedo ou tarde 
terá que prestar contas à sua consciência.
E OS ANIMAIS QUE SÃO TREINADOS PARA

 TORNAREM-SE AGRESSIVOS? No caso de animais
 treinados para ataque, agressividade, destruição,
 representam vertentes da ignorância e crueldade
 humanas; mas a ignorância desaparecerá à medida
 que o homem evolver, em mundos compatíveis ao seu 
estágio moral.
A crueldade, porém, significa contração de pesadas 

dívidas ante o tribunal da consciência de quem a 
pratica; esses, despertos pelo arrependimento 
desses sonhos trevosos a que voluntariamente se 
entregaram, terão a Dor por corregedoria; seus 
sofrimentos serão proporcionalmente iguais aos 
que infligiram. Provavelmente, esta seja uma das 
causas de tantas doenças, tantas anomalias 
congênitas, tantos desastres mutiladores.
Por tudo isso, concluímos que todos somos irmãos:

 homens e animais. Ontem éramos animais, quais 
os que hoje nos servem. E, amanhã, esse mesmo 
animal ingressará no reino hominal.

Encerremos com a sábia frase de Charles Darwin: 

"Chegará o dia em que os homens conhecerão o 
íntimo dos animais, e nesse dia, um crime contra
 um animal será um crime contra a humanidade."

POR QUE ACONTECEM AS MORTES COLETIVAS?


As mortes coletivas acontecem por fenômenos cármicos,
 decorrência natural da lei de causalidade. Aqueles que 
coletivamente feriram, magoaram, agrediram, 
desrespeitaram, as leis de uma ou de outra forma, 
encontram-se nas sucessivas jornadas da 
reencarnação para coletivamente resgatarem os crimes 
perpetuados.
Quantas vezes, uma lei arbitrária é atirada contra um

 povo, ou contra um grupo social, político, 
religioso, racial, fundamentado em preconceitos e 
injustiças, e essa lei que é firmada para alguém, 
foi elaborada por assessores, foi transmitida por 
grupos que tinham interesses subalternos e que depois
 de firmada vai explorar muitas vidas e afligi-las.
Quantas vezes, em cumplicidade, grupos se reúnem,

 para caluniar, para denunciar, para infelicitar, para
 dividir, para esmagar, e como conseqüência, ficam em
 débito com a consciência cósmica.
Através das sucessivas experiências, mesmo que 

venham realizar novas jornadas, reencontram-se pela 
lei de afinidade para resgatar aqueles crimes, aqueles 
terríveis delitos por intermédio dos fenômenos naturais: 
maremotos, terremotos, tragédias como acidentes
 coletivos, epidemias, pestes, ou através de guerras.
 A história nos fala que periodicamente no passado 
ocorreram terríveis massacres.
Mas, os que se dedicaram ao Bem, à caridade, ao amor

 ao próximo, podem mudar seu carma. Estes, são
 aqueles que, escaparam "por sorte", ou melhor, 
por mérito, do resgate coletivo. Ex.: "Eu não morri no
 incêndio do prédio em que trabalhava porque perdi a hora.
Isto nunca me aconteceu. Mas este atraso salvou-me a vida."  
As mortes coletivas impõem um agitar das consciências

 humanas, tanto para aqueles que desencarnam em
 circunstâncias dolorosas e traumáticas, quanto para os
 que colhem as conseqüências da devastação 
ocasionada. Experiências assim representam a 
oportunidade de resgate de seus débitos do pretérito,
 ao mesmo tempo em que fazem sua iniciação nos 
domínios da solidariedade. As vítimas das grandes 
calamidades tornam-se menos envolvidas com as
 ilusões, mais dispostas a ajudar o semelhante, após 
sentirem na própria carne a dor que aflige seus irmãos.
A Lei de Destruição funciona, também, para conter

 os impulsos desajustados da criatura humana. Não é 
preciso grande esforço de raciocínio para perceber
 que a AIDS, a síndrome de insuficiência imunológica
 adquirida, representa uma resposta da Natureza 
aos abusos cometidos pelo Homem nos domínios do sexo,
 a partir da decantada liberdade sexual, na década de
 sessenta.
A AIDS vem impondo ao Homem disciplinas às quais não

 se submeteria em circunstâncias normais. O mal terrível 
e assustador ajudá-lo-á a compreender que é preciso 
respeitar o sexo, que podemos exercitá-lo com liberdade,
 desde que não resvalemos para a liberalidade e muito
 menos para a licenciosidade. Sexo sem 
compromisso, sem responsabilidade, é mera
 semeadura de frustrações e comprometimento
 com o vício, resultando em inevitável colheita de
 desajustes e sofrimentos.



OBSERVAÇÃO: Clique neste link para assistir o filme espírita
 "JOELMA, 23º ANDAR". Ele conta o acidente do Edifício 
Joelma de São Paulo. Foram 183 mortos no incêndio. 
É baseado no livro psicografado por Chico Xavier.


http://youtu.be/6vmMu8GfxS8



Clique nos links e assista uma entrevista que 
explica MORTES COLETIVAS E CATÁSTROFES.

 
http://youtu.be/YIgOti9j4Ko

As religiões e o homossexualismo

ReligiõesAs religiões e o homossexualismo(atualmente chamado de homossexualidade)

kiss gayAs religiões tem na história da humanidade um papel de grande influência, determinação cultural e de costumes, portanto ela esta tão arraigada no ser humano que pode delimitar seus pensamentos e ideologias. A busca pelo divino, a crença no sobrenatural e a procura pela plenitude faz com que muitos de nós nos apeguemos e creiamos nas mais diversas religiões.

Mas como todos sabemos, as religiões possuem uma hierarquia humana e por isso são passíveis de falhas. E em relação aos homossexuais as religiões podem não ser nem um pouco acolhedoras e mensageiras da paz.

Portanto nós homossexuais, fiéis as nossas crenças e freqüentadores de templos religiosos, precisamos ter cautela ao assumir nossa condição sexual e se expor perante os grupos religiosos a que pertencemos ou mesmo a familiares convictos de seus dogmas religiosos. Assumir-se homossexual pode acarretar afastamento e até exclusão do ambiente religioso, por isso devemos ter ciência do que pensam as religiões e analisar se realmente vale a pena se assumir perante os lideres religiosos ou se ainda vale a pena continuar freqüentando ambientes de discriminação.

 
O BUDISMO E A HOMOSEXUALIDADE Por Marco Antonio Garcia
Uma entrevista esclarecedora sobre os princípios da religião budista


SEM TREMER PERANTE A DEUS - Revista G Magazine
Primeiro Rabino Ortodoxo do mundo a revelar a sua homossexualidade, em 1999, o norte americano Steve Greenberg lutou durante anos contra o conservadorismo exacerbado dos judeus ortodoxos...



Budismo budismoExistem diversas escolas, e correntes no Budismo. Mas em sua maioria o Budismo preocupa-se mais em saber se uma ação é produtiva e baseada em boas intenções. Em termos genéricos todas as relações pessoais são consideradas um assunto privado e são corretas desde que promovam o bem estar das partes envolvidas. Toda a prática sexual que prejudique, manipule ou explore outros é absolutamente proibida, não fazendo nenhuma distinção entre relações homossexuais e heterossexuais
Catolicismo
A Igreja Católica faz a distinção entre orientação homossexual, que considera moralmente neutra, e comportamento homossexual, que considera pecaminoso. Por outras palavras, pode ser-se homossexual, desde que não se "pratique". Desta forma, o homossexual, que sentisse essa sua 'orientação' teria de levar uma vida de total abstinência sexual.
Convirá aqui recordar que a esmagadora maioria dos homossexuais que tentaram levar esta vida de abstinência sexual, acabaram por exprimir as suas necessidades sexuais de forma auto destrutiva.

Cultos Afros
Para as religiões “Afro” não existe a noção de pecado como nas outras religiões. A Umbanda e o Candomblé são tolerantes quanto a homossexualidade porque a considera como opções individuais e não compete às religiões condenar ou estigmatizar, mas tão somente orientar seus fiéis nos aspectos religiosos.

EspiritismoEspiritismo
O Espiritismo ensina que os espíritas devem sempre respeitar o comportamento da pessoas, procurando compreendê-las, quando suas atitudes não estão de acordo com aquilo que não é considerado normal; por isso não é contra os homossexuais, mas também não é a favor da homossexualidade. O Espiritismo não é contra o sexo, mas contra o abuso da atividade sexual.


Consideram a homossexualidade como um distúrbio de comportamento sexual intrínseco, marcado pela feminilidade ou masculinidade da alma, muitas vezes levada àquela condição, por força da educação, dos desequilíbrios emocionais e de influências diversas, inclusive daqueles que no passado (outras encarnações) abusaram das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas. Leia mais sobre...

EvangélicosEvangélicosApesar da grande ramificação e diversidade doutrinária dos evangélicos trata-se de uma religião cristã e o seu posicionamento perante a homossexualidade varia de acordo com a corrente de pensamento dentro do protestantismo.
Mesmo já existindo, raras igrejas que aceitam o homossexual em sua condição a maioria dos evangélicos entendem que a homossexualidade não corresponde aos desejos de Deus para com a humanidade, rejeitam as uniões entre casais homossexuais e proíbem a ordenação de clérigos abertamente homossexuais. Consideram como regra geral que ahomossexualidade é um distúrbio emocional, um problema psíquico e demoníaco.

Hare Krishnas
Para os Hare Krishnas ser homossexual se deve ao ‘karma’ da pessoa, talvez ele tenha sido muito apegado a sua posição de homem ou mulher, e na outra vida veio com outro sexo, mas com as qualidades do sexo anterior.

IslamismoIslamismo
De acordo com documentação produzida pela Al-Fatiha, existe um consenso entre os estudiosos do Islã de que todos os humanos são naturalmente heterossexuais. Ahomossexualidade é vista como um pecado e um desvio da norma sendo considerados contra a lei. Segundo os Hanafitas (Islâmicos do Sul e Leste da Ásia): não deve ser aplicado nenhum castigo físico aos homossexuais. Já para os Hanabalitas (mundo Árabe): deve ser aplicado um castigo físico severo.

Judaísmo JudaísmoOs judeus ortodoxos, entendem o comportamento homossexual como uma abominação proibida pela Torá (Leis e Mandamentos). Portanto, não é aceito porque é visto pelo Judaísmo como algo não natural. Não natural porque, segundo eles, a anatomia humana foi concebida visivelmente para uma relacionamento heterossexual.
Seicho-No-Ie
A Seicho-No-Ie considera o homossexual como manifestação anômala da sexualidade, não se identificando com o seu tipo físico. Portanto, não é a favor nem contra, mas sua postura é no sentido de as pessoas manifestarem a perfeição interior, que compreende também a expressão plena de características masculinas e femininas, conforme o sexo com que nasceram.


Equipe Armário X