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quinta-feira, 16 de abril de 2015
Orientadores do mundo
É muito comum nos círculos religiosos, notadamente nos
arraiais espiritistas, o aparecimento de orientadores do mundo,
reclamando provas da existência da alma.
Tempo virá em que semelhantes inquirições serão consideradas pueris, porque, afinal, esses mentores da política, da educação, da ciência, estão perguntando, no fundo, se eles próprios existem.
A resposta de Jesus a Nicodemos, embora se refira ao problema da reencarnação, enquadra-se perfeitamente ao assunto, de vez que os condutores da atualidade prosseguem indagando sobre realidades essenciais da vida.
Peçamos a Deus auxilie o homem para que não continue tentando penetrar a casa do progresso pelo telhado.
O médico leviano, até que verifique a verdade espiritual, será defrontado por experiências dolorosas no campo das realizações que lhe dizem respeito. O professor, apenas teórico, precipitar-se-á muitas vezes nas ilusões. O administrador improvisado permanecerá exposto a erros tremendos, até que se ajuste à responsabilidade que lhe é própria.
Por esse motivo, a resposta de Jesus aplica-se, com acerto, às interrogações dos instrutores modernos.
Transformados em investigadores, dirigem-se a nós outros, muita vez com ironia, reclamando a certeza sobre a existência do espírito; entretanto, eles orientam os outros e se introduzem na vida dos nossos irmãos em humanidade. Considerando essa circunstância e em se tratando de problema tão essencial para si próprios, é razoável que não perguntem, porque devem saber.
Fonte: extraído do livro “Caminho, Verdade e Vida”, de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel. Federação Espírita Brasileira.
Tempo virá em que semelhantes inquirições serão consideradas pueris, porque, afinal, esses mentores da política, da educação, da ciência, estão perguntando, no fundo, se eles próprios existem.
A resposta de Jesus a Nicodemos, embora se refira ao problema da reencarnação, enquadra-se perfeitamente ao assunto, de vez que os condutores da atualidade prosseguem indagando sobre realidades essenciais da vida.
Peçamos a Deus auxilie o homem para que não continue tentando penetrar a casa do progresso pelo telhado.
O médico leviano, até que verifique a verdade espiritual, será defrontado por experiências dolorosas no campo das realizações que lhe dizem respeito. O professor, apenas teórico, precipitar-se-á muitas vezes nas ilusões. O administrador improvisado permanecerá exposto a erros tremendos, até que se ajuste à responsabilidade que lhe é própria.
Por esse motivo, a resposta de Jesus aplica-se, com acerto, às interrogações dos instrutores modernos.
Transformados em investigadores, dirigem-se a nós outros, muita vez com ironia, reclamando a certeza sobre a existência do espírito; entretanto, eles orientam os outros e se introduzem na vida dos nossos irmãos em humanidade. Considerando essa circunstância e em se tratando de problema tão essencial para si próprios, é razoável que não perguntem, porque devem saber.
Fonte: extraído do livro “Caminho, Verdade e Vida”, de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel. Federação Espírita Brasileira.
Mediunidade bênção de DeusMediunidade bênção de Deus
Os médiuns, não são seres privilegiados em missão na mediunidade, são sim na maioria das vezes, seres endividados e em necessárias provas e rígidas expiações a caminho da sua própria regeneração diante das Leis eternas e imutáveis que regem o destino dos seres humanos.
Recorreremos mais uma vez ao Livro dos Médiuns, ainda no Capítulo XXXI, onde encontramos a comunicação que abaixo transcrevo, como seguro ensinamento para todos que laboramos nos trabalhos que a mediunidade nos premia e que precisamos saber dar o devido valor.
“Todos os homens são médiuns, todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando sabem escutá-lo. Agora, que uns se Comuniquem diretamente com ele, valendo-se de uma mediunidade especial, que outros não o escutem senão com o coração e com a inteligência, pouco importa: não deixa de ser um Espírito familiar quem os aconselha. Chamai-lhe espírito, razão, inteligência, é sempre uma voz que responde à vossa alma, pronunciando boas palavras. Apenas, nem sempre as compreendeis.
Nem todos sabem agir de acordo com os conselhos da razão, não dessa razão que antes se arrasta e rasteja do que caminha, dessa razão que se perde no emaranhado dos interesses materiais e grosseiros, mas dessa razão que eleva o homem acima de si mesmo, que o transporta a regiões desconhecidas, chama sagrada que inspira o artista e o poeta, pensamento divino que exalça o filósofo, arroubo que arrebata os indivíduos e povos, razão que o vulgo não pode compreender, porém que ergue o homem e o aproxima de Deus, mais que nenhuma outra criatura, entendimento que o conduz do conhecido ao desconhecido e lhe faz executar as coisas mais sublimes.
Escutai essa voz interior, esse bom gênio, que incessantemente vos fala, e chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo guardião, que do alto dos céus vos estende as mãos. Repito: a voz íntima que fala ao coração é a dos bons Espíritos e é deste ponto de vista que todos os homens são médiuns”. Channing.
Fonte: texto editado extraído do artigo de autoria de José Francisco Costa Rebouças, publicado no Portal do Espírito. Veja a íntegra acessando http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/mediunidade/mediunidade-bencao-de-deus.html
Comunicação com os mortos na Bíblia
Por Paulo da Silva Neto Sobrinho – extraído do site www.espirito.org.br/
“A maior ignorância é a que não sabe e crê saber, pois dá origem a todos os erros que cometemos com nossa inteligência”. (SÓCRATES).
“Tão surpreendente quanto a naturalidade das pessoas em emitirem juízo sobre algo que pouco sabem, é seu desinteresse em melhor informarem-se”. (LOEFFLER).
“Se não se convencem pelos fatos, menos o fariam pelo raciocínio”. (KARDEC).
Introdução
Dentre vários outros, a comunicação com os chamados mortos é um dos princípios básicos do Espiritismo, inclusive podemos dizer que é um dos fundamentais, pois foi de onde surgiu todo o seu arcabouço doutrinário.
Na conclusão de O Livro dos Espíritos, Kardec argumenta que:
“Esses fenômenos … não são mais sobrenaturais que todos os fenômenos aos quais a Ciência hoje dá a solução, e que pareceram maravilhosos numa outra época. Todos os fenômenos espíritas, sem exceção, são a conseqüência de leis gerais e nos revelam um dos poderes da Natureza, poder desconhecido, ou dizendo melhor, incompreendido até aqui, mas que a observação demonstra estar na ordem das coisas”. (p. 401).
Essa abordagem de Kardec é necessária, pois apesar de muitos considerarem tais fenômenos como sobrenaturais, enquanto que inúmeros outros os quererem como fenômenos de ordem religiosa, as duas teses são incorretas. A origem deles é espontânea e natural e ocorrem conforme as leis Naturais que regem não só o contato entre o mundo material e o espiritual, mas toda a complexa interação que mantém o equilíbrio universal. Por isso não precisaríamos relacioná-los, nem mesmo buscar comprovação de sua realidade, entre as narrativas bíblicas.
A Bíblia, apesar de merecer de todos nós o devido respeito, por ser um livro considerado sagrado por várias correntes religiosas, não é, nunca foi e jamais será um livro que contém todas as leis que regem o Universo, nem tão pouco o que acontece em função das leis naturais, portanto, divinas, já desvendadas pelo homem.
A Ciência vem, ao longo dos tempos, demonstrando a impossibilidade de serem verdadeiros certos fatos narrados pelos autores da Bíblia, como também, trazendo outros que nem supunham existir. A Terra como o centro do Universo, Adão e Eva como o primeiro casal humano, entre inúmeros outros pontos da Bíblia, que não poderão ser mais considerados como verdades, uma vez que a Ciência provou o contrário. A fertilização in vitro, a ida do homem ao espaço, a clonagem, o transplante de órgãos, esse computador com o qual estamos escrevendo, como milhares de outras maravilhas descobertas pela Ciência não se encontram profetizadas, em uma linha sequer, nas Escrituras Sagradas.
Apesar disso tudo, estaremos desenvolvendo esse estudo com a finalidade de constatar que a comunicação dos mortos está na Bíblia, não por nós, mas por aqueles que insistem em relacionar esses fenômenos como de cunho religioso e que, para serem verdadeiros, teriam que constar na Bíblia.
Passagens bíblicas para comprovação
A primeira coisa que teremos que buscar para apoio é algo que venha nos dar uma certeza da sobrevivência do espírito, pois ela é a peça fundamental nas comunicações. Leiamos:
Quanto a você [Abraão], irá reunir-se em paz com seus antepassados e será sepultado após uma velhice feliz. (Gn 15,15).
Quando Jacó acabou de dar instruções aos filhos, recolheu os pés na cama, expirou e se reuniu com seus antepassados. (Gn 49,33).
Eu digo a vocês: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó. (Mt 8,11).
E, quanto à ressurreição, será que não leram o que Deus disse a vocês: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. (Mt 22,31-32).
Podemos concluir dessas passagens que há no homem algo que sobrevive à morte física. Não haveria sentido algum dizer que uma pessoa, após a morte, irá se reunir com seus antepassados, se não se acreditasse na sobrevivência do espírito. Além disso, para que ocorra a possibilidade de alguém poder “sentar à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó” teria que ser porque esses patriarcas estão tão vivos quanto nós. A não ser que Jesus tenha nos enganado quando disse, em se referindo a esses três personagens, que Deus é Deus de vivos.
Os relatos bíblicos nos dão conta que o intercâmbio com os mortos eram fatos corriqueiros na vida dos hebreus. Por outro lado, quase todos os povos, com quem mantiveram contato, tinham práticas relacionadas à evocação dos espíritos para fins de adivinhação, denominada necromancia. O Dicionário Bíblico Universal nos dá a seguinte explicação sobre ela:
Meio de adivinhação interrogando um morto. Babilônios, egípcios, gregos a praticavam. Heliodoro, autor grego do III ou do século IV d.C., relata uma cena semelhante àquela descrita em 1Sm (Etíope 6,14). O Deuteronômio atribui aos habitantes da Palestina “a interrogação dos espíritos ou a evocação dos mortos” (18,11). Os israelitas também se entregaram a essas práticas, mas logo são condenadas, particularmente por Saul (1Sm 28,3B). Mas, forçado pela necessidade, o rei manda evocar a sombra de Samuel (28, 7-25): patético, o relato constitui uma das mais impressionantes páginas da Bíblia. Mais tarde, Isaías atesta uma prática bastante difundida (Is 8,19): parece que ele ouviu “uma voz como a de um fantasma que vem da terra” (29,4). Manasses favoreceu a prática da necromancia (2Rs 21,6), mas Josias a eliminou quando fez sua reforma (2Rs 23,24). Então o Deuteronômio considera a necromancia e as outras práticas divinatórias como “abominação” diante de Deus, e como o motivo da destruição das nações, efetuada pelo Senhor em favor de Israel (18,12). O Levítico considera a necromancia como ocasião de impureza e condena os necromantes à morte por apedrejamento (19,31; 20,27). (Pág. 556).
Iremos ver, no decorrer desse estudo, algumas dessas passagens, mas, por hora, apenas destacaremos:
Não se dirijam aos necromantes, nem consultem adivinhos, porque eles tornariam vocês impuros. Eu sou Javé, o Deus de vocês. (Lv 19,31).
Quem recorrer aos necromantes e adivinhos, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra esse homem e o eliminarei do seu povo. (Lv 20,6).
Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não apreenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal cousa é abominação ao Senhor; e por tais abominações o Senhor teu Deus os lança de diante de ti. Perfeito serás para com o Senhor teu Deus. Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal cousa. (Dt 18,9-14).
As três passagens acima dizem respeito à adivinhação e à necromancia – que é um tipo de adivinhação, conforme explicação, já citada, do dicionário –, devemos observar que elas se encontram entre as proibições. A preocupação central era proibir qualquer tipo de coisa relacionada à adivinhação, não importando por qual meio fosse realizada, como fica claro pela última passagem onde se diz “… estas nações, …. ouvem os prognosticadores e os adivinhadores…”, reunindo assim todas as práticas a essas duas.
Por outro lado, a grande questão a ser levantada é: os mortos atendiam às evocações ou não? Se não, por que da proibição? Seria ilógico proibir algo que não acontece. Teremos que tentar encontrar as razões de tal proibição. Duas podemos destacar. A primeira é que consideravam deuses os espíritos dos mortos, mais à frente iremos ver sobre isso, quando falarmos de 1Sm 28. Levando-se em conta que era necessário manter, a todo custo, a idéia de um Deus único, Moisés, sabiamente, institui a proibição de qualquer evento que viesse a prejudicar essa unicidade divina. As consultas deveriam ser dirigidas somente a Deus, daí, por forças das circunstâncias, precisou proibir todas as outras. A segunda estaria relacionada ao motivo pelo qual iam consultar-se aos mortos. Normalmente, eram para coisas relacionadas ao futuro, como no caso de Saul que iremos ver logo à frente, ou para situações até ridículas, quando, por exemplo, do desaparecimento das jumentas de Cis, em que Saul, seu filho, procura um vidente, para que ele dissesse onde poderiam encontrá-las.
A figura do profeta aparece como sendo a pessoa que tinha poderes para fazer consultas a Deus, ou receber da divindade as revelações que deveriam ser transmitidas ao povo. Em razão de querer a exclusividade das consultas a Deus, por meio dos profetas, é que Moisés disse que: “Javé seu Deus fará surgir, dentre seus irmãos, um profeta como eu em seu meio, e vocês ouvirão”. (Dt 18,15). Elucidamos essa questão com o seguinte passo: “Em Israel, antigamente, quando alguém ia consultar a Deus, costumava dizer: ‘Vamos ao vidente’. Porque, em lugar de ‘profeta’, como se diz hoje, dizia-se ‘vidente’”. (1Sm 9,9). O que é vidente senão quem tem a faculdade de ver os espíritos? Poderá, em alguns casos, ver inclusive o futuro, daí a idéia de que poderia prever alguma coisa, uma profecia, derivando-se daí, então, o nome profeta. Podemos confirmar o que estamos dizendo aqui nesse parágrafo, pela explicação dada à passagem Dt 18,9-22:
“Contrapõem-se nitidamente duas formas de profetismo ou de mediação entre os homens e Deus. O profetismo de tipo cananeu, com suas práticas para conhecer o futuro, ou vontade dos deuses (v.9-14), visava controlar a divindade, tornado-a favorável ao homem. Contra isso o Dt estabelece a mediação do ‘profeta como Moisés’ (v.15-22; cf. Ex 20,18-21), a cuja palavra, pronunciada em nome de Deus, o israelita deve obedecer”. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 217).
É interessante que, neste momento, venhamos a dizer alguma coisa sobre profeta. Buscaremos as informações com Dr. Severino Celestino, que nos diz:
A palavra profeta, em hebraico, significa “Navi”, no plural, “Neviim”. Apresenta ainda outros significados como “roê” (videntes). Veja I Samuel 9:9: “antigamente em Israel, todos os que iam consultar IAHVÉH assim diziam: vinde vamos ter com o vidente (roê); porque aquele que hoje se chama profeta (navi), se chamava outrora vidente (roê)”.
A palavra vidente, em hebraico, também significa (chozê), pois, consultando o texto original, encontramos citações que usam o termo (roê) sendo que outras citam (chozê), como veremos adiante. O vidente era, portanto, o homem a ser interrogado quando se queria consultar a Deus ou a um espírito e sua resposta era considerada resposta de Deus.
O termo profeta chegou ao português, derivado do grego (???) “prophétes” que significa “alguém que fala diante dos outros”. No hebraico, o significado é bem mais amplo, possui uma raiz acádica que significa “chamar”, “falar em voz alta”, e interpretam-no como “orador, anunciador”. (Analisando as Traduções Bíblicas, pp. 259-260). (Grifos do original).
Dito isso, podemos agora concluir que Moisés não era totalmente contra o profetismo (mediunismo), apenas era contrário ao uso indevido que davam a essa faculdade. Podemos, inclusive, vê-lo aprovando a forma com que dois homens a faziam, conforme a seguinte narrativa em Nm 11, 24-30:
Moisés saiu e disse ao povo as palavras de Iahweh. Em seguida reuniu setenta anciãos dentre o povo e os colocou ao redor da Tenda. Iahweh desceu na Nuvem. Falou-lhe e tomou do Espírito que repousava sobre ele e o colocou nos setenta anciãos. Quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; porém, nunca mais o fizeram.
Dois homens haviam permanecido no acampamento: um deles se chamava Eldad e o outro Medad. O Espírito repousou sobre eles; ainda que não tivessem vindo à Tenda, estavam entre os inscritos. Puseram-se a profetizar no acampamento. Um jovem correu e foi anunciar a Moisés: “Eis que Eldad e Medad”, disse ele, “estão profetizando no acampamento”. Josué, filho de Nun, que desde a sua infância servia a Moisés, tomou a palavra e disse: “Moisés, meu senhor, proíbe-os!” Respondeu-lhe Moisés: “Estás ciumento por minha causa? Oxalá todo o povo de Iahweh fosse profeta, dando-lhe Iahweh o seu Espírito!” A seguir Moisés voltou ao acampamento e com ele os anciãos de Israel.
Fica claro, então, que pelo menos duas pessoas faziam dignamente o uso da faculdade mediúnica (profeta), daí Moisés até desejar que todos fizessem como eles.
Outro ponto importante que convém ressaltar é a respeito da palavra Espírito, que aparece inúmeras vezes na Bíblia. Mas afinal o que é Espírito? Hoje sabemos que os espíritos são as almas dos homens que foram desligadas do corpo físico, pelo fenômeno da morte. Assim, podemos perfeitamente aceitar que fora às vezes que atribuem essa palavra ao próprio Deus, todas as outras estão incluídas nessa categoria.
Tudo, na verdade, não passava de manifestações dos espíritos, que muitas vezes eram tomados à conta de deuses, devido a ignorância da época, coisa absurda nos dias de hoje.
Isso fica tão claro que podemos até mesmo encontrar recomendações de como nos comportar diante deles, para sabermos suas verdadeiras intenções. Citamos: “Amados, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus,…” (1 Jo 4, 1).
Disso pode-se concluir que era comum, àquela época, o contato com os espíritos. De fato, já que podemos confirmar isso com o Apóstolo dos gentios, que recomendou sobre o uso dos “dons” (mediunidade), conforme podemos ver em sua primeira carta aos Coríntios (cap. 14). Nela ele procura demonstrar que o dom da profecia é superior ao dom de falar em línguas (xenoglossia), pois não via nisso nenhuma utilidade senão quando, juntamente, houvesse alguém com o dom de interpretá-las.
Ao lado dos espíritos, também vemos inúmeras manifestações do demônio. Sobre ele, encontramos a seguinte informação, citada pela Dra. Edith Fiore, sobre o pensamento do historiador hebreu Flávio Josefo: “Os demônios são os espíritos dos homens perversos” (Possessão Espiritual, p. 29). Com isso as manifestações espirituais se ampliam, pois agora se nos apresentam os demônios como espíritos de seres humanos desencarnados, ficando, portanto, provado que a Bíblia está repleta de fenômenos mediúnicos. Onde há mediunidade haverá, conseqüentemente, manifestação espiritual, pouco importa a denominação que venha se dar aos que se apresentam aos encarnados,por essa via.
Vejamos, então, um caso específico relatado sobre uma consulta aos mortos. Chamamos a sua atenção para o motivo da consulta, que não poderá passar despercebido, visto o termos citado como uma das causas da proibição de Moisés. Leiamos:
Samuel tinha morrido. Todo o Israel participara dos funerais, e o enterraram em Ramá, sua cidade. De outro lado, Saul tinha expulsado do país os necromantes e adivinhos. Os filisteus se concentraram e acamparam em Sunam. Saul reuniu todo o Israel e acamparam em Gelboé. Quando viu o acampamento dos filisteus, Saul teve medo e começou a tremer. Consultou a Javé, porém Javé não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pela sorte, nem pelos profetas. Então Saul disse a seus servos: “Procurem uma necromante, para que eu faça uma consulta”. Os servos responderam: “Há uma necromante em Endor”. Saul se disfarçou, vestiu roupa de outro, e à noite, acompanhado de dois homens, foi encontrar-se com a mulher. Saul disse a ela: “Quero que você me adivinhe o futuro, evocando os mortos. Faça aparecer a pessoa que eu lhe disser”. A mulher, porém, respondeu: “Você sabe o que fez Saul, expulsando do país os necromantes e adivinhos. Por que está armando uma cilada, para eu ser morta?” Então Saul jurou por Javé: “Pela vida de Javé, nenhum mal vai lhe acontecer por causa disso”. A mulher perguntou: “Quem você quer que eu chame?” Saul respondeu: “Chame Samuel”. Quando a mulher viu Samuel aparecer, deu um grito e falou para Saul: “Por que você me enganou? Você é Saul!” O rei a tranqüilizou: “Não tenha medo. O que você está vendo?” A mulher respondeu: “Vejo um espírito subindo da terra”. Saul perguntou: “Qual é a aparência dele?” A mulher respondeu: “É a de um ancião que sobe, vestido com um manto”. Então Saul compreendeu que era Samuel, e se prostrou com o rosto por terra. Samuel perguntou a Saul: “Por que você me chamou, perturbando o meu descanso?” Saul respondeu: “É que estou em situação desesperadora: os filisteus estão guerreando contra mim. Deus se afastou de mim e não me responde mais, nem pelos profetas, nem por sonhos. Por isso, eu vim chamar você, para que me diga o que devo fazer”. Samuel respondeu: “Por que você veio me consultar, se Javé se afastou de você e se tornou seu inimigo? Javé fez com você o que já lhe foi anunciado por mim: tirou de você a realeza e a entregou para Davi. Porque você não obedeceu a Javé e não executou o ardor da ira dele contra Amalec. É por isso que Javé hoje trata você desse modo. E Javé vai entregar aos filisteus tanto você, como seu povo Israel. Amanhã mesmo, você e seus filhos estarão comigo, e o acampamento de Israel também: Javé o entregará nas mãos dos filisteus”. (1Sm 28,3-19)
Inicialmente, se diz que Saul consultou a Javé, como não obteve resposta, resolveu então procurar uma necromante para que, pessoalmente , pudesse consultar-se com um espírito. Isso foi o que dissemos sobre uma das razões da proibição de Moisés. Saul diante da necromante foi taxativo: quero que adivinhe o futuro evocando um morto. Aqui é o próprio rei que vai consultar-se com um morto, pelo motivo de querer saber o futuro. Se os mortos nunca tivessem revelado o futuro, estaria o rei numa situação ridícula dessa?
Mas Saul não desejava consultar-se com qualquer um espírito, queria especificamente a presença de Samuel. Após a evocação da mulher, o relato confirma que a necromante viu Samuel-espírito aparecer. Sem margem a nenhuma dúvida. Quando descreve o que vê o próprio Saul reconhece ser o profeta Samuel que estava ali. Fato confirmado, pela indubitável afirmativa de que foi o próprio Samuel quem fez uma pergunta a Saul. Após a resposta de Saul, novamente, Samuel responde ao que veio o rei saber.
Algumas Bíblias ao invés de “vejo um espírito subindo da terra” traduzem por “vejo um deus subindo da Terra”. A frase dessa maneira nos é explicada:
“A palavra hebraica para significar Deus, também designa os seres supra-humanos e, como neste caso, o espírito dos mortos. Havia a convicção de que os espíritos dos mortos estavam encerrados no sheol, e este se situaria algures por baixo da terra” (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 392).
Com isso, fica fácil entender por que Saul, após certificar-se de que Samuel-espírito estava ali, se prostra diante dele (v. 14). Atitude própria de quem endeusava os espíritos e, conforme já o dissemos anteriormente, esse foi um dos motivos pelo qual Moisés proibiu a comunicação com os mortos.
A frase “Javé fez com você o que já lhe foi anunciado por mim” tem a seguinte tradução em outras Bíblias: “O Senhor fez como tinha anunciado pela minha boca”, do que podemos concluir que naquele momento não estava falando pela sua boca, usava a boca da mulher, pela qual confirmou o que tinha falado a Saul quando vivo, não deixando então nenhuma dúvida que era mesmo Samuel-espírito quem estava ali. Estamos dizendo isso, porque com algumas interpretações distorcidas, bem à moda da casa, querem insinuar que quem se manifestou foi o demônio. A isso, poderemos, além do que já dissemos, colocar para corroborar nosso pensamento uma explicação dada a 28,15-19:
O narrador, embora não aprove o proceder de Saul e da mulher (v. 15), acredita que Samuel de fato apareceu e falou com Saul: isso Deus podia permitir. Logo, não é preciso pensar em manobra fraudulenta da mulher ou em intervenção diabólica…. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 330).
Por outro lado, ninguém conseguirá provar que em algum lugar da Bíblia está dizendo que os demônios aparecem no lugar dos espíritos evocados. Assim, de modo claro e inequívoco, temos essa questão de que não são os demônios como definitivamente resolvida. Não bastasse isso, a própria Bíblia confirma o ocorrido quando falando a respeito de Samuel está dito: “Mesmo depois de sua morte, ele profetizou, predizendo ao rei o seu fim. Mesmo do sepulcro, ele levantou a voz, numa profecia, para apagar a injustiça do povo”. (Eclo 46,20). Sabemos que os protestantes não possuem esse livro, mas como os católicos também afirmam que sua Bíblia não contém erros, pegamos a deles para a confirmação dessa ocorrência.
Ao que parece, a consulta aos mortos era fato tão corriqueiro, que, às vezes, era esperada, conforme podemos ver em Isaías:
“Quando disserem a vocês: ‘Consultem os espíritos e adivinhos, que sussurram e murmuram fórmulas; por acaso, um povo não deve consultar seus deuses e consultar os mortos em favor dos vivos?’, comparem com a instrução e o atestado: se o que disserem não estiver de acordo com o que aí está, então não haverá aurora para eles”. (Is 8,19-20).
Isaías até sabia o que iriam dizer, realidade da época, com certeza. Quanto à expressão seus deuses, explicam-nos que equivale a os espíritos dos antepassados (Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria, pág. 950). O que vem reforçar a justificativa para a proibição de Moisés, que buscava fazer o povo hebreu aceitar o Deus único. Interessante que essa passagem irá nos remeter a uma outra, que fala exatamente dos antepassados, como uma explicação que nos ajudará a entendê-la. Vejamo-la:
“Consulte as gerações passadas e observe a experiência de nossos antepassados. Nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossos dias são como sombra no chão. Os nossos antepassados, no entanto, vão instruí-lo e falar a você com palavras tiradas da experiência deles”. (Jó 8,8-10).
Considerando que à época não se tinha muita coisa escrita, e se tivesse talvez pouco adiantaria, pois poucos sabiam ler, só poderemos entender essa passagem como sendo uma consulta direta às gerações passadas. O que em bom Português significa que isso ocorria através da consulta aos seus deuses, em outras palavras, aos espíritos dos antepassados, que pessoalmente viam transmitir suas experiências. É notável que exatamente isso que está ocorrendo nos dias de hoje com os Espíritos, que, mesmo sem que tenham sido evocados para serem consultados, vêm livremente, com a permissão de Deus, é claro, nos passar as suas experiências pessoais, para que possamos aprender com elas, de modo que podemos evitar erros já cometidos por ignorância das leis divinas.
Uma coisa nós podemos considerar. Se ocorriam manifestações naquela época, por que não as aconteceria nos dias de hoje? Veremos agora a mais notável de todas as manifestações de espíritos que podemos encontrar na Bíblia, pois ela acontece, nada mais nada mesmos do que, com o próprio Cristo. Leiamos:
Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus:
“Senhor, é bom ficarmos aqui. Se quiseres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.” Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz.” Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantem-se, e não tenham medo.” Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.(Mt 17,1-9).
Ocorrência inequívoca de comunicação com os mortos, no caso, os espíritos Moisés e Elias conversam pessoalmente com Jesus. E aí afirmamos que se fosse mesmo proibida por Deus, Moisés-espírito não viria se apresentar a Jesus e seus discípulos, já que foi ele mesmo, quando vivo, quem informou dessa proibição, e nem Jesus iria infringir uma lei divina. Portanto, a proibição de Moisés era apenas uma proibição particular sua ou de sua legislação de época. Os partidários do demônio ficam sem saída nessa passagem, pois não podem afirmar que foi o demônio quem apareceu para eles, já que teriam que admitir que Jesus foi enganado pelo “pai da mentira”.
Podemos ainda ressaltar que, depois desse episódio, Jesus não proibiu a comunicação com os mortos, só disse aos discípulos para não contassem a ninguém sobre aquela “sessão espírita”, até que acontecesse a sua ressurreição. E se ele mesmo disse: “tudo que eu fiz vós podeis fazer e até mais” (Jo 14,12) os que se comunicam com os mortos estão seguindo o exemplo de Jesus. Os cegos até poderão ficar contra, mas os de mente aberta não verão nenhum mal nisso.
Já encontramos pessoas que, querendo fugir do inevitável, afirmaram que Moisés e Elias não morreram, foram arrebatados. A coisa é tão séria, que, no afã de se justificarem, desvirtuam a realidade mudando até mesmo narrativas bíblicas, pois, até onde sabemos, existe a passagem falando da morte e sepultura de Moisés, o que poderá ser comprovado em Dt 34,5-8. Quanto a Elias é que se diz ter sido arrebatado. Acredite quem quiser. Mas o que faremos com o corpo físico na dimensão espiritual? “O espírito é que dá vida a carne de nada serve” (Jo 6,63), “a carne e o sangue não podem herdar o reino do céu” (1Cor 15,50). São passagens que contradizem peremptoriamente um suposto arrebatamento de Elias de corpo e alma.
Por várias vezes, Jesus apresentou a seus discípulos ensinamentos por meio de parábolas. Há uma que poderemos citar, pois nela encontramos algo que irá nos auxiliar no entendimento daquilo que propomos. Vejamos:
Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino, e dava banquete todos os dias. E um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava caído à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E ainda vinham os cachorros lamber-lhe as feridas. Aconteceu que o pobre morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. Morreu também o rico, e foi enterrado. No inferno, em meio aos tormentos, o rico levantou os olhos, e viu de longe Abraão, com Lázaro a seu lado. Então o rico gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque este fogo me atormenta’. Mas Abraão respondeu: ‘Lembre-se, filho: você recebeu seus bens durante a vida, enquanto Lázaro recebeu males. Agora, porém, ele encontra consolo aqui, e você é atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, nunca poderia passar daqui para junto de vocês, nem os daí poderiam atravessar até nós’. O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não acabem também eles vindo para este lugar de tormento’. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas: que os escutem!’ O rico insistiu: ‘Não, pai Abraão! Se um dos mortos for até eles, eles vão se converter’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se eles não escutam a Moisés e aos profetas, mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos’. (Lc 16,19-31).
Poderemos tirar várias reflexões dessa parábola, mas nos restringiremos ao assunto deste estudo. Uma pergunta nos vem à mente: se não acreditassem na comunicação entre os dois planos, por que então o rico pede a Abraão para enviar Lázaro para alertar a seus irmãos? Da análise da resposta de Abraão podemos dizer que há a possibilidade da comunicação, entretanto, ela é completamente inútil, pois se nem aos vivos as pessoas deram ouvidos, que dirá aos mortos. Fato incontestável, que vem acontecendo até nos dias de hoje, já que a grande maioria prefere ignorar a comunicação dos mortos, que vêm nos alertar para que transformemos as nossas ações, de modo que beneficiem ao nosso próximo, a fim de evitar que, depois da morte física, tenhamos que ir para um lugar de tormentos.
A expressão “mesmo que um dos mortos ressuscite” significa que mesmo que algum dos mortos ressuscite na sua condição espiritual, para se comunicar, que eles não se convenceriam. Mas alguém pode objetar dizendo que esse texto implica na necessidade de uma ressurreição corpórea para que ocorra esta comunicação. Isto é um subterfúgio, já que na própria Bíblia encontramos indícios de que o termo ressurreição também era usado para indicar a influência dos mortos sobre os vivos, conforme podemos confirmar no seguinte passo: “Alguns diziam: ‘João Batista ressuscitou dos mortos. É por isso que os poderes agem nesse homem’”. (Mt 14,2; Mc 6,14).
Quem já teve a oportunidade de ler a Bíblia, pelo menos uma vez, percebe que ela está recheada de narrativas com aparições de anjos. Na ocasião da ressurreição de Jesus algumas delas nos dão conta do aparecimento, junto ao sepulcro, de “anjos vestidos de branco” (Jo 20,12; Mt 28,2), enquanto que outras nos dizem ser “homens vestidos de branco” (Lc 24,4; Mc 16,5). Demonstrando que anjos, na verdade, são espíritos humanos de pessoas desencarnadas. Até mesmo os nomes dos anjos são nomes dados a seres humanos: Gabriel, Rafael, Miguel, etc. Vejamos se isso é coerente.
Nesse tempo, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja, e mandou matar à espada Tiago, irmão de João. Vendo que isso agradava aos judeus, decidiu prender também Pedro. Eram os dias da festa dos pães sem fermento. Depois de o prender, colocou-o na prisão e o confiou à guarda de quatro grupos de quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentar Pedro ao povo logo depois da festa da Páscoa. Pedro estava vigiado na prisão, mas a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele. Herodes estava para apresentar Pedro. Nessa mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados. Estava preso com duas correntes, e os guardas vigiavam a porta da prisão. De repente, apareceu o anjo do Senhor, e a cela ficou toda iluminada. O anjo tocou o ombro de Pedro, o acordou, e lhe disse: “Levante-se depressa.” As correntes caíram das mãos de Pedro. E o anjo continuou: “Aperte o cinto e calce as sandálias.” Pedro obedeceu, e o anjo lhe disse: “Ponha a capa e venha comigo.” Pedro acompanhou o anjo, sem saber se era mesmo realidade o que o anjo estava fazendo, pois achava que tudo isso era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão se abriu sozinho. Eles saíram, entraram numa rua, e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei que o Senhor de fato enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu queria me fazer.” Pedro então refletiu e foi para a casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muitos se haviam reunido para rezar. Bateu à porta, e uma empregada, chamada Rosa, foi abrir. A empregada reconheceu a voz de Pedro, mas sua alegria foi tanta que, em vez de abrir a porta, entrou correndo para contar que Pedro estava ali, junto à porta. Os presentes disseram: “Você está ficando louca!” Mas ela insistia. Eles disseram: “Então deve ser o seu anjo!” Pedro, entretanto, continuava a bater. Por fim, eles abriram a porta: era Pedro mesmo. E eles ficaram sem palavras. (At 12,1-16).
Com a prisão de Pedro, por Herodes, todos já esperavam que aconteceria com ele o mesmo destino de Tiago, seria morto. Mas um anjo o solta. Ele se dirige à casa onde os outros estavam reunidos, bate à porta. Rosa, que atende a porta, reconhece a voz de Pedro, espavorida corre para dentro a fim de contar aos outros. Entretanto, como supunham que Pedro havia morrido disseram a ela: “Então deve ser o seu anjo”. Isso vem dizer exatamente o que estamos querendo concluir, que anjo, na verdade, é um espírito de um ser humano que morreu, o que não contradiz a narrativa, antes ao contrário, lhe é extremamente coerente.
Conclusão
Ao que podemos concluir, sem sombra de dúvidas, é que realmente a comunicação com os mortos está comprovada pela Bíblia, por mais que se esforcem em querer tirar dela esse fato.
Apenas para reforçar tudo o quanto já dissemos do que encontramos na Bíblia, poderemos ainda enumerar as pesquisas que estão sendo realizadas sobre a comunicação dos espíritos por aparelhos eletrônicos: a Transcomunicação Instrumental – TCI. Buscamos comprovar com isso que, conforme o dissemos no início, tais ocorrências, são de ordem natural, dentro, portanto, das leis da natureza, que acontecem até os dias de hoje e que elas vêm despertando grande interesse por parte de inúmeros pesquisadores descompromissados com dogmas religiosos.
A pesquisadora Sonia Rinaldi, em seu livro Espírito – O desafio da Comprovação, traz gravações de vozes paranormais. Muitas possuem a particularidade de terem sido gravadas também, e simultaneamente, no lado reverso da gravação normal. Isso vem colocar as coisas num nível bem próximo da prova científica, pois ainda não existe tecnologia humana para produzir gravações desse tipo. Resta-nos esperar que cientistas, menos compromissados com dogmas religiosos, se disponham a realizar essas pesquisas com o rigor científico, com todo o controle e instrumentação técnica necessária para se chegar a uma conclusão final e definitiva.
Agosto/2004.
Referências bibliográficas:
Bíblia de Jerusalém, 1ª ed. São Paulo: Paulus, 2002.
Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, s/e. São Paulo: Paulus, 1990.
Bíblia Sagrada, 5ª ed. Aparecida-SP: Santuário, 1984.
Bíblia Sagrada, 8ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1989.
Bíblia Sagrada, 68ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1989
FIORE, E., Possessão Espiritual, São Paulo: Pensamento, 1995.
MONLOUGOU L.; DU BUIT, F.M. Dicionário Bíblico Universal, Aparecida-SP: Santuário; Petrópolis-RJ: Vozes, 1996.
RINALDI, S. Espírito – O desafio da Comprovação. São Paulo: Elevação, 2000.
“A maior ignorância é a que não sabe e crê saber, pois dá origem a todos os erros que cometemos com nossa inteligência”. (SÓCRATES).
“Tão surpreendente quanto a naturalidade das pessoas em emitirem juízo sobre algo que pouco sabem, é seu desinteresse em melhor informarem-se”. (LOEFFLER).
“Se não se convencem pelos fatos, menos o fariam pelo raciocínio”. (KARDEC).
Introdução
Dentre vários outros, a comunicação com os chamados mortos é um dos princípios básicos do Espiritismo, inclusive podemos dizer que é um dos fundamentais, pois foi de onde surgiu todo o seu arcabouço doutrinário.
Na conclusão de O Livro dos Espíritos, Kardec argumenta que:
“Esses fenômenos … não são mais sobrenaturais que todos os fenômenos aos quais a Ciência hoje dá a solução, e que pareceram maravilhosos numa outra época. Todos os fenômenos espíritas, sem exceção, são a conseqüência de leis gerais e nos revelam um dos poderes da Natureza, poder desconhecido, ou dizendo melhor, incompreendido até aqui, mas que a observação demonstra estar na ordem das coisas”. (p. 401).
Essa abordagem de Kardec é necessária, pois apesar de muitos considerarem tais fenômenos como sobrenaturais, enquanto que inúmeros outros os quererem como fenômenos de ordem religiosa, as duas teses são incorretas. A origem deles é espontânea e natural e ocorrem conforme as leis Naturais que regem não só o contato entre o mundo material e o espiritual, mas toda a complexa interação que mantém o equilíbrio universal. Por isso não precisaríamos relacioná-los, nem mesmo buscar comprovação de sua realidade, entre as narrativas bíblicas.
A Bíblia, apesar de merecer de todos nós o devido respeito, por ser um livro considerado sagrado por várias correntes religiosas, não é, nunca foi e jamais será um livro que contém todas as leis que regem o Universo, nem tão pouco o que acontece em função das leis naturais, portanto, divinas, já desvendadas pelo homem.
A Ciência vem, ao longo dos tempos, demonstrando a impossibilidade de serem verdadeiros certos fatos narrados pelos autores da Bíblia, como também, trazendo outros que nem supunham existir. A Terra como o centro do Universo, Adão e Eva como o primeiro casal humano, entre inúmeros outros pontos da Bíblia, que não poderão ser mais considerados como verdades, uma vez que a Ciência provou o contrário. A fertilização in vitro, a ida do homem ao espaço, a clonagem, o transplante de órgãos, esse computador com o qual estamos escrevendo, como milhares de outras maravilhas descobertas pela Ciência não se encontram profetizadas, em uma linha sequer, nas Escrituras Sagradas.
Apesar disso tudo, estaremos desenvolvendo esse estudo com a finalidade de constatar que a comunicação dos mortos está na Bíblia, não por nós, mas por aqueles que insistem em relacionar esses fenômenos como de cunho religioso e que, para serem verdadeiros, teriam que constar na Bíblia.
Passagens bíblicas para comprovação
A primeira coisa que teremos que buscar para apoio é algo que venha nos dar uma certeza da sobrevivência do espírito, pois ela é a peça fundamental nas comunicações. Leiamos:
Quanto a você [Abraão], irá reunir-se em paz com seus antepassados e será sepultado após uma velhice feliz. (Gn 15,15).
Quando Jacó acabou de dar instruções aos filhos, recolheu os pés na cama, expirou e se reuniu com seus antepassados. (Gn 49,33).
Eu digo a vocês: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó. (Mt 8,11).
E, quanto à ressurreição, será que não leram o que Deus disse a vocês: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. (Mt 22,31-32).
Podemos concluir dessas passagens que há no homem algo que sobrevive à morte física. Não haveria sentido algum dizer que uma pessoa, após a morte, irá se reunir com seus antepassados, se não se acreditasse na sobrevivência do espírito. Além disso, para que ocorra a possibilidade de alguém poder “sentar à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó” teria que ser porque esses patriarcas estão tão vivos quanto nós. A não ser que Jesus tenha nos enganado quando disse, em se referindo a esses três personagens, que Deus é Deus de vivos.
Os relatos bíblicos nos dão conta que o intercâmbio com os mortos eram fatos corriqueiros na vida dos hebreus. Por outro lado, quase todos os povos, com quem mantiveram contato, tinham práticas relacionadas à evocação dos espíritos para fins de adivinhação, denominada necromancia. O Dicionário Bíblico Universal nos dá a seguinte explicação sobre ela:
Meio de adivinhação interrogando um morto. Babilônios, egípcios, gregos a praticavam. Heliodoro, autor grego do III ou do século IV d.C., relata uma cena semelhante àquela descrita em 1Sm (Etíope 6,14). O Deuteronômio atribui aos habitantes da Palestina “a interrogação dos espíritos ou a evocação dos mortos” (18,11). Os israelitas também se entregaram a essas práticas, mas logo são condenadas, particularmente por Saul (1Sm 28,3B). Mas, forçado pela necessidade, o rei manda evocar a sombra de Samuel (28, 7-25): patético, o relato constitui uma das mais impressionantes páginas da Bíblia. Mais tarde, Isaías atesta uma prática bastante difundida (Is 8,19): parece que ele ouviu “uma voz como a de um fantasma que vem da terra” (29,4). Manasses favoreceu a prática da necromancia (2Rs 21,6), mas Josias a eliminou quando fez sua reforma (2Rs 23,24). Então o Deuteronômio considera a necromancia e as outras práticas divinatórias como “abominação” diante de Deus, e como o motivo da destruição das nações, efetuada pelo Senhor em favor de Israel (18,12). O Levítico considera a necromancia como ocasião de impureza e condena os necromantes à morte por apedrejamento (19,31; 20,27). (Pág. 556).
Iremos ver, no decorrer desse estudo, algumas dessas passagens, mas, por hora, apenas destacaremos:
Não se dirijam aos necromantes, nem consultem adivinhos, porque eles tornariam vocês impuros. Eu sou Javé, o Deus de vocês. (Lv 19,31).
Quem recorrer aos necromantes e adivinhos, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra esse homem e o eliminarei do seu povo. (Lv 20,6).
Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não apreenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal cousa é abominação ao Senhor; e por tais abominações o Senhor teu Deus os lança de diante de ti. Perfeito serás para com o Senhor teu Deus. Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal cousa. (Dt 18,9-14).
As três passagens acima dizem respeito à adivinhação e à necromancia – que é um tipo de adivinhação, conforme explicação, já citada, do dicionário –, devemos observar que elas se encontram entre as proibições. A preocupação central era proibir qualquer tipo de coisa relacionada à adivinhação, não importando por qual meio fosse realizada, como fica claro pela última passagem onde se diz “… estas nações, …. ouvem os prognosticadores e os adivinhadores…”, reunindo assim todas as práticas a essas duas.
Por outro lado, a grande questão a ser levantada é: os mortos atendiam às evocações ou não? Se não, por que da proibição? Seria ilógico proibir algo que não acontece. Teremos que tentar encontrar as razões de tal proibição. Duas podemos destacar. A primeira é que consideravam deuses os espíritos dos mortos, mais à frente iremos ver sobre isso, quando falarmos de 1Sm 28. Levando-se em conta que era necessário manter, a todo custo, a idéia de um Deus único, Moisés, sabiamente, institui a proibição de qualquer evento que viesse a prejudicar essa unicidade divina. As consultas deveriam ser dirigidas somente a Deus, daí, por forças das circunstâncias, precisou proibir todas as outras. A segunda estaria relacionada ao motivo pelo qual iam consultar-se aos mortos. Normalmente, eram para coisas relacionadas ao futuro, como no caso de Saul que iremos ver logo à frente, ou para situações até ridículas, quando, por exemplo, do desaparecimento das jumentas de Cis, em que Saul, seu filho, procura um vidente, para que ele dissesse onde poderiam encontrá-las.
A figura do profeta aparece como sendo a pessoa que tinha poderes para fazer consultas a Deus, ou receber da divindade as revelações que deveriam ser transmitidas ao povo. Em razão de querer a exclusividade das consultas a Deus, por meio dos profetas, é que Moisés disse que: “Javé seu Deus fará surgir, dentre seus irmãos, um profeta como eu em seu meio, e vocês ouvirão”. (Dt 18,15). Elucidamos essa questão com o seguinte passo: “Em Israel, antigamente, quando alguém ia consultar a Deus, costumava dizer: ‘Vamos ao vidente’. Porque, em lugar de ‘profeta’, como se diz hoje, dizia-se ‘vidente’”. (1Sm 9,9). O que é vidente senão quem tem a faculdade de ver os espíritos? Poderá, em alguns casos, ver inclusive o futuro, daí a idéia de que poderia prever alguma coisa, uma profecia, derivando-se daí, então, o nome profeta. Podemos confirmar o que estamos dizendo aqui nesse parágrafo, pela explicação dada à passagem Dt 18,9-22:
“Contrapõem-se nitidamente duas formas de profetismo ou de mediação entre os homens e Deus. O profetismo de tipo cananeu, com suas práticas para conhecer o futuro, ou vontade dos deuses (v.9-14), visava controlar a divindade, tornado-a favorável ao homem. Contra isso o Dt estabelece a mediação do ‘profeta como Moisés’ (v.15-22; cf. Ex 20,18-21), a cuja palavra, pronunciada em nome de Deus, o israelita deve obedecer”. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 217).
É interessante que, neste momento, venhamos a dizer alguma coisa sobre profeta. Buscaremos as informações com Dr. Severino Celestino, que nos diz:
A palavra profeta, em hebraico, significa “Navi”, no plural, “Neviim”. Apresenta ainda outros significados como “roê” (videntes). Veja I Samuel 9:9: “antigamente em Israel, todos os que iam consultar IAHVÉH assim diziam: vinde vamos ter com o vidente (roê); porque aquele que hoje se chama profeta (navi), se chamava outrora vidente (roê)”.
A palavra vidente, em hebraico, também significa (chozê), pois, consultando o texto original, encontramos citações que usam o termo (roê) sendo que outras citam (chozê), como veremos adiante. O vidente era, portanto, o homem a ser interrogado quando se queria consultar a Deus ou a um espírito e sua resposta era considerada resposta de Deus.
O termo profeta chegou ao português, derivado do grego (???) “prophétes” que significa “alguém que fala diante dos outros”. No hebraico, o significado é bem mais amplo, possui uma raiz acádica que significa “chamar”, “falar em voz alta”, e interpretam-no como “orador, anunciador”. (Analisando as Traduções Bíblicas, pp. 259-260). (Grifos do original).
Dito isso, podemos agora concluir que Moisés não era totalmente contra o profetismo (mediunismo), apenas era contrário ao uso indevido que davam a essa faculdade. Podemos, inclusive, vê-lo aprovando a forma com que dois homens a faziam, conforme a seguinte narrativa em Nm 11, 24-30:
Moisés saiu e disse ao povo as palavras de Iahweh. Em seguida reuniu setenta anciãos dentre o povo e os colocou ao redor da Tenda. Iahweh desceu na Nuvem. Falou-lhe e tomou do Espírito que repousava sobre ele e o colocou nos setenta anciãos. Quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; porém, nunca mais o fizeram.
Dois homens haviam permanecido no acampamento: um deles se chamava Eldad e o outro Medad. O Espírito repousou sobre eles; ainda que não tivessem vindo à Tenda, estavam entre os inscritos. Puseram-se a profetizar no acampamento. Um jovem correu e foi anunciar a Moisés: “Eis que Eldad e Medad”, disse ele, “estão profetizando no acampamento”. Josué, filho de Nun, que desde a sua infância servia a Moisés, tomou a palavra e disse: “Moisés, meu senhor, proíbe-os!” Respondeu-lhe Moisés: “Estás ciumento por minha causa? Oxalá todo o povo de Iahweh fosse profeta, dando-lhe Iahweh o seu Espírito!” A seguir Moisés voltou ao acampamento e com ele os anciãos de Israel.
Fica claro, então, que pelo menos duas pessoas faziam dignamente o uso da faculdade mediúnica (profeta), daí Moisés até desejar que todos fizessem como eles.
Outro ponto importante que convém ressaltar é a respeito da palavra Espírito, que aparece inúmeras vezes na Bíblia. Mas afinal o que é Espírito? Hoje sabemos que os espíritos são as almas dos homens que foram desligadas do corpo físico, pelo fenômeno da morte. Assim, podemos perfeitamente aceitar que fora às vezes que atribuem essa palavra ao próprio Deus, todas as outras estão incluídas nessa categoria.
Tudo, na verdade, não passava de manifestações dos espíritos, que muitas vezes eram tomados à conta de deuses, devido a ignorância da época, coisa absurda nos dias de hoje.
Isso fica tão claro que podemos até mesmo encontrar recomendações de como nos comportar diante deles, para sabermos suas verdadeiras intenções. Citamos: “Amados, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus,…” (1 Jo 4, 1).
Disso pode-se concluir que era comum, àquela época, o contato com os espíritos. De fato, já que podemos confirmar isso com o Apóstolo dos gentios, que recomendou sobre o uso dos “dons” (mediunidade), conforme podemos ver em sua primeira carta aos Coríntios (cap. 14). Nela ele procura demonstrar que o dom da profecia é superior ao dom de falar em línguas (xenoglossia), pois não via nisso nenhuma utilidade senão quando, juntamente, houvesse alguém com o dom de interpretá-las.
Ao lado dos espíritos, também vemos inúmeras manifestações do demônio. Sobre ele, encontramos a seguinte informação, citada pela Dra. Edith Fiore, sobre o pensamento do historiador hebreu Flávio Josefo: “Os demônios são os espíritos dos homens perversos” (Possessão Espiritual, p. 29). Com isso as manifestações espirituais se ampliam, pois agora se nos apresentam os demônios como espíritos de seres humanos desencarnados, ficando, portanto, provado que a Bíblia está repleta de fenômenos mediúnicos. Onde há mediunidade haverá, conseqüentemente, manifestação espiritual, pouco importa a denominação que venha se dar aos que se apresentam aos encarnados,por essa via.
Vejamos, então, um caso específico relatado sobre uma consulta aos mortos. Chamamos a sua atenção para o motivo da consulta, que não poderá passar despercebido, visto o termos citado como uma das causas da proibição de Moisés. Leiamos:
Samuel tinha morrido. Todo o Israel participara dos funerais, e o enterraram em Ramá, sua cidade. De outro lado, Saul tinha expulsado do país os necromantes e adivinhos. Os filisteus se concentraram e acamparam em Sunam. Saul reuniu todo o Israel e acamparam em Gelboé. Quando viu o acampamento dos filisteus, Saul teve medo e começou a tremer. Consultou a Javé, porém Javé não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pela sorte, nem pelos profetas. Então Saul disse a seus servos: “Procurem uma necromante, para que eu faça uma consulta”. Os servos responderam: “Há uma necromante em Endor”. Saul se disfarçou, vestiu roupa de outro, e à noite, acompanhado de dois homens, foi encontrar-se com a mulher. Saul disse a ela: “Quero que você me adivinhe o futuro, evocando os mortos. Faça aparecer a pessoa que eu lhe disser”. A mulher, porém, respondeu: “Você sabe o que fez Saul, expulsando do país os necromantes e adivinhos. Por que está armando uma cilada, para eu ser morta?” Então Saul jurou por Javé: “Pela vida de Javé, nenhum mal vai lhe acontecer por causa disso”. A mulher perguntou: “Quem você quer que eu chame?” Saul respondeu: “Chame Samuel”. Quando a mulher viu Samuel aparecer, deu um grito e falou para Saul: “Por que você me enganou? Você é Saul!” O rei a tranqüilizou: “Não tenha medo. O que você está vendo?” A mulher respondeu: “Vejo um espírito subindo da terra”. Saul perguntou: “Qual é a aparência dele?” A mulher respondeu: “É a de um ancião que sobe, vestido com um manto”. Então Saul compreendeu que era Samuel, e se prostrou com o rosto por terra. Samuel perguntou a Saul: “Por que você me chamou, perturbando o meu descanso?” Saul respondeu: “É que estou em situação desesperadora: os filisteus estão guerreando contra mim. Deus se afastou de mim e não me responde mais, nem pelos profetas, nem por sonhos. Por isso, eu vim chamar você, para que me diga o que devo fazer”. Samuel respondeu: “Por que você veio me consultar, se Javé se afastou de você e se tornou seu inimigo? Javé fez com você o que já lhe foi anunciado por mim: tirou de você a realeza e a entregou para Davi. Porque você não obedeceu a Javé e não executou o ardor da ira dele contra Amalec. É por isso que Javé hoje trata você desse modo. E Javé vai entregar aos filisteus tanto você, como seu povo Israel. Amanhã mesmo, você e seus filhos estarão comigo, e o acampamento de Israel também: Javé o entregará nas mãos dos filisteus”. (1Sm 28,3-19)
Inicialmente, se diz que Saul consultou a Javé, como não obteve resposta, resolveu então procurar uma necromante para que, pessoalmente , pudesse consultar-se com um espírito. Isso foi o que dissemos sobre uma das razões da proibição de Moisés. Saul diante da necromante foi taxativo: quero que adivinhe o futuro evocando um morto. Aqui é o próprio rei que vai consultar-se com um morto, pelo motivo de querer saber o futuro. Se os mortos nunca tivessem revelado o futuro, estaria o rei numa situação ridícula dessa?
Mas Saul não desejava consultar-se com qualquer um espírito, queria especificamente a presença de Samuel. Após a evocação da mulher, o relato confirma que a necromante viu Samuel-espírito aparecer. Sem margem a nenhuma dúvida. Quando descreve o que vê o próprio Saul reconhece ser o profeta Samuel que estava ali. Fato confirmado, pela indubitável afirmativa de que foi o próprio Samuel quem fez uma pergunta a Saul. Após a resposta de Saul, novamente, Samuel responde ao que veio o rei saber.
Algumas Bíblias ao invés de “vejo um espírito subindo da terra” traduzem por “vejo um deus subindo da Terra”. A frase dessa maneira nos é explicada:
“A palavra hebraica para significar Deus, também designa os seres supra-humanos e, como neste caso, o espírito dos mortos. Havia a convicção de que os espíritos dos mortos estavam encerrados no sheol, e este se situaria algures por baixo da terra” (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 392).
Com isso, fica fácil entender por que Saul, após certificar-se de que Samuel-espírito estava ali, se prostra diante dele (v. 14). Atitude própria de quem endeusava os espíritos e, conforme já o dissemos anteriormente, esse foi um dos motivos pelo qual Moisés proibiu a comunicação com os mortos.
A frase “Javé fez com você o que já lhe foi anunciado por mim” tem a seguinte tradução em outras Bíblias: “O Senhor fez como tinha anunciado pela minha boca”, do que podemos concluir que naquele momento não estava falando pela sua boca, usava a boca da mulher, pela qual confirmou o que tinha falado a Saul quando vivo, não deixando então nenhuma dúvida que era mesmo Samuel-espírito quem estava ali. Estamos dizendo isso, porque com algumas interpretações distorcidas, bem à moda da casa, querem insinuar que quem se manifestou foi o demônio. A isso, poderemos, além do que já dissemos, colocar para corroborar nosso pensamento uma explicação dada a 28,15-19:
O narrador, embora não aprove o proceder de Saul e da mulher (v. 15), acredita que Samuel de fato apareceu e falou com Saul: isso Deus podia permitir. Logo, não é preciso pensar em manobra fraudulenta da mulher ou em intervenção diabólica…. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 330).
Por outro lado, ninguém conseguirá provar que em algum lugar da Bíblia está dizendo que os demônios aparecem no lugar dos espíritos evocados. Assim, de modo claro e inequívoco, temos essa questão de que não são os demônios como definitivamente resolvida. Não bastasse isso, a própria Bíblia confirma o ocorrido quando falando a respeito de Samuel está dito: “Mesmo depois de sua morte, ele profetizou, predizendo ao rei o seu fim. Mesmo do sepulcro, ele levantou a voz, numa profecia, para apagar a injustiça do povo”. (Eclo 46,20). Sabemos que os protestantes não possuem esse livro, mas como os católicos também afirmam que sua Bíblia não contém erros, pegamos a deles para a confirmação dessa ocorrência.
Ao que parece, a consulta aos mortos era fato tão corriqueiro, que, às vezes, era esperada, conforme podemos ver em Isaías:
“Quando disserem a vocês: ‘Consultem os espíritos e adivinhos, que sussurram e murmuram fórmulas; por acaso, um povo não deve consultar seus deuses e consultar os mortos em favor dos vivos?’, comparem com a instrução e o atestado: se o que disserem não estiver de acordo com o que aí está, então não haverá aurora para eles”. (Is 8,19-20).
Isaías até sabia o que iriam dizer, realidade da época, com certeza. Quanto à expressão seus deuses, explicam-nos que equivale a os espíritos dos antepassados (Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria, pág. 950). O que vem reforçar a justificativa para a proibição de Moisés, que buscava fazer o povo hebreu aceitar o Deus único. Interessante que essa passagem irá nos remeter a uma outra, que fala exatamente dos antepassados, como uma explicação que nos ajudará a entendê-la. Vejamo-la:
“Consulte as gerações passadas e observe a experiência de nossos antepassados. Nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossos dias são como sombra no chão. Os nossos antepassados, no entanto, vão instruí-lo e falar a você com palavras tiradas da experiência deles”. (Jó 8,8-10).
Considerando que à época não se tinha muita coisa escrita, e se tivesse talvez pouco adiantaria, pois poucos sabiam ler, só poderemos entender essa passagem como sendo uma consulta direta às gerações passadas. O que em bom Português significa que isso ocorria através da consulta aos seus deuses, em outras palavras, aos espíritos dos antepassados, que pessoalmente viam transmitir suas experiências. É notável que exatamente isso que está ocorrendo nos dias de hoje com os Espíritos, que, mesmo sem que tenham sido evocados para serem consultados, vêm livremente, com a permissão de Deus, é claro, nos passar as suas experiências pessoais, para que possamos aprender com elas, de modo que podemos evitar erros já cometidos por ignorância das leis divinas.
Uma coisa nós podemos considerar. Se ocorriam manifestações naquela época, por que não as aconteceria nos dias de hoje? Veremos agora a mais notável de todas as manifestações de espíritos que podemos encontrar na Bíblia, pois ela acontece, nada mais nada mesmos do que, com o próprio Cristo. Leiamos:
Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus:
“Senhor, é bom ficarmos aqui. Se quiseres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.” Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz.” Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantem-se, e não tenham medo.” Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.(Mt 17,1-9).
Ocorrência inequívoca de comunicação com os mortos, no caso, os espíritos Moisés e Elias conversam pessoalmente com Jesus. E aí afirmamos que se fosse mesmo proibida por Deus, Moisés-espírito não viria se apresentar a Jesus e seus discípulos, já que foi ele mesmo, quando vivo, quem informou dessa proibição, e nem Jesus iria infringir uma lei divina. Portanto, a proibição de Moisés era apenas uma proibição particular sua ou de sua legislação de época. Os partidários do demônio ficam sem saída nessa passagem, pois não podem afirmar que foi o demônio quem apareceu para eles, já que teriam que admitir que Jesus foi enganado pelo “pai da mentira”.
Podemos ainda ressaltar que, depois desse episódio, Jesus não proibiu a comunicação com os mortos, só disse aos discípulos para não contassem a ninguém sobre aquela “sessão espírita”, até que acontecesse a sua ressurreição. E se ele mesmo disse: “tudo que eu fiz vós podeis fazer e até mais” (Jo 14,12) os que se comunicam com os mortos estão seguindo o exemplo de Jesus. Os cegos até poderão ficar contra, mas os de mente aberta não verão nenhum mal nisso.
Já encontramos pessoas que, querendo fugir do inevitável, afirmaram que Moisés e Elias não morreram, foram arrebatados. A coisa é tão séria, que, no afã de se justificarem, desvirtuam a realidade mudando até mesmo narrativas bíblicas, pois, até onde sabemos, existe a passagem falando da morte e sepultura de Moisés, o que poderá ser comprovado em Dt 34,5-8. Quanto a Elias é que se diz ter sido arrebatado. Acredite quem quiser. Mas o que faremos com o corpo físico na dimensão espiritual? “O espírito é que dá vida a carne de nada serve” (Jo 6,63), “a carne e o sangue não podem herdar o reino do céu” (1Cor 15,50). São passagens que contradizem peremptoriamente um suposto arrebatamento de Elias de corpo e alma.
Por várias vezes, Jesus apresentou a seus discípulos ensinamentos por meio de parábolas. Há uma que poderemos citar, pois nela encontramos algo que irá nos auxiliar no entendimento daquilo que propomos. Vejamos:
Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino, e dava banquete todos os dias. E um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava caído à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E ainda vinham os cachorros lamber-lhe as feridas. Aconteceu que o pobre morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. Morreu também o rico, e foi enterrado. No inferno, em meio aos tormentos, o rico levantou os olhos, e viu de longe Abraão, com Lázaro a seu lado. Então o rico gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque este fogo me atormenta’. Mas Abraão respondeu: ‘Lembre-se, filho: você recebeu seus bens durante a vida, enquanto Lázaro recebeu males. Agora, porém, ele encontra consolo aqui, e você é atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, nunca poderia passar daqui para junto de vocês, nem os daí poderiam atravessar até nós’. O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não acabem também eles vindo para este lugar de tormento’. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas: que os escutem!’ O rico insistiu: ‘Não, pai Abraão! Se um dos mortos for até eles, eles vão se converter’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se eles não escutam a Moisés e aos profetas, mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos’. (Lc 16,19-31).
Poderemos tirar várias reflexões dessa parábola, mas nos restringiremos ao assunto deste estudo. Uma pergunta nos vem à mente: se não acreditassem na comunicação entre os dois planos, por que então o rico pede a Abraão para enviar Lázaro para alertar a seus irmãos? Da análise da resposta de Abraão podemos dizer que há a possibilidade da comunicação, entretanto, ela é completamente inútil, pois se nem aos vivos as pessoas deram ouvidos, que dirá aos mortos. Fato incontestável, que vem acontecendo até nos dias de hoje, já que a grande maioria prefere ignorar a comunicação dos mortos, que vêm nos alertar para que transformemos as nossas ações, de modo que beneficiem ao nosso próximo, a fim de evitar que, depois da morte física, tenhamos que ir para um lugar de tormentos.
A expressão “mesmo que um dos mortos ressuscite” significa que mesmo que algum dos mortos ressuscite na sua condição espiritual, para se comunicar, que eles não se convenceriam. Mas alguém pode objetar dizendo que esse texto implica na necessidade de uma ressurreição corpórea para que ocorra esta comunicação. Isto é um subterfúgio, já que na própria Bíblia encontramos indícios de que o termo ressurreição também era usado para indicar a influência dos mortos sobre os vivos, conforme podemos confirmar no seguinte passo: “Alguns diziam: ‘João Batista ressuscitou dos mortos. É por isso que os poderes agem nesse homem’”. (Mt 14,2; Mc 6,14).
Quem já teve a oportunidade de ler a Bíblia, pelo menos uma vez, percebe que ela está recheada de narrativas com aparições de anjos. Na ocasião da ressurreição de Jesus algumas delas nos dão conta do aparecimento, junto ao sepulcro, de “anjos vestidos de branco” (Jo 20,12; Mt 28,2), enquanto que outras nos dizem ser “homens vestidos de branco” (Lc 24,4; Mc 16,5). Demonstrando que anjos, na verdade, são espíritos humanos de pessoas desencarnadas. Até mesmo os nomes dos anjos são nomes dados a seres humanos: Gabriel, Rafael, Miguel, etc. Vejamos se isso é coerente.
Nesse tempo, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja, e mandou matar à espada Tiago, irmão de João. Vendo que isso agradava aos judeus, decidiu prender também Pedro. Eram os dias da festa dos pães sem fermento. Depois de o prender, colocou-o na prisão e o confiou à guarda de quatro grupos de quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentar Pedro ao povo logo depois da festa da Páscoa. Pedro estava vigiado na prisão, mas a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele. Herodes estava para apresentar Pedro. Nessa mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados. Estava preso com duas correntes, e os guardas vigiavam a porta da prisão. De repente, apareceu o anjo do Senhor, e a cela ficou toda iluminada. O anjo tocou o ombro de Pedro, o acordou, e lhe disse: “Levante-se depressa.” As correntes caíram das mãos de Pedro. E o anjo continuou: “Aperte o cinto e calce as sandálias.” Pedro obedeceu, e o anjo lhe disse: “Ponha a capa e venha comigo.” Pedro acompanhou o anjo, sem saber se era mesmo realidade o que o anjo estava fazendo, pois achava que tudo isso era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão se abriu sozinho. Eles saíram, entraram numa rua, e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei que o Senhor de fato enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu queria me fazer.” Pedro então refletiu e foi para a casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muitos se haviam reunido para rezar. Bateu à porta, e uma empregada, chamada Rosa, foi abrir. A empregada reconheceu a voz de Pedro, mas sua alegria foi tanta que, em vez de abrir a porta, entrou correndo para contar que Pedro estava ali, junto à porta. Os presentes disseram: “Você está ficando louca!” Mas ela insistia. Eles disseram: “Então deve ser o seu anjo!” Pedro, entretanto, continuava a bater. Por fim, eles abriram a porta: era Pedro mesmo. E eles ficaram sem palavras. (At 12,1-16).
Com a prisão de Pedro, por Herodes, todos já esperavam que aconteceria com ele o mesmo destino de Tiago, seria morto. Mas um anjo o solta. Ele se dirige à casa onde os outros estavam reunidos, bate à porta. Rosa, que atende a porta, reconhece a voz de Pedro, espavorida corre para dentro a fim de contar aos outros. Entretanto, como supunham que Pedro havia morrido disseram a ela: “Então deve ser o seu anjo”. Isso vem dizer exatamente o que estamos querendo concluir, que anjo, na verdade, é um espírito de um ser humano que morreu, o que não contradiz a narrativa, antes ao contrário, lhe é extremamente coerente.
Conclusão
Ao que podemos concluir, sem sombra de dúvidas, é que realmente a comunicação com os mortos está comprovada pela Bíblia, por mais que se esforcem em querer tirar dela esse fato.
Apenas para reforçar tudo o quanto já dissemos do que encontramos na Bíblia, poderemos ainda enumerar as pesquisas que estão sendo realizadas sobre a comunicação dos espíritos por aparelhos eletrônicos: a Transcomunicação Instrumental – TCI. Buscamos comprovar com isso que, conforme o dissemos no início, tais ocorrências, são de ordem natural, dentro, portanto, das leis da natureza, que acontecem até os dias de hoje e que elas vêm despertando grande interesse por parte de inúmeros pesquisadores descompromissados com dogmas religiosos.
A pesquisadora Sonia Rinaldi, em seu livro Espírito – O desafio da Comprovação, traz gravações de vozes paranormais. Muitas possuem a particularidade de terem sido gravadas também, e simultaneamente, no lado reverso da gravação normal. Isso vem colocar as coisas num nível bem próximo da prova científica, pois ainda não existe tecnologia humana para produzir gravações desse tipo. Resta-nos esperar que cientistas, menos compromissados com dogmas religiosos, se disponham a realizar essas pesquisas com o rigor científico, com todo o controle e instrumentação técnica necessária para se chegar a uma conclusão final e definitiva.
Agosto/2004.
Referências bibliográficas:
Bíblia de Jerusalém, 1ª ed. São Paulo: Paulus, 2002.
Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, s/e. São Paulo: Paulus, 1990.
Bíblia Sagrada, 5ª ed. Aparecida-SP: Santuário, 1984.
Bíblia Sagrada, 8ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1989.
Bíblia Sagrada, 68ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1989
FIORE, E., Possessão Espiritual, São Paulo: Pensamento, 1995.
MONLOUGOU L.; DU BUIT, F.M. Dicionário Bíblico Universal, Aparecida-SP: Santuário; Petrópolis-RJ: Vozes, 1996.
RINALDI, S. Espírito – O desafio da Comprovação. São Paulo: Elevação, 2000.
Centros Vitais ou Centros de Força (Chakras)
1. Perispírito
Envolvendo o gérmen de um fruto, há o “Perisperma”; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar “Perispírito”, serve de envoltório ao espírito propriamente dito. (O Livro dos Espíritos de Allan Kardec).
Por ter sido um termo criado por Kardec, creio que todos admitimos que ninguém melhor que ele para definir perispírito: É o órgão sensitivo do espírito por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos.
O espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser, tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispíritico”. (A Gênese de Allan Kardec).
E foi esmiuçando as palavras de Kardec, no livro “Depois da Morte”, que Léon Denis, falando sobre o “Perispírito ou Corpo Espiritual”, disse:
“O perispírito é, pois, um organismo fluídico, é a forma preexistente e sobrevivente do ser humano, sobre a qual se modela o envoltório carnal, como uma veste dupla invisível, constituída de matéria quintessenciada”.
Podemos então dizer que o “Perispírito ou Corpo Fluídico dos espíritos” é um laço de união entre a vida corpórea e a vida espiritual.
Sabendo que ele é uma condensação do fluido cósmico em torno de um foco de inteligência ou alma, pode-se dizer que é ele que intervém nos fenômenos especiais que ocorrem no homem, cuja causa fundamental não se encontra na matéria palpável e que, por essa razão, parecem sobrenaturais.
Assim sendo, podemos entender que o “Corpo Espiritual ou Psicossoma” é, assim, o veículo físico, relativamente definido pela ciência humana, com os “Centros Vitais” que essa mesma ciência, por enquanto, não pode perquirir e reconhecer.
2. Centros Vitais ou Centros de Força (Chakras)
Segundo André Luiz os “Centros Vitais ou Centros de Força” estão situados no “Corpo Espiritual ou Psicossoma” e funcionam como terminais através dos quais a energia é transferida de planos superiores para o corpo físico.
André diz que o “Psicossoma está intimamente regido por sete Centros de Força”, que se conjugam nas ramificações dos plexos, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente.
Eles estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo “um campo eletromagnético”, no qual o pensamento vibra em circuito fechado.
A palavra “Chakra” vem do sânscrito e significa “roda, disco, centro ou plexo”. Nesta forma eles são percebidos por videntes como vórtices (redemoinhos) de energia vital, espirais girando em alta velocidade, vibrando em pontos vitais de nosso corpo.
Os Chakras são pontos de interseção entre vários planos e através deles nosso corpo etérico (corpo espiritual) se manifesta mais intensamente no corpo físico. Há mais de cinco mil anos, os tibetanos, os Hindus (Vedas) já estudavam os Chakras.
3. Funções dos Centros de Força ou Chakras
O nosso “Corpo Espiritual” é regido por “sete Centros de Força”, dispostos desde a base da coluna vertebral até o alto da cabeça e cada um corresponde a uma das “sete glândulas” do corpo humano.
Vários estudos têm mostrado a existência, no períspirito, de discos energéticos (chakras), como verdadeiros controladores das correntes de energia, centrifugas (do espírito para a matéria) ou centrípetas (da matéria para o espírito), que aí se instalam como manifestações da própria vida.
Estes discos energéticos comandariam, com as suas “superfunções”, as diversas zonas nervosas e de modo particular o sistema neurovegetativo, convidando, através dos genes e do código genético, ao trabalho ajustado e bem ordenado da arquitetura neuroendócrina.
Num corpo saudável, todos esses vórtices giram a uma grande velocidade, permitindo que a energia (PRANA) flua para cima por intermédio do sistema endócrino.
Mas se um desses centros começa a diminuir a velocidade de rotação, o fluxo de energia fica inibido ou bloqueado e disso resulta o envelhecimento ou a doença.
Os Chakras são conectados entre si por um sistema de “Nádis” (sistema circulatório energetico na frequência do duplo etérico). Os Nádis conduzem e regulam o fluxo das energias “yin e yang” em espirais concêntricas.
Para os Hindus, os Nádis são sagrados, é por meio da “Sushumna” que o yogi deixa o seu corpo físico e entra em contato com os planos superiores e traz para o seu cérebro a memória de suas experiências.
3.1. Centro Coronário (Sahasra)
O “Centro Coronário” está situado na região central do cérebro. Na sede da mente, centro que assimila os estímulos do Plano Superior.
Segundo André Luiz, o Coronário é quem orienta a forma, o movimento, a estabilidade, o metabolismo orgânico e a vida consciencial da alma encarnada ou desencarnada.
O “Centro Coronário” está, sutilmente, ligado a “Glândula Pineal ou Epífise”, a glândula mais alta do sistema endócrino, situada bem no centro da cabeça, logo abaixo dos dois hemisférios cerebrais.
Este centro supervisiona os demais Centros Vitais que lhe obedecem ao impulso, procedente do Espírito. No Coronário temos o ponto de interação entre as forças do Espírito e as forças físiopsicossomáticas organizadas.
Na tradição hindu ele é conhecido como “Chakra da Coroa”, e está representado por uma flor de lótus de mil pétalas. Sua cor é violeta ou branco. Em sânscrito é “Sahasra”, e é através dele que recebemos a luz divina.
Do Coronário parte a corrente de estímulos espirituais com ação difusível sobre a matéria mental que o envolve, transmitindo aos demais Centros da alma os reflexos vivos de nossos sentimentos, idéias e ações.
Tanto quanto esses mesmos centros, interdependentes entre si, imprimem semelhantes reflexos nos órgãos e demais implementos de nossa constituição particular, plasmando em nós próprios os efeitos agradáveis ou desagradáveis de nossa influência e conduta.
3.2. Centro Cerebral ou Frontal (Ajna)
O “Centro Cerebral” está situado na região central do cérebro, contíguo ao Coronário, com influência decisiva sobre os demais centros vitais.
Segundo André Luiz, ele governa o córtice encefálico na sustentação dos sentidos, marcando a atividade das glândulas endócrinas, administrando o sistema nervoso, em toda a sua organização, coordenação e atividade.
O “Centro Cerebral ou Frontal” está ligado a “Glândula Pituitária ou Hipófise”, e tem relação direta com diversos fenômenos de clarividência, intuição e percepções parapsíquicas.
Na tradição Hindu ele é conhecido como o “Chakra do terceiro olho”, por situar-se entre as sobrancelhas. Em sânscrito é “Ajna”, o Centro de Comando e sua cor é o Azul índigo.
É o Chakra da visão espiritual, da intuição, da percepção, da aprendizagem, do conhecimento, da síntese intelectual e da responsabilidade, pelo qual se aprende e se guarda na memória as informações.
3.3. Centro Laríngeo (Vishudda)
O “Centro Laríngeo” está situado em frente da garganta. É o responsável pela energização da boca, garganta e órgãos respiratórios. É o Centro da comunicação do ser humano no mundo.
O “Centro Laríngeo” está ligado a “Glândula Tireóide”. É considerado também como um filtro energético que bloqueia as energias emocionais, para que elas não cheguem até os chakras da cabeça.
Na tradição hindu ele é conhecido como “Vishudda”, o purificador. Quando bem desenvolvido, de forma geral, facilita a psicofonia e a clariaudiência e indica força de caráter e capacidade mental. Sua cor é o Azul claro.
Está ligado a sensibilidade mediúnica, que capta a criatividade vinda de outras consciências. Por isso os grandes iniciados sempre ensinaram sobre o silêncio, que capta a criatividade e melhora a expressão.
3.4. Centro Cardíaco (Anahata)
O “Centro Cardíaco” está situado no centro do peito e é responsável pela energização do sistema cárdio-respiratório. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos.
O “Centro Cardíaco” está ligado a “Glândula Timo”. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual. Por isso é o centro mais afetado pelo desequilíbrio emocional.
Na tradição hindu ele é conhecido como “Anahata”. Seu nome significa o inviolável, o invicto, o som sutil do espírito imperecível. Cor verde (cura) ou Rosa (amor).
Quando ativado desenvolve todo o potencial para o amor altruísta. Quando enfraquecido indica a necessidade de se libertar do egoísmo e de cultivar maior dedicação ao próximo.
Este centro é, por excelência, o canal de toda transformação afetiva, em que o homem instintivo se transforma em espiritual. Todo amor, toda qualidade afetiva, todo idealismo por algo melhor está no Chakra do coração.
Toda cura, todo toque terapêutico e toda assistência espiritual vibra nesse centro. É um Chakra capaz de abraçar humanidades situadas em outros orbes.
Esse Centro é um sol peitoral que jamais poderá ser envenenado pelas péssimas vibrações da vingança.
O ódio gera uma energia viscosa e escura que adere no Centro peitoral como uma espécie de “piche consciencial”.
3.5. Centro Esplênico (ver considerações finais)
O “Centro Esplênico” está situado na altura do baço. É um dos responsáveis pela vitalização do organismo humano, absorvendo as energias vibratórias.
O “Centro Esplênico” é quem regula a circulação dos elementos vitais em todos os escaninhos do corpo, determinando as atividades do sistema hemático.
Ligam-se ao “Centro Esplênico” as entidades (vampiros) que visam sugar a energia vital da criatura, em um sentido subjetivo mas de resultados objetivos.
Responsável pelo funcionamento do baço, pela formação e reposição das defesas orgânicas através do sangue. É um dos responsáveis pela vitalização do organismo.
3.6. Centro Gástrico ou Plexo Solar (Manipura)
O “Centro Gástrico” está situado na região Abdominal, sendo o responsável pela digestão dos alimentos, pelas emoções e pelo metabolismo.
O “Centro Gástrico ou Plexo Solar ou Chakra Umbilical” é, por excelência, o centro das emoções inferiores, misturadas com o processo da alimentação normal. É um centro de grande vitalidade.
Quando muito energizado, indica que a pessoa é voltada para as emoções e prazeres imediatos. Quando fraco sugere carência energética, baixo magnetismo.
Está ligado ao “Pâncreas”, que é uma Glândula do sistema digestivo e endócrino. Bem desenvolvido, facilita a percepção das energias ambientais. Quando está bloqueado, causa enjôo, medo ou irritação.
Na tradição hindu seu nome é “Manipura”, que significa a cidade das jóias. Sua cor é o amarelo.
É um centro de grande capacidade ectoplásmica. E tem alta ressonância com as energias dos vegetais, com as energias da natureza em geral, o mar, o vento, etc.
3.7. Centro Genésico (Swadhistana)
O “Centro Genésico” está situado abaixo do umbigo sendo o responsável pela energização geral do organismo, por ele penetram as energias cósmicas mais sutis, que a seguir são distribuídas pelo corpo.
Na tradição hindu seu nome é “Swadhistana”, que significa a morada do “eu” ou a morada do sol ou ainda a morada do prazer. Sua cor é o laranja.
Quando o “Centro Genésico ou Sexual” está bloqueado causa impotência sexual ou desânimo. Quando está super excitado causa intenso desejo sexual.
Bem desenvolvido, estimula o melhor funcionamento dos outros Chakras e ajuda no despertar da Kundalini. É o Chakra da troca sexual e da alegria.
3.8. Centro Básico (Muladhara)
O “Centro Básico” está situado na área da base da coluna vertebral. É o responsável pela absorção da energia telúrica e pelo estimulo direto da energia no corpo e na circulação do sangue.
Está ligado as “Glândulas supra-renais” e tem relação direta com os fenômenos bioenergéticos e parapsíquicos oriundos da ativação da Kundalini.
Na tradição indiana seu nome é “Muladhara” que significa base e fundamento, suporte. Sua cor é o vermelho.
Quando esse Chakra está enfraquecido indica distúrbios da sexualidade ou disfunções endócrinas. Quando muito energizado, indica excesso de hormônios, sexualidade exagerada.
4. Considerações finais
Toda pessoa que se lançou sobre os temas bioenergéticos esbarrou, de imediato, no estudo dos chacras. Uma das primeiras coisas que vemos a respeito do assunto é que existem “sete chacras principais” e é justamente nesse ponto que surge uma divergência.
Em alguns lugares veremos que os sete chacras principais são: Coronário, Cerebral (Frontal), Laríngeo, Cardíaco, Gástrico (Plexo Solar), Sexual (Genésico) e o Básico, e em outros lugares, ao invés do “Sexual teremos o Esplênico”.
No Ocidente, quem divulgou mais a questão do Chakra do “baço ou esplênico” foi Charles Webster Leadbeater. Entretanto, ele tinha vários problemas em relação à sexualidade que podem ter tido origem no fato dele ter sido reverendo.
Por esse motivo, ele suprimiu o estudo em cima do “Chakra Sexual” (dizia que era um centro perigoso para o desenvolvimento espiritual da pessoa) e colocou em seu lugar o “Chakra Esplênico”.
A partir dele, outros autores ocidentais tomaram a mesma postura, esquecendo-se de que o “Chakra do baixo ventre” não é meramente um “Chakra de ativação da energia sexual”.
Mas também um centro gerador de vida, pois é por sua ação (conjugada com o Chakra básico) que o feto é energizado e desenvolve-se e é também o controlador das vias urinárias.
Os Orientais não receberam essa mesma repressão sexual proveniente do Cristianismo; desta forma não hesitaram em classificar o “Chakra Sexual” como um dos centros de força principais e estudá-lo adequadamente.
É natural que nesse momento o leitor esteja questionando porque o Chakra principal é o Sexual, como dizem os orientais e não o Esplênico como dizia Leadbeater e a resposta para essa questão é bem simples.
Cada um dos chacras principais está ligado a uma glândula de controle.
O Chakra Coronário está ligado à Pineal, o Cerebral à Hipófise, o Laríngeo à Tireóide, o Cardíaco ao Timo, o Gástrico ou Umbilical ao Pâncreas, o Sexual aos Testículos (homem) ou Ovários (mulher) e o Básico, às glândulas Supra-renais, enquanto o Chakra Esplênico está ligado ao Baço, que não é uma glândula.
Não foi à toa que Leadbeater escolheu o “Chakra Esplênico para substituir o Sexual”. Ele tem uma função importante na questão da absorção de vitalidade para o corpo, sendo um repositor energético que ajuda o Chakra Cardíaco a distribuir a energia pela circulação do sangue e é através dele que penetra uma parte da energia do ambiente.
Bem desenvolvido, favorece a soltura do duplo etérico e, conseqüentemente, o desenvolvimento da mediunidade, bem como a soltura do psicossoma em relação às projeções da consciência.
Nos estudos mais atuais sobre Chakras já encontramos os dois sendo classificados e estudados, visando desenvolver um estudo mais completo.
Segundo André Luiz, o Centro de Força Esplênico é um dos mais importantes do Perispírito e foi incluído em sua relação de Chakras principais no livro “Evolução em Dois Mundos”.
4.1. Leituras Espirituais
Os Chakras são Centros de Força vital! Por eles são feitas leituras espirituais. Neles, seres de outros planos lêem tudo aquilo que vai dentro das energias do ser humano.
Seres que se apresentam com formas só de luz, sem a limitação da forma humanóide, quando observam o ser humano, o fazem por esses chakras. Eles não observam a forma humana, apenas os chakras.
Os Centros Inferiores estão ligados a Terra, agradeça ao planeta por hospedá-los por mais uma vida! Os Centros Superiores estão ligados ao Cosmos, ao qual se agradece toda a amplitude e novas oportunidades de conhecimento futuro.
O Homem está entre o Céu e a Terra, e é um elemento híbrido. Veio das estrelas, mas ocupa um invólucro terrestre. Tem as duas naturezas em si mesmo, é filho da Terra e filho do Espaço!
Fonte: texto extraído do site http://www.harmoniaespiritual.com.br/
Envolvendo o gérmen de um fruto, há o “Perisperma”; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar “Perispírito”, serve de envoltório ao espírito propriamente dito. (O Livro dos Espíritos de Allan Kardec).
Por ter sido um termo criado por Kardec, creio que todos admitimos que ninguém melhor que ele para definir perispírito: É o órgão sensitivo do espírito por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos.
O espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser, tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispíritico”. (A Gênese de Allan Kardec).
E foi esmiuçando as palavras de Kardec, no livro “Depois da Morte”, que Léon Denis, falando sobre o “Perispírito ou Corpo Espiritual”, disse:
“O perispírito é, pois, um organismo fluídico, é a forma preexistente e sobrevivente do ser humano, sobre a qual se modela o envoltório carnal, como uma veste dupla invisível, constituída de matéria quintessenciada”.
Podemos então dizer que o “Perispírito ou Corpo Fluídico dos espíritos” é um laço de união entre a vida corpórea e a vida espiritual.
Sabendo que ele é uma condensação do fluido cósmico em torno de um foco de inteligência ou alma, pode-se dizer que é ele que intervém nos fenômenos especiais que ocorrem no homem, cuja causa fundamental não se encontra na matéria palpável e que, por essa razão, parecem sobrenaturais.
Assim sendo, podemos entender que o “Corpo Espiritual ou Psicossoma” é, assim, o veículo físico, relativamente definido pela ciência humana, com os “Centros Vitais” que essa mesma ciência, por enquanto, não pode perquirir e reconhecer.
2. Centros Vitais ou Centros de Força (Chakras)
Segundo André Luiz os “Centros Vitais ou Centros de Força” estão situados no “Corpo Espiritual ou Psicossoma” e funcionam como terminais através dos quais a energia é transferida de planos superiores para o corpo físico.
André diz que o “Psicossoma está intimamente regido por sete Centros de Força”, que se conjugam nas ramificações dos plexos, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente.
Eles estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo “um campo eletromagnético”, no qual o pensamento vibra em circuito fechado.
A palavra “Chakra” vem do sânscrito e significa “roda, disco, centro ou plexo”. Nesta forma eles são percebidos por videntes como vórtices (redemoinhos) de energia vital, espirais girando em alta velocidade, vibrando em pontos vitais de nosso corpo.
Os Chakras são pontos de interseção entre vários planos e através deles nosso corpo etérico (corpo espiritual) se manifesta mais intensamente no corpo físico. Há mais de cinco mil anos, os tibetanos, os Hindus (Vedas) já estudavam os Chakras.
3. Funções dos Centros de Força ou Chakras
O nosso “Corpo Espiritual” é regido por “sete Centros de Força”, dispostos desde a base da coluna vertebral até o alto da cabeça e cada um corresponde a uma das “sete glândulas” do corpo humano.
Vários estudos têm mostrado a existência, no períspirito, de discos energéticos (chakras), como verdadeiros controladores das correntes de energia, centrifugas (do espírito para a matéria) ou centrípetas (da matéria para o espírito), que aí se instalam como manifestações da própria vida.
Estes discos energéticos comandariam, com as suas “superfunções”, as diversas zonas nervosas e de modo particular o sistema neurovegetativo, convidando, através dos genes e do código genético, ao trabalho ajustado e bem ordenado da arquitetura neuroendócrina.
Num corpo saudável, todos esses vórtices giram a uma grande velocidade, permitindo que a energia (PRANA) flua para cima por intermédio do sistema endócrino.
Mas se um desses centros começa a diminuir a velocidade de rotação, o fluxo de energia fica inibido ou bloqueado e disso resulta o envelhecimento ou a doença.
Os Chakras são conectados entre si por um sistema de “Nádis” (sistema circulatório energetico na frequência do duplo etérico). Os Nádis conduzem e regulam o fluxo das energias “yin e yang” em espirais concêntricas.
Para os Hindus, os Nádis são sagrados, é por meio da “Sushumna” que o yogi deixa o seu corpo físico e entra em contato com os planos superiores e traz para o seu cérebro a memória de suas experiências.
3.1. Centro Coronário (Sahasra)
O “Centro Coronário” está situado na região central do cérebro. Na sede da mente, centro que assimila os estímulos do Plano Superior.
Segundo André Luiz, o Coronário é quem orienta a forma, o movimento, a estabilidade, o metabolismo orgânico e a vida consciencial da alma encarnada ou desencarnada.
O “Centro Coronário” está, sutilmente, ligado a “Glândula Pineal ou Epífise”, a glândula mais alta do sistema endócrino, situada bem no centro da cabeça, logo abaixo dos dois hemisférios cerebrais.
Este centro supervisiona os demais Centros Vitais que lhe obedecem ao impulso, procedente do Espírito. No Coronário temos o ponto de interação entre as forças do Espírito e as forças físiopsicossomáticas organizadas.
Na tradição hindu ele é conhecido como “Chakra da Coroa”, e está representado por uma flor de lótus de mil pétalas. Sua cor é violeta ou branco. Em sânscrito é “Sahasra”, e é através dele que recebemos a luz divina.
Do Coronário parte a corrente de estímulos espirituais com ação difusível sobre a matéria mental que o envolve, transmitindo aos demais Centros da alma os reflexos vivos de nossos sentimentos, idéias e ações.
Tanto quanto esses mesmos centros, interdependentes entre si, imprimem semelhantes reflexos nos órgãos e demais implementos de nossa constituição particular, plasmando em nós próprios os efeitos agradáveis ou desagradáveis de nossa influência e conduta.
3.2. Centro Cerebral ou Frontal (Ajna)
O “Centro Cerebral” está situado na região central do cérebro, contíguo ao Coronário, com influência decisiva sobre os demais centros vitais.
Segundo André Luiz, ele governa o córtice encefálico na sustentação dos sentidos, marcando a atividade das glândulas endócrinas, administrando o sistema nervoso, em toda a sua organização, coordenação e atividade.
O “Centro Cerebral ou Frontal” está ligado a “Glândula Pituitária ou Hipófise”, e tem relação direta com diversos fenômenos de clarividência, intuição e percepções parapsíquicas.
Na tradição Hindu ele é conhecido como o “Chakra do terceiro olho”, por situar-se entre as sobrancelhas. Em sânscrito é “Ajna”, o Centro de Comando e sua cor é o Azul índigo.
É o Chakra da visão espiritual, da intuição, da percepção, da aprendizagem, do conhecimento, da síntese intelectual e da responsabilidade, pelo qual se aprende e se guarda na memória as informações.
3.3. Centro Laríngeo (Vishudda)
O “Centro Laríngeo” está situado em frente da garganta. É o responsável pela energização da boca, garganta e órgãos respiratórios. É o Centro da comunicação do ser humano no mundo.
O “Centro Laríngeo” está ligado a “Glândula Tireóide”. É considerado também como um filtro energético que bloqueia as energias emocionais, para que elas não cheguem até os chakras da cabeça.
Na tradição hindu ele é conhecido como “Vishudda”, o purificador. Quando bem desenvolvido, de forma geral, facilita a psicofonia e a clariaudiência e indica força de caráter e capacidade mental. Sua cor é o Azul claro.
Está ligado a sensibilidade mediúnica, que capta a criatividade vinda de outras consciências. Por isso os grandes iniciados sempre ensinaram sobre o silêncio, que capta a criatividade e melhora a expressão.
3.4. Centro Cardíaco (Anahata)
O “Centro Cardíaco” está situado no centro do peito e é responsável pela energização do sistema cárdio-respiratório. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos.
O “Centro Cardíaco” está ligado a “Glândula Timo”. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual. Por isso é o centro mais afetado pelo desequilíbrio emocional.
Na tradição hindu ele é conhecido como “Anahata”. Seu nome significa o inviolável, o invicto, o som sutil do espírito imperecível. Cor verde (cura) ou Rosa (amor).
Quando ativado desenvolve todo o potencial para o amor altruísta. Quando enfraquecido indica a necessidade de se libertar do egoísmo e de cultivar maior dedicação ao próximo.
Este centro é, por excelência, o canal de toda transformação afetiva, em que o homem instintivo se transforma em espiritual. Todo amor, toda qualidade afetiva, todo idealismo por algo melhor está no Chakra do coração.
Toda cura, todo toque terapêutico e toda assistência espiritual vibra nesse centro. É um Chakra capaz de abraçar humanidades situadas em outros orbes.
Esse Centro é um sol peitoral que jamais poderá ser envenenado pelas péssimas vibrações da vingança.
O ódio gera uma energia viscosa e escura que adere no Centro peitoral como uma espécie de “piche consciencial”.
3.5. Centro Esplênico (ver considerações finais)
O “Centro Esplênico” está situado na altura do baço. É um dos responsáveis pela vitalização do organismo humano, absorvendo as energias vibratórias.
O “Centro Esplênico” é quem regula a circulação dos elementos vitais em todos os escaninhos do corpo, determinando as atividades do sistema hemático.
Ligam-se ao “Centro Esplênico” as entidades (vampiros) que visam sugar a energia vital da criatura, em um sentido subjetivo mas de resultados objetivos.
Responsável pelo funcionamento do baço, pela formação e reposição das defesas orgânicas através do sangue. É um dos responsáveis pela vitalização do organismo.
3.6. Centro Gástrico ou Plexo Solar (Manipura)
O “Centro Gástrico” está situado na região Abdominal, sendo o responsável pela digestão dos alimentos, pelas emoções e pelo metabolismo.
O “Centro Gástrico ou Plexo Solar ou Chakra Umbilical” é, por excelência, o centro das emoções inferiores, misturadas com o processo da alimentação normal. É um centro de grande vitalidade.
Quando muito energizado, indica que a pessoa é voltada para as emoções e prazeres imediatos. Quando fraco sugere carência energética, baixo magnetismo.
Está ligado ao “Pâncreas”, que é uma Glândula do sistema digestivo e endócrino. Bem desenvolvido, facilita a percepção das energias ambientais. Quando está bloqueado, causa enjôo, medo ou irritação.
Na tradição hindu seu nome é “Manipura”, que significa a cidade das jóias. Sua cor é o amarelo.
É um centro de grande capacidade ectoplásmica. E tem alta ressonância com as energias dos vegetais, com as energias da natureza em geral, o mar, o vento, etc.
3.7. Centro Genésico (Swadhistana)
O “Centro Genésico” está situado abaixo do umbigo sendo o responsável pela energização geral do organismo, por ele penetram as energias cósmicas mais sutis, que a seguir são distribuídas pelo corpo.
Na tradição hindu seu nome é “Swadhistana”, que significa a morada do “eu” ou a morada do sol ou ainda a morada do prazer. Sua cor é o laranja.
Quando o “Centro Genésico ou Sexual” está bloqueado causa impotência sexual ou desânimo. Quando está super excitado causa intenso desejo sexual.
Bem desenvolvido, estimula o melhor funcionamento dos outros Chakras e ajuda no despertar da Kundalini. É o Chakra da troca sexual e da alegria.
3.8. Centro Básico (Muladhara)
O “Centro Básico” está situado na área da base da coluna vertebral. É o responsável pela absorção da energia telúrica e pelo estimulo direto da energia no corpo e na circulação do sangue.
Está ligado as “Glândulas supra-renais” e tem relação direta com os fenômenos bioenergéticos e parapsíquicos oriundos da ativação da Kundalini.
Na tradição indiana seu nome é “Muladhara” que significa base e fundamento, suporte. Sua cor é o vermelho.
Quando esse Chakra está enfraquecido indica distúrbios da sexualidade ou disfunções endócrinas. Quando muito energizado, indica excesso de hormônios, sexualidade exagerada.
4. Considerações finais
Toda pessoa que se lançou sobre os temas bioenergéticos esbarrou, de imediato, no estudo dos chacras. Uma das primeiras coisas que vemos a respeito do assunto é que existem “sete chacras principais” e é justamente nesse ponto que surge uma divergência.
Em alguns lugares veremos que os sete chacras principais são: Coronário, Cerebral (Frontal), Laríngeo, Cardíaco, Gástrico (Plexo Solar), Sexual (Genésico) e o Básico, e em outros lugares, ao invés do “Sexual teremos o Esplênico”.
No Ocidente, quem divulgou mais a questão do Chakra do “baço ou esplênico” foi Charles Webster Leadbeater. Entretanto, ele tinha vários problemas em relação à sexualidade que podem ter tido origem no fato dele ter sido reverendo.
Por esse motivo, ele suprimiu o estudo em cima do “Chakra Sexual” (dizia que era um centro perigoso para o desenvolvimento espiritual da pessoa) e colocou em seu lugar o “Chakra Esplênico”.
A partir dele, outros autores ocidentais tomaram a mesma postura, esquecendo-se de que o “Chakra do baixo ventre” não é meramente um “Chakra de ativação da energia sexual”.
Mas também um centro gerador de vida, pois é por sua ação (conjugada com o Chakra básico) que o feto é energizado e desenvolve-se e é também o controlador das vias urinárias.
Os Orientais não receberam essa mesma repressão sexual proveniente do Cristianismo; desta forma não hesitaram em classificar o “Chakra Sexual” como um dos centros de força principais e estudá-lo adequadamente.
É natural que nesse momento o leitor esteja questionando porque o Chakra principal é o Sexual, como dizem os orientais e não o Esplênico como dizia Leadbeater e a resposta para essa questão é bem simples.
Cada um dos chacras principais está ligado a uma glândula de controle.
O Chakra Coronário está ligado à Pineal, o Cerebral à Hipófise, o Laríngeo à Tireóide, o Cardíaco ao Timo, o Gástrico ou Umbilical ao Pâncreas, o Sexual aos Testículos (homem) ou Ovários (mulher) e o Básico, às glândulas Supra-renais, enquanto o Chakra Esplênico está ligado ao Baço, que não é uma glândula.
Não foi à toa que Leadbeater escolheu o “Chakra Esplênico para substituir o Sexual”. Ele tem uma função importante na questão da absorção de vitalidade para o corpo, sendo um repositor energético que ajuda o Chakra Cardíaco a distribuir a energia pela circulação do sangue e é através dele que penetra uma parte da energia do ambiente.
Bem desenvolvido, favorece a soltura do duplo etérico e, conseqüentemente, o desenvolvimento da mediunidade, bem como a soltura do psicossoma em relação às projeções da consciência.
Nos estudos mais atuais sobre Chakras já encontramos os dois sendo classificados e estudados, visando desenvolver um estudo mais completo.
Segundo André Luiz, o Centro de Força Esplênico é um dos mais importantes do Perispírito e foi incluído em sua relação de Chakras principais no livro “Evolução em Dois Mundos”.
4.1. Leituras Espirituais
Os Chakras são Centros de Força vital! Por eles são feitas leituras espirituais. Neles, seres de outros planos lêem tudo aquilo que vai dentro das energias do ser humano.
Seres que se apresentam com formas só de luz, sem a limitação da forma humanóide, quando observam o ser humano, o fazem por esses chakras. Eles não observam a forma humana, apenas os chakras.
Os Centros Inferiores estão ligados a Terra, agradeça ao planeta por hospedá-los por mais uma vida! Os Centros Superiores estão ligados ao Cosmos, ao qual se agradece toda a amplitude e novas oportunidades de conhecimento futuro.
O Homem está entre o Céu e a Terra, e é um elemento híbrido. Veio das estrelas, mas ocupa um invólucro terrestre. Tem as duas naturezas em si mesmo, é filho da Terra e filho do Espaço!
Fonte: texto extraído do site http://www.harmoniaespiritual.com.br/
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