segunda-feira, 31 de outubro de 2016

PARAFILIAS

Mais do que esquisito, descobrir o “mundo das parafilias” é uma experiência
 surpreendente e, na maior parte das vezes, grotesca. O significado dessa 
palavra abre espaço para muitos conceitos e interpretações mas, basicamente,
 parafilia diz respeito a transtornos sexuais, perversões, anseios, fantasias,
 comportamentos sexuais intensos e variantes do erotismo. Em outras palavras,
 são meios pelos quais algumas pessoas têm que passar para que consigam ficar 
excitadas e/ou chegarem ao orgasmo.
As noções de desvio e desempenho sexual variam entre as diferentes culturas
, por isso, algumas vezes, parafilia pode querer dizer “disfunção sexual”.
 No entanto, isso só acontece quando a atitude parafílica causa dano a alguém, 
sendo excessiva ou inadequada. O importante é perceber a relação entre o sujeito
 parafílico e seus estímulos, saber avaliar se essa pessoa é capaz de ter 
relações sexuais sem tais estímulos e fantasias, determinando seu grau de dependência.
Na maior parte das vezes, a parafilia acontece com os homens. Uma das 
explicações é que o homem é criado sob um grau de exigência mais rígido, 
não podendo colocar sua identidade sob suspeita, além de ter sempre que tomar 
decisões importantes. Isso acabaria gerando um espaço para que a parafilia surgisse
, ficando no lugar do subterfúgio.
Listamos abaixo as principais parafilias, tentando juntar as que mais se parecem 
em “sub-grupos”. Entretanto essa não é uma classificação médica ou psicológica, 
mas sim uma forma de visualizar como algumas preferências sexuais podem ser
 algo motivante, no bom sentido, e como podem ser fruto de uma perversão
, principalmente quando se torna a principal atividade sexual na vida de alguém.

 Confira algumas parafilias:


Parafilias | SER O OUTRO


Travestismo: são pessoas que só conseguem ter praze
r se tratados como o
 sexo oposto. Na maioria das vezes, homens que se vestem como mulheres.
 Observação: não são homossexuais.
Andromimetofilia: o homem que sofre de andromimetofilia prefere transar com 
mulheres que representem e se relacionem sexualmente como se fossem homens.
Ginemimetofilia: parecido com a andromimetofilia. Mas nesse caso, a preferência
 é por homens que se relacionem eroticamente como mulheres.
Autonepiofilia: a pessoa se excita ao fingir que é um bebê de fraldas e seu parceiro
 precisa trata-la como tal. Já quando a pessoa finge que é uma criança, o caso é
 de infatilismo parafílico, e quando é uma adolescente, estamos falando de
 juvenilismo parafílico.

Parafilias | IMAGENS

Voyeurismo: são pessoas que gostam de observar pessoas nuas ou tendo
 relações sexuais, sem o consentimento destes. É um risco, e é isso que provoca
 a excitação no voyeuristas. Enquanto assistem, eles se masturbam.
Agalmatofilia: nesse caso, a excitação não é com pessoas, mas com a 
observação de uma estátua ou modelo representativo de pessoa nua. Quando 
acontece da pessoa não apenas observar, mas também usar a estátua, chamamos
 de pigmalionismo.
Pictofilia: excitação obtida através da visualização de fotografias, imagens ou 
vídeos de atividades pornográficas ou obscenas, na presença do parceiro.

Parafilias | O OUTRO

Exibicionista: Sabe aqueles homens nojentos que às vezes, seja na praia ou
 em um canto da rua, mostram seus órgãos genitais e começam a se masturbar? 
Pois é, esse é o chamado exibicionista, e geralmente são homens tímidos que
 têm medo de contato sexual e, para sentir prazer, precisam chocar mulheres
 desconhecidas. Algumas vezes, essas pessoas têm a fantasia de que o observador 
ficará sexualmente excitado, o que só aumenta sua própria excitação.
Biastofilia: o indivíduo se excita quando, ao atacar uma pessoa desconhecida, esta
 aparenta estar aterrorizada.
Frotteurismo: pessoas que tocam e se esfregam em uma pessoa sem seu
 consentimento, geralmente em locais de grande movimento. Ele esfrega seus
 genitais contra as coxas e nádegas ou acaricia com as mãos a genitália ou os
 seios da pessoa, fantasiando um relacionamento exclusivo e/ou carinhos com essa.
Escatofilia: é quando a pessoa precisa ter conversas íntimas com pessoas 
conhecidas ou desconhecidas, com um linguajar vulgar. Tambem conhecida como
 telefonescaptofilia.
Somnofilia: o indivíduo só consegue se excitar quando acorda um desconhecido
 fazendo-lhe carícias eróticas, até mesmo o sexo oral, mas sem que seja preciso o
 emprego da força ou violência.
Narratofilia: A pessoa só obtem excitação se contar histórias eróticas ao parceiro,
 principalmente aquelas consideradas sujas, pornográficas ou obcenas.

Parafilias | IDADE

Pedofilia: Pedófilos são aqueles que se excitam com crianças ou pré-
adolescentes, geralmente menos de 13 anos. Essa excitação pode ter natureza
 homossexual ou heterossexual e, geralmente, são homens tímidos que não se
 satisfazem com mulheres adultas, mas com crianças eles se sentem no controle
 da situação. A pedofilia pode se limitar a atividade de despir e observar a criança,
 ou tocá-la e afagá-la, ou mesmo exibir-se e masturbar-se na presença dela.
Efebofilia: atração por parceiros púberes ou adolescentes.
Gerontofilia: atração sexual por parceiros muito mais velhos (com a idade de 
seus pais ou avós, por exemplo).

Parafilias | ANIMAIS

Zoofilia: praticar sexo com animais ou assistir momentos de cópula é o que dá
 prazer ao praticante da zoofilia. Pode parecer estranho, mas isso acontece em
 regiões rurais. Normalmente, a prática desaparece quando a pessoa inicia um
 relacionamento com humanos.
Formicofilia: consiste na excitação através do contato com pequenos animais,
 tais como caracóis, rãs, formigas e outros insetos que deslizam, arrastam-se ou
 mordam os genitais, a região do períneo e os mamilos.

Parafilias | OBJETOS

Fetichismo: o fetichismo é um tipo de parafilia bastante comum, e nem
 sempre é prejudicial. Os meios que despertam o interesse sexual costumam
 ser calcinhas, soutiens, meias, sapatos, botas ou outras peças do vestuário
 feminino. O fetichista normalmente pede para que o parceiro use o objeto em
 durante as relações, ou pode ter uma relação especial com tal objeto, como se
 masturbar enquanto o segura, esfrega-lo ou cheira-lo. Algumas vezes, o objeto
 de fetiche pode ser partes do corpo – com tanto que não sejam diretamente ligada
s ao sexo. Ou seja, mãos e pés podem ser um objeto de fetiche, mas não os seios
 ou a vagina.
Hifefilia: é quando a pessoa fica excitada por meio do toque ou roçar na pele
 de materiais que sejam utilizados nas áreas eróticas do corpo, tais como pelo,
 couro e tecido.
Misofilia: cheirar, mastigar ou realizar outra ação com roupas sujas, suadas ou
 com artigos de higiene menstrual é o que deixa o misófilo excitado.

Parafilias | CHEIROS E EXCREÇÕES

Olfatofilia: é a excitação a partir de odores das diferentes partes do corpo,
 principalmente os órgãos genitais.
Coprofilia: Outra doidera da parafilia são as pessoas que gostam de um
 sexo com fezes, urina ou vômito. O indivíduo excita-se e obtém prazer através 
do contato com excrementos ou inalação de seu cheiro. Quando a estimulação
 erótica se dá através do cheiro da urina, pode ser chamada de renifleurismo; se
 a urina for ingerida, chama-se urofilia.

Parafilias | MORTE E DOR

Necrofilia: pessoas que tem preferência por ter relações sexuais com cadáveres. 
São considerados psicóticos.
Acrotomofilia: preferência por pessoas que tenham alguma parte de seus corpos
 amputada, pois a excitação é proporcionada justamente pela falta daquela 
parte. Quando a excitação acontece quando um membro do próprio corpo é 
amputado, chama-se apotemnofilia ou amelotatista.
Sadomasoquismo: geralmente, para que o ato sadomasoquista aconteça, 
precisa ter um sádico e um masoquista. Mas é possível que haja uma relação 
apenas de sadismo ou de masoquismo, e nesse caso o outro parceiro não
 necessariamente entra na dança.
O sádico é quem sente prazer quando provoca dor, sofrimento e humilhação 
moral a outra pessoa, que pode ou não consentir. Essa dor pode ser desde
 pequenas dimensões, como tapas e palmadas, passando por chicote, 
queimaduras, cortes, estupro, até a morte. O importante é que esses atos não 
são simulados, mas sim reais.
Já o masoquista fica excitado com sofrimento. Algemas, roupas de couro
 e chicotes fazem parte da sua fantasia sexual. Assim como o sadismo, há o
 masoquismo “leve”, mas também há o masoquismo do tipo “heavy”.
A mistura dessas duas práticas consiste no sadomasoquismo. Ora a pessoa
 causa a dor, ora a pessoa sofre. O sadomasoquismo de maneira leve é
 considerada uma prática comum.
Asfixiofilia: também conhecido como hipoxifilia, é quando a pessoa tenta
 intensificar o estímulo sexual pela privação de oxigênio, seja através da 
utilização de um saco plástico amarrado sobre a cabeça ou de alguma técnica 
de estrangulamento. Estima-se que só nos Estados Unidos entre 500 a mil
 pessoas morram acidentalmente por ano vítimas desta prática.
Autoasesinofilia: é a excitação relacionada à possibilidade de encenar ou
 manejar uma morte masoquista de si mesmo por assassinato.
Erotofonofilia: quando o sujeito se excita com a possibilidade de matar o 
companheiro, sendo a morte o seu momento de orgasmo.
Simforofilia: A excitação advém da possibilidade de ocorrência de um
 desastre, como um acidente de trânsito, por exemplo, e observação de suas
 consequências.

Parafilias | ROUBO

Hibristofilia: é a atração por criminosos perigosos, que tenham cometido crimes 
como violação, assassinato ou roubo armado.
Crematistofilia: o indivíduo se excita quando é obrigado a pagar ou então é
 roubado por sua parceira sexual.
Kleptolagnia: é a gratificação erótica provocada pelo roubo. Quando o roubo
 é na casa de um desconhecido ou parceiro em potencial, pode ser chamado de
 Kleptofilia.

Parafilias | CORPO

Estigmatofilia: atração por parceiros que tenham tatuagens, cicatrizes ou 
perfurações no corpo com finalidade de uso de jóias de ouro, principalmente 
na região genital.
Morfofilia: atração sexual por parceiros que possuam uma ou mais características
 particularizadas no corpo.
Clismafilia: refere-se à excitação erótica provocada pela injeção de alguma 
substância no reto, geralmente água ou solução medicamentosa.

E A NORMALIDADE?



Normofilia: por incrível que pareça, ser certinho demais também pode ser
 considerado um parafílico. A normofilia é a excitação através da plena 
concordância com os padrões sociais, religiosos e legais.

você sabe o que é uma parafilia?



Parafilias: Do quase normal ao bizarro


















Exibicionismo
Fetichismo
Frotterismo
Masoquismo sexual


Sadismo sexual
Voyerismo
Travestismo Fetichista
Escatologia telefônica
Necrofilia
Zoofilia
Coprofilia
Urofilia



De forma geral, parafilias são expressões anormais da sexualidade,
 variando de um 
comportamento quase normal a um comportamento destrutivo e que
 causa danos à
 própria pessoa,
 ao parceiro, e em muitos casos até à sociedade como um todo.Falar 
sobre normalidade não é algo simples e fácil, visto que este é um conceito
 que
 só tem sentido se for interpretado dentro do seu contexto. Quando se trata
 de sexo e
 sexualidade as coisas 
tornam-se ainda mais complexas. Portanto, este texto é apenas informativo
 e visa
 esclarecer um
 assunto muitas vezes rodeado de preconceitos e mistérios.
Vamos lá!
De acordo com o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais
 (DSM), os
 critérios que definem que uma pessoa tem uma parafilia são os seguintes:
“Presença de uma fantasia patognomônica e o impulso intenso de agir
 segundo a fantasia 
ou sua elaboração comportamental. A fantasia que pode causar sofrimento
 ao paciente
, contém
 material sexual incomum e relativamente fixo e demonstra apenas variações 
menores.
 A excitação e o
 orgasmo dependem da elaboração mental ou do desempenho comportamental
 da fantasia. 
A atividade sexual é ritualizada ou estereotipada, fazendo uso de objetos
 degradados, 
reduzidos ou 
desumanizados.”
Tipos de parafilias e suas expressões:
Desejo intenso de expor os genitais a uma pessoa estranha ou desavisada.
 A excitação
 sexual ocorre antes mesmo da exposição e o orgasmo acontece através da
 masturbação
 durante ou
 até mesmo após o evento. Em sua maioria os exibicionistas são do sexo 
masculino, 
homens que expõem
 o pênis e sentem prazer com a reação da vítima, que geralmente é de medo,
 surpresa
 e repulsa.
Nesta situação o foco do desejo sexual é um objeto (sapatos, luvas, calcinha…) 
associados
 ao corpo humano.
É caracterizado pelo ato de um homem esfregar seu pênis contra as nádegas 
ou outras
 partes do corpo de uma mulher totalmente vestida, para desta forma atingir 
o orgasmo.
 Você já deve
 ter visto no mínimo uma reportagem sobre esse tipo de coisa acontecendo 
dentro de
 ônibus ou metrôs.
Pessoas masoquistas sexuais têm impulsos e fantasias envolvendo o fato de
 serem
 humilhadas, espancadas, amarradas ou submetidas ao sofrimento de alguma 
outra 
forma. Como
 nem sempre encontram parceiros dispostos a praticar esse tipo de relação, 
muitos 
recorrem às 
profissionais do sexo e pagam para serem maltratados.
Fantasia sexualmente excitante, recorrentes e intensas. ;São impulsos sexuais
 e 
comportamentos envolvendo atos reais de humilhação, sofrimento psicológico
 e físico 
a um parceiro. 
Causam satisfação sexual e levam ao orgasmo.
Também conhecido como escopofilia, o voyerismo é caracterizado pela fantasia 
e o ato 
de observar pessoas que estão nuas, ou se vestindo, ou em atividade sexual.
Ato de vestir-se com roupas do sexo oposto como meio de excitação e forma 
de atingir
 o orgasmo. O DSM classifica tais indivíduos com disforia de gênero.
Muito provavelmente você já conhecia os transtornos citados acima. Todavia, 
eles
 não param por aí. Falaremos agora de parafilias que causam estranhamento e
 repulsa
 em muita gente.
 Analise e me diga: O que você acha?
Telefonemas obscenos para um parceiro desavisado. A excitação tem início 
antes
 mesmo da chamada; o indivíduo tenta induzir o parceiro (a) a falar sobre sua
 atividade
 sexual ou apenas
 ouvir as dele. A masturbação acontece simultaneamente ou mesmo após o
 encerramento da chamada.
Obs.: O ato de enviar através da internet imagens de conteúdo sexual 
(geralmente
 explícito) para pessoa desavisada também é considerado uma parafilia.
A necrofilia é a obsessão por obter prazer sexual através de cadáveres. A 
maioria
 das pessoas com esse transtorno encontra cadáveres em necrotérios, mas sabe-se 
de casos onde roubam túmulos ou até cometem assassinato para satisfazerem 
seus impulsos.
Na zoofilia, animais são incluídos nas fantasias e atividades sexuais, onde
 acontece
 masturbação, contato oral-genital e coito propriamente dito. Alguns animais
 são
 treinados para isso.
Prazer sexual associado ao desejo de defecar no parceiro, ou que o mesmo
 defeque na pessoa ou de comer fezes (coprofagia).
Prazer sexual associado ao desejo de urinar no parceiro ou que o parceiro 
urine nele.
A pedofilia também é considerada uma parafilia, mas por sua complexidade
 merece um texto à parte.
Você já tinha ouvido falar em todas essas expressões da sexualidade? 
Deixe seu comentário, compartilhe conosco sua opinião e no próximo texto
 trataremos das causas e tratamentos das parafilias.

sábado, 15 de outubro de 2016

A verdadeira história da Lista de Schindler

A “Lista de Schindler” é um famoso filme, dirigido por Steven Spielberg,
 que conta a história de um industrial alemão que salva as vidas de




 milhares de judeus. Conta-se que Schindler era dono de uma fábrica
 de armamentos, na qual trabalhavam muitos judeus. Paradoxalmente 
Schindler era filiado ao Partido Nazista. A origem de seus empregados
 remete ao gueto de Cracóvia e muitos moradores desse gueto foram 
parar no campo de concentração de Plaszow. É daí que Schindler tirou
 a mão de obra de sua indústria.
Os operários de Schindler trabalhavam o dia inteiro e ao anoitecer voltavam para o campo de
 concentração. Quando os oficiais de Plaszow receberam ordens de desativar o campo de
 concentração (e isso significava mandar os prisioneiros para outro lugar, onde seriam mortos), 
em decorrência do avanço das tropas russas, Schindler, através do suborno desses oficiais,
 conseguiu convencê-los de que necessitava daqueles funcionários “especializados”, e criou a
 famigerada “lista de Schindler”. Os nomes que aí constavam foram transferidos para uma

 fábrica na cidade natal do industrial.


Quando a guerra terminou, 1200 mulheres, crianças e homens foram 
salvos graças aos esforços desse homem. O governo de Israel lhe con
cedeu
 uma pensão vitalícia pelas vidas dos judeus salvos, e pelo seu
 humanismo.
 Enquanto a guerra durou se tornou próspero, porém gastou todo 
seu dinheiro 
ajudando judeus a fugir da Alemanha e com empreendimentos que 
não deram
 certo. Seu nome está inscrito junto a uma árvore plantada por ele,
 localizada
 numa avenida de Israel, ao lado de outras personalidades não judias
, mas
 que pelas atividade humanitárias em favor das vidas de milhares de
 judeus, 
se tornaram verdadeiros heróis.
Em 1974, morreu pobre num hospital de Hildesheim.

Os animais têm alma e são também seres em evolução































Por Irvênia Prada
Todos nós que convivemos com animais sempre nos sensibilizamos 
com suas demonstrações de companheirismo e afetividade. É comovedor 
o testemunho do Padre Germano ("Memórias do Padre Germano",
 de Amália Domingos Soler, FEB) a respeito de Sultão: "Pobre animal! 
Pesa-me dizê-lo, mas é a verdade: encontrei num cão o que nunca pude 
encontrar num homem. Quanta lealdade, cuidado, solicitude!". 
Também nos surpreendemos com suas atitudes inteligentes. Em 
"A Gênese", cap. III, itens 11 a 13, de Kardec, lê-se: "... isso 
(a inteligência) é um atributo exclusivo da alma... O animal carniceiro
 é impelido pelo instinto a nutrir-se de carne; porém, as precauções... sua 
previsão... são atos de inteligência".
Hoje, a Etologia, ciência do comportamento, criada por Konrad Lorenz,
 confirma plenamente esse enfoque kardequiano, demonstrando que os
 animais são seres inteligentes. Aliás, com capacidade muito além da que 
supúnhamos. Leia-se, a respeito, entre outros, "O Parente mais Próximo",
 de Roger Fouts, biólogo americano que durante mais de 30 anos
trabalha com chimpanzés, ensinando-lhes a linguagem gestual dos surdos-mudos.
Voltemos a Kardec, "O Livro dos Espíritos", item 597: - "Pois se os 
animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação,
 há neles um princípio independente da matéria? Resposta: Sim, e que
 sobrevive ao corpo".
Muitos são os relatos a esse respeito que consegui inserir em meu livro 
A Questão Espiritual dos Animais, publicado pela FE - Folha Espírita.
 Este me foi transmitido pessoalmente pelo querido confrade Divaldo Pereira
 Franco: Divaldo chegou certa vez a Campo Grande, tendo sido recebido por
D. Maria Edwiges, então presidente da Federação Espírita do Mato Grosso.
 Ao entrar em sua residência, pulou-lhe ao peito enorme cachorro. As pessoas
 que o acompanhavam, sem se aperceberem do que realmente estava 
acontecendo, indagam-no sobre sua inesperada reação. Divaldo responde: 
"Eu me assustei com o cachorro, mas está tudo bem!" Ouve deles
 em seguida: "Que cachorro, Divaldo, aqui não tem cachorro nenhum!", 
ao que ele retruca: "Tem, sim, esse pastor aí!" Percebe então que D. Maria
 Edwiges se emociona ao comentar: "Divaldo, eu tive um pastor, mas 
ele morreu há meses!"
Outro caso que relato, encontra-se originalmente no livro "Testemunhos
 de Chico Xavier", de Suely Caldas Schubert, FEB, onde se lê o seguinte 
depoimento de Chico: "Em 1939, o meu irmão José deixou-me um desses
 amigos fiéis (um cão). Chamava-se Lorde e fez-se meu companheiro...
 Em 1945, depois de longa enfermidade, veio a falecer. Mas, no último 
instante, vi o Espírito de meu irmão aproximar-se e arrebatá-lo ao corpo 
inerte e, durante alguns meses, quando o José, em Espírito, vinha ter 
comigo, era sempre acompanhado por ele... A vida é uma luz que se 
alarga para todos..."
Motivada por tantas evidências, passei a buscar na literatura espírita, 
particularmente nas obras de Kardec, como na ciência acadêmica, 
informações que elucidassem tantas questões sobre a espiritualidade dos 
animais, e as "coincidências" que encontrei são surpreendentes! Por exemplo,
 hoje a ciência admite ser o sistema nervoso, em especial o cérebro, o
 "órgão" (do gregoorganon = meio, recurso, instrumento) de expressão da mente.
 Pois bem, André Luiz, em "No Mundo Maior", cap. 4, informa que: "
O cérebro é o órgão sagrado de manifestação da mente, em trânsito da 
animalidade primitiva para a espiritualidade humana". Também é 
impressionante a correlação que se pode fazer entre o "cérebro trino"
 de Mac Lean, autor clássico na ciência, com a configuração de nossa casa
 mental e sua relação com diferentes partes do cérebro, expressa por
 André Luiz no livro "No Mundo Maior", cap. 3 e 4.
Era a deixa que eu queria, pois como veterinária e espírita acabei encontrando
 um leito para dar fluxo às muitas idéias que pululam na mente de todos nós,
 sobre os animais. Muitos dos temas são ainda tratados como questão, 
isto é, como matéria em discussão, uma vez que existem muitas perguntas
 sem resposta definitiva. São eles: a filogenia do cérebro e da mente, o
 significado do sofrimento nos animais, a presença de figuras animais
 no plano espiritual (a questão da erraticidade, do desencarne e da 
reencarnação), a existência dos "espíritos da natureza", a abordagem ética
 e doutrinária do comer ou não comer carne e a validade do uso de animais
 na chamada zooterapia.
Defendo a tese de que os animais são seres em evolução, tanto orgânica 
quanto espiritual. São nossos companheiros de jornada, merecendo ser
 respeitados e, sobretudo, amados. Como diz o mentor Alexandre, em
 "Missionários da Luz", cap. 4, de André Luiz: "Abandonando as 
faixas de nosso primitivismo, devemos acordar a própria consciência
 para a responsabilidade coletiva. A missão do superior é a de amparar
 o inferior e educá-lo".
Que Jesus abençoe nossos esforços para entender a beleza de toda a criação,
 na qual não devemos nos colocar como destacados senhores, mas, sim, na
condição de Espíritos ainda no aprendizado de primárias lições!
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