quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Brasileiro é falso moralista e duas-caras quando se trata de sexualidade, dizem historiadores


Brasileiro é falso moralista e duas-caras quando se trata de sexualidade, dizem historiadores

Cléo Francisco

No carnaval, os desfiles das escolas de samba mostram mulheres seminuas a sambar. Emissoras de TV fazem a cobertura dos bailes gays nessa época. Telejornais exibem imagens da folia nos blocos em todo país onde a sensualidade rola solta. Fora do Carnaval, São Paulo celebra a diversidade sexual e vira palco de uma das maiores paradas gay do mundo. Em 2009, a universitária Geisy Arruda teve de sair da faculdade em São Bernardo do Campo (SP) escoltada por policiais e ouvindo xingamentos por usar um vestido considerado justo e curto. A intolerância também frequenta a Avenida Paulista, local cujas câmeras ali instaladas costumam registrar, com frequência, ataques a homossexuais.
"A mesma avenida que abriga uma das maiores paradas gay do mundo é o lugar onde se mata homossexuais. É inadmissível. Somos pessoas de duas caras, falsos moralistas", afirma a historiadora Mary Del Priore, que estuda a sexualidade no Brasil ao longo dos séculos. Mary acaba de lançar o livro "A Carne e o Sangue" (Editora Rocco), que aborda o triângulo amoroso constituído por Dom Pedro I, a Marquesa de Santos e a imperatriz Leopoldina. "D. Pedro dizia que fazia ‘amor de matrimônio’ com Leopoldina e ‘amor de devoção’ com Domitila. Do sangue nobre cuidava a mulher, que lhe dava os filhos e era a matriz. O prazer era com a outra. A imperatriz era muito religiosa e tinha horror ao sexo. A marquesa, ao contrário. E D. Pedro era um inconsequente machista, que teve dezenas de amantes", conta Mary.
Segundo a historiadora, o papel da igreja na formação da nossa sociedade no século 19 ajudou a formar essa dupla moral. "A casa tinha de ser o exemplo da sagrada família de Maria, José e Jesus, voltada para os valores mais altos que preconizava a igreja católica. A igreja consagra o matrimônio como obrigatório. Mais do que isso: o sexo dentro do casamento tinha de ser higiênico e a única preocupação era a reprodução". De acordo com a pesquisadora, a igreja regulamentava inclusive o que deveria acontecer entre quatro paredes.

“Os beijos eram condenados. Os padres confessores perguntavam o que as pessoas faziam no quarto e reprovavam todo tipo de toque no corpo com objetivo de ter prazer. A posição da mulher sobre o homem era contrária à lei divina. E ficar de quatro seria uma forma de animalizar o ato. Esse casamento sem prazer vai incentivar o sexo prazeroso fora de casa", declara a historiadora. E ela inclui outro exemplo da ambiguidade moral do brasileiro: as pornochanchadas da década de 70. "Há vários estudos que mostram que esse foi um momento de revolução sexual. Mas uma característica comum nesse tipo de filme é que o homem que pega todo mundo está sempre atrás de uma virgem. E a prostituta sonha com casamento de véu e grinalda. No Brasil, a mulher sempre teve de ser pura, virgem, não saber de sexo. Isso depunha contra o sexo feminino até pouco tempo", comenta Mary.

Você acha que o brasileiro é falso moralista?

Resultado parcial
Homossexuais são assassinados e mulheres mentem sobre parceiros
O preconceito contra as mulheres que praticam sexo livremente permanece, segundo Mirian Goldenberg, antropóloga e professora na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).  "Estive na Suécia fazendo pesquisas sobre as mulheres. Lá, elas não são julgadas pelo comportamento sexual, se teve 20 parceiros ou um. Aqui as meninas mentem. Elas me dizem que se falarem que tiveram mais de três parceiros não arrumam namorados. E olha que estou falando de jovens que estudam ciências sociais", diz Mirian, que acrescenta: "No Brasil,  ter marido e constituir família é de um valor enorme para a mulher. Numa cultura assim, é difícil ter liberdade sexual. Conheço algumas que têm medo do porteiro do prédio. Homem entra com dez mulheres no apartamento sem nenhum problema. Elas não fazem isso. Esse tipo de preconceito afeta o cotidiano  e já deveria para ter acabado", afirma a antropóloga que estuda a sexualidade na classe média carioca desde 1988 e é autora dos livros "Toda Mulher é Meio Leila Diniz"  e "Por Que Homens e Mulheres Traem?" (Edições BestBolso).
O preconceito pode assumir formas agressivas e terminar em mortes como mostra o Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais do Grupo Gay da Bahia. De acordo com o documento, em 2011, ocorreram 266 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no país. Isso significa um aumento 118% desde 2007, quando foram registrados 122 casos. Esses números foram obtidos através de pesquisas em jornais, internet e notificação de pessoas ligadas às vítimas.
  • Caio Guatelli/Folhapress
    Parada do Orgulho Gay de São Paulo com bandeira na avenida Paulista (2011); avenida também é palco de violência contra homossexuais

Embora os dados alertem para a violência cometida contra esses grupos, mostram também uma mudança social, de acordo com Sérgio Carrara, professor de antropologia do Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e coordenador do Centro Latino Americano Em Sexualidade e Direitos Humanos. "Acho uma modificação importante no cenário a maior visibilidade que os crimes homofóbicos estão tendo na mídia. Começa-se a discutir e reconhecer a existência dessa situação. Vivemos um processo histórico, onde está se exigindo respeito e reconhecimento. Mas isso produz reações e situações de conflito de moralidades distintas", comenta o professor.
Para o psiquiatra e sexólogo Ronaldo Pamplona da Costa, a ignorância está na raiz do problema. "Todo preconceito com relação à sexualidade é baseado na falta de conhecimento sobre o assunto. De uns anos para cá, começou a ser tratado como impróprio mostrar preconceitos sobre sexualidade. As pessoas passaram a posar de conhecedores ou liberais quando nem entendem do assunto. Isso resulta no brasileiro falso liberal", diz o médico, autor de "Os Onze Sexos" (Editora Gente), lançado em 1994 no qual abordou os cinco tipos de sexualidade  para homens e mulheres (heterossexualismo, homossexualismo, bissexualismo, travestismo e transexualismo), acrescidos de um  11º grupo chamado de intersexo, onde estão agrupadas pessoas com defeitos físicos internos ou externos na região genital como hermafroditas, por exemplo. "Na época, sabia-se só sobre o heterossexualismo e colocava-se na mesma sacola do homossexualismo todas as outras sexualidades", diz Ronaldo.

Para dar uma ideia do desconhecimento sobre a sexualidade, o médico cita a própria categoria profissional. "Na faculdade de medicina não tem estudo da sexualidade nos aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Só  como funcionam os órgãos genitais com vistas à reprodução", diz o psiquiatra. "Ninguém nasce preconceituoso. Ao longo da educação as pessoas vão assimilando isso. Um homossexual pode ser preconceituoso em relação à própria sexualidade em alguma medida porque, no geral, fomos criados para sermos heterossexuais",  fala Ronaldo, relatando que, recentemente, atendeu em seu consultório uma jovem universitária que se assumia homossexual, embora não tivesse tido a prática, e que já havia feito amplas pesquisas sobre o tema. "Depois entrou a mãe dela, sozinha, uma mulher com curso superior, dizendo que não aceitava de forma alguma essa situação e que faria tudo para que a filha deixasse de ser homossexual." 
Preconceito: modo de combater
Para que homens e mulheres possam exercer livremente a sexualidade, sem medo de se tornarem vítimas de ataques de qualquer natureza, serão necessárias muitas mudanças, segundo os especialistas.  "Temos liberdade política, mas não somos cidadãos. Democracias requerem esse sentimento. E não temos isso porque não temos educação", diz Mary Del Priore, que ainda faz críticas às mães. "Elas dão no leitinho para o filho homem a superproteção, a homofobia. É uma mulher que adora ser chamada de gostosa, que se identifica com mulher fruta, para quem mulher inteligente é sapatão. É a mãe a figura que transmite esse preconceito e essa dupla cara", diz a historiadora.
Mirian Goldenberg pensa da mesma forma. "O valor da brasileira sempre foi muito associado ao seu corpo, que tem de ser sexy, seduzir. Uma mulher alemã, por exemplo, é poderosa porque tem cargo de chefia, dinheiro, pode decidir, é algo objetivo. O poder da brasileira sempre foi associado à sexualidade dela para a sedução do outro e não para o próprio prazer. Todo o peso do julgamento tem a ver com a imagem corporal que ela constrói", diz Mirian, que acha mais complicado lutar contra o que chama de preconceito invisível.
"As atitudes mais violentas de intolerância acabam indo parar na TV e geram movimento de repúdio. Mas ao nos submetermos mentir no dia a dia, ter medo do julgamento do porteiro, evitar o decote para não sofrer preconceito, nós só o reforçamos", diz Mirian, que cita uma figura famosa por quebrar tabus nos anos 60. "Como Leila Diniz acabou com o estigma da mulher grávida não poder mostrar a barriga? Foi para a praia de biquíni dizendo que a barriga era linda. E hoje todas as gestantes podem fazer isso. Esse preconceito invisível é mais difícil de acabar", diz Mirian.
Para Sérgio Carrara, é possível construirmos uma nova moral sexual. "Temos um processo de conflitos que envolve movimento LGBT, imprensa, sociedade civil, políticos. São forças que querem traçar uma nova moralidade sexual que não seja baseada na discriminação. Mas há também uma reação a isso, seja na forma de violência física ou simbólica. E as escolas são fundamentais nessa construção que deve ser  baseada em liberdade, igualdade e dignidade, na qual a orientação sexual das pessoas diz respeito apenas a elas. Ao considerar esses princípios, os preconceitos e estereótipos tendem a desaparecer."


Envelhecimento, Corrida contra o tempo



A ciência está longe da cura do envelhecimento, mas o nosso conhecimento sobre o assunto nunca evoluiu tão rapidamente. Saiba o que é verdade e o que é mito sobre o avanço da idade.

por Rodrigo Vergara / Marcio Penna

Um alienígena que nos visitasse e examinasse os dados demográficos do século XX pensaria que a humanidade dominou o processo de envelhecimento. De fato, nossos números impressionam. Em 1900, a expectativa média de vida do brasileiro ao nascer era de 33 anos. Hoje, é de 68, mais que o dobro. Nos Estados Unidos, saltou de 47 para 75 anos, no mesmo período. “Em breve”, pensaria o alien, “esses terráqueos viverão centenas de anos”. O extraterrestre ficaria ainda mais impressionado se conhecesse as técnicas antienvelhecimento que vários profissionais de saúde oferecem por preços módicos. “A imortalidade está ao alcance das posses de qualquer um!”, diria o ET.
Nada mais enganoso. Apesar de ser uma das mais antigas preocupações da humanidade, presente em escritos de mais de 5 000 anos, o envelhecimento só é estudado a sério, com rigor científico, há algumas décadas. E ainda não temos muitas certezas a respeito.
Mas há avanços. Na verdade, nosso conhecimento sobre o tema nunca evoluiu tanto, graças a dois fatos. O primeiro foi a explosão da população idosa que, nos países ricos, ultrapassou o número de jovens menores de 14 anos. Para dar bem-estar a essa multidão é preciso entender o que ocorre com ela. O avanço da pesquisa genética também ajudou, especialmente depois que o genoma humano foi desvendado. O que você vai ler nas próximas páginas é um resumo do que se sabe e do que ainda falta saber sobre o assunto.
O que é envelhecimento?
Um exemplo conhecido do que acontece quando envelhecemos é o que ocorre na savana africana. Quando uma leoa ataca uma manada de antílopes, a maioria dos bichos escapam dando saltos assombrosos e, no final, quem acaba nas garras dos felinos são os animais velhos, que já não conseguem acompanhar os mais novos. “Em linhas gerais, o envelhecimento é isso: a perda gradativa das reservas que todos os organismos têm para usar em momentos de estresse”, diz o professor de Geriatria Clineu de Mello Almada Filho, da Universidade Federal Paulista (Unifesp), que também é gerontologista (profissional que estuda o envelhecimento). Em humanos, é essa perda que torna mais difícil, ano após ano, varar a noite estudando ou enfrentar uma maratona de trabalho. Na juventude, essas coisas são menos desgastantes.
Mas por que isso acontece? Qual a razão biológica para envelhecer? A resposta é que não há razão. Envelhecemos porque, pela lógica da seleção natural, que é como “pensa” a natureza, o que acontece com o indivíduo depois que ele gerou descendentes não faz diferença para o futuro da espécie. Assim, a perda das reservas – aquele “algo mais” para atravessar momentos difíceis – após a idade reprodutiva não prejudica a espécie. Em alguns casos, pelo contrário, a beneficia. Em ambientes onde falta alimento, quem já passou da idade fértil representa uma competição extra. Aos poucos, portanto, a natureza privilegiou as espécies cujos integrantes deixavam o palco assim que seu papel acabasse.
Esse mecanismo acontece da seguinte forma, segundo Jay Olshansky, professor de Saúde Pública na Universidade de Illinois, em Chicago, Estados Unidos: os genes prejudiciais a uma espécie são simplesmente banidos pela seleção natural ou desativados até depois da idade reprodutiva, porque seus portadores deixam menos descendentes. Pesquisas recentes mostram que muitos genes prejudiciais ao organismo na idade avançada são úteis na juventude. O câncer de pele, por exemplo, é uma versão fora de controle da capacidade da pele de curar as feridas, segundo o gerontologista americano Steve Austad.
A espécie humana foi a primeira a reverter esse estado de coisas. Nosso corpo foi forjado há 130 000 anos, uma época em que os humanos, por mais fortes e saudáveis que fossem, morriam todos antes dos 30, vítimas de acidentes, predadores ou doenças. Mas nós domamos essas adversidades, elevando nossa expectativa de vida para muito além da idade reprodutiva. Ou seja, a degeneração que enfrentamos a partir dos 30 anos, ou, em outras palavras, o envelhecimento, nada mais é que a entrada em um período da vida para o qual a seleção natural não nos preparou. “A velhice é um produto da civilização. Só ocorre nos seres humanos, nos animais domésticos e nos mantidos em zoológicos ou laboratórios”, diz o professor Leonard Hayflick, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, e membro fundador do Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos.
Mas não somos imunes à seleção natural. A capacidade de prolongar a idade fértil, por exemplo, é um indicador da longevidade e vale também para nós. Segundo um estudo realizado nos Estados Unidos, mulheres que tiveram filhos depois dos 40 anos têm quatro vezes mais chances de atingir os 100 anos que as demais.
O que nos faz ficar velhos?
As teorias sobre as causas do envelhecimento podem ser divididas em dois grupos: as primeiras dizem que o envelhecimento é um processo programado, que sucede o desenvolvimento embrionário e o crescimento; as outras defendem que o envelhecimento é um processo aleatório, causado por danos que vão se acumulando no organismo. Hoje, a segunda é mais aceita entre os cientistas que estudam o assunto, embora haja alguns fatos importantes que não se encaixam nela.
O número de vezes que uma célula se divide, por exemplo, é programado para cada espécie e está diretamente relacionado à longevidade. As células do camundongo, animal que vive três anos, dividem-se 15 vezes. As nossas dividem-se 50 vezes. E as da tartaruga das ilhas Galápagos, que vive 175 anos, dividem-se 110 vezes. Os cientistas já sabem que o número de divisões é determinado pelo tamanho dos telômeros, um novelo de DNA localizado na extremidade dos cromossomos e que serve como uma sola. A cada divisão, os cromossomos perdem parte do telômero, até que a sola acaba e a célula pára de se dividir e morre. Há uma enzima que evita a perda do telômero e torna a célula imortal. Seria o elixir da imortalidade? Longe disso. É ela que produz células cancerosas.
Richard Lerner, do instituto de pesquisa The Scripps, em La Jolla, na Califórnia, descobriu que alguns genes responsáveis pela divisão celular se modificaram com o tempo, provocando alterações que acarretam os sinais visíveis da degeneração e doenças. “O envelhecimento é predominantemente um problema de divisão da célula”, diz.
Jay Olshansky e outros colegas pensam diferente. Para eles, não há genes programados para nos envelhecer, mas sim para combater o envelhecimento, seja reparando os danos causados às células, seja evitando ameaças. O problema é que, após a idade reprodutiva, esses genes não dão mais conta do recado, em parte porque perdem eficiência e em parte porque o trabalho aumenta, porque outros genes se alteram e se tornam fontes potenciais de danos à célula. Ou seja, para Olshansky, os genes influenciam o envelhecimento, mas de forma indireta, como efeitos colaterais do crescimento, do desenvolvimento e da manutenção da saúde. “Envelhecer não se deve a uma intenção evolucionária, mas a uma negligência da seleção natural”, diz.
Ninguém sabe ao certo o que causa os danos à célula. Entre os vários suspeitos, os mais famosos são os radicais livres, que são moléculas altamente reativas produzidas aos bilhões dentro da célula, como resíduo tóxico da transformação da glicose em energia. Os radicais são um perigo porque reagem com qualquer molécula que encontram, modificando-a. Dentro da célula, isso significa deformações no DNA, enzimas e proteínas importantes para o seu funcionamento.
O que fazer para viver mais?
Preocupados com a proliferação dos tratamentos que prometem evitar a velhice, um grupo de 51 cientistas emitiu, há dois meses, um relatório importante. Nele, os autores fizeram um resumo do que se sabe sobre o tema e lançaram um alerta. À luz do conhecimento atual, disseram, “nenhum dos métodos comercializados provou-se capaz de retardar, parar ou reverter o envelhecimento humano”. E acrescentaram: “Alguns desses métodos podem inclusive ser perigosos”. Ou seja, embora a ciência pareça ter domado a natureza, ela ainda não descobriu a fonte da juventude, se é que um dia descobrirá.
Portanto, esqueça as fórmulas mágicas. Não é possível frear o envelhecimento e impedir as mudanças que ocorrem com a idade (veja quadro ao lado). Mas é possível evitar males maiores. “Não há como evitar as perdas decorrentes do processo de envelhecimento. Mas é possível aumentar a eficiência da parte que sobrevive a cada ano”, diz Clineu de Mello Almada Filho, da Unifesp.
Um coração enfartado ainda pode bater por anos, uma pessoa vive bem com um só pulmão e um idoso pode aumentar sua capacidade aeróbica e sua força, até o ponto de poder correr para alcançar o ônibus sem morrer fulminado. É aqui que entra em cena o estilo de vida de cada um. Calcula-se que o estilo de vida responde por 70% da longevidade de uma pessoa. Só 30% se devem a fatores genéticos. Imagine uma pessoa de 60 anos com pneumonia. A doença compromete os pulmões e reduz o nível de oxigênio no sangue, obrigando o coração a acelerar seu ritmo para bombear mais sangue e suprir a carência de oxigênio. Se a pessoa estiver bem condicionada, ela tomará seus antibióticos e ficará curada da pneumonia. Mais lentamente do que se fosse mais jovem, mas dará conta do recado. Se ela for sedentária, porém, seu coração tem mais chance de sucumbir ao esforço extra, ter uma insuficiência cardíaca e precisar de cuidados extras.
Mas qual é o estilo de vida ideal? Acredite, ele é mais óbvio do que você pode imaginar e pode ser resumido em oito atitudes saudáveis.
Coma direito As escolhas alimentares, sozinhas, podem aumentar ou diminuir a vida de uma pessoa em 13 anos. E os cientistas já têm uma razoável certeza do que é uma boa dieta. A maior parte dos estudos diz que o regime mais saudável é baseado em frutas, vegetais, grãos integrais, peixe, nozes e poucas porções de carne sem gordura.
Não fume O cigarro é o primeiro fator de risco para o câncer e aumenta a incidência de doenças cardíacas, duas das principais causas de morte.
Beba com moderação Evidências sugerem que consumir uma taça de vinho por dia faz bem ao coração e às artérias. Mais que isso, porém, pode trazer complicações, principalmente ao fígado e ao cérebro.
Controle seu peso Pessoas muito magras e muito gordas vivem menos. Nas tabelas peso-altura, que indicam o peso desejável para várias estaturas, a expectativa de vida é maior para quem se mantém no centro da faixa de peso desejável. Pesquisas recentes aumentaram esse limite para até 20% acima do ponto médio.
Exercite-se Os benefícios mais conhecidos do exercício ocorrem no coração. O famoso Framingham Heart Study, que monitora, há mais de 50 anos, a saúde dos habitantes de Framingham, nos Estados Unidos, descobriu que andar uma hora por dia durante a vida adia a morte por dois anos. Outros órgãos também ganham. As incidências de diabete e de câncer no cólon caem. E o cérebro corre menos risco de falhas.
Mantenha a cabeça ativa Estudar, aprender línguas, enfim, obter novos conhecimentos gera novas conexões entre neurônios, mantendo o cérebro saudável. Há indícios de que isso reduz o risco de doenças como o Alzheimer.
Relacione-se com os outros Homens bem relacionados socialmente, bem-humorados e otimistas têm mais chance de envelhecer saudavelmente e sem problemas psicológicos.
Encontre um modo de lidar com o estresse Estudos sugerem que otimistas tendem a viver mais que os pessimistas. E os religiosos sobrevivem aos ateus. Aliás, se rir não for o melhor remédio, como diz o ditado, certamente é um deles. Risadas exercitam o coração, reduzem os níveis dos hormônios do estresse, aumentam a imunidade e limpam os pulmões.
Essas são dicas de prevenção. Para quem já chegou à idade avançada, a geriatra Andrea Prates, coordenadora do Centro de Informação sobre o Envelhecimento Saudável, em São Paulo, acrescenta outros dois conselhos: procure manter a autonomia e a independência. Segundo pesquisas realizadas com idosos, velhinhos que tomam conta de si têm menos chance de morrer que os que dependem de outras pessoas para realizar suas atividades diárias.
Qual o limite biológico para o ser humano?
Em boa parte da literatura médica sobre envelhecimento, o limite de 120 anos aparece como sendo um dado científico. Não é. Segundo Olshansky, a origem desse número é a Bíblia. O Antigo Testamento diz que Adão viveu 930 anos, Noé alcançou os 950 anos e Matusalém, até hoje sinônimo de pessoa longeva, comemorou 969 aniversários. Mas Deus mudou as regras do jogo. Logo antes do Dilúvio, Ele disse: “Meu Espírito não irá disputar com o homem, pois ele é mortal. Seus dias serão 120 anos” (Gênesis, 6:3).
Seja qual for a origem desse suposto limite, ele já foi superado. Em 1997, a francesa Jeanne Calment morreu aos 122 anos e 164 dias e é a pessoa que, oficialmente, mais tempo viveu, quebrando inclusive o limite de 115 anos que Leonard Hayflick estipulara no início dos anos 90, em seu livro Como e Por Que Envelhecemos (Editora Campus, esgotado no Brasil).
A verdade é que não há como saber nosso limite, mas o assunto ainda gera discussão porque institutos de previdência e empresas seguradoras, entre outros ramos de atividade, vivem de calcular quanto tempo viveremos e uma mudança no limite de idade teria influência direta na expectativa de vida. Em um documento assinado por James W. Vaupel, da Duke University, Carolina do Norte, Estados Unidos, e por Jim Oeppen, da Universidade de Cambridge, Inglaterra, que estudam demografia e populações, os dois cientistas afirmam que “a expectativa de vida não parece estar chegando a um limite” e dizem que tentar demarcar essa fronteira pode levar a erro. “Todas as tentativas de prever qual seria a expectativa de vida no futuro foram quebradas, desde as que foram feitas em 1928 até as elaboradas em 1990. Em média, a realidade ultrapassou a expectativa projetada em cinco anos.”
Do outro lado desse debate estão cientistas como Olshansky, também munidos de bons argumentos. O crescimento da expectativa de vida no século XX, diz ele, deve-se principalmente à redução das causas de morte entre crianças e jovens, graças a conquistas como saneamento, vacinação e medicamentos. Hoje, restaria pouca margem para avanços nessas faixas etárias: se eliminássemos todas as causas de morte existentes antes dos 50 anos nos países ricos, a expectativa de vida de um recém-nascido aumentaria apenas 3,5 anos. Para que a expectativa de vida aumente ainda mais, será preciso adicionar anos às pessoas de mais de 70 anos, o que não é tão fácil.
Quais os últimos avanços da ciência?
Há muita pesquisa hoje procurando tratamentos e remédios que retardem, parem ou revertam o envelhecimento. Mas os cientistas esbarram em um problema metodológico: não há como provar suas descobertas em humanos. Primeiro porque as pessoas têm hábitos diferentes, o que multiplica as variáveis que afetam o tempo de vida. Para provar, por exemplo, o efeito de um alimento sobre o envelhecimento, seria necessário selecionar, desde o nascimento, algumas centenas de pessoas para submetê-las à dieta escolhida. Essas pessoas teriam de ser representativas da população que se quer estudar (a mesma proporção de cada raça, de cada nível social etc.). Para comparar, seria preciso selecionar um grupo idêntico, que mantivesse os hábitos normais da população. Difícil, não?
Pois há uma exigência a mais. Essas pessoas teriam que ser controladas durante toda a vida, até que a última morresse, porque ninguém descobriu ainda um indicador para medir o envelhecimento humano, além do método mais óbvio, o tempo de vida.
Na falta de dados como esses, indispensáveis ao rigor científico, os cientistas testam suas idéias em animais, o que limita o alcance das descobertas.
A ironia é que, a despeito da tecnologia empregada nas pesquisas, a técnica mais eficaz até hoje descoberta para retardar o envelhecimento e aumentar a longevidade foi descoberta há 70 anos e consiste, simplesmente, em passar fome. Essa técnica, chamada de restrição calórica ou subnutrição sem desnutrição, nada mais é que uma dieta de baixas calorias, correspondente a dois terços do que o animal come normalmente e suficiente apenas para manter os sistemas vitais operando. O benefício é evidente. A dieta dobrou a longevidade média de ratos e já foi testada, com sucesso, em fungos, moscas, vermes, peixes, aranhas, ratos e camundongos. Estudos em andamento em macacos rhesus mostram que os resultados serão idênticos.
Como isso ocorre? Ninguém sabe. Suspeita-se que a dieta reduz a produção de radicais livres, que nascem durante a transformação de glicose em energia dentro da célula.
O próximo passo é fazer testes em humanos, o que não vai ser fácil, porque a técnica tem menos efeito quanto mais tardiamente é adotada. Além disso, mesmo que fique comprovada, será que as pessoas se submeteriam a isso? Há indícios de que a restrição calórica causa desconforto, além, claro, de uma baita fome. Os cientistas estão agora procurando mimetizar seu efeito sem a necessidade de jejum e já há notícias promissoras. No mês passado, foi anunciada a descoberta de uma substância que impede o metabolismo da glicose, imitando o efeito de uma dieta rigorosa e enganando a célula.
Outra técnica famosa é o uso de antioxidantes, que combatem os radicais livres, impedindo-os de danificar a célula. Essas substâncias realmente existem e são conhecidas. Muitas são, inclusive, produzidas pelo organismo ou encontradas em alimentos, como as vitaminas E e C. O desafio dos cientistas é provar que doses extras de antioxidantes podem aumentar o combate aos radicais livres sem causar outros males à saúde. Até agora, a prova não surgiu, embora haja experiências de sucesso em animais como vermes.
Um dos maiores riscos das pesquisas nessa área é que as pessoas podem pensar que não têm nada a perder se usarem uma substância cuja eficácia não foi comprovada. Mas a interrupção de uma grande pesquisa sobre reposição hormonal em mulheres pelo governo dos Estados Unidos acendeu um alerta. Depois de cinco anos de reposição, concluíram os cientistas, os riscos do tratamento superaram os supostos benefícios.
A teoria da reposição hormonal tem uma boa base científica. A produção hormonal de fato cai com o avanço da idade. Mas não se sabe se isso é causa ou efeito da velhice. Preocupado com isso, o Instituto Nacional do Envelhecimento, nos Estados Unidos, emitiu o seguinte comunicado no ano passado: “Contrariamente ao rumor popular, nenhum complemento demonstrou eficácia na prevenção ou na reversão do envelhecimento”.
Na dúvida, melhor deixar a natureza agir sozinha.

PORQUE AS PESSOAS IDOSAS CADUCAM

Se você, do mesmo modo que tantas pessoas, cresceu ouvindo a história de que é necessário sempre manter seu cérebro trabalhando para não caducar na velhice, temos uma notícia que pode não parecer tão boa: estudos de um centro médico em Chicago indicam que o aprendizado constante na terceira idade realmente adia qualquer disfunção mental, mas que nesse caso ela poderá vir com maior força, se acontecer.
É claro que os médicos não estão dizendo a você, aposentado, que não faça seu cérebro se exercitar com palavras cruzadas, xadrez e literatura, por exemplo. Estas práticas sempre foram consideradas saudáveis e continuam sendo. O que os psicólogos querem dizer é que existe um limite: não sobrecarregue o seu cérebro na vida idosa, porque há um declínio natural de capacidade, e cria-se um limite, querendo ou não. Além disso, chega certa idade (variável para cada pessoa) em que já não se pode mais conter a perda parcial de lucidez, não importa o que se faça.


O estudo conduzido pelos pesquisadores de Chicago durou 12 anos. Foram recrutados 1.157 idosos, com idade igual ou superior a 65 anos, todos mentalmente saudáveis. O primeiro procedimento foi preencher um questionário em que cada um deveria apontar, em uma escala de 5 pontos (em que 5 significa “pratica diariamente” enquanto 1 equivale a “uma vez por ano ou menos”), com que frequência praticavam cada uma das sete atividades estimulantes ao cérebro: ver TV, ouvir rádio, jogar cartas e palavras cruzadas, ler jornais, ler livros, ler revistas ir a museus.
Durante a primeira metade do estudo (seis anos), os pesquisadores determinaram o número de indivíduos que tinham contraído problemas cognitivos suaves (como o Alzheimer, que é uma disfunção de memória) ou nenhum problema. Nos seis anos seguintes, passaram a fazer comparações com o período anterior, e chegaram ao seguinte resultado: aqueles que foram considerados sãos nos primeiros 6 anos tiveram uma redução de 52% na frequência das sete atividades cognitivas, do começo para o fim do estudo. Os que foram diagnosticados com Alzheimer, por sua vez, aumentaram essa taxa de atividades em 42%. Ou seja: os menos saudáveis mentalmente se exercitaram mais.
Na verdade, como explica um dos pesquisadores, a pessoa com um estilo de vida ativo cognitivamente tem doença mental mais grave quando esta é diagnosticada pela primeira vez, e ela deteriora mais rápido do que naqueles que a tiveram antes.
Mas os médicos afirmam que tais atividades, principalmente as que envolvem leitura, retardam a nossa decadência mental inevitável, de qualquer jeito. Assim, baseando-se por esta pesquisa, fica uma escolha ao chegar aos 60: exercitar o cérebro ao máximo para ter maior risco de uma disfunção acelerada, digamos, aos 90, ou não exercitar, ter uma disfunção leve, mas já aos 75 anos. O que sobra são as opções de exercício mental para ajudar a prorrogar o declínio normal que a natureza impõe. [Live Science]

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A FINAL PORQUE O CATÓLICO NÃO PODE SER ESPÍRITA

Afinal: Por que o Católico não pode ser Espírita ?

Written By Beraká -


O espiritismo foi codificado por Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido por seu pseudônimo "Allan Kardec", nascido em Lião, França, em 3/10/1804.


A doutrina sobre a redenção "É pelo sangue de Jesus Cristo que temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo a riqueza de sua graça que ele derramou profusamente sobre nós", explicava São Paulo aos efésios (1,7).

Nossa redenção pela paixão, morte e ressurreição de Jesus é outra verdade fundamental da fé cristã. Nisso consiste propriamente a "boa nova" ou o "evangelho".

Mas nem esta verdade tão central entra no credo espírita de AK. Segundo ele cada um deve ser seu próprio redentor através do sistema de reencarnações.

Por isso no espiritismo a soteriologia (doutrina sobre a redenção ou salvação do homem) é deslocada da cristologia para a antropologia. 


Leão Denis o enuncia cruamente quando escreve:

"Não, a missão de Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. É o que os espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos do mundo." (Cristianismo e espiritismo, p. 88).


E o Reformador, órgão máximo da propaganda e encarnacionista no Brasil, ensina em seu número de outubro de 1955 (p. 236): "A salvação não se obtém por graça nem pelo sangue derramado por Jesus no madeiro", mas "a salvação é o ponto de esforço individual que cada um emprega, na medida de suas forças".


Daí esta doutrina de AK: "Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes." (V, 88). 


Ele reconhece a necessidade e o valor do arrependimento; mas este arrependimento não basta ao pecador para obter o perdão divino. Segundo ele, a contrição é apenas o início da expiação e tem como conseqüência o desejo de "uma nova encarnação para se purificar" (I, 446).

 "O arrependimento concorre para a melhoria do espírito, mas ele tem que expiar o seu passado" (I, 448); "o arrependimento lhe apressa a reabilitação, mas não o absolve" (I, 450); "o arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito, destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação." (V, 90); e a graça é coisa que não existe porque "seria uma injustiça" (IV, 76).


No livro Roma e o Evangelho (5ª ed.), o espírito de "Maria" dita estas palavras:

"Jesus Cristo não podia, nem quis assumir todas as responsabilidades individuais, contraídas ou por contrair, emanadas dos pecados dos homens, e muito menos podia, pelo sacrifício de sua vida, remir a humanidade da pena de desterro a que fora condenada. A redenção da humanidade não se firma, pois, nos méritos e sacrifícios de Jesus, e, sim, nas boas obras dos homens.


Que cegueira! Quanta aberração! Supor e afirmar que os sofrimentos e a morte do Justo foram ordenados do alto, em expiação dos pecados de todos, é a mais orgulhosa das blasfêmias contra a justiça do Eterno." A doutrina sobre a Igreja: "Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica." É a profissão cristã. Nem esta profissão entra no credo espírita. 


Com a negação da doutrina cristã sobre a redenção e santificação dos homens, contestam-se conseqüentemente também todos os meios instituídos por Jesus Cristo para a salvação e santificação. A começar pelo batismo. Jesus mandou aos apóstolos ir pelo mundo inteiro, ensinar a todos tudo quanto ele lhes ordenara, batizando a todos "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19-20), esclarecendo: "Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado" (Mc 16,16).

No Brasil, os espíritas, fiéis à doutrina codificada por AK, já não batizam nem fazem batizar seus filhos. Nem teria sentido. Pois é pelas reencarnações que os homens devem alcançar a perfeição.


Na última ceia Jesus instituiu a eucaristia e ordenou aos apóstolos: "Fazei isto em minha memória" (Lc 22,19). Mas os espíritas não o fazem. Nem teria sentido. Pois, segundo eles, o mistério pascal não tem valor de sacrifício pelos pecados dos homens. Jesus disse aos apóstolos: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados" (Jo 20,23). Mas os espíritas não procuram receber o perdão divino que lhes é generosamente oferecido. Nem teria sentido. Pois somente mediante as reencarnações se alcança o perdão. 


Jesus disse a Pedro: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,18-19). Mas os espíritas não dão nenhuma importância nem a Pedro e seus sucessores, nem à Igreja que Jesus dizia "sua", nem ao poder das chaves que o Senhor Jesus entregou ao chefe do colégio apostólico. Jesus declarou aos apóstolos: "Quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza, e quem me despreza, despreza aquele que me enviou" (Lc 10,16).


Para os espíritas tudo isso já está superado. Pois eles vão receber as orientações dos espíritos que baixam em seus centros. Proclamando a nulidade dos sacramentos, quer AK que o espiritismo não tenha "nem culto, nem rito, nem templos" (VII, 235).


E o Conselho Federativo Nacional dos espíritas, em sua reunião de 5/7/1952, declarou, "por unanimidade que o espiritismo é religião sem ritos, sem liturgia e sem sacramentos". Proclama-se assim a total inutilidade da Igreja, que será substituída pelo espiritismo.

No livro Depois da morte (p. 80), profetiza Leão Denis:

"Chegará a ocasião em que o catolicismo, seus dogmas e práticas não serão mais do que vagas reminiscências quase apagadas da memória dos homens, como o são para nós os paganismos romanos e escandinavos." 


Não seria difícil continuar a lista de negações. Assim, para dar apenas mais alguns exemplos, o espiritismo nega a criação da alma humana; recusa a união substancial entre corpo e alma; afirma que não há anjos e demônios; repudia os privilégios de Maria Santíssima; não admite o pecado original; contesta a graça divina; abandona toda a doutrina do sobrenatural; rejeita a unicidade da vida humana terrestre; ignora o juízo particular depois da morte; não concede a existência do purgatório; ridiculariza o inferno; reprova a ressurreição da carne; e desdenha o juízo final.


Em uma palavra: renuncia a todo o credo cristão. Em que consiste, pois, seu anunciado "cristianismo"? Tudo é simplesmente reduzido à aceitação de alguns princípios morais do Evangelho, tal como AK aprendera em sua juventude, no Instituto de Pestalozzi, em Yverdun, na Suíça. Seu manual "cristão ...seu manual Cristão...é unicamente O evangelho segundo o espiritismo, "com a explicação das máximas morais de Cristo em concordância com o espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida", que AK publicou em 1864.


Na Revue Spirite de junho de 1867, AK critica a obra de J. B. Roustaing (que ensinava que o corpo de Jesus era meramente aparente ou fluídico) e revela que em O evangelho segundo o espiritismo ele se circunscrevera simplesmente às máximas morais que são, geralmente, claras e nem poderiam ser interpretadas de maneiras diversas e são, por isso, aceitas por todos.


E então revela: "Essa a razão que nos levou a começar por aí, a fim de sermos aceitos sem contestação, aguardando, relativamente ao mais, que a opinião geral se encontrasse familiarizada com a idéia espírita." Passa então a criticar Roustaing, dizendo: "O autor desta nova obra julgou dever seguir outra orientação: em lugar de proceder gradativamente, quis de um salto atingir o fim. Assim é que tratou de certas questões que ainda não julgáramos oportuno abordar."

AK era oportunista. Daí seu proposital silêncio sobre certas questões, por exemplo, a Santíssima Trindade. Seu único estudo de caráter teológico, embora negativo, sobre a natureza de Jesus Cristo, não foi por ele publicado, mas apareceu apenas depois em suas Obras póstumas.

Ele recomenda esta norma de agir: "Cumpre nos façamos compreensíveis. Se alguém tem uma convicção bem firmada sobre uma doutrina, ainda que falsa, necessário é que lhe tiremos essa convicção, mas pouco a pouco. Por isso é que muitas vezes nos servimos de seus termos e aparentamos abundar nas suas idéias: é para que não fique de súbito ofuscado e não deixe de se instruir conosco." (III, 336). 


Sendo o Brasil um país tradicionalmente católico ou cristão, os espíritas, de acordo com o citado princípio de AK, se apresentam como "cristãos" e difundem principalmente O evangelho segundo o espiritismo.


Começam por dizer que o espiritismo é apenas ciência e filosofia, não cogitando de questões dogmáticas; que eles não combatem crença alguma; que o católico, para ser espírita, não precisa deixar de ser católico; que todas as religiões são boas, contanto que se faça o bem e se pratique a caridade, etc. e por isso vão dando nomes de santos nossos aos centros espíritas. 


O Conselho Federativo resolveu prescrever a seguinte norma geral: "As sociedades adesas (à Federação Espírita Brasileira), mediante entendimento com a Federação, quando esta julgar oportuno e as convidar para isso, cuidarão de modificar suas denominações no sentido de suprimir delas o qualificativo de ´santo´ e de substituir por outras, tiradas dos princípios e preceitos espíritas, dos lugares onde tenham sua sede, das datas de relevo nos anais do espiritismo e dos nomes dos seus grandes pioneiros." Assim, por exemplo, começa algum centro espírita por chamar-se "Centro são Francisco de Assis"; depois, quando a Federação julgar oportuno, suprimirá o qualificativo "santo"; e afinal, quando seus adeptos já estiverem suficientemente distanciados da Igreja, será "Centro Allan Kardec".

O espírita perante a Igreja


Em 1953 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reafirmou a determinação feita pelo Episcopado Nacional na Pastoral Coletiva de 1915, revista pelos bispos em 1948 nestes termos: "Os espíritas devem ser tratados, tanto no foro interno como no foro externo, como verdadeiros hereges, e não podem ser admitidos à recepção dos sacramentos, sem que antes reparem os escândalos dados, abjurem o espiritismo e façam a profissão de fé." 


Segundo o novo Direito Canônico (de 1983), "chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela" (cân. 751).


E no cânon 1364 parágrafo 1, a nova legislação eclesiástica determina que "o herege incorre automaticamente em excomunhão", isto é: deve ser excluído da recepção dos sacramentos (cân. 1331 par. 1), não pode ser padrinho de batismo (cân. 874), nem da confirmação (cân. 892) e não lhe será lícito receber o sacramento do matrimônio sem licença especial do bispo (cân. 1071) e sem as condições indicadas pelo cânon 1125. Também não pode ser membro de associação ou irmandade católica (cân. 316). 


O espiritismo afeta a mente e o sistema nervoso. Constatando que no Brasil muitas pessoas freqüentam o espiritismo por motivos apenas sentimentais: "desejam consolação (uma pretensa comunicação com os mortos) ou uma receita para curar doença ou um conselho para sair de um problema"; são pessoas conhecedoras da doutrina espírita como tal e que a professam convictamente; e que "por isto querem ser católicos e espíritas ao mesmo tempo" - como se isto fosse possível, Padre Estêvão Bettencourt, O.S.B., fazendo uma apreciação sobre o espiritismo, em folhetos da série "Nós e Nós", da Editora Santuário, adverte quando aos perigos para a mente e o sistema nervoso que pode a mediunidade acarretar aos seus usuários.



Médicos e psicólogos registram que a frequentação do espiritismo afeta profundamente o psiquismo e o sistema nervoso dos seus clientes. 


Sim, quem procura um Centro Espírita, procura-o muitas vezes porque já está ou psiquicamente abalado por doença ou por um problema qualquer resistente; não tendo conseguido solução por vias racionais ou científicas, vai tentá-la por via "mística" ou emotiva ou por meio de sugestão espírita.


De fato, as sessões espíritas mexem fortemente com a fantasia ou a imaginação dos clientes, fazendo-os entrar num "mundo novo" ("o mundo do além"), induzindo-os a assumir um comportamento que não é orientado por critérios racionais, mas por critérios imaginados pelo médium e incutidos ao paciente. 


Ora tal atuação prejudica gravemente a saúde psíquica e os nervos do cliente já debilitado pela luta anterior contra o seu problema. Precisamente a grade difusão do espiritismo no Brasil faz que a nossa terra seja um dos países de maior índice de doenças mentais do mundo. "Verifica-se que, na proporção em que o espiritismo cresce no Brasil, aumenta o número de casos psicopáticos em nossa pátria. 


O espiritismo ou provoca a perturbação nervosa (.) ou a agrava (quando pretende curá-la). O médium ou o curandeiro só leva em conta os sintomas ou os efeitos da moléstia, sem atinar com as causas, que ele ignora ou que ele interpreta supersticiosamente. Em conseqüência, ele contribui para agravar a divisão da personalidade, tornando-a cada vez menos capaz de encontrar a cura."

(Texto extraído do jornal Atualidade editado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Semanário Católico de 20/3/1988.) 


Fonte: Subsecretariado de Medjugorje - Balneário Camboriú - SC. 


Porque o Católico não pode ser Espírita (Parte II)


1. O Católico: admite a possibilidade de "mistério" e aceita as verdades sempre que tem certeza que foram reveladas por Deus. O Espírita: proclama que absolutamente não há "mistérios" e tudo o que a mente humana não pode compreender, é falso e deve ser rejeitado. 


2. O Católico: instruído crê que Deus pode e faz milagres. O Espírita: rejeita a possibilidade de milagres e ensina que Deus também deve obedecer às "leis" da natureza. 


3. O Católico: crê que os livros da Sagrada Escritura foram inspirados por Deus, portanto não podem ter erros em questão de fé e moral. O Espírita: declara que a Bíblia está cheia de erros e contradições e que nunca foi inspirada por Deus. 


4. O Católico: crê que Jesus enviou o Espírito Santo aos apóstolos e seus sucessores para que pudessem transmitir fielmente, sem erros, a sua Doutrina. O Espírita: declara que os apóstolos e seus sucessores não entenderam os ensinamentos de Cristo e que tudo o que eles nos transmitiram está errado, é falsificado. 


5. O Católico: crê que Jesus instituiu a Igreja para continuar sua obra. O Espírita: declara que até a vinda de Allan Kardec a obra de Cristo estava perdida e inutilizada. 


6. O Católico: crê que o Papa, sucessor de Pedro, é infalível em questões de fé e moral. O Espírita: proclama que os Papas só espalharam o erro e a incredulidade. 


7. O Católico: crê que Jesus nos ensinou toda a Revelação e nada mais há para ser revelado. O Espírita: proclama que o espiritismo é a terceira revelação, destinada a retificar e substituir o Evangelho de Cristo. 


8. O Católico: crê no Mistério da Santíssima Trindade. O Espírita: nega esse augusto mistério. 


9. O Católico: crê que Deus é o Criador de tudo, Ser Pessoal, distinto do mundo. O Espírita: afirma que os homens são partículas de Deus - verdadeiro panteísmo. 


10. O Católico: crê que Deus criou a alma humana no momento de sua união com o corpo. O Espírita: afirma que nossa alma é o resultado da lenta e longa evolução, tendo passado pelo reino mineral, vegetal e animal. 


11. O Católico: crê que o homem é uma composição substancial de corpo e alma. O Espírita: afirma que é um composto entre "perispírito" e alma e que o corpo é apenas invólucro temporário, um "Alambique para purificar o espírito". 


12. O Católico: obedece a Deus que, sob penas severas, proibia a evocação dos mortos. O Espírita: faz dessa evocação uma nova religião. 


13. O Católico: crê na existência de anjos e demônios. O Espírita: afirma que não há anjos, mas espíritos mais evoluídos e que eram homens. Que não há demônios, mas apenas espíritos imperfeitos que alcançarão a perfeição. 


14. O Católico: crê que Jesus é verdadeiramente o Filho Unigênito de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. O Espírita: nega esta verdade fundamental da fé cristã e afirma que Cristo era apenas um grande "médium" e nada mais. 


15. O Católico: crê que Jesus é também verdadeiro homem, com corpo real e alma humana. O Espírita: em grande parte, afirma que Cristo tinha apenas um corpo aparente ou fluídico. 


16. O Católico: crê que Maria é Mãe de Deus, imaculada, assunta ao céu. O Espírita: nega e ridiculariza todos os privilégios de Maria, Mãe de Deus. 


17. O Católico: crê que Jesus veio para nos salvar por sua Paixão e Morte. O Espírita: afirma que Jesus não é nosso Redentor, mas apenas veio para ensinar algumas verdades e isso mesmo de um modo obscuro, e que cada pessoa precisa remir-se a si mesmo. 


18. O Católico: crê que Deus pode perdoar o pecador contrito. O Espírita: afirma que Deus não pode perdoar pecados sem que preceda rigorosa expiação e reparação feita pelo próprio pecador, sempre em novas reencarnações.


19. O Católico: crê nos sete sacramentos e na graça própria de cada sacramento. O Espírita: não aceita nenhum sacramento, nem mesmo o poder da graça santificante.


20. O Católico: crê que o homem vive sobre a terra e que desta única existência depende a vida eterna. O Espírita: afirma que a gente nasce, vive e morre e renasce ainda e progride continuamente. 


21. O Católico: crê que após esta vida, há céu e inferno. O Espírita: nega - crê em novas reencarnações. 


Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M. Bispo da Diocese de Novo Hamburgo (RS) 

Transcrito da revista "Jesus vive e é o Senhor" Fonte: Subsecretariado de Medjugorje - Balneário Camboriú - SC.