quinta-feira, 16 de abril de 2015

O perdão - Como entender e aplicar essa máxima de Jesus


Blog de franluzeamor :O Amor, A Chama Da Vida, O perdão - Como entender e aplicar essa máxima de Jesus

Por Mauro Kwitko

Muitas pessoas afirmam que já perdoaram um desafeto. Na
verdade, decidiram entregar o caso a Deus, afastar-se da
pessoa, como se diz na gíria “deixar pra lá...” e tocar a sua
vida, deixando o Tempo decidir o que é certo, o que é
errado.
As pessoas boas de coração possuem a capacidade de
aceitar as atitudes daqueles que lhes fizeram ou ainda
fazem mal. Muitas vezes, elas são até incompreendidas por
essa capacidade de amar e perdoar. São Espíritos mais
antigos e elevados em seu grau de consciência e
discernimento, e sabem que perdoar faz bem
principalmente para si mesmos, que entendem que não vale
a pena permanecer aferrados a uma mágoa, a uma raiva, a
uma aversão, pois é como um veneno que se ingere
diariamente e que vai destruindo os pensamentos, os
sentimentos e o corpo físico de quem costuma permanecer
remoendo fatos passados.
Outras pessoas dizem que querem perdoar alguém, mas
acham isso impossível, e que apenas um Ser Superior
como Jesus poderia perdoar. São Espíritos em um grau um
pouquinho menos elevado de consciência, mas que já têm a
suficiente elevação para querer perdoar, já entenderam que
o beneficiado maior é quem perdoa, conhecem as Leis
Divinas da atração pelos cordões energéticos e até
levantam a possibilidade de, em encarnações anteriores,
terem agido mal, prejudicado, o atual “vilão”.
Outros dizem que não querem perdoar um inimigo porque
têm razão na sua mágoa ou no seu ódio por essa pessoa.
Não esquecem o que foi feito contra eles, ou o que deixou
de ser feito, enfim, acreditam-se com absoluta razão para
decretar que aquela pessoa é um vilão, que é mau, não
merece seu perdão e terá de se entender com Deus.
Enfim, nessa questão de “Perdão”, encontram-se as mais
variadas opiniões, os mais diversos raciocínios,
dependendo do grau de elevação espiritual da pessoa que
sofreu ou sofre um mal. Se somos um ser espiritual com no
mínimo 500.000 anos de existência mais as poucas
décadas da nossa persona atual, como é arriscado ter uma
opinião firmada a esse respeito... Quando alguém sente
mágoa ou raiva do seu pai ou de sua mãe, pelo que lhe fez
ou deixou de fazer, na sua infância, como pode afirmar estar
certo, ter razão nesse sentimento, se não lembra de duas
questões importantíssimas, a seguir:
1. Por que seu Espírito “pediu”, em outras palavras, por que
necessitou desse pai ou dessa mãe?
2. O que pode ter feito para ele(a) em encarnações
passadas de igual ou pior teor?
Se a mágoa ou a raiva é em relação a seu marido ou ex-
marido, sua esposa ou ex-esposa, outro familiar, um amigo
que lhe traiu, lhe enganou, enfim, um acontecimento durante
a vida, se pensar nessas mesmas duas questões, poderá
afirmar com convicção que tem razão?
Somos um ser, que chamamos de Espírito, muito antigo,
vivemos centenas ou milhares de encarnações; todo esse
tempo, tudo o que aconteceu, o que fizemos, o que nos
fizeram, guardado dentro do nosso Inconsciente, apenas
lembramos dessa vida atual, poucas décadas de vida...
vocês não acham extremamente arriscado decidir coisas
como “Não vou perdoar!”, “Ele(a) me fez(faz) mal, sou(fui)
sua vítima!”, “Ele(a) não merece perdão!”...
No Mundo Espiritual, existe algo que na Terra ainda não
existe: o Telão. Quando voltamos para Casa, durante a
nossa permanência no período intervidas, em um certo
momento, somos chamados a assistir um filmezinho de
nossas vidas passadas, o que fizemos, o que não fizemos,
como éramos, e, ao contrário da Regressão Terapêutica
realizada por nós aqui na Terra durante um tratamento de
Psicoterapia Reencarnacionista, no qual é vedado incentivar
o reconhecimento de pessoas no passado, lá, nessa
sessão de Telão, os Mentores oportunizam esse
reconhecimento, tanto da “vítima” como do(a) “vilão(ã)”, e o
resultado dessa viagem no tempo é uma cena chocante de
arrependimento, de vergonha e de frustração, por não
termos, na vida encarnada anterior, alcançado o que
havíamos proposto a nós mesmos: o resgate e a
harmonização com aquele Espírito que sabíamos iríamos
encontrar aqui na Terra, para fazermos as pazes, e, pelo
contrário, mantivemos a nossa tendência anterior, arcaica,
de nos magoarmos, de odiarmos, de sentirmos aversão a
ele. E nesse momento, quando a verdade está ali,
escancarada à nossa frente, percebemos que perdemos
uma grande oportunidade de nos reconciliarmos com aquele
antigo desafeto e, com isso, elevarmos o nosso grau
espiritual e, com bastante freqüência, nos redimirmos do
que havíamos feito a ele, até pior, em encarnações
passadas.
Muitas vezes, por trás do hábito de fumar, beber, usar
drogas, encontra-se mágoa, rejeição, raiva e, então, é muito
importante trazer essa mensagem, de que é extremamente
perigoso julgar alguém, condenar-se uma pessoa, decretar
quem é o vilão e quem é a vítima, considerando que 20, 30,
40, 50 anos de vida é muito pouco tempo, comparado com
milhares e milhares de anos, que é a idade do nosso
Espírito.
Em um tratamento com Psicoterapia Reencarnacionista, do
qual faz parte as “sessões de Telão”, realizadas pelo
terapeuta, mas totalmente comandadas pelos Mentores
Espirituais das pessoas, é relativamente freqüente
encontrar-se depois da visita às encarnações mais recentes,
vidas mais anteriores em que se trocam os papéis, e a atual
“vítima”, descobre-se um “vilão” e o atual “vilão” como sua
vítima... E a pessoa que fumava, bebia, usava drogas, para
amenizar a sua mágoa, acalmar a sua raiva, para vingar-se
ou para agredir o “vilão” (muitas vezes o seu pai ou sua
mãe), o que faz agora com essa descoberta?
Pode-se fazer duas coisas:
1. Aguardarmos a morte do nosso corpo físico e o nosso
desencarne e assistirmos as sessões de Telão no Mundo
Espiritual e nos encaixarmos na estatística oficial de 99% de
frustrações, arrependimentos e vergonha.
2. Assistir essas sessões aqui, durante a encarnação,
quando ainda estamos “vivos” e podemos, pela mudança
radical do nosso raciocínio, perceber o nosso erro de
interpretação, e resolvermos reavaliar completamente a
nossa infância e a nossa vida, substituindo a “versão
persona” da nossa história pela “versão Espírito”, e, com
isso, amenizarmos os nossos sentimentos inferiores,
elevarmos o nosso grau espiritual e nos reconciliarmos com
antigos desafetos que “pedimos” para reencontrar.
E quando deixamos de nos sentir “vítimas” nem precisamos
mais perdoar, precisamos é pedir perdão pelo que fizemos
em nosso passado para o(a) atual “vilão(ã), e que Deus, em
Sua Absoluta Justiça, nos presenteou com esse reencontro.
Essa mudança de raciocínio, esse novo tipo de enfoque,
essa abertura para a verdadeira história de conflito entre
Espíritos há séculos digladiantes, opera verdadeiros
milagres, pois ao invés de sabermos disso apenas lá em
cima, para deixarmos para a próxima encarnação (quando
provavelmente erraremos novamente...), podemos fazer
isso agora, já, aqui na Terra, nessa encarnação mesmo,
acertando o nosso rumo, retificando o nosso pensamento e
sentimento, e aproveitando a atual encarnação para
alcançarmos o crescimento espiritual há tanto tempo
almejado e também adiado. E, então, pedir perdão a Deus e
ao(a) vilão(ã) e seguir nosso caminho, como aconselhou
Jesus: “Vá e não peques mais!”






Livre Arbítrio


Livre Arbítrio

O que é o Livre Arbítrio?
Por Mauro Kwitko
É dito que Deus nos deu o livre-arbítrio. Penso que, na
verdade, nós é que nos damos o livre-arbítrio, nós é que
decidimos seguir seus ensinamentos ou não, suas
orientações ou as nossas, os nossos instintos ou a nossa
razão.
Estamos aqui na Terra esquecidos de que somos um
Espírito encarnado de passagem, em busca de mais
evolução espiritual. Para alcançar esse objetivo existem dois
caminhos: pelo amor ou pela dor. O segundo é o habitual...
Para evoluir pelo amor é necessário que, pelo livre-arbítrio,
uma pessoa decida fazer as coisas certas, seguindo a
orientação do seu Eu Superior e dos seus Mentores
Espirituais. Quando nos deparamos com uma decisão, seja
de caráter existencial ou uma postura emocional, um
pensamento, uma atitude, uma fala, muitas vezes somos
movidos pelos nossos instintos primitivos; outras vezes,
mesmo recebendo esse impulso, vindo do nosso Eu
Inferior, conseguimos refreá-lo e acessamos uma
informação mais elevada que diz como devemos fazer,
sentir, pensar, falar... O livre-arbítrio é, então, cada um de
nós decidindo a cada momento, aonde quer ir, qual caminho
seguir, o que quer fazer.

Existem aqui na Terra duas estações transmissoras: uma
que nos dá maus conselhos, outra que quer nos purificar.
Pelo livre-arbítrio optamos qual delas queremos ouvir.
Algumas vezes dizemos: “Por que Deus não nos mostra o
que fazer para que possamos evitar o erro e o sofrimento?”
Ele nos mostra, sim, nós é que freqüentemente não
entendemos... Ele nos fala através da nossa Consciência;
somos nós que muitas vezes não a escutamos. A voz da
Consciência é Deus dentro de nós.
E assim, errando e acertando, caindo e levantando, vamos,
com o passar das encarnações, aprendendo o que nos faz
sofrer e o que nos faz felizes, o que nos traz angústia, o que
nos traz paz, o que nos traz estagnação, o que nos traz
evolução. Deus é a voz da rádio do amor que só transmite
em sua programação músicas sublimes, conselhos
superiores, palestras edificantes. Nós todos estamos
sintonizados nessa rádio, mas existe uma interferência, um
chiado de uma outra rádio, a da raiva, da agressividade, da
tristeza, que entra na programação trazendo consigo
energias de baixa freqüência, num incentivo às más
condutas, aos maus pensamentos, aos baixos sentimentos,
com suas palavras de dor.
Se dependesse só de Deus essa outra rádio não existiria;
ela foi criada por nós mesmos, pois fomos nós que criamos
o baixo Astral, com nossos erros, nosso egoísmo, nossas
ações, nossa miopia espiritual. Todos nós somos
responsáveis pela existência do Umbral, ele foi feito por
nós, para nós mesmos. E quando algum de nós vai para lá,
após desencarnar, devido à sua baixíssima freqüência, está
indo para um lugar criado por ele mesmo; vai experimentar
seu próprio veneno. Deus não criou o Umbral, o homem o
fez e, hoje, muitos dentre nós lutam para que ele
desapareça.
Mas isso só vai acontecer quando, pelo livre-arbítrio,
escutarmos a voz da razão, da Consciência e fizermos
apenas o que é certo; quando acabarmos com a miséria, a
fome, a violência, a tristeza, a dor. O livre-arbítrio faz com
que alguns de nós façam guerras, outros façam amor;
alguns trabalhem em atividades que beneficiam o ser
humano, outros em atividades que visam enriquecer, poluir,
sujar o planeta e o interior do nosso corpo. Uns promovem a
saúde, outros, a doença; algumas pessoas, pelo seu livre-
arbítrio, fabricam bebidas alcoólicas, cigarro, produzem e
vendem drogas; outras pessoas trabalham em hospitais, em
consultórios; alguns políticos querem o bem do povo,
outros, procuram apenas o benefício próprio e dos seus;
enfim, se enxergarmos bem, veremos o livre-arbítrio em
todo lugar, a todo momento, em todas as situações, de toda
a população mundial, dia e noite.
Deus criou o livre-arbítrio? Não, Deus criou o ser humano à
sua imagem e semelhança, puro e perfeito, para aprender a
manter-se assim. O que fizemos com essa criação divina?
Sujamos, rebaixamos, estragamos, degradamos, dentro de
nós e fora. Temos a capacidade de ouvirmos mais e melhor
a voz da nossa Consciência, pois não a precisamos buscar
em lugar nenhum, ela está dentro de nós. Mas para isso
precisamos um trabalho de faxina interior, dos nossos
pensamentos, dos nossos sentimentos, das nossas
atitudes, da nossa palavra. É como uma lâmpada acesa
coberta por fuligem; não precisamos acender a lâmpada, ela
está sempre acesa; precisamos é limpar a fuligem. O que é
essa fuligem? É o que viemos acumulando desde que
viemos para essa Terra: o que fizemos, o que fazemos, o
que pensamos, o que sentimos, o que falamos. Cada
pensamento de raiva aumenta a fuligem, um pensamento de
amor a limpa um pouquinho. Cada vez que brigamos no
trânsito, sujamos nossa lâmpada; cada vez que sorrimos
para quem buzina atrás de nós, que cedemos espaço para
deixar passar quem está com pressa, limpamos mais um
pouquinho. Cada vez que criticamos alguém, que nos
irritamos, que nos impacientamos, que enganamos,
mentimos, a sujamos; cada vez que aceitamos, que
compreendemos, que cumprimos nosso dever com justiça,
que falamos a verdade com carinho, passamos um paninho
nela; cada vez que bebemos, que fumamos, que usamos
drogas, aumentamos a poluição de nossa lâmpada; cada
vez que bebemos água pura, que ingerimos alimentos
saudáveis, limpamos nossa lampadazinha...
E assim vamos indo, sujando, limpando, estragando,
consertando; e o que nos possibilita fazer as coisas erradas
ou as coisas certas? O livre-arbítrio.
Um dia o Umbral vai terminar: quando nós curarmos nosso
Umbral interno, pois nós o fizemos e nós o alimentamos, no
nosso dia-a-dia. Cada palavra de raiva, cada instante de
impaciência, cada vez que batemos com força a porta do
nosso quarto, cada vez que buzinamos com irritação, cada
vez que brigamos, alimentamos nosso Umbral. Cada gole
de bebida alcoólica, cada cigarro, aumenta o Umbral. Essa
nossa criação é poderosa, ela fala dentro de nós, ela nos
manda mentir, enganar, roubar, matar, suicidar-se... Ela quer
mais gente lá em baixo, ela quer dominar a Terra, ela
gostaria de expulsar a Luz daqui, para reinar soberana,
impunemente. Mas a Luz não pode sair daqui, pois nosso
planeta é feito dela, nós somos feitos dela, nossa
lampadazinha é ela... Até o Umbral é feito dela, às avessas.
Deus está em todo lugar, é onipresente, está no Umbral, é
também o Umbral.
Precisamos sofrer para aprender? Deus ensina no Umbral.
Precisamos amar para sermos felizes? Deus ensina em
nosso coração. Onde se processa a evolução humana? Na
Consciência.
Então, o que é o livre-arbítrio? É uma opção, uma decisão, a
quem queremos servir: a Deus que está na Luz ou a Deus
que está no Umbral.

A MODÉSTIA

Modéstia (Hri) é um dos tesouros divinos e uma das qualidades espirituais mais indispensáveis. Sem cultivá-Ia não é possível progredir na vida espiritual.

O que é modéstia? Modéstia é a ausência de vaidade, de jactância; é a consideração pela decência no comportamento, na fala, no vestir; é a simplicidade e a moderação – em resumo, é um comportamento balanceado.

Modéstia pode ser descrita como a virtude que nos impulsiona a sermos decorosos, apropriados e reservados; na maneira de vestir, se portar, falar, andar e sentar – em geral, na maneira de se comportar exteriormente. Modéstia está aliada à virtude da temperança, ou do hábito de autocontrole.

Uma pessoa modesta é inteligente é totalmente consciente de suas capacidades e limitações.

Jnanadeva, um grande santo, define modéstia como um sentimento de profunda vergonha quando um aspirante espiritual pensa ou comete algo ignóbil e não-espiritual.

Por outro lado, a auto asserção indiscriminada, a exibição egoísta dos próprios dons do corpo ou da alma, a exibição exagerada da própria inteligência, ou talentos, ou habilidades em qualquer campo da realização humana, abertamente ou secretamente – todos são exemplos do que a modéstia não é.

Atualmente, modéstia é identificada exclusivamente e excessivamente com a vestimenta, especialmente a das mulheres. Podemos recordar aqui a advertência da Santa Mãe:

“Tenha certeza, minha filha, que a modéstia é o maior ornamento de uma mulher  Uma flor serve bem a seu propósito quando é oferecida à deidade; de outra forma, ela simplesmente secará na árvore.”

Embora seja verdadeiro o ensinamento acima, a modéstia real é muito mais profunda que o mero vestir, ou até mesmo que a conduta apropriada – ela inclui toda a gama de boas qualidades, como: humildade, castidade e simplicidade. A injunção de Santa Teresa de Ávila: “Seja modesto em todas as suas palavras e trabalhos,” implica que a modéstia inclui todas as expressões de nossa posse interior de humildade.

A prática da modéstia está intimamente relacionada à castidade. Castidade significa ser fiel ao esposo (ou esposa, ou ao ideal espiritual). Não se pode ser casto e imodesto ao mesmo tempo; pois, imodéstia significa chamar atenção a si – olhem para mim, como sou bonito e desejável! Seja na vestimenta, na fala ou na conduta, em qualquer ato, a imodéstia é não-atrativa e prejudicial.

Modéstia é uma qualidade espiritual altamente desejável. É uma qualidade muito querida e atrativa. Todos nós sentimos atração pelas pessoas modestas.

Pelo contrário, sentimos repulsa pela imodéstia de qualquer tipo, mesmo que não possamos dizer nada por medo de sermos politicamente incorretos.

Existe também um equívoco de que as pessoas modestas são muito simples, tímidas, e possivelmente sofrem de complexo de inferioridade. Nada pode estar mais longe da verdade. Quando olhamos para Sri Ramakrishna, Swami Vivekananda, Buda ou Jesus Cristo, não achamos que eles estão sofrendo de nenhum complexo. Eles conheciam sua própria grandeza mais do que qualquer outra pessoa; ainda assim, todos eles são modelos de modéstia.

A pretensão de falsa modéstia também chama a nossa atenção. Existem pessoas cheias de orgulho e arrogância quase explodindo internamente, que fingem humildade exterior e modéstia. Ai daquele que não notar sua humildade e modéstia!

Encontramos tal pessoa no Evangelho de Sri Ramakrishna: “Dirigindo-se ao doutor (Dr. Sarkar), o Mestre disse: “Desista dessa falsa modéstia. Por que deveria sentir vergonha de cantar o nome de Deus? O provérbio diz com muita razão: ‘O indivíduo não pode realizar Deus se for vitima da timidez, ódio, ou medo.’ ”

Ausência de modéstia é uma indicação certa de que a pessoa é impura, orgulhosa, arrogante e cheia de si. Significa que ela não dá crédito a Deus por quaisquer dons ou talentos que possua, mas atribui todo crédito para si mesma. Portanto, cada aspirante espiritual deve cultivar a virtude da modéstia. Como Krishna declarou no Bhagavad Gita, todas as manifestações extraordinárias de poder pertencem a Deus.

São Francisco de Sales disse: “Se você quer saber se um homem é realmente sábio, instruído, generoso ou nobre, observe se a sua vida está moldada pela humildade, modéstia e submissão. Se estiver, seus dons são genuínos; caso contrário, são apenas superficiais e servem apenas de ostentação.”

Simplicidade, gentileza e modéstia devem ser desejados por toda a sociedade; há algumas pessoas tão cheias de afetação em tudo o que fazem, que todos ficam irritados com elas.

Existe um equívoco comum no interior de todos nós; queremos ser admirados pelos outros, queremos que as pessoas pensem bem de nós, e nossa tendência natural é mostrar, na presença dos outros, nosso comportamento mais atrativo, de forma a obter atenção e admiração. Porem, a melhor maneira, de assegurar atenção é pela prática da modéstia.

Nos dias atuais, tornamo-nos os piores idólatras – adoradores do corpo humano. Em nenhum momento na história vemos o corpo humano tão divulgado, anunciado e idolatrado quanto hoje. Uma vez que conseguimos muitos de nossos prazeres na satisfação dos desejos corporais, todos os esforços são feitos para encorajar essas satisfações imediatamente. O que chamamos de moda não é outra coisa senão a ostentação vulgar do corpo, especialmente do corpo feminino.

Sob essas circunstâncias, quem poderá dizer que a prática da modéstia não é indispensável?

Concluindo, modéstia é uma qualidade espiritual incalculável e indispensável. É muito valiosa, pois:

(1) É um sinal de que a pessoa mantém as coisas em perspectiva,propriamente balanceadas.

(2) Previne que o individuo seja facilmente distraído do que é realmente importante, isto é, do progresso espiritual, pela preocupação excessiva de como está sendo estimado ou apreciado.

(3) Torna a pessoa agudamente consciente da graça de Deus e da transitoriedade da vida.

(4) Como a pessoa modesta acredita que tudo o que possui é uma dádiva de Deus, consegue controlar emoções destrutivas, tais como: orgulho, ciúmes e inveja.É desnecessário dizer que, aqueles que desejam realizar a Deus, devem cultivar modéstia.


(Swami Dayatmananda – traduzido da revista bimestral Vedanta, publicada pela Ramakrishna Vedanta Centre, UK, n036 )


Orientadores do mundo


É muito comum nos círculos religiosos, notadamente nos arraiais espiritistas, o aparecimento de orientadores do mundo, reclamando provas da existência da alma.
Tempo virá em que semelhantes inquirições serão consideradas pueris, porque, afinal, esses mentores da política, da educação, da ciência, estão perguntando, no fundo, se eles próprios existem.
A resposta de Jesus a Nicodemos, embora se refira ao problema da reencarnação, enquadra-se perfeitamente ao assunto, de vez que os condutores da atualidade prosseguem indagando sobre realidades essenciais da vida.
Peçamos a Deus auxilie o homem para que não continue tentando penetrar a casa do progresso pelo telhado.
O médico leviano, até que verifique a verdade espiritual, será defrontado por experiências dolorosas no campo das realizações que lhe dizem respeito. O professor, apenas teórico, precipitar-se-á muitas vezes nas ilusões. O administrador improvisado permanecerá exposto a erros tremendos, até que se ajuste à responsabilidade que lhe é própria.
Por esse motivo, a resposta de Jesus aplica-se, com acerto, às interrogações dos instrutores modernos.
Transformados em investigadores, dirigem-se a nós outros, muita vez com ironia, reclamando a certeza sobre a existência do espírito; entretanto, eles orientam os outros e se introduzem na vida dos nossos irmãos em humanidade. Considerando essa circunstância e em se tratando de problema tão essencial para si próprios, é razoável que não perguntem, porque devem saber.
Fonte: extraído do livro “Caminho, Verdade e Vida”, de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel. Federação Espírita Brasileira.

Mediunidade bênção de DeusMediunidade bênção de Deus

mediunidade3
Ciência e Religião, Mediunidade



Mediunidade é coisa sagrada, que deve ser praticada de maneira digna e responsável, exercida com devotamento, discrição e humildade, no anonimato em benefício da humanidade.
Os médiuns, não são seres privilegiados em missão na mediunidade, são sim na maioria das vezes, seres endividados e em necessárias provas e rígidas expiações a caminho da sua própria regeneração diante das Leis eternas e imutáveis que regem o destino dos seres humanos.
Recorreremos mais uma vez ao Livro dos Médiuns, ainda no Capítulo XXXI, onde encontramos a comunicação que abaixo transcrevo, como seguro ensinamento para todos que laboramos nos trabalhos que a mediunidade nos premia e que precisamos saber dar o devido valor.
“Todos os homens são médiuns, todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando sabem escutá-lo. Agora, que uns se Comuniquem diretamente com ele, valendo-se de uma mediunidade especial, que outros não o escutem senão com o coração e com a inteligência, pouco importa: não deixa de ser um Espírito familiar quem os aconselha. Chamai-lhe espírito, razão, inteligência, é sempre uma voz que responde à vossa alma, pronunciando boas palavras. Apenas, nem sempre as compreendeis.
Nem todos sabem agir de acordo com os conselhos da razão, não dessa razão que antes se arrasta e rasteja do que caminha, dessa razão que se perde no emaranhado dos interesses materiais e grosseiros, mas dessa razão que eleva o homem acima de si mesmo, que o transporta a regiões desconhecidas, chama sagrada que inspira o artista e o poeta, pensamento divino que exalça o filósofo, arroubo que arrebata os indivíduos e povos, razão que o vulgo não pode compreender, porém que ergue o homem e o aproxima de Deus, mais que nenhuma outra criatura, entendimento que o conduz do conhecido ao desconhecido e lhe faz executar as coisas mais sublimes.
Escutai essa voz interior, esse bom gênio, que incessantemente vos fala, e chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo guardião, que do alto dos céus vos estende as mãos. Repito: a voz íntima que fala ao coração é a dos bons Espíritos e é deste ponto de vista que todos os homens são médiuns”. Channing.
Fonte: texto editado extraído do artigo de autoria de José Francisco Costa Rebouças, publicado no Portal do Espírito. Veja a íntegra acessando http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/mediunidade/mediunidade-bencao-de-deus.html

Comunicação com os mortos na Bíblia



comunicacoa com os mortos

Comunicação com os mortos

Comunicação com os mortos na Bíblia




Por Paulo da Silva Neto Sobrinho – extraído do site www.espirito.org.br/
“A maior ignorância é a que não sabe e crê saber, pois dá origem a todos os erros que cometemos com nossa inteligência”. (SÓCRATES).
“Tão surpreendente quanto a naturalidade das pessoas em emitirem juízo sobre algo que pouco sabem, é seu desinteresse em melhor informarem-se”. (LOEFFLER).
“Se não se convencem pelos fatos, menos o fariam pelo raciocínio”. (KARDEC).
Introdução
Dentre vários outros, a comunicação com os chamados mortos é um dos princípios básicos do Espiritismo, inclusive podemos dizer que é um dos fundamentais, pois foi de onde surgiu todo o seu arcabouço doutrinário.
Na conclusão de O Livro dos Espíritos, Kardec argumenta que:
“Esses fenômenos … não são mais sobrenaturais que todos os fenômenos aos quais a Ciência hoje dá a solução, e que pareceram maravilhosos numa outra época. Todos os fenômenos espíritas, sem exceção, são a conseqüência de leis gerais e nos revelam um dos poderes da Natureza, poder desconhecido, ou dizendo melhor, incompreendido até aqui, mas que a observação demonstra estar na ordem das coisas”. (p. 401).
Essa abordagem de Kardec é necessária, pois apesar de muitos considerarem tais fenômenos como sobrenaturais, enquanto que inúmeros outros os quererem como fenômenos de ordem religiosa, as duas teses são incorretas. A origem deles é espontânea e natural e ocorrem conforme as leis Naturais que regem não só o contato entre o mundo material e o espiritual, mas toda a complexa interação que mantém o equilíbrio universal. Por isso não precisaríamos relacioná-los, nem mesmo buscar comprovação de sua realidade, entre as narrativas bíblicas.
A Bíblia, apesar de merecer de todos nós o devido respeito, por ser um livro considerado sagrado por várias correntes religiosas, não é, nunca foi e jamais será um livro que contém todas as leis que regem o Universo, nem tão pouco o que acontece em função das leis naturais, portanto, divinas, já desvendadas pelo homem.
A Ciência vem, ao longo dos tempos, demonstrando a impossibilidade de serem verdadeiros certos fatos narrados pelos autores da Bíblia, como também, trazendo outros que nem supunham existir. A Terra como o centro do Universo, Adão e Eva como o primeiro casal humano, entre inúmeros outros pontos da Bíblia, que não poderão ser mais considerados como verdades, uma vez que a Ciência provou o contrário. A fertilização in vitro, a ida do homem ao espaço, a clonagem, o transplante de órgãos, esse computador com o qual estamos escrevendo, como milhares de outras maravilhas descobertas pela Ciência não se encontram profetizadas, em uma linha sequer, nas Escrituras Sagradas.
Apesar disso tudo, estaremos desenvolvendo esse estudo com a finalidade de constatar que a comunicação dos mortos está na Bíblia, não por nós, mas por aqueles que insistem em relacionar esses fenômenos como de cunho religioso e que, para serem verdadeiros, teriam que constar na Bíblia.
Passagens bíblicas para comprovação
A primeira coisa que teremos que buscar para apoio é algo que venha nos dar uma certeza da sobrevivência do espírito, pois ela é a peça fundamental nas comunicações. Leiamos:
Quanto a você [Abraão], irá reunir-se em paz com seus antepassados e será sepultado após uma velhice feliz. (Gn 15,15).
Quando Jacó acabou de dar instruções aos filhos, recolheu os pés na cama, expirou e se reuniu com seus antepassados. (Gn 49,33).
Eu digo a vocês: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó. (Mt 8,11).
E, quanto à ressurreição, será que não leram o que Deus disse a vocês: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. (Mt 22,31-32).
Podemos concluir dessas passagens que há no homem algo que sobrevive à morte física. Não haveria sentido algum dizer que uma pessoa, após a morte, irá se reunir com seus antepassados, se não se acreditasse na sobrevivência do espírito. Além disso, para que ocorra a possibilidade de alguém poder “sentar à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó” teria que ser porque esses patriarcas estão tão vivos quanto nós. A não ser que Jesus tenha nos enganado quando disse, em se referindo a esses três personagens, que Deus é Deus de vivos.
Os relatos bíblicos nos dão conta que o intercâmbio com os mortos eram fatos corriqueiros na vida dos hebreus. Por outro lado, quase todos os povos, com quem mantiveram contato, tinham práticas relacionadas à evocação dos espíritos para fins de adivinhação, denominada necromancia. O Dicionário Bíblico Universal nos dá a seguinte explicação sobre ela:
Meio de adivinhação interrogando um morto. Babilônios, egípcios, gregos a praticavam. Heliodoro, autor grego do III ou do século IV d.C., relata uma cena semelhante àquela descrita em 1Sm (Etíope 6,14). O Deuteronômio atribui aos habitantes da Palestina “a interrogação dos espíritos ou a evocação dos mortos” (18,11). Os israelitas também se entregaram a essas práticas, mas logo são condenadas, particularmente por Saul (1Sm 28,3B). Mas, forçado pela necessidade, o rei manda evocar a sombra de Samuel (28, 7-25): patético, o relato constitui uma das mais impressionantes páginas da Bíblia. Mais tarde, Isaías atesta uma prática bastante difundida (Is 8,19): parece que ele ouviu “uma voz como a de um fantasma que vem da terra” (29,4). Manasses favoreceu a prática da necromancia (2Rs 21,6), mas Josias a eliminou quando fez sua reforma (2Rs 23,24). Então o Deuteronômio considera a necromancia e as outras práticas divinatórias como “abominação” diante de Deus, e como o motivo da destruição das nações, efetuada pelo Senhor em favor de Israel (18,12). O Levítico considera a necromancia como ocasião de impureza e condena os necromantes à morte por apedrejamento (19,31; 20,27). (Pág. 556).
Iremos ver, no decorrer desse estudo, algumas dessas passagens, mas, por hora, apenas destacaremos:
Não se dirijam aos necromantes, nem consultem adivinhos, porque eles tornariam vocês impuros. Eu sou Javé, o Deus de vocês. (Lv 19,31).
Quem recorrer aos necromantes e adivinhos, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra esse homem e o eliminarei do seu povo. (Lv 20,6).
Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não apreenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal cousa é abominação ao Senhor; e por tais abominações o Senhor teu Deus os lança de diante de ti. Perfeito serás para com o Senhor teu Deus. Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal cousa. (Dt 18,9-14).
As três passagens acima dizem respeito à adivinhação e à necromancia – que é um tipo de adivinhação, conforme explicação, já citada, do dicionário –, devemos observar que elas se encontram entre as proibições. A preocupação central era proibir qualquer tipo de coisa relacionada à adivinhação, não importando por qual meio fosse realizada, como fica claro pela última passagem onde se diz “… estas nações, …. ouvem os prognosticadores e os adivinhadores…”, reunindo assim todas as práticas a essas duas.
Por outro lado, a grande questão a ser levantada é: os mortos atendiam às evocações ou não? Se não, por que da proibição? Seria ilógico proibir algo que não acontece. Teremos que tentar encontrar as razões de tal proibição. Duas podemos destacar. A primeira é que consideravam deuses os espíritos dos mortos, mais à frente iremos ver sobre isso, quando falarmos de 1Sm 28. Levando-se em conta que era necessário manter, a todo custo, a idéia de um Deus único, Moisés, sabiamente, institui a proibição de qualquer evento que viesse a prejudicar essa unicidade divina. As consultas deveriam ser dirigidas somente a Deus, daí, por forças das circunstâncias, precisou proibir todas as outras. A segunda estaria relacionada ao motivo pelo qual iam consultar-se aos mortos. Normalmente, eram para coisas relacionadas ao futuro, como no caso de Saul que iremos ver logo à frente, ou para situações até ridículas, quando, por exemplo, do desaparecimento das jumentas de Cis, em que Saul, seu filho, procura um vidente, para que ele dissesse onde poderiam encontrá-las.
A figura do profeta aparece como sendo a pessoa que tinha poderes para fazer consultas a Deus, ou receber da divindade as revelações que deveriam ser transmitidas ao povo. Em razão de querer a exclusividade das consultas a Deus, por meio dos profetas, é que Moisés disse que: “Javé seu Deus fará surgir, dentre seus irmãos, um profeta como eu em seu meio, e vocês ouvirão”. (Dt 18,15). Elucidamos essa questão com o seguinte passo: “Em Israel, antigamente, quando alguém ia consultar a Deus, costumava dizer: ‘Vamos ao vidente’. Porque, em lugar de ‘profeta’, como se diz hoje, dizia-se ‘vidente’”. (1Sm 9,9). O que é vidente senão quem tem a faculdade de ver os espíritos? Poderá, em alguns casos, ver inclusive o futuro, daí a idéia de que poderia prever alguma coisa, uma profecia, derivando-se daí, então, o nome profeta. Podemos confirmar o que estamos dizendo aqui nesse parágrafo, pela explicação dada à passagem Dt 18,9-22:
“Contrapõem-se nitidamente duas formas de profetismo ou de mediação entre os homens e Deus. O profetismo de tipo cananeu, com suas práticas para conhecer o futuro, ou vontade dos deuses (v.9-14), visava controlar a divindade, tornado-a favorável ao homem. Contra isso o Dt estabelece a mediação do ‘profeta como Moisés’ (v.15-22; cf. Ex 20,18-21), a cuja palavra, pronunciada em nome de Deus, o israelita deve obedecer”. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 217).
É interessante que, neste momento, venhamos a dizer alguma coisa sobre profeta. Buscaremos as informações com Dr. Severino Celestino, que nos diz:
A palavra profeta, em hebraico, significa “Navi”, no plural, “Neviim”. Apresenta ainda outros significados como “roê” (videntes). Veja I Samuel 9:9: “antigamente em Israel, todos os que iam consultar IAHVÉH assim diziam: vinde vamos ter com o vidente (roê); porque aquele que hoje se chama profeta (navi), se chamava outrora vidente (roê)”.
A palavra vidente, em hebraico, também significa (chozê), pois, consultando o texto original, encontramos citações que usam o termo (roê) sendo que outras citam (chozê), como veremos adiante. O vidente era, portanto, o homem a ser interrogado quando se queria consultar a Deus ou a um espírito e sua resposta era considerada resposta de Deus.
O termo profeta chegou ao português, derivado do grego (???) “prophétes” que significa “alguém que fala diante dos outros”. No hebraico, o significado é bem mais amplo, possui uma raiz acádica que significa “chamar”, “falar em voz alta”, e interpretam-no como “orador, anunciador”. (Analisando as Traduções Bíblicas, pp. 259-260). (Grifos do original).
Dito isso, podemos agora concluir que Moisés não era totalmente contra o profetismo (mediunismo), apenas era contrário ao uso indevido que davam a essa faculdade. Podemos, inclusive, vê-lo aprovando a forma com que dois homens a faziam, conforme a seguinte narrativa em Nm 11, 24-30:
Moisés saiu e disse ao povo as palavras de Iahweh. Em seguida reuniu setenta anciãos dentre o povo e os colocou ao redor da Tenda. Iahweh desceu na Nuvem. Falou-lhe e tomou do Espírito que repousava sobre ele e o colocou nos setenta anciãos. Quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; porém, nunca mais o fizeram.
Dois homens haviam permanecido no acampamento: um deles se chamava Eldad e o outro Medad. O Espírito repousou sobre eles; ainda que não tivessem vindo à Tenda, estavam entre os inscritos. Puseram-se a profetizar no acampamento. Um jovem correu e foi anunciar a Moisés: “Eis que Eldad e Medad”, disse ele, “estão profetizando no acampamento”. Josué, filho de Nun, que desde a sua infância servia a Moisés, tomou a palavra e disse: “Moisés, meu senhor, proíbe-os!” Respondeu-lhe Moisés: “Estás ciumento por minha causa? Oxalá todo o povo de Iahweh fosse profeta, dando-lhe Iahweh o seu Espírito!” A seguir Moisés voltou ao acampamento e com ele os anciãos de Israel.
Fica claro, então, que pelo menos duas pessoas faziam dignamente o uso da faculdade mediúnica (profeta), daí Moisés até desejar que todos fizessem como eles.
Outro ponto importante que convém ressaltar é a respeito da palavra Espírito, que aparece inúmeras vezes na Bíblia. Mas afinal o que é Espírito? Hoje sabemos que os espíritos são as almas dos homens que foram desligadas do corpo físico, pelo fenômeno da morte. Assim, podemos perfeitamente aceitar que fora às vezes que atribuem essa palavra ao próprio Deus, todas as outras estão incluídas nessa categoria.
Tudo, na verdade, não passava de manifestações dos espíritos, que muitas vezes eram tomados à conta de deuses, devido a ignorância da época, coisa absurda nos dias de hoje.
Isso fica tão claro que podemos até mesmo encontrar recomendações de como nos comportar diante deles, para sabermos suas verdadeiras intenções. Citamos: “Amados, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus,…” (1 Jo 4, 1).
Disso pode-se concluir que era comum, àquela época, o contato com os espíritos. De fato, já que podemos confirmar isso com o Apóstolo dos gentios, que recomendou sobre o uso dos “dons” (mediunidade), conforme podemos ver em sua primeira carta aos Coríntios (cap. 14). Nela ele procura demonstrar que o dom da profecia é superior ao dom de falar em línguas (xenoglossia), pois não via nisso nenhuma utilidade senão quando, juntamente, houvesse alguém com o dom de interpretá-las.
Ao lado dos espíritos, também vemos inúmeras manifestações do demônio. Sobre ele, encontramos a seguinte informação, citada pela Dra. Edith Fiore, sobre o pensamento do historiador hebreu Flávio Josefo: “Os demônios são os espíritos dos homens perversos” (Possessão Espiritual, p. 29). Com isso as manifestações espirituais se ampliam, pois agora se nos apresentam os demônios como espíritos de seres humanos desencarnados, ficando, portanto, provado que a Bíblia está repleta de fenômenos mediúnicos. Onde há mediunidade haverá, conseqüentemente, manifestação espiritual, pouco importa a denominação que venha se dar aos que se apresentam aos encarnados,por essa via.
Vejamos, então, um caso específico relatado sobre uma consulta aos mortos. Chamamos a sua atenção para o motivo da consulta, que não poderá passar despercebido, visto o termos citado como uma das causas da proibição de Moisés. Leiamos:
Samuel tinha morrido. Todo o Israel participara dos funerais, e o enterraram em Ramá, sua cidade. De outro lado, Saul tinha expulsado do país os necromantes e adivinhos. Os filisteus se concentraram e acamparam em Sunam. Saul reuniu todo o Israel e acamparam em Gelboé. Quando viu o acampamento dos filisteus, Saul teve medo e começou a tremer. Consultou a Javé, porém Javé não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pela sorte, nem pelos profetas. Então Saul disse a seus servos: “Procurem uma necromante, para que eu faça uma consulta”. Os servos responderam: “Há uma necromante em Endor”. Saul se disfarçou, vestiu roupa de outro, e à noite, acompanhado de dois homens, foi encontrar-se com a mulher. Saul disse a ela: “Quero que você me adivinhe o futuro, evocando os mortos. Faça aparecer a pessoa que eu lhe disser”. A mulher, porém, respondeu: “Você sabe o que fez Saul, expulsando do país os necromantes e adivinhos. Por que está armando uma cilada, para eu ser morta?” Então Saul jurou por Javé: “Pela vida de Javé, nenhum mal vai lhe acontecer por causa disso”. A mulher perguntou: “Quem você quer que eu chame?” Saul respondeu: “Chame Samuel”. Quando a mulher viu Samuel aparecer, deu um grito e falou para Saul: “Por que você me enganou? Você é Saul!” O rei a tranqüilizou: “Não tenha medo. O que você está vendo?” A mulher respondeu: “Vejo um espírito subindo da terra”. Saul perguntou: “Qual é a aparência dele?” A mulher respondeu: “É a de um ancião que sobe, vestido com um manto”. Então Saul compreendeu que era Samuel, e se prostrou com o rosto por terra. Samuel perguntou a Saul: “Por que você me chamou, perturbando o meu descanso?” Saul respondeu: “É que estou em situação desesperadora: os filisteus estão guerreando contra mim. Deus se afastou de mim e não me responde mais, nem pelos profetas, nem por sonhos. Por isso, eu vim chamar você, para que me diga o que devo fazer”. Samuel respondeu: “Por que você veio me consultar, se Javé se afastou de você e se tornou seu inimigo? Javé fez com você o que já lhe foi anunciado por mim: tirou de você a realeza e a entregou para Davi. Porque você não obedeceu a Javé e não executou o ardor da ira dele contra Amalec. É por isso que Javé hoje trata você desse modo. E Javé vai entregar aos filisteus tanto você, como seu povo Israel. Amanhã mesmo, você e seus filhos estarão comigo, e o acampamento de Israel também: Javé o entregará nas mãos dos filisteus”. (1Sm 28,3-19)
Inicialmente, se diz que Saul consultou a Javé, como não obteve resposta, resolveu então procurar uma necromante para que, pessoalmente , pudesse consultar-se com um espírito. Isso foi o que dissemos sobre uma das razões da proibição de Moisés. Saul diante da necromante foi taxativo: quero que adivinhe o futuro evocando um morto. Aqui é o próprio rei que vai consultar-se com um morto, pelo motivo de querer saber o futuro. Se os mortos nunca tivessem revelado o futuro, estaria o rei numa situação ridícula dessa?
Mas Saul não desejava consultar-se com qualquer um espírito, queria especificamente a presença de Samuel. Após a evocação da mulher, o relato confirma que a necromante viu Samuel-espírito aparecer. Sem margem a nenhuma dúvida. Quando descreve o que vê o próprio Saul reconhece ser o profeta Samuel que estava ali. Fato confirmado, pela indubitável afirmativa de que foi o próprio Samuel quem fez uma pergunta a Saul. Após a resposta de Saul, novamente, Samuel responde ao que veio o rei saber.
Algumas Bíblias ao invés de “vejo um espírito subindo da terra” traduzem por “vejo um deus subindo da Terra”. A frase dessa maneira nos é explicada:
“A palavra hebraica para significar Deus, também designa os seres supra-humanos e, como neste caso, o espírito dos mortos. Havia a convicção de que os espíritos dos mortos estavam encerrados no sheol, e este se situaria algures por baixo da terra” (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 392).
Com isso, fica fácil entender por que Saul, após certificar-se de que Samuel-espírito estava ali, se prostra diante dele (v. 14). Atitude própria de quem endeusava os espíritos e, conforme já o dissemos anteriormente, esse foi um dos motivos pelo qual Moisés proibiu a comunicação com os mortos.
A frase “Javé fez com você o que já lhe foi anunciado por mim” tem a seguinte tradução em outras Bíblias: “O Senhor fez como tinha anunciado pela minha boca”, do que podemos concluir que naquele momento não estava falando pela sua boca, usava a boca da mulher, pela qual confirmou o que tinha falado a Saul quando vivo, não deixando então nenhuma dúvida que era mesmo Samuel-espírito quem estava ali. Estamos dizendo isso, porque com algumas interpretações distorcidas, bem à moda da casa, querem insinuar que quem se manifestou foi o demônio. A isso, poderemos, além do que já dissemos, colocar para corroborar nosso pensamento uma explicação dada a 28,15-19:
O narrador, embora não aprove o proceder de Saul e da mulher (v. 15), acredita que Samuel de fato apareceu e falou com Saul: isso Deus podia permitir. Logo, não é preciso pensar em manobra fraudulenta da mulher ou em intervenção diabólica…. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 330).
Por outro lado, ninguém conseguirá provar que em algum lugar da Bíblia está dizendo que os demônios aparecem no lugar dos espíritos evocados. Assim, de modo claro e inequívoco, temos essa questão de que não são os demônios como definitivamente resolvida. Não bastasse isso, a própria Bíblia confirma o ocorrido quando falando a respeito de Samuel está dito: “Mesmo depois de sua morte, ele profetizou, predizendo ao rei o seu fim. Mesmo do sepulcro, ele levantou a voz, numa profecia, para apagar a injustiça do povo”. (Eclo 46,20). Sabemos que os protestantes não possuem esse livro, mas como os católicos também afirmam que sua Bíblia não contém erros, pegamos a deles para a confirmação dessa ocorrência.
Ao que parece, a consulta aos mortos era fato tão corriqueiro, que, às vezes, era esperada, conforme podemos ver em Isaías:
“Quando disserem a vocês: ‘Consultem os espíritos e adivinhos, que sussurram e murmuram fórmulas; por acaso, um povo não deve consultar seus deuses e consultar os mortos em favor dos vivos?’, comparem com a instrução e o atestado: se o que disserem não estiver de acordo com o que aí está, então não haverá aurora para eles”. (Is 8,19-20).
Isaías até sabia o que iriam dizer, realidade da época, com certeza. Quanto à expressão seus deuses, explicam-nos que equivale a os espíritos dos antepassados (Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria, pág. 950). O que vem reforçar a justificativa para a proibição de Moisés, que buscava fazer o povo hebreu aceitar o Deus único. Interessante que essa passagem irá nos remeter a uma outra, que fala exatamente dos antepassados, como uma explicação que nos ajudará a entendê-la. Vejamo-la:
“Consulte as gerações passadas e observe a experiência de nossos antepassados. Nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossos dias são como sombra no chão. Os nossos antepassados, no entanto, vão instruí-lo e falar a você com palavras tiradas da experiência deles”. (Jó 8,8-10).
Considerando que à época não se tinha muita coisa escrita, e se tivesse talvez pouco adiantaria, pois poucos sabiam ler, só poderemos entender essa passagem como sendo uma consulta direta às gerações passadas. O que em bom Português significa que isso ocorria através da consulta aos seus deuses, em outras palavras, aos espíritos dos antepassados, que pessoalmente viam transmitir suas experiências. É notável que exatamente isso que está ocorrendo nos dias de hoje com os Espíritos, que, mesmo sem que tenham sido evocados para serem consultados, vêm livremente, com a permissão de Deus, é claro, nos passar as suas experiências pessoais, para que possamos aprender com elas, de modo que podemos evitar erros já cometidos por ignorância das leis divinas.
Uma coisa nós podemos considerar. Se ocorriam manifestações naquela época, por que não as aconteceria nos dias de hoje? Veremos agora a mais notável de todas as manifestações de espíritos que podemos encontrar na Bíblia, pois ela acontece, nada mais nada mesmos do que, com o próprio Cristo. Leiamos:
Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus:
“Senhor, é bom ficarmos aqui. Se quiseres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.” Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz.” Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantem-se, e não tenham medo.” Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.(Mt 17,1-9).
Ocorrência inequívoca de comunicação com os mortos, no caso, os espíritos Moisés e Elias conversam pessoalmente com Jesus. E aí afirmamos que se fosse mesmo proibida por Deus, Moisés-espírito não viria se apresentar a Jesus e seus discípulos, já que foi ele mesmo, quando vivo, quem informou dessa proibição, e nem Jesus iria infringir uma lei divina. Portanto, a proibição de Moisés era apenas uma proibição particular sua ou de sua legislação de época. Os partidários do demônio ficam sem saída nessa passagem, pois não podem afirmar que foi o demônio quem apareceu para eles, já que teriam que admitir que Jesus foi enganado pelo “pai da mentira”.
Podemos ainda ressaltar que, depois desse episódio, Jesus não proibiu a comunicação com os mortos, só disse aos discípulos para não contassem a ninguém sobre aquela “sessão espírita”, até que acontecesse a sua ressurreição. E se ele mesmo disse: “tudo que eu fiz vós podeis fazer e até mais” (Jo 14,12) os que se comunicam com os mortos estão seguindo o exemplo de Jesus. Os cegos até poderão ficar contra, mas os de mente aberta não verão nenhum mal nisso.
Já encontramos pessoas que, querendo fugir do inevitável, afirmaram que Moisés e Elias não morreram, foram arrebatados. A coisa é tão séria, que, no afã de se justificarem, desvirtuam a realidade mudando até mesmo narrativas bíblicas, pois, até onde sabemos, existe a passagem falando da morte e sepultura de Moisés, o que poderá ser comprovado em Dt 34,5-8. Quanto a Elias é que se diz ter sido arrebatado. Acredite quem quiser. Mas o que faremos com o corpo físico na dimensão espiritual? “O espírito é que dá vida a carne de nada serve” (Jo 6,63), “a carne e o sangue não podem herdar o reino do céu” (1Cor 15,50). São passagens que contradizem peremptoriamente um suposto arrebatamento de Elias de corpo e alma.
Por várias vezes, Jesus apresentou a seus discípulos ensinamentos por meio de parábolas. Há uma que poderemos citar, pois nela encontramos algo que irá nos auxiliar no entendimento daquilo que propomos. Vejamos:
Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino, e dava banquete todos os dias. E um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava caído à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E ainda vinham os cachorros lamber-lhe as feridas. Aconteceu que o pobre morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. Morreu também o rico, e foi enterrado. No inferno, em meio aos tormentos, o rico levantou os olhos, e viu de longe Abraão, com Lázaro a seu lado. Então o rico gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque este fogo me atormenta’. Mas Abraão respondeu: ‘Lembre-se, filho: você recebeu seus bens durante a vida, enquanto Lázaro recebeu males. Agora, porém, ele encontra consolo aqui, e você é atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, nunca poderia passar daqui para junto de vocês, nem os daí poderiam atravessar até nós’. O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não acabem também eles vindo para este lugar de tormento’. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas: que os escutem!’ O rico insistiu: ‘Não, pai Abraão! Se um dos mortos for até eles, eles vão se converter’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se eles não escutam a Moisés e aos profetas, mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos’. (Lc 16,19-31).
Poderemos tirar várias reflexões dessa parábola, mas nos restringiremos ao assunto deste estudo. Uma pergunta nos vem à mente: se não acreditassem na comunicação entre os dois planos, por que então o rico pede a Abraão para enviar Lázaro para alertar a seus irmãos? Da análise da resposta de Abraão podemos dizer que há a possibilidade da comunicação, entretanto, ela é completamente inútil, pois se nem aos vivos as pessoas deram ouvidos, que dirá aos mortos. Fato incontestável, que vem acontecendo até nos dias de hoje, já que a grande maioria prefere ignorar a comunicação dos mortos, que vêm nos alertar para que transformemos as nossas ações, de modo que beneficiem ao nosso próximo, a fim de evitar que, depois da morte física, tenhamos que ir para um lugar de tormentos.
A expressão “mesmo que um dos mortos ressuscite” significa que mesmo que algum dos mortos ressuscite na sua condição espiritual, para se comunicar, que eles não se convenceriam. Mas alguém pode objetar dizendo que esse texto implica na necessidade de uma ressurreição corpórea para que ocorra esta comunicação. Isto é um subterfúgio, já que na própria Bíblia encontramos indícios de que o termo ressurreição também era usado para indicar a influência dos mortos sobre os vivos, conforme podemos confirmar no seguinte passo: “Alguns diziam: ‘João Batista ressuscitou dos mortos. É por isso que os poderes agem nesse homem’”. (Mt 14,2; Mc 6,14).
Quem já teve a oportunidade de ler a Bíblia, pelo menos uma vez, percebe que ela está recheada de narrativas com aparições de anjos. Na ocasião da ressurreição de Jesus algumas delas nos dão conta do aparecimento, junto ao sepulcro, de “anjos vestidos de branco” (Jo 20,12; Mt 28,2), enquanto que outras nos dizem ser “homens vestidos de branco” (Lc 24,4; Mc 16,5). Demonstrando que anjos, na verdade, são espíritos humanos de pessoas desencarnadas. Até mesmo os nomes dos anjos são nomes dados a seres humanos: Gabriel, Rafael, Miguel, etc. Vejamos se isso é coerente.
Nesse tempo, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja, e mandou matar à espada Tiago, irmão de João. Vendo que isso agradava aos judeus, decidiu prender também Pedro. Eram os dias da festa dos pães sem fermento. Depois de o prender, colocou-o na prisão e o confiou à guarda de quatro grupos de quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentar Pedro ao povo logo depois da festa da Páscoa. Pedro estava vigiado na prisão, mas a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele. Herodes estava para apresentar Pedro. Nessa mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados. Estava preso com duas correntes, e os guardas vigiavam a porta da prisão. De repente, apareceu o anjo do Senhor, e a cela ficou toda iluminada. O anjo tocou o ombro de Pedro, o acordou, e lhe disse: “Levante-se depressa.” As correntes caíram das mãos de Pedro. E o anjo continuou: “Aperte o cinto e calce as sandálias.” Pedro obedeceu, e o anjo lhe disse: “Ponha a capa e venha comigo.” Pedro acompanhou o anjo, sem saber se era mesmo realidade o que o anjo estava fazendo, pois achava que tudo isso era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão se abriu sozinho. Eles saíram, entraram numa rua, e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei que o Senhor de fato enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu queria me fazer.” Pedro então refletiu e foi para a casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muitos se haviam reunido para rezar. Bateu à porta, e uma empregada, chamada Rosa, foi abrir. A empregada reconheceu a voz de Pedro, mas sua alegria foi tanta que, em vez de abrir a porta, entrou correndo para contar que Pedro estava ali, junto à porta. Os presentes disseram: “Você está ficando louca!” Mas ela insistia. Eles disseram: “Então deve ser o seu anjo!” Pedro, entretanto, continuava a bater. Por fim, eles abriram a porta: era Pedro mesmo. E eles ficaram sem palavras. (At 12,1-16).
Com a prisão de Pedro, por Herodes, todos já esperavam que aconteceria com ele o mesmo destino de Tiago, seria morto. Mas um anjo o solta. Ele se dirige à casa onde os outros estavam reunidos, bate à porta. Rosa, que atende a porta, reconhece a voz de Pedro, espavorida corre para dentro a fim de contar aos outros. Entretanto, como supunham que Pedro havia morrido disseram a ela: “Então deve ser o seu anjo”. Isso vem dizer exatamente o que estamos querendo concluir, que anjo, na verdade, é um espírito de um ser humano que morreu, o que não contradiz a narrativa, antes ao contrário, lhe é extremamente coerente.
Conclusão
Ao que podemos concluir, sem sombra de dúvidas, é que realmente a comunicação com os mortos está comprovada pela Bíblia, por mais que se esforcem em querer tirar dela esse fato.
Apenas para reforçar tudo o quanto já dissemos do que encontramos na Bíblia, poderemos ainda enumerar as pesquisas que estão sendo realizadas sobre a comunicação dos espíritos por aparelhos eletrônicos: a Transcomunicação Instrumental – TCI. Buscamos comprovar com isso que, conforme o dissemos no início, tais ocorrências, são de ordem natural, dentro, portanto, das leis da natureza, que acontecem até os dias de hoje e que elas vêm despertando grande interesse por parte de inúmeros pesquisadores descompromissados com dogmas religiosos.
A pesquisadora Sonia Rinaldi, em seu livro Espírito – O desafio da Comprovação, traz gravações de vozes paranormais. Muitas possuem a particularidade de terem sido gravadas também, e simultaneamente, no lado reverso da gravação normal. Isso vem colocar as coisas num nível bem próximo da prova científica, pois ainda não existe tecnologia humana para produzir gravações desse tipo. Resta-nos esperar que cientistas, menos compromissados com dogmas religiosos, se disponham a realizar essas pesquisas com o rigor científico, com todo o controle e instrumentação técnica necessária para se chegar a uma conclusão final e definitiva.
Agosto/2004.
Referências bibliográficas:
Bíblia de Jerusalém, 1ª ed. São Paulo: Paulus, 2002.
Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, s/e. São Paulo: Paulus, 1990.
Bíblia Sagrada, 5ª ed. Aparecida-SP: Santuário, 1984.
Bíblia Sagrada, 8ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1989.
Bíblia Sagrada, 68ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1989
FIORE, E., Possessão Espiritual, São Paulo: Pensamento, 1995.
MONLOUGOU L.; DU BUIT, F.M. Dicionário Bíblico Universal, Aparecida-SP: Santuário; Petrópolis-RJ: Vozes, 1996.
RINALDI, S. Espírito – O desafio da Comprovação. São Paulo: Elevação, 2000.