domingo, 22 de novembro de 2015




Dúvidas comuns sobre a espiritualidade dos animais


Entrevista com Ricardo Luiz Capuano- Médico veterinário.
Procuramos através deste pequeno questionário esclarecer as dúvidas mais frequentes em relação à espiritualidade dos animais, tendo como base as obras de Allan Kardec, Chico Xavier, Marcel Benedeti e outros grandes autores espíritas.
Cachorro Espiritual
Pergunta 1 – Os animais têm alma?
Resposta: Sim. Considerando que a inteligência é um dos atributos essenciais do espírito, tão importante que um se confunde com o outro, podendo até serem considerados a mesma coisa e como os animais agem demonstrando Inteligência Racional ou não Racional (na forma de instintos), eles possuem um principio independente da matéria que sobrevive ao corpo e pode ser considerado seu espírito e quando encarnado sua alma.
Justificativas:
 L. dos Espíritos – Pergunta 24 – A inteligência é um atributo essencial do espírito um e outro, porem, se confundem num principio comum, de sorte, que para vós, são a mesma coisa.”
L. dos Espíritos – Pergunta 73 – “O instinto é uma espécie de inteligência. É uma inteligência sem raciocínio”.
L. dos Espíritos – Pergunta 597 – “Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação. Haverá neles algum principio independente da matéria? – Há e que sobrevive ao corpo”.
Pergunta 2 – A alma dos animais difere da alma dos humanos?
Resposta: – Não, no sentido de sua origem. A alma dos humanos e dos animais só estão em fases evolutivas diferentes, onde as almas humanas tem uma aquisição muito maior.
Justificativas:
 L. dos Espíritos – Pergunta 540 – “Tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo.”
L. dos Espíritos – Pergunta 606-A  “Então emanam de um único principio a inteligência do homem e dos animais? Sem duvida.”
Pergunta 3 – O que acontece com os animais ao desencarnarem?
Resposta: – Quando os animais desencarnam seu espírito é recebido por espíritos  incumbidos de tutelá-los no mundo espiritual. Ele é curado de suas enfermidades (muito mais rápido que os humanos) e é logo reconduzido para animar novos seres. Alguns animais, por suas características próprias e valores adquiridos servem ao homem também no mundo espiritual. Vemos, pois, cães, aves, e outros animais que são descritos nas obras espíritas, mas não são espíritos errantes, pois não possuem essa liberdade. Os espíritos dos animais no mundo espiritual ficam sob a tutela dos humanos, que se incumbem deles.
Justificativas:
 L. dos Espíritos – Pergunta 600 – “A alma do animal depois da morte é classificado pelos espíritos a quem incumbe essa tarefa e é utilizado quase imediatamente.”
L. dos Médiuns – Pergunta 283 – “Depois da morte do animal o principio inteligente que nele havia se acha em estado latente e é logo utilizado, por Espíritos incumbidos disso, para animar novos seres, em os quais continua a obra de sua elaboração, assim , no mundo dos espíritos não há errantes Espíritos de animais, porem unicamente Espíritos humanos.”
Nosso Lar – André Luiz – ”Aves de plumagens policromas cruzavam os ares e de quando em quando pousavam agrupadas nas torres muitas alvas…”
                “Os cães são auxiliares preciosos nas regiões escuras do Umbral”
                “Animais que mesmo de longe pareciam iguais aos muares terrestres”
Pergunta 4 – Se os animais reencarnam eles evoluem como nós humanos?
Resposta: Os animais evoluem, mas não como nós, eles evoluem pela “força das coisas”, ou seja, por situações que são alheias a sua vontade. Como ainda não têm um livre arbítrio desenvolvido igual aos humanos à maioria das situações de aprendizado são motivadas por forças externas a sua vontade.
Deste modo os animais não tem que expiar suas dívidas, apenas aprender com suas experiências. O termo por “força das coisas” refere-se às organizações de Espíritos superiores agindo sobre os animais, que não poderiam se conduzir por si mesmos.
Justificativas:
 L. dos Espíritos – Pergunta 602 – “Os animais progridem como o homem, por ato da própria vontade, ou pela força das coisas? – Pela força das coisas, razão por que não estão sujeitos à expiação.”
Revista Espírita março de 1864 – “Há uma lei geral que rege os seres da criação, animados ou inanimados; é a lei do progresso. Os espíritos estão submetidos a ela pela força das coisas.”
Programa “Alma Querida” – Adão Nonato- “Os animais evoluem dentre as espécies até se aproximarem do homem, é pelo contato com o ser humano, que os animais irão fazer sua evolução para humanizar-se.”
Pergunta 5: Os animais sentem dor? Possuem sentimentos?
Resposta: Sim e cada vez mais a ciência vem confirmando esses fatos que aquelas pessoas que convivem com os animais nunca tiveram dúvida.
Justificativas:
“Lato, logo existo” – O Estado de São Paulo – 217\2012 – “Ante evidências de que os animais têm consciência e sofrem é hora de o homem tratá-los com respeito”…,…“Com o respaldo de uma década e meia de estudos do fenômeno da consciência, do comportamento animal, da rede neural, da genética e da anatomia do cérebro, cada vez mais refinado por novas tecnologias de investigação, concluiu-se que as estruturas nervosas ativadas no cérebro de um bicho assemelha-se às de um humano quando também sente prazer, medo, dor e até piedade.”
Mandato de Amor – Chico Xavier  “Quem ignora que a vaca sofre imensamente a caminho do matadouro? Quem duvida que minutos antes do golpe fatal, os bovinos derramam lágrimas de angústia? “
Qual sua Dúvida para o tema “A Espiritualidade dos Animais” – Marcel Benedeti – “Os animais, assim como nós, possuem sistema nervoso que serve para fornecer informações sobre o meio ambiente em que está . . .A dor que é uma interpretação desse sistema corporal, serve para indicar a presença de perigo ou risco para sua sobrevivência”
Pergunta 6 – Por que os animais sofrem tanto?
                Resposta: Os animais sofrem, não para compensar ou resgatar seus erros, pois seu livre arbítrio é muito restrito, mas sofrem para que sua consciência se expanda e alcancem maior conhecimento.
Justificativas:
 Léon Denis – “Todos os seres têm de passar pelo sofrimento. Sua ação é benfazeja…,… O sofrimento é, de modo geral, como agente de desenvolvimento, condição de progresso.”
Qual sua Dúvida para o tema “A Espiritualidade dos Animais” – Marcel Benedeti – “À medida que os Espíritos na condição animal, por exemplo, expandem sua consciência pela dor, expandem também sua condição de desenvolver sentimentos relacionados ao amor ao próximo, tornando –os aptos a entrar em outra faixa evolutiva: a humanidade.”
 Emanuel – Chico Xavier – “Nem sempre o sofrimento está atrelado ao resgate do passado, mas toda a vivencia atrelada ao sofrimento leva ao aprendizado.”
Pergunta 7: Como os animais reencarnam com certa rapidez é possível que retornem para a mesma família?
Resposta: Sim, e até muito provável que durante o percurso de nossa vida carnal, que é bem mais longa que a da maioria dos animais de estimação, reencontremos amigos que desencarnaram e que se apresentam em novos corpos para continuarem seu aprendizado a nosso lado.
Justificativas:
Qual sua Dúvida para o tema “A Espiritualidade dos Animais” – Marcel Benedeti – “Os animais principalmente os domésticos, aprendem conosco, que somos, além de irmãos, seus professores. Durante o tempo em que permanecem conosco, passam por várias experiências, como encarnados, e quando já for o suficiente, provavelmente ele reencarnará em outra família e em outra localidade onde aprenderá coisas que não podemos oferecer. Mas em geral retornam varias vezes ao mesmo lar.”
 Emanuel – Chico Xavier – “Chico, pare e preste atenção neste cãozinho. É o Dom Pedrito que está voltando para você!”
A Questão Espiritual dos animais – Irvênia Prada – “A reencarnação pode favorecer o reencontro afetivo entre animais e homens para continuarem juntos o aprendizado de amor”
Pergunta 8: Se os animais evoluem, eles um dia se tornarão humanos?
Resposta: Sim, como já foi comentado, a evolução se dá do “Átomo ao Arcanjo”,  assim a alma passa por uma evolução constante, cada vez galgando um degrau mais elevado. Tudo depende do aprendizado e chegará uma hora que os animais adentrarão no reino hominal, assim como o homem evoluindo se tornará um dia um arcanjo.
Justificativas:
A Gênese – Allan Kardec – “Todas as almas têm a mesma origem e são destinadas ao mesmo fim. A todos o Supremo Senhor proporciona os mesmos meios de progresso, a mesma luz, o mesmo amor.”
A Gênese – Allan Kardec – “A alma dos animais segue uma lei progressiva como a alma humana; e que o Princípio Inteligente de que são dotados (…) finalmente estes passarão um dia do reino animal para o reino hominal.”
Programa “Alma Querida” – Adão Nonato- “Os animais evoluem dentre as espécies até se aproximarem do homem, é pelo contato com o ser humano, que os animais irão fazer sua evolução para humanizar-se.”
Revista Espírita – Março de 1860 – “Pode (um animal) aperfeiçoar-se a ponto de se tornar um Espírito Humano? – Ele pode, mas depois de passar por muitas existências animais, seja no nosso planeta terrestre, seja em outros.”
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“Nossos benfeitores espirituais nos esclarecem que é preciso que todos consideremos que os animais diversos, a nós rodearem a existência de seres humanos em evolução no planeta Terra, são nossos irmãos menores, desenvolvendo em si mesmo o próprio princípio inteligente.(…) Eles, os animais aspiram ser, num futuro distante, homens e mulheres inteligentes e livres. Assim sendo, nós podemos nos considerar como irmãos mais velhos e o mais experimentado dos animais. (…) Tudo isso se resume em graves responsabilidades para os seres humanos; a angústia, o medo e o ódio que provocamos nos animais lhe altera o equilíbrio natural de seus princípios espirituais, determinando ajustamentos em posteriores existências (…) A responsabilidade maior recairá sempre nos desvios de nós mesmos, que não soubemos guiar os animais no caminho do Amor e do Progresso, seguindo a Verdade de Deus” – Chico Xavier – Mandato de Amor.
Foto do autor
    Autor: Ricardo Luiz Capuano- Médico veterinário- Apresentador do programa    “Nossos Irmãos Animais” e do quadro “Consciência Animal” na Radio Boa Nova – Colaborador da Mundo Maior Editora – E-mail:r.l.c@ig.com.br – Site: www.wix.com\vetsantoestavão\clinica

Sexo, Espiritualidade e Espiritismo


Parece que nunca a relação entre sexo e espiritualidade tem sido tão discutida pelas diferentes vertentes espirituais, religiosas e esotéricas do mundo. Para termos uma visão do tema dentro da perspectiva espírita, conversamos com Wladimir Lisso, diretor da área de Assistência Espiritual FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo).

Segundo nos explicam os especialistas no assunto, quando as primeiras manifestações espirituais surgiram ou se desenvolveram em nossa civilização, elas estavam diretamente relacionadas com os ciclos da natureza e da terra da fertilidade. Nas chamadas religiões pagãs, o aspecto sexual estava presente nos rituais, mas em tempos mais recentes várias religiões cristãs, como o catolicismo, esconderam ou evitaram as questões relacionadas a sexo.
Hoje em dia, com o sexo sendo apresentado em todo lugar e com uma espécie de “retorno” das “religiões pagãs”, a discussão voltou a estar na linha de frente das questões ligadas à espiritualidade. E não seria diferente com o Espiritismo, que discute a questão abertamente há muito tempo.
Wlademir Lisso, que recentemente publicou seu livro ”Temas Atuais na Visão Espírita Volume I”, é um dos pesquisadores e estudiosos que vem discutindo o tema em profundidade. A seguir, ele responde a algumas perguntas elaboradas pela Espiritismo & Ciência.
Qual a relação entre sexo e espiritualidade?Uma das dificuldades que o espírita enfrenta no entendimento do sexo está na visão espírita do conceito de sexualidade, que assume dimensões universais, pois define a força sexual como sendo a base de criação do Espírito em todos os planos de vida.
A ignorância leva à concentração da idéia de sexualidade apenas na sua manifestação no ato sexual, do ponto de vista biológico, restringindo a um comportamento específico a função cósmica da sexualidade como força criadora do Espírito.
Em “O Livro dos Espíritos”, em resposta à questão “Os espíritos têm sexo?”, os Espíritos esclarecem: “Não como entendeis, porque o sexo dependem da constituição orgânica...” Os Espíritos se referem à citada visão limitada de sexo que desenvolvemos quando encarnados, concentrada no ato biológico, tendo em vista que assume preponderância o erotismo – parte das forças sexuais manifestada no fluido vital. Entretanto, à luz da Doutrina Espírita, “a obra do universo é filha de Deus. O sexo, portanto, como qualidade positiva ou passiva dos princípios e dos seres, é manifestação cósmica em todos os círculos evolutivos, até que atinjamos o campo da harmonia perfeita, onde essas qualidades equilibram-se no seio da divindade” (Missionários da Luz, André Luiz).O condicionamento criado pela mídia nos leva a situar o sexo exclusivamente nos órgãos sexuais. Entretanto, o sexo nesse sentido restrito é apenas uma das inúmeras manifestações da energia sexual, que “... é princípio universal e acha-se inserido em toda a manifestação do universo” (Missionários da Luz, André Luiz).As forças sexuais são a base da criação do Espírito em todos os planos da vida e em todos os períodos de desenvolvimento da matéria orgânica durante a reencarnação.Determinam não só os trabalhos em geral, as obras de todos tipos (artísticas, científicas, sociais etc), como também a permuta de forças positivas entre seres que se amam, através da atuação da lei de sintonia que, a partir dos sentimentos afins, estabelece a ligação entre os seres por exteriorização nas ondas mentais e, conseqüentemente, na ação. O ato sexual, do ponto de vista biológico é apenas uma das formas de sua manifestação.
Como se dá a união entre o sexo e a espiritualidade? Quando estamos nos referindo ao sexo ato biológico que liga dois seres como decorrência da atração gerada pela libido sexual, ou até por outras razões, como ocorre no caso de prostituição, é importante para nós espíritas estabelecermos que o ato em si é apenas uma das manifestações da sexualidade.Fundamental desmistificar o sexo que significa “... o esforço para compreender a força sexual, a fim de usá-la com dignidade e proveito próprio” (Amor, Casamento & Família, Jaci Régis), tal significando que o equilíbrio virá quando conseguirmos finalmente exteriorizar, através do ato sexual, apenas o amor que já sentimos em relação ao parceiro ou parceira; sendo que, no momento atual, na maioria dos casos o que impulsiona o ato sexual é a satisfação de paixões de natureza física, a partir de um “jogo” de exteriorizações entre parceiros que, geralmente, não correspondem a uma realidade fundamentada nos sentimentos que cultivam no seu campo do “sentir”.
A idéia de que as mulheres usam o sexo para conseguir amor e os homens usam o amor para conseguir sexo, mostra bem as visões diferenciadas sobre a sexualidade, com o ato sexual gerando, em inúmeros casos, não um encontro de vibrações harmônicas que traria equilíbrio, inclusive espiritual, devido às trocas de fluidos positivos, mas uma “distonia” em que os sentimentos estão em conflito, embora aparentemente harmonizados no sexo biológico.Na visão espírita, sexo define-se como “... atributo não apenas respeitável, mas profundamente santo da natureza, exigindo educação e controle” (Vida e Sexo, Emmanuel).
Entenda-se que educação e controle significam o exercício das funções sexuais, entre as quais a biológica, dentro do princípio moral básico do “amar ao próximo como a nós mesmos”, refreando nossos impulsos e buscando os laços de afetividade e lealdade que devem estar presentes em todas as relações humanas, e principalmente na relação sexual que estabelecemos no nosso campo de vida.A manifestação da sexualidade – força criadora do Espírito – no ato sexual físico é a conseqüência dos sentimentos que movem o pensamento e a ação. São os sentimentos que encadeiam a atuação da lei de ação e reação, com suas características específicas que estabelecem os atenuantes e agravantes em todas as suas manifestações.
Por que o sexo foi tão perseguido por várias religiões ao longo da história?O sexo foi tratado de forma diferenciada pelas várias civilizações que predominaram ao longo de nossa história. Na Grécia antiga, havia uma visão mais liberal, inclusive no que se refere à homossexualidade, embora já se observasse nessa civilização o preconceito em relação aos homossexuais do sexo masculino que tinham trejeitos femininos.
No Ocidente, a religião que adquiriu predomínio na nossa era, o catolicismo se desenvolveu no sentido de manter os adeptos sob controle, e obviamente perceberam que o sexo envolvia um aspecto do ser humano no qual as falhas eram freqüentes.
Somente no século 19 teve início um movimento maior de maior liberação, quando o assunto começou a ser abordado na psicanálise. Contudo, em todo o mundo, até os anos 1950, ainda não se abordava o tema, sendo praticamente inexistente qualquer tipo de educação em família, até em países de maior evolução material como nos Estados Unidos.
Vimos as perseguições como uma forma utilizada para se manter o “pecador” sob controle, inclusive explorando suas tendências sexuais para a venda de benefícios como as indulgências, o que gerou – já que praticado pela religião predominante – um condicionamento cultural que ainda se observa até os nossos dias.Em que o sexo pode ajudar no desenvolvimento da espiritualidade? E em que o sexo pode prejudicar esse desenvolvimento?Conforme já dissemos antes, as forças sexuais são a base da criação do Espírito, e o ato sexual do ponto de vista biológico é apenas uma das formas de sua manifestação.
Nesse aspecto, todos os seres humanos são passíveis de cometer erros no exercício da sua sexualidade – sejam heterossexuais, homossexuais ou bissexuais -, de acordo com os sentimentos que os movem para a prática do sexo, que nada mais é do que a conseqüência da exteriorização do Espírito, através do cérebro, dos sentimentos que cultiva na sua base.
A ciência identifica no cérebro humano o principal órgão sexual. O Espiritismo concentra nas forças criadoras do Espírito todas as modificações que se observam no cérebro humano gerando as manifestações do sexo através dos órgãos sexuais.
Do ponto de vista espiritual, por exemplo, destacamos a infidelidade, que é a manifestação de um sentimento negativo através do pensamento e ação. É a satisfação do instinto primitivo de realização através da matéria de um desejo.
Isso leva o ser humano a mentir não somente para a esposa, mas também para os filhos e toda a família. Em face às leis divinas, isso encadeia o processo de reações negativas que, necessariamente, ensejam reajustes que podem se manifestar em vidas sucessivas de dor e sofrimento, nas quais a pessoa aprenderá o necessário respeito à dignidade humana, o que falta nas relações sociais em que existe a mentira, a dissimulação, a falsidade.
Embora se esteja diante de um comportamento que decorre do estágio evolutivo da humanidade espiritual que está ligada a um mundo de provas e expiações, como espíritas não podemos deixar de lado a necessidade de nos educar e educar as pessoas que estão caminhando conosco na existência, e a melhor forma para isso será sempre o exemplo de adequação do nosso comportamento às leis morais trazidas por Jesus ao cenário da Terra.
A prática do sexo, em todas as suas formas, há que vir da manifestação de sentimentos qualificados pelo amor, gerando respeito. Da mesma forma que representa poderosa ferramenta de evolução, também pode representar poderosa ferramenta na assunção de novas necessidades de reajustes entre Espíritos, face à Lei de Ação e Reação.
Por que algumas tendências espirituais optam pela castidade?A castidade envolve a sublimação do sexo, ou seja, o ato de redirecionar as forças sexuais criadoras para outras atividades que não a prática do ato biológico do sexo.
A sublimação, no sentido de se direcionar as forças sexuais para criações em outros planos, depende de educação; e é alternativa válida, não obrigatória, seja para heterossexuais ou homossexuais. Entretanto, trata-se de um processo de educação, já que temos as experiências desastrosas da sublimação imposta na religião gerando os estupros e a pedofilia por toda a parte.
A alternativa para a sublimação, em todos os casos, é o sexo praticamente com responsabilidade e respeito, seja heterossexual ou homossexual, já que, como cita André Luiz, não deixa de ser também uma fonte transitória de prazer, e todos temos o direito de sermos felizes, apesar das diferenças.O sexo relacionado à espiritualidade tem alguma diferença do sexo nas relações naturais do ser humano, no seu dia-a-dia?
Conforme já citamos, sexualidade é o móvel da criação em todos os planos de vida. Quando estamos interagindo com a matéria no corpo físico, nossa visão é limitada ao sexo do ponto de vista biológico.
No futuro, nossa evolução levará à eliminação da polaridade sexual – sexos diferentes – que, neste momento, é essencial para as experiências que necessitamos para nosso progresso. A diversidade que observamos neste momento, inclusive em sexualidade, tenderá a desaparecer quando tivermos no Espírito um único ser em equillíbrio energético.
Em O Espiritismo e os Problemas Humanos, os autores Deolindo Amorim e Hermínio Miranda observam que “... em espíritos de elevada condição evolutiva... não há mais predominância de uma polarização sobre a outra, e sim um redirecionamento na utilização da energia como um todo”.
À luz da Doutrina Espírita, a evolução da humanidade como um todo, levando nosso mundo para o plano de mundos regenerados, exige a erradicação dos grandes problemas que no momento constituem obstáculo à transição no campo do progresso. Regeneração virá quando a humanidade – no que diz respeito ao uso das forças sexuais –, conseguir direcioná–las para as realizações edificantes do ponto de vista espiritual, estabelecendo através de relações monogâmicas a atividade sexual, do ponto de vista biológico, fundamentada na sintonia entre os sentimentos mútuos daqueles que se unem para uma vida comum.A regeneração virá quando o direcionamento das forças sexuais, à luz dos princípios espíritas, eliminar do nosso plano de vida a prostituição– o que não depende somente das prostitutas, mas principalmente daqueles que delas se utilizam como se fossem as depositárias de suas paixões inferiores que não conseguem governar.A regeneração face ao sexo virá quando o ser humano vir nas crianças os Espíritos Encarnados – que realmente são -, que são colocados no nosso caminho não para seus corpos físicos serem usados na exploração sexual, mas para que se direcionem seus caminhos para a educação do Espírito, visando ao exercício das suas faculdades na construção da sua felicidade.
A masturbação exerce algum papel sob o ponto de vista espiritual?
A masturbação, vista no passado como ‘pecado’, gerando até em pessoas do sexo masculino “cintos” para evitar a prática, tem na atualidade uma visão diferenciada. Segundo os especialistas, é a forma de sexo mais praticada no mundo por homens e mulheres. Do ponto de vista espiritual, e por ignorância, citam-se processos de obsessão, com o que não concordamos absolutamente, por se tratar de manifestação da ‘fantasia’ que trazemos na memória.O fato é que em todas as manifestações do sexo – a própria ciência conclui -, o processo se inicia no cérebro – para nós, no Espírito – até se manifestar nos órgãos sexuais, e as formas do sexo.
A masturbação hoje é vista como forma de libertação de partículas orgânicas que, se não liberadas, podem até trazer prejuízos à saúde.
Como forma de sexo, cabem as mesmas regras para o sexo em geral, que são controle e equilíbrio na sua prática para que não se transforme em vício, gerando dispersão da força criadora espiritual.Qual é o papel da homossexualidade – masculina e feminina – neste quadro de desenvolvimento espiritual?Em matéria de preconceito, inicialmente, cumpre-se estabelecer sua definição, que consiste em opinião ou conceito formado antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos. É também julgamento ou opinião sem levar em conta argumentos contrários.
O preconceito manifesta-se na sociedade contemporânea sob diversas faces, entre elas as citadas em interessante obra “12 Faces do Preconceito”, de autores diversos, abordando mulheres, raças, idosos, obesidade, baixa estatura, anti-semitismo, deficientes, migrantes e, entre eles, preconceitos relacionados com sexo.
Geralmente, os preconceitos têm origem na nossa ignorância sobre a diversidade característica de um mundo de provas e expiações como o nosso. No nosso atual estágio de progresso, a diversidade gera diferenças de corpos, situações sociais, econômicas, regionais etc., tendo em vista as diferenças que existem em relação a graus evolutivos entre espíritos que formam nossa humanidade espiritual.
A igualdade se manifesta no processo da criação e as diferenças decorrem das várias fases do nosso progresso até que, em estágios de maior evolução, a semelhança entre espíritos acentua-se gradativamente pelo entendimento das Leis de Divinas e consciência da necessidade de seu cumprimento, estabelecendo uma rota única através do universo.
Preconceitos geram dor, sofrimento e reencarnações compulsórias em grupos de minoria, vítimas no passado da nossa ignorância, gerando a necessidade de educação e desenvolvimento da eqüidade nas relações humanas em geral.Diante de nossos semelhantes é forçoso admitir que não somos todos iguais, seja em relação ao Espírito, seja em relação à matéria. Entretanto, eqüidade significa essencialmente que, respeitadas as diferenças que existem entre os seres humanos, todos temos direitos iguais.Na visão espírita, a sexualidade assume dimensões universais, pois caracteriza a energia sexual como sendo a base de criação do Espírito em todos os planos da vida. Observamos presentes, na criança e no jovem, os sentimentos homofóbicos que geram perseguições e violência contra homossexuais e prostitutas, o que não se justifica a não ser pela nossa ausência de conhecimento.A ciência, em geral, busca explicações sobre a homossexualidade, sem encontrá–las seja na genética, na sociologia ou na psicologia.
Em relação à diversidade, é fundamental compreender o relacionamento com pessoas que sentem, pensam e se comportam de maneiras diversas das nossas, o que não significa que estejamos certos e as demais pessoas, erradas. Há sempre acertos e erros.Nos comportamentos diferenciados em relação ao sexo, lembremos a lição extraordinária de Emmanuel, convidando-nos a não “atirarmos a primeira pedra...”, pois “... não dispomos de recursos para examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria a Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão” (Vida e Sexo, Emmanuel).
O homossexualismo, longe de ser uma aberração, é uma forma de lapidação para o Espírito que se encontra incurso em determinado ângulo de reparação evolutiva da mesma.
A qualidade de vida de pessoas que vivem em grupos minoritários vai depender basicamente da educação dos grupos de maioria. Em matéria de homossexualismo, podemos dizer que a qualidade de vida dos homossexuais depende da educação dos heterossexuais.Aos Espíritas cabe negar os preconceitos sem medo. André Luiz, em “Sexo e Destino”, esclarece que: “... no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade no mesmo nível de dignidade humana...” Alerta que se trata de “erro lamentável supor que só a perfeita normalidade sexual, consoante as respeitáveis condições humanas, sendo possa servir de templo às manifestações afetivas”, e convida o indivíduo a fugir das aberrações e dos excessos que podem ser praticados, seja qual for a forma de comportamento sexual (heterossexualidade e homossexualidade), mas “... é imperioso reconhecer que todos os seres nasceram no universo para amarem e serem amados”.
Ninguém é homossexual porque quer ou aprendeu a ser. Ser diferente nem sempre é errado. Preconceito é sinônimo de ignorância.Reencarnações que visam à contenção de impulsos e práticas, principalmente quando de livre escolha do Espírito reencarnante, são manifestações de auto-consciência que buscam a harmonia com as leis através das provas e expiações.


Fonte: Fundação Espírita André Luiz


espiritualidade gay

ESPIRITUALIDADE GAY


As religiões dominantes – e com isso me refiro especificamente a maior parte das formas de cristianismo, judaísmo, islamismo, hinduísmo e budismo – perseguem ou, no melhor dos casos, ignoram os gays.
Essas tradições homofóbicas, através do abuso e da negligência, infligem danos psíquicos horrendos em todos, mas notavelmente sobre os gays.
Elas prejudicam a todos pelo perpetuamento de noções falsas de que os gays são maus ou que eles não existem ou não deveriam existir.
Estas noções falsas são antitéticas à Unidade e ao Amor que são a essência de Deus e bloqueiam a experiência completa de Deus naqueles que mantêm este ponto de vista.
O instinto natural de autopreservação e sanidade mental impele muitos gays a abandonarem as religiões tradicionais, deixando-os frequentemente num vazio espiritual.
Os que permanecem dentro de instituições religiosas tradicionais precisam se resignar à posição precária de minoria marginalizada e desprezada ou da qual se sente pena, relegados a sofrer o dano psíquico e espiritual inerente a tal posição.
O pecado mais horrendo que as religiões cometem contra os gays é nos ensinar de modo explícito ou através do silêncio que o ser de Deus odeia, exclui ou ignora o ser gay, infligindo o maior dano que uma alma pode sofrer que é a alienação ontológica de sua própria fonte.

Negada a sua satisfação nas relações mais mundanas, ordinárias, forçados a se esconder, à invisibilidade, ou, então a uma militância indesejada, os gays se sentem como deixados do lado de fora.
Triste, infelizmente, especialmente para Deus.
Quando falo do Tantra Gay, trato do envolvimento consciente dos gays com o erótico como um caminho espiritual.
Escrever sobre o erotismo gay é problemático, em parte porque não existe definição universalmente aceita do que a palavra “gay”, embora ela seja comumente, e acredito imprecisamente, usada como sinônimo para homossexual.
Parte do problema reside na complexidade da sexualidade humana em si.
Embora a nossa língua e estrutura social nos encorajem, na verdade praticamente nos força, a definir e compreender nós mesmo e os outros em termos simplistas, tais como gay e não gay, homem versus mulher, estes termos nunca abrangem a totalidade do nosso ser.
A princípio, uso a palavra “gay” para me referir à identidade de uma pessoa, como ela se reconhece dentro de si e em relação aos outros.
Uso a palavra “homossexual” meramente para descrever sentimentos sexuais e comportamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Comportamentos e sentimentos homossexuais podem contribuir para o desenvolvimento de uma identidade gay, mas isto nem sempre ocorre.
Acredito que uma pessoa se torna gay através de um processo de autoconsciência e auto-rotulagem.
Portanto, considero uma pessoa gay se ela se considera gay, quer ela reconheça isso para outros ou não.
Ela pode ser homossexual, bissexual, ou o que quer que seja, mas ela tem que tornar-se gay.
Parte da identidade gay, que está sempre nascendo, em evolução contínua, é uma consciência expandida e em expansão do potencial das relações humanas.
Uma pessoa gay sabe o que as outras pessoas sabem, mas ela também sabe o que estas não sabem, ou não podem se permitir saber ou reconhecer, ou seja:
Uma pessoa gay sabe pela experiência que o amor entre pessoas do mesmo sexo é possível. Uma pessoa que não é gay não sabe. Uma pessoa gay sabe que gênero e categorias sexuais são coisas fluidas. Uma pessoa que não é gay não sabe.
A expansão da consciência é a essência do crescimento espiritual e, por esse motivo, a identidade gay é espiritual em essência.
A identidade gay, por ser mais inclusiva, transcende naturalmente muitas das categorias e experiências das identidades não-gays e, por isso mesmo, está mais próxima da Unidade inclusiva, não-dual, que é a essência de Deus.
Esta consciência expandida torna o gay um estranho em relação à sociedade convencional.
Ao ser compelido pela confusão entre realidade interior e realidade social, que questiona suposições fundamentais, tais como a natureza do amor e os relacionamentos, provê-se uma oportunidade preciosa e única para a expansão da consciência.
A Espiritualidade do Tantra treina o despertar para além das suposições limitantes a respeito da natureza do Ser.
Neste quesito, ser um gay desperto confere certas vantagens, mas isto também tem um alto custo.
O gay desperto (que saiu dos modelos e estereótipos) obtém uma consciência além do comum, mas a sociedade considera o seu conhecimento proibido, um conhecimento vergonhoso, e ele aprende rapidamente que precisa esconder o que sabe para proteger os não gays, homofóbicos, de “verdades terríveis” dele mesmo e dos outros, e para proteger-se da ira dos ignorantes.
O desejo instintivo de autopreservação pode induzi-lo a escondê-la tão bem que ele a esconde de si mesmo, e perde então o dom daquela consciência, deixando-lhe apenas sentimentos de inferioridade, vergonha, rejeição e medo.
Ao internalizar a homofobia, ele se torna perigoso para si mesmo e para os seus pares.
Ele reprime, modelando-se a um pensamento socialmente aceitável, não-gay, um falso ser em detrimento do pensamento proibido, gay, seu verdadeiro ser.
Quando acorda para os anseios espirituais que são seu direito natural, é normal que ele tente se aproximar de Deus através das formas e tradições da sociedade.
Mas ele chega ao caminho espiritual com as suas energias psíquicas divididas, frequentemente em conflito, e descobre que o Deus da sociedade não tem lugar para o seu ser gay verdadeiro. A não ser que ele fique se comporte e fique “bem quietinho”.

Adaptado e Traduzido de Willian Schindler






a origem do homem americano

O que a ciência conta sobre a origem do homem americano (por onde chegaram?)

Origem do homem americano é contestada1
Agência FAPESP – O povoamento do continente americano continua um mistério que desafia a ciência, mas algumas certezas começam a se fazer presente. Uma delas é que a cultura Clóvis, que por décadas foi considerada a primeira nas Américas – e que teria dado origem a todas as outras –, não era mesmo o que parecia.
A cultura Clóvis leva o nome do sítio arqueológico no Novo México, Estados Unidos, em que foram encontrados na década de 1920 artefatos produzidos há cerca de 11,5 mil anos. Os achados, principalmente pedras lascadas usadas em lanças, levaram à construção do modelo Clóvis-primeiro, segundo o qual uma única leva de indivíduos que cruzou o estreito de Bering, entre o Alasca e a Sibéria, teria iniciado o povoamento do continente americano. Mas, nos últimos anos, a teoria tem enfrentado grande resistência, após descobertas de povoamentos possivelmente anteriores no Chile e em outros países.
Um novo estudo, publicado na edição de 23 de fevereiro da revista Science, parece enterrar de vez a teoria. Ou, como preferem os autores, “coloca o último prego no caixão” do modelo Clóvis-primeiro. A afirmação não deriva da descoberta de outro povoamento anterior, mas da própria cultura encontrada há oito décadas no Novo México.
Os norte-americanos Michael Waters, da Universidade A&M do Texas, e Thomas Stafford, dos Laboratórios Stafford, no Colorado, analisaram amostras de diversos sítios Clóvis e concluíram que datavam de 10.800 a 11.050 anos atrás.
As estimativas, feitas com um novo sistema de datação por radiocarbono, contestam análises anteriores, que estimavam a idade dos artefatos entre 10.900 e 11.500 anos. “Essas datações foram feitas nas décadas de 1960 ou 1970, quando a tecnologia era muito inferior à disponível atualmente. No novo estudo, conseguimos uma margem de erro de apenas 30 anos”, disse Waters em comunicado da Universidade A&M do Texas.
A revisão leva a uma conclusão surpreendente, pois implica que a cultura Clóvis pode ter durado apenas dois séculos. Com tão pouco tempo, seria impossível que seus representantes tivessem se espalhado pelo continente.
“Uma vez que se conclui que o complexo Clóvis é mais novo e que durou muito menos do que se imaginava, você se pergunta como tais pessoas poderiam, em tão pouco tempo, ter alcançado a América do Sul”, disse Waters. “É muito pouco provável que eles tenham se deslocado tão rapidamente.”
Outra conseqüência direta dos resultados da pesquisa é que registros como o de Monte Verde, no Chile, passam a anteceder os mais antigos da cultura Clóvis em pelo menos mil anos.
“Uma implicação do estudo é que cientistas passarão a procurar por evidências pré-Clóvis com muito mais vigor. Outro ponto é que seremos forçados a desenvolver um novo modelo para explicar o povoamento das Américas”, disse Waters.
O artigo Redefining the age of Clovis: Implications for the peopling of the Americas, de M.R. Waters e T.W. Stafford Jr., pode ser lido por assinantes da Scienceem www.sciencemag.org.

OBSERVAÇÕES

O povoamento das américas é um assunto altamente controverso e fascinante. Uma cultura anterior a de Clóvis na américa do sul questiona fortemente a teria de colonização pelo estrito de Bering. Ou os seres humanos atravessaram o estreito em tempos muito mais remotos, se deslocando velozmente para o sul sem deixar rastros, ou chegaram aqui cruzando o pacífico. Ambas as opções parecem polêmicas.

Homem moderno nasceu na África


Homo sapiens não deve ter surgido em vários locais simultaneamente
Por: Thaís Fernandes
Publicado em 05/01/2001 | Atualizado em 29/09/2009
A confirmação da teoria de que o homem moderno teve origem na África é um dos resultados mais recentes da parceria entre genética e arqueologia. De acordo com um estudo publicado na revista Nature em 7 de dezembro de 2000, os Homo sapiens partiram do continente africano em algum momento dos últimos 100 mil anos. Dali, eles seguiram em direção à Europa, Oriente Médio e Ásia e promoveram a expansão para o resto do mundo.
O homem moderno surgiu na África - entre 130 mil e 465 mil anos atrás - e, nos últimos 100 mil anos, iniciou sua expansão

Os pesquisadores, dirigidos pelo biólogo e geneticista Ulf Gyllensten, da Universidade de Uppsala, na Suécia, analisaram o DNA mitocondrial (DNAmt) de 53 pessoas de diversas localidades. A análise, feita pela primeira vez em todas as seqüências do DNAmt (pesquisas anteriores se baseavam em menos de 7% da molécula), permitiu estabelecer com precisão os laços de parentesco de várias gerações por meio da identificação das seqüências desse DNA que sofreram mutações. Os resultados apontam que o ancestral comum do homem moderno viveu na África há 171.500 anos e parte de sua descendência começou a emigração.

Homo erectus , surgido na África há dois milhões de anos, deslocou-se em uma primeira onda de emigração que originou o Homem de Java, o Homem de Pequim e o Homem de Tautavel (sul da França). Esses homens pré-históricos são a base da teoria multiregional, que sustenta que, a partir de um ancestral arcaico comum, o homem moderno teria evoluído simultaneamente em diferentes partes do mundo. Segundo essa teoria, na Europa, por exemplo, o Homo erectus teria originado o Homem de Neandertal, adaptado ao rigoroso clima da era glacial, que posteriormente deu origem ao Homo sapiens .

No entanto, escavações feitas nos últimos anos indicam que neandertalianos e homens modernos conviveram durante dezenas de milhares de anos. Em Java, fósseis de Homo erectus (espécie que, acredita-se, desapareceu há 200 mil anos) apresentaram datação de apenas 27 mil anos. Além disso, fósseis encontrados na Europa e na Ásia apontam que hominídeos já habitavam o planeta antes da emigração africana do Homo sapiens .

Esses achados levaram à hipótese de que o homem moderno conviveu com homens de Neandertal e Homo erectus. Os resultados da pesquisa de Gyllensten são compatíveis com essa hipótese e contradizem a teoria multiregional. O Homo sapiensnasceu na África e, durante sua expansão, encontrou os neandertalianos no continente europeu e uma forma mais arcaica de Homo erectus na Ásia - grupos que desapareceram devido a alterações climáticas ainda não identificadas pelos cientistas.


Thaís Fernandes
Ciência Hoje On-line
05/01/01

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O MAGO E O SÁBIO



Na antiguidade, um mago muito poderoso foi a procura de um sábio e lhe desafiou em público. O mago disse:

– Eu o desafio, ó sábio, a realizar comigo um confronto psíquico. Eu te enviarei muitas energias negativas e espíritos trevosos. Você pode usar as armas que você quiser contra mim. Vejamos no final quem consegue resistir aos ataques e se sai melhor do que o outro.


Havia uma multidão observando esse diálogo entre o mago e o sábio. Logo após o mago lançar seu desafio, todos olharam para o sábio a fim de saber qual seria a sua reação. O sábio, serenamente, disse:

– Eu aceito seu desafio.

No dia seguinte, toda uma multidão foi acompanhar o duelo entre o mago e o sábio. O mago estava munido de vários tipos de símbolos, pantáculos, adereços, cordões, imagens, anéis, etc. O sábio nada possuía consigo, estava apenas com a roupa do corpo, que era sempre de cor branca.

O mago em voz alta disse: Que o embate comece!

Assim que se iniciou, o mago fez uns desenhos no chão, pegou sua vareta, e começou a mentalizar maus fluidos em direção ao sábio. Nesse momento, dezenas de espíritos trevosos foram ao encontro do sábio, que em posição de lótus, parecia estar em estado meditativo. Os espíritos negativos atacaram o sábio, que permaneceu impassível e sereno diante de todos os ataques. As energias negativas o envolviam, mas o sábio parecia não ser afetado por elas. O mago então tentou outras técnicas, mas nenhuma parecia atingir aquele homem santo.

Passado algum tempo, o mago começou a sentir-se mal; sentiu falta de ar e começou a ter taquicardia. Começou a fraquejar, e quase desmaiou. O mago então se deu por vencido, e admitiu que, de fato, o sábio era mais poderoso do que ele, já que a sua magia foi ineficaz em relação ao sábio, mas a magia do sábio havia sido certeira contra o mago.

Assim que o desafio se encerrou, todas as pessoas foram perguntar ao sábio que técnicas de combate espiritual ele usou contra o mago, e todos ficaram ansiosos pela resposta. Um homem falou alto:

– Conte-nos, sábio! Que grande magia usaste contra o mago que o deixou fraco e o fez vencer o desafio?

O sábio, ainda com olhar sereno, respondeu a todos.

– Não usei nenhuma magia nem qualquer técnica psíquica, respondeu o sábio.

Toda a multidão ficou sem entender nada. Como então o mago se sentira tão mal se o sábio não usou nenhuma técnica de combate astral? O sábio, retomando a palavra, explicou:

– Não amigos, não usei nenhuma técnica, prática mágica ou paranormal contra o mago. No momento em que ele me enviava energias negativas e espíritos trevosos, eu enviava a ele energias de amor, paz e luz. Foram essas energias que me protegeram dos ataques que ele endereçou a mim.

O mago, ouvindo isso, perguntou:

– Mas então por que eu passei mal durante o desafio?

O sábio respondeu:

– Todas as pessoas têm uma sombra, e essa sombra pode ser comparada a um quarto escuro, lá dentro de nossa mente inconsciente, onde guardamos tudo aquilo de ruim que há em nós e que não desejamos confrontar ou conhecer, pensamentos, emoções, mágoas, etc. O que acontece quando alguém acende a luz de um quarto escuro onde tudo de ruim está guardado? Aquela pessoa passa a enxergar o que antes estava escondido, e passa a entrar em contato com tudo de ruim que há nela. E quando ela se depara com suas mazelas, e não as quer solucionar, ela pode se sentir mal, pois estamos tocando em suas feridas, ou em sua escuridão interior. Isso gera uma tensão que pode fazer alguém que não deseja a sua melhora sentir-se mal. As trevas sempre se rebelam contra a luz, ou seja, a luz ofusca as trevas. Um dos maiores ensinamentos dos mestres é que ninguém deve lutar contra as trevas, basta apenas acender uma luz. Um sábio é aquele que conseguiu iluminar a sua própria escuridão.

O sábio então completou sua fala:

– Quando cada um de vocês conseguir iluminar e vencer as suas trevas interiores, não há qualquer coisa neste mundo, por pior que seja, que poderá te atingir ou te abalar.

Autor: Hugo Lapa 

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